Mundos Opostos – Capítulo 21

CENA 01: CASA DE MAURÍCIO E TALITA/COZINHA/INT./NOITE

Angelo, Carolina, Felipe, Jair, Jonas, Júlio, Larissa, Maurício, Vinícius e Venâncio estão sentados à mesa, esperando Bárbara, Jéssica e Talita chegarem e servirem o jantar. A falta de Ricardo à mesa é sentida.

JONAS – Tia Larissa, cadê o Ricardo?

LARISSA – Ele disse que vinha daqui a pouco, que ele tinha umas coisas pra resolver.

JAIR – Que coisas?

LARISSA – Ele não disse.

MAURÍCIO – Que estranho…

Ouve-se o barulho da porta de entrada se abrindo e se fechando. Todos sabem: Ricardo chegou. Porém, a maior surpresa vem quando Ricardo entra na cozinha, mas não se senta à mesa.

LARISSA – Não vai se sentar, filho?

RICARDO – Antes, eu queria que todos vocês viessem pra sala. Sem exceção.

Todos estranham o pedido de Ricardo, que volta para a sala.

CENA 02: CASA DE MAURÍCIO E TALITA/SALA/INT./NOITE

Angelo, Bárbara, Carolina, Felipe, Jair, Jéssica, Jonas, Júlio, Larissa, Maurício, Talita, Vinícius e Venâncio chegam à sala e se surpreendem ao ver Ricardo na companhia de Luciana. Júlio se acentua ao ver que os dois estão de mãos dadas.

RICARDO – Vocês conhecem a Luciana, né? Ela faz parte da Corrente…

CAROLINA – Sim, conhecemos… era ela quem dava em cima de você quando nós entramos na Corrente, né?

Luciana e Ricardo engolem a resposta seca de Carolina.

LUCIANA – Não vamos nos prender ao passado, sim?

RICARDO – Então, gente, a Luciana tá aqui para me ajudar a fazer um anúncio pra família.

JAIR – E que anúncio seria esse?

Luciana e Ricardo se entreolham e sorriem um para o outro.

RICARDO – Eu tô namorando a Luciana.

Todos ficam chocados com a notícia dada por Ricardo. Jéssica e Júlio se entreolham, desesperados. Carolina e Jonas não escondem sua indignação.

Luciana e Ricardo trocam um rápido beijo e voltam a encarar a família de Ricardo, com um sorriso no rosto. Percebendo que a família não reagiu bem à notícia, os dois vão parando de sorrir aos poucos.

CAROLINA – Ricardo… assim não dá pra te defender.

VINÍCIUS – É aí que a gente percebe o quanto o Dimas significava pra ti. Pra ele ser descartado assim tão rápido na primeira oportunidade…

RICARDO – Eu não descartei o Dimas. Foi ele quem me descartou. Eu só tô seguindo em frente.

CAROLINA – Vocês pelo menos falaram com o Dimas?

RICARDO – Ele não quer me ver. O Luís me disse que ele até proibiu a minha entrada dentro daquele quarto. De qualquer forma, eu não preciso da opinião dele sobre o meu namoro com a Luciana.

JÚLIO – Como tu é egoísta, Ricardo… coitado do Dimas…

RICARDO (exaltado) – Dimas, Dimas, Dimas, vocês só sabem falar do Dimas. Vocês só pensam no Dimas. Vocês só ligam pro sofrimento do Dimas, só o Dimas importa, eu não. Claro… eu não sofri nenhum acidente, não tô paraplégico, logo eu não tô sofrendo nem um pouquinho.

JONAS – Também não é assim, Ricardo—

RICARDO – CLARO QUE É. POR QUE É QUE TUDO O QUE EU FAÇO VOCÊS TÊM QUE CRITICAR? POR QUE VOCÊS NUNCA ESTÃO SATISFEITOS COM O QUE EU FAÇO?

Silêncio em cena.

RICARDO – Vocês deviam era tar fazendo plantão lá no hospital, se revezando pra cuidar do coitadinho do Dimas, que perdeu os movimentos das pernas e tá sofrendo. Mas sabem por que isso aconteceu? Porque ele encheu a cara, brigou comigo porque tem ciúmes de mim com o meu melhor amigo e depois foi inventar de DIRIGIR BÊBADO.

Jonas tenta responder Ricardo, mas é interrompido pelo mesmo.

RICARDO – E não venham me dizer que o meu namoro com a Luciana é uma falta de respeito com o Dimas. ELE JÁ TERMINOU COMIGO. Terminou naquele dia mesmo, e confirmou hoje. O Dimas já é passado pra mim, e eu já sou passado pra ele. Vocês queriam o quê, que eu passasse o resto da minha vida chorando a rejeição do Dimas, como se eu tivesse me desquitado e não pudesse mais me envolver com outra pessoa?

JAIR – Calma, Ricardo. Nós só nos surpreendemos com a notícia. Nunca imaginaríamos que isso acontecesse. Olha, pelo menos por mim, vocês terão todo o meu apoio. Eu não farei nenhuma oposição ao namoro de vocês. Se é pra tua felicidade, eu apoio completamente.

ANGELO – Eu também apoio. Pelo menos é com uma mulher, né?

MAURÍCIO – Faço das palavras do Jair as minhas. Eu espero que a Luciana consiga lhe fazer tão feliz quanto o Dimas.

LUCIANA – Muito obrigada, seu—

MAURÍCIO – Maurício.

LUCIANA – Muito obrigada, seu Maurício. Eu prometo não decepcioná-los. Eu amo o Ricardo, e estou disposta a fazer o que estiver ao meu alcance para fazê-lo feliz.

