A Flor do Sertão – Capítulo 25 (penúltimo capítulo)

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CENA 01: CARRO DE ANTÔNIO/INT./TARDE

Antônio dirige seu carro em alta velocidade. Ele sente um mal estar enquanto conduz o veículo.

ANTÔNIO: Meu Deus do céu, me ajude!

Antônio vira o carro para a esquerda. Sua visão está embaçada e ele mal consegue enxergar a estrada. O sol está quase se pondo e o dia vai se escurecendo aos poucos.

ANTÔNIO: Regina, meus filhos…

Antônio vira o carro para a direita. Na rua tranversal, um veículo em alta velocidade é surpreendido pela entrada de Antônio na estrada. Antônio consegue desviar, mas acaba ficando de frente a uma árvore. Ele tenta apertar o freio para fazer um desvio, mas o mesmo não funciona e o carro acaba batendo na mureta de proteção.

A cena escurece rapidamente. Ouve-se um barulho de batida. A cena clareia: o carro de Antônio caiu de uma ribanceira. O veículo fica em chamas e explode em seguida. A câmera foca no carro pegando fogo.

NARRAÇÃO: “A vida não dá coisa alguma sem retribuição e sobre cada coisa concedida pelo destino, há secretamente um preço, que cedo ou tarde deverá ser pago.” (Stefan Zweig)

A imagem se escurece.

CENA 02: BARRAGEM/CASA/INT./TARDE

Regina e Nazaré continuam se encaram. A vilã solta um gargalhada de deboche.

NAZARÉ: Quem disse? “O jogo só acaba quando termina”, monamour.

Nazaré empurra Regina e sai com Jorge feito de refém. Ela tem uma faca com a qual ameaça dar um fim na vida do menino. Nazaré vai dando alguns passos para trás.

NAZARÉ: Fica onde você tá, senão eu acabo com a vida desse moleque!

Nazaré vai dando alguns passos para trás. Regina permanece parada. Sem que Nazaré veja, Jurandir entra na casa. Ele anda cuidadosamente e vai até ela. Em uma sequencia rápida, o mecânico segura Nazaré e ela deixa a faca cair. Imediatamente, Jorge corre e abraça a mãe. Nazaré esperneia e morde Jurandir. Ela sai correndo da casa. Regina percebe e pega a faca para ir atrás dela.

REGINA: Agora eu e você vamos ter uma conversinha.

Corte rápido. A câmera mostra a fachada da casa. Nazaré está correndo muito apressada. Ela olha para trás frequentemente. Logo depois, surge Regina correndo atrás dela.

REGINA: Não adianta correr, sua desgraçada!

Nazaré não percebe que tem uma árvore em sua frente e continua correndo. Ela bate de cara com a planta, dando tempo de Regina alcança-la.

REGINA: A gente tava precisando ter uma conversinha…

NAZARÉ: Me deixa em paz sua idiota!

REGINA: Te deixar em paz? Você não me deixou em paz. Me traia com meu marido em motéis baratos e ainda teve a audácia de sequestrar meu filho.

NAZARÉ: A culpa é sua! Tu que não soube segurar um homem. Sua perdedora. Você perdeu Antônio homem pra mim.

Ao ouvir aquelas palavras, Regina se lembra imediatamente da traição de Bento, há vinte e três anos.

INÍCIO DO FLASHBACK

Bento e Francisca param de transar e encaram Regina.  Eles se entreolharam. O silencio toma conta do lugar. A decepção de Regina era evidente. Francisca e Bento se enrolam nos lençóis e se levantam.

REGINA: Bento… Eu num acredito!

BENTO: Regina…

Regina vai até Francisca.

REGINA: Como tu foi capaz?

FRANCISCA: Tu que não soube segurar um homem.

Regina dá um tapa no rosto de Francisca. Ela tenta revidar, mas Regina segura seu braço.

BENTO: Calma Regina!

Regina olha friamente para Bento.

