Alvos da Sociedade – Capítulo 06

Divulgação

Mentir é uma defesa natural dos seres humanos

 

CENA 1 (Meio-dia)

Alice terminava de fechar a porta do escritório da doutora Titânia quando alguém toca seu ombro.

Alice: Você!? – Ela encara Patifa que estava logo em sua frente.

Patifa: Então você que está por trás da investigação da morte do Lucas, não é mesmo?

Alice fica muda e nada diz, apenas encarava Patifa num profundo silêncio, como se o seu olhar perguntasse como ele havia chegado naquela conclusão.

Alice: Eu não sei sobre o que está falando.

Patifa: Não tem mais como mentir pra mim, apenas me conte aonde você quer chegar com tudo isso.

Alice: Bom, acho que fui descoberta.

Ela abre um sorriso.

Alice: Eu não sou uma bandida como deve estar pensando. – Ela desvia o olhar. – Pensando melhor, talvez eu seja sim. – Ela vira as costas para Patifa e começa a caminha lentamente. – Vamos conversar em outro lugar, por favor.

Patifa a segue em silêncio.

 

CENA 2 (Meio-dia)

O médico caminha em direção aos dois irmãos que estavam aflitos, aparentemente trazia notícias de Luciana.

Aslan: E então doutor?

Médico: Eu não tenho boas notícias, e espero que vocês sejam fortes…

O médico é interrompido por um homem de terno preto que se aproxima com passos acelerados.

Geórdio: Então quer dizer que minha esposa está morrendo nesse hospital e meus filhos nem pra me avisar serviram.

Janele e Aslan se entreolham enquanto Geórdio os encara com raiva.

Médico: E o senhor, quem é?

Geórdio: Eu sou o marido da paciente e eu exijo saber o estado de saúde de minha esposa.

O médico suspira e volta a falar de onde parou.

Médico: Como eu ia dizendo, eu não trago boas notícias, após todos os exames feitos e os procedimentos necessários, suponho que ela tenha pouco tempo de vida.

Geórdio: Pouco? Quanto?

Médico: Vou ser sincero, o tumor está num estágio avançado e lhe resta pouco mais de um mês.

Geórdio: E cirurgias?

Médico: A situação é irreversível, podemos apenas lhe proporcionar um resto de vida com menos dor, e espero que os familiares estejam preparados para lidar com isso.

O médico disse algumas coisas, mas sua voz foi calada por um berro de Janele.

Janele: Minha mãe! Eu preciso dela, isso não pode ser verdade!

Ela cai no chão desesperada enquanto Aslan tenta acalma-la.

Geórdio: Obrigado doutor. – Ele se despedia do médico, e em seguida ele volta-se para sua filha. – Levanta e anda, precisamos conversar.

Janele: Não! Não!

Geórdio: Deixa de ser histérica.

Janele o encara com ódio.

Janele: E o que você está fazendo aqui?

Geórdio: Eu tive o desprazer de receber essa notícia por um amigo que trabalha aqui no hospital, acharam que iriam esconder isso de mim até quando?

Janele: Não estávamos escondendo nada, você não precisava saber disso.

Geórdio: Eu sou o marido dela.

Janele: Você não é nada dela!

Geórdio faz Janele se calar com um forte tapa no rosto, mesmo com várias pessoas na recepção indo e voltando todas fizeram vista grossa ao acontecimento e fingiram que nada tinha acontecido seguindo com suas vidas doentias de sempre, se Geórdio quisesse ele poderia bater na outra face de Janele, ninguém iria interferir mesmo.

Geórdio: Ela é minha esposa e vocês são meus filhos! – Ele respira profundamente. – O senhor Jesus veio ao mundo e o evangelho de João diz que ele veio com amor e verdade. – Ele acaricia o rosto de Aslan. – Vamos continuar falando a verdade. – Acaricia o rosto de Janele que o despreza com o olhar. – Sendo uma família unida por amor.

 

CENA 3 (Meio-dia)

Patifa e Alice estão conversando em um restaurante.

Patifa: E então, eu estou esperando uma explicação.

