Mundos Opostos – Capítulo 24

Mundos OpostosCENA 01: MANSÃO ANDRADE DA COSTA/SALA/INT./TARDE

Tocam à campainha. Fátima corre até a porta.

FÁTIMA – Já vai!

Fátima abre a porta e se surpreende ao saber que se trata de Luís.

FÁTIMA – Luís…

LUÍS (sorrindo) – Oi, Fátima… cheguei tarde pro almoço?

FÁTIMA – Chegou. Se quiser almoçar, vai ter que almoçar junto com os empregados.

LUÍS – Não, sem problemas.

Fátima abre espaço para Luís entrar. Ele entra e ela fecha a porta.

FÁTIMA – Espera, Luís.

Luís, que já ia subir as escadas, estaciona imediatamente e vira-se de frente para Fátima. A governanta se aproxima do rapaz e vira o rosto dele para o lado, revelando uma marca de batom no seu pescoço.

FÁTIMA – O que é essa marca de batom, Luís?

Luís fica petrificado diante do questionamento de Fátima. Ela continua deixando o rosto de Luís virado, e ele não oferece resistência, está mais preocupado em raciocinar e encontrar uma maneira de responder Fátima.

LUÍS (pensando) – Eu…

FÁTIMA – Fala a verdade, Luís. Onde você foi?

LUÍS – Eu fui na casa da dona Cassandra, ela havia me chamado para conversar sobre um assunto sério.

FÁTIMA – E que assunto era esse?

LUÍS – Nem eu entendi direito. Ela começou a perguntar coisas sobre a nossa vida durante esses três meses em que ela esteve na Europa e tal…

FÁTIMA – E por que cargas d’água ela daria um beijo no seu pescoço desse jeito pra deixar marca?

LUÍS – Não foi ela quem me beijou.

FÁTIMA – E quem foi?

LUÍS – Foi… foi a Luciana.

FÁTIMA – A Luciana? Por quê?

LUÍS – Brincadeira dela. Só isso.

FÁTIMA – Tem certeza, Luís? Não tá escondendo nada de mim não, né?

LUÍS – Não, Fátima, pode ficar tranquila…

Fátima enfim permite que Luís suba as escadas, mas permanece intrigada com a resposta dele.

CENA 02: MANSÃO ANDRADE DA COSTA/QUARTO DE HELENA/INT./TARDE

Helena está deitada na cama, com as pernas descansadas na beirada da cama, conversando com Jonas via WhatsApp.

JONAS (cel.) – Hoje vai ter encontro da Corrente?

HELENA (cel.) – Ué, não tá lembrado? A gente marcou um encontro aqui na mansão já faz quase uma semana.

JONAS (cel.) – Ah, é verdade. Tinha me esquecido. Que horas vai ser mesmo?

HELENA (cel.) – Às seis.

JONAS (cel.) – Certo, então. Era só isso mesmo?

HELENA (cel.) – Sim, era só pra confirmar mesmo que todo mundo sabia. Tchau, Jonas, até as seis.

JONAS (cel.) – Até as seis, Helena. Tchau.

Helena encerra a conversa.

CENA 03: CASA DE ANGELO E BÁRBARA/QUARTO DE ANGELO E BÁRBARA/INT./TARDE

Bárbara e Júlio estão deitados na cama, dormindo. Suas nudezes são cobertas pelos lençóis da cama. O momento é interrompido pelo toque do celular de Júlio, que imediatamente acorda os dois.

BÁRBARA (sonolenta) – O que foi isso?

JÚLIO (sonolento) – É o meu celular…

Júlio se vira para o outro lado, pegando o celular no bolso da sua calça, jogada perto da beirada da cama. É um alarme.

JÚLIO – Eu sempre esqueço de desativar esse alarme…

BÁRBARA – Que horas são?

JÚLIO – Quatro horas.

BÁRBARA – O que você fazia a essa hora?

JÚLIO – Eu tinha um curso nessa hora, mas eu acabei desistindo.

Júlio devolve seu celular ao bolso da calça e se vira de volta para Bárbara, abraçando-a por trás.

JÚLIO – Vamo voltar a dormir?

