Troia (2ª Temporada) – Episódio 03

TROIA

AUTOR – Felipe Borges

Episódio 2×03 – Mudanças

Troia

Esquiro

CENA 1/CASTELO/CORREDOR/INT./DIA

Odisseu escuta Deidamia e Pirra (Aquiles) vindo pelo corredor, conversando.

ODISSEU (P/ SI) — Agora descobrirei onde Aquiles está…

Ele pega a sua espada e se prepara. Deidamia e Pirra (Aquiles) chegam no corredor e são

surpreendidas por Odisseu, que puxa Deidamia para perto dele, ameaçando-a com a

espada.

DEIDAMIA (GRITANDO) — Socorro!!!!

ODISSEU — Onde está Aquiles?

Pirra (Aquiles) então, ao ver a amada em perigo, retira a peruca e pega uma espada da

armadura que servia de enfeite ao seu lado.

AQUILES — Eu estou bem aqui, Odisseu!

Odisseu solta Deidamia, que corre até Aquiles.

ODISSEU — Garanto que fui surpreendido, não imaginava que você havia inventado

uma falsa irmã e se transformado nela.

Aquiles sorri.

AQUILES — Agora que não posso mais me esconder irei para a guerra.

Deidamia abraça Aquiles, o beijando em seguida.

DEIDAMIA — Que os deuses lhe acompanhem!

AQUILES — Eles me acompanharão.

ODISSEU — Aquiles, pegue tudo o que vai precisar e vamos logo para Esparta.

AQUILES — Antes iremos para Ftia, quero ver meus pais antes da guerra!

ODISSEU — Certo, mas devemos ir rápido, todos em Esparta nos aguardam!

AQUILES — Seremos rápidos!

Esparta

CENA 2/MARINA/EXT./DIA

Clitemnestra consegue forças, se levanta do chão e corre, chorando, até o “corpo” de Ifigênia. Agamenon estava sentado ao lado do altar, chorando silenciosamente.

CLITEMNESTRA (CHORANDO) — Por que você teve que ser sacrificada? Eu não entendo?
Clitemesntra abraça o corpo e continua chorando. Todo seu vestido fica sujo de sangue.

CLITEMNESTRA (CHORANDO) — Eu te amo, minha primogênita, minha deusa, Ifigênia!
Agamenon se levanta e abraça a esposa, que para espanto de todos os presentes o empurra.

Clitemnestra olha para o marido furiosa, seus olhos haviam se tornado frios.

CLITEMNESTRA (GRITANDO) — Eu te odeio, seu maldito! Você tirou a vida de minha filha!
AGAMENON — Nossa filha, não se esqueça disso!
A rainha de Micenas se aproxima dele.

CLITEMNESTRA — Você vai pagar muito caro por tudo isso, Agamenon!

Táurida

CENA 3/TEMPLO DE ÁRTEMIS/SALÃO PRINCIPAL/INT./DIA

Ártemis chega com Ifigênia em seu templo.

IFIGÊNIA — Onde estamos poderosa deusa?

ÁRTEMIS — Você agora viverá para me servir, já que sua vida eu salvei.
Ifigênia faz uma reverência.

ÁRTEMIS — Você agora será minha sacerdotisa!
Ifigênia sorri, olhando em volta e vendo imensas estátuas da deusa da caça, além de outras donzelas que serviam a deusa.

Troia

CENA 4/CASTELO/CORREDOR/INT./NOITE

Páris e Helena que caminhavam em direção ao quarto do casal se encontram com a poderosa Hécuba, acompanhada de suas servas.

HÉCUBA — Finalmente encontro os dois juntos!

Helena tenta continuar caminhando, mas a rainha a interrompe, entrando em sua frente.

HÉCUBA — Nem mais um passo, rainha das prostitutas!

PÁRIS — Mais respeito minha mãe!

HÉCUBA — Eu sou a rainha, vocês que devem me respeitar pois vivem em minha casa e comem da minha comida!

HELENA — Nunca fui tão humilhada assim na minha vida!

HÉCUBA — Por mim você estaria morta, de qualquer maneira a guerra que está chegando se iniciará, pelo com você morta não teria que ver mais sua face em minha casa!

