Mundos Opostos – Capítulo 36 (Último Capítulo)

Mundos OpostosCENA 01: MANSÃO ANDRADE DA COSTA/QUARTO DE IGOR E MARIA/INT./TARDE

Maria está em frente ao espelho. Em cima da cama, vários vestidos diferentes. E, em suas mãos, dois vestidos. Um deles é posto por cima do seu corpo, mas ele não a agrada. Em seguida, ela põe o outro vestido por cima do seu corpo. Ela sorri, satisfeita com o vestido.

MARIA – Vai ser esse.

Maria põe o vestido escolhido em um lugar separado da cama e junta os demais vestidos espalhados pela cama, levando-os até o armário para guardá-los. Sem que ela perceba, a janela do quarto é aberta.

Corta para Maria guardando os vestidos no armário. De repente, ela sente algo tocando a sua cabeça e prendendo o seu braço. Ela percebe que se trata de uma arma de fogo e fica paralisada. Em seguida, Maria é jogada na direção oposta e se surpreende ao ver Débora encarando-lhe com um sorriso sarcástico.

DÉBORA – Oi, querida.

MARIA (apavorada) – O que você está fazendo aqui?

DÉBORA – Como você é lenta, Maria… ainda não percebeu que eu vim aqui para ver você morrer na minha frente?

MARIA – Por que você quer me matar?

DÉBORA – Porque desde que você entrou nessa mansão, você só me causou problemas. Sempre atrapalhando a minha vida, sempre jogando todas as pessoas que eu gosto contra mim. Primeiramente, você fez com que o meu tio Gabriel ficasse contra mim. Depois, o Gustavo e a Helena. Demorou um pouquinho para a tia Alice também cair na sua lábia. E assim, aos poucos, você foi seduzindo a todos e jogando-os contra mim.

MARIA – Se todos estão contra você, é única e exclusivamente por culpa sua. Você não pode me culpar porque as pessoas preferem uma pessoa como eu, que sempre foi verdadeira, amiga de todos, que nunca julgou os outros e muito menos foi capaz de armar para conquistar os seus interesses.

DÉBORA – Se eu fiz o que fiz, foi para me defender e defender a família Andrade da Costa de você. Mas infelizmente, você foi contaminando essa família cada vez mais, e eu tive que me despir de escrúpulos e lançar mão de armações mais graves a fim de evitar que os Andrade da Costa se contaminassem por completo com você e lhe dessem confiança o suficiente para você se apossar de tudo.

MARIA – Você não pode me acusar de ser uma interesseira. Se tem alguém que sempre esteve de olho na fortuna do tio Gabriel, na herança do Pedro Igor, esse alguém não sou eu, é você. Tanto é que você foi capaz de inventar uma gravidez para se casar com ele e ganhar o direito de usufruir da herança dele. Já eu não precisei disso para conquistar o Pedro Igor e ser aceita como a mulher dele.

AZEVEDO – Isso, continuem lavando roupa suja. Assim dá tempo de todo o elenco se reunir do outro lado da porta para entrar e tentar nos impedir.

DÉBORA – Isso não vai acontecer. Até lá, a Maria já vai ter morrido.

Maria encara Débora com pavor.

CENA 02: CASA DE LARISSA/SALA/INT./TARDE

Júlio e Ricardo estão sentados no sofá. Dimas vira sua cadeira de rodas para ficar de frente aos dois e conversar com eles.

JÚLIO – Imagino que tu deve estar transbordando de felicidade, né, Dimas?

DIMAS – Tá imaginando pouco, Júlio. Tu não sabe o quanto eu sonhei com isso acontecendo.

RICARDO – Ele soube agora a pouco que o Venâncio foi preso, Júlio.

DIMAS – Ele me fez acreditar que o meu pai tinha matado o meu irmão e todas aquelas crianças afogadas só por pura diversão. Ele tentou me jogar contra o meu próprio pai.

JÚLIO – Mas tu nunca percebeu o furo dessa história? Se o teu pai tivesse mesmo matado o teu irmão por pura diversão, como é que ele nunca tentou te matar afogado também?

DIMAS – Eu levei essa dúvida comigo quando eu fui visitar o meu pai lá no presídio. Mas ele contou pra mim e pro Ricardo que o verdadeiro Assassino do Origami era o Azevedo. E quando nós vimos que ele estava se aproximando do Venâncio, eu me desesperei, porque ele poderia tentar fazer algo contra ele. Afinal, quais são as chances de um serial killer de crianças querer bem uma criança? Por mais que ele realmente não tivesse más intenções com o Venâncio, o instinto assassino dele podia aflorar e fazê-lo matar o Venâncio.

RICARDO – Mas agora não é mais hora de pensar em coisas ruins. Vamos pensar em coisas boas. Porque a vida de todo mundo tá se encaminhando para um final feliz.

JÚLIO – E vem cá, qual vai ser a surpresa que tu vai mostrar pra Corrente hoje à tarde, Dimas?

Dimas e Ricardo se encaram e riem de Júlio.

JÚLIO – Gente, o que foi?

RICARDO (rindo) – Depois o burro da família sou eu.

JÚLIO – Não, gente, é sério.

DIMAS – Eu e o Ricardo voltamos, Júlio.

Júlio se surpreende com o que ouve de Dimas. Ricardo se levanta do sofá e se ajoelha na frente de Dimas. Os dois trocam um rápido beijo e, em seguida, olham para Júlio, que permanece surpreso.

JÚLIO – Eu não tava esperando por isso…

Os três riem juntos.

JÚLIO – Vocês sabem que eu ajudei a Luciana a separar vocês dois. E vocês sabem o quanto eu me arrependo de ter ajudado ela.

DIMAS – Mas por que tu se prestou a esse papel?

JÚLIO – Porque ela me chantageou.

RICARDO – Mas com o quê, primo?

Júlio fica em silêncio e desvia o rosto. Ricardo ajoelha-se na frente do primo e vira o seu rosto, forçando um contato olho no olho.

RICARDO – Olha pra mim, Júlio. Não precisa ter medo da gente. Pode falar tudo o que tu tiver pra falar, a gente tá te ouvindo.

JÚLIO – Vocês jamais vão me perdoar.

RICARDO – Para com isso, Júlio. Fala, vai.

JÚLIO – A Luciana descobriu que eu sou amante da Bárbara.

