Mundos Opostos – Capítulo 32 (Últimos Capítulos)

Mundos OpostosCENA 01: CASA DE JÉSSICA/QUARTO DE JÚLIO/INT./NOITE

Júlio está deitado na cama, de barriga pra baixo, com as mãos apoiando o queixo. Pensativo, com o olhar distante. Batem à porta.

JÚLIO – Pode entrar.

A porta se abre para a entrada de Bárbara e Carolina. A expressão delas não é das boas. Júlio se assusta ao perceber isso.

CAROLINA – Nós precisamos conversar, Júlio.

JÚLIO – Carolina—

CAROLINA – Com certeza tu já entendeu qual é o motivo da conversa. Por isso vou ser bem direta, Júlio. Escolha: ou você fica com a minha mãe, ou você fica comigo.

Júlio encara Carolina, assustado. Ele se levanta da cama e encara mãe e filha. Bárbara demonstra temor, enquanto Carolina demonstra temeridade.

JÚLIO – Carolina, as coisas estão acontecendo rápido demais. Se tu soubesse o que aconteceu hoje à tarde—

CAROLINA – Pouco me importa o que aconteceu hoje à tarde. O que importa é que tu precisa decidir entre eu ou a minha mãe pra ser a mulher da tua vida. Tu deu muito amor e carinho pra nós duas, mas vai ter que escolher só uma pra poder te retribuir tudo isso pelo resto da vida.

BÁRBARA – E nós duas estamos dispostas a fazer isso. Se tu escolher pela Carolina, ela vai dar o melhor dela pra te fazer feliz. E se tu escolher por mim, eu vou me separar do Angelo e dar o meu melhor pra te fazer feliz.

Antes que Júlio dê alguma resposta, Jéssica entra no quarto, aparentemente aflita.

JÚLIO – O que foi, mãe?

JÉSSICA – É a polícia.

Bárbara e Carolina se assustam com o que ouvem, enquanto Júlio não demonstra nenhuma alteração no seu humor.

JÉSSICA – Eles querem que tu vá prestar depoimento.

Júlio encara Bárbara e Carolina, com a mesma expressão neutra.

JÚLIO – Eu não vou poder atender vocês duas agora, nem vou ter cabeça pra fazer isso hoje. Por favor, me procurem amanhã.

E assim, Júlio se retira do quarto, deixando Bárbara, Carolina e Jéssica a sós em cena.

BÁRBARA – O que aconteceu?

JÉSSICA – Vocês souberam que teve um encontro da Corrente lá na casa da Luciana?

CAROLINA – Ah, os encontros com os garotos.

JÉSSICA – Pois é, o Júlio me contou que o encontro foi interrompido pela Débora. Ela invadiu a casa e tentou atacar o Dimas e o Luís com um estilete. Felizmente o Dimas saiu ileso, mas o Luís tá no hospital em estado grave.

Bárbara e Carolina se chocam com o que ouvem de Jéssica.

JÉSSICA – Como o Júlio presenciou esse crime e foi dele a ideia de chamar a polícia, então agora ele vai até a delegacia prestar depoimento.

Bárbara e Carolina se entreolham, ainda chocadas.

CENA 02: CASA DE GUTO E LUCIANA/COZINHA/INT./NOITE

Guto e Luciana estão sentados à mesa. Guto ainda demonstra tensão, enquanto Luciana demonstra estar bem mais tranquila.

LUCIANA – Amanhã pela manhã, nós vamos até o hospital. Vamos ver como o Luís está.

GUTO – Vá sozinha. Eu não tenho coragem pra ver o Luís.

LUCIANA – Seu frouxo.

GUTO – Luciana, eu vi a Débora furando o Luís na minha frente. Eu vi aquele estilete cortando a pele do Luís um monte de vezes, ele gritando de dor—

Guto interrompe a sua fala e põe a mão na boca. Ele quase passa mal.

LUCIANA – Achei que você fosse mais forte… não é você quem bate no peito e diz que é macho?

GUTO – Não é porque eu sou macho que eu não tenho sentimentos.

LUCIANA – Tá bom, então. Se você não for, eu vou. Afinal, nós precisamos dar o nosso apoio à família da vítima, por mais simples que seja o apoio.

Guto se levanta da mesa e vai para o corredor. A sós em cena, Luciana não resiste e começa a rir de Guto.

CENA 03: CASA DE JÉSSICA/CORREDOR/INT./NOITE

Bárbara e Jéssica estão conversando no corredor.