REGINA: Acabou, Bento! Nunca mais me procure. E tu Francisca, vai ter uma lição que tava merecendo há muito tempo.

Regina dá outro tapa em Francisca e a empurra no chão.

FRANCISCA: Me solta, sua perdedora. Aceita que tu perdão o seu homem pra mim.

Em seguida, Regina se senta sobre a irmã e começa a preferir-lhe vários tapas.

REGINA: Quenga! Serigaita! Ordinária!                    

FIM DO FLASHBACK

Regina desperta do transe e volta para aquele momento de acertos de conta com Nazaré. Regina dá um forte tapa em Nazaré. O rosto da vilã fica vermelho com a marca dos dedos.

REGINA: Cala sua boca, sua vadia! Agora você vai mofar na cadeia.

CENA 03: CASA DE RODOLFO/SALA DE ESTAR/INT./TARDE

Rodolfo está sentado no sofá assistindo um filme na televisão. Ao seu lado, tem uma garrada de pinga quase vazia. Frequentemente, ela dá alguns goles da bebiba. Luciana e Tiago descem as escadas carregando malas e mochilas com suas coisas.

RODOLFO: Vocês dois tão surdo, é? Eu já disse que ninguém vai embora daqui. Se continuarem assim, vou ter que trancar os dois no quarto.

TIAGO: Eu e minha mãe vamos embora agora mesmo!

Rodolfo se levanta e encara Tiago.

RODOLFO (gritando): EU MANDEI IREM PRO QUARTO!

TIAGO(gritando): E EU DISSE QUE VAMOS EMBORA!

Rodolfo empurra Tiago no sofá.

RODOLFO: O viadinho tá querendo por as asinhas de fora? Mas não vai mesmo!

Tiago se levanta.

TIAGO: Você vai terminar velho e sozinho. Ninguém vai querer ficar perto de você. Rodolfo, você é um ser desprezível. Isso se posso te chamar de ser. Eu tenho vergonha de você!

RODOLFO: Você vem falar de vergonha? Eu queria ter um filho homem. Macho. Mas macho de verdade. Não um filho que dá a bunda pros outros.

LUCIANA: Chega! Vamos embora, meu filho.

Os dois caminham rumo a porta.

TIAGO: Espero não ver essa sua cara de cachaceiro nunca mais.

RODOLFO: Já que querem, vão embora mesmo. Agora se pedirem pra voltar, eu não vou deixar. Eu posso conseguir qualquer vagabunda pra arrumar a casa e me dar prazer. Posso ter um filho macho, que pega mulher. Um filho digno do meu orgulho!

Rodolfo encara Tiago e Luciana.

LUCIANA: Eu te amei, Rodolfo. Mas você virou isso… Daqui uns dias chegam os papeis do divórcio. Adeus!

RODOLFO: Eu não preciso que ninguém me ame. Agora chispem daqui. Vão logo!

Rodolfo fecha a porta e observa seu filho e sua esposa indo embora.

RODOLFO: Eu não preciso deles. Eu não preciso de ninguém!

Rodolfo volta a ver o filme e a beber.

CENA 04: BARRAGEM/CASA/INT./TARDE

O foco vai para casa perto da barragem aonde Nazaré levou Jorge. A vilã está amarrada em uma cadeira. Regina, Jurandir e Jorge estão na casa esperando a polícia chegar.

NAZARÉ: Me solta daqui, seus imbecis!

JORGE: Você é ruim e vai ser presa por tudo que fez.

NAZARÉ: Cala boca, seu moleque chato!

REGINA: Deixa ela, meu filho. Essa daí não merece que percamos nosso tempo.

Da casa é possível ouvir o barulho da viatura policial se aproximando.

REGINA: Chegaram! Pronta pra ir pro xilindró, Nazaré?

Jurandir entra na casa acompanhado de dois policiais.

REGINA: Essa mulher sequestrou o meu filho!

Os policiais desamarram Nazaré da cadeia e a algemam.

