A Desonra – Capítulo 24 (Antepenúltimo Capítulo)

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CAPÍTULO 01×24 – O COMEÇO DA GUERRA

Continuação imediata do capítulo anterior

CENA 1, OLMEDO-DORANTES ADVOCACIA, ESCRITÓRIO DE LEON, INTERIOR, DIA

Leon levanta-se de sua cadeira e esfrega seu rosto, ainda não conseguindo acreditar na presença de Rebeca ali; Ela mantém-se paralisada, encarando-o com uma expressão confusa.

Rebeca – Mas o que houve, Leon, não irá me dizer nada?

Ele aproxima-se de Rebeca e começa a passar uma de suas mãos pelo rosto e pelo braço da ex-amante, certificando para si mesmo que aquilo não se tratava de uma mera visão.

Leon (balbuciando) – Não pode ser… Não pode ser… (T) Rebeca, é você mesma? Me diga que isso não se trata apenas de uma mera visão?!

Rebeca – Não, isso não é uma visão, Leon, sou eu mesma, em carne e osso, e depois de muitos anos, estou de volta, e agora para ficar. (T) Não vai me convidar para sentar?

Imediatamente, ele aproxima-se de sua mesa e puxa uma das cadeiras, e em seguida, Rebeca senta-se; Ele senta-se de frente para Rebeca.

Leon – Meu Deus, ainda não consigo acreditar nisto, depois de anos, depois de muitos anos sem notícias suas… Mas me diga, alguém já sabe que você está de volta?

Rebeca – Sim, a Salma já sabe que eu estou de volta, mandei um e-mail para ela, porém, não obtive respostas. Outra pessoa que sabe que estou neste país é uma tal de Clarisa, que diz ser sua sobrinha, e por sinal, é uma garota bem mal-educada.

Leon (confuso) – Clarisa? Mas como assim você conhece a Clarisa? Lembro que minha irmã estava grávida da Clarisa na mesma época que você…/

Rebeca (cortando) – Que eu estive grávida da minha, aliás, da nossa filha, não é? Enfim, a Camila não é o assunto do momento, vamos falar dessa mocinha que é sua sobrinha. Eu a conheci no dia em que a Camila deu entrada no hospital quando sofreu um acidente, e dias depois, eu a encontrei na rua, e ela já sabia quem eu era, e me tratou de uma maneira tão depreciativa, não me contive e dei uma lição nela.

Leon – Nossa, mas que coisa… Porém não me admiro, Clarisa não é mais que um mero reflexo da Salma, e com certeza ela não perdeu tempo em lhe difamar para a Clarisa. Mas enfim, está nesta cidade há muito tempo?

Rebeca – Pouco menos de um mês, cheguei aqui exatamente no dia do casamento da nossa filha, que, aliás, estava maravilhosa. Uma pena eu jamais ter tido contato com ela, e consequentemente, não poder estar com ela num momento como aquele.

Leon – Pelo o que vejo, você tem vigiado cada passo da nossa filha…

Rebeca – Desde que a abandonei, acompanho a vida dela de longe, aliás, de todos vocês… E o Joãozinho, como vai? Cuidei muito daquele menino na época que você e Salma estavam se conhecendo.

Leon – Como a mim, João se tornou um advogado, e também como a mim, está prestes a ter uma vida infeliz… Ele está de casamento marcado com a Clarisa, mesmo que eu ache um erro, já que eu sei a víbora que a Clarisa é.

Rebeca – Pelo o que vejo, todos os homens Olmedo-Dorantes são submissos às mulheres da família, uns verdadeiros fracos. – risos.

Leon acaba se sentindo incomodado com o veneno nas palavras de Rebeca e tenta fugir do assunto.

Leon – Aceita um café? Acredito que o assunto será longo e precisaremos de uma bebida para acompanhar os rumos da conversa.

Leon levanta-se e aproxima-se de uma pequena mesa com uma cafeteira e algumas xícaras; Enquanto observa Leon, flashes de seu passado com o cunhado lhe vêm à cabeça, e com isso, Rebeca não consegue esconder o quanto está abalada com o reencontro.

CENA 2, MANSÃO DE ALMA, SALA DE ESTAR, INTERIOR, DIA

Alma e Camila estão sentadas em um sofá, bebendo duas xícaras de chá enquanto conversam.

Alma – Ah minha filha, é normal ele ficar com ciúmes, é seu marido e ele te ama, e mais, você tá sendo bem injusta.

Camila – Eu injusta, tia? Eu vi ele ontem com uma mulher, estavam no maior amor, e você ainda acha que pode dizer que ele me ama, tia?