BÁRBARA – Eu gosto muito do seu filho, Jéssica, e eu sei que ele gosta muito de mim. Eu sei que ele me ama, mas não sei se ele ama mais a mim ou à minha filha.

JÉSSICA – Quando foi que tu começou a namorar com o meu filho?

BÁRBARA – Nós começamos a namorar há uns dois anos, mais ou menos. Foi pouco tempo depois que a Carolina descobriu que o Felipe era filho do Jonas. Verdade, estávamos carentes, mas quando pusemos as coisas na balança, vimos que ali havia amor. Se não houvesse, nosso caso não duraria tanto.

JÉSSICA – E o Angelo?

BÁRBARA – A verdade é que eu nunca me senti verdadeiramente amada pelo Angelo. O nosso amor se apagou ainda nos primeiros meses de casamento, e foi esfriando cada vez mais com o passar dos anos… pra falar a verdade, nós saímos de Aquiraz por minha causa. Eu convenci o Angelo a se mudar pra Fortaleza porque eu queria fugir do meu amante.

Jéssica se surpreende com o que ouve de Bárbara, mas não exterioriza isso.

JÉSSICA – Não estranharia se tu dissesse que a Carolina não é filha do Angelo.

BÁRBARA – A Carolina é sim filha do Angelo. E o irmão dela também.

JÉSSICA – Nem lembrava que a Carolina tinha um irmão…

BÁRBARA – Foi por causa dele que eu casei com o Angelo. Eu me casei com ele grávida do Dagoberto.

JÉSSICA – Vocês se casaram por causa de filho… por isso…

BÁRBARA – O meu casamento com o Angelo tá tão gelado que a gente nem se comporta mais como marido e mulher. Nos últimos meses, o Júlio fazia mais papel de marido do que o Angelo. Sinceramente, eu torço para que o Júlio me escolha. Eu tô precisando disso pra ganhar coragem pra me separar do Angelo.

JÉSSICA – Então, tu tá disposta a lutar contra a tua própria filha pelo coração do Júlio?

BÁRBARA – Se precisar, eu esqueço que a Carolina é a minha filha e jogo baixo.

Jéssica se surpreende com o que ouve de Bárbara.

CENA 04: DELEGACIA/SALA DO DELEGADO/INT./NOITE

Júlio está sentado, em frente à mesa do delegado, prestando esclarecimentos.

DELEGADO – Júlio Azul de Souza Mendes, você confirma que Gustavo Castela não faltou com a verdade em momento algum nesse depoimento?

JÚLIO – Sim, seu delegado. É tudo verdade. A Débora atacou o Dimas e o Luís porque achou que o Luís queria se separar dela pra ficar com ele. Era um mal entendido, mas ganhou as proporções que ganhou porque a Débora se deixou cegar pelos ciúmes. Para ser sincero, seu delegado, eu me surpreendi com a atitude da Débora, porque eu achava que ela estava se envolvendo com o Luís para atingir a irmã dele.

DELEGADO – Como assim? Conte mais…

JÚLIO – A irmã do Luís, a Maria, tá namorando com o ex-noivo da Débora, Pedro Igor Pires Andrade da Costa.

DELEGADO – Sim, conheço um pouco dessa história, você me contou sobre ela quando depôs sobre o acidente da Débora e do Dimas. Mas o que lhe leva a afirmar que a Débora se envolveu com o Luís para atingir a Maria?

JÚLIO – Nada além de suposições. Suposições minhas e suposições dos outros, inclusive da própria Maria e do próprio Luís.

DELEGADO – Gustavo Castela nos disse que você tocou na arma do crime. É verdade?

JÚLIO – Sim, seu delegado. Como eu bem disse, o Gustavo não faltou com a verdade em momento algum no seu depoimento. Eu deixei minhas impressões digitais naquele estilete única e exclusivamente com a intenção de desarmar a Débora e impedir que ela machucasse mais alguém. Não vi outra opção de desarmá-la sem tocar no estilete.

DELEGADO – Certo. Está dispensado. Qualquer coisa, voltamos a procurá-lo para prestar esclarecimentos.

JÚLIO – Com licença.

Júlio se levanta da cadeira e sai da sala.

CENA 05: DELEGACIA/FACHADA/EXT./NOITE

Júlio sai da delegacia. Ele já não segura mais as lágrimas. Maurício, encostado no seu carro, imediatamente caminha em direção ao afilhado e lhe recebe com um abraço.