POLICIAL: Você está presa!

Nazaré é levada presa. Regina abraça Jorge.

REGINA: Acabou tá, meu filho! Agora tudo vai ficar em paz.

JORGE: Obrigado por me salvar. Eu te amo, mãe!

A câmera vai se escurecendo diante aquela imagem. Anoitece.

CENA 05: CASA DE ANTÔNIO/COZINHA/INT./DIA

Amanhece na cidade. A câmera mostra várias pontos turísticos da cidade. A imagem sobrevoa o interior da cidade. O foco vai para o terreno no qual está à casa de Antônio. Na cozinha, Regina está preparando o café da manhã. Ela arruma a mesa enquanto o café está no fogo. Jorge entra em cena. Ele se senta à mesa.

JORGE: Bom dia, mãe!

REGINA: Bom dia, filho.

JORGE: Aconteceu alguma coisa?

REGINA: Não. Tá tudo bem. Vai tomar seu café pra ir pra escola.

Paula entra na cozinha cantarolando. Ela começa a dançar na cozinha e convida a mãe para fazer o mesmo, só que Regina não aceita.

PAULA: O que foi, mãe? Animo! Alegria!

REGINA: Jorge, meu filho, me espera lá na sala.

Jorge vai para a sala.

PAULA: Por que você tá assim hoje?

REGINA: O Antônio não voltou pra casa ontem…

PAULA: E você acha que ele tá te traindo?

REGINA: Não sei, mas estou com uma sensação ruim.

PAULA: Pode ficar tranquila. Ele deve ter dormido na casa de um amigo, sei lá.

REGINA: E você? Por que tá com essa felicidade toda?

PAULA: Segredo. Vou me encontrar com uma pessoa agora.

REGINA: Você tá namorando?

PAULA: Não. É outra pessoa. Em breve você vai saber… Agora tenho que ir, senão chego atrasada.

Paula se despede da mãe com um beijo no rosto.

REGINA: Meu Deus, proteja o Antônio!

CENA 06: FAVELA/EXT/DIA

A câmera sobrevoa o subúrbio da cidade de Itaúna. Um táxi estaciona perto dessa grande favela. No interior do veículo, Paula conversa com o taxista.

PAULA: Por que você parou, moço? Eu vou descer lá em cima do morro.

TAXISTA: Você acha mesmo que eu vou entrar nessa favela?

PAULA: O que tem na favela? Eu te pago um adicional…

TAXISTA: Aqui é o lugar mais violento da cidade. Todos os traficantes moram aí. Se eu fosse você não entrava aí não, moça. Vai por mim… Não subo esse morro nem por um milhão de reais.

PAULA: Eu preciso resolver uma coisa. Obrigada!

Paula paga a corrida e desce do táxi. O veículo sai dali rapidamente. Paula respira fundo e começa a subir o morro.

PAULA: Vamos lá, Paula! Você vai achar seu pai.

A medida que vai subindo o morro, Paula vai ficando mais amedrontada. No caminho, ela vê pessoas fumando droga, homens com armas e esgoto a céu aberto.

PAULA: Meu Deus que lugar é esse.

Alguns moradores encaram Paula e ela apressa seus passos.

PAULA: Qual era a rua mesmo?

Paula retira o seu celular da bolsa e liga o GPS. Um homem armado passa de moto e leva o aparelho. Paula corre dali. Ela olha para uma placa e percebe que está na rua da mensagem que recebeu.

PAULA: É aqui. Pai, finalmente eu te encontrei!

CENA 07: ESCOLA/SALA DE AULA/INT./DIA

Jorge entra na sala de aula. A câmera mostra a sala de aula onde está acontecendo uma aula de Química. Muitos poucos alunos prestam atenção no professor; outros conversam; outros travam guerras de bolinhas de papel. Como bom aluno que é, Jorge está atento ao professor, que não consegue comandar a turma. O jovem está sentado em uma das cadeiras da frente, acaba chamando a atenção do professor por estar prestando atenção. O professor faz algumas perguntas e Jorge responde prontamente. Maria chega atrasada na sala de aula com o batom borrado. Ela tenta entrar na sala sem ser percebida, mas é vista pelo professor.