Alma – Ué minha filha, assim como você disse que ele te viu em uma situação equivocada, eu posso dizer que você fez o mesmo, e muito pior, você nem quer ouvir o rapaz. Você está sendo injusta, sim.

Camila – Ai tia, não vamos falar mais do Ângelo que ele só me traz dor de cabeça, o divórcio já está encaminhado e não há mais saída.

Alma – Tem razão, vamos falar de outra coisa que me deixou bastante preocupada. (T) Minha filha, você está passando por algum problema e não quer contar para nós? Porque o Leon me ligou e…/

Camila (cortando) – Ah, já sei tia, o tio Leon te ligou pra dizer que eu estou desequilibrada porque ontem dei um show no jantar de noivado dos meus primos, mas tudo bem, eu vou te contar o que realmente está acontecendo.

Camila pega sua bolsa e retira um envelope de dentro e dá nas mãos de Alma, porém, antes que ela pudesse abrir, é impedida por Camila.

Camila – Antes de ler o que está escrito aí, você jura pela virgenzinha que não vai falar para absolutamente ninguém o que está neste envelope?

Alma (desconfiada) – Ultimamente tenho prometido tanta coisa contra minha vontade, mas okay, eu juro que ninguém vai saber da nossa conversa e do que tem nesse envelope.

Camila suspira aliviada e solta às mãos de Salma, que abre o envelope e retira um dos papéis que estava ali, justamente à carta de Clarisa enviada a Dimitrio; Ao ler o conteúdo da carta, imediatamente ela se choca e entra em pânico, sem entender bem o porquê daquelas palavras de ódio expressadas no papel.

CENA 3, MANSÃO OLMEDO-DORANTES, SALA DE ESTAR, INTERIOR, DIA

Clarisa está sentada no sofá, usando seu notebook; Ao mesmo tempo, em uma aba, ela elabora sua lista de convidados, e em outra aba, ela confecciona seus convites; De repente, Salma entra no cômodo e senta-se ao lado da sobrinha.

Salma – O que está fazendo, minha princesa?

Clarisa – Estou terminando a lista de convidados e também estou fazendo os convites com base em alguns modelos que vi na internet. Mesmo que eu tenha sido pedida em casamento ontem, decidi já preparar tudo isso e mandar alguns convites de forma virtual essa semana mesmo, e depois eu mandaria em cópia física, só para garantir mesmo que não haveria problemas em relação a isso.

Salma – Hum… Vejo que você está bem precavida em relação a imprevistos, muito bom mesmo. Mas quanto aos convidados, a Camila está barrada mesmo?

Clarisa – Obviamente, aquela idiota quis acabar com o meu jantar de noivado, imagina com o casamento, é capaz de me matar em pleno altar.

Salma – Credo, não diga isto. Mas fez muito bem em não convidar essa garota petulante, que de tão mimada pelo seu tio, acha que pode tudo, e depois, implicam com você.

Clarisa – Ai, vamos esquecer isso, a gente tem é que falar de coisa boa, ou seja, meu casamento. Olha só minha lista de convidados, preciso da sua opinião em algumas coisas.

Clarisa dá seu notebook para Salma, que abre a lista de convidados, e ao ler a lista, se surpreende, e até se choca com alguns nomes.

Salma – O Ângelo? Mas qual a razão de convidar o ex-marido da Camila para o seu casamento?

Clarisa – Ah tia, nem é por mim, e sim, pelo João, eles são muito amigos, esqueceu? Mas mesmo assim, não tenho nada contra ele e nem me meto nesse lance dele com a Camila.

Salma – Tudo bem, mas eu queria saber o que os nomes daqueles drogadinhos fazem na sua lista. Já imaginou se eles chegam totalmente alucinados por conta daquelas porcarias na sua festa?

Clarisa – Apesar de tudo eles também são meus amigos, frequentemente falo com eles, mas não tenho nada contra eles usarem drogas, porém também nem faço questão de um dia experimentar.

Salma – Hum, espero que assim seja. Mas enfim, tirando esses nomes, eu não tenho nada contra a sua lista, só tem ótimos convidados. Agora eu vou lá na cozinha ver se a Gema não precisa de algo, qualquer outra coisa, é só me chamar.

Salma dá um beijo na testa de Clarisa e levanta-se do sofá, indo em direção à cozinha; Clarisa deita-se de bruços no sofá e volta a mexer em seu notebook.

