A Desonra – Capítulo 25 (Penúltimo Capítulo)

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CAPÍTULO 01×25 – QUEDA DE MÁSCARAS

Continuação imediata do capítulo anterior

CENA 1, RUAS, DIA

Camila caminha em meio ao engarrafamento, indo em direção à igreja, que estava há algumas quadras de distância; Sua expressão decidida dá lugar a uma expressão de apreensão, temendo não chegar a tempo de impedir o casamento de seus primos.

CENA 2, IGREJA, INTERIOR, DIA

Após tanta espera, de repente, Clarisa adentra a igreja de braços dados com Leon, enquanto a marcha nupcial começa a tocar; De longe, Clarisa e João encaram-se sorrindo, mas não eram sorrisos parecidos. Clarisa sorria diabolicamente, pois estava prestes a consolidar o seu desejo de se casar com João e aproveitar todos os luxos de sua família, já o rapaz, inocentemente, sorria de felicidade com o momento, apesar de não amar a jovem em uma enorme grandeza; Ao chegar ao altar, os dois jovens se ajoelham diante do padre, que lhes dá sua bênção.

Padre – E no dia de hoje, estamos reunidos para acompanhar este jovem casal, que busca a bênção do senhor para consolidar um matrimônio que irá durar para toda a vida.

Clarisa e João se entreolham com um sorriso no rosto, enquanto Salma os observa, emocionada com o momento.

Padre – Clarisa Olmedo-Dorantes, é de livre e espontânea vontade que você aceita se casar com João Olmedo-Dorantes, na alegria e na tristeza, na saúde e na doença, pobreza e na riqueza, até que a morte os separe?

Ela pega uma das alianças e a leva até ao dedo de João, enquanto o encara sorrindo.

Clarisa – É de livre e espontânea vontade que eu aceito me casar com João Olmedo-Dorantes, na alegria e na tristeza, na saúde e na doença, na riqueza e na pobreza, até que a morte nos separe.

Ele sorri; Ele pega a outra aliança e segura a mão de Clarisa.

Padre – João Olmedo-Dorantes, é de livre e espontânea vontade que você aceita se casar com Clarisa Olmedo-Dorantes, na alegria e na tristeza, na saúde e na doença, na riqueza e na pobreza, até que a morte os separe?

Sorrindo, ele coloca a aliança no dedo de Clarisa, que também lhe encara sorrindo.

João – É de livre e espontânea vontade que eu aceito me casar com Clarisa Olmedo-Dorantes, na alegria e na tristeza, na saúde e na doença, na riqueza e na pobreza, até que a morte nos separe.

João e Clarisa encaram-se emocionados com o momento, porém, Clarisa escondia atrás desse falso sentimento de emoção um enorme prazer com seus objetivos sendo alcançados pouco a pouco.

Padre – Sendo assim, a partir de agora, sob a bênção de Deus, eu vos declaro marido e mulher para toda a vida, e apenas Deus e a morte poderão quebrar este laço importante que os une. Agora pode beijar a noiva.

Imediatamente, João aproxima seu rosto do de Clarisa e a beija, sob as felicitações de todos os presentes.

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CENA 3, IGREJA, EXTERIOR, DIA

Camila finalmente chega até ao local, e ao olhar de longe, percebe que o casamento dos dois já havia sido consumado, ela bufa, em fúria porque a prima já havia atingido seu objetivo.

Camila – Essa desgraçada conseguiu, conseguiu se casar com o João e eu não pude impedir, que droga! (T) Mas ainda sim, eu ainda estou em tempo de acabar com isso tudo, mesmo que eles já tenham consumado o casamento.

Decidida, Camila respira fundo, e para a surpresa de todos, adentra o local; Todos a seu redor entram em choque, já que ela não havia sido convidada para o casamento.

Rebeca – É a Camila! Mas o que ela está fazendo aqui? Aliás, o que ela vai fazer?

Ângelo – Eu não sei, mas tenho minhas suspeitas, e isso tem haver com a verdade… Acredito que finalmente chegou a hora da verdade…

Rebeca demonstra estar confusa com as palavras ditas por Ângelo, que se cala e observa a esposa; Clarisa e João ainda não haviam percebido a presença de Camila, e por isso, agem normalmente. Um dos coroinhas da igreja pega uma corrente de flores para enrolar em volta do casal, mas de repente, Camila toma a corrente das mãos do menino e enrola o casal, que ao se deparar com a presença da prima, se choca, principalmente Clarisa, que teme que algo possa ameaçar seu casamento que acabara de começar.

Salma (perplexa) – Mas o que essa menina está fazendo?!

Camila aproxima-se de João e Clarisa, ficando entre os dois, confusos com tudo o que acontece naquele exato momento.

João – O que você está fazendo? Camila, pare com isso, não está vendo o vexame que está passando com suas atitudes infantis?

Camila (irônica) – Vim fazer uma surpresinha para vocês dois, já que eu não recebi o convite, acredito que foi extraviado, não é? – risos. – Queria ter vindo mais cedo, mas o trânsito não permitiu, uma pena, tinha tanta coisa para dizer.

Ela fica atrás de Clarisa, e puxa a corrente contra seu pescoço, a sufocando; Ela sussurra em seu ouvido.

Camila (sussurrando) – Me aguarde, sua desgraçada, eu posso não ter conseguido impedir essa palhaçada que você chama de casamento, mas eu ainda tenho tempo para acabar com tudo isso. Tome cuidado, porque o seu tombo será enorme.

Ela solta a corrente e se afasta de Clarisa e João; De frente a todos os comentários, Camila grita.

Camila (gritando) – O primeiro ato acabou, espero que tenham gostado! Mas não percam o segundo ato desse espetáculo, onde algumas máscaras estão para cair!

Camila ri ironicamente e Clarisa se sente ameaçada; Ela prepara-se para sair da igreja, quando de repente, Leon surge correndo, impedindo a saída de Camila.

Leon – O que você está ganhando com tudo isso, minha filha? Por que você quer tanto atormentar a vida dos seus primos?

Camila – Eu não quero atormentar a vida de ninguém, apenas irei fazer a Clarisa pagar por tudo o que ela me fez e de hoje não passa, ela que me aguarde, o teatrinho dela virá abaixo e ninguém irá me impedir.

Leon – Mas que teatro é esse que você tanto fala? Eu juro que tento ficar do seu lado, mas tudo o que você diz é absurdo e não faz sentido algum!