PROFESSOR: Que bonito, hein Dona Maria. Isso são horas de chegar?

MARIA: Eu estava ocupada professor. Eu tava lá na biblioteca fazendo pesquisa para um trabalho.

PROFESSOR: Trabalho? Sei o trabalho… Agora sente-se que teremos experiência em dupla hoje.

MARIA: Não tem mais lugar pra mim! –olhando para a sala-

PROFESSOR: Sente-se perto do Jorge.

Maria se senta ao lado de Jorge.

MARIA: Oi!

JORGE: Oi.

No microscópio, Jorge analisa algumas substâncias. Maria observa atentamente.

MARIA (pensando): Com esse garoto, eu vou passar de ano fácil fácil.

O professor distribui uma folha com algumas perguntas.

MARIA: Eu odeio Química…

JORGE: Hum…

MARIA: Você tá chateado comigo, por causa daquela brincadeira?

JORGE: Que brincadeira?

MARIA: Que eu fui lá na frente e…

JORGE: Ah, já tinha até esquecido. Agora vamos responder as perguntas.

Maria estranha a indiferença de Jorge e se incomoda um pouco. Instantes depois, um toque indica o final da aula.

MARIA: Ainda não terminamos. Que tal a gente fazer lá na biblioteca?

JORGE: Pode deixar que eu faço sozinho na minha casa.

MARIA: Então tchau!

Todos os alunos se retiram da sala de aula. Maria permanece no local.

MARIA: O nerd tá me tratando diferente… E eu aqui me preocupando. Affs! Dane-se ele.

Maria sai da sala de aula.

CENA 08: CASA DE ANTÔNIO/SALA/INT./DIA

Regina está limpando a sala, quando alguém coloca as chaves na fechadura e começa a abrir a porta. Assustada, ela pega a vassoura para se defender caso seja um bandido. Sônia entra na casa. Ela e Regina se encaram.

REGINA: O que você tá fazendo aqui?

SÔNIA: Essa casa também é das minhas filhas. Vim visita-las…

REGINA: Como você conseguiu entrar?

SÔNIA: Com chaves. Sua burra!

REGINA: Olha aqui, você me respeite!

SÔNIA: Ah, vai limpar a casa vai.

REGINA: Eu não tenho que te aturar aqui não!

SÔNIA: Tem sim. Essa casa é do Antônio e não sua. Cadê minhas filhas?

REGINA: As duas saíram.

SÔNIA: Então esperarei elas chegarem.

Sônia se senta no sofá que Regina estava limpando.

REGINA: Eu estava limpando o sofá.

SÔNIA: Ok, fofa. Limpe depois.

REGINA: Eu não estou aguentando mais!

SÔNIA: Então volte pra aquele sertão calorento e seco.

REGINA: Você não vai sair né?

SÔNIA: Não.

REGINA: Ok. Vou limpar lá dentro…

SÔNIA: Está bem obediente a mim, hein.

Sônia pega um revista da mesinha e começa a folheá-la. Regina volta para sala com um balde de água suja nas mãos e joga em Sônia.

SÔNIA: Sua ordinária!

REGINA: Sai daqui, vai. Anda!

SÔNIA: Você vai se arrepender! Eu te odeio!

REGINA: Você não gosta de ninguém. Nem dos seus próprios filhos…

Lucrécia e Suzana chegam em casa. Elas abrem a porta com cuidado e ouvem a discussão entre Regina e Sônia.

SÔNIA: Não gosto mesmo não. Aqueles três são pesos para mim. Só tive eles pro Antônio ficar comigo. Se não fosse isso, eles nem tinham nascido.

REGINA: Pensei que você gostava da Suzana. Vocês duas sempre andaram juntas.