BÁRBARA – Agora que a gente acordou, a gente não dorme mais…

Bárbara e Júlio sorriem.

JÚLIO – E aí, Bárbara? Já se decidiu?

BÁRBARA – Ah, Júlio, de novo essa conversa?

JÚLIO – Claro. Uma hora tu vai ter que se decidir. Ou o Angelo, ou eu.

BÁRBARA – Júlio, vocês dois me completam. Eu ainda não tô preparada pra escolher.

JÚLIO – Tudo bem… eu espero o tempo que for necessário pra tu se sentir preparada pra decidir. Mas se lembra que tu não tem todo o tempo do mundo, uma hora o Angelo vai descobrir e vai ser melhor tu tar separada dele quando ele descobrir. Vai ser mais fácil de mascarar o adultério.

BÁRBARA – Eu sei disso.

Júlio solta Bárbara e se levanta da cama para se vestir. A câmera foca apenas em Bárbara, que permanece na mesma posição.

BÁRBARA – Júlio, eu tô percebendo que, desde que o Dimas sofreu aquele acidente, tu tá ficando cada vez mais próximo dele. Não é querendo insinuar nada não, mas por que isso tá acontecendo?

Júlio veste a camisa e encara Bárbara com estranheza.

JÚLIO – Eu sempre fui bem próximo do Dimas. Eu aprendi a gostar dele como cunhado e como amigo. Eu me afeiçoei muito a ele, e o que aconteceu é que eu tô sofrendo até mais do que ele por causa desse acidente. Porque eu me sinto culpado por ter deixado ele preso naquela cadeira de rodas e tô tentando reparar isso de alguma forma.

BÁRBARA – Eu não vou mentir, tô ficando com ciúmes…

JÚLIO – O Dimas também sentia ciúmes da amizade do Ricardo com o meu irmão. Por favor, Bárbara, não deixa a história se repetir… o Dimas é apenas meu amigo.

Bárbara e Júlio se encaram em silêncio.

CENA 04: CASA DE JÉSSICA/SALA/INT./TARDE

Júlio entra em casa e é recepcionado por Jéssica, que se levanta do sofá e vai abraçar o filho. Eles se apartam do abraço e começam a conversar.

JÉSSICA – Tu tava lá com a Bárbara, né?

JÚLIO – Sim, tava.

JÉSSICA – Vocês não têm medo de que o Angelo descubra tudo?

JÚLIO – Sim, nós temos consciência desse perigo. E é isso o que apimenta a nossa relação. Mas claro, no fundo bate aquele medo. Tanto é que eu já tô pressionando a Bárbara pra ela se decidir: ou ele ou eu.

JÉSSICA – Olha, Júlio, eu te prometi que eu não ia interferir nessa história tua com a Bárbara, mas isso não me impede de te dizer o que eu acho disso e de te dar alguns conselhos. Eu continuo achando isso uma completa loucura e eu duvido muito que a Bárbara tenha a coragem de preferir a ti do que ao Angelo. É a lógica: vocês começaram a se envolver há uns dois ou três anos, enquanto ela é casada, repito, CASADA com o Angelo há mais de vinte e cinco anos. Ou seja, no mínimo, a história deles tem mais de 30 anos. Se eu não me engano, se o irmão da Carolina estivesse vivo, ele teria uns 27 anos.

JÚLIO – Mas só o fato dela ter me procurado já deveria mostrar que, apesar do casamento ser bem duradouro, ele está desgastado e em crise. A Bárbara não ama mais o Angelo como antes, senão ela nunca teria olhado para mim com outros olhos, ela nunca teria me dado abertura… mãe, a partir do momento que a Bárbara permitiu que o corpo dela se colasse junto com o meu pela primeira vez, ela me admitiu que ama mais a mim do que a ele. É quase certo que ela vai preferir a mim do que a ele.

JÉSSICA – Não sei, Júlio… da última vez que tu disse “ou eu ou ele”, tu perdeu. Se não fosse pela Talita, tu não estaria mais morando aqui com a gente, muito menos teria começado a se envolver com a Bárbara. E sinceramente, acho que teria sido melhor se ela não tivesse interferido.

