A Flor do Sertão – Capítulo 24 (antepenúltimo capítulo)

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CENA 01: CASA DE ANTÔNIO/FACHADA/EXT./DIA

O portão da garagem é aberto. O carro de Regina sai da garagem e estaciona na rua. Regina põe a cabeça para fora do carro e chama por Jorge.

REGINA: Jorge, meu filho, venha logo, senão você vai chegar atrasado na escola!

Jorge sai de casa e se dirige à porta traseira do carro. Regina percebe o desânimo dele.

REGINA: O que houve, meu filho?

JORGE: Posso faltar hoje, mãe?

REGINA: Por que isso agora, meu querido? Você sempre adorou ir pra escola. Me espera no carro, vai.

Jorge abre a porta traseira do carro e se senta no banco de trás. Regina sai do carro e entra em casa para fechar o portão da garagem. A câmera mostra uma sombra se aproximando. Uma pessoa misteriosa chega perto do carro, mas Regina e Jorge não percebem. Essa pessoa fecha o portão pequeno da casa, que estava aberto. O foco vai para o carro, onde estão as chaves.

No veículo, Jorge está ouvindo música. Regina tenta abrir o portão e percebe que está trancado. Então, ela grita pelo filho, que não escuta. A pessoa misteriosa abre a porta do carro. Ela está com uma seringa na mão e aponta para Jorge. Em uma sequência rápida, o filho de Regina é atingido pela seringa e cai desmaiado no banco do carro. A câmera mostra Regina desesperada no interior da casa. Ela continua chamando pelo filho. Regina escuta o barulho do seu carro dando partida. Por um buraco no muro, ela vê o veículo indo embora e constata que o filho está lá dentro.

CENA 02: CARRO DE REGINA/INT./DIA

A pessoa misteriosa tira uma máscara de seu rosto. É Nazaré. A mulher está feliz por seu plano ter dado certo.

NAZARÉ: Antônio, você vai ser meu de um jeito ou de outro. Quem sabe a gente pode formar uma família com esse moleque… Terei que acabar com a mamãe dele primeiro. Agora, se você não se unir a mim, nunca mais vai ver seu filhinho querido.

Nazaré olha para Jorge, que está desmaiado no carro.

NAZARÉ: Garoto eu não tenho nada contra você, tá? Mas você é o trunfo que eu tenho nas mãos para ter seu pai de volta. Fazer o que né, non?

O carro segue em alta velocidade.

CENA 03: CASA DE ANTÔNIO/SALA/INT./DIA

Paula está sentada no sofá mexendo em seu notebook. Sua fisionomia mostra que ela está concentrada em algo. É possível ouvir algumas vezes um som de mensagem chegando. O ruído da digitação no teclado também é perceptível. Paula envia uma mensagem e comemora toda feliz. Ela fecha o notebook e vai  até a cozinha. Lucrécia se aproveita e abre o notebook.

LUCRÉCIA: Vamos ver o que a filha da nordestina tava fazendo.

Lucrécia começa a ler as mensagens no notebook de Paula.

LUCRÉCIA: Então é isso! Você tá querendo encontrar seu papai… Pode deixar, fofa. Eu vou arrumar um ótimo pai para você.

Lucrécia solta um sorriso maléfico. Ela digita algumas coisas no teclado e envia. Lucrécia percebe que Paula está vindo e se senta no sofá para disfarçar. A garota e Lucrécia trocam olhares. Paula se senta e abre um grande sorriso ao ler uma mensagem.

PAULA (comemorando): Eu não acredito! Meu Deus do céu! É ele…

LUCRÉCIA: Ele quem, minha filha? Tá bancando a doida é? Você pode fazer tv e merece um papel bem escandaloso. Aff!

Lucrécia se levanta e se prepara para sair dali. Regina entra na casa desesperada.

PAULA (surpresa): Mãe, o que aconteceu? Por que você tá assim?

REGINA: Seu irmão. Alguém sequestrou seu irmão!

PAULA (surpresa): Como assim?

REGINA: Uma pessoa me trancou aqui dentro e levou o carro com seu irmão. Eu tenho que ir atrás dele!

PAULA: O meu notebook tá ligado ao sistema de câmeras. Eu vou dar uma olhada nas imagens.

REGINA: Faz isso. E eu vou ligar pra polícia.

Em meio aquele desespero, Lucrécia comemora.

LUCRÉCIA (pensando): Mas que ótima notícia! E que o idiota não volte vivo…

Regina desliga o telefone e vai até Paula, que está vendo as imagens da câmera de segurança no notebook.

PAULA: O que eles disseram?

REGINA: A polícia disse que tem que esperar um tempo e que não tem tropa suficiente. Se eles não podem fazer algo, eu farei!

PAULA: Mãe, olha aqui. Tem uma pessoa que tava andando na rua agora mesmo e foi em direção ao seu carro. Olha no zoom.

Paula dá um zoom nas imagens e Regina parece reconhecer alguém.

REGINA: Não pode ser!

PAULA: O que foi, mãe? Você conhece essa mulher?

