A Flor do Sertão – Capítulo 09

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CENA 01: TERESINA/HOSPITAL/INT./MANHÃ

Regina está dormindo em uma cadeira da sala de espera. Ramiro chega ao local e se senta em uma cadeira ao lado. Ele fica a olhando.

Instantes depois, Regina desperta.

REGINA: Seu coronel? O que o senhor tá fazendo aqui tão cedo?

RAMIRO: Vim saber do menino.

REGINA: Tá na mesma. Três dias e nada dele reagir…

Regina começa a chorar, sendo amparado por Ramiro, que a abraça. Nesse momento, Bento entra em cena com um buquê de flores na mão. Ao flagrar o abraço, ele imediatamente solta o buquê e aplaude sarcasticamente. Imediatamente, Ramiro e Regina se afastam. Regina se levanta e vai até Bento.

REGINA: Bento, meu amor… Ainda bem que tu chegou.

Regina tenta abraçar Bento, mas ele se esquiva. Ela estranha a sua frieza.

BENTO: Pensei que tinha estragado o momento dos dois. Formam um lindo o casal!

REGINA: Quê isso Bento?

Bento encara Ramiro e olha para Regina. Em seguida, ele sai. Regina vai atrás dele.

CENA 02: TERESINA/HOSPITAL/CORREDO/MANHÃ

Regina anda atrás de Bento nos corredores do hospital.

REGINA: Bento!

Regina corre e fica frente a frente com Bento.

REGINA: Bento, meu amor. O que deu em ti, hein?

BENTO: Tu, Regina. Tu mais aquele coronel.

REGINA: O coronel Ramiro tá ajudando meu irmão.

BENTO: Já tá chamando ele até pelo nome. Tu prefere ele só por causa das terras e do dinheiro? É isso?

Regina dá um tapa no rosto de Bento.

REGINA: Tu num me ofende não, viu, Bento?

Regina sai brava e volta para a sala de espera.

CENA 03: TERESINA/HOSPITAL/INT./MANHÃ

Regina volta pra sala de espera.

RAMIRO: Tudo bem?

REGINA: Tá.

O médico chega.

MÉDICO: Quem são os familiares de Geraldo Alves da Fonseca?

REGINA: Eu sou irmã dele, doutor. Aconteceu alguma coisa?

MÉDICO: Sim, ele reagiu. Já está consciente, não apresenta sequelas físicas. Faremos alguns exames para confirmar o seu estado, mas é provável que o paciente receba alta ainda hoje.

Regina fica feliz e abraça Ramiro. Depois ela se afasta.

CENA 04: PRACINHA/EXT./NOITE

O sol se põe ao som de Quando Assim – Núria Mallena. Nasce um novo dia. Aos poucos, a pracinha vai lotando. O carro de Ramiro volta a Aroazes e chama a atenção de alguns figurantes.

CENA 05: CASA DE JOSÉ/FACHADA/EXT./MANHÃ

O carro de Ramiro estaciona próximo à casa de José para o desembarque de Geraldo, José, Maria e Regina.

REGINA: Muito obrigada, seu Ramiro.

JOSÉ: É, seu coronel. Num sei nem como agradecer o senhor.

MARIA: Agradecida!

Ramiro lhes sorri, respondendo-lhes um “de nada” com o olhar. Ele parte.

REGINA: O coronel num é tão ruim assim.

Regina olha para o lado e vê Arivalda saindo de casa.

REGINA: Geraldo, vai indo pra casa que eu já entro.

Arivalda começa a andar pela calçada, quando é abordada por Regina.

REGINA: Arivalda, a Laís tá aí? Tô com uma saudade dela.

ARIVALDA: Ela foi passar um tempo com os tios. Tadinha, tava tão tristinha…

REGINA: E quando ela volta?

ARIVALDA: Vai demorar… Agora licença que eu vou ter que ir ali.

Regina fica intrigada, mas não responde Arivalda. Ela entra em casa, deixando a mulher sozinha em cena.

ARIVALDA: Que garota enxerida! Tu nunca mais vai ver sua amiguinha.

Arivalda segue andando.

CENA 06: ESTRADA/EXT./MANHÃ

É mostrada a imagem de uma estrada. A câmera está bem distante e vai se aproximando aos poucos de uma Kombi. A visão privilegiada permite a visualização de várias meninas pré-adolescentes em seu interior, acompanhadas de dois homens. O rosto de uma delas ganha destaque. É Laís, que não para de chorar.

HOMEM: Para de chorar menina, senão tu vai apanhar. A gente já tá quase chegando na capital. Daqui a pouco todas vão ser compradas. Resta torcer pra terem uma família boa…

O homem ri, apavorando as meninas. Laís observa a estrada, triste.

LAÍS (pensando): Eu tenho que sair daqui!

A câmera volta a se distanciar.

CENA 07: CASARÃO DE RAMIRO/ESCRITÓRIO/INT./MANHÃ

Ramiro e Matias entram no escritório. O coronel se senta.

RAMIRO: Tenho um novo servicinho pra ti, Matias.

MATIAS: Às ordens, seu coronel.