JÚLIO – Não, mas também eu fui otário de pedir pra senhora escolher entre eu e o meu pai. A senhora tinha quase que a obrigação de preferir o pai do que a mim. Eu praticamente pedi pra sair de casa.

JÉSSICA – Mas enfim, o que eu quero te dizer, meu filho, é que tu tá correndo muito perigo. Tu acha mesmo que isso tá valendo a pena?

JÚLIO – Se não achasse, eu não estaria namorando com a Bárbara há dois anos. Eu tenho certeza de que dessa vez eu vou ganhar.

Júlio sobe as escadas, em direção ao seu quarto, deixando Jéssica sozinha na sala.

JÉSSICA – Meu Deus, proteja o meu filho…

CENA 05: FORTALEZA/EXT./TARDE

Imagens da Praia do Futuro. Anoitece.

CENA 06: MANSÃO ANDRADE DA COSTA/FACHADA/EXT./NOITE

O portão da mansão Andrade da Costa é aberto para a entrada dos carros de Jair e Guto. Ambos os veículos estacionam em frente à fachada da mansão.

As duas portas dianteiras e uma das portas traseiras do carro de Guto se abrem para a saída de Guto do banco do motorista, de Luciana do banco do acompanhante e de Ricardo do banco de trás.

As quatro portas do carro de Jair se abrem para a saída de Júlio do banco do motorista, de Jonas do banco do acompanhante e de Carolina do banco de trás. Em seguida, Júlio abre o porta-malas para que Carolina e Jonas tirem a cadeira de rodas de Dimas e a montem. Por fim, Júlio ajuda Dimas a sair do carro e se sentar na sua cadeira de rodas.

Os sete se dirigem até a porta de entrada da mansão.

CENA 07: MANSÃO ANDRADE DA COSTA/SALA/INT./NOITE

Tocam a campainha. Helena vem correndo do corredor em direção à porta de entrada e a abre. Ela sorri ao ver que se trata dos amigos da Corrente.

HELENA (sorrindo) – Sejam bem-vindos, amigos. Entrem, aqui não é o programa do Clodovil, mas a casa é sua.

Helena abre espaço para Carolina, Dimas, Guto, Jonas, Júlio, Luciana e Ricardo entrarem na sala da mansão. Todos eles, à exceção de Dimas e Luciana, se surpreendem com o luxo e sofisticação do ambiente.

RICARDO – Bem que a Luciana disse que vocês moravam num palácio, viu, Helena?

Helena e Luciana riem do comentário de Ricardo.

DIMAS – Não sei se o seu Gabriel já lhes contou isso, Helena, mas eu já estive aqui nessa mansão.

HELENA – Já?

DIMAS – Aham. Acho que foi numa das primeiras vezes que eu pisei em Fortaleza. Presumo eu que o meu pai veio até aqui para tratar de negócios com o seu Gabriel. Não sei exatamente que tipo de negócios, porque o meu pai atuava no mercado imobiliário, mas enfim… eu já estive aqui. Você não deve se lembrar porque ainda não era nascida, mas pode ser que o Pedro Igor se lembre.

HELENA – Nossa, eu não sabia disso.

DIMAS – De lá pra cá, parece que a mansão não mudou muito não… a não ser que o acidente tenha me deixado daltônico, parece que a sala de estar continua decorada com as mesmas cores vivas e alegres daquele prisco 1999.

HELENA – Tu tinha quantos anos naquela época?

DIMAS e RICARDO – Quatro…

Dimas e Ricardo interrompem suas próprias falas e se entreolham, surpresos com o que havia acabado de acontecer. Luciana não gosta do que vê e decide puxar conversa com Ricardo, escondendo Dimas do campo de visão do namorado.

LUCIANA (finge surpresa) – Pois é, Ricardo, parece mesmo um palácio imperial. O seu Gabriel e a dona Alice tiveram muito bom gosto na hora de construir e decorar essa mansão.

Luciana e Ricardo sorriem um para o outro. Dimas tenta disfarçar seus ciúmes. Em uma tentativa de abrandar o clima tenso que pairou ali, Helena decide puxar mais conversa com Dimas. Aos poucos a cena vai ficando muda.

