Mundos Opostos – Capítulo 07

CENA 01: MANSÃO ANDRADE DA COSTA/QUARTO DE IGOR/INT./NOITE

Débora e Fátima põem Igor em cima da cama.

FÁTIMA – Eu tô muito preocupada com o Igor… tenho medo que ele acabe desenvolvendo uma cirrose ou algo do tipo…

DÉBORA – Que Deus o livre. Mas enfim, o importante é que mais ninguém pode saber que ele chegou assim nesse estado, Fátima. Só isso o que eu te peço, não comente com ninguém o que aconteceu aqui agora, em hipótese alguma. Para todos os efeitos, você não viu nada, você não ouviu nada. Pelo amor de Deus, não conte nada, ninguém deve saber de nada disso… eu conto com a sua palavra, eu conto com a sua promessa, Fátima?

FÁTIMA – Conta sim, Débora. Fique tranquila, eu não vi nada, não ouvi nada, não sei de nada.

DÉBORA – Muito obrigada, Fátima. Agora, você já pode ir.

FÁTIMA – Você não vai?

DÉBORA – Já se esqueceu da sua promessa, Fátima?

Fátima não tem outra alternativa a não ser sair, deixando Débora e Igor a sós. Imediatamente, Débora fecha a porta do quarto e se aproxima lentamente da cama, onde Igor dorme profundamente.

Débora se ajoelha na frente da cama, e começa a acariciar o rosto de Igor. Aos poucos, sua mão vai descendo, acariciando seu pescoço, chegando em lugares cada vez mais íntimos.

DÉBORA – É hoje que você vai ser meu, Igor…

Débora, então, começa a tirar as roupas de Igor. Primeiro, a camisa. Em seguida, os sapatos. Por fim, o cinto e a calça. A moça observa Igor só de cueca, e não esconde sua satisfação.

CENA 02: MANSÃO ANDRADE DA COSTA/FACHADA/EXT./NOITE

TRILHA SONORA: É Com Esse Que Eu Vou – Elis Regina

Amanhece. Os primeiros raios de sol iluminam a fachada da Mansão Andrade da Costa. É possível observar os empregados assumindo seus postos nos mais diferentes pontos do perímetro da propriedade.

CENA 03: MANSÃO ANDRADE DA COSTA/QUARTO DE IGOR/INT./MANHÃ

Mesma trilha sonora da cena anterior. O relógio em cima da cômoda denuncia que se aproximam das 06h30.

Débora e Igor dormem de conchinha na cama, cobrindo seus corpos com o edredom. Os raios de sol iluminam o cômodo e vão acordando os dois. Débora desperta primeiro e sorri ao perceber o que está havendo. Ela se espreguiça com cuidado e se vira lentamente para Igor, que ainda não despertou.

DÉBORA – Bom dia, meu amor…

IGOR (sonolento) – O que aconteceu?

DÉBORA – Coisas muito bonitas…

IGOR – Não me lembro de nada…

Débora acaricia o rosto de Igor. Aos poucos, a trilha sonora vai abaixando.

DÉBORA – Já é hora de se levantar. A casa inteira já está fora da cama, só nós estamos aqui deitados…

IGOR – Me deixa dormir só mais um pouco…

Igor tira as mãos de Débora do seu rosto e vira para o outro lado. Ela, por sua vez, se sente vitoriosa por ter conseguido o que queria.

CENA 04: MANSÃO ANDRADE DA COSTA/QUARTO DE IGOR/INT./MANHÃ

TRILHA SONORA: É Com Esse Que Eu Vou – Elis Regina

O relógio denuncia que se aproximam das 07h30.

Débora terminando de se vestir. Ela se senta na cama, olhando fixamente para a porta do banheiro. Dali ecoa um barulho de chuveiro, que cessa assim que Débora se senta na cama.

Segundos depois, Igor vem do banheiro, molhado e cobrindo sua nudez com uma toalha amarrada na cintura. Ele vai direto para a cômoda, abrindo uma das gavetas. Ele ainda conserva alguns sintomas de ebriedade, como uma aparente falta de equilíbrio.

DÉBORA – Tem certeza que você não quer ajuda, Igor?

IGOR – Não, eu estou bem. Não precisa. Pode ir para casa…

DÉBORA – Não, Igor. Você não está bem. Eu vou ficar aqui, você pode precisar de ajuda.

IGOR – Tá bom…

Igor se acanha em ter que se vestir diante de Débora, mas tenta disfarçar. A tarefa é um tanto quanto difícil, visto que ele não tem pleno controle do seu corpo. A trilha sonora vai abaixando aos poucos.

IGOR – O que aconteceu ontem? Não me lembro de nada…

DÉBORA – A gente saiu para se divertir. Saímos à tarde, e acabamos perdendo a hora. À noite, nós fomos jantar em uma churrascaria e você acabou bebendo demais.

