Mundos Opostos – Capítulo 34 (Antepenúltimo Capítulo)

Mundos OpostosCENA 01: CASA DE MAURÍCIO E TALITA/SALA/INT./NOITE

Angelo, Bárbara, Dimas, Maurício, Ricardo e Vinícius observam Talita mexer no celular de Venâncio. Ela joga o celular no sofá, frustrada.

TALITA – Não encontrei nada…

Um barulho de buzina chama a atenção deles, que olham para a janela. Bárbara se aproxima da janela e percebe que um Gol G2 estacionou em frente à casa. As duas portas dianteiras se abrem e, da porta traseira, sai Venâncio.

BÁRBARA – Gente, ele chegou.

MAURÍCIO – Ótimo, agora vamos ver quem é esse tal Venâncio.

Bárbara abre a porta para a entrada dos dois. Imediatamente, a câmera corta para Dimas e Ricardo, que se surpreendem ao saber quem é o Venâncio de quem o garoto falava.

RICARDO – Não acredito…

DIMAS – Quer dizer então que você é o Venâncio?

A câmera passa a focar Venâncio, que encara Dimas e Ricardo com estranheza. Ele, então, olha para o rosto do outro Venâncio: a câmera passa a focar o seu rosto. Trata-se do delegado Venâncio Azevedo, que ostenta um sorriso amarelo.

AZEVEDO – Sim… sou eu mesmo…

Dimas e Ricardo encaram Azevedo com profundo ódio.

VENÂNCIO – Eu ia passar a noite lá na casa do Venâncio, mas ele achou que era melhor me levar aqui pra casa de volta.

TALITA – Fez muito bem. Venâncio, vá para o seu quarto, precisamos conversar com o seu amiguinho.

Venâncio obedece prontamente a madrasta.

DIMAS – Primeiramente, pode ir tirando essa sua máscara de bom moço. Eu e o Ricardo sabemos exatamente que tipo de pessoa doente você é.

MAURÍCIO (surpreso) – O que é isso, Dimas? Não é pra tanto…

RICARDO – Se vocês soubessem o que a gente sabe, estariam do nosso lado. E fariam de tudo para evitar que o meu primo volte a ver esse homem.

AZEVEDO – Não, o Venâncio não merece ter cerceado o seu direito de se socializar.

RICARDO – A questão não é essa. Não quero cercear o direito do meu primo de se socializar, o que eu quero é evitar que ele se socialize com pessoas que representam uma ameaça à integridade física dele.

BÁRBARA – Não exagera, Ricardo.

TALITA – Venâncio, o fato é que nós não estamos gostando da maneira com a qual você está se envolvendo com o meu enteado. Você o tirou das nossas vistas sem qualquer explicação, nos deixou ainda mais preocupados com uma mensagem dele que nos fez pensar que você o tinha sequestrado, e agora aparece aqui com ele como se nada tivesse acontecido.

AZEVEDO – Eu posso explicar tudo isso de maneira satisfatória.

MAURÍCIO – Pode se explicar.

AZEVEDO – Eu estava visitando um amigo, que mora perto do hospital. Quando eu saí, eu encontrei ele do lado de fora do hospital e me ofereci para levá-lo até a casa dele. E como eu já havia prometido a ele que mostraria a minha casa a ele, ele me convenceu a cumpri-la.

ANGELO – Mas o Venâncio desapareceu à tarde e você só o trouxe aqui à noite. Acaso você mora em outra cidade ou sua casa é tão grande assim pra ter gastado 6 horas nisso?

AZEVEDO – O Venâncio queria dormir na minha casa. Tanto é que ele fez um vídeo pra tranquilizar vocês, avisando que ele estava bem e que iria passar a noite na minha casa. Eu deixei, porque eu imaginei que vocês tinham permitido. Mas quando eu descobri que ele só deixou mensagem, sem ser respondido, eu decidi levá-lo até aqui, o convenci de que eu não podia deixá-lo em minha casa sem que os pais dele soubessem.

Angelo e Vinícius já se quedam convencidos das respostas de Azevedo. Bárbara, Maurício e Talita demonstram dúvidas, enquanto Dimas e Ricardo permanecem completamente ariscos contra Azevedo.

ANGELO – É… faz sentido…

AZEVEDO – Alguém tem mais alguma pergunta, alguma dúvida?

BÁRBARA – Por hora, nenhuma.

VINÍCIUS – Eu também não. Pai?