CENA 08: MANSÃO ANDRADE DA COSTA/QUARTO DE IGOR E MARIA/INT./NOITE

Anteriormente, era apenas o quarto de Igor. Mas ele foi reformado a fim de acomodar também Maria e o namoro deles. Igor está ajudando Maria a se arrumar e não esconde o seu encanto em ver a namorada naquele vestido vermelho.

MARIA – Amor, tem certeza que eu tô bonita com esse vestido?

IGOR – Sim, Maria. Você está linda, maravilhosa. Uma verdadeira senhora Andrade da Costa, como você será dentro de alguns anos. A minha esposa.

Acanhada com as lisonjas de Igor, Maria sorri para o namorado, que devolve com um farto sorriso. A porta do quarto se abre para a entrada de Luís, que se envergonha ao perceber a presença de Igor no quarto.

LUÍS – Desculpa… achei que tu tava sozinha, Maria…

MARIA – Não, Luís, não tem problema. Pode entrar.

Luís, então, entra no quarto e fecha a porta. Ele examina o novo visual de Maria, o belo vestido vermelho, o penteado, o rosto bem maquiado, o batom vermelho… ele não resiste em sorrir para a irmã.

LUÍS – É, agora eu sei porque o tio Gabriel tá tão empenhado em fazer de ti uma dama da alta sociedade, viu, Maria? Tu como rica fica tão linda…

IGOR – Eu não disse, Maria?

MARIA – Ai gente, acho que eu não tô preparada pra receber essa enxurrada de elogios do resto da Corrente…

LUÍS – Calma, mana. Apenas isso, tenha calma.

MARIA – Tá bom… mas enfim, o que é que tu queria?

LUÍS – Não, é que eu só queria saber se tu já tava pronta.

MARIA – Arrumada eu já tô. Agora pronta pra descer, ainda não.

Igor e Luís riem do nervosismo de Maria, que automaticamente ri junto.

CENA 09: MANSÃO ANDRADE DA COSTA/QUARTO DE ALICE E GABRIEL/INT./NOITE

Sentado na cama, Gabriel observa Alice se arrumar em frente ao espelho do quarto.

ALICE – Já estou imaginando a discrepância que vai ser esse encontro. Comparados a nós, os amigos da Corrente dos nossos filhos vão estar vestidos como mendigos.

GABRIEL – Ah, Alice, não vai rebaixando eles desse jeito não…

ALICE – Não é querendo rebaixar, Gabriel. Eles vão estar vestidos de uma maneira bem simples, para eles nós vamos parecer artistas de Hollywood no tapete vermelho do Oscar.

Gabriel pensa em responder Alice, mas é interrompida pela mesma.

ALICE – Se estiver pensando em fazer a piada da Glória Pires no Oscar, é melhor ficar calado. Eu já estou cansada de ser comparada com ela.

GABRIEL – Mas a comparação é quase inevitável.

ALICE – Mas recolha-as para si mesmo. Obrigada pela compreensão.

Gabriel tenta esconder o riso de Alice, que fica emburrada.

CENA 10: MANSÃO ANDRADE DA COSTA/SALA/INT./NOITE

Luciana e Ricardo estão sentados em um dos sofás, conversando. Volta e meia ela tenta roubar um beijo ou algum tipo de carícia de Ricardo: alguma ele aceita prontamente, outras ele recusa. Mas todas elas se encerram com um olhar fulminante de Luciana para Dimas, como se lhe dissesse “você o perdeu para mim”. Dimas não se deixa abater pela provocação de Luciana e volta a conversar normalmente com Gustavo e Helena.

GUSTAVO – Eu não sei o Pedro Igor, mas eu acho que eu lembro de você aqui na mansão. É uma das lembranças mais antigas que eu tenho. Lembro inclusive de nós dois brincando na piscina lá no jardim…

DIMAS – Sim, ficamos amiguinhos naquela época. Pena que ela durou tão pouco… era só mais uma viagem de negócios do pai. Nós só voltamos para o Ceará quando eu tinha 17 anos e fiz o 2º Ano do Ensino Médio junto com o Jonas e o Ricardo.