TALITA – Faço das palavras do meu marido as minhas.

CAROLINA – Me desculpa, mas eu não aceito. Não aceito mesmo.

Carolina volta para a cozinha.

JONAS – Eu não acredito que você vai jogar mais de um ano de namoro com o Dimas no lixo sem nenhum remorso… se fossem três meses, mas não. São quinze meses.

RICARDO – O guichê de reclamações é o quarto do Dimas lá no hospital. Quem terminou foi o Dimas, e não eu.

Jonas volta para a cozinha. Em seguida, é a vez de Jéssica e Júlio. Por fim, Vinícius e Venâncio se retiram. A casa está dividida, e isso preocupa Ricardo.

CENA 03: CASA DE GUTO E LUCIANA/QUARTO DE GUTO/INT./NOITE

Guto está deitado na cama, conversando com Júlio via WhatsApp.

GUTO (cel.) – Como assim?

JÚLIO (cel.) – A Luciana tá namorando o Ricardo.

Guto fica surpreso com o que ouviu de Júlio. Aquilo já era esperado por ele, mas mesmo assim lhe deixou surpreso.

GUTO (cel.) – Eles tão namorando?

JÚLIO (cel.) – Sim… a Luciana conseguiu o que queria. Ela separou o Dimas e o Ricardo, explodiu o namoro deles e fez com que o Ricardo caísse nos braços dela. Eu só espero que ela não invente de querer morar aqui com a gente, eu espero que ela leve o Ricardo pra morar aí com vocês. A casa tá dividida, metade aceita eles e metade não aceita. E é mais fácil eles irem embora do que metade da família ir embora.

GUTO (cel.) – O Dimas já sabe?

JÚLIO (cel.) – Não, ele ainda não sabe. Eu acho que nós vamos ter que falar pra ele, porque ele não quer mais saber do Ricardo, proibiu ele de entrar no quarto dele lá no hospital.

GUTO (cel.) – Como tu acha que ele vai reagir?

JÚLIO (cel.) – Sinceramente? Não faço a mínima ideia.

Júlio solta um longo suspiro.

JÚLIO (cel.) – A Luciana me disse que só me deixaria em paz se ela conseguisse ficar com o Ricardo. Mas eu tô com a leve impressão de que ela não vai me deixar em paz tão cedo. Principalmente se ela decidir morar aqui com a gente…

Guto fica preocupado com o que ouve de Júlio.

CENA 04: FORTALEZA/EXT./NOITE

Imagens da Praia do Futuro. Amanhece.

CENA 05: HOSPITAL/QUARTO/INT./MANHÃ

Dimas ainda está no hospital, em estado de observação médica. Ele aparenta estar melhor do que no dia anterior, mais calmo e com as escoriações em processo de cicatrização. Ele se distrai lendo um livro, mas é interrompido por batidas na porta do quarto. Imediatamente, ele descansa o livro aberto em cima do seu corpo e olha diretamente para a porta.

DIMAS – Entre.

A porta se abre para a entrada de Carolina e Júlio. Dimas solta um tímido sorriso ao ver os “ex-cunhados”.

CAROLINA – Com licença.

Os dois se aproximam da cama de Dimas. Júlio cumprimenta-o com um aperto de mão.

JÚLIO – Como é que tu tá, Dimas?

DIMAS – Do mesmo jeito, né? Parado, sem poder sair dessa cama, basicamente só podendo mexer os braços e a cabeça… é, acho que eu tô me adaptando bem à minha nova realidade…

CAROLINA – Fico muito feliz em saber que tu já tá reagindo bem a tudo isso.

DIMAS – Eu não posso passar o resto da minha vida maldizendo Deus e o mundo com a cara emburrada. Isso não vai trazer a sensibilidade das minhas pernas de volta. O que me resta é aceitar que agora eu vou ser uma pessoa completamente dependente das pessoas à minha volta para me locomover decentemente.

Os três sorriem, um pouco desanimados. Carolina e Júlio se entreolham, um esperando o outro falar.

CAROLINA – Não vai falar não?

JÚLIO – Eu não vou falar.

CAROLINA – A ideia foi tua.

JÚLIO – Eu não sei como eu vou fazer isso.

DIMAS – O que é que tá acontecendo?

Carolina pressiona Júlio, obrigando-o a falar. Ele respira fundo.

JÚLIO – Dimas, eu preciso te contar uma coisa. É sobre o Ricardo.

DIMAS – O que aconteceu?

JÚLIO – Então, durante o jantar, ele anunciou pra família que tá namorando a Luciana?

Dimas se surpreende com a notícia dada por Júlio. Ele e Carolina ficam com medo da reação do rapaz, que apenas os encara, surpreso.

CENA 06: MANSÃO ANDRADE DA COSTA/SALA/INT./MANHÃ

Gabriel e Gustavo estão em pé na sala de estar, conversando.

GABRIEL – Como prometido, hoje eu lhe levarei para conhecer o corpo executivo do Grupo Andrade da Costa. Espero que você goste do ambiente.

GUSTAVO – Com certeza eu vou gostar, pai. Afinal, muito em breve eu me integrarei a este ambiente.

Gabriel sorri para Gustavo.

GUSTAVO – O senhor vai ver, pai, eu ainda serei o representante maior de uma das empresas da família. Invejosos dirão que é nepotismo, mas eu provarei que eu ocuparei esse cargo por mérito próprio. Começarei de baixo. Se for preciso, da base, no meio dos “reles mortais”. Subirei degrau por degrau e chegarei ao cargo máximo, ao topo da pirâmide hierárquica.