JÚLIO (chorando) – Desculpa, padrinho… eu sou um fraco mesmo…

MAURÍCIO – Não diz isso, Júlio, não diz isso…

Júlio e Maurício se apartam do abraço. Júlio enxuga suas lágrimas.

MAURÍCIO – Tudo vai dar certo, Júlio, não se preocupa, tá?

JÚLIO – Prometo que eu vou tentar. Não garanto nada além da tentativa. (respira fundo) Padrinho, se depois da tempestade vem a bonança, o que é que vem depois do Furacão Katrina?

Maurício ri da pergunta de Júlio, que ri junto.

MAURÍCIO – A felicidade plena.

Júlio e Maurício se dirigem ao carro.

CENA 06: CASA DE LUCIANA/SALA/INT./NOITE

Jair e Ricardo estão em pé no meio da sala, um de frente para o outro, conversando.

JAIR – Tu terminou com a Luciana?

RICARDO – Sim, tio Jair. Terminei.

JAIR – Mas por quê? Poxa, vocês formavam um casal tão lindo…

RICARDO – Porque eu não sabia quem a Luciana era de verdade.

JAIR – Ela te traía com outro?

RICARDO – Antes fosse. Pior do que isso.

JAIR – Ela é uma criminosa?

RICARDO – Ah, tio, não é pra tanto.

JAIR – Então o que foi que ela fez de tão grave pra merecer o teu desprezo?

RICARDO – Não parece óbvio? O que mais me irrita numa pessoa?

Jair raciocina, e não demora muito para chegar a uma conclusão.

JAIR – Ela falou mal dos homossexuais…

RICARDO – Entende agora, tio? Entende agora por que eu terminei com ela?

JAIR – Sinceramente, achei precipitado. Tu deve ter interpretado mal o que ela disse, ou então ela falou da boca pra fora—

RICARDO – Não, tio. Eu entendi perfeitamente o que ela disse, e não foi da boca pra fora. Foi com a mesma propriedade de quem diz que dois mais dois são quatro. Ela praticamente me chamou de aberração. Eu não vou querer me envolver com uma pessoa que acha que eu sou uma aberração.

JAIR – Mas Ricardo—

RICARDO – Nada vai me fazer voltar a olhar na cara daquela vagabunda. Se eu ver ela na minha frente, eu sou capaz de cuspir na cara dela.

JAIR – Por favor, Ricardo, não seja tão radical!

RICARDO – Radical? Eu tô sendo é coerente comigo mesmo.

JAIR – Só espero que tu não faça a mesma coisa que tu fez quando terminou com a Bianca. Não vou aguentar ver tu fugindo de mulher como o diabo foge da cruz e cair nos braços de outro homem. Isso é um retrocesso—

RICARDO – Os quinze meses que eu passei namorando com o Dimas formaram a época mais feliz da minha vida. O Dimas me deu algo que nenhuma mulher foi capaz de me dar, que é amor.

JAIR – E a tua mãe, Ricardo?

RICARDO – Amor de mãe é diferente. E, definitivamente, eu prefiro sim fugir de mulher como o diabo foge da cruz. Porque todas as mulheres com as quais eu me envolvi se revelaram verdadeiras vadias desprezíveis. A única pessoa que eu amei e que me amou foi o Dimas.

JAIR – Isso não é amor—

RICARDO – Foi exatamente isso o que a Luciana disse pra mim. Por favor, tio, não queira que eu te odeie do mesmo jeito que agora eu odeio a Luciana.

Jair e Ricardo ficam em silêncio, encarando-se.

CENA 07: FORTALEZA/EXT./NOITE

Imagens da Avenida Duque de Caxias.

Imagens da Avenida Heráclito Graça.

Imagens da Avenida dos Expedicionários.

Imagens do Aeroporto Internacional Pinto Martins. Amanhece e entardece.

CENA 08: HOSPITAL/RECEPÇÃO/INT./TARDE

Luciana chega ao hospital e logo encontra Alice e Maria na recepção. Ela se aproxima das duas e a cumprimenta com beijos no rosto.

LUCIANA – Alguma notícia do Luís?

MARIA – Só sabemos que ele passou por uma cirurgia ontem à noite. Mas até agora não sabemos mais nada. Viemos até aqui para saber dele.

LUCIANA – Eu sinto muito pelo que aconteceu com ele.

MARIA – Obrigada, Luciana…

Luciana e Maria sorriem uma para a outra. Nesse momento, Carolina, Dimas, Jonas, Júlio e Ricardo chegam ao hospital. Ao verem Luciana ali, eles imediatamente estacionam.