MAURÍCIO – Não. Estou convencido. E você, querida?

TALITA – Também não.

DIMAS – Eu tenho.

Azevedo e Dimas se encaram. O delegado não se intimida com o olhar carregado de rancor do cadeirante.

DIMAS – Você não fez nada contra o Venâncio?

AZEVEDO (surpreso) – Não. Não fiz nada, não levantei a mão contra ele em momento algum, nem mesmo em pensamento. Por que a pergunta?

DIMAS – Já disse, tira essa máscara de bom moço e cidadão de bem que a mim você não engana. Eu sei muito bem que você é capaz de fazer coisas piores do que simplesmente levantar a mão contra uma criança.

VINÍCIUS – Dimas, para com isso. O Venâncio já se explicou. Tudo não passou de um mal entendido.

RICARDO – Sério, Dimas, para. Eles não vão acreditar na gente.

DIMAS – Mas Ricardo—

RICARDO – Vamos embora, Dimas…

Inconformado, Dimas bufa de raiva e permite que Ricardo o conduza até o lado de fora da casa de Maurício e Talita. Todos se entreolham, surpresos com a reação explosiva de Dimas.

MAURÍCIO – Me desculpe, Venâncio…

AZEVEDO – Não precisam se desculpar. Eu o entendo. Ele ainda deve estar ressentido comigo por causa desse mal entendido, ainda deve estar de cabeça quente. Paciência…

MAURÍCIO – Certo. Muito obrigado, Venâncio.

AZEVEDO (sorrindo) – De nada. Desculpem-me pelo transtorno.

Azevedo sorri para Angelo, Bárbara, Maurício, Talita e Vinícius. Em seguida, ele se vira de costas e se retira da casa, deixando-os sozinhos em cena.

VINÍCIUS – Pronto. Tudo resolvido. Foi só um mal entendido causado pela falta de comunicação. Se a gente tivesse olhado o celular da Talita antes, a gente tinha evitado essa cena.

TALITA – Verdade.

BÁRBARA – Sinceramente? Eu não acho que o Dimas ainda esteja magoado com o outro Venâncio. Deve ter algo a mais ali que a gente não saiba.

MAURÍCIO – Eu não. Eu acho sim que ele ainda tá magoado com ele.

BÁRBARA – Mas o que vai acontecer depois disso?

TALITA – Não parece claro? Nada. Foi provado que foi só um mal entendido, um julgamento precipitado. O Venâncio salvou o nosso pequeno de sofrer as consequências da nossa própria imprudência.

Angelo e Bárbara encaram Talita, que sorri para eles.

CENA 02: CASA DE LARISSA/SALA/INT./NOITE

A porta de entrada da casa se abre. Dimas é conduzido por Ricardo até a sala de estar, claramente indignado.

DIMAS – Ricardo, a gente tem que fazer alguma coisa pra afastar esse serial killer do teu primo.

RICARDO – A gente não pode fazer nada agora, eles não vão acreditar na gente. O filho da mãe do Azevedo conseguiu convencer eles que tudo não passou de um mal entendido. A gente tem que esperar o momento certo pra mostrar a verdade pra eles.

DIMAS – Que momento certo, Ricardo? Tu quer que a gente espere que ele mate o Venâncio afogado dentro de um bueiro qualquer por aí?

RICARDO – Dimas, acorda. Nós estamos no Ceará. Aqui não é como São Paulo, que qualquer chuva alaga tudo. Ele veio pra cá justamente porque ele não vai poder agir como agia lá, ele não vai levantar tantas suspeitas.

DIMAS – Mas ele vai matar de outras maneiras. Pode não usar água, mas pode usar fogo.

Assustado, Ricardo faz o sinal da cruz.

RICARDO – Deus o livre e guarde! Vira essa boca pra lá, Dimas!

DIMAS – Desculpa. É que eu tô muito desesperado. Eu não quero perder o Venâncio.

RICARDO – Nem eu. Mas a gente não pode ser imediatista. Por mais que pareça, a gente não tem tempo escasso. Nós temos tempo pra obstruir os planos do Azevedo. E mesmo que ele não tenha plano nenhum, mesmo que ele só queira se aproximar do Venâncio pra ter uma amizade ou algo do tipo, nós precisamos entregá-lo à polícia para que ele pague pelas vidas que ele tirou debaixo d’água, pelas famílias que ele destruiu pela sede de sangue que ele tem. O que a gente não pode é ser imediatista.