Ricardo se choca com o que ouve de Júlio. Ele olha para Dimas, que não exprime nenhuma reação significativa.

DIMAS – Eu já sabia. Eu e a Talita já havíamos chegado a essa conclusão algum tempo antes do acidente. Nós dois já vimos vocês em vários momentos suspeitos sozinhos. Eu já vi vocês dois saindo juntos de dentro de um banheiro…

RICARDO – Eu não acredito nisso…

JÚLIO – A única pessoa com quem eu tive coragem de me abrir foi a minha mãe, e felizmente ela não agiu assim comigo. Mas fora isso, só nós três, a minha mãe e a Talita sabem disso. Nem a Bárbara sabe que a Luciana sabe. Eu tinha medo que as pessoas me condenassem por causa disso.

RICARDO – E por que isso não é condenável? Tu tá prestes a destruir um casamento de mais de 25 anos.

JÚLIO – Um casamento sem amor. A Bárbara não ama o Angelo.

RICARDO – Então por que eles se casaram?

DIMAS – Por causa de filho. A Bárbara subiu ao altar com o Angelo grávida do irmão da Carolina.

JÚLIO – A Bárbara me ama. Eu sinto que ela me ama. E ela também sente que eu amo ela. Mas… eu não sei, depois que a Carolina se separou do meu irmão, eu não sei mais se eu amo a Bárbara o suficiente para considerar ela a mulher da minha vida.

DIMAS – Júlio, sabe o que eu acho? Eu acho que tu só tá com a Bárbara porque perdeu a Carolina pro Jonas. Tu vê na Bárbara tudo aquilo o que te encantava na Carolina.

RICARDO – Mas é um adultério. E mais, lembra muito o caso daquela novela “Verdades Secretas”. Júlio, tu tá praticamente no mesmo lugar que o Alex. Pegando a mãe porque não pôde ficar com a filha e ainda desejando a enteada.

JÚLIO – Não. Eu vou escolher uma das duas e ficar com ela pro resto da minha vida. Eu só não sei quem eu vou escolher.

DIMAS – Quer um conselho?

JÚLIO – Por favor.

DIMAS e RICARDO – Escolhe a Carolina.

Júlio encara Dimas e Ricardo, processando tudo isso.

CENA 03: MANSÃO ANDRADE DA COSTA/QUARTO DE IGOR E MARIA/INT./TARDE

Azevedo ri do desespero de Maria. A moça fecha os olhos, permitindo que as lágrimas escorram pelo seu rosto, e começa a rezar em sussurro.

AZEVEDO (rindo/olhando pra cima) – Ai, meu Deus. Tá vendo só? Teus fiéis acham que o senhor é a polícia pra invocar só em casos de emergência. Me diz aí, Deus, essa fiel conversa com o senhor na hora de dormir pra agradecer o dia recebido, ou então antes da refeição para agradecer o pão servido à mesa?

Débora ri junto com Azevedo.

DÉBORA – Eu nem sabia que negro acreditava em Deus. Eu sempre achei que escravo era pagão.

AZEVEDO – Será que ela acha que Deus vai protegê-la de um tiro na cabeça?

DÉBORA – Vamos deixar isso mais emocionante…

Débora vai até a porta do quarto e a tranca com a chave, já encaixada na fechadura. Em seguida, ela volta a se posicionar de frente para Azevedo e Maria.

DÉBORA – Tira a arma da cabeça dela.

Azevedo desencosta a arma da cabeça de Maria, que continua de olhos fechados. Débora solta Maria, e a senta no chão. Em seguida, ela e Azevedo se sentam, formando um círculo.

DÉBORA – Vamos brincar de roleta-russa.

Nesse momento, a maçaneta da porta começa a girar repetidas vezes, chamando a atenção dos três. Maria tenta gritar, mas logo sua boca é tapada por Azevedo. Ela grita, mas a voz é abafada.

AZEVEDO (sussurrando) – E agora, Débora?

DÉBORA (sussurrando) – Vamos ficar quietos.

IGOR (voz) – Maria! Abre a porta!

Azevedo e Débora se encaram, tensos.

AZEVEDO (sussurrando) – Será que eles sabem que tem gente aqui?

DÉBORA (sussurrando) – Acho que sim. E se nós não sairmos logo daqui, vão nos descobrir.

AZEVEDO (sussurrando) – Mas você não trancou a porta?

DÉBORA (sussurrando) – Eles vão conseguir destrancar. Senão, vão arrombar a porta.

Débora começa a pensar em uma maneira de conseguir fugir. Azevedo volta a ameaçar Maria com a arma, encostando-a no seu queixo.

AZEVEDO (sussurrando) – Grita. Grita que eu pinto o chão desse quarto com o teu sangue.

Maria, apavorada, reveza seu olhar entre Azevedo e Débora.

CENA 04: MANSÃO ANDRADE DA COSTA/CORREDOR 2º ANDAR/INT./TARDE

Igor gira freneticamente a maçaneta da porta, mas ela não abre. Ele, então, começa a socar a porta.

IGOR – MARIA! ABRE A PORTA! SOU EU, O IGOR! ABRE!

Gustavo entra em cena correndo, e fica do lado de Igor.

GUSTAVO – O que tá acontecendo, Igor?

IGOR – A porta do quarto tá trancada e a janela tá aberta. Eu acho que a Maria tá com alguém dentro desse quarto.

GUSTAVO – Ela tá mesmo dentro do quarto?

IGOR – Sim. Ela não saiu do quarto, e eu ouvi a voz dela. Ela tá aqui, e na companhia de alguém, porque eu ouvi outras vozes também.

Gustavo e Igor se encaram, tensos.

IGOR – Me ajuda, Gustavo. Eu tenho que abrir essa porta e salvar a Maria.

Gustavo desvia o olhar, pensando em uma maneira de ajudar o irmão.

CENA 05: CARRO DE GABRIEL/INT./TARDE

Alice e Gabriel estão no banco de trás do carro, sendo levados até a mansão Andrade da Costa. Ambos se controlam para não cair no choro. De repente, o celular de Gabriel começa a tocar; ele tira o aparelho do bolso e atende a chamada.

GABRIEL – Gustavo, meu filho?

GUSTAVO (cel./desesperado) – Pai, onde o senhor está?

GABRIEL – Estou a caminho de casa. O que houve?