REGINA: Nazaré. Essa mulher era amante do Antônio. Um dia ela prometeu fugir com meu filho. Eu tenho que fazer alguma coisa!

Regina pega as chaves e sai da casa determinada a resgatar o filho.

CENA 04: TERRENO/OBRA/INT./DIA

A câmera está distante e vai se aproximando. Antônio trabalha num obra. Ele caminha pelo terreno carregando tijolos e levantando uma parede junto com muitos pedreiros e serventes. Antônio sente um mal-estar. Sua visão está embaçada, ele transpira muito e sente uma tontura. Sem forças, o pedreiro cai no chão. A câmera mostra que o homem caiu em um local no qual seus companheiros de serviço não o podem ver. O inspetor caminha pela obra e encontra Antônio.

INSPETOR: Tirando um cochilo na hora do serviço né? Vai trabalhar. Anda!

O inspetor tenta acordar Antônio com os pés, mas não obtém resultado.

INSPETOR: Tá de ressaca? É isso? Já vou resolver seu problema.

Corte rápido. O inspetor está com um copo de água nas mãos e o jogo em Antônio, que mesmo assim não levanta.

INSPETOR: Oh, levanta. Será que você… morreu?

Antônio desperta aos poucos. Outros trabalhadores o ajudam a levantar e o levam para descansar.

INSPETOR: Esse daí não dura muito não…

A câmera se afasta.

CENA 05: OFICINA MECÂNICA/INT./DIA

Regina caminha apressadamente em rumo à oficina mecânica de Jurandir. Sua fisionomia é de desespero e preocupação com o filho. Olga que está fazendo fofocas percebe para onde Regina está indo e decide ir atrás.

OLGA: Ai, Dona Marília. Já te contei o babado da vizinha da casa 574? Pois é menina. Um caso daqueles… Andam dizendo por aí que o marido da Lucinda tem saído às escondidas. Tá rolando o maior bafafá de que ele tá ficando com a filha da Darci. Pode isso? Uma menina que parecia direita… Mas pera aí… Aquela aí não é a nordestina? E a vaca tá indo no meu Jurandir… Mas não tá com carro nenhum. Será que aquele safado me trocou por ela? Não pode ser! Eu vou tirar essa história a limpo.

Olga tenta seguir Regina se ser percebida. Ela tenta imitar um detetive e segue escondendo nos postes e lixeiras.

Em um corte rápido, a câmera mostra Regina e Jurandir conversando. O som da conversa não é disponibilizado. Ao fundo, Olga observa os dois com um binóculos.

OLGA: Jurandir, Jurandir… Você não vai me trocar por essa nordestina. Eu torno a vida de vocês impossível…

Regina chora e Jurandir a consola com um abraço.

OLGA: Que absurdo!

Jurandir fecha a mecânica e entra rapidamente no carro junto com Regina. O veículo sai apressado. Olga fica indignada, achando que os dois têm um caso.

OLGA: Essa Regina é uma abusada! Só porque tem um bundão e um par de coxas, acha que é a dona da cocada preta… – ajeitando seus seios e a bunda – Quem nasceu pra ser Regina, nunca será Olga. Eu posso, eu sou… Enquanto você vai comprar o coco, eu já venho com a cocada. Você ainda não viu nada, meu amor!

A imagem se escurece.

CENA 06: BARRAGEM/EXT./TARDE

A câmera está bem distante. Ela sobrevoa as redondezas da imensa barragem da cidade, mostrando a estrutura do local e os luxuosos hotéis e pousadas localizadas por ali. Um carro segue andando em alta velocidade em uma estrada de terra, que se localiza à esquerda da barragem. O veículo estaciona em frente àquela enorme quantidade de água.

Nazaré desce com carro e tira seus óculos de sol para observar o local.

NAZARÉ: Esse é o lugar perfeito. Ainda bem que a sonsa da minha tia me deixou essa chácara. –olhando para o carro- É moleque… Aqui que vamos ficar até seu pai resolver dar as caras.

Nazaré olha para o carro e sorri sarcasticamente.

NAZARÉ: É moleque… Aqui que vamos ficar até seu pai resolver dar as caras.

Nazaré se afasta dali e aprecia a paisagem. A câmera mostra Jorge saindo do carro ao fundo. Ele se abaixa e anda até uma árvore. O garoto pega seu celular e tenta ligar para a mãe. O sinal de telefone está ruim, mas ele é persistente e consegue.

JORGE (telefone): Mãe? Me ajuda, mãe. Uma mulher me trouxe pra barragem… Eu tô com muito medo.

Nazaré se aproxima cuidadosamente de Jorge e lhe toma o celular. Ela conversa com  Regina.

NAZARÉ (telefone): Oi, querida. Tá com saudades do filhinho, é? Manda o Antônio me procurar. Beijos…

REGINA (telefone): Você não faça nada com meu filho, sua desgraçada, senão eu acabo com você…

NAZARÉ (telefone): E você não se atreva a vir aqui. Jogar um moleque nessa água não é problema nenhum para mim…

Nazaré desliga o telefone. Ela se vira para procurar Jorge, que fugiu. A tela é repartida em dois: Jorge correndo pela mata em torno da barragem e Jurandir e Regina no trânsito, indo atrás do garoto.