RAMIRO: Quero que tu dê uma lição no ex-namorado da Regina.

MATIAS: Mas os dois ainda tão juntos.

RAMIRO: Por pouco tempo! Aquele cabra destratou a Regina e quero tirar ele do meu caminho…

MATIAS: Então, o coronel tá de olho na moça?

RAMIRO: Vou logo dizer que sim pra tu não me encher o saco.

MATIAS: Pode deixar, eu vou dar um jeito no rapaz. Com sua licença.

Ramiro se retira. Em seguida, alguém bate na porta e a abre. É Omar.

OMAR: Com licença, seu coronel Ramiro.

RAMIRO: E tu, quem é?

OMAR: Prazer, me chamo Omar. Sou investigador da Polícia Federal.

Omar estende a mão a Ramiro e os dois se cumprimentam com um aperto de mão.

RAMIRO: No que posso te ajudar?

OMAR: Serei direto, seu coronel Ramiro. O senhor está sendo acusado de ter assassinado o coronel Herculano da Silva.

Close na expressão surpresa de Ramiro, que se espanta por estar sendo acusado de um crime.

CENA 08: FAZENDA DE RAMIRO/PLANTAÇÃO/EXT./MANHÃ

A câmera foca nas costas de um homem andando na plantação. Alguns trabalhadores se aproximam e ele se esconde. Em seguida, ele volta a andar pela fazenda, observando tudo. Para despistar, o homem pega uma enxada e começa a trabalhar. Ao se virar, ele esbarra em Regina, que ao olhar para sua face tem a sensação de já ter o visto antes.

REGINA: Eu acho que já vi tu por aqui! E num foi trabalhando…

O homem se vira e tenta sair dali.

REGINA: Tu tava vigiando a fazenda…

O homem começa a correr e Regina vai atrás.

REGINA: Ei, volta aqui!

O homem consegue se esconder atrás de uma árvore. Regina continua procurando-o. Ele não a vê e fica aliviado. De repente, ela dá uma rasteira no homem.

REGINA: Por que tu tá de olho na fazenda? É um ladrão?

O homem derruba Regina com os pés. Os dois rolam terra a baixo. O homem aproveita e se levanta, conseguindo escapar. Ele corre para o mato próximo à fazenda. Regina se levanta e encara aquele mato, intrigada com o que acabara de acontecer.

CENA 09: CASARÃO DE RAMIRO/ESCRITÓRIO/INT./MANHÃ

Ramiro continua surpreso com o que ouvira.

RAMIRO: Mas que absurdo! Isso só pode ser um engano… ou uma brincadeira de mau gosto…

OMAR: Seu coronel, eu só quero que o senhor preste alguns esclarecimentos. Gostaria de me acompanhar até a delegacia?

RAMIRO: Prefiro lhe prestar esclarecimentos aqui no conforto de minha casa.

OMAR: Como quiser, seu coronel…

Omar se senta de frente para Ramiro. O foco da câmera reveza entre o rosto intrigado de Omar e a fisionomia nervosa de Ramiro.

OMAR: Coronel Ramiro, onde o senhor se encontrava durante a noite da morte do coronel Herculano?

RAMIRO: Em minha própria casa, investigador. Minha governanta pode confirmar isso pro senhor.

OMAR: Certo… qual era sua relação com o coronel Herculano?

RAMIRO: A gente não era de se falar muito não. Era uma relação normal entre dois coronéis.

OMAR: Uma relação normal… que estranho… pelas informações que eu colhi, vocês dois nutriam uma inimizade.

Ramiro engole seco. Os dois continuam conversando. O som das vozes vai diminuindo até sumir.

Corte rápido. Omar e Ramiro se despedem.

OMAR: Muito obrigado pelos esclarecimentos, coronel Ramiro. Como o senhor foi elevado à categoria de suspeito, o senhor não pode sair da cidade até que esta investigação seja solucionada. Passar bem.

Omar se retira do escritório. Ramiro vira o rosto, dirigindo seu olhar para a janela. Ele consegue ver Regina trabalhando na plantação.

CENA 10: FAZENDA DE RAMIRO/PLANTAÇÃO/EXT./MANHÃ

Regina interrompe seu trabalho ao perceber a aproximação de alguém. Ela se surpreende ao perceber que se trata de Ramiro: timidamente, o coronel oferece uma flor à moça.

RAMIRO: Uma flor pra outra flor.

REGINA: Seu coronel?!

RAMIRO: Ramiro. Aconteceu alguma coisa, Regina? Teu irmão tá bem?

REGINA: Não, Ramiro. Ele tá bem, graças a Deus. É porque tem um homem estranho vigiando a fazenda…

Ramiro raciocina com o que Regina lhe disse, e logo chega a uma conclusão.

RAMIRO: Só pode ser aquele desgraçado!

REGINA: Quem?

RAMIRO: Deve ser um ladrão…

REGINA: Ramiro, nós temo que conversar sobre as condições de trabalho. A jornada tá pesada por demais…

RAMIRO: Quando cair a tarde, vai lá no meu escritório pra gente poder conversar.