CENA 4, OLMEDO-DORANTES ADVOCACIA, ESCRITÓRIO DE LEON, INTERIOR, DIA

Leon e Rebeca tomam café em suas xícaras, enquanto conversam.

Rebeca – Logo depois que eu acabei abandonando… (T) Você sabe, me mudei para Nova Iorque e lá conheci meu marido, com quem vivi até os últimos dias de sua vida, e desse casamento, acabei tendo mais dois filhos. E você, Leon, não teve nenhum filho com Salma?

Leon – Não, mas não porque eu não quis, e sim, porque Salma sempre disse que não gostaria de engravidar novamente. Mas felizmente pude criar Camila, João e Clarisa como se fossem meus filhos.

Rebeca – Nossa, que engraçado você dizer que criou a Camila como se fosse sua filha, quando na verdade, ela é sua filha sim. – risos. – Não me diga que de tanto a Salma proibir que você diga que a Camila é sua filha, você agora mente para si mesmo, dizendo que ela é sua sobrinha.

Leon – Não é isso, apenas me expressei mal com o momento. Você não sabe, mas o que mais quero é contar para a Camila que ela é minha filha e tratar ela como tal, mas o medo de rejeição habita dentro de mim, sem contar com a pressão da Salma.

Rebeca – Ah claro, pressão da Salma… Leon, por que é tão difícil para você admitir para si mesmo que você sempre foi uma marionete nas mãos da Salma? Que ela foi capaz de fazer com que…/

Leon (cortando) – Com que eu terminasse um romance proibido, porém, que foi o melhor de toda minha vida e que eu tratasse a Camila com a maior indiferença possível, tudo por que eu sou um fraco? Sim Rebeca, eu admito, eu sempre fui um capacho da Salma, onde ela pisava e ficava por isso mesmo.

Leon apoia sua mão sob seu rosto e seu cotovelo contra a mesa e suspira após desabafar e dizer o que Rebeca gostaria de ouvir; Ela sente-se mexida, já que Leon acabara de admitir que ela foi seu único e verdadeiro amor.

Rebeca – Então você admite que eu fui o único amor da sua vida? Admite que apesar de ser proibido, o nosso amor era único e que ultrapassava qualquer barreira? Mas que você se deixou levar pela fraqueza e pela covardia, tudo por causa da minha irmã?!

Rebeca e Leon se alteram e se mostram abalados e emocionados com o momento, após remexerem o passado que terminou de uma forma abrupta, causada pela intervenção de Salma.

CENA 5, MANSÃO DE ALMA, SALA DE ESTAR, INTERIOR, DIA

Chocada, Alma recoloca os papéis dentro do envelope e coloca sua mão sob sua boca, demonstrando estar sem reação e ao mesmo tempo, sem entender o que era aquilo.

Alma – Pelo amor de Deus, Camila, o que é isso? Eu não consigo entender, o que era aquela carta? Por que tantas palavras de horror? Mas o mais importante, por que estava assinada com o seu sobrenome?

Camila – É disto que eu tanto falo, é por isso que eu digo que a Clarisa não presta, porque foi ela quem escreveu essa carta para o irmão do Ângelo, foi ela quem causou a morte de Dimitrio Soriano!

Alma (chocada) – Meu Deus, isso não pode ser possível! Nessa carta diz que a Clarisa ficou grávida, mas em nenhum momento ela aparentou estar grávida, nunca demonstrou sintomas!

Camila – Por isso mesmo, tia, eu também tenho algo que pode provar que a Clarisa também esteve grávida, e muito pior, que abortou a criança!

Camila pega o envelope e o reabre, retirando de dentro alguns documentos da clínica de Dr. Gilbert; Ela folheia os papéis e mostra à Alma.

Camila – Aqui está, tia, estes documentos provam que a Camila abortou uma criança tia, ela ficou grávida do Dimitrio e teve o sangue frio de abortar a criança como estava escrito ai na carta!

Alma pega os documentos, e ao ler todos os detalhes descritos ali, ela fica gélida e pálida, não conseguindo se expressar com tamanha barbaridade lida.

Camila – É muito escabroso, tia, agora você entende o porquê de eu não ter comprovado nada ainda? E tem mais, espere só.

Ela pega o envelope e retira o colar com a letra C, que pertence à Clarisa e que foi enviado a Dimitrio junto à carta.

Camila – Olha isso aqui, tia, esse é o colar da Clarisa, ela enviou junto a aquela carta para o Dimitrio.

Alma pega o colar e o analisa bem, ainda trêmula e em choque com tudo o que foi lhe mostrado.