GUSTAVO – E só fomos nos reencontrar há três meses, depois de mais de quinze anos de afastamento.

Dimas sorri para Gustavo. Em seguida, ele olha para Luciana e Ricardo: ao mesmo momento, Luciana faz Ricardo olhar para Dimas; o sorriso do rapaz é desfeito aos poucos, mas rapidamente ele refaz o sorriso para o ex.

As atenções de todos se voltam para as escadas da sala, de onde Luís desce em uma considerável velocidade.

HELENA – Calma, Luís, você está descendo rápido demais. Imagina se você escorrega ou tropeça e cai rolando essa escada?

Luís ri brevemente do comentário de Helena.

LUÍS – Eu já conheço essa escada, Helena, sei como não escorregar ou tropeçar nela.

GUSTAVO – Sentiu a indireta, irmãzinha?

Helena repreende Gustavo, batendo no seu braço. Automaticamente, todos os jovens em cena começam a rir. Helena tenta preservar a expressão séria, mas ela não resiste. Luís, então, controla as risadas e devolve todas as atenções para si.

LUÍS – Senhoras e senhores… senhores que são senhoras e senhoras que são senhores… essa escada que eu acabei de descer será palco de um dos eventos mais extraordinários e inesperados que já foram proporcionados pela Corrente. Senhoras e senhores, contemplem o visual de uma nova mulher. Contemplem a nova Maria Eduarda de Castro Andrade da Costa!

Nesse momento, Maria vem descendo as escadas, sendo ajudada por Igor. A Corrente se surpreende com a beleza e elegância com a qual Maria se veste e se comporta. Cativado pela refinada Maria apresentada, Júlio é o primeiro a aplaudi-la. Em efeito dominó, toda a Corrente aplaude Maria: inclusive Igor, que espera Maria enfim descer todos os degraus para aplaudi-la. A moça se sente bem ao ser ovacionada pelos amigos e abre um sorriso mais farto e sincero.

CENA 11: CASA DE MAURÍCIO E TALITA/QUARTO DE VINÍCIUS/INT./NOITE

Talita, Venâncio e Vinícius estão sentados na cama, conversando.

TALITA – Acredite, Venâncio, ninguém tá gostando dessa Luciana. Só o Jair e o Angelo. Todo mundo prefere o Dimas, todo mundo torce pra que o Ricardo largue a Luciana e volte pro Dimas.

VENÂNCIO – Eu já tô perdendo as esperanças…

VINÍCIUS – Eu não vou mentir, eu também tô.

TALITA – Vamos dar tempo ao tempo. Deus há de nos mostrar se vai ser melhor pro Ricardo continuar com a Luciana ou então voltar pro Dimas. Mas vamos torcer pra que o melhor pro Ricardo seja voltar pro Dimas.

Venâncio e Vinícius sorriem para Talita. Venâncio se levanta da cama e se retira do quarto, deixando Talita e Vinícius a sós.

TALITA – Eu estava esperando o Venâncio sair…

VINÍCIUS – Por quê?

TALITA – Eu precisava desabafar. E é sobre um assunto meio delicado, era capaz de eu ferir o Venâncio.

VINÍCIUS – E o que seria?

TALITA – Eu acho que sei porque o Júlio tá se sentindo tão culpado por causa do fim do namoro do Dimas e do Ricardo e do acidente do Dimas.

VINÍCIUS – Como assim?

TALITA – Não conte para ninguém, Vinícius, mas a separação deles é uma história meio cabeluda e o Júlio tá metido até o pescoço nela.

VINÍCIUS – Me explica melhor, Talita, eu não tô entendendo.

TALITA – Eu não posso dizer ao certo, não tenho como provar o que eu tô dizendo, mas as pistas que eu tenho se encaixam perfeitamente nesse meu argumento. Mas eu digo que o Dimas e o Ricardo se separaram por uma armação da Luciana.

VINÍCIUS – Uma armação da Luciana?