De repente, Salma também se aproxima da sobrinha e a encara friamente; Um pouco próxima da saída, Rebeca avista Salma e teme ser vista pela irmã.

Rebeca (sussurrando) – Ai meu Deus é a Salma, ela não pode me ver aqui!

Ângelo (sussurrando) – Calma, ela não vai te ver, ela tá muito ocupada discutindo com a Camila, ela nem irá te notar.

O foco retoma a Camila e Salma, que discutem seriamente pelo o que havia acabado de ocorrer.

Salma – De hoje não passa, menina, eu quero você longe daquela mansão, já fui muito tolerante com você, mas essa foi a gota d’água, um verdadeiro disparate isso o que você fez!

Camila – Pois você não perde por esperar, tia, ainda vai ter muito mais, e duvido muito que você não me peça perdão de joelhos depois de saber de todos os podres da sua tão amada Clarisa.

Salma – Você está completamente desequilibrada, garota, a Clarisa não esconde nada de mim, não queira forjar provas de algo que não é verdade para apenas causar discórdia a todos nós.

Camila – Veremos então, tia, veremos então… Eu vou embora, mas isso não acabou, o segundo ato dessa peça irá começar em breve e será decisivo para todo mundo.

Decidida, Camila retira-se da igreja sob o olhar em fúria de Salma, que estava em fúria por conta da tentativa da sobrinha de arruinar o casamento do filho com a sobrinha; Ela dirige-se de volta ao altar, enquanto Rebeca a observa.

Rebeca – Pensando melhor, eu não tenho o porquê de ficar me escondendo da Salma, então vou mudar meus planos.

Ângelo – O que está pensando em fazer?

Rebeca – Você irá para a festa sozinho, eu ficarei aqui e esperarei todos irem embora, e quando a Salma estiver prestes a sair, irei falar com ela.

Rebeca encara Ângelo com um olhar decidido, enquanto ele a encara com um olhar preocupado, temendo que algo de ruim possa acontecer neste reencontro de irmãs.

CENA 4, IGREJA, SACRISTIA, INTERIOR, DIA

Clarisa chora por conta do desespero que sente com as palavras ameaçadoras ditas por Camila, porém, para todos os efeitos, ela se sente mal com o espetáculo armado por Camila em pleno altar; João a consola com um abraço, enquanto ela apoia sua cabeça em seu ombro.

Clarisa (chorando) – Você está vendo, João? Mais uma vez a Camila tentou ser o centro das atenções, mesmo comigo tendo excluído ela da lista dos convidados do casamento. Eu a odeio!

João – Calma, já passou, eu prometo que ela não vai mais nos atormentar, pedirei a ela que saia daquela casa, pois definitivamente não dá mais para ela viver debaixo do mesmo teto que nós.

Clarisa – Você jura? Por favor, jura pra mim que vai tirar aquela imbecil daquela mansão, ela é uma verdadeira barreira para nossa felicidade, aquela infeliz quer acabar com o nosso casamento!

João – Eu prometo, a Camila ultrapassou todos os limites possíveis, não podemos mais ter uma convivência normal com ela, tenho certeza que meus pais vão nos apoiar nessa decisão.

Clarisa sorri timidamente para João e volta a apoiar sua cabeça no ombro do marido; De repente, uma expressão diabólica toma conta de seu rosto e ela fala com si mesma em pensamento.

Clarisa (pensamento) – Idiota… Já está completamente em minhas mãos, fará tudo o que eu quiser! E se nem assim a Camila quiser sair do meu caminho, juro que uso todos os meios possíveis, inclusive, a morte!

Ela fecha seus olhos e apoia sua cabeça sob o ombro do marido, sorrindo diabolicamente, sem com que João veja sua expressão.

CENA 5, MANSÃO OLMEDO-DORANTES, SALA DE ESTAR, INTERIOR, DIA

Vários minutos já haviam se passado, e Camila já havia saído da igreja; Ela entra na mansão e se aproxima das escadas, à procura de Gema.

Camila (gritando) – Gema?! Gema, cadê você?!

Gema surge da cozinha em passos apressados após ouvir os constantes gritos de Camila.

Gema – O que foi, minha filha? Eu ouvi você gritando sem parar, achei até que havia acontecido algo de ruim.

Camila – Geminha, é o seguinte, precisarei da sua ajuda em um plano e em hipótese alguma você vai recusar o que eu estou propondo.

Gema – Você está me deixando assustada, mas com tanto que você não me comprometa, te ajudarei sim, minha filha.

Camila – Você não se comprometerá com meus tios, prometo, você só fará o seguinte: Se perguntarem por mim, diga que não cheguei até agora. Me esconderei no quarto da Clarisa, e em hipótese alguma você vai falar que eu estou nessa casa, okay?

Gema – Ai menina, eu estou com medo do que você vai fazer, pra que tanto mistério?

Camila – Em breve não só você, mas todos dessa casa saberão de toda a verdade. Agora eu vou para o meu quarto e daqui a pouco irei para o quarto da Clarisa, cumpra sua palavra, okay?

Mesmo temendo o que possa vir, Gema acena com a cabeça, em sinal de concordância, e Camila sorri, contente por poder contar com a governanta; Rapidamente, ela sobe as escadas, indo em direção à seu quarto.

CENA 6, IGREJA, INTERIOR, DIA

Leon já estava em seu carro com Clarisa e João, preparando-se para voltar à mansão; Após o carro dar a partida, Salma fica a sós na igreja. De repente, Rebeca surge por trás de Salma, fazendo com que o barulho de seus sapatos ecoem pelo local.

Rebeca – Salma?

Ao ouvir a voz de Rebeca, Salma vira-se de costas, e ao se deparar com a irmã, Salma se surpreende, mas logo, uma expressão irônica toma conta de seu rosto; Ela fica diante de Rebeca, que permanece firme diante da irmã.

Salma – Mas olha só o que temos por aqui… Irmãzinha querida, por onde andou por todos esses anos? Não me diga que aderiu ao ramo da prostituição após eu ter te flagrado com o meu marido?

Rebeca – Felizmente eu passei muito bem todos esses anos, não totalmente bem, já que uma coisa me faltava, a minha filha. Mas vejo que você jamais mudou depois de todos esses anos, continua a mesma víbora de sempre.

Salma – Agora me diga, como teve a coragem de aparecer no casório da minha sobrinha? Melhor perguntando, como você tem a coragem de querer se aproximar de todos nós após causar grandes transtornos no meu casamento?