IGOR – Devo imaginar que o meu pai só faltou nos crucificar quando eu cheguei alcoolizado em casa.

DÉBORA – A nossa sorte é que a gente ficou tanto tempo fora que chegamos quase de madrugada. Ninguém nos viu chegar.

IGOR – E por que você ficou aqui? Por que não foi para a sua casa?

DÉBORA – E ouvir sermão da minha avó? Claro que não. Eu levo mais sermão do que um caminhoneiro do Grupo Andrade da Costa leva de carga no caminhão dele… mas quer saber de uma coisa? Ter ficado aqui foi a melhor decisão que eu já tomei em toda a minha vida.

IGOR – Foi? E por quê?

DÉBORA – Porque eu descobri que você me ama…

IGOR (desdenhando) – Eu te amo, Débora? Como um homem ama uma mulher? Tem certeza?

DÉBORA – Claro que sim. Em que outras circunstâncias você presentearia uma mulher com uma noite de amor, como a que a gente teve essa madrugada?

Igor paralisa com as palavras de Débora. “Eu transei com a Débora?”, pensa ele consigo mesmo. Mas a reação dele é rir, rir de nervoso.

IGOR – Não acredito nisso…

DÉBORA – Pois pode acreditar. Você me fez sua mulher, e pode inclusive ter feito o seu filho.

Igor termina de se vestir. Ele se aproxima de Débora, ajoelhando-se em sua frente. Ele quase tomba durante o processo, mas consegue se equilibrar com a ajuda de Débora.

IGOR – Débora, você tem certeza que aconteceu alguma coisa entre nós dois essa noite?

DÉBORA – Claro que sim, por isso eu estou lhe contando. Na verdade, estou lhe contando porque eu posso estar grávida de você.

IGOR – Isso não podia ter acontecido…

DÉBORA – Então você não vai assumir a criança?

Igor fica calado durante alguns segundos.

IGOR – Não, eu vou assumir sim. Eu não vou deixar você sozinha. Por mais que isso tudo tenha acontecido em um momento onde eu não estava completamente consciente, isso aconteceu e eu tenho que assumir os meus atos e assumir as consequências.

Débora sorri para Igor e tenta beijar-lhe, mas ele se afasta.

IGOR – Mas uma coisa tem que ficar bem clara: eu não vou lhe virar as costas por causa dessa criança, eu vou lhe ajudar por causa dessa criança, e eu espero que você não se aproveite desonestamente da minha ajuda.

Os dois se encaram durante alguns segundos.

IGOR – Se você quiser, já pode ir para casa. Lembre-se de sua avó, que deve estar preocupadíssima com o seu sumiço. Você não pode ficar aqui se escondendo do resto do mundo, uma hora ou outra alguém pode abrir aquela porta e nos ver aqui dentro do quarto.

Nesse exato momento, Gabriel abre a porta do quarto e entra. Sua expressão não é nada boa.

GABRIEL – Então quer dizer que vocês dois passam o dia inteiro fora sem nos dar satisfação e ainda por cima fazem o que não devem debaixo do meu nariz?

IGOR (resmungando) – Se eu fosse pobre, eu jogava na loteria depois dessa…

GABRIEL – O que você disse, Pedro Igor?

Igor se levanta do chão e caminha até Gabriel, encarando-o de frente.

IGOR – Não foi uma vez, não foi duas vezes, e também não foi mil vezes que eu já vi sair da boca de meu pai a seguinte frase: “O nível de educação de uma pessoa é medido pela quantidade de vezes que ela escuta escondido uma conversa alheia”. A única maneira que eu encontrei de responder a sua primeira pergunta foi lhe citando.

GABRIEL – Não foi uma vez, não foi duas vezes, e também não foi mil vezes que nós já conversamos sobre suas saídas. Por mais que você já seja maior de idade, você ainda depende de mim para sobreviver e, por isso, ainda deve satisfações de sua vida a mim e à sua mãe.

Débora se levanta e vai saindo do quarto.

DÉBORA – Com licença…

IGOR – Não se esqueça do que eu lhe falei, certo?

DÉBORA – Claro.

Débora sai e fecha a porta do quarto. Gabriel e Igor voltam a se encarar.

IGOR – Concordo com o senhor, eu lhe devo satisfações de minha vida porque estou usufruindo de uma vida bancada pelo senhor. Mas uma coisa tem que ficar bem clara: se eu ainda estou dependendo de meu pai para sobreviver, mesmo já sendo maior de idade, é porque eu estou sendo obrigado a viver sob o mesmo teto que ele.

GABRIEL – Você fala como se soubesse viver longe dos pais…

IGOR – Me explique, meu pai, o que custa soltar um pouco a rédea? Eu não me perco, sei o caminho de volta pra casa.