Alice: Bom, obviamente você deve ter percebido que eu sou pobre, assim como minha mãe. – Ela suspira. – E eu não teria dinheiro para contratar uma detetive particular. Deve ter percebido também que eu desconfio que minha mãe possa ter matado meu irmão.

Patifa: E por que você pensa isso?

Alice: Ela é uma preconceituosa do demônio, por culpa dela eu tive que me afastar do Lucas, e por culpa dela ele morreu.

Patifa a encara em silêncio esperando que Alice continue.

Alice: Eu consegui o dinheiro para contratar Perez para me representar e também para pagar você por meio de uma indenização.

Patifa: Indenização?

Alice: Sim, na época Lucas precisou fazer um financiamento, ele iria começar a estudar na faculdade, e o banco forneceu um pacote com um seguro de vida.

Patifa: Suponho que ele tenha a colocado como beneficiária.

Alice sorri. Mas era um sorriso triste e frustrado.

Alice: Sim, ele me amava, e eu o amava da forma como ele era, eu o aceitava e nunca consegui entender como minha mãe não o aceitava.

Patifa: Então você pegou esse dinheiro e me contratou, isso?

Alice: Isso mesmo. – Alice demostrava por meio de suas palavras estar muito abalada. – Eu recebi muito dinheiro e não conseguia pensar em nada para gastá-lo e também não queria guarda-lo, então resolvi encontrar os culpados pelo crime que levou a vida do meu irmão, acho que eu estou fazendo um bom investimento.

Patifa estava emocionada de certa forma, a atitude de Alice não precisava ser aplaudida, mas ela estava disposta a fazer justiça, não importava o preço.

Patifa: Se você tivesse contado isso logo no início não iria ter problema.

Alice: Mas eu estava fragilizada na época, eu não queria me envolver na investigação, eu não queria colocar minha cara a tapa, eu queria ver tudo de longe, apenas.

Patifa: Eu te entendo completamente.

Alice: Mas agora estou pronta.

Ela sorri.

Alice: Juntas nós iremos solucionar esse caso.

Patifa concorda com um aceno positivo.

 

CENA 4 (Tarde)

Adryan estava em sua sala, mais uma vez as imagens estavam o assombrando, quando finalmente a porta se abre e seus olhos se esbarram com o desespero de Evelin.

Adryan: Evelin? O que aconteceu?

Evelin: O Nestor, ele morreu.

Visivelmente surpreso Adryan se levanta.

Adryan: Como assim?

Evelin: O corpo está na sala para ser feito a autópsia.

Adryan se desespera, ele deixa a sala e logo estava no âmbito onde realizavam as autópsias, o corpo de Nestor nu estava sobre a mesa de alumínio, seus olhos fechados e com um corte na barriga.

Ao lado Geórdio o encarava.

Geórdio: Eu já terminei a autópsia, aparentemente você chegou atrasado, Adryan.

Adryan: Mas como assim?

Geórdio caminha lentamente até a porta e a tranca.

Geórdio: Precisamos ter uma conversinha.

Adryan: Eu não vou fazer nada daquilo novamente.

Geórdio: Não se preocupe Adryan, não é sobre isso que eu queria falar contigo, eu queria apenas que você falsificasse a autopsia de Nestor e afirmasse que ele morreu de uma parada cardíaca.

Adryan fica um pouco surpreso com o pedido.

Adryan: Eu não vou fazer isso.

Geórdio: Escuta aqui! – Ele segura Adryan pelo pescoço. – Você esqueceu que você vai fazer tudo o que eu mandar? – Adryan começa a chorar. – Se eu mandar você chupar meu pau, você chupa. – Ele empurra Adryan que cai no chão. – Eu matei Nestor, e posso matar sua querida mãe, você quer isso? – Adryan faz um gesto negativo com a cabeça, ele chorava e tremia de medo. – Então você vai fazer com que a autópsia ateste que ele morreu de ataque cardíaco, não é mesmo.

Adryan chorava muito.

Adryan: Sim senhor.

Geórdio: Bom garoto.

Geórdio sai da sala.

Adryan estava arrasado.