SÔNIA: Suzana é uma chata de galocha. Desde pequena aquela menina me deu trabalho. A Lucrécia também é uma imprestável. Só deu trabalho quando usava drogas e teve aquele fico do traficante. Pelo menos elas firam contra você. Aliás, você deve gostar muito do Antônio pra tar com ele até hoje. Mas não importa. Os dois vão se arrepender por tudo que me fizeram.

Histérica, Sônia sai encharcada da casa. Lucrécia e Suzana se escondem para não serem vistas.

CENA 09: PRISÃO/CELA/INT./DIA

A câmera sobrevoa o presidio da cidade e mostra as detentas. É hora do almoço. As carcereiras passam pelas celas para entregarem a comida. Uma cela ganha destaque. Nazaré está fazendo a faxina. Ela se aproxima da carcereira para pegar a comida, mas outra presa pega seu prato. Nazaré é ameaçada com uma faca e volta para seus serviços. Ela esfrega a privada da cela.

CENA 10: OFICINA MECÂNICA/FACHADA/EXT./DIA

Jurandir começa a abrir a mecânica. Olga vê e vai até ele.

OLGA: Jurandiiiir…

JURANDIR: Lá vem! Quanto mais eu rezo, mais assombração me aparece…

OLGA: Oi Jurandir.

JURANDIR: Bom dia, Dona Olga! Deseja alguma coisa?

OLGA: Você!

Olga agarra Jurandir, que logo se afasta.

JURANDIR: Quê isso, Dona Olga!

OLGA: Só Olga para você. Isso é amor, meu gostoso!

Jurandir se afasta.

JURANDIR: Eu hein…

OLGA: Eu te amo, Jurandir! É isso. Eu quero ser sua esposa.

JURANDIR: Entende uma coisa… A senhora é um pouco velha pra mim, sabe.

OLGA: Mas pro amor não existe idade…

JURANDIR: Só que eu não te amo e não quero ficar com você! Entendi logo.

OLGA: Tudo bem…

Olga sai dali tristonha.

JURANDIR: Acho que agora me livrei dela.

Jurandir entra na oficina.

CENA 11: CASA DE ANTÔNIO/SALA/INT./DIA

Regina está varrendo a casa quando o telefone toca.

REGINA: Ai meu Deus, será que é o Antônio?

Regina atende.

REGINA (Tel.): Antônio?

HOMEM (Tel.): Não, senhora. Aqui é o policial André.

REGINA (Tel.): Policial? Mas esse é o telefone do Antônio…

HOMEM (Tel.): Encontramos o celular próximo ao carro.

REGINA (Tel.): Carro? Como assim?

HOMEM (Tel.): Um carro bate na estrada e cai na ribanceira. O veículo pegou fogo e explodiu. Foi o que disse uma testemunha. Infelizmente, eu o Antônio morreu. Se a senhora quiser ir no IML verificar se é o corpo. Mas acho desnecessário, pois está carbonizado.

Aquela triste notícia caiu como uma bomba para Regina. Ela desliga o telefone e cai ajoelhada no chão, aos plantos.

REGINA: NÃÃÃÃÃÃÃÃÕ!

O grito de Regina ecoa por toda a cidade.

CENA 12: FAVELA/EXT/DIA

Paula olha para uma placa e percebe que está na rua da mensagem que recebeu. Ela continua caminhando pelo local.

PAULA: Não vejo a hora de te conhecer, meu pai. Temos que conversar muito…

Paula chega ao número do endereço que recebeu. Ela parte em frente à casa. Respira fundo e bate a campainha. Ninguém atende. Paula toca a campainha novamente. Na rua, começa uma grande correria. Alguns veículos entram na rua com alta velocidade. Em seguida, surgem duas viaturas policiais. Policiais e bandidos começam a trocar tiros em frente à Paula. A moça decide sair dali correndo e se esconder em uma caçamba de lixo. Durante a distância do local em que está e o esconderijo, Paula é atingida de raspão por um tiro na perna. Logo, ela cai no chão. Um homem que passava pelo local corre para socorrê-la. Ambos se olham encantados.