Alma – Eu não sei o que dizer, sinceramente, porém também não espanto se isso vem da Clarisa… Mas o mais importante, como você conseguiu coletar essas provas?

Camila – O Ângelo guardava a carta com ele, mas isso é história para outra hora, tia, o mais importante é que você mantenha total silêncio sobre tudo o que eu te mostrei!

Alma – Tudo bem, eu te prometo, mas você não pretende contar a ninguém sobre tudo isso?

Camila – Estou esperando a hora certa, por hora, quero que a Clarisa pense que estou blefando e que não sei de nada. Mas você não sabe o quanto que eu gostaria de esfregar todos esses papéis na cara dela e fazer ela pagar à base de tapas!

Alma – Mas é bom ir com calma, você não pode se precipitar… Mas enfim, eu por hora me mantenho quieta, mas se você precisar da minha ajuda em algo, pode contar comigo!

Camila dá um forte abraço em Alma, como forma de agradecimento pela confiança e pela compreensão.

Camila – Muito obrigada, tia, fico muito feliz em saber que posso contar com o seu silêncio e com a sua confiança.

Alma – Apesar de estar mais chocada que você e querendo acabar com essa história toda, você pode contar com meu silêncio.

Camila sorri; Ela levanta-se e coloca o envelope em sua bolsa, preparando-se para sair.

Camila – Preciso ir, tia, tenho que descansar um pouco porque esses últimos dias têm sido muito cansativos. Nos falamos outra hora, beijos.

Camila manda beijos no ar para Alma e acena, tendo seu gesto retribuído pela tia; Uma das empregadas abre a porta da mansão, e em seguida, Camila sai. Alma dá um gole em seu chá, para tentar se acalmar, ainda em choque com o que foi lido e visto.

CENA 6, OLMEDO-DORANTES ADVOCACIA, ESCRITÓRIO DE LEON, INTERIOR, DIA

Rebeca aproxima-se de Leon, que está escorado em uma das estantes de seu escritório, bastante abalado com as indagações da ex-amante.

Rebeca – Vamos Leon, pela primeira vez na vida eu espero que você tenha uma posição de homem e assuma o que você disse antes! Assuma que eu fui o seu único e verdadeiro amor, assuma que você foi feito de marionete pela minha irmã!

Lágrimas escorrem dos rostos de Rebeca e Leon, mexidos por conta do momento; Ele afasta-se da estante e aproxima-se de Rebeca, que o encara a espera de respostas.

Leon – Você quer a verdade, Rebeca? Sim, eu fui um verdadeiro covarde, e até hoje eu sou um verdadeiro covarde, por não ter enfrentado a Salma para viver nosso amor e por não ter assumido para a nossa filha toda a verdade, que eu sou o pai dela e que a única mulher que eu amei de verdade foi a mãe dela!

Leon vira-se de costas e chora, emocionado com os sentimentos exclamados pela primeira vez, sem ter o impedimento de Salma; Rebeca também chora, pois mesmo com os sentimentos expressados por Leon, o passado de ambos não poderá ser restaurado.

Rebeca (chorando) – Mas agora de que adianta, Leon? De que adianta você dizer que me ama sendo que quando eu disse que estava grávida de uma filha sua, você se deixou ser influenciado pelo egoísmo da Salma?

Leon (chorando) – Realmente, agora não adianta mais nada, todo o amor que um dia eu senti acabou morrendo por conta do tempo e por conta da Salma, que se meteu entre nós dois.

Leon vira-se para Rebeca e a segura pelos braços; Os dois encaram-se, em lágrimas por conta do momento.

Leon (chorando) – Mas por que, Rebeca? Por que você teve que reaparecer agora e desenterrar todo esse passado doloroso para nós dois? Por quê?

Rebeca (chorando) – Eu voltei para recuperar a minha filha, minha filha sim, porque você jamais teve a coragem de dizer toda a verdade a ela, porque você é um verdadeiro covarde, um verdadeiro capacho da Salma.

Leon (chorando) – Mas é necessário tudo isso, é necessário você resolver nos fazer sofrer novamente em relembrar esse amor que foi pisoteado pela Salma? Eu fui um verdadeiro covarde, mas você está sendo injusta!

Rebeca (chorando) – Injusta, eu? Leon, para todos eu sou uma verdadeira prostituta, uma mulher sem coração porque abandonou sua filha nas mãos da irmã, uma pobre diaba! Mas já você, saiu ileso disso tudo, resolveu fazer todos os caprichos da Salma e fingir que nada aconteceu, ignorando o verdadeiro laço que une você e a Camila!