 

CENA 5 (Tarde)

Duke se preparava para sair enquanto Laize estava na sala vendo televisão. Duke sai do quarto indo até ela.

Duke: Como eu estou?

Laize: Está lindo, como sempre.

Duke: Obrigado.

Laize: Podemos conversar?

Duke: Ainda tenho uns minutinhos. – Ele senta ao seu lado. – Pode falar.

Laize: Duke eu gosto de você, e sem querer acabei me envolvendo mais do que eu pensava…

Ele pega em suas mãos.

Duke: Mas eu gosto de você também.

Laize se afasta.

Laize: Não.

Duke a encara surpreso.

Laize: Você é homossexual, nunca seria capaz de amar uma mulher.

Duke: Mas você…

Laize: Eu não sou homem! Nunca mais tente dizer tal atrocidade de mim. – Ela suspira. – Estou querendo dizer que não dá para continuarmos com isso, você é incapaz de me amar como eu sou, você ama outra pessoa e se aproximou de mim apenas para esquecer o Aslan.

Duke se levanta indignado.

Duke: Isso é um absurdo. – Ele caminha de um lado para o outro. – Eu não amo Aslan.

Laize: Mas também não me ama como eu queria que me amasse.

Duke: Por que isso agora? Nós estávamos indo tão bem, por que não pode acreditar em mim?

Laize: Eu acredito…

Duke: Eu preciso mesmo sair, depois nos falamos, esqueça isso.

Laize deu-se por conta que estava preocupando Duke, e resolveu calar-se.

Laize: Desculpe. – Ela o abraça.

Duke: Obrigado. – Ele acaricia os cabelos de Laize. – Não se preocupa com essas coisas tá bom, serei para sempre seu amigo.

Duke sai logo em seguida e Laize começa a chorar.

Ela nunca havia amado tanto uma pessoa, e ele a amava apenas como “amigo”. Laize que fosse fornecer para outras pessoas, aquele homem que queria ser mulher, aquela vergonha da sociedade não merecia ser amado nem mesmo por outro igual.

Desprezíveis.

 

CENA 6 (ANOITECER)

Janele é autorizada a entrar no quarto onde sua mãe esta internada. Com passos lentos ela vai até a cama onde sua mãe estava repousando.

Janele: Mãe…

Ela toca o braço de Luciana que desperta.

Luciana: Filha… – Ela sorri para Janele.

Janele: Como você está se sentindo?

Luciana: Eu estou um pouco melhor, o médico me deu alguns remédios e eu estou melhorando.

Janele: Que bom.

Janele não consegue evitar e deixa uma lágrima cair.

Luciana: Não se preocupe comigo filha, eu vou ficar melhor e logo vamos para casa.

Janele não consegue dizer mais nada e apenas a abraça.

Janele: Mãe, eu vou começar a estudar de novo.

Luciana abre um sorriso.

Luciana: Que notícia maravilhosa, o que pretende fazer?

Janele: Eu vou terminar medicina, faltam poucos semestres, eu até fiz a reabertura da minha matrícula.

Luciana: Eu estou muito orgulhosa por você.

Luciana sorria enquanto algo morria dentro de Janele, ela ficou firme e segurou suas lágrimas até o fim para poupar sua mãe da dura verdade.

 

 

CENA 7 (Noite)

Alice chega em sua casa e encontra sua mãe sentada no sofá.

Adime: Finalmente chegou. – Ela tentou sorrir. – Aquela Titânia está escravizando você.

Alice: Me deixe. – Alice foi para seu quarto como sempre fazia, mas desta vez Adime vai atrás.

Adime: Por que você está me tratando dessa maneira, garota?

Alice: Pergunta para o Lucas, quem sabe ele não tem a resposta?

Adime quase engole a fala, mas mesmo nervosa consegue rebater com a mesma fúria da filha.

Adime: O que você quer dizer com isso?

Alice: Você ainda não entendeu? Você matou o Lucas! Você matou o meu irmão.

Ela gritou, mas foi calada com um tapa de sua mãe.

Adime: Você cala a sua boca que eu não lhe dei o direito de gritar comigo.