Igor vem descendo as escadas e chega à sala de estar, alimentando um sorriso irônico para Gustavo. Ele, por sua vez, retribui com um sorriso igualmente irônico.

IGOR – Adorei o seu lema, irmão. Acho que você deveria redigi-lo e colá-lo na porta do seu quarto para não esquecer. Mas olha, para isso, você vai ter que dispensar qualquer tipo de ajuda do pai ou da mãe, tá bom?

GUSTAVO – Adorei o conselho, claramente o seguirei. Entendo perfeitamente que, como o irmão mais velho, você esteja querendo o meu bem, o meu sucesso profissional, sem segundas intenções maldosas nem tampouco falsidades.

IGOR – Que bom que você reconhece isso.

Insatisfeito com o que presencia, Gabriel decide chamar Gustavo e afastá-lo de Igor.

GABRIEL – Vamos, filho?

GUSTAVO – Sim, pai, vamos.

Gabriel e Gustavo saem, deixando Igor sozinho na sala. Segundos depois, Maria vem descendo as escadas e estranha ao ver Igor olhando com raiva para a porta de entrada da mansão. Ela se aproxima do namorado e o abraça, chamando-lhe a atenção.

MARIA – O que houve, Igor?

IGOR – Nada não…

MARIA – Conta, vai…

IGOR – Ah, é o meu pai e o meu irmão.

MARIA – O que aconteceu?

IGOR – Eles adoram me irritar. Encontram qualquer pretexto para me chamar de incompetente e irresponsável. Não duvido nada que eles tenham feito a minha caveira pelas costas quando a Débora disse que estava grávida e eu pedi um tempo para pensar.

MARIA – Mas o que foi que eles fizeram?

IGOR – Eu sempre achei que, como irmão mais velho, eu receberia uma atenção melhor do meu pai… eu sempre achei que, como herdeiro, eu seria desde cedo convidado a conhecer o trabalho do meu pai, como forma de ser preparado para sucedê-lo no futuro. Mas eu vejo que esse privilégio na verdade está sendo estendido ao Gustavo. Maria, você não acha que eu ganhei fama de irresponsável e despreparado porque o meu próprio pai fez questão de criá-la, privando-me de um contato maior com a minha principal herança, a administração do Grupo Andrade da Costa, porque ele prefere o meu irmão?

MARIA – Taí uma coisa que eu não sou capaz de opinar…

IGOR – É sério, Maria. Se eu quisesse ouvir uma resposta dessas, eu tinha perguntado para a minha mãe.

MARIA – Eu tô falando sério, eu não sei como responder à tua pergunta. O que eu sei é que não é bom tu ficar pensando nisso, só vai te deixar pior.

Maria sorri para Igor, em uma tentativa de tranquilizá-lo.

CENA 07: HOSPITAL/QUARTO/INT./MANHÃ

Dimas encara Carolina e Júlio, ainda surpreso com o que ouvira.

DIMAS – O Ricardo tá namorando com a Luciana?

JÚLIO – Exatamente, Dimas. Desde ontem à noite.

DIMAS – Assim, tão de repente?

JÚLIO – Sim. Claro, nem todo mundo aceitou isso de bom grado.

CAROLINA – Posso falar? Eu achei uma grande falta de respeito contigo. Eles nem sequer falaram contigo antes de tudo. Se eu fosse a Luciana, eu teria falado contigo.

DIMAS – Pois eu faça isso acontecer. Na verdade, faça o Ricardo vir aqui. Eu quero ter uma conversa séria com ele. Podem chamar ele aqui, eu deixo ele entrar.

Carolina e Júlio se entreolham.

CENA 08: CASA DE GUTO E LUCIANA/SALA/INT./MANHÃ

Luciana abre o portão. Ricardo está do outro lado. Os dois sorriem ao se verem pela primeira vez no dia. Imediatamente, Ricardo entra na casa e cumprimenta Luciana com um beijo no rosto.

RICARDO – Posso entrar?

LUCIANA – À vontade.

Luciana fecha o portão e vai junto com Ricardo até a sala de estar. Chegando lá, os dois se abraçam e trocam um rápido beijo.

RICARDO – Eu precisava falar um pouco contigo, longe da minha família.

LUCIANA – Entendo o porquê…

RICARDO – Sabe, eu até entendo porque é que eles reagiram tão mal ao nosso namoro. É porque eles estavam acostumados em me ver com o Dimas. E assim, a gente terminou tão rápido, ele me deletou da vida dele num piscar de olhos… me senti mais rejeitado que o Roni de “Mil Acasos”.

LUCIANA – Já vi que vamos demorar um pouquinho para conquistar a sua família.

RICARDO – Não esquenta não, ninguém aceitou o Dimas de imediato. Demoramos alguns meses para ser totalmente aceitos pela família. Olha pelo lado bom, logo no anúncio nós conquistamos o apoio de metade da família… com o Dimas, eu só consegui o apoio imediato do Jonas e do Júlio.

LUCIANA – Mas eu não sei, acho que nós vamos demorar muito para sermos totalmente aceitos pela sua família. Eu sinto que o Júlio vai ser o que mais vai resistir a aceitar a gente…

RICARDO – Já eu sinto que quem vai resistir mais em aceitar a gente é o Venâncio. Ele foi o primeiro a me aceitar com o Dimas… o bichinho, cheio de inocência, aceitou a gente numa boa. Ele era pra mim e pro Dimas como um filho adotado, sabe? Acho muito difícil que o Venâncio te aceite como “madrasta”, ele tava muito bem acostumado em viver com os dois “pais adotadores”.

