Mundos Opostos – Capítulo 31 (últimos capítulos)

Mundos OpostosCENA 01: CASA DE GUTO E LUCIANA/FACHADA/EXT./TARDE

O carro de Débora estaciona em frente à casa de Guto e Luciana. Débora desce do carro e se dirige à janela. Ela percebe que Dimas e Luís estão conversando na sala de estar.

Débora se dirige à porta de entrada da casa.

DÉBORA – Espero que a porta esteja aberta.

Débora gira a maçaneta. Para a sua felicidade, a porta se abre. Lentamente, Débora vai abrindo a porta, mas estaciona assim que começa a ouvir a conversa.

CENA 02: CASA DE GUTO E LUCIANA/SALA/INT./TARDE

Débora estaciona, escondendo-se de Dimas e Luís atrás da porta entreaberta, escutando a conversa dos dois.

LUÍS – Depois de tudo o que aconteceu nos últimos dias, eu acredito que o meu envolvimento com a Débora tenha sido um erro.

DIMAS – É… eu soube que você protagonizou o maior barraco na mansão por causa da Débora. Ouvi dizerem que ela estava te manipulando pra atingir a tua irmã.

LUÍS – Talvez. Mas a grande verdade é que a Débora é possessiva. Lembra que ela foi capaz de dopar o Pedro Igor e tentar engravidar dele pra poder convencê-lo a se casar com ela? Isso só pra ter certeza de que a Maria não ia se aproximar dele. E mesmo assim, ela ainda tentou armar contra ela, fazendo ela se passar por ladra pra tentar expulsar ela e eu da mansão. Se ela foi capaz disso pra afastar a Maria do Pedro Igor, imagina o que ela não vai ser capaz de fazer pra afastar a Maria e toda a família de mim? A morte vai ser o limite.

DIMAS – Pois é, Luís. Você está certíssimo em querer distância da Débora. Você merece coisa melhor. Deus vai lhe mostrar que a pessoa certa pra ti está perto de ti… mais perto do que tu menos imagina…

Luís sorri para Dimas. Ele se agacha na frente de Dimas, a fim de ficar da mesma altura que o cadeirante. Os dois seguram as mãos um do outro e sussurram um para o outro.

DIMAS (sussurrando) – Fé em Deus que ele vai providenciar o melhor pra você.

LUÍS (sussurrando) – Obrigado, Dimas…

Nesse momento, Débora entra na casa e bate a porta com toda a força, assustando Dimas e Luís. Imediatamente, Luís se levanta, pondo-se ao lado de Dimas; os dois olham, assustados, para Débora.

DÉBORA – Então quer dizer que você quer se separar de mim, não é, Luís? Pois saiba que, se você não ficar comigo, não vai ficar com mais ninguém. Eu prefiro você morto a longe de mim!

Dimas e Luís se entreolham, apavorados com o que ouvem de Débora.

LUÍS – Débora, calma—

DÉBORA – Eu não vou ter calma coisa nenhuma. Você não vai me trocar por ninguém, Luís. Você é meu. E nem a morte há de nos separar.

DIMAS – Você está louca, Débora.

DÉBORA – Cala a sua boca que eu não falei com você. Fica na sua, seu viadinho inválido. Você não deveria nem estar aqui, deveria ter morrido naquele acidente no meu lugar.

DIMAS – Como eu me arrependo de ter chorado a sua morte, de ter me culpado pela sua morte… é uma pena que a sua morte tenha sido uma mentira. Porque ela nos traria paz.

Débora se indigna com o que ouve de Dimas.

DÉBORA – Então é isso… você quer me separar do Luís pra ficar com ele só pra você…

Dimas e Luís se surpreendem com a conclusão à qual Débora chegou.

DÉBORA – Mas que bicha mais sem vergonha. Não basta ter perdido o seu macho pra minha amiga, agora quer tirar o meu? Não contente em não conseguir ter me matado, agora quer terminar o serviço me subtraindo a razão de viver?

LUÍS – Débora, você está louca—

DÉBORA – Cala a sua boca. Nem mais uma palavra.

Débora observa um estilete em cima da mesa de centro. Ela pega a ferramenta e a ergue na direção de Dimas e Luís, amedrontando-os.