GABRIEL – O que custa soltar um pouco a rédea? É justamente o fato de eu não ter certeza que você volte. Não é porque você sabe fazer que você sempre pode fazê-lo. Principalmente você que não faz tudo o que sabe e nem sabe tudo o que faz.

IGOR – Isso é uma indireta?

GABRIEL – Entenda como preferir. Saiba que, enquanto você estiver morando debaixo do mesmo teto que eu e de sua mãe, você sempre terá que nos dar satisfação de sua vida. Mesmo que nós deixemos de lhe sustentar, ainda somos uma autoridade para você.

Gabriel deixa o quarto, deixando Igor ali sozinho.

IGOR – Pelo menos dessa vez ninguém me jogou um balde d’água ou algo do tipo…

Igor se senta na cama.

CENA 05: FORTALEZA/EXT./MANHÃ

Imagens da Avenida General Osório de Paiva.

Imagens da Avenida Godofredo Maciel.

Imagens da fachada da casa de Maurício e Talita.

CENA 06: CASA DE MAURÍCIO E TALITA/COZINHA/INT./MANHÃ

Maurício, Talita, Venâncio, Vinícius, Bárbara, Angelo, Carolina, Jonas, Jéssica, Jair, Júlio, Dimas, Ricardo e Larissa fazem um círculo na mesa da cozinha com suas cadeiras e fazem a primeira refeição do dia com relativo silêncio.

Angelo percebe os olhares esporádicos de Júlio para Bárbara e Carolina. Ao perceber que está sendo observado, Júlio imediatamente desvia o olhar.

Jair, por sua vez, não consegue esconder sua insatisfação ao ver Dimas e Ricardo colados. Ele se aproxima de Jéssica e sussurra com a esposa.

JAIR (sussurrando) – Eu não vejo necessidade do Ricardo e do Dimas ficarem se agarrando desse jeito.

Jéssica olha para os dois, mas logo em seguida desvia o olhar.

JÉSSICA (sussurrando) – Deixa eles, Jair.

JAIR (sussurrando) – Eu não me sinto bem em ver eles assim…

RICARDO – Falou alguma coisa, tio Jair?

JAIR – Não, Ricardo, nada não…

Imediatamente, Jair volta a se concentrar no seu café da manhã, mas Ricardo não desiste.

RICARDO – Não, tio, eu ouvi. Por que o senhor não gosta de me ver perto do meu namorado?

JAIR – Não, Ricardo, não começa…

RICARDO – Não, eu quero saber. Tem algum problema?

MAURÍCIO – Por favor, Ricardo, deixa isso pra lá.

RICARDO – Eu só vou deixar isso pra lá quando eu for respondido.

JAIR – Muito bem…

Jair abandona o que está fazendo e olha fixamente para Ricardo. Não há intimidação de nenhum dos lados, mas há apreensão por parte dos espectadores.

JAIR – Dimas, Ricardo, eu não vejo nenhuma necessidade em vocês dois ficarem grudados desse jeito. Eu não me sinto confortável em ver vocês dois se abraçando e se beijando. Por quê? Isso eu já não sei te explicar. Era só isso.

RICARDO – Mas eu acho que eu sei como explicar pro senhor. Afinal, o senhor nunca gostou da maneira como eu levava a minha amizade com o Jonas, logo também não haveria de gostar do meu relacionamento com o Dimas. Acredito eu que o senhor considere que um contato físico convencional e amistoso entre dois homens restrinja-se a apertos de mão, tapinhas no ombro e, no máximo, empurrões. “Grudes”, abraços e beijos são característicos do contato com mulheres.

JAIR – Geralmente é, mas existem exceções. Sempre existem. E eu convivo por dezoito anos com uma exceção, que é a tua amizade com o meu filho.

RICARDO – Me desculpe, mas o senhor não conviveu com essa exceção, o senhor evitou conviver com essa exceção, porque o senhor não se sentia bem em ver teu filho caçula e o teu sobrinho se comportando como duas garotas. Se o senhor tivesse convivido, o senhor teria acabado com a nossa amizade.

Alguns segundos de silêncio.

RICARDO – Agora eu penso nisso e imagino que, se eu não tivesse me envolvido com várias colegas de sala durante a minha adolescência, o senhor teria sido o primeiro não a me dizer, mas a me acusar de ser viado.

JAIR – Qualquer um que pensasse como eu penso ia fazer isso. Olha, Ricardo, eu concordo que essa linha de pensamento me fez torcer o nariz pra tua relação com o Jonas, mas não é essa linha de pensamento que me faz torcer o nariz pra tua relação com o Dimas. É outra coisa. Até porque a coisa mais natural do mundo na relação de um casal é o “grude”, os abraços e beijos. O que me incomoda é o exagero. Eu acho que vocês estão exagerando. Simplesmente isso.