Rebeca – Felizmente estou num país livre, então eu não te devo satisfações. Agora por que eu vim a este casamento? Para ver a sua linda sobrinha casar é que não foi, claro, uma garota mal-educada feito ela não merece que eu a felicite.

Salma – Lave a sua boca para falar da Clarisa, irmãzinha, felizmente ela sim teve muita educação, já a diaba da sua filha nem isso, e olha que eu fiz muito em acolhê-la quando você só tinha condições de comer o pão que o diabo amassou, ou melhor dizendo, nem isso. Agora vamos logo, me diga o porquê de você querer voltar e querer abalar a vida de todos nós novamente?

Rebeca – Não é óbvio, Salma? Eu voltei porque quero a minha filha de volta, eu quero que a minha filha me reconheça como mãe dela e também quero limpar a minha imagem diante de todos, que foi sujada por você apesar dos erros que cometi.

Salma ri ironicamente de Rebeca, que se mantém firme em suas palavras e em suas decisões.

CENA 7, MANSÃO OLMEDO-DORANTES, JARDIM, DIA

O lugar estava bastante agitado, os convidados bebiam e conversavam a respeito da festa e também do escândalo que Camila havia armado na igreja; Mais afastados, estão Clarisa e Leon, que conversam.

Clarisa – Mas por que a tia Salma ficou lá pela igreja? Eu preciso dela para me ajudar a recepcionar os convidados e ajudar na organização dos garçons.

Leon – Ela havia dito que ia auxiliar um pessoal para remover a decoração da igreja e que logo vinha para cá, talvez ela não demore.

Clarisa – Tudo bem, enquanto isso eu vou segurando as pontas aqui e falo com o João para ver se ele também me ajuda. O senhor se incomodaria de ligar para a tia Salma, só para perguntar se ela não vai demorar?

Leon – Okay, eu vou ligar para a Salma e perguntar quando ela chegar, ai eu te aviso.

Clarisa – Tá, enquanto isso eu vou recepcionar uns convidados, depois eu falo com o senhor, tio.

Leon compreende e Clarisa se afasta, indo recepcionar alguns convidados que haviam acabado de chegar para a festa; Leon tira do bolso de seu paletó o seu celular e começa a discar o número de Salma.

CENA 8, IGREJA, INTERIOR, DIA

Salma continua rindo em um tom irônico diante de Rebeca, que apesar de não entender a irmã, mantém-se firme.

Salma (irônica) – Você querer limpar a sua imagem diante de todos? Irmãzinha, sua imagem está mais suja do que pau de arara, você acha mesmo que alguém vai querer comprar o seu teatrinho de Madalena arrependida após ser pega por mim, ninguém me contou, eu vi você com o meu marido!

Rebeca – Pode ser que ninguém queira comprar minha conversa, mas para mim isso é o de menos, o que mais me importa é recuperar o tempo perdido com a minha filha.

Salma – Você nunca vai recuperar o tempo perdido com a Camila, duvido que aquela garota queira falar com a mulher que a abandonou sem nem olhar para trás.

Rebeca – Eu fui obrigada a abandonar a Camila e você sabe disso, desde o dia em que você me colocou na rua, grávida e sem nenhum centavo, e ainda por cima fez com que eu não conseguisse trabalho em lugar algum.

Salma – O mínimo que eu poderia fazer é arruinar a sua vida na mesma proporção que você arruinou meu casamento. Deveria agradecer que eu ainda fui generosa em te dar uma boa quantia em dinheiro para sumir do mapa e aceitar educar a sua filha, mas uma educação que foi em vão, porque como você pôde ver, a sua querida filha não aprendeu nada de princípios morais, e digo mais, ela aprendeu a ser uma bela de uma vagabunda que nem você.

Furiosa com as calúnias ditas por Salma, Rebeca desfere uma bofetada no rosto de Salma, que com o impacto do tapa, vira o rosto para o outro lado; Ela passa a mão por cima do lado onde levou o tapa, enquanto encara Rebeca com uma expressão furiosa.

Rebeca – Você nunca mais ouse se referir a mim desta maneira! Eu cometi erros, sim, cometi os erros de me envolver com o seu marido, que se comportou como um verdadeiro covarde quando descobri que estive grávida, errei em ter abandonado minha filha nas mãos de vocês dois, mas meus erros não lhe dão a liberdade para se referir a mim como uma prostituta!

Salma – Eu me dirijo a você dá maneira que eu quiser, e não será com tapas que você vai apagar o seu passado, que por sinal, até hoje é muito bem lembrado. Apesar de ser tal como você, a Camila jamais iria olhar na sua cara, uma verdadeira vadia como você não merece o carinho de uma filha a qual é fruto de um relacionamento nojento e a qual abandonou sem o mínimo de piedade!

De repente, o celular de Salma começa a tocar, e ao ver que quem lhe ligava era Leon, Salma decide atender diante de Rebeca, provocando a irmã com doces palavras.

Salma (celular) – Meu amor! […] Que horas eu vou voltar? Daqui a pouquinho, diga ao motorista para vir me buscar. […] Ah meu amor, eu acabei tendo um imprevisto aqui, acredita que uma verdadeira coisa podre e nojenta ocupou o meu tempo? […] Mas não importa do que se trata, só digo que agora estou livre, já dei um fim nessa coisa. […] Te amo meu amor, não se esqueça disso, e daqui a pouco nos vemos.

Salma desliga seu celular e o guarda em sua bolsa; Ela encara a irmã com um sorriso irônico, enquanto ela não esconde sua tristeza nas frias palavras de Salma e no suposto amor que ainda há entre ela e Leon.

Rebeca – É assim que você se refere a mim, coisa podre e nojenta? É tudo isso que eu sou para você?

Salma – Ainda fui muito generosa com minhas palavras, pois se o Leon soubesse a quem eu me referia, não teria poupado em lhe chamar de coisas piores do que vagabunda. Agora me faça um favor, suma da minha frente e não volte a aparecer tão cedo, já pequei demais em dizer palavras como essas dentro da casa de Deus, mas foi necessário, se tratando de você.

Uma lágrima escorre pelo rosto de Rebeca, mas rapidamente, ela a seca com uma de suas mãos.

Rebeca – Como quiser, Salma, mas saiba que eu retornarei e será em breve, ninguém vai me impedir de conquistar a minha filha, muito menos você e suas calúnias.