DÉBORA – Eu deveria matar os dois aqui agora. Mas eu seria muito generosa. Mas eu me contento em rasgar a pele dos dois com este estilete, para vocês aprenderem que comigo ninguém brinca.

Débora corre na direção deles, mas é contida por Luís, que segura os seus braços.

LUÍS – Para com isso, Débora, tu tá louca!

DÉBORA – Louca? Você não viu foi nada, meu amor.

Débora tenta contorcer seus braços, em uma tentativa de ferir o rosto de Luís com o estilete. Desesperado, Luís tenta desviar a arma de Débora.

LUÍS – Dimas, me ajuda, faz alguma coisa!

DIMAS – O quê? Tu quer que eu me levante e segure a Débora?

LUÍS – Pede ajuda, né?

DÉBORA – Você não vai fazer isso!

Débora consegue se soltar de Luís e o empurra na direção de Dimas. O impacto faz a cadeira de rodas de Dimas cair no chão, e Luís cair por cima do cadeirante.

Assustado com os barulhos, Guto aparece na sala e se desespera ao ver aquela cena. Sua atitude é segurar Débora, impedindo-a de atacar Dimas ou Luís. Quem também aparece na sala é Júlio, que, também desesperado com o que flagra, age ajudando Dimas e se levantar e se sentar de volta na cadeira de rodas.

DÉBORA – Me solta, Guto!

GUTO – Não solto. Eu não vou deixar tu machucar ninguém.

DIMAS – Você está louca, Débora!

DÉBORA – Louca eu vou ficar quando marcar eu matá-los.

GUTO – Você não vai fazer isso!

Débora levanta sua perna para trás, atingindo o ponto fraco de Guto. A dor insuportável faz com que Guto largue Débora. Uma vez livre, a moça parte para cima de Dimas, que consegue contê-la, segurando seus braços.

DÉBORA – O que você quer? Se vingar de mim? Eu não tenho culpa se você perdeu a sensibilidade das suas pernas.

DIMAS – A questão não é essa. A questão é que o Luís não merece uma psicopata possessiva como você. Nem ele, nem ninguém.

DÉBORA – E quem ele merece, você? Não, o Luís é hétero, ele nunca vai querer se envolver com você. Agora passe o resto dos seus dias chorando a perda do Ricardo. Ele caiu em si e descobriu que apenas uma mulher é capaz de lhe dar amor, carinho, felicidade e, principalmente, uma família.

Dimas empurra Débora. Ainda mais irada, Débora tenta atacá-lo com o estilete. Porém, antes que ela atinja Dimas, Luís se levanta e a joga no chão com o peso do seu corpo. Os dois caem juntos. Cegada pelo ódio, Débora começa a desferir diversos golpes contra Luís com o estilete, perfurando o seu corpo com a ferramenta afiada. Dimas, Guto e Júlio observam a cena, horrorizados, sem saber o que fazer.

CENA 03: MANSÃO ANDRADE DA COSTA/SALA/INT./MANHÃ

Helena e Maria estão sentadas no sofá, uma de frente para a outra, conversando.

HELENA – Gente, eu realmente não sei o que fazer.

MARIA – Não faça nada. Tudo o que você fizer só vai piorar a situação. Espere que o Jonas e a Carolina resolvam a situação deles, não interfira no processo de divórcio.

HELENA – Não vai fazer diferença alguma eu me envolver ou não com o Jonas. Isso não vai influenciar em nada o processo de separação deles.

IGOR – Mas como fica sua imagem, Helena? Você vai ganhar a mesma fama da Luciana, senão pior. Porque a Luciana apenas destruiu um namoro, e nem todo mundo da família do Ricardo apoiava o namoro dele com o Dimas. Já você destruiu um casamento, que todos aceitavam e gostavam, um matrimônio que tinha gerado um filho. Você não seria apenas uma fura-olho, seria uma adúltera, uma amante do Jonas.

Nesse momento, Maria fecha os olhos e deixa-se dominar por uma estranha e repentina sensação de dor. Helena se assusta e logo trata de ampará-la.

HELENA – O que houve, Maria?

MARIA – Tô sentindo uma pontada no meu coração… gente, cadê o Luís? Tô preocupada com ele…

HELENA – Ai meu Deus, será que aconteceu alguma coisa com o Luís?