PÁRIS — Não vou permitir isso! Com licença, rainha Hécuba!

Páris continua andando, levando Helena com ele.

HÉCUBA — Maldita Helena de Esparta!

CENA 5/CASTELO/ENFERMARIA/INT./NOITE

Andrômaca acorda, ainda meio tonta. Ela estava deitada em uma cama. Ao seu lado estavam Creusa e Cassandra. As duas princesas irmãs sorriem ao ver a cunhada levantar.

ANDRÔMACA — O que aconteceu comigo?

CASSANDRA — Você sofreu um desmaio, Heitor a socorreu e aqui cuidamos de você para que melhorasse o mais rápido possível.

CREUSA — Graças aos deuses você está bem! Pedi e realizei tantas oferendas para que melhorasse.

Andrômaca olha para o lado e vê uma bacia com panos sujos de sangue.

ANDRÔMACA (ASSUSTADA) — Aquele sangue é meu?

Cassandra e Creusa trocam olhares.

CREUSA — Sim, mas não se preocupe.

CASSANDRA — Exato, você acordou, é isso que importa!

CENA 6/CASTELO/SALA DO TRONO/INT./NOITE

Príamo estava sentado em seu trono, tomando seu típico vinho. Heitor, entra.

HEITOR — Meu pai, estou terminando de organizar os nossos melhores homens para a provável guerra contra os aqueus.

PRÍAMO — ótimo. Estou adorando seu desempenho, Heitor!

HEITOR — Muito obrigado, pai!

Príamo oferece uma taça de vinho ao filho, que aceita e bebe junto do pai.

Ftia

CENA 7/CASTELO/SALA DO TRONO/INT./NOITE

Tétis entra sorridente, surpreendendo Peleu que não via a esposa sorrir desde que ela havia mandado Aquiles para viver em Esquiro.

TÉTIS (FELIZ) — Tenho uma maravilhosa surpresa, meu amado.

PELEU — Então diga, não me deixe curioso!

TÉTIS (FELIZ) — Entrem!

Aquiles e Odisseu entram. Peleu se levanta, sorridente, ao ve ro filho e corre até ele. Os dois se abraçam.

PELEU (FELIZ) — Não sabe como senti saudades sua meu filho.

Odisseu observa tudo, enquanto Tétis, emocionada, se junta ao abraço.

AQUILES — Também senti muita saudades, mas creio que nosso tempo juntos será pequeno.

PELEU — Por que diz isso?

AQUILES — Odisseu, rei de Ítaca, foi até Esquiro me buscar para que eu lutasse ao lado dos aqueus contra os troianos.

Peleu se afasta, caminhando até Odisseu.

PELEU — Então a guerra é mesmo real?

ODISSEU — Infelizmente, sim. Aquiles, segundo os deuses, é peça fundamental para a vitória de Menelau, por isso ele deve ir comigo.

Peleu respira fundo, enquanto Tétis ainda abraçava Aquiles.

CENA 8/CASTELO/JARDIM/EXT./DIA

Peleu e Tétis estavam sob uma tenda montada no jardim, cada um sentado em uma cadeira.

TÉTIS — Nem pudemos matar toda a saudade…

PELEU — Aquiles é um guerreiro e vida guerreiro não é fácil, você sabe disso.

Tétis suspira. Aquiles então se aproxima com Odisseu e Pátroclo.

PELEU — Então Pátroclo também irá?

AQUILES — Meu melhor amigo é um dos melhores guerreiros de nosso povo.

PÁTROCLO — É um honra.

Tétis então se levanta, olhando para Aquiles, seus olhos estavam brancos como neblina.

TÉTIS (VOZ ROUCA) — Seu destino está em suas mãos! Se for para Troia morrerá jovem, mas será lembrado por toda eternidade, mas se continuar terá uma vida longa, mas logo será esquecido.

Ela cai nos braços de Aquiles. um pouco tonta. Seus olhos já haviam voltado ao normal. Todos estavam assustados.

ODISSEU (ASSUSTADO) — Tétis é um Oráculo?