Ao passar por Salma, Rebeca dá um encontrão em seu ombro e sai do local, em lágrimas após a humilhação sofrida pela irmã; Salma ri maleficamente, após atingir o objetivo de desmoralizar Rebeca.

CENA 9, MANSÃO OLMEDO-DORANTES, JARDIM, DIA

Clarisa puxa Eric pela mão, o levando até uma área afastada da mansão, repleta de árvores e arbustos, onde ninguém costuma frequentar.

Eric – Por que você está me trazendo aqui? Já pensou se o idiota do seu marido te vê me puxando dessa forma?

Clarisa – Mas Eric, não me diga que agora está com medo que o João nos flagre? Antes e eu quisesse te beijar na frente dele você não fazia nada. – risos.

Eric – Mas é diferente agora, é a festa do seu casamento, dessa vez temos que ser discretos, e você tem que concordar.

Clarisa – Até poderemos, mas antes, tenho um presentinho para te dar.

Clarisa se afasta de Eric, e de repente, começa a abrir seu vestido, que cai no chão, deixando Clarisa somente com seu espartilho; Ao ver a amante em tais trajes, Eric surpreende-se e morde seus lábios.

Clarisa – Diz à tradição que após o casamento, a noiva é única e exclusivamente do noivo, mas dessa vez vai ser diferente. Você será meu primeiro homem após esse casamento, como sempre foi em todo esse tempo em que somos amantes.

Clarisa aproxima-se de Eric e o beija com intensidade, enquanto ela tira seu paletó; Aos poucos, eles deitam-se sob a grama, ainda vestidos, enquanto beijam-se com bastante vontade.

CENA 10, MANSÃO OLMEDO-DORANTES, JARDIM, DIA

Salma chega até ao jardim, enquanto cumprimenta alguns convidados; Alma, que conversava com algumas amigas, ao ver a cunhada, resolve se aproximar.

Alma – Onde você estava? Todo mundo ficou perguntando por você que eu até achei que você tinha evaporado.

Salma – Eu tinha ficado lá na igreja para auxiliar um pessoal na remoção da decoração na igreja, mas você não sabe com quem me encontrei lá, a minha irmãzinha amada, Rebeca.

Alma – Como assim você se encontrou com a Rebeca? Quer dizer que ela estava lá no casamento e ninguém percebeu a presença dela?

Salma – Exatamente, aquela desgraçada agora está entre nós e disse que não irá se afastar tão cedo, que quer limpar a imagem dela e que quer recuperar a Camila.

Alma – Bom, é um direito dela e ninguém pode impedir ela, mas te conhecendo como eu te conheço, imagino que você deve ter dito poucas e boas para a coitada.

Salma – Coitada nada, essa ordinária quis roubar meu marido e teve uma filha com ele. – sussurrando. – Você acha que eu devo ter piedade com essa desgraçada?

Alma – Okay que ela errou, mas é sua irmã, deixe ela querer acertar as contas que tiver com as pessoas que ela quiser e que ela também consiga o perdão da filha dela, você não pode impedir ela, cunhada.

Salma – Não posso, mas quero fazer o máximo que puder para que essa desgraçada se mantenha bem longe de nós, e principalmente, do meu marido. Mas enfim, cadê a Clarisa? O Leon disse que ela estava atrás de mim.

Alma – Não faço a mínima ideia, mas daqui a pouco ela aparece. Mas agora vamos, beba um champanhe e se acalme, vamos aproveitar o que há de melhor nessa festa.

Alma pega duas taças de champanhe, e dá uma delas para Salma; As duas bebem e iniciam um novo assunto, enquanto suas vozes são abafadas aos poucos.

CENA 11, MANSÃO OLMEDO-DORANTES, JARDIM, INTERIOR, DIA

Clarisa e Eric se arrumam e se recompõem após terem feito amor ali mesmo; Eric termina de amarrar as alças do vestido de Clarisa.

Clarisa – Como é que eu estou?

Eric – Como uma verdadeira gatinha sedenta que não conseguiu saciar sua sede após fazer amor no meio das árvores e dos arbustos. – risos.

Clarisa – Sem piadinhas, Eric, quero saber se estou como antes mesmo, se não estou suja, para que ninguém saiba o que acabou de acontecer aqui.

Eric – Tá perfeita, a mesma bonequinha mimada de sempre, agora vamos logo porque se não alguém nos flagra dessa vez e não teremos escapatória.

Eric sai mais na frente, para tentar disfarçar caso alguém os vejam juntos, e em seguida, Clarisa sai, olhando para os lados para se certificar de que não está sendo observada.

Corta para:

CENA 12, MANSÃO OLMEDO-DORANTES, JARDIM, DIA

Ao avistar Clarisa parada em um canto e cabisbaixa, Salma aproxima-se, demonstrando preocupação.

Salma – Minha princesa, eu estava atrás de você! Por que está tão cabisbaixa, algo te aconteceu?

Clarisa – Ai tia, eu estava te procurando, mas ai acabei cansando e tô assim agora, muito cansada e com alguns enjoos.

Salma – Meu amor, vá lá para dentro, se deite um pouco, eu pedirei para a Gema te preparar um chá.

Clarisa – Mas e os meus convidados? É o meu casamento, eu não posso abandoná-los.

Salma – Eu darei algumas desculpas a eles, não se preocupe, vai ficar tudo sob controle. Agora vá, descanse um pouco.

Clarisa – Está certo, e aproveitarei para procurar o meu colar, ele não pode ter sumido dessa maneira…

Salma compreende e dá um beijo na bochecha de Clarisa, que de dirige até uma das portas que dão acesso à mansão.

CENA 13, HOTEL, QUARTO DE REBECA, INTERIOR, DIA

Rebeca chora com sua cabeça apoiada sob o ombro de Vânia, que tenta lhe consolar após a discussão que obteve com Salma.

Rebeca (chorando) – Eu pensei que minha vida só mudaria para melhor quando nós três começássemos a morar aqui nesta cidade, mas vejo que a cada dia mais as coisas só pioram para mim. Primeiro é o desprezo repentino da Camila, a covardia do Leon e agora essa humilhação da parte da minha irmã.

Vânia – Calma mamãe, é só uma fase, você vai ver como as coisas vão melhorar, você vai conseguir acertar todos os problemas que vêm enfrentando.

Rebeca (chorando) – Eu não sei se vou aguentar minha filha, a Salma me tratou como se eu fosse um verdadeiro lixo, imagina as coisas terríveis que ela disse de mim para a Camila.