MARIA – Deus o livre… calma…

Maria respira fundo, e consegue driblar o seu mal estar. Aos poucos, ela vai se recuperando.

MARIA – Tô me sentindo melhor agora…

Maria se recompõe, mas continua causando preocupação em Helena.

CENA 04: CASA DE GUTO E LUCIANA/SALA/INT./TARDE

Júlio corre até Débora e consegue segurar-lhe o braço, impedindo-a de golpear Luís. Ele tenta tirar o estilete da mão de Débora, mas graças à agitação da moça, ele não consegue. Ele apenas arrasta Débora pelo braço para longe de Luís, que agoniza de dor ali no chão, para o desespero de Guto e Dimas.

DÉBORA – ME SOLTA, JÚLIO! ME SOLTA!

JÚLIO – Não está satisfeita com o que você fez?

DÉBORA – EU MATO ESSES DOIS ORDINÁRIOS! EU VOU BEBER O SANGUE DELES E BRINCAR COM SEUS ÓRGÃOS!

Nesse momento, Gustavo, Igor e Jonas chegam à sala de estar e se horrorizam ao ver Luís gravemente ferido no chão, Júlio tentando deter Débora, Guto ainda sofrendo com dores nas partes íntimas e Dimas em estado de choque. A reação de Jonas é ajoelhar-se de frente para Dimas, tentando chamar-lhe a atenção.

DIMAS – A Débora enlouqueceu, Jonas, a Débora enlouqueceu.

JONAS – Dimas, olha pra mim. Não olha pra eles.

DIMAS – Jonas, me tira daqui. A Débora matou o Luís e vai querer me matar.

DÉBORA – Me solta, Júlio, eu vou terminar o serviço!

Imediatamente, Jonas se levanta e leva Dimas para o corredor. Júlio consegue pôr Débora em pé, põe a sua mão livre nas costas e ergue o braço armado, impossibilitando-a de atacar mais alguém. Gustavo corre até Luís, e começa a procurar por sinais vitais.

DÉBORA – Me solta! Se esse traidor não estiver morto, eu termino de matar!

GUSTAVO – Ele está vivo.

IGOR – Graças a Deus…

JÚLIO – Alguém poderia me ajudar a desarmar a Débora?

Gustavo se aproxima de Débora e Júlio. Este último abaixa o braço de Débora, permitindo que Gustavo tire o estilete do alcance das mãos da moça. Em seguida, Júlio põe as duas mãos de Débora nas costas, imobilizando-a.

JÚLIO – Alguém chama a polícia!

Guto tira o seu celular do bolso e liga para a polícia. Aproveitando-se de uma distração de Júlio, que dirige o olhar a Gustavo, Débora empurra o rapaz na parede e consegue se soltar. Uma vez livre, Débora corre até a porta entreaberta, a abre e vai embora. Júlio tenta correr, mas ao chegar à porta, ele apenas vê Débora dando partida no carro e fugindo. A ele só resta descontar sua raiva fechando a porta com toda a sua força.

JÚLIO – Aquela vagabunda fugiu.

GUTO – Mas não por muito tempo.

Guto é atendido e começa a fazer a denúncia. Igor e Júlio tentam socorrer Luís, enquanto Gustavo se recupera do golpe que recebera de Débora.

CENA 05: CASA DE GUTO E LUCIANA/QUARTO DE GUTO/INT./TARDE

Jonas está sentado na cama, de frente para Dimas. Visivelmente abalado, Dimas chora copiosamente e com a respiração ofegante.

JONAS – Por que ela fez isso?

DIMAS (chorando) – Ela é louca, Jonas. Uma psicopata. Ela fez tudo aquilo porque ouviu o Luís falando que queria se separar dela?

JONAS – Se separar dela? Como assim?

DIMAS – Quando a Débora voltou para o Brasil, ela começou a se aproximar dele e tentou envenená-lo, jogá-lo contra a própria família que o acolheu depois da morte da mãe dele. Tentou inclusive jogá-la contra nós, contra a Corrente.

JONAS – É, bem que a Helena e o Gustavo diziam que a Débora era uma manipuladora da fita cassete.