Alice: Você está com medo que as pessoas descubram o que você fez?

Adime começa a chorar.

Adime: Eu não o matei. – Ela coloca as mãos sobre o rosto. – Eu sei que no momento em que eu o expulsei eu estava colocando ele no perigo, mas eu não queria que ele morresse.

Adime vai correndo para o quarto, pela primeira vez Alice acreditava em sua mãe, ela não era a assassina de Lucas.

Um homossexual na rua sozinho é um perigo para toda a sociedade, além de expor as pessoas ao ridículo, ele pode transformar homens de bem em criminosos pelo simples fato de quererem puni-lo, mas é crime matar animais, uma pena.

 

CENA 8 (Noite)

Já havia anoitecido e Adryan dirigia de volta para casa quando seu celular toca, então ele atende.

Adryan (cel.): Alô!

Janele (cel.): Adryan, preciso falar com você, pode vim aqui em casa agora?

A voz de Janele estava abatida do outro lado da linha, e Adryan acaba se preocupando, fazia dias que os dois não se falaram mais, ela ligava para ele sempre quando o assunto era festas e baladas, mas agora parecia diferente.

Em pouco tempo Adryan já havia chegado à casa de Janele, que corre abrir a porta.

Janele: Finalmente você chegou.

Ela o abraça enquanto chora.

Adryan: O que houve?

Janele: A minha mãe está no hospital. – Ela se desespera e derruba sem pranto. – Ela está com câncer, e tem pouco tempo de vida.

Adryan fica sem palavras e apenas a abraça.

Os dois entram e ficam falando por longos minutos, Janele contou todas as suas dores enquanto Adryan ficava remoendo seus remorsos intimamente, era como se ninguém pudesse ouvi-lo naquele momento.

Adryan: Eu sinto muito por você Janele. – Ele a abraça novamente. – Tudo o que precisar você pode contar comigo.

Ela lhe sorri, era um sorriso amarelo, mas era de gratidão, estava grata por ele ser amigo de todas as horas.

Janele: Desculpe incomoda-lo com coisas minhas, de novo.

Adryan: Amigo é pra essas coisas.

Janele se levanta.

Janele: Está com fome?

Antes que Adryan respondesse eles são interrompidos pelo tocar da campainha.

Janele: Só um minutinho.

Ela vai até a porta e abre revelando Aslan.

Janele: Você aqui!? – Ela revela-se um pouco surpresa, afinal não esperava pela visita de seu irmão, e também sabia que o clima ficaria um pouco desconfortável, afinal ela que uniu Aslan e Adryan.

Aslan: Quem está com você? – Ele invade a casa apressadamente se deparando com Adryan na sala.

Adryan se levanta.

Adryan: Aslan!?

Fazia dias que os dois não se viam, mas aquele reencontro prometia fazer com que as emoções e as mágoas ressurgissem para atormenta-los novamente.

 

CENA 9 (Noite)

Chegava a vez de Geórdio ir visitar sua esposa no hospital. Ele acabava de sair do trabalho e chegou ao quarto minutos depois.

Ele abre a porta e se depara com Luciana, quase adormecida.

Geórdio: Acorda meu amor.

Luciana: O que você está fazendo aqui?

Geórdio: Eu fiquei sabendo que minha esposa não estava bem de saúde e vim visita-la.

Luciana: Nós não temos nada há muito tempo.

Geórdio: E seu amante? Onde ele está agora?

Luciana se cala enquanto Geórdio se aproxima.

Geórdio: Eu só quero o seu bem, meu amor. – Ele beija a testa de Luciana.

Luciana: Eu não quero nada de você, sai daqui.

Geórdio tira do bolso uma caixinha e a abre revelando uma aliança.

Geórdio: Eu te perdoo por todos os erros que você cometeu, e aceito te dar uma segunda chance. – Ele coloca a aliança no dedo de Luciana, que enfraquecida fica a mercê e não consegue demostrar resistência.

Luciana: Eu quero que você morra! – Ela cospe na cara dele.

Geórdio se levanta e limpa o rosto com um guardanapo.

Geórdio: Eu também quero que você morra, faremos muito sexo.