Vânia – Ai mamãe, vai ver a Camila nem dá bola para isso, já que você mesma disse que essa sua irmã fala mal da Camila e elas discutiram na porta da igreja.

Rebeca (chorando) – Pode até ser, mas venenosa do jeito que a Salma é, talvez tenha conseguido fazer a mente da minha filha. Mas não quero ficar pensando muito nisso, quero esfriar a cabeça, fingir que nada disso têm me acontecido e tentar seguir em frente, mesmo que seja impossível.

Vânia acaricia Rebeca, que seca as lágrimas de seus olhos inchados e vermelhos; Ela abraça a filha, que continua lhe acariciando como forma de consolo.

CENA 14, MANSÃO OLMEDO-DORANTES, QUARTO DE CLARISA, INTERIOR, DIA

Clarisa havia revirado todas as gavetas e caixas de joias de seu quarto, à procura de seu colar com a inicial de seu nome, mas é em vão, ele não estava em nenhum canto do quarto.

Clarisa (gritando) – Gema?! Cadê você sua múmia imbecil?

Gema surge apressada no quarto, e ao se deparar com a enorme bagunça, se choca; Clarisa a encara com um fixo olhar de interrogação, atrás de seu colar.

Clarisa – É o seguinte, eu quero o meu colar e você vai me dizer agora onde você o enfiou, sua bruxa velha.

Gema – Mas o que é isso, menina? Não se refira a mim dessa maneira! E eu já disse a sua tia que não faço a mínima ideia de onde se encontra esse colar, eu nem mexo nas suas coisas.

Clarisa – Para você é muito convincente se fazer de coitada, claro, como é a empregada mais velha dessa casa, você jamais seria acusada de roubar um colar, e se aproveitando disso, o venderia e eu jamais veria a cor do mesmo.

Gema (chocada) – Você está me ofendendo, menina, eu jamais seria capaz de roubar um só alfinete desta casa! Eu já disse e repito, não sei onde está o seu colar.

Furiosa por não acreditar em uma só palavra dita pela governanta, Clarisa a agarra pelos braços e a sacode, encarando-a com um olhar em fúria, enquanto ela se amedronta com a reação da jovem.

Clarisa – Chega de mentiras, sua bruxa velha, vai me dizer agora onde está o meu colar, caso contrário eu faço com que você seja posta na rua ainda hoje mesmo, ou ainda melhor, eu posso te mandar dessa para uma melhor, e como você é velha, iriam achar que você morreu por causa de uma dessas suas doenças, sua velha inútil!

Clarisa levanta sua mão, preparando-se para acertar uma bofetada no rosto da governanta, que se esquiva de medo; É quando de repente, Camila, que estava escondida atrás de uma das cortinas do quarto, surge com o colar de Clarisa em mãos. Ao se deparar coma prima com seu colar em mãos, ela entra em estado de choque, soltando Gema no mesmo instante.

Camila – Quer o seu colar, Clarisa? Estava comigo este tempo todo, venha pegar!

Clarisa permanece imóvel e chocada com a presença da prima com o seu colar em mãos, enquanto ela lhe encarava com um malicioso sorriso no rosto.

Camila – Pode sair, Geminha, Clarisa e eu temos algumas contas para acertar e tem que ser em particular, daqui a pouco eu chamo vocês e todos os outros.

Ainda em pânico com as ameaças de Clarisa, Gema deixa o quarto a pedido de Camila, que em seguida, tranca a porta e fica com a chave em mãos; Clarisa a encara com uma expressão amedrontada no olhar, pois sabia que seu cerco estava se fechando.

CENA 15, MANSÃO OLMEDO-DORANTES, JARDIM, DIA

Ângelo e João conversam em uma parte mais afastada da festa, quando de repente, Eric se aproxima dos dois rapazes, estendendo sua mão, pronto para cumprimentá-los.

Eric – Oi João, vim te parabenizar pelo casamento com a Clarisa, espero que você faça ela bem feliz.

João – Muito obrigado, Eric, espero cumprir essa missão e ter meu amor e consideração retribuídos pela Clarisa.

Eric – Tenho certeza que será, conheço a Clarisa a anos e posso dizer que você fez a escolha certa, e digo isso como amigo dela, ok.

João – Hum, ok…

Eric – E você, Ângelo, como tem sido seu casamento com a Camila?

Ângelo – Nos estamos nos divorciando, a pedido dela mesma, e agora, eu também faço questão da separação.

Eric – Hum, por isso que ela não foi convidada para o casamento e fez toda aquela confusão lá na igreja…

Ângelo – Acho que uma coisa não tem haver, coma outra, né? Se a Camila não foi convidada para o casamento, acredito que o João e a Clarisa devem ter seus motivos para isso, né? Mas enfim…

Eric acaba se sentindo incomodado com o tom de grosseria das palavras de Ângelo e resolve se afastar, enquanto os dois se entreolham.

João – Sabe que esse cara não me passa um pingo de confiança? Espero que a Clarisa se afaste desse cara, não faço gosto da amizade deles dois…

Ângelo compreende João, e em seguida, eles iniciam um novo assunto, e aos poucos, suas vozes são abafadas, cortando para a próxima cena.

CENA 16, MANSÃO OLMEDO-DORANTES, INTERIOR, DIA

Camila aproxima-se de Clarisa, que continua amedrontada com sua presença ali, e também confusa ao ver seu colar nas mãos da prima.

Clarisa – O que você está fazendo com o meu colar? Você que o roubou? Abre logo o seu jogo, sua maluca, o que você quer de mim.

Camila (irônica) – Pelo o que eu vejo, a sua memória é muito fraca, não é? Eu não preciso roubar o seu colar, eu estou sempre com o meu. Mas agora eu vou refrescar a sua memória, sabe onde achei seu colar? O suicídio de Dimitrio Soriano te diz alguma coisa?

Clarisa – Eu não sei do que você está falando, eu já disse mil vezes que não tenho nada haver com a morte desse homem, nem íntimos nós dois éramos, ao contrário de você, que até para a cama foi com ele.

Camila (irônica) – Esse papel de palhaça está muito feio para você, priminha, pare de mentir para si mesma, eu sei de tudo, e a sua hora chegou. E como eu não faço acusações sem provas…

Camila aproxima-se da cama de Clarisa, onde está sua bolsa, e ao abri-la, retira de dentro um envelope, e em seguida, o atira contra o rosto da prima; Ela abre o envelope, e ao ver documentos como o prontuário de seu aborto e a carta escrita para Dimitrio, ela entra em pânico.