Rebeca seca suas lágrimas com suas mãos e pega sua bolsa que está em cima de uma cadeira.

Rebeca – Para mim esse reencontro já deu, o que era para ser algo que serviria para esclarecer o passado e para ser agradável se tornou um verdadeiro desastre.

Rebeca se recompõe e retira-se do escritório, dando uma forte batida na porta; Leon esmurra sua mesa, em lágrimas e com seu estado alterado por conta do reencontro avassalador com Rebeca.

CENA 7, HOTEL, CAFETERIA, INTERIOR, DIA

Eduardo e Vânia estão sentados em uma das mesas do local, bebendo duas xícaras de cappuccino, enquanto conversam.

Eduardo – Eu tenho medo é que a Camila nem queira mais falar comigo, achando que eu quero algo a mais com ela, sem contar que o marido dela foi atrás dela e quando nos viu, pensou em terceiras intenções.

Vânia – Calma irmão, eu acho que a Camila não vá querer mais falar com você por causa disso, sei lá, se ela disse que você não teve culpa de nada.

Eduardo – Eu espero, pois seria muito ruim que a Camila se afastasse de mim, só complicaria ainda mais o plano de me aproximar dela e revelar tudo sobre a mamãe também ser mãe dela e nós dois sermos irmãos dela.

Vânia – Acho que agora vai, tô na esperança de que ela e você continuem numa boa e que só tenda a melhorar. Aliás, seria ótimo se você conseguisse fazer com que eu me aproximasse dela também.

Eduardo – Vamos com calma, né, mana? Eu e a Camila recém começamos a nos conhecer como amigos, quando eu me aproximar ainda mais dela, eu te coloco nessa jogada.

Vânia – E espero que isso tudo seja logo, porque você não sabe a vontade enorme que eu tenho de também ficar amiga da minha irmã.

Eduardo – Te compreendo, fiquei assim também quando fiquei próximo de conhecer a Camila. O bom disso tudo é que enquanto a mamãe toma passos de tartaruga, a gente já vai começando a estreitar relações com a Camila.

Vânia – Verdade.

Os dois riem; Eles iniciam um novo assunto, e aos poucos, suas vozes vão sendo abafadas, cortando para a próxima cena.

CENA 8, BAR, INTERIOR, DIA

O local está bastante agitado, com uma música ambiente ao fundo e vários homens, aparentemente executivos, conversando; João e Ângelo estão sentados frente ao balcão, bebendo dois copos de uísque e tendo em mãos um cigarro.

Ângelo – Quanto tempo que a gente não tinha um tempo só de conversa e distração, né, amigo?

João – Realmente, desde que você voltou para cá nós dois mal nos falamos, tudo por causa das mulheres e do trabalho.

Ângelo (fumando) – Mulheres são um verdadeiro obstáculo em nossas vidas, e já que estamos falando nelas, fiquei sabendo que você está organizando a papelada do pedido de divórcio da Camila, não é?

João – Sim, ela havia me pedido para o mais rápido possível. Mas e você, quer esse divórcio?

Ângelo – Há principio não, mas mesmo que no fundo eu ainda ame a Camila, é o melhor, porque vejo que ela quer experiências novas. Hoje mesmo, vi ela rindo e conversando com um moleque, que tinha idade para ser irmão mais novo dela.

João (fumando) – Não é querendo ofender a minha prima e muito menos ficar plantando discórdia, mas desde o dia que descobri que ela tinha um caso com o seu irmão, jamais tive a mesma confiança nela, até desconfio que ela tenha me traído mais vezes.

Ângelo – Quanto a isso, há uma história muito longa por trás de tudo, mas te conto outra hora, mas digo que a Camila é bem inocente apesar das circunstâncias. Mas e você, me conte mais sobre esse tal casamento repentino com a Clarisa.

João (fumando) – Estou aprendendo a amá-la, e esse casamento só fará com que esse amor que está nascendo se consolide. Porém não irei mentir, meu amigo, ele também serviu para fazer com que eu me esqueça da Camila, pois não nego que quando vocês estavam casados, eu ainda sentia um pingo de amor por ela.

Ângelo – Mas amigo, você tem certeza do que está fazendo? Também não é querendo plantar discórdia, mas ao que me parece, a Clarisa não é totalmente certinha…

João – Até você, amigo? A Camila têm inventado cada história ao respeito do caráter dela, e para culminar, o Leon ainda compra os teatrinhos dela. Eu tenho plena confiança na Clarisa e posso dizer que ela não me trairia, afinal, desde menina ela diz me amar.