RICARDO – Eu e o Dimas, a gente exagera? Olha, eu jurava que a gente tava sendo discreto… a gente tenta não se beijar na frente dos outros como a Carolina e o Jonas fazem, a gente nem se trata como namorado na frente dos outros que nem todos os outros casais que tão aqui nessa mesa fazem questão de se tratar. O senhor pode achar que a gente exagera, mas eu não acho, eu tenho certeza que eu e o Dimas estamos sendo muito discretos em comparação aos outros casais.

JAIR – Ricardo, não venha querer comparar o teu namoro com o Dimas com o CASAMENTO da Carolina e do Jonas. Tu não pode fazer isso com uma relação sacramentada, abençoada por Deus—

Ricardo se indigna com as palavras de Jair, abandona bruscamente o que está fazendo e se levanta da mesa, enfrentando o tio.

RICARDO (alterado) – COMO É QUE É? O senhor tá querendo me dizer que a minha relação com o Dimas é amaldiçoada? É ISSO MESMO?

JAIR – Ricardo—

RICARDO – Eu não acredito que eu tô ouvindo isso do meu próprio tio. Gente, quando eu me assumi, eu passei um tempo brigado com a minha mãe… e adivinha quem foi que abriu as portas da sua própria casa pra mim? (aponta para Jair) ELE! A mesma pessoa que estava prestes a vomitar ódio contra a minha vida amorosa agora há pouco.

JAIR – Tu acha que a tua relação com o Dimas é um exemplo pra sociedade?

RICARDO – PORCARIA DE EXEMPLO! EU NÃO TÔ QUERENDO SER EXEMPLO DE NADA! EU TÔ QUERENDO É RESPEITO! Mas é claro, qual que é a moral que um gay tem pra querer respeito? Quanto mais escondido da sociedade melhor… não incomoda ninguém, preserva a sua integridade física e psicológica, bem como a moral e os bons costumes. Mas eu sou do contra, eu gosto de lutar por aquilo que eu não tenho o direito de ter, que é o direito de ser respeitado, nem que seja pela própria família.

Silêncio em cena durante alguns segundos. Ricardo vai embora. Dimas se levanta e vai atrás dele.

JÚLIO – O senhor pegou pesado, pai… eu, no seu lugar, ia atrás dele e pedia desculpa.

JONAS – Não. Hoje não, que ele vai tar de cabeça quente. É melhor amanhã, que ele já vai ter esquecido um pouco…

JAIR – Pedir desculpas, eu? Por quê? Eu não xinguei ele nem nada…

JÚLIO – Não xingou porque não deu tempo.

ANGELO – Maurício, Talita, me desculpem, mas o café da manhã ficou indigesto. Com licença…

Angelo e Bárbara se levantam e vão embora. Todos encaram Jair.

CENA 07: FORTALEZA/EXT./MANHÃ

Imagens da Avenida Alberto Craveiro.

Imagens da Avenida Washington Soares.

Imagens da fachada da Mansão Andrade Bastos.

CENA 08: MANSÃO ANDRADE BASTOS/SALA/INT./MANHÃ

Débora entra em casa. Cassandra vem do corredor e fica aliviada ao ver a neta.

CASSANDRA – Graças a Deus você chegou…

DÉBORA – Eu estou bem, vó.

CASSANDRA – Para onde você foi? Pro Acre?

DÉBORA – Eu passei a tarde inteira com o Pedro Igor. Acabamos perdendo a hora, de modo que jantamos fora e eu tive que deixá-lo em casa de madrugada. Eu não podia deixá-lo sozinho lá, acabei dormindo com ele.

CASSANDRA – Débora—

DÉBORA – Eu consegui o que eu queria.

Cassandra fica surpresa e, ao mesmo tempo, feliz com a conquista de Débora.

CASSANDRA – Meus parabéns, Débora. Agora você já garantiu um futuro cheio de luxo e fartura.

DÉBORA – Eu deveria falar com a Luciana sobre isso, não acha?

CASSANDRA – Eu acho que você deveria escutar a Luciana. Acho que ela está precisando desabafar. Chame-a para cá para que vocês possam conversar melhor.

DÉBORA – Farei isso. Mas agora não, acabei de chegar.

CASSANDRA – Quando você quiser. Não estou lhe pressionando.

DÉBORA – A senhora já tomou café da manhã.

CASSANDRA – Já, mas a mesa ainda está servida.

DÉBORA – Ótimo. Com licença.

Débora vai para a sala de jantar, sendo seguida por Cassandra.

CENA 09: MANSÃO ANDRADE DA COSTA/CORREDOR 1º ANDAR/INT./MANHÃ

Alice e Gabriel estão sentados no sofá, conversando.

ALICE – E então, Gabriel? Você já está pronto para me falar sobre esse segredo do Luís e da Maria?

GABRIEL – Não, Alice, o assunto é mais sério. Pelo menos para nós dois.