JONAS – A gente volta em outra hora…

MARIA – Não, não precisa…

LUCIANA – Não se acanhem por minha causa. Podem vir até aqui prestar condolências à família do Luís. Eu não vou fazer nada para impedi-los.

Cautelosamente, os cinco se aproximam de Alice e Maria sem chegar perto de Luciana. Após falar com as duas, Júlio afasta-se e chega perto de Luciana.

JÚLIO – E aí, Luciana? Curtindo muito a tua derrota?

LUCIANA – Não. Eu perdi a batalha, mas não perdi a guerra. Ainda tenho como contra-atacar.

JÚLIO – Aceita logo que perdeu a guerra. Vai doer menos.

LUCIANA – Eu não entro numa guerra pra perder. Ou eu ganho, ou ninguém ganha.

Ricardo se aproxima de Luciana, com um farto sorriso no rosto.

LUCIANA – Vejo que você está ficando cada vez mais próximo do Dimas… já arranjou um substituto pra mim, né?

RICARDO – Estou apenas tentando reverter um erro que nós dois cometemos, que foi nos separar no momento em que ele mais precisava de mim.

LUCIANA – Vem cá, e se o Dimas descobrisse que a gente começou a namorar antes mesmo do acidente?

Imediatamente, o sorriso se desmancha do rosto de Ricardo, sendo “transferido” para o de Luciana.

RICARDO – Tu não vai fazer isso…

LUCIANA – Ah, vou… se tu não for feliz comigo, não vai ser com mais ninguém. Eu vou fazer tudo o que estiver ao meu alcance para estragar a sua felicidade. Nem que pra isso eu tenha que imitar a Débora e sujar as minhas mãos de sangue.

Júlio e Ricardo se entreolham, chocados com o que ouvem de Luciana, que os encara com um sarcástico sorriso no rosto.

CENA 09: CASA DE MAURÍCIO E TALITA/QUARTO DE VENÂNCIO/INT./TARDE

Venâncio está deitado na cama, de barriga pra baixo, mexendo no seu celular. A porta do quarto se abre para a entrada de Vinícius. Ele se alegra ao ver o sorriso no rosto do irmão.

VINÍCIUS – Ei, maninho. O que aconteceu pra você estar tão feliz assim?

VENÂNCIO – Eu tô conversando com aquele meu amigo, o Venâncio.

VINÍCIUS – Eu nunca vi esse Venâncio lá no colégio… onde é que vocês conversam?

VENÂNCIO – Eu saio mais cedo que tu da aula, né? Pois bem, enquanto eu espero a tua aula acabar, eu fico lá na portaria conversando com ele. Foi ele quem me ensinou a jogar Pokémon Go, sabia?

VINÍCIUS – Já desconfiava. Porque pra você ter começado a jogar esse jogo do nada, um jogo que nunca te interessou…

VENÂNCIO – Hoje, eu falei com ele e perguntei se eu podia conhecer a casa dele. Ele disse que ia me mostrar a casa dele hoje à tarde, quando eu chegasse do hospital.

VINÍCIUS – Falando nisso, eu vim aqui pra te apressar, porque a gente já tá se aprontando. Termina essa conversa aí, vai tomar banho e se arrumar, tá?

VENÂNCIO – Tá.

Venâncio larga o celular em cima da cama e se levanta, saindo do quarto e deixando Vinícius ali sozinho. Movido pela curiosidade, Vinícius pega o celular do irmão e começa a visualizar as mensagens. Ele estranha o teor daquela conversa.

VINÍCIUS – Que estranho…

CENA 10: FORTALEZA/EXT./TARDE

Imagens da Praia de Iracema.

Imagens da Avenida General Osório de Paiva.

Imagens da Avenida 13 de Maio.

CENA 11: CASA DE JÉSSICA/SALA/INT./TARDE

Luciana entra na casa de Jéssica. Jéssica, vinda da cozinha, se surpreende com a presença de Luciana lá e logo fecha a cara.

JÉSSICA – O que é que tu quer aqui na minha casa?

LUCIANA – Boa tarde pra senhora também, dona Jéssica.

JÉSSICA – Fala logo o que tu quer.

LUCIANA – Cadê o Júlio?

JÉSSICA – Tá lá no quarto dele—

Antes que Jéssica termine de falar, Luciana passa por ela e sobe as escadas. Jéssica tenta impedi-la, mas fracassa. Irritada, ela volta para a sala e começa a passar as mãos pelos cabelos.