LUCIANA – Pais adotivos.

RICARDO – Isso, pais adotivos. Mas enfim, vai dar certo, com o tempo a gente vai ser aceito.

Luciana e Ricardo sorriem um para o outro. O celular de Ricardo toca e ele prontamente o tira do bolso da calça e o atende.

RICARDO – Alô?

JÚLIO (cel.) – Ricardo?

RICARDO – Fala, Júlio.

JÚLIO (cel.) – Ricardo, é o seguinte, eu preciso que tu venha aqui no hospital o mais rápido possível?

RICARDO – Aí no hospital? Júlio, tu já se esqueceu que o Dimas não quer mais me ver? Ele até deixou ordens para impedir a minha entrada no quarto…

JÚLIO (cel.) – É ele quem tá te chamando. Vem, Ricardo, vocês dois precisam conversar.

Júlio encerra a ligação. Ricardo fica petrificado com o que ouvira, e sua reação causa estranheza em Luciana.

LUCIANA – O que houve?

RICARDO – O Dimas quer me ver…

LUCIANA – Quer que eu vá com você?

Aos poucos, Ricardo abaixa o celular e olha para Luciana.

RICARDO – Não, não precisa… pode deixar que eu vou sozinho mesmo. Pode ser que ele queira ter uma conversa a sós comigo.

Luciana acena com a cabeça, indicando concordância com a fala de Ricardo. Ela se levanta do sofá e conduz Ricardo até o portão, o abre e permite que o namorado vá embora. Ainda com o portão aberto, Luciana observa a partida de Ricardo.

CENA 09: CASA DE MAURÍCIO E TALITA/QUARTO DE VENÂNCIO/INT./MANHÃ

TRILHA SONORA: Break of Dawn – Michael Jackson

Venâncio está deitado na cama, de barriga para baixo, segurando o seu telefone celular. Ele observa fixamente uma série de fotografias suas com Dimas e Ricardo. A consternação no seu olhar é evidente. Vinícius entra no quarto e flagra o irmão naquela situação.

VINÍCIUS – Venâncio?

Venâncio não tira os olhos do celular. Vinícius decide entrar no quarto e sentar-se na cama, perto do irmão. Ele olha para o celular e vê as fotografias de Dimas, Ricardo e Venâncio.

VINÍCIUS – Venâncio—

VENÂNCIO – Por que eles tiveram que terminar, Vinícius? Eles eram tão bonitos juntos…

VINÍCIUS – Eles devem ter tido seus motivos…

VENÂNCIO – Eu não me conformo…

VINÍCIUS – Era o melhor para eles. Talvez a gente nunca entenda o porquê, talvez eles nunca se sintam à vontade de contar pra gente o que realmente aconteceu… mas se eles decidiram assim, é porque realmente não dava mais para eles viverem juntos.

VENÂNCIO – Eu espero, do fundo do meu coração, que o Ricardo largue esse Luciana e volte pro Dimas. Justo agora que eles deveriam estar era mais juntos do que nunca, eles se separam… eu duvido muito que a Luciana consiga fazer o Ricardo feliz. Eu duvido muito que eles consigam viver longe um do outro.

VINÍCIUS – Isso só o tempo vai dizer. Mas pelo menos por enquanto, a gente vai ter que se acostumar com o Ricardo namorando uma mulher. Realmente vai ser uma missão quase impossível, mas a gente vai ter que fazê-la.

Venâncio e Vinícius se entreolham. Vinícius sorri para o irmão, que permanece triste. Em uma tentativa de alegrá-lo, Vinícius se aproxima mais dele e lhe oferece um abraço, que ele não retribui muito bem. A trilha sonora vai abaixando aos poucos.

CENA 10: MANSÃO ANDRADE DA COSTA/QUARTO DE ALICE E GABRIEL/INT./MANHÃ

Alice está de frente ao espelho do quarto, se arrumando. Assim que ela termina de se arrumar, ela escuta o seu celular tocar. Imediatamente, ela se dirige ao criado-mudo e pega o seu celular. Ela sorri ao perceber que se trata de uma chamada telefônica de Cassandra e a aceita.

ALICE (sorrindo) – Bom dia, tia.

CASSANDRA (cel.) – Bom dia, minha sobrinha. Como vai?

ALICE – Agora vou ótima. Ouvir a voz da senhora alegrou meu dia.

CASSANDRA (cel.) – Está tudo bem por aí?

ALICE – Sim, tia, está tudo bem por aqui. Então, a que devo a honra de ser procurada pela senhora?

CASSANDRA (cel.) – Eu só queria lhe avisar que eu praticamente já estou de partida para Portugal. Amanhã à noite eu embarco no aeroporto, em um voo direto de Fortaleza para Lisboa.

ALICE – Nós a acompanharemos, tia. Vamos deixá-la no salão de embarque.

CASSANDRA (cel.) – Muito obrigada pela preocupação.

ALICE – Será um prazer, tia.

CASSANDRA (cel.) – Enfim, era só isso mesmo o que eu tinha para falar. Até amanhã, minha sobrinha.

ALICE – Até amanhã, tia.

Cassandra encerra a ligação. Alice devolve seu celular ao criado-mudo e reage com nervosismo àquela notícia. Batem à porta.

ALICE – Pode entrar.

A porta se abre para a entrada de Helena.

HELENA – Com licença.