ALICE – Como assim?

GABRIEL – É sobre o Pedro Igor.

ALICE (tensa) – O que ele fez dessa vez?

GABRIEL – O Pedro Igor saiu ontem à tarde para se divertir com a Débora. Segundo ele próprio, eles saíram para se divertir, mas eu não sei exatamente o que eles fizeram, porque eles voltaram de madrugada.

ALICE – Meu Deus…

GABRIEL – Você viu que hoje ele não desceu para o café da manhã e eu me prontifiquei a subir até o quarto dele e ver se estava tudo bem. Foi aí que eu descobri que o Pedro Igor não só tinha feito isso, como também transou com a Débora.

Alice se assusta com o que Gabriel acabou de lhe contar.

ALICE (tensa) – Eu não acredito nisso…

GABRIEL – Alice, imagina se a Débora engravida? Você percebe a gravidade da situação? O que vai ser dessa criança que vai nascer com mais maduro e responsável que o próprio pai?

Alice respira fundo, tenta se controlar.

ALICE – O que vai ser dessa criança, Gabriel? Ela vai nascer dentro de uma família.

GABRIEL – Você não está pensando—

Alice se levanta do sofá, antes que Gabriel tente detê-la.

ALICE – Essa é a minha chance de ouro de frear aquela Maria.

GABRIEL – Do que você está falando, Alice?

ALICE – Gabriel, a Maria mal chegou direito aqui e já quer ser parte da nossa família. Eu vi o Pedro Igor conversando com a Maria na maior intimidade, quase os peguei se beijando. A Maria já enfeitiçou o nosso filho e daqui a pouco já vai usufruir das nossas posses. Precisamos frear essa interesseira o quanto antes, e esse incidente é a oportunidade perfeita.

GABRIEL – Alice—

ALICE – O pior cego é aquele que não quer ver. Gabriel, você instalou dois parasitas na nossa casa. Já que você não quer expulsá-los, eu e a Débora vamos fazê-los morrer de fome. Eles não vão se hospedar no Pedro Igor, eu não vou deixar.

Gabriel desiste de tentar dialogar com Alice e se cala. Ela, por sua vez, vai em direção as escadas e sobe.

CENA 10: MANSÃO ANDRADE DA COSTA/CORREDOR 2º ANDAR/INT./MANHÃ

Alice está em pé. Igor, sentado na cama. Os dois estão conversando. Ele, visivelmente insatisfeito com o rumo da conversa, se deixa cair deitado na cama.

A porta do quarto se abre silenciosamente. Maria se prepara para entrar, mas ao perceber Alice e Igor conversando, retorna imediatamente, mas não deixa a porta completamente fechada. É possível percebê-la segurando a porta entreaberta, ouvindo a conversa.

ALICE – Igor, eu não estou aqui para lhe condenar pelo que aconteceu entre você e a Débora aqui nesse quarto. O que eu quero é conversar com você, eu quero que você desabafe comigo.

IGOR – Mas eu não quero. Como é que eu vou desabafar com alguém sem querer desabafar?

ALICE – Igor, seu pai errou em ter discutido com você. Ele deveria ter levado isso de outra maneira.

IGOR – Não, mãe, ele fez bem. Eu, no lugar dele, faria a mesma coisa.

ALICE – Meu filho, eu quero que você tente pensar no lado positivo dessa história toda.

IGOR – Lado positivo? Qual é o lado positivo de ter se embriagado e ter deitado com a Débora? Qual é o lado positivo de correr o risco de ser pai sem ter nenhum tipo de preparo para isso?

ALICE – A Débora te ama, Igor. E eu sei que você gosta dela mais do que qualquer outra mulher que você já conheceu. A relação entre vocês dois é ótima, e eu sinto que vocês seriam muito felizes se contraíssem matrimônio. Mas agora a relação chegou a outro nível, está se mostrando frutífera, pois a Débora pode estar grávida. E vocês não encontrariam nossa oposição caso assumissem o relacionamento e se casassem, porque esse matrimônio atende aos interesses das duas famílias. Existe coisa melhor do que se casar com a pessoa amada e ter o apoio da família?

Já transtornada, Maria abandona a porta e sai correndo.

IGOR – É aí que a senhora se engana, mãe. Minha vida matrimonial com a Débora seria desastrosa, porque ela não seria movida por amor ou algo do gênero. Ela seria movida pela nossa preocupação em relação ao futuro do nosso filho. Nem eu, nem ela desejamos que a criança nasça e cresça vendo seus pais brigados por causa dele. Imagina o estrago que nós causaríamos na vida dessa criança? Ela viveria desgostosa pelo resto da vida, se culpando por atrapalhar a nossa vida.

ALICE – Um filho não atrapalha a vida dos pais. Ainda mais quando eles se gostam, quando eles se amam.