GUSTAVO (cel.) – Pai, eu acho que a Maria está correndo perigo. Segundo o Igor, a Maria está presa dentro do quarto com alguém. Ele ouviu mais deu uma voz dentro do quarto, mas quando ele chegou ficou tudo em silêncio.

GABRIEL – O que vocês fizeram?

GUSTAVO (cel.) – Nós não sabemos o que fazer. O Igor disse que a janela estava aberta, mas agora ela já está fechada. Não temos como saber o que está acontecendo, por isso não sabemos como agir.

GABRIEL – Então esperem por mim. Verei o que posso fazer.

GUSTAVO (cel.) – Venha logo, por favor. A vida da Maria pode depender disso.

GABRIEL – Chegarei o mais rápido possível.

A ligação é encerrada. Gabriel se inclina no banco e toca o ombro do motorista.

GABRIEL – Vá mais rápido, por favor. Caso de vida ou morte.

MOTORISTA – Sim senhor, seu Gabriel.

O veículo aumenta a sua velocidade. Alice estranha.

ALICE – O que houve, meu amor?

GABRIEL – A Maria está correndo risco de morte. Parece que ela está sendo feita de refém dentro do próprio quarto.

Alice se desespera com o que ouve de Gabriel.

CENA 06: CASA DE GUTO E LUCIANA/COZINHA/INT./TARDE

Luciana está guardando a louça. De repente, Guto entra na cozinha como um furacão. Assustada com a reação explosiva de Guto, Luciana estaciona, com alguns pratos na mão.

LUCIANA (receosa) – Guto?

Guto para em frente a Luciana, a encara com ódio no olhar e não pensa duas vezes antes de bater nos pratos que Luciana segura, atirando-os contra o chão. Assustada com a atitude de Guto, Luciana se afasta lentamente.

LUCIANA – O que é isso, Gustavo?

Guto se irrita ainda mais com Luciana e lhe acerta uma potente bofetada no rosto, que quase a faz cair no chão.

GUTO – SUA BANDIDA!

LUCIANA – Calma, Guto, você tá muito nervoso.

GUTO – Não vem negar que tu abrigou dois criminosos aqui na nossa casa e quis se aproveitar disso pra ter como se vingar do Dimas! Eu ouvi tudo, Luciana! Eu sei que tu escondeu a Débora e o Assassino do Origami aqui na nossa casa e pediu pra eles matarem o Dimas!

LUCIANA – Eles invadiram a casa, Guto.

Guto se irrita ainda mais com a resposta de Luciana e lhe acerta outra bofetada. Luciana percebe que sua boca está sangrando.

LUCIANA – Você tá maluco, Guto?

GUTO – Eu sempre te ajudei a satisfazer teus caprichos e tuas maluquices. Eu deixava de lado os meus pudores, passava por cima dos meus princípios só pra te ver feliz. Tu importava mais pra mim do que eu mesmo. Mas agora eu percebi o quanto isso me fazia mal. Eu sempre reclamava que a minha vida era sobrecarregada, mas eu nunca consegui encontrar a resposta pra isso, não conseguia ver como foi que a minha vida começou a virar de ponta cabeça desse jeito. Mas agora eu sei: tudo começou quando eu abri as portas dessa casa pra ti. Porque eu queria uma pessoa pra me fazer companhia, para me ajudar a cuidar dessa casa depois da morte da dona Mirna. E o que aconteceu? Meu trabalho triplicou. Tive que arrumar um emprego pra sustentar nós dois, tive que cuidar da casa sozinho e ainda me prontifiquei a realizar todos os seus desejos, não importasse quais eram.

Silêncio em cena. Luciana abaixa a cabeça, escondendo o choro de Guto. Ele, por sua vez, passa a mão com força nos olhos para enxugar as lágrimas.

GUTO – Eu nunca ia aceitar dividir a minha casa com qualquer pessoa. Tinha que ser uma pessoa muito especial pra mim, uma pessoa que eu considerava pacas, que eu realmente achasse merecedora de me aguentar 24 horas por dia. Por isso eu te escolhi… porque eu achei que tu era capaz de retribuir toda essa estima que eu te dava, porque eu achei que estava no alto das suas considerações, do mesmo jeito que tu tava no alto das minhas. Como eu me enganei com você… MEU DEUS DO CÉU, COMO O AMOR É CEGO!

Guto levanta o rosto de Luciana. Imediatamente, a moça fecha os olhos, para não olhar para Guto.

GUTO – Olha pra mim, Luciana. OLHA PRA MIM!

Enfim, Luciana abre os olhos e vê Guto, lhe encarando com um ódio ainda maior.

GUTO – Você tem até a meia-noite para ir embora dessa casa.

LUCIANA – Mas pra onde eu vou?

GUTO – Ué, seus cúmplices não vão fugir do Brasil? Fuja com eles.

Guto larga Luciana.

GUTO – Eu só quero o seu bem. Fuja com eles, vá viver uma vida de luxo no exterior com o dinheiro que seus cúmplices vão roubar sabe Deus de onde e esqueça que um dia você me conheceu. Nem eu, nem o resto da Corrente tem mais coragem de olhar na sua cara.

LUCIANA – E até lá?

GUTO – Você se vira. Eu vou para o encontro da Corrente que o Dimas marcou. Essa casa vai ficar vazia até eu voltar.

LUCIANA – Mas como você quer que eu—

GUTO – Já disse. Te vira. Vai atrás da Débora, pede pra fugir com ela… ou então volta a morar com a tua família lá em Camocim. Mas esquece da gente, tá bom? Esquece da gente. Olha, eu vou agora ir tomar banho e me arrumar pra esse encontro. Aproveita o momento pra juntar tuas coisas e decidir onde tu vai ficar. Quando eu sair do meu quarto, já é pra gente ir embora.

Guto vira as costas e se retira da cozinha, deixando Luciana sozinha em cena. A moça chora à vontade.

CENA 07: MANSÃO ANDRADE DA COSTA/QUARTO DE IGOR E MARIA/INT./TARDE

Débora está em pé, olhando para a câmera. Ao fundo, Azevedo está sentado na cama, com Maria sentada no meio de suas pernas e apontando uma arma para a cabeça da moça. A expressão vazia de Débora causa estranheza em Azevedo.

AZEVEDO – O que a gente vai fazer, Débora?

DÉBORA – Eu já sei o que nós vamos fazer. Larga a Maria.