Ele se aproxima dela e sussurra em seu ouvido.

Geórdio: Você tem um câncer terminal, querida. – Ele beija a testa de Luciana que fica perplexa e não consegue reagir diante daquele homem frio e sádico.

Aquela frase ecoou na mente de Luciana e fez seu corpo estremecer.

Luciana: O que você está dizendo?

Geórdio: Você é surda?

Ele acaricia a face de Luciana.

Geórdio: Eu quero sua felicidade tanto quanto você quer a dos nossos filhos, portanto acredito que devemos passar os últimos dias de nossas vidas juntos.

Luciana começa a chorar.

Luciana: Isso é loucura.

Geórdio: Você deve aceitar minhas condições e formaremos uma família feliz.

Luciana não consegue dizer nada, ela apenas chorava.

Geórdio: Caso você se recuse a vir comigo, nossos filhos não vão herdar um real sequer de mim, então se não quer vê-los na miséria aceite meus sinceros sentimentos.

Luciana ainda não conseguia acreditar naquele homem, ela se recusava a acreditar que tinha uma doença incurável, ela não queria morrer.

Luciana: Sai daqui!

Ela esbraveja enquanto chora.

Geórdio: Meu amor, esse é o momento de tentarmos reconquistar tudo o que perdemos.

Luciana: Eu mandei sair!

Ele se aproxima dela e segura as mãos de Luciana com brutalidade a machucando.

Luciana: Me solte.

As lágrimas ainda caiam.

Geórdio se aproxima de Luciana e a beija contra a sua vontade, ela estava fragilizada e não consegue se esquivar daqueles lábios.

Geórdio: Essa é a prova de nosso amor.

Ele a solta e sai, Luciana permanece chorando, arrasada.

 

CENA 10 (Noite)

Era noite. Não precisava ser dito isso novamente, Adryan viu a escuridão nos olhos de Aslan, e os dois se encararam por longos segundos, tão longos que o tempo pareceu não passar.

Adryan sentiu-se totalmente desconfortável com sua presença, ele lembrou-se do que aconteceu e pôs-se em pé.

Adryan: Boa noite. – Ele tenta cumprimentar Aslan com um sorriso, mas detém-se rapidamente. – Eu já estava de saída.

Janele: Adryan, espere…

Adryan a encara, e depois volta a encarar Aslan.

Adryan: Eu pensei que vocês fossem apenas amigos. – Adryan ainda estava perplexo.

Aslan caminha lentamente e fica ao lado de Janele e de frente para Adryan a alguns metros de distância.

Aslan: E o que acha que somos?

Adryan: Eu esperava que me dissessem. – Os olhos dele já não conseguiam conter as lágrimas que tentavam escapar de alguma maneira.

Janele: Nós somos irmãos.

Adryan fica um pouco cabisbaixo, mas nada diz, ele apenas se dirige até a porta e Janele vai até ele.

Janele: Você está bem?

Adryan: Eu só preciso ir para casa.

Adryan sentia que precisava ir, o clima naquele lugar não estava dos melhores, Janele e Aslan estavam imersos no sentimento de luto e ele não queria dizer nada que pudesse piorar as coisas.

Janele: Espere.

Ela segura o braço de Adryan, que a empurra.

Adryan: Me solta!

Janele: Eu ia te contar.

Adryan: Você mentiu pra mim!

Janele: Não, eu apenas não disse que Aslan era meu irmão.

Adryan: Você me enganou, você fez eu me envolver com seu irmão.

Adryan sentia-se traído.

Adryan: Há quanto tempo você sabia que eu era…

Janele: Gay?

Adryan se cala, era como se algo o bloqueasse de ser como ele era, ele tinha nojo de si mesmo, ele não queria se aceitar, e não queria que as pessoas o vissem como ele era. Talvez o trauma que Geórdio o fez passar ainda ecoasse em sua mente. Desesperado ele sai correndo da casa de Janele.

Janele: Adryan! – Ela ainda tenta chamar por ele.

Aslan: Deixe ele ir, ele está confuso.

Janele: Eu não pensei que ele fosse reagir assim.