Ramiro volta pro casarão. Ao fundo, Bento observara toda a conversa.

BENTO: Então tu quer trocar eu por dinheiro, Regina. Mas num vai mesmo!

CENA 11: CASA DE BENTO/FACHADA/EXT./TARDE

Francisca caminha pela rua onde Bento mora.

FRANCISCA: Esse lugar continua a mesma coisa… Lugar de pobre! Onde será que fica a casa do Bento?

Raimundo sai de casa.

FRANCISCA: Moço, tu sabe onde fica a casa do Bento?

RAIMUNDO: O Bento é meu filho. Ele mora aqui comigo. E tu, quem é?

FRANCISCA: Eu sou irmã da Regina. Ele tá em casa?

RAIMUNDO: Ele deve de tar chegando da lavoura. Pode entrar e esperar ele lá dentro de casa.

FRANCISCA: Obrigada!

Francisca entra na casa de Bento.

CENA 12: CASA DE BENTO/QUARTO DE BENTO/INT./TARDE

Francisca entra no quarto e fecha a porta, analisando todos os detalhes do cômodo.

FRANCISCA: Então é nessa espelunca que seu namoradinho mora, irmãzinha… Os dois até que se merecem, mas eu num posso te deixar viver feliz, Regina.

Francisca se senta na cama. Aos poucos, ela vai tirando sua roupa. A câmera fica embaçada, mas é possível perceber que ela está nua.

FRANCISCA: O Geraldo vai avisar a Regina e ela vai vim pra cá.

Francisca dá um sorriso diabólico.

CENA 13: CASARÃO DE RAMIRO/SALA DE ESTAR/INT./TARDE

Mais um dia de trabalho se encerra. Os trabalhadores vão pegando suas ferramentas e indo para casa. Regina vai para o casarão. Ela se encontra com Bento. Os dois se encaram por alguns instantes. Bento vai pra casa, enquanto Regina entra no casarão.

REGINA: Com licença. O coronel Ramiro taí?

SANDRA: Ele tá ocupado no escritório. É melhor tu ir embora.

Regina caminha em direção à porta, quando Aurora a chama.

AURORA: Regina?!

REGINA (abraçando Aurora): Oi, princesa.

AURORA: Tu veio me ver?

REGINA (abraçando Aurora): Hoje eu vim conversar mais seu pai, só que ele tá ocupado.

AURORA (decepcionada): Ele tá no escritório. Eu te levo.

CENA 14: CASARÃO DE RAMIRO/ESCRITÓRIO/INT./TARDE

Regina bate na porta e entra no escritório.

REGINA: Licença, coronel.

RAMIRO: Entre, Regina.

REGINA: Eu vim pra nossa conversa. Nós, trabalhadores, tamo trabalhando por demais, sem descanso…

Ramiro olha atentamente para Regina e fica disperso sobre o assunto. De repente, Regina bate palma em sua frente, despertando-o do transe.

REGINA: Ramiro?

RAMIRO: Pra que falar disso agora?

Ramiro se levanta e vai até Regina. Ele pega em suas mãos.

RAMIRO: Desde que minha mulher morreu, eu num olhei pra ninguém, só pra ti.

Regina se afasta. Ramiro se aproxima novamente. Ele agarra Regina, que dá-lhe um tapa imediatamente. Ramiro tenta agarrá-la novamente.

RAMIRO: Ninguém me nega desse jeito. Tu vai ser minha!

Ramiro rasga sua camisa e abre o zíper de sua calça.

RAMIRO: Agora tu vai receber uma lição. Eu vou te domar!

Ramiro e Regina se encaram, rodeando a mesa.

Continua…

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41 thoughts on “A Flor do Sertão – Capítulo 09

  1. Ramiro tá louquinho pela Regina. E a rejeição só potencializou isso. Não vai tê-la por bem, vai tê-la por mal. Será que ela vai conseguir se salvar?

    Enquanto isso, a Francisca vai dar seu jeitinho de fazer o Bento olhar pra ela… ela vai chamar a atenção das duas cabeças dele.

    Omar avança lentamente nas investigações sobre a morte de Herculano.

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  2. Bento e esse ciúmes, ele foi muito Grosso com ela agora, não gostei nenhum pouco da atitude dele. Regina foi procurar Laís, mal ela sabe que nunca mais vai vê-la. 😢 Ramiro sendo investigado pelo crime de Herculado, que a justiça seja feita. :O Chica dando em cima de Bento, em choque. :O Não acredito que Ramiro vai fazer isso com ela, não pode ser coitada da diva quero ela matando esse mostro. 😮
    Parabéns, Ari. ❤

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  3. Bento rompeu com Regina porque flagrou um abraço dela com Ramiro, mas gente, que cegueira de ciúmes é essa? Foi só um abraço e ele já acha que ela quer as terras do coronel, sofri! Ramiro ordena que Matias dê uma lição em Bento. Remiro é interrogado pelo delegado sobre o assassinato de Herculano. Por fim, Ramiro insinua que vai estuprar Regina, será? Ai meu Deus, tomara que não! Parabéns, Ari! 😀

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