AZEVEDO – O quê?

DÉBORA – Larga a Maria.

Azevedo obedece à instrução de Débora e se afasta de Maria. Imediatamente, a moça se levanta e encara Débora, que lhe devolve o mesmo olhar vazio.

DÉBORA – Nós não vamos te matar.

AZEVEDO e MARIA – O quê?

AZEVEDO – O que é isso, Débora, pirou?

DÉBORA – Não. Eu, na verdade, estou mais lúcida do que em qualquer outro momento da minha vida. Eu cometi um grave erro em ter abandonado Portugal e voltado ao Brasil para me vingar de você. Minha avó sempre teve razão, mas o meu ódio de você me cegou, Maria.

MARIA – Eu nunca fiz nada para ser odiada por você, Débora.

DÉBORA – Pode ter sido involuntário, mas fez. Você me roubou tudo o que eu julgava ser a minha felicidade. O amor do Pedro Igor, a amizade da Helena, o amor paterno do tio Gabriel, o amor materno da tia Alice… eu passei muitos anos tentando conquistar tudo isso, mas eu sempre falhei. E então, você chegou aqui com seu irmão e conquistou tudo isso em questão de semanas. Isso me pegou de surpresa, eu não conseguia acreditar que isso era possível. Por isso eu achei que você tinha seduzido o tio Gabriel e o Pedro Igor… foi isso o que me motivou a ter dopado o Pedro Igor e ter tentado engravidar dele: eu tentei reproduzir as suas táticas a fim de conquistar o que você conquistou.

MARIA – Eu não seduzi ninguém. Eu não precisei lançar mão de incorporar uma personagem para conseguir o que eu consegui. Eu simplesmente fui eu mesma, fui uma pessoa boa, carismática, amável e carinhosa que eu sou.

DÉBORA – Só agora que eu enxerguei isso. O ódio me cegou, mas felizmente eu consegui perceber isso a tempo, antes de cometer o grave erro de te matar. A sua morte não resolveria os meus problemas, só me traria mais problemas ainda.

Débora olha para Azevedo, que demonstra estar irritado com ela.

DÉBORA – Mudança de planos. Não haverá execução, e sim um sequestro. Vamos manter a Maria como refém, e só a liberamos quando recebermos o resgate. Depois disso, nós fugimos para bem longe, repartimos o dinheiro do resgate e seguimos nossos rumos. Eu voltarei para Portugal, onde eu reconstruirei minha vida e não causarei mais problemas a ninguém.

AZEVEDO – Nada disso. Eu vim até aqui para matar, e eu não vou me contentar em sair daqui com dinheiro. Mesmo que seja um milhão de dólares. Eu vim aqui pra matar, e só saio daqui se eu matar alguém.

Azevedo levanta a arma e começa a revezar a mira entre Débora e Maria, que se amedrontam.

AZEVEDO – Eu mato uma das duas e faço a outra de refém pra pedir o resgate. Assim que eu receber o resgate, eu fujo com o dinheiro e a minha refém. Se chamarem polícia atrás de mim, eu mato a refém. Pronto, tudo resolvido. Ah, quase ia me esquecendo… antes de fugir, eu me vingo do Dimas.

MARIA – O que você vai fazer com o Dimas?

AZEVEDO – O que eu vou fazer com ele? Deixe-me pensar… ah, já sei! Algo que não é da sua conta!

Azevedo se aproxima da porta, sem tirar a mira da arma das duas mulheres, e destranca a porta. Em seguida, ele se aproxima das duas, põe-se no meio delas e as abraça pelo ombro.

AZEVEDO – Enquanto aquela porta não abre, vocês poderiam decidir entre si quem vai morrer primeiro, não acham?

DÉBORA – Você não vai matar ninguém. O plano mudou.

AZEVEDO – Garota, você ainda não percebeu que quem comanda essa merda agora sou eu? Agora, você é uma mera refém minha, o seu papel é chorar desesperadamente e implorar pela sua vida, tal qual a Maria está fazendo.

DÉBORA – Filho da—

Azevedo solta as duas e encosta o revólver na cabeça de Débora. A moça engole em seco ao ver Azevedo destravando a arma.

AZEVEDO – Quer morrer primeiro?

Alguns segundos de silêncio.

AZEVEDO – Foi você quem escolheu fazer companhia à Maria como refém assim que inventou de fazer a Carminha e se redimir das suas maldades. E comigo é assim: traidor vira-casaca morre com tiro na cabeça.

Débora e Maria se entreolham, apavoradas com o que ouvem de Azevedo. Ele gesticula para Débora e Maria ficarem caladas. Ele põe a arma na nuca de Débora, que se desespera. As duas mulheres se entreolham. É possível ouvir as vozes de Gabriel, Gustavo e Igor, a um volume ininteligível. A porta do quarto se abre e os três se assustam ao ver Débora e Maria sendo feitas de refém por Azevedo.

Igor tenta correr até Maria, mas Gustavo o segura. Imediatamente, Azevedo vai para o meio do quarto, apontando a arma para Igor, intimidando-o.

AZEVEDO – Paradinho aí, rapazinho. Dê mais um passo que eu atiro pra matar.

GABRIEL – Débora? O que você está fazendo aqui?

AZEVEDO – A Débora me contratou para matar a Maria, seu Gabriel Andrade da Costa. Só que ela voltou atrás e agora eu vou matar as duas se o senhor não me pagar um resgate.

GABRIEL – Libere as duas que nós conversamos melhor.

AZEVEDO – O senhor não está entendendo. Ou o senhor me paga o resgate, ou eu mato a Maria e a Débora na sua frente.

GABRIEL – Que garantias você me dá de que não vai matá-las depois de receber o resgate?

AZEVEDO – Repito: se o senhor não me pagar o resgate, eu mato as duas.

GABRIEL – Tudo bem… se você fizer isso, você vai voltar para a cadeia e não vai receber resgate nenhum.

AZEVEDO – Já que é assim…

Azevedo se vira para Débora e Maria e lhes mira a arma, amedrontando-as. Imediatamente, Gabriel se desespera.

GABRIEL – Não, não faça isso!

Azevedo abaixa a arma e ri para Débora e Maria. Em seguida, ele volta a se virar para Gabriel.

GABRIEL – O que você quer? Melhor perguntando, quanto você quer?

AZEVEDO (sorrindo) – Agora você falou a minha língua.