DIMAS – A Débora chegou a brigar com a dona Alice, a esposa do seu Gabriel, por causa do Luís. O próprio Luís chegou a brigar com o Igor por causa da Débora, a própria Débora brigou com a Maria por causa do Luís… enfim, a volta da Débora causou a maior bagunça naquela família. E o Luís foi o último a perceber porque isso estava acontecendo. Por isso, ele queria conversar com a Débora aqui hoje para terminar com ela, mas ele não sabia que teria encontro aqui. Acabou que ele desabafou comigo, a Débora ouviu, ficou possessa e tentou nos atacar.

JONAS – Mas o que é que tu tem a ver com essa história?

DIMAS – Eu dei força a ele, disse que ele tava certo em querer se separar da Débora, porque ele merecia coisa melhor. Só por causa disso, a Débora achou que eu tava querendo dar em cima dele, e por isso quis nos matar. Se vocês não estivessem aqui, ela teria feito o Estado Islâmico e nos degolado em menos de um minuto.

JONAS – Mas nós conseguimos detê-la. E, se Deus quiser, ela vai pagar por tudo o que fez contra vocês.

Jonas sorri para Dimas, em uma tentativa de reanimá-lo. Ele não reage ao estímulo de Jonas.

DIMAS – Eu me arrependo tanto de ter chorado a morte daquela mulher… se eu tivesse a sorte que o Igor, o Gustavo, o Guto e o Luís tiveram de saber o quão desprezível é a Débora…

JONAS – Acredite, eles também devem ter sabido disso da pior maneira possível. Tá, pode não ter sido pela ponta do estilete, mas souberam da pior maneira possível naquele contexto. Pelo que eu pude perceber, a loucura da Débora piora a cada dia, hoje ela se superou a ponto de ferir alguém. Na próxima, ela mata.

DIMAS (irônico) – Ah, Jonas, tu não sabe o quanto isso me tranquiliza…

JONAS – Desculpa. Mas não se preocupe, ela não vai ter tempo pra fazer isso. Quando ela menos esperar, ela já vai estar detida numa delegacia, atrás das grades, pagando pelos seus crimes e por todo o dano que causou a ti, ao Luís, à Maria e ao Igor.

Dimas, enfim, sorri para Jonas.

CENA 06: CASA DE LARISSA/SALA/INT./TARDE

Jéssica, Larissa e Ricardo estão sentados no sofá. Ricardo está abraçado a Jéssica, que conversa com Larissa.

JÉSSICA – Eles terminaram?

LARISSA – Sim. Quando eu menos percebi, eles estavam gritando aqui na sala. Eu percebi que era algo sério quando eu ouvi o Ricardo dizer que tinha nojo da Luciana.

RICARDO – Eu me enganei tanto com aquela vadia… gastei três meses da minha vida ao lado de uma mulher homofóbica, que rejeita a minha própria orientação sexual.

JÉSSICA – Não duvido nada que a Luciana tenha armado pra te separar do Dimas por causa disso.

RICARDO – Nem eu, madrinha. Mas eu não entendo por que ela faria isso com a gente. O que a gente fez pra ser odiado daquele jeito por ela? Por que a nossa felicidade incomodava ela?

JÉSSICA – Ela não se conformava em ver que o Dimas te fazia feliz, Ricardo. Ela não se conformava em ver que um homem podia fazer outro homem feliz. Pra ela, só uma mulher é capaz de fazer um homem feliz.

RICARDO – Mas o pior: não para por aí. O Jonas bem que tentou me alertar antes, mas só agora eu percebi o quanto o meu namoro com a Luciana era prejudicial. Eu tava revivendo aquela época em que eu namorava com a Bianca, com o prazer carnal acima de tudo.

Ricardo continua conversando com Jéssica e Larissa.

CENA 07: FORTALEZA/EXT./TARDE

Imagens da Avenida Sargento Hermínio Sampaio.

Imagens da Avenida da Universidade.

Imagens da Avenida César Cals.

CENA 08: MANSÃO ANDRADE BASTOS/SALA/INT./TARDE

A porta de entrada da mansão se abre para a entrada de Débora. Aparentemente serena, Débora tenta limpar os vestígios de sangue das mãos esfregando-as, mas o insucesso do método não modifica o seu humor. Ela já entra em cena cantarolando.