TALITA – Sim. Lembra que, das primeiras vezes que o Ricardo falou da Luciana, ele era cheio de… como direi…

VINÍCIUS – Ele era incomodado com ela.

TALITA – Isso, ele era muito incomodado com ela. Ele dizia que ela era a maior oferecida e tal, o Dimas sabia disso e também compartilhava da mesma opinião. E agora eles tão namorando… nada me faz parar de pensar que ela separou eles com uma armação.

VINÍCIUS – Certo, sua teoria é até válida. Mas onde o Júlio entra nisso?

TALITA – Eu acho que o Júlio ajudou a Luciana nessa armação. A Luciana joga muitas indiretas pro Júlio, tipo alimentando a culpa dele pelo acidente do Dimas. Ela até insinuou uma vez que o Júlio era fofoqueiro.

VINÍCIUS – Mas eu não vejo como isso pode provar o envolvimento dele nessa suposta armação da Luciana.

Talita pensa em como responder a Vinícius, mas falha.

VINÍCIUS – Dessa vez, você viajou na maionese, Talita. Eu posso até concordar que a Luciana pode ter separado o Dimas e o Ricardo. Mas não tem como saber qual o envolvimento do Júlio nessa história toda. Ele simplesmente se sente culpado por ter deixado o Dimas naquela cadeira de rodas porque ele não pôde impedir o acidente.

Talita permanece calada, raciocinando a lógica de Vinícius.

CENA 12: CASA DE JÉSSICA/SALA/INT./NOITE

Larissa e Jéssica estão sentadas no sofá, uma de frente para a outra, conversando.

JÉSSICA – Larissa, todos nós sabemos que tu diz apoiar o namoro do Ricardo com a Luciana porque quer agradar ele. Não mente que é feio.

LARISSA – Eu não posso me opor à felicidade do meu filho, Jéssica.

JÉSSICA – Mas tu se opôs ao namoro do Ricardo com o Dimas.

LARISSA – Não, Jéssica, isso já é outra história. Eu achava que o Ricardo estava confuso, por isso eu me opus. Toda mãe sonha em ver seu filho homem namorando com uma mulher, casando-se com ela e dando netinhos. É claro que eu vou aceitar com mais naturalidade a ideia de ter a Luciana como nora do que o Dimas como genro.

JÉSSICA – Então eu não sou uma mãe normal. Porque, se o Ricardo fosse o meu filho e ele me dissesse que tava namorando o Dimas, eu nunca ia brigar com ele e chegar ao extremo de expulsá-lo de casa.

LARISSA – Jéssica, pelo amor de Deus, não distorce as coisas. Em primeiro lugar, o Ricardo nunca chegou pra mim e disse que sentia algo pelo Dimas, que tava apaixonado por ele, que se declarou pra ele… quando eu menos percebi, eu vi o Dimas e o Ricardo se beijando com o maior fogo na sala de casa, só faltava eles estarem transando ali mesmo. Claro que eu não ia reagir bem àquilo. E como eu conhecia o Ricardo como sendo um caçador de mulheres nato, eu achei que aquela era mais uma aventura sexual dele. E outra coisa, eu nunca expulsei o Ricardo de casa. Se ele foi pedir pra morar com vocês, é porque ele saiu de casa de livre e espontânea vontade. Eu não joguei as coisas dele pela janela e enxotei ele pra fora de casa, ele saiu porque quis. Se o Ricardo fosse o teu filho, tu agiria do mesmo jeito que eu.

Silêncio em cena por alguns segundos.

LARISSA – E eu vejo sim o namoro do Ricardo e da Luciana com bons olhos. O meu sonho de ser avó foi ressuscitado.

JÉSSICA – E a sua felicidade é mais importante que a do Ricardo?

LARISSA – O Ricardo está muito feliz com a Luciana. Eles começaram a namorar porque os dois quiseram, ninguém tá namorando forçado ou por pena da carência do outro. Se eles não estivessem feliz, eles não estariam juntos há três meses.

JÉSSICA – Larissa, tu não pode me dizer que o Ricardo é muito feliz com a Luciana. É muita ilusão achar que o Ricardo realmente ama a Luciana.