Ricardo percebe que Dimas está mais calmo. Ele se agacha na frente de Dimas, une suas mãos às mãos dele, e olha fixamente para o ex-namorado.

RICARDO – Dimas, eu queria mudar de assunto.

Alguns segundos de silêncio.

RICARDO – Tu sabe que eu terminei com a Luciana?

DIMAS – Sim, sei. Antes eu não sabia, mas como vocês já estavam afastados e tu tratou a Luciana mal no hospital, aí eu tive a certeza de que vocês não estavam bem um com o outro. Mas agora eu tive a certeza de que vocês não estão mais juntos. Eu não sei se eu fico feliz ou triste por ti… eu tava começando a acreditar que a Luciana realmente te fazia mais feliz do que eu—

RICARDO – Nunca mais diga isso. Se tem uma coisa que eu quero daquela ordinária é distância. Ela disse que o nosso namoro era nada mais do que um lance carnal, pervertido. Ela te chamou de aberração, nos chamou de aberrações…

Dimas se choca com o que ouve de Ricardo.

TRILHA SONORA: Break of Dawn – Michael Jackson

RICARDO – Foi aí que eu percebi que a única pessoa que me ama de verdade, a única pessoa que eu amo de verdade, sempre esteve do meu lado durante esses quase dois anos. Mas eu cometi a burrice de abandoná-la justo no momento que ela mais precisava de mim.

DIMAS – Eu acho que essa pessoa sentiu muito a tua falta nesses três meses.

RICARDO – Eu queria tanto voltar no tempo e não ter aceitado namorar com a Luciana… mas como eu não posso, eu me contentaria em tentar recuperar o tempo perdido.

Ricardo ergue as mãos de Dimas e as beija. A respiração de Dimas começa a ficar ofegante.

RICARDO – Por favor, Dimas… volta pra mim… eu sinto a tua falta, e eu sei que tu sente a minha… a gente não devia ter se separado nunca. A gente devia ter se algemado um ao outro depois daquele acidente, pra um dar apoio pro outro. Olha, agora a gente sabe que tu tem chances reais de poder sair dessa cadeira de rodas e voltar a andar—

DIMAS – Ricardo… eu não sei se eu devo te dar essa segunda chance. Eu terminei justamente porque não aguentava mais te ver colado no Jonas. Eu me sentia jogado de lado toda vez que o Jonas estava por perto.

RICARDO – Eu nunca te deixei de lado por causa do Jonas. Dimas, eu queria muito que tu entendesse que eu e o Jonas sempre fomos colados desse jeito, somos amigos inseparáveis, irmãos gêmeos de mães e pais diferentes. Olha, os nossos pais também eram assim, mas a morte do meu pai afetou tanto o tio Jair que ele acabou virando essa pessoa carrancuda que ela é hoje. Tu quer que eu me separe do Jonas e vire o meu tio Jair?

Alguns segundos de silêncio.

RICARDO – Não faz sentido você querer que a sociedade nos aceite como casal se você não aceita a mim e ao Jonas como amigos do peito. Por favor, faça um esforço.

DIMAS – Mas como eu vou me sentir bem em ver o meu namorado se agarrando com outro?

RICARDO – Tudo tem um limite, inclusive a minha amizade com o Jonas. Nós dois conhecemos esses limites. Eu sei que o Jonas não tem coragem de ultrapassar esse limite, e ele sabe que eu também não tenho coragem. Não precisa ter medo, nós não vamos te trair.

DIMAS – Ricardo, eu… eu não posso te dar uma resposta agora. Eu preciso pensar. Você me entende?

RICARDO – Te dou todo o tempo do mundo pra pensar. Mas pensa com carinho, tá?

Dimas e Ricardo sorriem um para o outro.

CENA 03: FORTALEZA/EXT./NOITE

Imagens do Aeroporto Internacional Pinto Martins. Amanhece e entardece.

CENA 04: HOSPITAL/QUARTO/INT./TARDE

Maria está no quarto com Luís. Aparentemente melhor, Luís já conversa com mais facilidade com Maria, mas ainda não demonstra capacidade para expressar-se corporalmente.

MARIA – A Débora enfim vai pagar por ter feito isso contigo, meu irmão. Ela já está pagando.

LUÍS – Maria, eu te disse pra não fazer nada contra a Débora.

MARIA – Eu não fiz. A polícia fez. Ela foi presa.