Ângelo (fumando) – Não que eu esteja dizendo que a Clarisa não te ame, mas sim, que talvez ela possa esconder algo de você, sei lá, ela me passa esse ar misterioso, de que não é totalmente certa como gosta de aparentar. Mas enfim, é melhor a gente parar de falar disso.

João – Tem razão, para você ver como não desgrudamos das mulheres, até em um momento que era para ser de descontração entre amigos, elas tomam a maior parte do assunto. – risos.

Ângelo ri com João, enquanto leva até a boca seu copo de uísque; Eles iniciam um novo assunto, em total descontração, enquanto suas vozes são abafadas, cortando para a próxima cena.

CENA 9, HOTEL, QUARTO DE REBECA, INTERIOR, DIA

Rebeca joga sua bolsa contra uma poltrona, ainda em lágrimas por conta da discussão, e em seguida, ela se joga sob a cama, enquanto alguns flashes de seu passado com Leon e a discussão que teve com o ex-amante se mesclam em sua mente, enquanto fala com si mesma.

Rebeca (chorando) – Por que, Leon? Por que você resolve me machucar dessa maneira sem cometer nenhum ato? Minha vida está virada de cabeça para baixo há vinte e seis anos por sua causa! Por sua causa eu tive minha reputação manchada e fui obrigada a abandonar minha filha, a qual você nem para ser homem e contar a ela toda a verdade foi capaz! Você não sabe o quanto eu te odeio, odeio você por querer te amar, te odeio por voltar a remexer minha vida e por querer brincar com os meus sentimentos novamente!

Rebeca se abraça em uma almofada e apoia seu rosto sob a mesma, chorando compulsivamente, emocionalmente abalada por conta do reencontro turbulento com Leon.

CENA 10, MANSÃO OLMEDO-DORANTES, SALA DE ESTAR, INTERIOR, DIA

Clarisa ainda estava por ali, usando seu notebook para acertar alguns detalhes envolvendo seu casamento; De repente, Camila entra na mansão, e ao ver a prima no cômodo, resolve se aproximar. Ao se deparar com Camila, Clarisa esquiva-se imediatamente, temendo que algo possa lhe acontecer.

Camila (irônica) – Calma priminha, não vou fazer nada com você, apenas vim ver como você está.

Camila senta-se ao lado de Clarisa, com um sorriso irônico no rosto; Clarisa vira o monitor de seu notebook, impossibilitando que Camila o veja.

Camila (irônica) – Ai, credo prima, não precisa ficar escondendo o que está fazendo, a não ser que esteja procurando outra clinica de abortos clandestinos. – risos.

Clarisa – O que você quer? Me torturar com suas sandices, Camila? Pois saiba que estou sem o mínimo de paciência, e que se você tentar algo…/

Camila (cortando) – É meio incoerente você dizer que eu quero te torturar com sandices, não acha? Bom, se são sandices, você não deveria se sentir torturada, não acha? – risos. – E já disse que não vou te fazer nada, mas se você faz tanta questão em querer me esconder o que faz ai…

Clarisa – Ai você quer saber mesmo o que eu estou fazendo, priminha amada? – virando o monitor de seu notebook. – Estou terminando a lista de convidados do meu casamento e a confecção dos convites, porém, já lhe aviso que desta lista, você passa muito longe.

Camila (irônica) – Ai que coisa feia você querer me cortar da sua lista de convidados para seu casamento. O que foi, não me diga que está com medo que eu conte para todo mundo no dia do seu casamento que você causou a morte de um homem, o roubou e abortou o filho que esperava dele?

Clarisa – Não tenho medo das duas ameaças, prima querida, você não tem como provar nada do que está dizendo, já que são mentiras. E o casamento é meu e eu convido quem eu quiser, e não adianta pedir para o João te deixar ir, seu filme está muito queimado com ele, fique sabendo.

Camila aproxima-se aos poucos de Clarisa, ficando com seu rosto próximo do ouvido da prima.

Camila (sussurrando) – Saiba que o dia em que sua máscara vai cair está bem próximo, e eu se fosse você já ia arrumando suas malinhas dessa casa, a não ser que você mesma conte o que esconde de todos. (T) Ah, e fique sabendo que nem as forças armadas vão impedir o que eu estou planejando, ou seja, é muito bom você temer o que está por vir.

Ao se afastar, Camila dá um beijo na bochecha de Clarisa e a encara com um irônico sorriso; Ela levanta-se do sofá e sai do cômodo, em seguida, subindo as escadas. Clarisa não esconde o medo e o pavor que sente com as palavras ameaçadoras de Camila.