DÉBORA (cantarolando) – Eu sou uma pessoa horrível, eu sou uma pessoa horrível, eu sou uma pessoa horrível, eu sou uma pessoa horrível…

Cassandra entra na sala de estar e vê Débora em casa. Imediatamente, ela corre até Débora, pondo-se na sua frente e lhe recebendo com uma bofetada.

DÉBORA – O que é isso, vó? Perdeu a sanidade?

CASSANDRA – A única pessoa que perdeu a sanidade aqui é você! O que é isso em suas mãos? É sangue?

DÉBORA – Sim. É sangue.

Cassandra se horroriza com o que ouve de Débora.

CASSANDRA – E admite isso com tanta naturalidade?

DÉBORA – Foi por uma boa causa.

CASSANDRA – Você definitivamente enlouqueceu…

DÉBORA – Eu finalmente me vinguei—

CASSANDRA – Não me diga que você matou a Maria!

DÉBORA – Não. Mas matei o traidor do Luís.

Cassandra se horroriza com Débora. Ela, por sua vez, sorri para a avó.

DÉBORA – Agora a senhora vai me dar licença, eu vou até o banheiro limpar o sangue das minhas mãos.

Débora vai saindo da sala, mas logo estaciona.

DÉBORA – Quase ia me esquecendo… peça para algum empregado limpar as manchas de sangue que eu deixei no carro e na porta. Não quero que essas manchas atraiam policiais até aqui.

Débora se retira da sala de estar, deixando Cassandra sozinha em cena. Abalada, ela se apoia no sofá.

CASSANDRA – Meu Deus, onde foi que eu errei?

CENA 09: CASA DE GUTO E LUCIANA/FACHADA/EXT./TARDE

Luciana se aproxima de casa e se assusta com o que vê: Luís, deitado numa maca, sendo conduzido para dentro de uma ambulância por dois paramédicos. Ela corre até a porta de casa, onde está Guto.

LUCIANA – O que houve, Guto?

GUTO – A tua best friend surtou, pegou um estilete e desceu com tudo em cima do Luís. Se a gente não tivesse agido, ela também tinha caído em cima do Dimas.

LUCIANA – Gente, tô chocada. Ela matou o Luís?

GUTO – Felizmente não. Mas ele tá muito machucado, o estado dele é grave.

LUCIANA – E o Dimas?

GUTO – Felizmente ela não teve tempo de encostar um dedo no Dimas. Quer dizer, isso não impediu dela derrubar o Luís em cima dele. Mas, pelo jeito, não aconteceu nada de muito grave com ele.

LUCIANA (baixo) – Justo o que devia ter morrido…

GUTO – O quê?

LUCIANA – Pede pra eles irem embora. O encontro acabou.

Luciana entra em casa, deixando Guto sozinho no lado de fora. A ambulância parte.

CENA 10: CASA DE ANGELO E BÁRBARA/SALA/INT./TARDE

Bárbara e Carolina estão sentadas no sofá, uma de frente para a outra, conversando.

BÁRBARA – Então, tu vai voltar a morar aqui com a gente, minha filha?

CAROLINA – Sim, mãe. Eu não vivo mais debaixo do mesmo teto que o Jonas. Achei melhor voltar pra casa dos meus pais, e levar o Felipe junto.

BÁRBARA – E como vocês vão ficar depois disso?

CAROLINA – O Jonas, com certeza, vai correr atrás da amante dele…

BÁRBARA – Então vocês se separaram por causa de um adultério?

CAROLINA (debochada) – A senhora tinha que ver o fogo com que o Jonas beijou a Helena. Parecia que os dois iam se fundir ali na minha frente. Se eles são desse jeito na frente dos outros, que dirá só os dois entre quatro paredes… só não sai fogo de verdade porque enfim…

BÁRBARA – É, casar vocês dois foi realmente uma atitude precipitada.

CAROLINA – Apesar de toda essa raiva, eu tenho que admitir que a Helena fez uma coisa certa. Ela nos mostrou o erro que a gente cometeu em se casar só por causa do Felipe. A gente tava se prendendo um ao outro sem amor. Mas agora que nós estamos separados, vamos enfim nos entregar a quem realmente amamos. No caso do Jonas, ficou bem claro que essa pessoa é a Helena.