IGOR – Para, mãe. Eu não amo a Débora. Eu amo a Maria.

ALICE – Você não ama essa interesseira.

Igor se irrita com as palavras de Alice. Ele se levanta rapidamente, vai até a porta do quarto e a abre bruscamente. Ele não percebe que a porta estava entreaberta.

IGOR (irritado) – Sai do meu quarto.

ALICE – Igor, meu filho—

IGOR – SAI DO MEU QUARTO AGORA!

Alice decide atender ao pedido de Igor e vai embora. Assim que Alice sai, Igor fecha a porta com violência.

IGOR – Eu vou me casar com você, Maria, com mais ninguém. Eu não preciso me casar com a Débora para assistir o meu filho. Se eu não conseguir a guarda compartilhada, eu pago pensão alimentícia.

Igor se deita na cama.

CENA 11: FORTALEZA/EXT./MANHÃ

Imagens da Avenida Bezerra de Menezes.

Imagens da Avenida Washington Soares.

Imagens aéreas do Shopping Parangaba.

Imagens da fachada da casa de Angelo.

CENA 12: CASA DE ANGELO/SALA/INT./MANHÃ

Bárbara e Talita estão sentadas no sofá, conversando.

TALITA – Bárbara, eu queria me desculpar pelo que aconteceu hoje mais cedo…

BÁRBARA – Não precisa se desculpar, Bárbara. Quem tem que fazer isso é o Jair e o Ricardo, porque foram eles que deixaram aquele café da manhã indigesto, e não tu.

TALITA – Mas mesmo assim, eu me vi na necessidade de fazer isso, nem que seja em nome deles.

BÁRBARA – Então, o que te levou a vir aqui conversar comigo.

TALITA – Eu estou preocupada contigo.

BÁRBARA – Comigo?

TALITA – Sim. Ultimamente, não só eu como outras pessoas tão vendo que tu não tá 100% normal. Um dia desses o Angelo até te tratou mal…

Bárbara fica tensa com as palavras de Talita.

TALITA – Está acontecendo alguma coisa, Bárbara? Sei lá, tem alguma coisa te incomodando por dentro, tu tá passando por algum problema no casamento…

BÁRBARA – Todo casamento tem seus altos e baixos, né, Talita? O Angelo tá cismado que eu tenho outro.

TALITA – Pode pôr tudo pra fora, Bárbara, pode desabafar comigo.

BÁRBARA – Eu tô bem, Talita. Tô seguindo um conselho que o teu sobrinho me deu: ter calma. Com o tempo, essa cisma passa. Afinal, não é a primeira vez que ele fica com essas cismas…

TALITA – Do meu sobrinho? Do Ricardo?

BÁRBARA – Não, do Júlio…

TALITA – O Júlio é meu— ah sim, lembrei que o Júlio chama o Maurício de tio…

BÁRBARA (rindo) – É. A gente percebe que a família é unida quando primos se tratam como irmãos…

TALITA – Pois é… bom, eu só vim aqui porque vi que alguma coisa não estava certa e pensei que você poderia querer desabafar com alguém. E essa discussão do Ricardo e do Jair foi um excelente pretexto. Mas já que não é mais necessário, eu já vou indo.

BÁRBARA – Mas eu agradeço a sua preocupação comigo.

TALITA – Não há de quê, família é pra essas coisas mesmo. Você pode ser sogra do filho do primo do meu marido, mas é da família do mesmo jeito.

TRILHA SONORA: Cheia de Marra – MC Livinho

As duas sorriem uma para a outra. Talita se levanta e vai embora, deixando Bárbara sozinha em cena. Ela olha para um ponto aleatório do cenário.

BÁRBARA (sussurrando) – Ah, Júlio…

Bárbara deixa escapar um sorriso malicioso.

CENA 13: CASA DE JÉSSICA/QUARTO DE JÚLIO/INT./MANHÃ

Mesma trilha sonora da cena anterior. Júlio está deitado na cama mexendo no celular. Repentinamente, o celular recebe uma ligação e começa a tocar. Imediatamente, Júlio aceita a ligação e põe o celular no ouvido.

JÚLIO – Não faz mais isso, Bárbara. Imagina se alguém escuta o meu celular tocar e eu conversar contigo?

BÁRBARA (voz) – Eu precisava falar contigo, ouvir tua voz…

JÚLIO – É pra isso que existe mensagem de voz no WhatsApp… mas enfim, pode falar.

BÁRBARA (voz) – Eu acho que a Talita já tá desconfiando de tudo.

JÚLIO – De tudo?

BÁRBARA (voz) – Eu acho que ela desconfia que a gente tenha um caso.

JÚLIO – Que ótimo… e o pior é que ela não é a única, o Dimas também tá desconfiando.

BÁRBARA (voz/preocupada) – Ai, meu Deus, e agora?