ALICE – Pois não, minha filha?

HELENA – A senhora sabe onde está a Maria?

ALICE – Não, Helena, não sei.

HELENA – Aconteceu alguma coisa, mamãe? A senhora parece estar tensa…

ALICE – Acabei de receber uma notícia.

Helena se aproxima de Alice, ficando frente a frente com ela.

HELENA – Que notícia?

ALICE – Amanhã à noite a minha tia Cassandra viaja para Portugal.

HELENA – E a senhora vai querer fazer companhia a ela no aeroporto?

ALICE – Se possível, queria que a família inteira também o fizesse.

HELENA – A minha presença a senhora já tem.

ALICE (sorrindo) – Muito obrigada, filha.

Helena sorri para Alice e, em seguida, se retira do quarto.

CENA 11: HOSPITAL/QUARTO/INT./MANHÃ

Dimas está deitado na cama, lendo um livro. Carolina está sentada em uma cadeira e Júlio está em pé, encostado na parede. Carolina e Júlio se entreolham, com uma expressão não muito boa. Batem à porta.

DIMAS – Entre.

A porta se abre para a entrada de Ricardo. Ele e Dimas se encaram fixamente, e um universo de coisas se passa na mente de ambos. Carolina e Júlio encaram aquilo com uma expressão incógnita.

DIMAS – Carolina… Júlio… eu gostaria de conversar a sós com o Ricardo.

Prontamente, Carolina e Júlio se retiram do quarto, deixando Dimas a sós com Ricardo, que se aproxima da cama de Dimas.

DIMAS – Nós precisamos conversar, Ricardo.

RICARDO – Tava esperando tu reconhecer isso, que a gente precisava conversar. Desde ontem que eu tô querendo conversar contigo, mas tu não queria me ver…

DIMAS – Mas agora a gente vai conversar. E eu acho que você sabe muito bem sobre o que.

RICARDO – Dimas, eu não tô te reconhecendo. Por que é que tu tá tão distante assim comigo? A gente terminou por causa de besteira, por causa de um assunto sobre o qual a gente já discutiu várias vezes, que é a minha relação de amizade com o Jonas. Eu já te expliquei várias vezes que eu trato o Jonas daquele jeito e ele me trata daquele jeito desde que nós dois nos entendemos por gente. A gente sempre foi grudado assim… tu sabe que a gente sempre foi de trocar abraços apertados, beijos no rosto e selinho… tu sabe que a gente já dormiu junto na mesma cama várias vezes, tu sabe que a gente já se beijou na boca… mas isso foi antes da gente se conhecer. E mesmo que não tivesse sido, a gente nunca te traiu, nós nunca transamos nem nada. Lembra do que a Luciana disse sobre a minha amizade com o Jonas, lembra do que ela falou sobre bromance?

DIMAS – Tá, pode ser que isso esteja envolvido. Mas o verdadeiro motivo da nossa conversa é outro. Tem tudo a ver com isso, mas o foco não é esse. Olha, pode ser que a gente tenha terminado por besteira, como tu disse. Pode ser que vocês sejam assim desde sempre, que essa seja a maneira de um querer bem o outro, mas que ela é estranha é. Quem vê pensa que vocês são namorados. E eu não me sentia bem com isso. Mas o que aconteceu naquele dia foi algo mais complexo, porque eu me senti humilhado diante da Corrente inteira. Sim, aquilo tomou proporções enormes, catastróficas, eu quase morri num acidente e acabei matando a Débora.

RICARDO – Para, Dimas. Tu não matou a Débora. Foi um acidente, tu não tinha como evitar.

DIMAS – Enfim, independente da maneira como terminou, a verdade é que aquilo não deixou de ser mais uma discussão de casal, mas que alcançou as proporções que alcançou porque tinha álcool no meio. Sim, eu gritei contigo, te rejeitei, fugi de todas as oportunidades de te ver aqui nesse quarto, porque eu tava muito magoado contigo. Na verdade ainda tô um pouquinho, mas não tanto quanto antes. Tanto é que eu permiti que tu visse aqui falar comigo. Então, por mais que eu tenha te rejeitado, eu achei que, como nas outras vezes que a gente discutia, tu esperaria eu esfriar a cabeça e depois tentasse vir falar comigo para ver se eu tinha mudado de ideia ou não. Como tu fazia isso direto com o Jonas, quando vocês brigavam por qualquer coisinha, eu via que essa era a maneira com a qual tu tentava se reconciliar com as pessoas que tu gostava, com as pessoas que tu se importava.

RICARDO – Dimas—

DIMAS – Cala a boca que eu ainda não terminei de falar.

Alguns segundos de silêncio. Ricardo se controla para não chorar.

DIMAS – Eu achei que tu ia esperar um tempinho, me deixar sozinho, pensando, refletindo, esfriando a cabeça e só depois tentasse falar comigo. Mas não, o que eu vi foi a prova de que agora eu não significo mais nada pra ti. Porque tu me trocou pela Luciana.

RICARDO – Eu não te troquei pela Luciana. Foi tu quem me descartou por causa desses teus ciúmes de mim com o Jonas. Eu achei que tu tinha me deletado da tua vida. Eu só tava terminando o trabalho, te deletando da minha vida e seguindo em frente. A minha sorte é que eu consegui enxergar na Luciana uma pessoa que tá realmente disposta a me aceitar como eu sou, e a aceitar a minha família como ela é. E nós começamos muito bem, conquistamos o apoio do tio Jair, do tio Maurício, da tia Talita, da mãe e dos pais da Carolina.