BÁRBARA – E você?

CAROLINA – Bem, a senhora sabe que o que me impedia de dar uma segunda chance pro Júlio era o meu casamento com o Jonas. Mas agora que a gente vai se divorciar, não tenho porque não fazer isso. Eu amo o Júlio, ele me ama e está disposto a fazer valer essa segunda chance.

Bárbara se surpreende com o que ouve de Carolina.

BÁRBARA – Filha… não é por nada não, mas… acho que, por hora, tu não vai conseguir ser feliz com o Júlio.

CAROLINA – Por que não?

BÁRBARA – Porque o Júlio tá namorando.

CAROLINA – Namorando? Mas com quem?

Bárbara respira fundo, preocupando Carolina.

BÁRBARA – Comigo…

Carolina se horroriza com o que ouve de Bárbara.

CAROLINA – Mãe? O que é isso? A senhora está louca? Como assim a senhora tá namorando o Júlio?

Bárbara não responde Carolina, apenas a encara.

CAROLINA – Mãe, a senhora é uma mulher casada, muito bem casada com meu pai. Por que a senhora tá namorando o Júlio?

BÁRBARA – Eu também amo o Júlio, Carolina, e eu sei que ele me ama. Tanto é que o nosso namoro tem quase dois anos.

Carolina fica chocada.

CAROLINA – E se o pai descobre isso?

BÁRBARA – Ele nunca vai descobrir.

CAROLINA – Mãe, a senhora— a senhora— meu Deus do céu!

Carolina se vira de costas para Bárbara, tentando digerir aquilo tudo.

CENA 11: FORTALEZA/EXT./TARDE

Imagens da Avenida Mister Hull.

Imagens da Avenida General Osório de Paiva.

Imagens do Porto do Mucuripe. Anoitece.

CENA 12: HOSPITAL/RECEPÇÃO/INT./NOITE

Alice, Gabriel, Igor e Maria estão sentados em um banco na recepção, ansiosos por notícias de Luís. A mais aflita dos quatro, Maria não larga o braço de Igor, que tenta tranquilizá-la. Um médico aproxima-se deles, que imediatamente se levantam, encarando-o.

MARIA – E então, doutor? Como está o meu irmão?

MÉDICO – As perfurações não foram tão profundas, mas produziram belos estragos. Detectamos danos em alguns órgãos como o pulmão, o estômago, a bexiga e o fígado. Nesse momento, o paciente passa por uma cirurgia a fim de reconstruir os órgãos e tecidos danificados. Por hora, essas são as informações que temos.

GABRIEL – Muito obrigado, doutor. Mantenha-nos sempre informados.

MÉDICO – Claro.

E assim, o médico se retira de cena. Ainda mais abalada, Maria se abraça em Igor.

ALICE – Eu ainda não acredito que a minha sobrinha foi capaz dessa barbaridade.

IGOR – Nenhum de nós acredita, mãe. A Débora é uma completa desequilibrada, deveria ser retirada de circulação e se internar num manicômio.

GABRIEL – Isso já é caso de polícia. Ela deve ser presa para pagar pelo que fez.

MARIA (chorando) – Se o meu irmão morrer, eu juro que vingo cada furada que ela deu nele.

ALICE – Não, Maria, não faça isso. Você não pode fazer isso.

MARIA – Eu não me importo se eu for presa depois de matar aquela vagabunda. Eu vingo a morte do meu irmão e vou pra cadeia feliz da vida.

Alice e Gabriel se entreolham, apavorados com o que ouviram de Maria.

CENA 13: DELEGACIA/SALA DO DELEGADO/INT./NOITE

Guto e Luciana foram intimados a prestar depoimento. Eles estão sentados, de frente à mesa do delegado.

DELEGADO – O que aconteceu naquela tarde?

LUCIANA – Eu não posso falar com propriedade porque eu estava ausente durante os acontecimentos. O meu colega de quarto pode falar.

GUTO – Sim, seu delegado. Eu não cheguei a acompanhar ou entender muito bem o motivo, mas eu sei exatamente o que aconteceu. A Débora estava gritando com o Luís Eduardo e com o Dimas, estava fora de si porque achou que o Dimas estava se insinuando para o Luís Eduardo.

DELEGADO – Então, o que aconteceu na sua casa foi um crime passional?