O foco completo vai para a perseguição na mata. Jorge tropeça em um pedaço de pau e cai no chão. Assim, Nazaré consegue alcança-lo.

NAZARÉ: Ah, garoto… Não adianta tentar fugir de mim, pois eu sempre acho quem eu quero.

Nazaré arrasta Jorge pelo braço e o leva para um terreno no qual tem uma pequena casa.

CENA 07: OBRA/EXT./DIA

Alguns trabalhadores ajudam Antônio a ficar em pé. Sem forças, ele não consegue trabalhar.  O inspetor então, o deixa ir embora. Antônio caminha rumo ao seu carro. Alguém estava mexendo em seu carro, mas para quando vê que o proprietário do veiculo se aproxima. Antônio entra no carro e parte.

CENA 08: BARRAGEM/CASA/INT./TARDE

O foco vai para casa onde estão Jorge e Nazaré. O garoto está amarrado em uma cadeira. Nazaré está andando de um lado para o outro.

NAZARÉ: Tudo isso é culpa do seu pai. Se ele tivesse ficado comigo, você não precisaria estra aqui. Mas ele preferiu a nordestina sem sal. Tu não sai daqui enquanto ele não vim!

JORGE: Meu pai ama minha mãe!

NAZARÉ: Ama tanto que a traiu comigo. Enquanto vocês dormiam à noite, seu pai sentia prazer era comigo…

JORGE: Minha mãe vai me buscar e acabar com você!

NAZARÉ: Isso é o que vamos ver. E você cale a boca. Tá parecendo uma maritaca…

Nazaré cobre a boca de Jorge com um pedaço de pano. Ela vai para cozinha da casa e volta com um pouco de comida. Ela tira o pano de Jorge e deixa ele se alimentar.

NAZARÉ: Sabe garoto, eu não sou má… Eu só queria ser feliz. Eu vendo meu corpo pra ganhar dinheiro. Essa é a pior coisa do mundo, a mais humilhante. Eu me apaixonei pelo Antônio, mas ele decidiu me largar pra ficar com vocês… Eu não quero o seu mal, só quero ser feliz um pouco.

Nazaré continua desabafando com Jorge, quando de repente é imobilizada.

REGINA: Acabou pra você, Nazaré.

Regina está prendendo Nazaré com seus braços.

REGINA: Agora você vai pagar na cadeia por tudo de ruim que fez!

Regina e Nazaré se encaram. A vilã solta um gargalhada de deboche.

NAZARÉ: Quem disse? “O jogo só acaba quando termina”, monamour.

Nazaré empurra Regina e sai com Jorge feito de refém.

CENA 09: CARRO DE ANTÔNIO/INT./TARDE

Antônio dirige em alta velocidade. Ele sente um mal estar enquanto conduz o veículo.

ANTÔNIO: Meu Deus do céu, me ajude!

Antônio vira o carro para a esquerda. Sua visão está embaçada e ele mal consegue enxergar a estrada. O sol está quase se pondo e o dia vai se escurendo aos poucos.

ANTÔNIO: Regina, meus filhos…

Antônio vira o carro para a direita. Na rua tranversal, um veículo em alta velocidade é surpreendido pela entrada de Antônio na estrada. Antônio consegue desviar, mas acaba ficando de frente a uma árvore. Ele tenta apertar o freio para fazer um desvio, mas o mesmo não funciona e o carro acaba batendo na mureta de proteção.

A cena escurece rapidamente. Ouve-se um barulho de batida. A cena clareia: o carro de Antônio caiu de uma ribanceira. O veículo fica em chamas e explode em seguida.

igreja_a_flor_do_sertão

barragem_a_flor_do_sertão

Continua…

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22 thoughts on “A Flor do Sertão – Capítulo 24 (antepenúltimo capítulo)

  1. Agora a web está pegando fogo, ansiosa para descobrir se Antônio morreu e se Regina conseguirá salvar o seu filho. Parabéns Ari.

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  2. #FuiTombado E eu pensando que era uma pessoa do passado que teria sequestrado Jorge, mas… Regina vai ter que enfrentar Nazaré mas dessa vez sem Antônio que sofreu um acidente. 😮 Oi? Já? Ai, meu Deus, será que é o fim dele? 😌 Lucrécia cada dia mais chata e venenosa. Paula tem que descobrir essas tramóias que essa cobra anda fazendo contra ela. 😠 Gente… Olga com ciúmes de Regina? É isso? Kkkk morto! Jurandir vai se entregar pra ela, espero, assim ela deixa de implicar com os outros que se aproximam. O penúltimo capítulo (Um minuto pq nn estou acreditando…), vai esta bastante movimentado. Ainda espero Sônia entrando no meio dessa família e no caminho de Regina. PARABÉNS, ARI! ❤ Não estou crendo que já esta chegando ao fim. 😭 Passou tão rápido… 🍃

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