JÚLIO – Realmente não vai dar mais pra gente ter aqueles encontros com adrenalina. Já tem gente desconfiando, a gente tem que ser mais discreto.

BÁRBARA (voz) – É, eu avisei…

JÚLIO – Era só isso?

BÁRBARA (voz) – E dê graças a Deus que é só isso. Tchau.

JÚLIO – Tchau…

Júlio solta um beijo para Bárbara e encerra a ligação.

CENA 13: FORTALEZA/EXT./MANHÃ

Imagens da Avenida Antônio Sales.

Imagens da Avenida 13 de Maio.

Imagens da Avenida Francisco Sá.

Imagens da Mansão Andrade da Costa.

CENA 14: MANSÃO ANDRADE DA COSTA/SALA/INT./MANHÃ

A trilha sonora vai diminuindo aos poucos. Alice desce as escadas e vai em direção à cozinha. Porém, no caminho ela é surpreendida por Gabriel, que vem da cozinha, encarando-a.

GABRIEL – O que foi que você fez, Alice?

ALICE (assustada) – Como assim o que eu fiz?

GABRIEL – O que você falou para ela ter se descontrolado daquele jeito?

ALICE (confusa) – A Maria?

GABRIEL (irritado) – Não, a Inés Rodena.

ALICE – Gabriel, calma. Eu não fiz nada para a Maria, eu sequer falei com ela hoje.

Alice para e pensa.

ALICE – Ela deve ter ouvido a minha conversa com o Igor. Nós dois discutimos por causa dela… acho que ela ouviu a conversa e não gostou do que ouviu.

GABRIEL – Fale a verdade, Alice. Você falou mal da Maria…

ALICE – Eu apenas falei que ela é uma interesseira. É o que ela está se mostrando ser e ainda não se fez nada para provar o contrário.

Luís entra na sala e escuta o comentário de Alice.

LUÍS – O que a senhora disse, dona Alice?

ALICE – Isso mesmo o que você ouviu! Sua irmã é uma parasita, uma interesseira, uma garota baixa e sem um pingo de vergonha na cara!

LUÍS – Olha como a senhora fala com a minha irmã, dona Alice, eu não permito que a senhora fale desse jeito com ela!

Irritada, Alice vai em direção a Luís. O rapaz se assusta com a atitude dela, enquanto Gabriel tenta contê-la.

GABRIEL – Para com isso, Alice!

ALICE – Me solta, Gabriel! Esse garoto precisa aprender a me respeitar. Quem ele pensa que é para dizer como eu devo ou não tratar uma parasita interesseira dentro da minha própria casa?

Alice e Luís se encaram com raiva. Gabriel fica com medo.

ALICE – Pior do que gente que se aproveita do dinheiro alheio, é quem se aproveita desse tipo de gente. A Maria pode até ser uma oportunista bem inteligente, em comparação com a favela de onde ela saiu, mas você é pior do que ela, porque pretende se aproveitar do que a sua irmã conseguir. Você é um parasita ao quadrado!

Luís não se aguenta e acerta uma forte bofetada no rosto de Alice. Surpreendida, Alice cai nos braços de Gabriel, que a impede de cair no chão. Rapidamente, Alice se recupera e volta a encarar Luís, com mais raiva no olhar.

LUÍS – Anda, dona Alice, me faça respeitá-la. Devolva! Mas devolva nos dois lados!

Alice e Luís se enfrentam.

A cena congela e é animada por dois efeitos: à esquerda, com Alice, um efeito dourado; à direita, com Luís, um efeito preto-e-branco.

FIM DO SÉTIMO CAPÍTULO.

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  1. CAPÍTULO 06

    Luciana após dar em cima de Dimas (morto), descobre que Ricardo é comprometido com o jovem, e sai abatida do local. Achei diferente e bem criativo a história da dinâmica envolvendo Jonas e Carolina. Igor leva Débora para sorveteria e encontram por acaso Maria, Júlio, Ricardo, Dimas e os demais componentes da “Corrente”. Débora reclama por não ter sido chamada para a reunião e Maria se mete. Débora a insulta e leva uma bofetada. Sinceramente? Essa Maria é uma abusada. Não gosto das atitudes de intrometida dela. Adorando Débora fazendo teatrinho para Igor. Socorro com a louca da Luciana! homofóbica ela, ou eu estou me equivocando? Nn sei se o que ela sente por Ricardo é desejo, ou ela esta realmente apaixonada. Débora chega tarde em casa com Igor bêbado, e após flagra-los escondidos, Fátima ajuda a conduzir o jovem com a moça até o quarto. Após prometer que nn irá contar o ocorrido, sai deixando-os à sós. Aproveitando da situação do rapaz, Débora tira a roupa dele e o olha com desejo. Morto com a rainha!