CENA 12: CASA DE JÉSSICA/QUARTO DE JÚLIO/INT./TARDE

Luciana abre a porta do quarto. Ela se surpreende ao ver que está tudo vazio. Ela fica quieta e começa a ouvir barulho de chuveiro: alguém está tomando banho. O barulho cessa. Luciana se senta na cama e olha fixamente para a porta aberta. Depois de algum tempo, Júlio entra no quarto, todo molhado e com uma toalha amarrada na cintura. Ele se assusta ao ver Luciana ali dentro do quarto.

JÚLIO (assustado) – O que é que tu tá fazendo aqui, Luciana?

Luciana não esconde sua excitação em ver Júlio daquele jeito.

LUCIANA – Enfim eu consegui entender o que é que a Carolina e a mãe dela veem em você…

JÚLIO – Sai do meu quarto, Luciana. Sai daqui antes que eu te jogue da janela pra ver se galinha voa de verdade ou não.

Luciana se levanta da cama e vai até a porta. Para a surpresa de Júlio, ela fecha a porta e a tranca.

LUCIANA – Uma vez eu ouvi a Carolina falar que, quando ela perdeu a virgindade contigo, tu tava exatamente assim, enrolado numa toalha, recém-saído do banho.

Luciana solta uma risada maliciosa, irritando Júlio. Ela se aproxima de Júlio, o empurra na parede e encosta seu corpo no dele.

LUCIANA – Agora eu fiquei curiosa pra saber… você é realmente essas Coca-Cola toda pra ter mãe e filha babando por ti?

Luciana tenta beijar Júlio, mas ele a empurra.

JÚLIO – Sai do meu quarto, Luciana. Me deixa em paz. Não tá satisfeita com o que tu fez comigo pra tentar separar o Dimas do meu primo?

LUCIANA – Eu nunca vou ficar satisfeita. Quer dizer…

Luciana empurra Júlio em cima da cama e deita em cima do colo dele. Inevitavelmente, a excitação vem e Júlio afunda a cabeça no colchão.

JÚLIO – Para com isso, Luciana… eu não vou aguentar…

LUCIANA – Mas a ideia é justamente essa…

Luciana deita por cima de Júlio, que não se controla e agarra Luciana. Os dois se beijam vorazmente e começam a se despir de todas as suas peças de roupa. A cena vai escurecendo lentamente.

CENA 13: HOSPITAL/RECEPÇÃO/INT./TARDE

Alice, Dimas, Maria e Ricardo estão na recepção, esperando por notícias de Luís. Nesse momento, chegam ao hospital Angelo, Bárbara, Maurício, Vinícius e Venâncio. Enquanto eles cumprimentam os personagens que já estavam em cena, o médico responsável pelo caso de Luís chega à recepção, chamando a atenção deles.

MARIA – E então, doutor? Qual o estado do meu irmão?

MÉDICO – A cirurgia foi um sucesso. Conseguimos reparar os danos mais graves. Ele passará os próximos dias internado para observação, mas por hora ele já recebe visitas. Aconselho que seja uma visita por vez.

Maria sorri para o médico e se oferece para ser a primeira.

MARIA – Eu posso ser a primeira.

MÉDICO – À vontade.

CENA 14: HOSPITAL/QUARTO/INT./TARDE

Luís está deitado na cama. Ele ainda ostenta vários ferimentos em várias partes do corpo, mas está consciente. A porta do quarto se abre para a entrada de Maria. A moça não segura as lágrimas.

MARIA – Meu irmão…

LUÍS (baixo) – Oi, Maria…

MARIA – Olha o que ela fez com você…

LUÍS – O que importa é que ela não conseguiu me matar.

MARIA – Não se preocupe, Luís, ela vai pagar pelo que ela está fazendo com a gente.

LUÍS – Por favor, Maria, não faça nada contra ela. Eu sei que ela merece, mas… deixe que a polícia faça ela pagar.

MARIA – Ela vai pagar por esse crime atrás das grades, mas eu farei questão de trazer uma mensagenzinha para ela.

LUÍS – Eu te peço, minha irmã, não faça isso. Não alimente ainda mais essa história. Senão, alguém vai acabar morrendo de verdade.

Maria sorri para Luís.

MARIA – Tudo bem… eu vou atar as minhas mãos, por ti. Vou deixar que apenas a polícia trate de punir a Débora.

Com dificuldades, Luís sorri para Maria, que se emociona ainda mais ao ver esse sorriso colorir o ferido rosto do seu irmão de criação.