Clarisa – Que brincadeira é essa, garota? Onde é que você arrumou essas coisas?

Camila (irônica) – Você achou mesmo que eu estava brincando com você? Ah priminha, você é mais idiota do que eu pensava, nem para se livrar das provas de suas atrocidades você serve, mas vejamos. Sabe a carta? O Ângelo guardava com ele, e junto, estava o colar. Já os prontuários, encontrei no computador do Dr. Gilbert, já que não tinham os originais nos arquivos dele. É querida, você está muito encrencada, duvido que alguém compre seus joguinhos após verem essa maravilha de material.

Clarisa – Então olha só o que eu faço com essas porcarias, quero ver você conseguir dizer alguma coisa depois disso.

Ela rasga o envelope e todos os papéis, enquanto Camila ri ironicamente da prima, que bufa de raiva após isso.

Camila (irônica) – Você achou mesmo que eu ia te dar isso de mão beijada? Eu tenho mil cópias desse material espalhadas por todo o lugar, tanto físicas quanto virtuais, você está muito ferrada, priminha. – empurra Clarisa contra a penteadeira. – Mas antes de fazer com que todos te conheça, de verdade, eu vou acabar com a sua raça.

Clarisa passa suas mãos pela penteadeira, e de repente, ao perceber uma tesoura ali, ela a pega, e conseguindo se soltar de Camila, ela parte para cima da prima, que imediatamente, pega uma almofada e a usa como escudo; Após Clarisa dar diversas estocadas contra a almofada, Camila lhe desfere uma bofetada, e aproveitando que Clarisa está caída, ela retira de sua bolsa um revólver, e ao ver Camila com a arma em punhos, Clarisa se desespera.

CENA 17, MANSÃO OLMEDO-DORANTES, JARDIM, DIA

Nicole e Johnny estão sentados em uma mesa, fumando alguns cigarros e bebendo champanhe, enquanto demonstram estar completamente alterados, fazendo alguns escândalos e dando alguns gritos; De repente, Ângelo aproxima-se da mesa, assustado com o estado dos dois amigos.

Ângelo – Nicole? Mas o que está acontecendo? Que escândalo é esse, vocês não parecem estar nada bem

Johnny – Qual é cara, a gente tá numa boa, só curtindo a festa, fica preocupado não. – risos.

Nicole – É, a gente tá numa boa, estamos só curtindo essa festa maravilhosa da nossa grande amiga Clarisa, que também está nos ajudando a curtir esse tempinho. – risos.

Ângelo – Não entendo, mas sabe o que vocês estão parecendo? Dois drogados, e não duvidaria que isso não passasse de semelhanças.

Nicole – Cala a boca, Ângelo, ninguém pode saber! Ainda mais os tios da Clarisa, não, ninguém pode saber. – risos.

Ângelo – Saber do que? Vocês dois nem tentando disfarçar vão esconder que estão completamente drogados.

Johnny – E não temos nada a esconder de ninguém, se alguém vier perguntar, a gente ainda vai oferecer um cigarrinho especial. – risos. – Mas ninguém pode saber que quem tá vendendo os bagulhos pra gente é a Clarisa! – risos.

Ângelo entra em choque ao ouvir a confissão de Johnny sobre quem lhe fornece as drogas; Nicole e Johnny riem, sem darem muita atenção ao que acabaram de confessar a Ângelo.

Ângelo – Como é que é? Repete, você disse que…/

Nicole (cortando) – Você é surdo, cara? A Clarissa é quem nos vende o calmante! – risos. – Mas não conta pra ninguém, agora nos deixe curtir o clima com esse prazer enorme que só a Clarisa pode nos proporcionar. – risos.

Ângelo – Eu não vou falar nada, prometo, mas me façam um favor, vão embora, peguem um táxi porque vocês não estão em condições de dirigir. Vão embora porque se não daqui a pouco vocês vão abrir a boca até para os tios dela!

Johnny – Fica de boa, cara, a gente sabe o que faz, fica na paz! Agora sai, deixa a gente curtir em paz, sem sermões!

Ângelo resolve se afastar, demonstrando preocupação com o estado de Nicole e Johnny, e ao mesmo tempo, demonstra estar chocado com a revelação de que além de tudo o que fez, Clarisa também vende drogas.

CENA 18, MANSÃO OLMEDO-DORANTES, QUARTO DE CLARISA, INTERIOR, DIA

Camila se abaixa e pega a tesoura a qual Clarisa havia usado para lhe atacar, enquanto continua apontando o revólver para a prima; Ela se sente amedrontada, pois não esperava tal reação vinda de Camila.

Clarisa – Abaixa essa arma, Camila, olha a besteira que você vai fazer se atirar em mim!

Camila – Eu não faria besteira alguma, só faria o bem em te matar de uma vez, acabariam todas as mentiras, todas as calúnias! Mas não, ao contrário de você eu não tenho tanto sangue frio.

Clarisa – Então por que tá me apontando esse troço? O que você quer, me torturar mais uma vez?Anda, atira logo, assim você acaba com tudo isso, acaba com todas as coisas fiz e que estão naqueles papéis!

Camila – Você sabe que revólver é esse? É o mesmo revólver que o Dimitrio usou para se suicidar e também é o mesmo revólver que o Ângelo apontou para a minha cabeça quando pensou que eu era a verdadeira “a bela”. Mas anda, conte mais, então você assume que tudo o que está escrito naquele envelope é verdade? Você assume que você causou o suicídio do Dimitrio com aquela carta, que engravidou dele, que o roubou e que abortou o filho que esperava dele?

Clarisa levanta-se, enquanto seus olhos começam a marejar, sem saída ao ser interrogada por Camila sobre toda a verdade.

Clarisa – Você quer toda a verdade? Pois bem, eu assumo, eu assumo que eu fui mulher de Dimitrio Soriano, que engravidei dele e abortei meu filho e que roubei o máximo que pude.

Camila – Perfeito, muito bom! Agora você vai dizer o porquê de você ter feito o Ângelo pensar que eu fui a verdadeira culpada de tudo isso, cadê seus motivos convincentes para me explicar isso, Clarisa?