LUÍS – Presa por ter me deixado assim, desse jeito?

MARIA – Presa por ter matado a própria avó.

LUÍS – O quê?

MARIA – Ela tentou resistir à prisão e acabou matando a dona Cassandra. Como isso aconteceu na frente dos policiais, ela foi presa em flagrante por homicídio. Ela está lá na delegacia, dentro de algum tempo será julgada pelos seus crimes.

Alguns segundos de silêncio.

MARIA – Viu só em que enrascada você se meteu, Luís?

LUÍS – Se eu tô assim, todo ferido, é porque eu tentei me afastar dela. Eu tentei terminar o nosso caso, ela não aceitou e partiu pra cima de mim. Por pouco ela não me matou e não sobrou pro Dimas.

MARIA – Por que você deu ouvidos àquela víbora?

LUÍS – Ela me iludiu. Me fez pensar que vocês tinham mentido pra mim. Me fez pensar que você mentiu pra todos nós, como se a história dela ter desejado a morte da mãe fosse uma mentira sua.

MARIA – Não foi mentira minha. Foi a mais pura verdade. Mas como a minha palavra não é uma prova concreta para a Justiça, então eu nunca poderei provar que ela fez isso de verdade. Só quem pode provar é ela, quando admitir isso no tribunal.

LUÍS – Ela conseguiu me enganar direitinho…

MARIA – Mas o importante é que agora ela não vai mais enganar ninguém.

Maria sorri para Luís, que se sente impedido de retribuir.

CENA 05: HOSPITAL/RECEPÇÃO/INT./TARDE

Maria volta à recepção, acompanhada de um médico. Lá, estão Alice, Bárbara, Carolina, Dimas, Helena, Igor, Jéssica, Jonas, Júlio, Ricardo e Talita.

HELENA – Como é que ele tá, Maria?

MARIA – Tá melhorzinho até.

ALICE – Ele já sabe da prisão da Débora?

MARIA – Sim, eu já contei.

TALITA – Imagino como deve estar a cabeça dele… nossa, ele foi enganado por ela, forçado a acreditar que a família dele era um verdadeiro ninho de cobras…

JÉSSICA – Nem me fale, Talita…

ALICE – Eu vou vê-lo.

MARIA – À vontade…

Alice é conduzida pelo médico até o corredor, rumo ao quarto onde Luís está internado. Nesse momento, Guto e Luciana entram no hospital, atraindo os olhares dos personagens que estavam em cena. Em especial, Carolina, Jonas, Júlio e Ricardo encaram Luciana com ódio no olhar.

LUCIANA (sorrindo) – Boa tarde.

CAROLINA – Com você na nossa frente, o que é que tem de bom?

LUCIANA – Mas o que é isso? Já desenterraram a metralhadora de patadas?

JÚLIO – Pra uma pessoa como tu, a gente devia pegar uma metralhadora de verdade e te crivar de bala até dizer chega.

TALITA – O que é isso, Júlio? Para com isso, não é pra tanto, né?

RICARDO – Eu concordo com o Júlio.

LUCIANA – Vocês estão de prova. São eles quem me atacam primeiro.

JÚLIO – Estratégia de legítima defesa.

LUCIANA – Infelizmente, o Ricardo se deixou contaminar pela paranoia do Júlio comigo… eu gostava tanto de você, Ricardo—

RICARDO – Deixa de ser falsa.

BÁRBARA – Por favor, gente, estamos em um hospital. Tenham mais respeito.

LUCIANA – Isso, tenham mais respeito. Ou querem que seus segredos sejam revelados por mim aqui mesmo?

Júlio e Ricardo encaram Luciana com ódio no olhar.

JÉSSICA – Por favor, Luciana, vá embora daqui. Sua presença é prejudicial para todos nós. Vá embora e não volte a incomodá-los mais.

LUCIANA – Eu só estou me defendendo dos ataques gratuitos do seu filho e do seu afilhado, dona Jéssica.

JÉSSICA – Vá embora. E não volte a nos incomodar.

Luciana olha para Guto, que fica sem saber o que fazer. Em seguida, Luciana olha para Dimas e Ricardo.

LUCIANA – Então, quer dizer que vocês vão voltar…

Dimas e Ricardo não respondem.

LUCIANA – Seria uma pena se o Dimas descobrisse uma coisinha.

RICARDO – Vá embora daqui, Luciana!

LUCIANA – Dimas, você sabia que o Ricardo te traiu?