LARISSA – Jéssica, eu gosto muito do Dimas. Ele é amabilíssimo, educadíssimo, lindo por dentro e por fora, e eu adorei tê-lo como genro. Mas infelizmente acabou. Os dois decidiram terminar. Não adianta chorar pelo leite derramado e querer que eles voltem.

JÉSSICA – Quando a verdade vier à tona, eu tenho quase certeza que eles reatam.

LARISSA – Que verdade, Jéssica?

Jéssica se cala para Larissa, que estranha.

LARISSA – Jéssica, eu tô começando a achar que o teu luto pelo fim do Dimas e do Ricardo tá afetando a tua sanidade…

Larissa se levanta do sofá e sai da casa, deixando Jéssica sozinha na sala.

JÉSSICA – Eu ainda não posso falar que a Luciana armou para separar o Dimas e o Ricardo…

CENA 13: MANSÃO ANDRADE DA COSTA/SALA/INT./NOITE

Carolina, Dimas, Gustavo, Guto, Helena, Igor, Jonas, Júlio, Luciana, Luís, Maria e Ricardo estão reunidos na sala em uma grande roda, conversando e rindo. As atenções deles se voltam para Fátima, que lhes chama.

FÁTIMA – Crianças, o lanche está pronto.

Imediatamente, eles se levantam e seguem Fátima. Luís fica para trás, e acaba ficando sozinho em cena. Ele escuta a campainha tocar e se dirige à porta da mansão. Ele a abre e se surpreende ao saber que se trata de Débora.

LUÍS (tenso) – Débora, eu não acredito—

Débora entra na casa. Ela não desmancha o farto sorriso dirigido a Luís, que permanece tenso.

DÉBORA (sorrindo) – Eu demorei muito para o encontro da Corrente?

LUÍS – Débora, você está louca? Todos pensam que você está morta.

DÉBORA – Eles precisam saber que eu não estou morta.

Maria volta para a sala, chamando a atenção de Débora e Luís.

MARIA – Luís, vamos, estão todos esperando por—

Maria reconhece Débora e se assusta. Ela quase se desequilibra, mas rapidamente se recompõe.

MARIA (petrificada) – —você…

DÉBORA (sorrindo) – Oi, Maria. Tudo bem?

MARIA – Você… você tá viva?

Débora permanece sorrindo para Maria, que fica petrificada. Luís observa tudo com receio.

A cena congela e é animada por dois efeitos: à esquerda, com Débora, um efeito dourado; à direita, com Maria, um efeito preto-e-branco.

FIM DO VIGÉSIMO QUARTO CAPÍTULO.

28 thoughts on “Mundos Opostos – Capítulo 24

  1. Morrendo que a Débora tá se apaixonando pelo “favelado”. Parece que o jogo virou, né non? Talvez ele seja o responsável por uma possível regeneração dela…

    Que a Bárbara decida pelo Júlio, porque ele é muito melhor que o ridículo escroto do Angelo.

    Morro que o Jonas e a Carolina estão mais figurantes que a Zezé Motta em Boogie Oogie.

    E Débora finalmente se revelou viva, adorooooooooo.

    Capítulo excelente, parabéns gata :*

    Curtido por 1 pessoa

    • Realmente…

      Veremos quem a Bárbara vai escolher…

      Eu ainda não consegui tirar a história deles do banho-maria, sabe…

      Modéstia à parte, a sequência tá ficando ótima.

      Muito obrigada, mana :*

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  2. Boa parte do pessoal esta acreditando num possível dedo de Luciana na separação de Dimas e Ricardo, e eles não estão enganados. Agora a desconfiança também esta sobre Júlio que também teve um dedo mindinho aí. Maria e Pedro Igor (ZzZzZz…) Débora apareceu na mansão? Amo! Quero ver a reação de todos, hahaha…

    “Fontes afirmam que a #MariaTombada ficou entre os assuntos mais comentados no Twitter outra vez nessa quinta/sexta-feira (01/09 e 02/09). Um fenômeno!” 😮 ❤

    Parabéns, Glay! Ansioso por demais pelo capítulo de hoje. 😀

    Curtido por 1 pessoa

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