Aslan: Mas ele deve ter se sentido humilhado, afinal precisou da amiga dele para arrumar um homem pra ele.

Janele: Mas eu não tive intenção.

Aslan: Não se preocupe, depois eu falo com ele…

Os dois permanecem em silêncio depois disso, em seguida Aslan sai também.

 

CENA 11 (Noite)

Os passos na noite seguiram Adryan, que desta vez estava indo para sua casa. Ele abriu a porta da frente e caiu sobre o tapete enquanto chorava.

A empregada que estava voltando da cozinha o encontra caído e corre chamar Cassie.

Marcele: Cassie!

Cassie desce as escadas de sua mansão apressadamente e se depara com seu filho arrasado. Ela o ajuda a subir as escadas e o leva para o seu quarto.

Cassie: Filho…

Adryan abre os olhos e começa a chorar.

Adryan: Me ajuda mãe.

Ele chorava desesperado. Seu coração pulsava de uma maneira que chegava a doer, seu olhar era pálido e cheio de horror, suas mãos tremiam.

Cassie: O que houve filho? Me conte!

Adryan: Mãe, eu fiz sexo com…

Ele falhou em falar, ele já não chorava mais, ele gritava desesperado, ele se levantou e começou a quebrar as coisas por dentro do quarto enquanto Cassie tentava contê-lo.

Cassie: O que está acontecendo? Meu filho! – Ela gritava desesperadamente e seu instinto a obrigada a chorar sem explicação alguma.

Adryan: Eu fiz sexo com…

Cassie: Com quem filho? Fala!

Adryan caiu no chão se forças. Era como se ele tivesse levado a maior surra de sua vida. Sua garganta doía, seus olhos ardiam e não sentia mais seu coração batendo.

Adryan: Com um cadáver, mãe. – Ele disse num sussurro. – Eu fiz sexo… – Ele fez uma longa pausa alternando com lágrimas de horror e desespero, como se chegasse ao ponto de morrer se repetisse o que disse novamente.

Cassie ficou sem chão, ela estava desesperada antes, mas agora ela estava pior, e sentia-se como um animal abatido que era servido como alimento para a família tradicional.

 

CENA 12 (Noite)

Algumas pessoas estavam andando em seus carros naquela noite. Uma dessas pessoas desceu de seu carro, olhou para os lados para certificar-se de que ninguém estava vendo. E seus passos foram até uma casa.

Do lado de dentro daquela casa é possível ver a janela do banheiro com a luz acena, pelo corpo nu de Duke sendo banhado pela água, com suas lindas formas sendo exibidas para quem quisesse ver pela pequena fresta.

Enquanto que pelo buraco da fechadura Laize tentava espiar o corpo daquele lindo homem, aquela safada.

Porém alguém bate na porta surpreendendo Laize que leva um susto, seus passos são lentos e se aproximam da porta.

Ao girar a maçaneta ela percebe que alguém a espera do outro lado, ela abre um sorriso e finalmente abre a porta.

Laize: Você?

Quem? Ninguém viu, apenas Laize em seus últimos momentos de agonia conseguiu presenciar aquela cena. Do banheiro Duke escuta o som de um tiro, e grita desesperado.

Duke: Laize!? – Ele se apressa em desligar o chuveiro e se enrola na toalha, ele corre para a sala e encontra o corpo de Laize. Suas pernas falharam em caminhar até ela.

Laize havia levado um tiro no coração.

Merecido, mais um pecador no inferno.

Confira o encerramento especial em homenagem a morte de Laize… 

 

 

CONTINUA…

Anúncios

53 thoughts on “Alvos da Sociedade – Capítulo 06

  1. Que o Geordio bicha encubada vá pro inferno, e continuo insistindo que Adryan faça isso com as próprias mãos, e que Aslan também pegue o mesmo trem que o pai, dois ordinários.