Dimas se surpreende com o que ouve de Luciana. Ele olha para Ricardo, que encara Luciana com fúria. Ela devolve com um sorriso sarcástico.

DIMAS – O que você está dizendo, Luciana?

RICARDO – A Luciana me beijou enquanto a gente ainda estava namorando, Dimas. Foi isso.

LUCIANA – Ah, Ricardo, para de mentir. Foi você quem me beijou. Se não fosse pelo Júlio, a gente tinha ficado ali mesmo na sala de estar.

Guto, Júlio e Ricardo se indignam com a mentira de Luciana.

RICARDO – Como você é baixa!

LUCIANA – Ele me disse que estava namorando contigo só por diversão, Dimas. Só não uso as mesmas palavras que ele usou para manter o respeito.

RICARDO – Mentirosa! Eu nunca disse isso!

LUCIANA – E sabe qual foi o pretexto dele pra poder sair de casa e se jogar nos meus braços? Uma camisa.

Dimas se surpreende com o que ouve de Luciana.

LUCIANA – O Guto me contou depois que tinha combinado com o Ricardo de trocar as camisas pra ajudar o Ricardo a se encontrar comigo naquele dia. Eles ficaram de inventar uma história pra justificar as camisas trocadas e tal… o Júlio foi cúmplice disso tudo.

JÚLIO – Mentirosa!

LUCIANA – O que é? Vai negar que ajudou o Ricardo?

JÚLIO – Você está mentindo.

Dimas se afasta de Ricardo e conduz sua cadeira de rodas para um ponto distante deles. Ricardo tenta correr atrás de Dimas, mas Luciana o contém. Ao sentir-se tocado por Luciana, Ricardo é invadido por uma raiva descomunal.

LUCIANA – Se você for atrás dele, vai ser pior.

RICARDO – Não toque em mim, sua vagabunda!

Ricardo acerta uma potente bofetada em Luciana. Desequilibrada, a moça é amparada por Guto. Todos se surpreendem com a reação de Ricardo.

JÉSSICA – Luciana, Guto, vão embora, por favor.

Prontamente, Guto obedece ao pedido de Jéssica, conduzindo Luciana em direção à saída. Júlio abraça Ricardo, consolando-o. Jonas vai atrás de Dimas: ele se agacha em frente ao cadeirante e tenta tirar as mãos do rosto dele; arisco, Dimas se solta de Jonas e tenta se afastar, mas Jonas segura suas mãos, impedindo-o de fugir dele.

JONAS – Para com isso, Dimas.

DIMAS – Eu fui traído, Jonas… o Ricardo me traiu do mesmo jeito que tu traiu a Carolina…

JONAS – Dimas, não passou pela sua cabeça que a Luciana pode ter inventado isso?

DIMAS – Por que ela inventaria isso?

JONAS – Sei lá… porque ela não quer que vocês voltem a namorar? Porque, se vocês voltarem a namorar, ela será derrotada?

DIMAS – Não vejo como a Luciana pode brincar com coisa tão séria…

JONAS – Pois eu vejo. E eu tenho certeza que o meu irmão vê.

Dimas e Jonas se encaram, em silêncio.

CENA 06: CARRO DE GUTO/INT./TARDE

Luciana chora copiosamente dentro do carro. Ela começa a dar socos no banco do carro, sendo contida por Guto.

GUTO – Para com isso, Luciana.

LUCIANA – Eu não acredito que o Ricardo foi capaz de fazer aquilo comigo!

GUTO – Você pediu, Luciana, você não pode reclamar. Entende agora o perigo que tu corre?

LUCIANA – Eu vou até o fim. Eu só vou descansar quando o Ricardo finalmente ver que o lugar dele é ao meu lado, e não ao lado daquele encosto do Dimas, daquele baitola aleijado!

GUTO – Luciana, ainda dá tempo de desistir.

LUCIANA – Eu não vou desistir. Eu já disse que eu vou até o fim, eu vou até às últimas consequências.

Guto balança a cabeça, em sinal de negação.

CENA 07: CASA DE MAURÍCIO E TALITA/FACHADA/EXT./TARDE

Maurício estranha ao ver Vinícius chegar da escola só. Assim que Vinícius se aproxima o suficiente, ele cumprimenta o pai.

VINÍCIUS – Bênção, pai?

MAURÍCIO – Deus te abençoe, meu filho. Cadê o seu irmão?