    CAPÍTULO 07

    E ela conseguiu o que quis: Dormiu com Igor. Hahaha… Débora sempre consegue o que deseja, o que quer, e não mede esforços pra isso, o que me deixa mais gamado por ela. Só agradeço a vc por ter criado essa personagem tão diferente e amada por mim. Fiquei em shock com a responsabilidade de Igor mesmo sem saber se ela esta grávida ou nn, ou saber se realmente essa noite de amor aconteceu. Nossa, Jair pegou pesado sim com Ricardo. Essas intrigas entre tio e sobrinho prometem muito no decorrer dos capítulos. Alice descobre da noite entre Igor e Débora, e gosta em saber que a moça pode esta grávida do filho. Débora, Alice, Luciana e Igor. Os melhores personagens criados por vc nessa obra chamada Mundos Opostos. Todos esses tem algo a mais que me agrada e muito. Maria escutou sobre a noite de Igor e Débora? Hahaha… Gosto pakas. Vamos ver se ela se aquieta agora. Oi? Igor ama a Maria? Como assim? Morto! Alice enfrenta Luiz que após ouvir a dona falando mau de sua irmã, resolve defendê-la. Luiz dá uma bofetada na mulher que cai. Gente… Ele ainda a enfrenta. Apenas grito! Maria é uma songa-monga, sonsa… Concordo com tudo o que Alice disse sobre ela.

    Uma sequência de capítulos ótimos e bem escritos, como sempre. Esse humor que vc põe infiltrado nos diálogos dão um “mais” nos capítulos. Os núcleos estão bem interligados e me fazendo mergulhar a cada um deles. Parabéns, Glay por essa sua web ótima e me desculpe por nn ter comentado decentemente no capítulo anterior. 😀 Ansioso pelo desenrolar.

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    • Luciana precisava daquilo pra saber que o Ricardo já tem coleira. Mas será que ela vai desistir?

      Eu vi essa dinâmica em formato de tag no YouTube. Achei interessante e decidi transportar para a web, com a dupla intenção de testar novos recursos na trama e dar umas sutis explicadas ao público sobre a história de Amizade de Isopor.

      Olha só, já estão criando um hater club para a Maria. Eike Tudo!

      Equívoco nenhum, meu amigo. Luciana está tão apaixonada pelo Ricardo que está culpando o Dimas por “confundir” sua orientação sexual.

      Adorando a boa recepção da Débora ❤

      Isso vai render muito ainda, cordialmente.

      Maria pode ser uma sonsa, mas tem quem a defenda com unhas e dentes, né non? Ele se chama Luís e é mais conhecido como irmão de criação da nossa protagonista.

      É até redundante lembrar que eu nunca consegui levar uma história sem desbancar pro humor, mesmo que veladamente. Eu não sei conduzir histórias em um tom completamente sério, sempre vai ter alguma piadinha infiltrada mesmo em cenas tensas (como a morte da Valquíria em O Resgate e a prisão da Débora e do Miguel em Empregados contra Patrões). Esse humor impregnado é uma característica própria das minhas obras.

      A interação entre os núcleos promete aumentar ainda mais com o passar dos capítulos. Eles ainda estão meio separados em comparação com o que virá em breve. Boatos que Flavio e Jean se sentiram cutucados com isso, umas reclamações quase que diárias de minha parte sobre a aparente falta de interação entre os núcleos de Mil Acasos. (EU AINDA NÃO SUPEREI A MORTE DO RONI)

      Desculpado, amigo. Esse comentário específico, além de me encher os olhos, compensa e muito. 😉 Muito obrigado pela participação, Fred ❤ 😀

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  2. Ai to com vontade de detalhar o capítulo não por isso:
    Parabéns Glaydson esse dialogo do Jair e do Viadicardo foi bem forte
    E quem é esse Luis pra bater na Rainha??????? Se aquiete seu viadinho
    Débora,risos
    Igor muito who gostar daquela pebleia??????

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    • Meus intentos foram alcançados.

      Mort com a antipatia que o público tá desenvolvendo pelos protas. Não que essa não fosse a intenção, mas enfim.

      Muito obrigado pela participação, Catalina 😀

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  3. Gente, que filha da putagem a Débora fez com o Igor, se aproveitou que ele tava bêbado e transou com ele, genteeeeeeeeeeeeeee! Ai, que nojo, que vadia! Tomara que ela não engravide, coitado dele e da criança! 😡 Apenas enterrado com o gancho, Luís esbofeteou maravilhosamente bem a chata da Alice e ainda fez provocações, adoooooooooooooooro! ❤ Parabéns pelo capítulo, Glay! 😀

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  4. O capítulo foi ótimo. Alice é completamente louca da cabeça, e Gabriel é um pamonha, morro. O Luís perdeu completamente a razão ao bater na Alice, mas quero ver se ela vai ter coragem de revidar… Parabéns 😀

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