PELEU — Sim.

TÉTIS — Eu sei o que eu disse, está em suas mãos decidir!

AQUILES — Não vou mudar, irei para guerra conquistar minha glória!

Esparta

CENA 9/CASTELO/CORREDOR/INT./NOITE

Clitemnestra caminhava silenciosamente pelo corredor vazio, indo em direção ao seu quarto. Leda, vendo a filha, vai até ela.

LEDA — Me contaram tudo o que aconteceu na marina, minha filha.

CLITEMNESTRA (BAIXO) — Não quero falar sobre isso!

LEDA — Quero que fique sabendo que estarei ao seu lado.

Leda tenta abraçar Clitemnestra que a empurra.

CLITEMNESTRA (GRITANDO) — Me deixa em paz! Você não sabe o que estou passando, nunca saberá!

Clitemnestra sai correndo, enquanto Leda a observa, triste.

CENA 10/CASTELO/JARDIM/INT./NOITE

Odisseu estava no jardim junto da esposa e do sogro.

PENÉLOPE — Você deveria ficar aqui em Esparta comigo!

ICÁRIO — Todo homem é necessário nessa guerra, minha Penélope.

ODISSEU — Seu pai tem razão, minha amada!

Penélope abraça Odisseu, chorando.

PENÉLOPE — Prometa que voltará logo!

ODISSEU — Prometo que voltarei logo e que serei extremamente fiel a você.

Os dois se beijam, enquanto Icário observa tudo, sorrindo.

PENÉLOPE (CHORANDO) — Creio que já esteja na hora de você ir!

ODISSEU (TRISTE) — Infelizmente.

Eles se abraçam mais uma vez e o rei de Ítaca parte, Icário abraça a filha.

CENA 11/MARINA/EXT./NOITE

Menelau é o último a entrar no navio aqueu, acompanhado de Agamenon, Aquiles, Odiseu, Castor e Polux. Graças ao “sacrifício” de Ifigênia, Ártemis havia liberado os ventos e os navios podiam seguir pelo vasto mar, rumo a guerra contra Troia!

PASSAGEM DE TEMPO

Alguns dias

CENA 12/CASTELO/JARDIM/EXT./DIA

Icário e Leda tomavam suco sob uma tenda no jardim.

ICÁRIO — A frota já deve ter chegado em Troia.

LEDA — Sim eu conheço a rota, já fui até lá algumas vezes com Tíndaro.

ICÁRIO — Tíndaro… tenho tantas saudades de meu primo e soberano.

LEDA — Também tenho saudades de meu marido, morreu jovem demais…

Neste momento entra Penélope, sorridente.

LEDA — Parece que recebeu um pedaço do Olimpo tamanha a felicidade, Penélope!

PENÉLOPE (FELIZ) — O sacerdote acaba de confirmar, estou grávida, minha família com Odisseu está completa!

Leda e Icário se alegram, levantando e abraçando-a.

ICÁRIO — Meus parabéns, minha filha!

LEDA — Você verá como é magnífico ser mãe. Isso merece uma comemoração.

Leda se volta para suas criadas, que estavam próximas da grande mesa.

LEDA — Preparem o melhor jantar possível, uma boa notícia no meio de outras tão pesadas é de se agradecer de joelhos!

Troia

CENA 13/CASTELO/SALA DO TRONO/INT./DIA

Hécuba caminhava de um lado para o outro, visivelmente nervosa. Enquanto isso, Criseis e Cassandra a observavam, calados.

HÉCUBA — É tudo culpa de Helena. Príamo está se arriscando ao ir se encontrar com Menelau!

CASSANDRA — Se acalme, minha mãe. Meu pai é um homem sábio e outra, Menelau não teria coragem de fazer nada contra ele.

CRISEIS — Cassandra tem razão, majestade! Tudo vai se resolver com um pedido de desculpas e um acordo.

Hécuba para de andar e olha para eles.

HÉCUBA — Não será tão fácil, eu tenho certeza. É impossível impedir a guerra. Volto a dizer, Helena deveria pagar com a vida, pois com ela viva ou morta sangue de guerreiros inocentes será derramado!