VINÍCIUS – Ele saiu mais cedo, foi com o Venâncio até a casa dele. Ele vai passar a tarde lá de novo, e volta só de noite.

MAURÍCIO – Mas eu disse ao Venâncio que hoje à tarde nós iríamos ao dentista.

VINÍCIUS – Deixa, pai, a gente vai amanhã.

MAURÍCIO – Negativo. Nós vamos até a casa do Venâncio buscar o seu irmão.

VINÍCIUS – Mas como, se a gente nem sabe onde ele mora?

MAURÍCIO – Deve ter alguém naquele colégio que sabe.

VINÍCIUS – A gente não vai voltar lá no colégio agora não, né, pai?

MAURÍCIO – Se não quiser, eu vou sozinho.

VINÍCIUS – Então tá…

Vinícius entra em casa, deixando Maurício sozinho em cena.

CENA 08: HOSPITAL/RECEPÇÃO/INT./TARDE

Dimas e Jonas continuam conversando.

DIMAS – Como eu vou saber que eles não vão mentir pra mim?

JONAS – Eles já mentiram antes pra ti?

Dimas balança com a cabeça, subentendendo uma resposta negativa.

JONAS – Eles não têm porque mentir pra ti. Se o que ela disse for mesmo verdade, eles vão acabar admitindo. Eu conheço o meu irmão e o meu primo, sei que eles não vão te enganar.

Dimas olha para trás e vê Júlio e Ricardo o encarando, com medo da sua reação. Dimas vira sua cadeira de rodas de frente para os dois, encarando-os com uma expressão neutra.

DIMAS – O que vocês têm a me dizer?

JÚLIO – Repetimos que a Luciana mentiu pra ti. Ela quis te enganar pra evitar que o Ricardo voltasse pra ti, quis fazer a gente se passar por mentiroso.

DIMAS – Então expliquem o lance da camisa.

RICARDO – No dia da festa de aniversário da Maria, a Luciana molhou a minha camisa e me deu uma camisa do Guto pra eu vestir no lugar. Só que o Guto percebeu a troca e quis que a gente destrocasse. Eu tava adiando a destroca porque ficaria algo muito suspeito. Acabou que naquele dia ela praticamente me deu um ultimato e me obrigou a entregar a camisa naquela noite.

JÚLIO – O Ricardo pediu minha ajuda pra deixar ele lá, por isso eu estive lá e vi que a Luciana começou a dar em cima dele.

DIMAS – E por que tu não resistiu, Ricardo?

RICARDO – Tu sabe qual é o meu ponto fraco.

DIMAS – Entendi…

JÚLIO – Mas eu te garanto que tudo não passou de um beijo. Eles só voltaram a se encontrar depois que tu terminou com ele. Não houve, de fato, uma traição, mas uma tentativa por parte única e exclusivamente da Luciana.

RICARDO – Nos tire uma dúvida, Júlio: a Luciana realmente armou pra nos separar?

JÚLIO – Sim, armou. Ela começou a mergulhar na vida de vocês, a fim de encontrar uma maneira de separá-los. E acabou que ela viu que a melhor maneira era fazendo a tua cabeça e te fazer acreditar que o Ricardo te traía com o Jonas. Para isso, ela me obrigou a ajudá-la.

Dimas, Jonas e Ricardo se surpreendem com o que ouvem de Júlio.

RICARDO – Como assim, Júlio? Tu ajudou aquela vadia a acabar com o nosso namoro?

JÚLIO – Eu fui obrigado.

RICARDO – Por quê? Se tu não ajudasse, ela te matava?

JÚLIO – Eu não posso dizer o por que. Vocês jamais me entenderiam.

RICARDO – Se tu não disser, é aí que a gente não vai te entender mesmo.

JÚLIO – Me desculpa, mas eu não posso dizer.

Júlio vira as costas e se afasta dos três, deixando-os confusos.

CENA 09: FORTALEZA/EXT./TARDE

Imagens da Avenida 13 de Maio.

Imagens da Avenida Santos Dumont.

Imagens da Avenida General Osório de Paiva.

CENA 10: CASA DE GUTO E LUCIANA/QUARTO DE LUCIANA/INT./TARDE

Luciana está deitada na sua cama, de barriga pra baixo, apoiando as duas mãos no queixo, observando um ponto aleatório do cenário. Sua mente é invadida por boas lembranças do seu relacionamento amoroso com Ricardo.