GABRIEL – Me fale o seu preço.

AZEVEDO – Eu não estou me etiquetando pra me vender. O objeto de troca aqui são aquelas duas.

GABRIEL – Eu quis dizer qual o preço que você deseja que eu pague.

AZEVEDO – Dois milhões de dólares.

GABRIEL (surpreso) – Dois milhões de dólares?

AZEVEDO (estranhando) – A vida delas vale tão pouco assim?

GABRIEL – Não, só me surpreendi com o valor. Mas enfim, deixe comigo. Providenciarei a quantia solicitada.

Gabriel vai se retirando do quarto. Igor e Gustavo vão seguindo, mas ele os impede.

GABRIEL – Fiquem aqui. Quero ter a certeza de que ele não vai fazer mal a nenhuma das duas.

GUSTAVO – Não, pai, eu quero ir com o senhor.

GABRIEL – Então vamos. Fique aqui, Igor.

IGOR – Sim, pai.

Gabriel e Gustavo saem de cena. Igor fecha a porta e olha fixamente para Azevedo.

AZEVEDO – Quanto tempo você acha que eles vão demorar?

IGOR – Não sei…

AZEVEDO – Obrigado por nada. Enquanto eles não vêm, por que nós não tentamos nos entreter?

IGOR (indignado) – O que você quer fazer? Roleta-russa?

DÉBORA – Não dá ideia, Igor!

AZEVEDO – Cala a boca, sua vadia.

DÉBORA – Vem calar!

MARIA – Para com isso, Débora.

IGOR – Como assim, Maria? Por que você está defendendo ela?

MARIA – Ela se arrependeu, Igor. Eu tô sentindo isso.

IGOR (desdenhando) – Ah, Maria, por favor. Não é a primeira vez que ela aparece redimida pra gente. É a terceira, repito, terceira vez.

AZEVEDO – Hm, então quer dizer que essa mulher tem mestrado em dissimulação… vejo que estou fazendo muito bem em mantê-la como refém. Já pensou se ela continuasse no comando do sequestro e resolvesse me passar pra trás?

Azevedo e Débora se entreolham, com ódio no olhar. Segundos depois, a porta do quarto é aberta para a entrada de Gustavo e Gabriel, este último segurando uma maleta. Azevedo sorri para Gabriel.

AZEVEDO – Ponha essa maleta entre nós dois.

Gabriel obedece a Azevedo, pondo a maleta com dinheiro no centro do quarto. Imediatamente, Azevedo vai até lá e abre a maleta, revelando várias notas de 100 dólares.

GABRIEL – Não precisa contar. Nós já fizemos isso por você. Aí dentro tem 2 milhões de dólares em espécie. Nenhum cent a mais, nenhum cent a menos. Agora, pode ir embora daqui, fugir com esse dinheiro e fingir que nunca nos conhecemos.

DÉBORA – Pronto, Azevedo. Já conseguimos o que queríamos. Agora, por favor, nos solte. Vamos dividir esse dinheiro meio a meio e vamos reconstruir nossas vidas longe daqui.

AZEVEDO – Já mandei você calar essa boca. Anda, Débora, vem até aqui. E você também, Maria.

Débora e Maria se levantam do chão e caminham juntas na direção de Azevedo. Ele as põe na sua frente e sorri sarcasticamente para Gabriel, Gustavo e Igor.

AZEVEDO – Pra mostrar que eu sou bonzinho, eu vou usar da democracia. Aquela que receber mais votos, morre aqui agora. Aí eu levo a outra comigo na minha fuga. Se vocês tentarem chamar a polícia, eu também mato.

GABRIEL – Deixe-as em paz. Você já recebeu o dinheiro que pediu. Agora vá embora daqui.

AZEVEDO – Eu vim aqui pra matar e só vou embora se eu matar alguém.

Débora levanta a sua perna e consegue atingir as partes baixas de Azevedo. O homem se agacha de dor, permitindo que Débora e Maria consigam fugir dele. Antes que Azevedo reaja, Igor o surpreende com um potente soco. A cena escurece imediatamente.

CENA 08: MANSÃO ANDRADE DA COSTA/QUARTO DE IGOR E MARIA/INT./TARDE

A cena clareia aos poucos. Azevedo, desmaiado, começa a se mexer aos poucos. Ele se vira de frente para a câmera, mostrando o rosto ferido pelo soco de Igor. Ao recuperar os sentidos, Azevedo olha ao redor e percebe que está sozinho no quarto.

Ao pôr-se em pé, Azevedo olha para o lado e nota a aproximação de Gustavo. O rapaz tenta acertar um soco em Azevedo, mas erra o alvo. Azevedo o surpreende com um golpe no queixo, atordoando-o e fazendo-o cair no chão. Antes que Gustavo se recupere do golpe, Azevedo o pega pela gola da camisa e o joga contra a cômoda do quarto. Recuperando-se do golpe, Gustavo corre na direção de Azevedo, usando a sua cabeça para golpear sua barriga. Os dois caem no chão, mas Azevedo consegue tomar o controle da briga e acerta dois socos em Gustavo, desorientando-o.

Nesse momento, Azevedo se levanta e começa a passar as mãos pela cintura, à procura do seu revólver, e se desespera ao perceber que está desarmado. Ele olha para o lado e percebe a presença de uma barra de ferro encostada à cama, o que o faz desesperar-se ainda mais. Ao fundo da cena, Maria entra no quarto com o revólver de Azevedo em mãos e atira nas suas costas. Azevedo estaciona após ser alvejado por Maria; a moça tenta atirar novamente, mas não tem coragem; Débora entra no quarto, toma o revólver da mão de Maria e atira contra as costas de Azevedo. Em poucos segundos, Azevedo cai inerte no chão, com as costas da sua camisa manchadas de sangue.

Débora encara o corpo morto de Azevedo no chão e deixa escapar uma lágrima dos seus olhos. Maria larga a arma da mão de Débora e tenta abraçá-la. Abraçadas, as duas se sentam no chão e choram. Nesse momento, Gabriel e Igor entram no quarto.

GABRIEL – Nós já chamamos a polícia, por favor—

Os dois se assustam ao ver Azevedo morto, Gustavo inconsciente e Débora e Maria abraçadas e chorando.

IGOR – O que vocês fizeram?