DIMAS – Mas não têm o apoio do restante da família.

RICARDO – Isso a gente consegue com o tempo. Nós dois não conquistamos o apoio da família inteira assim de cara, quando eu anunciei à família que tava namorando contigo. Muito pelo contrário, só o Jonas e o Júlio apoiaram a gente no começo. A gente demorou meses para ser aceito pela família de um modo geral, e vai ser mais do que natural que eu e a Luciana, a gente demore o mesmo tempo, ou até mais um pouquinho para também ser aceito pela família de um modo geral.

DIMAS – Eu duvido muito que a Luciana te faça feliz do jeito que eu te fiz feliz durante esses quinze meses.

RICARDO – Mas ela tá disposta a tentar. Eu tô dando essa chance a ela porque ela merece. E por enquanto eu não tenho nenhuma reclamação.

DIMAS – Eu só espero que tu não se arrependa.

RICARDO – Eu não vou me arrepender.

TRILHA SONORA: Break of Dawn – Michael Jackson

Dimas e Ricardo ficam se encarando em silêncio durante alguns segundos. Eles resistem à vontade de se abraçar e se beijar, de cancelar tudo e reatar o namoro, não fazem nada além de apenas se encararem. Dimas apenas aponta com a cabeça para a porta do quarto, convidando Ricardo a se retirar do quarto. Prontamente, ele o faz.

Uma vez sozinho no quarto, Dimas é invadido por uma força que o faz pegar o livro que estava lendo e jogá-lo no chão. Ele não se aguenta e começa a chorar.

CENA 12: HOSPITAL/CORREDOR/INT./MANHÃ

Mesma trilha sonora da cena anterior. Ricardo fecha a porta do quarto e se senta em um banco ali próximo. Ele abaixa a cabeça, em uma tentativa de esconder o rosto, e se permite chorar ali mesmo. Júlio chega perto, senta-se ao lado de Ricardo e levanta-o, deixando o primo ereto no banco.

JÚLIO – O que aconteceu?

RICARDO (chorando) – Eu queria tanto que isso tudo fosse um pesadelo…

Ricardo abraça Júlio, que apenas retribui o abraço.

JÚLIO – Mas o que foi que aconteceu?

Júlio não sabia o que exatamente aconteceu dentro daquele quarto, mas entendia perfeitamente o que se passava com Ricardo. E se sentia culpado por deixá-lo naquele estado, e por deixar Dimas naquele quarto, morto da cintura pra baixo. Ele se segurava para não chorar junto e para não deixar essa culpa transparecer. A trilha sonora vai abaixando aos poucos.

CENA 13: FORTALEZA/EXT./MANHÃ

Imagens do Aeroporto Internacional Pinto Martins. Anoitece.

CENA 14: AEROPORTO INTERNACIONAL PINTO MARTINS/FACHADA/EXT./NOITE

Alice, Cassandra, Gustavo, Helena, Igor, Luís e Maria estão em frente à entrada do aeroporto. É a despedida de Cassandra.

ALICE – Mantenha-nos sempre informados, tia. Quero ter sempre a garantia de que a senhora está bem e em paz lá em Portugal.

CASSANDRA – Pode deixar, minha sobrinha querida, mantê-los-ei informados na medida do possível.

Alice e Cassandra trocam um último abraço.

ALICE – Boa viagem, tia.

CASSANDRA – Muito obrigada.

Em seguida, Cassandra e Helena trocam um abraço.

HELENA – Boa viagem, Cassandra.

CASSANDRA – Muito obrigada, Helena.

Cassandra e Gustavo trocam beijos no rosto.

GUSTAVO – Boa viagem, dona Cassandra.

CASSANDRA – Muito obrigada, Gustavo.

Cassandra se aproxima de Igor para cumprimentá-lo, mas ele não lhe dá abertura.

IGOR (forçado) – Boa viagem, dona Cassandra.

CASSANDRA – Obrigada, Gustavo.

Em seguida, Cassandra olha para Maria. As duas se encaram em silêncio por alguns segundos.

CASSANDRA – Eu acho que lhes devo desculpas, a você e ao seu irmão. Em meu nome e em nome de minha neta, que Deus a tenha.

MARIA – Também acho. Mas a Débora disse coisas imperdoáveis, tocou no nome da minha mãe, que Deus a tenha, da maneira mais cruel possível. Eu não posso perdoar a senhora em nome da Débora, ela permanece sem o meu perdão.

LUÍS – Pois a mim a senhora tem as desculpas aceitas, em nome da senhora e em nome da Débora. Eu não posso guardar rancor de uma pessoa morta, eu acho isso muito cruel. Maria, eu entendo perfeitamente o que te motiva a não aceitar o pedido de desculpas da Cassandra, entendo que sejam motivos suficientes para você, mas eles não são suficientes a mim, por isso eu estou aceitando.

MARIA – Sim, entendo.

LUÍS – Enfim, boa viagem, dona Cassandra. Espero que a senhora reencontre a felicidade e a paz interior lá no estrangeiro.

CASSANDRA – Muito obrigada, Luís.

Luís entrega a bolsa a Cassandra. A idosa acena para os familiares e entra no aeroporto. A cena escurece lentamente.

CENA 15: FORTALEZA/EXT./NOITE

Um avião decola na pista do Aeroporto Internacional Pinto Martins.

Imagens da Avenida Beira-Mar.

Imagens do Estádio Arena Castelão.

Imagens da Estátua de Iracema na Lagoa da Messejana.