CENA 15: HOSPITAL/RECEPÇÃO/INT./TARDE

Maria volta para a recepção, na companhia do médico. Ela corre até Alice e a abraça, permitindo-se chorar a vontade no seu ombro.

MÉDICO – Mais alguém gostaria de ver o paciente?

Dimas levanta a mão.

DIMAS – Na verdade, eu queria falar com o senhor, doutor.

MÉDICO – Pois não?

DIMAS – O senhor deve se lembrar do meu caso. Eu sofri um acidente de trânsito e perdi o movimento das pernas. Inclusive foi o senhor quem anunciou à minha família a minha paraplegia. Não sei se alguém chegou a tocar nesse assunto, mas eu gostaria de tocar nele agora.

MÉDICO – E o que seria?

DIMAS – O meu quadro é reversível? Eu tenho chances de voltar a andar?

Silêncio em cena por alguns segundos. Dimas e Ricardo ficam tensos.

MÉDICO – Realmente, ninguém tocou nesse assunto até esse momento. Essa pergunta eu não posso lhe responder agora. Mas, se você quiser, nós podemos realizar alguns exames para analisar as possibilidades de reverter o seu quadro de paraplegia.

Dimas e Ricardo trocam um sorriso esperançoso. Em seguida, eles olham para Alice e Maria.

DIMAS – Vocês sabem que nós não temos condição de bancar isso tudo. Seria pedir demais que vocês fizessem esse favor por mim?

ALICE – Por você, nós fazemos tudo, Dimas. Você é uma pessoa muito especial para todos nós.

Dimas e Ricardo sorriem para Alice, que devolve o gesto.

CENA 16: MANSÃO ANDRADE BASTOS/SALA/INT./TARDE

Tocam a campainha. Cassandra se levanta do sofá e vai até a porta para atender. Ela atende e se surpreende ao ver dois policiais.

CASSANDRA (surpresa) – Pois não?

POLICIAL – Débora Matias Andrade Bastos?

CASSANDRA – É a minha neta. Ela está em seu quarto.

POLICIAL – Temos um mandado de prisão preventiva contra a sua neta. Precisamos levá-la em custódia até a delegacia.

Nesse momento, Débora surge no alto da escada e estaciona ao ver os policiais.

CASSANDRA – Do que se trata?

POLICIAL – Sua neta está sendo acusada de tentativa de homicídio contra Luís Eduardo da Costa.

Os três se viram na direção do alto da escada, onde está Débora. Abalada, a moça deixa cair uma lágrima.

DÉBORA – Eu não acredito que a senhora me entregou, vó…

Cassandra caminha até Débora, no alto da escada.

CASSANDRA – Não fui eu quem lhe entreguei. Mas eu agradeço muito à pessoa que fez a denúncia. Você cometeu um crime e deverá ser punida, e não é porque você é minha neta que eu devo protegê-la de tudo. Eu não posso obstruir a justiça.

DÉBORA – Eu te odeio, vó.

CASSANDRA – Os policiais têm um mandado de prisão preventiva e vão lhe levar à delegacia agora. Eu peço que você não resista à prisão, porque vai ser pior pra você.

Cassandra segura as mãos de Débora, mas ela se solta. Cassandra tenta levar Débora à força, mas a moça se solta e empurra Cassandra. Desequilibrada, Cassandra cai e começa a rolar as escadas da mansão, sob os assustados olhares de Débora e dos policiais.

Assim que Cassandra chega ao chão, um dos policiais entra e começa a socorrer Cassandra, buscando sinais vitais. Ele fracassa. Em seguida, ele se levanta e aponta o dedo para Débora.

POLICIAL – Você está presa em flagrante por homicídio!

A cena congela em um efeito dourado no rosto de Débora.

FIM DO TRIGÉSIMO SEGUNDO CAPÍTULO.

32 thoughts on “Mundos Opostos – Capítulo 32 (Últimos Capítulos)

  1. Gente… Luciana indo atrás de Júlio? Nunca imaginei que ela chegaria a esse ponto. Essa semana as coisas estão mais difíceis de desvendar, pois, Júlio pode ficar tanto com Carolina, quanto com Bárbara nessa reta final. Acredito que ele fique sozinho após esse beijo de Luciana, mas será que alguém vai flagrar o momento? Débora esta se prejudicando cada vez mais, coitada. A moça nn merecia isso, de verdade. Ela jogou Cassandra da escada? Socorro! Se ela for presa, creio eu que ela foge e apronta ainda mais nesses últimos capítulos. Parabéns, Glay! 😀

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