CASSANDRA — A esperança é a última que morre.

HÉCUBA — Que a esperança seja a última, mas os aqueus os primeiros a morrerem. Não quero ver meus filhos lutando por uma causa tão fútil!

CRISEIS — Que os deuses estejam conosco, majestade!

HÉCUBA — Assim espero…

CENA 14/CASTELO/QUARTO DE PÁRIS E HELENA/INT./DIA

Helena estava de pé em frente a grande janela, dali era possível ver as poderosas muralhas que circulavam toda a cidade. Páris a observava a alguns segundos, sem que ela percebesse.

PÁRIS — Nervosa?

Ela sorri.

HELENA — Muito, me sinto culpada por tudo que está acontecendo. Não quero uma guerra em meu nome!

Páris vai até a amada e a abraça.

PÁRIS — Tenho certeza que meu pai e Menelau entrarão em um acordo. Não haverá guerra.

Os dois se beijam.

CENA 15/CAMPO/EXT./DIA

Menelau estava sentado em uma cadeira, acompanhado de Agamenon e alguns soldados. Tudo do lado de fora da muralha. Príamo chega, acompanhado de Heitor e alguns soldados, como Menelau.

MENELAU — Príamo, a quantos anos não nos vemos.

PRÍAMO — Realmente muito tempo, Menelau.

Os dois se cumprimentam com um aperto de mãos.

PRÍAMO — E então, vamos ao que interessa?

MENELAU — Vou ser claro. Eu quero apenas Helena, portanto conseguirei por bem ou por mal.

PRÍAMO — Vamos negociar…

MENELAU — Não estou aqui falando sobre um objeto, mas sim sobre um mulher, mãe de minha filha.

PRÍAMO — Tudo tem seu preço, nós somos objetos nas mãos dos deuses.

Menelau levanta da cadeira.

MENELAU — Não tenho mais o que fazer aqui. A guerra acaba de ser declarada!

Micenas

CENA 16/CASTELO/SALA DO TRONO/INT./NOITE

A sala do trono estava cheia, todos os nobres da cidade estavam ali, aguardando a chegada de Clitemnestra, rainha de Micenas. Ela voltava de uma longa temporada em Esparta e havia marcado uma reunião com todos. De repente a grande porta é aberta e todos podem ver uma “nova” rainha. O longo cabelo de Clitemnestra estava solto, no lugar das túnicas usava um longo vestido preto, nos braços vários braceletes e pulseiras de ouro e a maquiagem era o que mais chamava a atenção, estava completamente preta. Os comentários tomam conta do salão, enquanto ela caminha para o trono de seu marido, Agamenon.

CLITEMNESTRA (GRITANDO) — Parem de cochichar, desgraçados e olhem para mim!

Todos se assustam, se calando em seguida.

CLITEMNSTRA — Aquela rainha burra não existe mais. Vocês estão diante de uma nova mulher! Esqueçam Agamenon e tudo aquilo que tenha o sangue desgraçado dele. Vocês agora vivem em uma nova Micenas e posso afirmar, vocês verão o que é terror!

A câmera foca em Clitemnstra, sorridente.

39 thoughts on “Troia (2ª Temporada) – Episódio 03

  1. Clitemnestra aparentemente enlouqueceu depois da “morte” da Ifigênia. Ao que se parece, Ifigênia teve mesmo uma morte física, mas Ártemis a acolheu.

    Quanta ingenuidade da Cassandra e do Páris em afirmar que o Menelau não vai levar adiante a guerra…

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    • Clitemnestra realmente enlouqueceu e só piora. Ifigênia realmente não morreu.

      Nada pode parar a guerra, acredito que nem mesmo se Helena se entregasse.

      Obrigado pela participação!

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    • Realmente…
      Aquiles é um destaque na guerra, a determinação dele vai longe
      Posso garantir que daqui alguns episódios todos ficaremos com pena da Leda.

      Obrigado!

      Curtido por 1 pessoa

  2. Deixando minha participação, amigo. Preciso me atualizar do episódio anterior, mas até mais tarde devo comentar sobre. 🙂 Parabéns!

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