CENA 11, PASSAGEM DE TEMPO…

Algumas imagens aleatórias são mostradas à cena, enquanto um letreiro escrito “Dois meses depois…” percorre a tela; Em seguida, são mostrados alguns acontecimentos da rotina dos personagens nesse tempo, como Clarisa fazendo algumas provas de seu vestido de noiva, Camila acertando os últimos detalhes de seu plano de desmascarar a prima, Ângelo e Rebeca planejando uma forma de aproximá-la de Camila e Camila estreitando sua relação de amizade com Eduardo a cada dia mais, sem saber que o rapaz se trata de seu irmão.

CENA 12, HOTEL, QUARTO DE ÂNGELO, INTERIOR, DIA

O grande dia do casamento de Clarisa já havia chegado, e Ângelo termina de se arrumar diante do espelho, ajeitando a gravata de seu paletó; De repente, seu celular que encontrava-se em cima da cama começa a tocar constantemente, e ao se aproximar, ele atende a ligação, que se tratava de Rebeca.

Ângelo (celular) – Oi Rebeca, tudo bem?

Rebeca (celular) – Tudo sim, Ângelo, só gostaria de saber se está tudo combinado, de você vir me buscar e eu te acompanhar até o casamento da Clarisa.

Ângelo (celular) – Sim, está tudo certo, estou terminando de me arrumar e daqui a pouco passo aí no hotel que você está hospedada para te buscar.

Rebeca (celular) – Okay, mas você me garante que absolutamente ninguém sabe que eu vou te acompanhar, né?

Ângelo (celular) – Absolutamente ninguém, até me perguntaram e me pressionaram para saber de quem se tratava para colocarem na lista dos convidados da festa, mas consegui com que deixasse passar batido. Mas veja lá o que você vai fazer, viu?

Rebeca (celular) – Pode deixar, Ângelo, eu prometo que não casarei transtornos para o seu lado. Agora vou desligar, preciso terminar de me maquiar, daqui a pouco nos vemos.

Rebeca desliga a ligação, e com isso, Ângelo atira seu celular na cama, e em seguida, voltando a se arrumar diante do espelho.

CENA 13, MANSÃO OLMEDO-DORANTES, QUARTO DE CLARISA, INTERIOR, DIA

Clarisa se admirava diante do espelho com seu simples, mas deslumbrante vestido de noiva, enquanto Salma a observava, feliz e emocionada com o momento.

Clarisa – Ai tia, a senhora não sabe o quanto eu estou explodindo de alegria com este momento, algo que sonho desde que eu era uma menina, me casar com o João!

Salma – Sobrinha querida, se eu disser que estou mais feliz que você por este momento, eu não estarei mentindo! Não sabe o quanto me alegro e me emociono em ver meus dois filhos rumo ao altar.

Clarisa – É um momento muito importante na vida de nós todos, um momento único que irá durar para toda a vida! (T) Mas me diga uma coisa, sobre a Camila, será que ela já está acordada?

Salma – Não sei, mas direi à Gema para que a tire desta casa durante a festa de casamento, assim como você pediu.

Clarisa – Menos mal, aquela desgraçada seria capaz de arruinar minha festa com aquelas maluquices que de uns tempos para cá, ela resolveu inventar.

Salma – Tudo bem, filha, sairá tudo como você quiser, é o seu dia, e a partir de hoje, você será a dona disso tudo! (T) Mas está faltando uma coisa… O seu colar com a letra inicial do seu nome!

Clarisa – É verdade, eu preciso colocar ele, é como se fosse um amuleto da sorte para mim.

Clarisa aproxima-se de sua penteadeira e abre uma das gavetas, retirando dali uma pequena caixa de veludo preta; Ao abrir a caixinha e se deparar com o objeto vazio, ela se sente confusa.

Clarisa – Ué, eu sempre guardo o meu colar aqui, que estranho ele não estar aqui como eu sempre coloco. Será que a Gema pegou ele?

Salma – Acho que a Gema não teria pego ele, ela não teria motivos para querer roubar um joia desta, ainda mais se tratando de uma empregada de muita confiança e que trabalha à anos aqui, mas no caso de dúvidas, eu pergunto à ela depois. Lamento, mas você vai ter que subir ao altar sem ele, filha.

Clarisa – Uma pena, eu queria tanto estar usando ele, mas enfim, não me resta outra saída. Mas que isso está bem estranho, com certeza está…

Salma – Enfim meu amor, fique esperando aí que eu irei falar com a Gema, e em seguida, irei para a igreja, e depois o seu tio Leon vem te buscar para te levar até a igreja, ok?