HOMEM: Você se machucou muito?

PAULA: Foi só de raspão… Obrigada!

CENA 13: PRAÇA/EXT./DIA

Ao som de Bela Flor- Maria Gadu ocorre uma passagem de tempo. São mostradas imagens da cidade. O enterro de Antônio é comovente. Paula e o homem que a ajudou conversam e vão se aproximando.

CENA 14: CASA DE ANTÔNIO/FACHADA/EXT./DIA

Regina e seus filhos descem de um carro. Todos estão vestidos de preto e com rostos inchados de tanto chorar. A fisionomia de ambos é de tristeza. Eles se aproximam de casa e têm uma grande surpresa. Todos os móveis e objetos de Regina e seus filhos estão do lado de fora da casa. Alguns homens vão saindo da casa carregando os objetos e móveis.

REGINA: Mas o que é isso?

HOMEM: Só me mandaram tirar as coisas daqui…

REGINA: Vou tirar isso a limpo agora.

Antes de entrar na casa, Sônia sai do local.

REGINA: O que é isso? Por que estão tirando minhas coisas daqui?

SÔNIA: Porque você não mora mais aqui, fofa. Pode ir procurando um lugar pra dormir.

REGINA: O Antônio é pai do Jorge e ele tem direito de morar aqui.

SÔNIA: Essa não foi à vontade do seu marido. Ele deixou tudo para os filhos e para mim. Agora nós vamos morar aqui.

REGINA: Isso é um absurdo!

SÔNIA: Se quiser, leia você mesmo o testamento.

Regina começa a ler o papel e fica chocada.

SÔNIA: Viu? Agora trate de tirar suas coisas da minha casa.

Sônia entra na casa e bate a porta.

JORGE: O que vamos fazer, mãe?

REGINA: Eu vou dar um jeito, meu filho. Pode ficar tranquilo.

Regina tenta acalmar o filho, mas seu olha demonstra seu desespero. Um homem alto, com roupa de policial, se aproxima de Regina.

HOMEM: Com licença, você é Regina Alves da Fonseca Figueiredo?

REGINA: Sou eu mesma, por quê?

HOMEM: Queira me acompanhar até a delegacia.

REGINA: Delegacia?

HOMEM: Sim. A senhora está sendo acusada de matar seu marido Antônio Figueiredo Justiniano.

REGINA: Como assim, moço? Eu matar meu marido?

HOMEM: Temos fortes indícios de que você armou com o mecânico para sabotar o carro de seu marido para mata-lo. Queira me acompanhar, por favor.

O homem e Regina entram na viatura. Jorge corre até a mãe e começa a proferir socos no carro.

JORGE: MÃE! MÃE! MÃE!

Jorge corre atrás do carro até não poder mais.

CENA 15: TERESINA/INT./DIA

Trilha sonora: Chão de Giz – Zé Ramanho.

Anoitece e amanhece em Itaúna.

Imagens da Praça Central.

Imagens do Museu Municipal.

Imagens da Gruta.

Imagens do Fórum.

CENA 16: FÓRUM/INT./DIA

Inicia-se o julgamento de Regina. Pessoas vão lotando a sala do júri. Os filhos de Regina e de Sônia estão ansiosos. Olga está atenta a todos os detalhes. O juiz chega ao local e todos os presentes se levantam. A tensão estava no ar. De um lado estava Regina, acusada de matar o marido Antônio e defendida por um advogado público. Do outro, estava Sônia, que acusava a inimiga de matar Antônio. Com o dinheiro do testamento, ela teve condição de contratar um dos melhores advogados da cidade. Regina e Sônia se encaram. Regina mal consegue respirar. Ela estava nervosa.