Imagens da Avenida General Osório de Paiva. Letreiro “Três meses depois…

CENA 16: CASA DE LARISSA/SALA/INT./NOITE

TRILHA SONORA: Um Beijo Seu – Banda Calypso

Luciana e Ricardo vêm da cozinha em direção à sala de estar. Ricardo abraça Luciana por trás, conduzindo-a até o centro da sala. Os dois riem à vontade e trocam beijos no rosto.

LUCIANA – Amor, já olhou no calendário hoje?

RICARDO – Aham.

LUCIANA – Sabe que dia é hoje?

RICARDO – Aham, hoje é segunda-feira, dia de molhar o biscoito com líquido branco e viscoso.

Luciana ri da resposta de Ricardo.

LUCIANA – Não é isso, seu tarado.

RICARDO – Então o que é?

LUCIANA – Hoje é dia 29. Hoje a gente faz três meses de namoro.

Ricardo se surpreende. Ele não se lembrava. Luciana se vira de frente para Ricardo e os dois se beijam.

LUCIANA – Me diz aí… valeu a pena me dar essa chance?

RICARDO – Claro que valeu.

Eles riem juntos.

LUCIANA – Já tá ficando tarde… já vou voltar pra casa…

RICARDO – Já? Ah não, fica mais um pouquinho…

LUCIANA – Não, eu não posso ficar mais um pouquinho… tenho que ir…

RICARDO – Tá bom então… até amanhã?

LUCIANA – Até amanhã.

Eles trocam um último beijo. Em seguida, Luciana se dirige até a porta de entrada e sai da casa de Larissa. Ainda sorrindo, Ricardo se vira em direção à escada, para subir ao seu quarto, e se surpreende ao notar a presença de Dimas na sala, sentado em uma cadeira de rodas e segurando as rodas da cadeira com as duas mãos. A trilha sonora vai abaixando aos poucos.

RICARDO – Eu te disse, Dimas. Eu te disse que eu não ia me arrepender de dar essa chance à Luciana. Ela tá me fazendo muito feliz.

DIMAS – Mais feliz do que eu?

Alguns segundos de silêncio.

DIMAS – Sim, vocês completam três meses juntos hoje. Mas mesmo assim vocês ainda não conseguiram o apoio de toda a família. O Jonas e a Carolina ainda não apoiam, o Júlio não apoia, a dona Jéssica não apoia, o Venâncio e o Vinícius não apoiam, a dona Bárbara não se pronuncia mas eu vejo que ela não apoia, eu não apoio… a maioria da casa ainda é contra vocês.

RICARDO – É uma questão de tempo.

DIMAS – Mesmo assim tá demorando demais. Eu lembro que com esse mesmo tempo o nosso namoro já era aceito pela família inteira numa boa. Tá, a gente nunca conseguiu agradar o seu Jair e o seu Angelo, mas eles até que respeitavam. Mas agora a situação é outra. Passou um ano e tu e a Luciana só têm o apoio justo do seu Jair e do seu Angelo, que eram contra a gente. O seu Maurício e a dona Talita dizem que apoiam porque são teus tios e a dona Larissa porque é a tua mãe.

RICARDO – Que a família inteira fosse contra nós que isso não conseguiria abalar o nosso namoro. A Luciana é uma mulher maravilhosa, ela tá conseguindo me fazer muito feliz. Se duvidar, tô sendo mais feliz com ela do que eu era contigo.

Dimas sorri debochadamente.

DIMAS (debochado) – Eu taco fogo na minha camisa favorita se isso for verdade mesmo. Ela pode sim tar te fazendo feliz, mas eu te garanto que não é a mesma coisa de quando a gente tava junto.

Dimas e Ricardo se encaram em silêncio. Dimas se retira da casa de Larissa sozinho, enfrentando algumas dificuldades na hora de passar pela porta.

CENA 17: CASA DE LARISSA/FACHADA/EXT./NOITE

Dimas fecha a porta da casa de Larissa e vai em direção à casa de Jéssica. Júlio se aproxima de Dimas e se prontifica a conduzir a cadeira de rodas dele.

DIMAS – Obrigado, Júlio.

JÚLIO – Não há de quê.

Júlio ajuda Dimas a entrar na casa de Jéssica. Ele adentra a casa, mas Júlio é impedido de entrar: ele sente seu braço sendo segurado. Ao se virar, ele se surpreende ao perceber que se trata de Luciana. Imediatamente, o sorriso do rosto do rapaz dá lugar a um olhar seco.

LUCIANA – Que lindinho. Ajudando a bicha aleijada a atravessar a rua. Quer dizer, a ir de uma casa pra outra.

JÚLIO – Tava demorando pra tu vir me atazanar hoje, viu?

LUCIANA – Quem vê pensa até que você é um anjo. Ninguém nunca desconfiaria que você tem um caso com uma mulher casada.

JÚLIO – Cala a boca, Luciana.

LUCIANA – Ai, como você é grosso…

JÚLIO – Você não viu foi nada.

LUCIANA – Mas a dona Bárbara sim. Não é à toa que esse caso dura uns dois anos, né?

Júlio segura os braços de Luciana com força.

LUCIANA – Para com isso, Júlio, tu tá me machucando.

JÚLIO – Tu pensa que isso que tu tá fazendo comigo não me machuca não?

LUCIANA – Me solta.

Ricardo sai de casa e vê Júlio segurando os braços de Luciana. Imediatamente, ele vai até eles e os separa.

RICARDO – Mas o que é isso, Júlio?

LUCIANA – Ele tá louco, Ricardo. Simplesmente isso.