    Adorei o capítulo 👏👏👏

    Curtir

  2. Como pode Hivan? Como pode? Não me arrasa não! Com assim você matou Laize tão rápido, e de forma precoce? Eu realmente não esperava, foi um tombo grande esse assassinato, tava pensando em um rumo completamente diferente pra personagem, não descartava a possibilidade da morte, mas não esperava que fosse tão cedo. Ela conhecia o assassino (a), e o alvo do serial killer parece ser os homossexuais/travestis em geral, e diante da revelação que Laize era amiga de Lucas, no momento penso em Adime e até Alice como a criminosa, mas também levo em consideração Aslan ter saído sozinho, ele podee muito bem ser o assassino, já que é um gay que não aceita isso

    Parabéns Hivan, mais uma vez você me tombou.

    Curtido por 1 pessoa

    • Na verdade Laize tinha muito a dizer, na verdade a web seria maior (porém tive que reduzir por motivos de que a agenda das 22 horas está lotada, já expliquei anteriormente), e posso revelar? Quando eu desenvolvi Laize foi pelo simples propósito do leitor desenvolver algum laço afetivo com um dos alvos, ficaria chato começar matar pessoas aleatoriamente que sequer apareceram na trama (fiz algumas mortes assim), mas ficaria chato se todas fossem assim, então esse é o propósito de Laize, porém nunca pensei que ela seria tão amada, e também nunca imaginei que iriam desejar que ela ficasse com Duke, tudo foi uma surpresa pra mim, mas a morte já estava programada e eu nada podia fazer, apenas sentir.
      Agora vamos falar do assassinato, ela conhecia sim o assassino (ou assassina?) e a narrativa deixou isso bem claro, e isso servirá para a criação de muitas teorias.
      Muito obrigado, espero que tenha tombado no bom sentido, Laize tinha tudo para crescer na trama, vamos apenas sentir saudades ❤

      Curtido por 1 pessoa

    • Laize sofreu durante a maior parte da web, e agora tem sua vida interrompida, tantos sonhos que serão enterrados com ela… Queria fazer algo para ser refletido, e como os alvos simplesmente não são vistos como pessoas, e sim apenas mais um número dessa contagem absurda de crimes que acontecem contra eles.
      Adryan revela a verdade para Cassie, o que será que ela vai fazer?
      Geórdio não tem limites.
      Muito obrigado 😀

      Curtir

  3. Como assim?!?!?! Laize NÃOOO….. #chateada
    Mude o nome de Geórdio para Lúcifer, é a reencarnação do próprio (que criatura desprezível).
    Ansiosa pela continuação.
    Parabéns, capitulo muito bom. bjs

    Curtir

    • Fico muito surpreso que a morte da Laize tenha lhe despertado algum sentimento, nem que seja um ruim, mas de certa forma a mensagem com a morte dela foi passada.
      As cenas do Geórdio, nesse capítulo, uma das melhores, e realmente ele está cada vez pior.
      Muito obrigado 😀

      Curtir

  4. Hivan, querido, tive um imprevisto e acho q nn chegarei a tempo pra comentar decentemente até o final da contagem. Deixo aqui minha participação e qualquer coisa comento quando chegar ou amanhã mesmo, se vc permitir. Parabéns! 😀

    Curtir

    • Não se preocupe imprevistos acontecem, fico muito feliz que esteja acompanhando a trama, este capítulo está imperdível (sério), espero que goste, ficarei aguardando sua opinião (sem pressa ok), muito obrigado 😀

      Curtir

  5. GENTE, tadinha da Laize. Será que foi a mesma pessoa que matou o Lucas? Coitada da Luciana que tem um câncer. Finalmente Janele deixará a vida de preguiçosa. Clima tenso entre Adryan, Aslan e Janele. Parabéns pelo cap, triste por sinal :/ . Esse encerramento ♥

    Curtir

    • Laize não merecia, mas sua morte foi necessário (como eu mencionei anteriormente), e sim o assassino(a) também matou Lucas, e as outras vítimas que foram apenas citadas durante toda a web. Luciana sofrendo com o câncer e agora com as ameaças de Geórdio. Janele tomará uma atitude para sua vida (finalmente mesmo). E Adryan descobriu a suposta mentira de Janele (que foi tão falada em suas chamadas)
      Muito obrigado 😀
      Esse encerramento é lindo ❤

      Curtir

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s