Gabriel vai até Gustavo e procura sinais vitais nele, sendo bem-sucedido. Ele respira aliviado ao perceber que Gustavo começa a se mover.

MARIA (chorando) – Ou era ele, ou era o Gustavo. Nós preferimos o Gustavo.

GABRIEL – A nós vocês não precisam explicar nada. Vocês têm que se explicar à polícia, ela já está a caminho.

IGOR – Isso tá muito “Amor & Revolução”.

Débora e Maria se apartam do abraço e se levantam do chão.

MARIA – Vocês chamaram a polícia?

IGOR – Sim. Mas vejo que quem vai voltar para a cadeia não vai ser ele, e sim vocês duas.

DÉBORA – Não. Podem me levar, mas a Maria eles não vão levar. Quem matou o Venâncio fui eu.

MARIA – Fomos nós duas que matamos o Venâncio, Débora.

DÉBORA – De qualquer forma, eu não vou deixar você pagar por esse crime. Eu assumo toda a responsabilidade.

Igor e Maria se encaram. Ele aparenta estar muito confuso.

DÉBORA – Eu volto pra cadeia. Se eu for condenada, cumpro a pena integralmente. E quando eu sair da prisão, eu vou embora do Brasil, reconstruo minha vida lá em Portugal, e nunca mais volto para cá. Eu não vou mais atrapalhar a vida de vocês.

Débora para de olhar para o corpo de Azevedo e encara Igor e Maria, a esta altura já abraçados. Ela sorri para eles, sendo retribuída apenas por Maria. Igor continua confuso.

CENA 09: CHURRASCARIA/INT./TARDE

Carolina, Dimas, Helena, Jonas, Júlio e Ricardo estão sentados em uma mesa. Há quatro cadeiras vazias na mesa, destinadas a Gustavo, Guto, Igor e Maria. O garçom serve os jovens com copos de vidro e põe uma garrafa de refrigerante e uma garrafa de cerveja em cima da mesa, deixando-os livres para se servirem como quiserem. Jonas e Ricardo são os únicos que se servem com a cerveja, os restantes preferem o refrigerante.

JONAS – Vai querer não, Dimas?

DIMAS – Não, obrigado. Da última vez que eu bebi, as minhas pernas ficaram com tanta raiva que elas pararam de falar comigo.

Todos riem da resposta de Dimas.

HELENA – Definitivamente, o Dimas superou esse acidente… tá até fazendo piada com isso.

DIMAS – Ah, Helena, o brasileiro é tão masoquista que consegue rir da própria desgraça.

RICARDO – E tu, primo? Não vai tomar uma cervejinha não?

JÚLIO – Bicha, eu vou dirigir.

RICARDO – Ai, é mesmo. Desculpa.

Carolina, Dimas, Helena e Jonas riem de Ricardo, que esconde o rosto de vergonha. Júlio tenta, mas não resiste e ri também.

DIMAS – Cadê esse povo que não vem?

HELENA – Devem ter seus motivos. Mas não se preocupe, eles vêm.

JÚLIO – Enquanto isso, nós já vamos começar a comemorar. Vocês vão querer comer o quê?

JONAS – Comida.

Júlio, que já havia pegado o cardápio, imediatamente o larga em cima da mesa e encara Jonas com um olhar irônico. Jonas encontra grandes dificuldades em se manter sério. Ricardo não resiste e começa a gargalhar, contagiando a todos em questão de segundos. Assim que todos param de rir, Dimas chama a atenção de todos.

DIMAS – Gente, chegou a hora. Agora eu vou revelar mais um motivo que me levou a querer convocar essa festa.

HELENA – Sim, e qual seria?

Nesse momento, Ricardo se levanta de sua cadeira e se ajoelha ao lado da cadeira de Dimas. Logo, todos entendem o que está havendo.

DIMAS – É oficial, gente. Dimas Vasco Martins e Jonas Ricardo Azevedo Gonçalves voltaram a namorar.

Dimas e Ricardo trocam um rápido beijo, sendo ovacionados pelos amigos. Assim que as palmas se dissipam, Jonas chama a atenção de todos.

JONAS – Aproveitando a deixa, eu também gostaria de fazer um comunicado à Corrente.

Jonas aproxima sua cadeira da de Helena.

JONAS – Sim, eu ainda estou em pleno processo de divórcio, mas, para todos os efeitos, eu já estou separado da Carolina, já sou livre e desimpedido. Por isso, eu venho aqui comunicar a vocês que Jonas Ricardo Azul de Souza Mendes e Lúcia Helena Pires Andrade da Costa estão namorando.

HELENA – Nós também gostaríamos de saber se os integrantes da Corrente aqui presente, em especial a Carolina, apoiam o nosso relacionamento.

JÚLIO – Olha, por mim, vocês podem namorar à vontade. Vocês têm o meu apoio.

RICARDO – A felicidade do Jonas é a minha felicidade. Se a felicidade dele é ao lado da Helena, então que assim seja.

DIMAS – Eu tô com o Ricardo.

CAROLINA – Bom… é complicado para mim falar sobre isso.

JONAS – Antes de tu continuar a falar, Carolina, nós dois queríamos que tu soubesse que nós dois não somos adúlteros, não somos amantes. Nosso relacionamento nem chegou a nascer e tu já quis abortar.

HELENA – Eu só havia me declarado para o Jonas. E ele me disse que eu tinha feito ele se sentir amado de uma maneira que você nunca havia feito. Depois, a gente se beijou, você viu e aconteceu o que todos nós sabemos. O Jonas nunca te traiu, muito menos comigo. Foi só um beijo.

CAROLINA – Mesmo assim, eu me senti traída.

JONAS – A traição que tu sentiu nunca chegou a se consumar, pode acreditar na gente.

CAROLINA – Mas apesar de tudo, eu não desejo a infelicidade de vocês. Se vocês estiverem se unido pelo amor, ao contrário de mim e do Jonas que nos unimos por causa de filho, vocês têm sim o meu apoio. Eu desejo que vocês sejam muito felizes juntos.

Helena e Jonas sorriem e trocam um beijo. Aos poucos, o novo casal é aplaudido pelos amigos.

CENA 10: CASA DE MAURÍCIO E TALITA/SALA/INT./TARDE

Bárbara, Jéssica, Larissa e Talita estão reunidas na sala, sentadas no sofá, conversando sobre Luís.

BÁRBARA – Vocês sabem quando ele recebe alta?