JUIZ: Senhores, daremos inicio ao julgamento da acusação de assassinato de Antônio Figueiredo Justiniano, em que Regina Alves da Fonseca Figueiredo, ex-mulher da vítima é a principal suspeita. O processo que aqui será executado tem fundamento no testemunho de Sônia da Fonseca Falcão. De acordo com os ritos desse tribunal, se faz imperativo perguntar: senhora Regina, declara-se inocente ou culpada do crime pelo qual é acusada?

Regina se levanta.

REGINA: Inocente, excelentíssimo juiz. Eu sou inocente!

JUIZ: Que entrem as testemunhas.

Sônia se levanta e faz o juramento de dizer apenas a verdade.

JUIZ: Quero adverti-la de que a senhora está de compromisso legal de testemunha, ficando ciente de que não possa fazer afirmativas falsas ou negar ou calar a verdade, sobre pena de cometer crime de falso testemunho. Concedo a palavra à testemunha Sônia da Fonseca Falcão.

Sônia começa a falar.

SÔNIA: O meu falecido ex-marido Antônio era uma pessoa extraordinário. Atencioso, amoroso e se dava bem com todos. Após o casamento com a acusada, o Antônio mudou completamente. Os dois brigavam muito e ela chegou a agredi-lo. Eu tenho motivos para acusar esta mulher de assassinato. Regina Alves da Fonseca Figueiredo era amante do mecânico que sabotou o carro do Antônio. Os dois planejaram tudo. Ela é culpada pela morte do Antônio!

Continua…

NÃO PERCA AS SURPRESAS E EMOÇÕES DO ÚLTIMO CAPÍTULO DE “A FLOR DO SERTÃO”! NESTA SEGUNDA-FEIRA, ÀS 21H!

19 thoughts on “A Flor do Sertão – Capítulo 25 (penúltimo capítulo)

  1. Parabéns Ari, um bom capítulo.
    Regina tem um destino cruel, muitas provações pra uma mulher só.
    Sonia não vale nada.
    Nazaré presa e sofrendo.
    Coitado do Antonio.
    Gosto muito da web, você está de parabéns Ari, apesar de seus motivos pessoais você não cancelou a web.
    Estou orgulhoso!!!!!!!!!
    Parabéns, A Flor Do Sertão é muito boa.

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  2. E chegamos no penúltimo capítulo. Se estou triste? Pra c@r#%$. Ai, amigo, não me arrasa não. Respirando fundo

    Quando eu penso que Regina ficaria mais tranquila em relação as cobras que estavam em sua volta, eu me surpreendo a cada dia. No capítulo de hoje ela foi uma guerreira literalmente. Consolou os filhos após a morte de Antônio, enfrentou Nazaré para socorrer Jorge, foi vítima das intrigas de Sônia, lidou com diversas calúnias e ainda esta sendo julgada pela morte de seu marido. 😮 Essa mulher é uma guerreira, uma vitoriosa, palmas pra ela. 👏👏👏 Uma pessoa que nn tinha nada, absolutamente NADA haver com a história, pode ser culpada por coisas infelizes. Olga e Sônia estão juntas nessa? Gente… Rodolfo mereceu a solidão. Não fui com a cara dele em nenhum dia e hoje nn foi diferente. As palavras que ele usou contra o próprio filho foram muito profundas, me comovi. Será que Lucrécia e Suzana vão depor e ficaram ao lado de Regina nesse final? Me surpreendi e muito com esse gancho, nunca imaginei. 😮

    Quando uma novela dessas vai chegando ao fim, sinto em meu peito um aperto que é inexplicável. Uma evolução, um ar diferente ao Mix, essas são uma das palavras que caracterizam “A Flor do Sertão”. Bom, amigo, acho que é como se fosse um bebê que vi crescer e agora já se desenvolveu. Marejando Farei o possível para nn marejar assim no último capítulo, mas será difícil, acredite -Risos.

    Parabéns, Ari! Parabéns, amigo! 😀 Ansioso pelo desfecho da saga de Regina. ❤

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