LUCIANA – Éramos tão felizes, Ricardo… por que você foi lembrar daquela aleijada que só atrapalha a vida dos outros?

Luciana muda de posição.

LUCIANA – Só tem um jeito de vencer essa batalha. Não queria chegar a esse ponto, mas é necessário. Vou ter que pegar em arma.

Luciana continua pensativa.

CENA 11: CASA DE MAURÍCIO E TALITA/FACHADA/EXT./TARDE

Maurício e Talita entram no carro. Na calçada, estão Dimas e Ricardo.

DIMAS – Onde vocês vão?

MAURÍCIO – À casa do Venâncio. Vamos buscar o meu filho.

DIMAS – Vocês descobriram onde ele está?

MAURÍCIO – Sim.

DIMAS – Nós podemos ir com vocês?

Maurício e Talita se entreolham.

MAURÍCIO – Não, fiquem aqui mesmo. Não precisa vocês irem.

DIMAS – Ah, mas eu quero ir.

MAURÍCIO – Não precisa, Dimas.

TALITA – Não vamos discutir, Maurício. Deixa o Dimas ir.

Dimas sorri para Talita.

CENA 12: FORTALEZA/EXT./TARDE

Imagens da Avenida Aguanambi.

Imagens da Avenida Barão de Studart.

Imagens da Avenida Sargento Hermínio.

CENA 13: CASA DE AZEVEDO/FACHADA/EXT./NOITE

Já anoiteceu. O carro de Maurício estaciona em frente à casa de Azevedo. Um duplex com fachada de cor branca, em uma região afastada da cidade. Azevedo não tem vizinhos diretos, sua casa é cercada por terrenos à venda.

As portas dianteiras se abrem para a saída de Maurício e Talita. Ricardo sai por uma das portas traseiras e, junto com Talita, vai até o porta-malas, tirando de lá a cadeira de rodas de Dimas. Com a ajuda de Maurício, Dimas é levado até a sua cadeira de rodas.

Todos prontos, os quatro fecham as portas e se dirigem até o portão da casa. Maurício toca a campainha, mas não obtém resposta. Toca de novo, também sem respostas. Antes que ele toque pela terceira vez, o portão é aberto. É Azevedo, que encara Maurício com um olhar penetrante que o intimida.

MAURÍCIO – Venâncio, cadê o meu filho? Vim buscá-lo.

Azevedo não responde a Maurício.

AZEVEDO – Eu já o deixei em casa. Não tinha ninguém lá.

DIMAS – Mentira sua.

AZEVEDO – Perderam seu tempo. Por favor, vão embora e me deixem em paz.

RICARDO – Deixe-nos entrar e ver se o meu primo está aí com você. Se ele não estiver, sem problemas, nós pedimos desculpas e vamos embora. Mas se estiver…

AZEVEDO – Ele não está aqui, eu já lhes disse. Se vocês não acreditam na minha palavra, eu não posso fazer nada.

Azevedo tenta fechar a porta, mas Maurício consegue impedi-lo e entra. Com isso, o delegado não consegue impedir a entrada de Talita, Dimas e Ricardo.

CENA 14: CASA DE AZEVEDO/SALA/INT./NOITE

Azevedo, Dimas, Maurício, Ricardo e Talita chegam à sala de estar.

AZEVEDO – Eu já lhes disse que o Venâncio não está aqui.

DIMAS – Então não vai se importar se nós vermos para confirmar.

AZEVEDO – Me importo sim. Porque vocês estarão invadindo minha privacidade.

DIMAS – Por quê? Tá escondendo alguma coisa?

MAURÍCIO – Dimas, para com isso.

DIMAS – Sabe por que ele tá assim, Maurício? Sabe por que o Venâncio tá tão fixado no teu filho?

AZEVEDO – Eu fiquei muito amigo do garoto. Mas isso não é motivo para você me tratar como se eu fosse um sequestrador de crianças. Eu já disse que eu deixei o Venâncio em casa, mas vocês não acreditam em mim…

DIMAS – Tem razão, você não é um sequestrador de crianças, eu não deveria lhe tratar assim. Para eu ser condizente com o que você verdadeiramente é, eu deveria lhe tratar com ainda mais repúdio.

RICARDO – Tio Maurício, esse homem se chama Venâncio Soares Azevedo, ele era delegado num distrito policial lá em São Paulo. Foi ele quem assumiu o caso daquele serial killer que matava crianças afogadas por lá.