JÉSSICA – Ouvi dizer que antes do fim do mês ele sai do hospital.

TALITA – Graças a Deus.

LARISSA – Com certeza, ele foi a maior vítima daquela louca da Débora. Ela seduziu o Luís, jogou ele contra a própria irmã, a única pessoa que ele amava.

TALITA – Por causa dela, o Luís encheu a cara, fez o maior barraco com a Maria e o Igor. Falou mal de todo mundo lá naquela casa, reproduzindo as mensagens da Débora como se fossem verdades inquestionáveis. A Débora fez a Maria se passar pela verdadeira vilã daquela história. E quando ele caiu em si, quando ele percebeu aonde ele tava caindo, ele tentou arrumar uma chance de se afastar da Débora, mas ela tentou impedir. Resultado: deixou o Luís naquela maca de hospital, todo furado feito uma peneira…

Talita interrompe sua fala e tenta se controlar para não chorar.

TALITA – Desculpa, gente. É que eu fico muito indignada com isso.

LARISSA – A gente te entende, Talita. O que a Débora fez é muito revoltante. Mas felizmente ela já está presa, pagando por tudo o que fez contra a Maria e o Luís.

JÉSSICA – É por isso que eu não tive coragem de acompanhar o Júlio até a delegacia. Se eu visse a Débora lá, era capaz de eu querer entrar dentro daquela cela e estrangular aquela mulher.

BÁRBARA – Tenho tanta pena do Luís… foi tão iludido pela Débora… deve sair traumatizado. Talvez ele nunca mais queira se envolver com ninguém por causa do que a Débora fez com ele.

TALITA – Ai, Bárbara, também não é pra tanto. Ele vai encontrar, sim, alguém que realmente se importe com ele, alguém que consiga fazê-lo se sentir amado. Eu sinto que o futuro dele não é a solidão, a solteirice. Ele vai ter alguém pra chamar de meu amor.

JÉSSICA – Mas quem?

TALITA – Como é que eu vou saber, Jéssica?

As quatro continuam conversando.

CENA 11: CASA DE GUTO E LUCIANA/SALA/INT./TARDE

Luciana está sentada no sofá. Ao seu lado, duas malas. Ela está conversando no celular com Débora.

DÉBORA (cel.) – Não existe mais plano. Acabou tudo. Joguei tudo pro ar. Matei o Azevedo, vou voltar pra cadeia e tudo vai voltar ao normal.

LUCIANA – Onde você está?

DÉBORA (cel.) – Estou esperando a polícia chegar. Eu estou aqui na mansão Andrade da Costa.

LUCIANA – Eu vou até aí.

Antes que Débora responda, Luciana encerra a ligação. Nesse momento, Guto chega na sala de estar.

GUTO – Para onde você vai?

LUCIANA – Para a mansão Andrade da Costa.

Guto estranha a resposta de Luciana, mas ele não se atém a entendê-la. Ele pega as malas de Guto e se dirige ao portão.

GUTO – Vamos.

Guto põe uma das malas no chão, tira a chave do bolso e abre o portão. Ele sai de casa, deixando uma das malas dentro de casa. Luciana se levanta do sofá, pega a mala, fecha e tranca o portão.

CENA 12: MANSÃO ANDRADE DA COSTA/SALA/INT./TARDE

Alice, Gabriel, Gustavo, Igor e Maria estão no centro da sala de estar, conversando sobre o ocorrido no quarto dos dois últimos. A câmera vai focalizando em Débora, localizada ao fundo da cena, próxima a escada. Ela vai se afastando, indo em direção à porta de entrada da mansão. Ao abri-la, ela se surpreende ao ver Luciana prestes a tocar a campainha.

DÉBORA – Achei que você ia demorar.

LUCIANA – Tenho um bom motivo para você desistir de aceitar passivamente o seu retorno à prisão.

DÉBORA – E qual seria?

LUCIANA – Vocês iam sequestrar a Maria, certo?

DÉBORA – Aham.

LUCIANA – Vocês pediram resgate?

DÉBORA – Quando o Azevedo fez a mim e à Maria de reféns, ele pediu resgate. O tio Gabriel entregou uma maleta com dois milhões de dólares a ele.

LUCIANA – E onde está essa maleta?

DÉBORA – Está lá em cima, no quarto.

LUCIANA – Seguinte: nós vamos até lá, pegamos a maleta e a arma. Em seguida, nós fugimos da mansão antes da polícia chegar. E então, nós armamos uma emboscada para matar o Dimas e, em seguida, fugimos com o dinheiro.

DÉBORA (surpresa) – Meu Deus, isso é mirabolante demais. Acha que isso vai dar certo?

LUCIANA – Se eu não achasse, não tinha criado esse plano. Vamos.

Cautelosamente, Luciana entra na mansão e fecha a porta de entrada. Em seguida, as duas sobem as escadas.

CENA 13: MANSÃO ANDRADE DA COSTA/QUARTO DE IGOR E MARIA/INT./TARDE

Débora e Luciana entram no quarto. Luciana se horroriza ao ver o corpo de Azevedo caído de costas no centro do quarto. Débora, por sua vez, pega o revólver e a maleta com o dinheiro.

LUCIANA – Você o matou?

DÉBORA – Eu e a Maria. Nós duas atiramos nele. Mas eu assumiria a culpa.

LUCIANA – Desculpa, mas isso é coisa de gente otária.

DÉBORA – Tá, vamos.

As duas se retiram do quarto. A porta é fechada.

CENA 14: CARRO DE DÉBORA/INT./TARDE

As duas portas dianteiras do carro são fechadas, em sincronia com a cena anterior. Débora está no banco do motorista e Luciana no banco do acompanhante.

DÉBORA – E agora, o que você pretende fazer?

LUCIANA – Vamos até a casa onde o Dimas e o Ricardo moram. Nós ficamos a uma distância saudável, onde não reconheçam o carro nem a gente. Quando o Dimas aparecer, uma de nós atira pra matar. Pronto, nós fugimos e desaparecemos do mapa.

Débora encara Luciana, que sorri para a amiga.

LUCIANA – Relaxa, amiga. Vai dar tudo certo.

Débora sorri de volta para Luciana e dá partida no carro.

CENA 15: MANSÃO ANDRADE DA COSTA/SALA/INT./TARDE

Alice, Gabriel e Maria estão na sala de estar, junto com alguns policiais. Gabriel conversa com eles, explicando a situação.