Clarisa – Não é meio óbvio, ou você não sabe o quanto eu te odeio por ter tirado tudo de mim com essa sua cara de sonsa? – chorando. – Sim, eu te odeio, te odeio e te odeio! Você conseguiu despertar em mim os sentimentos mais desprezíveis de um ser humano, me fez eu me refugiar em coisas que eu jamais pensei que faria, como ser amante de um homem e fazer tudo o que fiz! Você é a culpada de tudo, culpada do mau que eu causei ao Dimitrio, e quando você e o Ângelo começaram a se aproximar, me aproveitei que você e Dimitrio tiveram um casinho, e por isso, resolvi fazer parecer que você foi a culpada de toda a desgraça que ele sofreu!

As duas primas se encaram com olhares em fúria, enquanto lágrimas escorrem por seus rostos, mas não eram lágrimas de emoção, e sim, lágrimas de raiva, de ódio.

Camila (chorando) – Como você pôde ser tão fria comigo, com o Ângelo, com os nossos tios, com o João! O João que você fez tudo para tirar de mim, mas pelo o que eu vejo, você fez isso apenas por birra, e não por amor. O que mais você esconde? Você já matou alguém? Aplicou mais golpes como estes?

Clarisa (chorando) – Fui capaz de coisas que você jamais poderia desconfiar, mas isto irá para o túmulo comigo, já que você não tem como provar nada. Mas sim, eu só casei com o João por birra, eu jamais amei aquele idiota, e como você tirou tudo o que era meu, quis tirar de você uma pessoa que te amava de verdade! Mas chega, vamos acabar logo com isso, me mata de uma vez, atira em mim!

Clarisa se ajoelha, em lágrimas por conta da forte discussão com Camila; Camila fecha seus olhos, e em um ato inesperado, ela joga a arma na cama de Clarisa.

Camila (chorando) – Eu não tenho o sangue tão frio para ser uma assassina, para matar alguém por mais que ela tenha cometido milhares de atrocidades. Mas sim, para uma coisa eu tenho sangue frio, tenho o sangue totalmente frio para te dar a maior surra que você já recebeu nesta vida!

Camila empurra Clarisa, que cai no chão e não consegue levantar novamente; Em fúria, Camila fica sob o corpo de Clarisa, e em seguida, começa a desferir diversas bofetadas contra o rosto de Clarisa, que chora de dor a cada tapa e não procura se defender.

Camila (gritando) – Esse é pelo Dimitrio! – bofetada. – Esse é pelo ódio gratuito e desenfreado que você sente por mim e pelo inferno que você me fez passar! – bofetada. – Esse é pelo João, mais uma de suas vítimas! – bofetada. – E esse é pela tia Salma, que criou com todo o amor do mundo um verdadeiro demônio sem saber! – bofetada.

Camila levanta-se, secando com uma de suas mãos suas lágrimas de fúria; Clarisa levanta-se lentamente, passando sua mão sob o canto de sua boca que está ferido, chorando de dor por conta das agressões sofridas.

CENA 19, MANSÃO OLMEDO-DORANTES, SALA DE ESTAR, INTERIOR, DIA

Ângelo havia passado por todos os cômodos da casa, à procura de Clarisa após a confissão de Johnny e Nicole; Ele para em frente à escada, e de repente, João surge, confuso ao ver o amigo por ali.

João – O que tá fazendo por aqui, amigo? Tá procurando alguém?

Ângelo – Tava procurando a Clarisa, eu precisava ter um assunto sério com ela, mas eu não a encontrei, então é melhor deixar para lá.

João – Assunto sério? Posso saber do que se trata.

Ângelo – Esquece amigo, é melhor eu não dizer para você não esquentar a cabeça, afinal, é seu casamento, né.

João fica confuso e intrigado com as palavras de Ângelo, que havia preferido omitir o assunto para não causar discórdia entre Clarisa e João; De repente, Gema desce as escadas rapidamente, assustada com o que havia escutado na porta do quarto de Clarisa.

João – Mas que cara é essa, Gema? Aconteceu alguma coisa?

Gema (assustada) – Patrão é melhor o senhor subir, está acontecendo uma tragédia, a dona Camila e a dona Clarisa vão se matar lá em cima, eu ouvi elas discutirem em tom alto e falarem até em arma!

Ângelo (confuso) – Como assim a Camila está aqui e está junto com a Clarisa? Explica isso direito, Gema.

João – Como você permitiu a entrada da Camila, ainda mais deixar elas duas juntas? No estado que a Camila está, é capaz dela cometer alguma loucura com a Clarisa, ela não está bem da cabeça!

Gema – Eu tentei impedir, mas a dona Camila disse que se eu permitisse ou não, ela subiria da mesma maneira! Agora subam logo, antes que aconteça uma verdadeira tragédia!

João – Eu vou lá chamar os meus pais, Ângelo, você vai na frente e sobe até ao quarto para separar essas duas, sinto que alguma de ruim coisa vai acontecer mesmo.

Ângelo atende ao pedido de João e sobe apressadamente as escadas, enquanto João corre até a saída da casa; Gema resolve subir também, para tentar averiguar novamente o que está acontecendo.

CENA 20, MANSÃO OLMEDO-DORANTES, QUARTO DE CLARISA, INTERIOR, DIA

Camila está parada em frente ao espelho, encarando Clarisa com um frio olhar pelo reflexo do espelho, que se encontra ajoelhada atrás de si.

Clarisa (chorando) – Pensa bem, eu juro que vou lá até a fazenda e explico tudo para o Ângelo.

Camila afasta-se do espelho e caminha na direção oposta, ficando de costas para a prima.

Camila – Não Clarisa, o que você fez não tem explicação, você acabou com o meu casamento com suas mentiras, ao dizer que eu cometi atrocidades que são de sua autoria, e além do mais, o Ângelo já está a par de tudo o que você fez.

Clarisa (chorando) – Por favor, não conta para a tia Salma, eu imploro, eu juro que estou arrependida de tudo o que eu fiz, eu juro que faço tudo o que farei tudo o que você e o Ângelo quiserem, mas, por favor, não conte nada para a tia Salma!

Camila – Não Clarisa, a mim e nem ao Ângelo você compra com essas propostas, ao contrário de você, temos uma coisa chamada caráter. E não, você não está arrependida, arrependimento não surge de uma hora para a outra, muito menos após uma lista enorme de sujeiradas.

Clarisa (chorando) – Eu te suplico…

Cansada dos pedidos de Clarisa, Camila vira-se de frente para a prima e se aproxima dela, lhe pegando pelos cabelos e lhe encarando com um frio olhar.