TALITA – Sim, mas por que vocês têm tanto ódio do Venâncio?

DIMAS – Porque o delegado Azevedo atrapalhou as próprias investigações pra poder se dar bem.

AZEVEDO – Eu não sei do que vocês estão falando.

DIMAS – Sabe sim. Já disse, tira a máscara de bom moço que comigo não cola. Eu sei que você sabe quem eu sou, eu sei que você conhece o meu pai. Eu sei que foi você quem acabou com a vida do meu pai, envolvendo ele na sua sujeirada toda.

MAURÍCIO – Dimas, seja mais claro.

DIMAS – Maurício, o que eu quero dizer é que esse homem É o Assassino do Origami! Quem matava as crianças afogadas lá em São Paulo era ele, e não o meu pai!

Assustados, Maurício e Talita encaram Azevedo, que mantém a expressão neutra. Dimas encara Azevedo com ódio no olhar. A cena congela em um efeito preto-e-branco em Azevedo, Dimas, Maurício, Ricardo e Talita.

FIM DO TRIGÉSIMO QUARTO CAPÍTULO.

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28 thoughts on “Mundos Opostos – Capítulo 34 (Antepenúltimo Capítulo)

  1. Mundos Opostos, uns crossovers com todas as suas webs exceto ECP?

    Tô achando ótima essa participação do Delegado Azevedo, mas confesso que não lembro muito bem do fim de O Resgate, então fiquei meio confuso. Alguém foi condenado como Assassino do Origami no lugar do Azevedo? O Dimas é filho do André?

    E também não entendi por quê que o Venâncio, que é uma criança, virou amigo de um marmajo de 40 e tantos anos? E como os pais do Venâncio acharam isso a coisa mais normal do mundo?

    Luciana tá prometendo muito nessa reta final. E será que a Débora vai continuar presa até o fim da web?

    Parabéns :*

    Curtido por 2 pessoas

    • Eu já te disse que todas as minhas webs são interligadas, né? 😛

      Bem, no final de O Resgate, o Douglas foi preso por causa das maracutaias dele e porque ele “confessou” ser o Assassino do Origami. No tribunal, foi provado que ele não era o Assassino do Origami. E, na penúltima cena de OR, foi mostrado que o pai do Dimas era o Douglas.

      O Maurício e a Talita não viram nada de anormal na amizade dos dois Venâncios. Se o Dimas e o Ricardo não tivessem se lembrado dele, talvez isso tivesse passado despercebido.

      Veremos.

      Muito obrigada. :*

      Curtido por 1 pessoa

  2. Tava lendo uns capítulos de O Resgate um dia desses e eu já descubro Delegado Azevedo é o assassino do origami
    Sem palavras depois desse capítulo
    Parabéns, Glay

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  3. No capítulo anterior eu fiquei bem surpreso com todos os acontecimentos e principalmente com a morte de Cassandra. Pensava em uma reação positiva da senhora, mas… Também fiquei bem surpreso com a atitude de Júlio contra Luciana, gente, quase a querida morre. Maria vai acabar cometendo uma burrada contra Débora. Nn faço ideia do que seja, porém, acredito nessa possibilidade.

    Então esse Azevedo pode ser um perigo pra trama… Dimas não engoliu bem esse jeito sínico dele. Por falar em Dimas, ele e Ricardo vão aos poucos reatando o romance. Torço pela felicidade do casal (Falei como se fosse votos de casamento, sofri). Luciana não cansa de querer prejudicar eles, hein? Até mentiras ela foi capaz de inventar pra acabar com uma possível reconciliação. Será que a moça se tornará uma assassina? Quando comecei a digitar eu nn tinha lido o final, gente… Então Azevedo é um assassino de crianças? Socorro! Então Dimas esta completamente certo sobre a face real desse psicopata. Preparando a pipoca para essa reta final que promete muita tensão.

    Parabéns, Glay! 😀

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    • Acho que você não acompanhou O Resgate, né? Pois é, é de lá que vem o Azevedo. O último capítulo vai falar um pouquinho sobre isso, mas em resumo o Azevedo era um delegado que investigava um caso sobre um serial killer de crianças, mas no final nós descobríamos que o serial killer era ele mesmo.

      Todos torcendo pelo final feliz de Dimas e Ricardo. Vamos ver se eles vão ficar juntos, se a Luciana não vai conseguir separá-los…

      Muito obrigado, Fred ❤ 😀

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