JÚLIO – Eu digo e repito, primo, tu trocou gato por lebre. Melhor dizendo, tu trocou um gato como o Dimas por uma víbora como a Luciana.

LUCIANA – Um gato como o Dimas? Júlio, em vez de ficar batendo nessa mesma tecla me caluniando, porque é que você não vai consolar esse gato? Carente do jeito que ele tá, ele vai adorar os teus carinhos.

Júlio cerra os punhos de raiva. Ele decide entrar em casa, e fecha a porta com força. Luciana respira fundo.

RICARDO – O que foi que aconteceu aqui, Luciana?

LUCIANA – Nada, é loucura do Júlio. Ele já está irritando com essa mania de vitimizar o Dimas e me colocar como a vilã dessa história toda.

Luciana e Ricardo ficam se encarando por alguns segundos. O celular de Luciana toca. Prontamente, ela o atende.

LUCIANA – Alô?

CENA 18: MANSÃO ANDRADE DA COSTA/SALA/INT./NOITE

Gustavo desce as escadas e vai em direção à sala. Enquanto isso, Igor entra na sala pela porta de entrada. Os dois caminham um em direção ao outro. O sarcasmo de Igor é indisfarçável.

IGOR – Boa noite, Gustavo.

GUSTAVO (sorrindo) – Boa noite, Igor.

IGOR – E então… como foi o dia de trabalho do homem mais responsável e competente da família?

GUSTAVO – Foi excelente. Que bom que você lembrou da minha competência, porque é graças a ela que eu agora estou gerenciando todos os supermercados do Grupo Andrade da Costa aqui na Região Metropolitana. Eu cheguei aonde cheguei por mérito próprio, pelos meus próprios esforços.

IGOR – Admiro-o muito.

GUSTAVO – É muito bom ouvir isso. Ser admirado pelo irmão mais velho é algo bem honrável. Mas sabe, eu também lhe admiro. Porque você vai começar a trabalhar já em um cargo hierárquico bem maior que o meu não por mérito próprio, mas sim por direito. Você será o meu patrão porque você ganhou esse direito de nascença, nunca precisará fazer esforço algum para manter uma vida confortável e luxuosa. Isso eu admiro bastante.

Gustavo sorri sarcasticamente para Igor e sobe as escadas, deixando Igor sozinho na sala. Luís vem da cozinha para a sala e flagra Igor encarando as escadas com ódio no olhar.

LUÍS – Igor?

Imediatamente, Igor olha para Luís e muda de semblante, sorrindo para o cunhado.

IGOR – Oi, Luís.

LUÍS – Aconteceu alguma coisa?

IGOR – Não, nada…

LUÍS – Cara, eu estava pensando em sair para jantar fora… só que eu não tô a fim de ir sozinho. Quer vir comigo, cunhado?

IGOR – Claro.

LUÍS – Nós podemos ir?

IGOR – Sim, claro.

E os dois saem da mansão.

CENA 19: CARRO DE GUTO/INT./NOITE

Guto está no volante, Luciana no banco do acompanhante e Ricardo no banco de trás.

GUTO – Mas o que é que tá acontecendo, exatamente?

LUCIANA – Também não entendi direito. Só sei que a dona Cassandra decidiu voltar a morar no Brasil.

RICARDO – Gente, como assim? Sério mesmo que ela decidiu abandonar uma vida boa na Europa para voltar pro Brasil?

LUCIANA – Isso eu acho que ela mesma vai explicar. Só sei que ela me avisou que estava de volta ao Brasil e queria me ver lá na casa dela, na mansão onde ela morava lá na Aldeota.

GUTO – Ela não vendeu aquela mansão?

LUCIANA – Pois é, eu tô achando isso muito estranho.

Ricardo encara tudo aquilo com estranheza.

CENA 20: MANSÃO ANDRADE BASTOS/FACHADA/EXT./NOITE

O carro de Guto estaciona em frente à mansão de Cassandra. Guto, Luciana e Ricardo descem do carro e vão até a porta de entrada.

CENA 21: MANSÃO ANDRADE BASTOS/SALA/INT./NOITE

Guto, Luciana e Ricardo entram na mansão. Eles estranham ao perceber o estado impecável do ambiente.

LUCIANA – Eu não acredito nisso. Não mudou absolutamente nada desde a última vez em que estive aqui.

Ouvem-se barulhos de sapatos. Imediatamente, os três olham para a escada e se assustam com o que veem, uma cena que não é mostrada ao público.

A cena congela em um efeito preto-e-branco nos rostos de Guto, Luciana e Ricardo.

FIM DO VIGÉSIMO PRIMEIRO CAPÍTULO.

37 thoughts on “Mundos Opostos – Capítulo 21

  1. Essa relação entre Luciana e Ricardo já estava na cara, mas de maneira alguma eu pensava que esses dois se dariam tão bem ao ponto de manterem uma relação de 3 meses. Acredito que Júlio pode à qualquer momento fazer algo de ruim que prejudique Luciana. Hoje foi um puxão no braço, amanhã pode ser algo mais grave, ou não, posso esta equivocado, morro. Essa volta de Cassandra ao Brasil pode sim trazer Débora de volta a trama o que eu já imaginava, ou ela pode voltar querendo algo a mais contra aquela família. Adoraria vê-la de volta mas em busca de vingar a morte da neta. Aquela mulher arrependida podia ser apenas uma fachada, né non? Bom, li os capítulos atrasados e garanto que a história permanece em alta e com qualidade. Parabéns, Glaydson! 😀

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