Camila – Chega Clarisa, nem que você peça à Virgem de Guadalupe você vai conseguir se livrar dos seus erros, de hoje não passa, sua máscara vai cair e todos vão te conhecer.

Clarisa chora compulsivamente, pois nesse momento já sabia que não haveria mais saída, seus delitos viriam à tona em questão de minutos.

Corta para:

CENA 21, MANSÃO OLMEDO-DORANTES, CORREDOR, QUARTO DE CLARISA, EXTERIOR, DIA

Ângelo, João, Salma, Leon, Alma e Marcelo esperavam apreensivos em frente à porta do quarto de Clarisa, que estavam trancado; De repente, Gema surge com um molho de chaves, para abrir a porta do quarto de Clarisa.

Leon – Abra isso logo, Gema, a Camila ultrapassou todos os limites possíveis e agora precisa realmente de um tratamento especial.

João – Ela está completamente desequilibrada, não é possível que esteja fazendo todas essas coisas somente para tentar prejudicar a Clarisa.

Gema abre a porta do quarto de Clarisa, e com isso, todos entram no cômodo, e se chocam ao ver Clarisa ajoelhada diante de Camila, chorando e tendo seus cabelos puxados pela prima; Ao se deparar com toda a família ali, Camila sorri, pois havia chegado a hora da verdade.

Camila – Que bom que estão todos aqui chegaram na hora certa, a hora do início do segundo ato.

Leon – Camila solte agora a sua prima, você está passando de todos os limites, e ainda hoje, você vai sair desta casa!

Camila – A única pessoa que vai sair desta casa é a Clarisa, que vai dizer toda a verdade a todos vocês. – arrastando Clarisa pelos cabelos e a jogando no chão. – Agora fala, cachorra, fala pra todo mundo o que você esconde, e dessa vez, sem escapatória!

Todos encaram Camila com um sério olhar, enquanto ela encarava fixamente Clarisa com um olhar pressionador, para que diga a todos os segredos que esconde; A imagem se congela no rosto desesperado de Clarisa, e aos poucos, a imagem é transformada em uma carta amarelada com as letras do papel borradas.

A Desonra - Final

18 thoughts on “A Desonra – Capítulo 25 (Penúltimo Capítulo)

  1. Capítulo 21
    Ângelo descobre que a mulher da carta não era Camila, mas sim Clarisa. Camila decide se vingar de Clarisa. Nicole segue se afundando nas drogas. Camila e Ângelo vasculham os arquivos da clínica do Dr. Gilbert e descobrem que Clarisa fez um aborto com o médico.

    Capítulo 22
    Camila vai até a mansão e tem uma severa discussão com Clarisa. Rebeca revela a Ângelo que é a mãe de Camila. Clarisa encurralada pelas acusações de Camila, adoooooooooooooooro, toma naja desgraçada! Clarisa tenta empurrar Camila da sacada da janela, meu Deeeeeeeeeeeus, mas ainda bem que não conseguiu e deu uma surra merecida na prima rameira. Chocado com os flashbaks da Rebeca sobre sua história com Leon e Salma, ficou muito bem escrito. Morrendo com a desculpa que Camila deu para Salma sobre os gritos que a família ouviu do quarto de Clarisa. Camila flagra Ângelo e Rebeca na cafeteria. Camila tenta convencer João a não se casar com Clarisa, mas é inútil.

    Capítulo 23
    Morrendo que Camila revelou pra toda família que Clarisa foi amante de Dimitrio, bem no jantar de casamento da megera com o João, um barraco de família, adoooooooooooooro! Eduardo força uma aproximação com Camila e são flagrados por Ângelo.

    Capítulo 24
    Socorro com o reencontro de Leon e Rebeca, carregado de ressentimento e mágoas, adorei! Alma se choca ao saber de toda a verdade sobre Clarisa.

    Capítulo 25
    E começa o casamento de Clarisa e João, que enfim se consuma. Morrendo com o escândalo da Camila no casamento dos primos, pois achei digno! O reencontro de Salma e Rebeca foi intenso, uma troca de farpas e mágoas sem limites, com direito a bofetada e tudo! Socorro com a Clarisa transando com Eric no mato durante a festa de casamento, mas que vadia! Gema sofre ameaças de Clarisa, coitada da empreguete. E rola mais um embate entre Camila e Clarisa, adooooooooooro, dessa vez com direito a tesouradas e revólver, apenas tremendo! Nicole e Jhonny se drogam no casamento e acabam revelando para Ângelo que Clarisa é uma traficante. Socorro com mais uma surra entre Camila e Clarisa, pois amo forte, e o embate das primas foi o gancho para o tão esperado último capítulo, mal posso aguardar!

    Parabéns Willian, aqui estou eu atualizado e amei as reviravoltas da semana final, você tem se superado a cada capítulo! 😀 ❤

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  2. Socorro! Nossa, Willian, acho que é o penúltimo capítulo de uma web na qual eu mais fiquei em shock. Foram tantos acontecimentos que eu nem sei por onde começar, de verdade. Amo essa história, amo o jeito que vc a conduziu até aqui com esses diálogos ricos que flui tão bem com os capítulos. Personagens com uma criação bem original e bem forte. Clarisa hoje sem duvidas foi a diva. Mesmo com sua máscara caindo, me surpreendi mais com o jeito cínico dessa deusa. Camila teve seu ponto alto sim, mas esse jeito da Clarisa foi o que me conquistou hoje. Fez a cabeça de João, ficou com Eric em seu jardim, confessou a Camila suas atrocidades, fingiu esta arrependida… Sem dúvidas uma personagem que vai ficar lembrada pra sempre. Camila teve uma reviravolta bem grande nessa história em apenas uma temporada, isso é o que mais surpreende. Mesmo tendo momentos difíceis, sua personalidade se manteve em alta o que foi ótimo e maravilhoso. Esse fio condutor para o grande final foi divino! Ângelo descobriu de onde Nicole tira as drogas, Salma encontrou Rebeca… ADOREI! Aplaudindo de pé e que venha o Grande Final. Parabéns pela trama, pelo capítulo, parabéns pelo seu talento. 😀

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  3. Morto com a confusão no casamento.
    Salma pisando na Rebeca como rotina. Morro com a dupla drogada, na festa.
    Clarisa totalmente nas mãos da Camila, adorei os tapas, agora Clarisa terá que confessar tudo diante de todos, ganchao. Parabéns pelo cap 😀

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