Clarisa concorda com a cabeça e Salma sorri; Ela se retira do quarto, e a sós, Clarisa fica intrigada e confusa com o sumiço de seu colar.

CENA 14, MANSÃO OLMEDO-DORANTES, QUARTO DE CAMILA, INTERIOR, DIA

Camila surge de seu closet, trajando um justo e curto vestido preto, também usando um longo e alto rabo de cavalo em seu cabelo; Ela para em frente ao espelho, encarando seu colar com a inicial de seu nome, enquanto fala com si mesma.

Camila – É hoje, é hoje que a farsa de Clarisa Olmedo-Dorantes irá cair… Essa desgraçada arruinou meu casamento, pois com ela não será diferente, além de desmascarada e desmoralizada, não poderá nem respirar aliviada após tentar dar um golpe em todos dessa casa.

Ela aproxima-se de sua penteadeira e pega sua bolsa de mão.

Camila – É agora, preciso chegar bem antes que essa desgraçada para impedir que o pior aconteça!

Com uma expressão decidida no olhar, Camila sai de seu quarto, disposta a ir até a igreja para impedir o casamento de Clarisa e João, que ainda não havia tido sua cerimônia iniciada.

CENA 15, UMA HORA DEPOIS…

CENA 16, IGREJA, INTERIOR, DIA

O local estava agitado, todos os convidados conversavam eufóricos, todos no aguardo da chegada da noiva; No altar, João não esconde o nervosismo que sente no momento e Salma o acalma.

João – Cadê a Clarisa, mamãe? Faz mais de horas que estou esperando aqui, será que…/

Salma (cortando) – Calma, meu filho, até parece que você nunca foi a um casamento, noivas demoram mais de horas e isso é meio que algo clássico que acontece em todos os casamentos. E mais, eu já liguei para o seu pai, ele está no trânsito, daqui a pouco ele deve chegar.

João olha para seu relógio e olha para o alto, soltando um suspiro de nervosismo com a enorme demora de Clarisa.

CENA 17, RUAS, DIA

Um engarrafamento tomava conta de todo o trânsito, que estava totalmente lento, os carros mal conseguiam se deslocar com a lentidão; Em um táxi, há duas quadras da igreja, Camila alterna sua visão entre a janela do carro e seu relógio, completamente nervosa com a demora.

Camila – Vamos logo, moço, é um caso de muita urgência, eu não posso demorar!

Motorista – Não dá moça, o trânsito está completamente engarrafado, não dá para arrumar um desvio e seguir o caminho normalmente.

Camila olha pela janela o engarrafamento a seu redor, e decidida, ela pega sua bolsa e retira algumas cédulas, dando ao motorista do táxi.

Camila – Toma aqui, moço, pode ficar com o troco!

Motorista – Mas senhora, vai sair no meio do engarrafamento? Espere mais um pouco, eu poderei te levar até ao seu destino.

Camila – Já esperei demais, muito obrigada moço, mas eu preciso ir.

Camila retira seu cinto de segurança e abre a porta do carro, e ao sair, dá uma leve batida na porta para fechá-la; Ela está decidida a ir caminhando até a igreja, para impedir o casamento de Clarisa e João, comprovando a todos quem a prima verdadeiramente é. A imagem se congela no rosto de Camila, e aos poucos, a imagem é transformada em uma carta amarelada com as letras do papel borradas.

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20 thoughts on “A Desonra – Capítulo 24 (Antepenúltimo Capítulo)

  1. Cap 23
    Ninguém acredita na Camila e caem no teatro da Clarisa, aff. Sofro com Ângelo achando que Camila e Eduardo tem um caso, do msm jeito que ela acha que Rebeca e Ângelo tem um. Sofro com a confusão. Leon e Rebeca se reencontram.

    Cap 24
    Esse Leon é um frouxo msm , pobre Rebeca. Camila mostra a Alma quem é Clarisa de verdd, amooo. E chega o dia do casamento. Ansioso pelo o que Camila fará. Parabéns Will

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  2. Capitulo menos bombástico como de costume, mas ótimo. Esse reencontro da Rebeca com o Leon, só piorou a situação do Leon, que homem frouxo, covarde, João teve a quem puxar, duas marionetes. E Camila passou dois meses planejando sua vingança que finalmente será executada, teremos barraco no altar e o noivado desfeito na igreja? Ansioso pelos momentos finais, apenas aguardando as bombas que vão explodir, o cerco de Clarisa demorou, mas fechou.

    Parabéns Willian.

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