GUTO – Exatamente, seu delegado. A Débora e o Luís Eduardo eram amantes, mas ele estava cogitando terminar o relacionamento. Ela não aceitou, e ainda pensou que o Dimas estava se insinuando para ele. Com certeza, isso a motivou a cometer este crime.

DELEGADO – Gustavo Castela, você confirma que a arma do crime foi um estilete?

GUTO – Sim, seu delegado. Inclusive eu a trouxe.

Guto põe o estilete, envolvido em um saco plástico, em cima da mesa do delegado.

GUTO – Aí tem as digitais da Débora, mas deve ter as digitais de outras pessoas. O Luís tentou impedir os ataques dela e deve ter encostado na arma. E o Júlio também encostou, quando foi desarmá-la.

DELEGADO – Certo, então. Vocês estão dispensados. Qualquer coisa, eu volto a chamá-los para prestar depoimento.

GUTO e LUCIANA – Com licença, seu delegado.

Guto e Luciana se levantam e vão embora.

CENA 14: CASA DE JÉSSICA/QUARTO DE JÚLIO/INT./NOITE

Júlio está deitado na cama, de barriga pra baixo, com as mãos apoiando o queixo. Pensativo, com o olhar distante. Batem à porta.

JÚLIO – Pode entrar.

A porta se abre para a entrada de Bárbara e Carolina. A expressão delas não é das boas. Júlio se assusta ao perceber isso.

CAROLINA – Nós precisamos conversar, Júlio.

JÚLIO – Carolina—

CAROLINA – Com certeza tu já entendeu qual é o motivo da conversa. Por isso vou ser bem direta, Júlio. Escolha: ou você fica com a minha mãe, ou você fica comigo.

Júlio encara Carolina, assustado. A cena congela em um efeito preto-e-branco no rosto de Júlio.

FIM DO TRIGÉSIMO PRIMEIRO CAPÍTULO.

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14 thoughts on “Mundos Opostos – Capítulo 31 (últimos capítulos)

  1. Débora pirou de vez, Bárbara revelou para Carolina que tem um caso com Júlio
    Sem palavras depois desse capítulo
    Parabéns, Glay

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  2. DÉBORA – Louca eu vou ficar quando marcar eu matá-los.

    Débora, uma Dressa Vamp?

    Sofrendo com o machismo do Igor. A culpa da traição é da Helena? A Helena era livre e desimpedida. Tá certo que não é certo beijar um homem casado, mas se a Helena tem culpa, o Jonas tem muito mais… ele que era comprometido, ele que não devia ter beijado a Helena.

    Débora enloqueceu de vez, gggg. Confesso que achei essa loucura dela um pouco repentina demais.

    JURA QUE TU NÃO SABE ONDE FOI QUE TU ERROU, CASSANDRA?

    Meu Deus, coitada da Carolina…

    Ai, não sei se torço pro Júlio ficar com a Carolina ou com a Bárbara. Não curto muito a ideia de ele ficando com a Carolina, mas a ideia de ele ficando com a Bárbara enquanto ela é casada com o Flopangelo também não me apetece…

    Ótimo capítulo, mana. Para & béns :*

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  3. Débora esta realmente louca! Esse acidente nn caiu muito bem pra ela não. Ela esta pior do que nos capítulos iniciais quando atacava os outros com apenas palavras, estou bastante surpreso com isso. Pode se dizer que ela sentiu mesmo algo por Luís? Essa atitude dela mostrou que sim pois se fosse apenas por causa de Maria e Igor, acho que ela se envolveria com o jovem apenas por envolver e depois atacar Maria, a responsável principal pra toda essa sua loucura. Dimas esta um pouquinho com Júlio, Luís, já ficou com Ricardo… Sinceramente, não sei o que ou quem ele quer. A morte de Luís seria algo difícil, mas acredito que isso seja possível e daí teremos uma verdadeira guerra entre duas cobras: Maria X Débora. Entre facas, espadas, tapas, e etc…

    Parabéns pelo capítulo, Glay! Reta final bem atraente. 😀

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  4. Gente a Débora ta cada vez mais louca.. kkk Qual será a escolha de Júlio.. RS Parabéns Glay mais um capítulo divino como sempre.

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