GABRIEL – A minha nora foi feita de refém dentro do próprio quarto pelo Assassino do Origami. A minha sobrinha Débora Matias Andrade Bastos, que fora presa há pouco tempo por homicídio, foi sua cúmplice e ajudou na tentativa de sequestro. As duas assassinaram o homem com a arma que ele usava.

Nesse momento, Gustavo e Igor descem as escadas, preocupados, chamando a atenção de quem está em cena.

GUSTAVO – Uma tragédia.

ALICE – O que houve, meu filho?

IGOR – Eu sabia que aquela redenção era falsa. É a terceira vez que ela nos engana.

MARIA – O que aconteceu, Igor?

GUSTAVO – Gente, a Débora fugiu. Ela levou a maleta com o dinheiro do resgate pedido pelo Assassino do Origami e a arma do crime.

IGOR – A única certeza que eu tenho é que ela vai tentar matar mais alguém. Ou ela vai até o hospital para matar o Luís, ou ela vai à casa da dona Larissa para matar o Dimas.

Todos se entreolham, surpresos com o que ouvem de Gustavo e Igor.

CENA 16: FORTALEZA/EXT./TARDE

Imagens da Praia de Iracema. Anoitece.

CENA 17: RUA/ESQUINA/EXT./NOITE

O carro de Débora está parado em uma esquina. A visão de Débora e Luciana está virada para a casa de Larissa. Luciana percebe uma movimentação ao fundo da cena e reconhece tratar-se de Carolina, Dimas, Jonas, Júlio e Ricardo. Nesse momento, Luciana bate no braço de Débora, assustando-a.

LUCIANA – Me dá a arma.

DÉBORA – Ai que susto, Luciana!

LUCIANA – Isso, fala mais alto, assim a vizinhança nos descobre. Anda, me dá a arma.

DÉBORA – Tá no porta-luvas, ô jumenta.

LUCIANA – Você me respeite, sua vaca.

Luciana abre o porta-luvas e tira de lá o revólver de Azevedo. A moça, então, se acomoda no banco: ela põe a cabeça e os braços para fora do carro e tenta mirar com o revólver na cabeça de Dimas.

DÉBORA – Gente, isso não vai dar certo…

LUCIANA – Cala a boca, Débora. Vai dar certo sim. Tem fé.

Luciana mantém a mira na cabeça de Dimas. Os cinco jovens são recebidos por Luciana, que os cumprimenta um por um. Em seguida, eles se preparam para ajudar Dimas a entrar na casa de Luciana. Nesse momento, Luciana destrava a arma e põe o dedo no gatilho. Porém, antes do disparo ser efetuado, Débora e Luciana se assustam quando um gato pula em cima do capô do carro. Luciana se mexe e dispara: o tiro acerta de raspão o braço de Jonas, que imediatamente põe a mão no braço e olha na direção do carro de Débora. O gato, assustado com o disparo, sai correndo.

Todos olham na direção do carro de Débora. Desesperada, Débora dá partida no carro e foge a toda velocidade. Poucos segundos depois, duas viaturas policiais as seguem.

JONAS – Era a Débora e a Luciana, eu vi!

DIMAS (desesperado) – Elas vieram para me matar, gente!

LARISSA – Como assim, Dimas?

DIMAS – Elas vieram pra cá querendo me matar. O tiro que acertou o braço do Jonas era pra mim! Elas estavam escondidas ali prontas pra dar o bote em mim!

JÚLIO – E, pelo visto, a polícia também tava escondida pronta pra dar o bote nelas. Felizmente, elas erraram o alvo e agora a polícia tá atrás delas.

CAROLINA – Tu tá bem, Jonas?

JONAS – Tô sim, não se preocupem comigo. O tiro pegou de raspão, não foi nada demais não.

JÚLIO – Vamo pra casa, Jonas. A gente vai resolver isso. Agora, o caso daquelas duas é com a polícia.

Os seis param de olhar para onde os carros foram e voltam ao que estavam fazendo. Depois que Dimas consegue entrar, é a vez de Larissa e Ricardo entrarem em casa. Em seguida, Jonas e Júlio se dirigem à casa de Jéssica e Carolina se dirige à casa de Angelo.

CENA 18: CARRO DE DÉBORA/INT./NOITE

Débora está fugindo em alta velocidade. Tanto ela quanto Luciana transparecem desespero.

DÉBORA – Eu sabia que isso ia dar errado, eu sabia!

LUCIANA – A culpa foi daquele gato. Se ele não tivesse assustado a gente, eu tinha conseguido dar aquele tiro na cabeça daquela baitola aleijada!

DÉBORA – A polícia tava na toca, eles iam estar atrás da gente do mesmo jeito!

LUCIANA – Mas a gente ia conseguir se vingar. Se eu tivesse que ser presa, eu ia feliz porque tinha me vingado daquele viado maldito!

DÉBORA – Pelo menos nós estamos com o dinheiro. Agora vamos nos concentrar em fugir da polícia.

LUCIANA – Do jeito que a sorte tá do nosso lado, é bem capaz dessa rua ser fechada por duas viaturas…

Assim que Luciana para de falar, duas viaturas surgem na rua transversal e obstruem o caminho para Débora e Luciana. O carro de Débora é forçado a parar. Assim que o carro estaciona, as duas levantam as mãos. As quatro portas das duas viaturas se abrem para a saída dos policiais.

DÉBORA (irônica) – Obrigada, Luciana.

As duas portas dianteiras do carro de Débora são abertas.

CENA 19: FORTALEZA/EXT./NOITE

Imagens do Aeroporto Internacional Pinto Martins.

Letreiro: “Seis meses depois…

CENA 20: TRIBUNAL/SALA DE JULGAMENTO/INT./NOITE

Débora e Luciana encontram-se no banco dos réus, na companhia de seus respectivos advogados de defesa. No banco das vítimas, estão Dimas, Jonas e Maria. Alice, Carolina, Gabriel, Gustavo, Guto, Helena, Igor, Jair, Jéssica, Júlio, Maurício e Ricardo estão juntos no público da audiência. O juiz se levanta, já com o veredito final.

JUIZ – Tendo sido apresentadas todas as provas favoráveis a este veredito e com o apoio da maioria dos votos do júri popular, eu declaro as rés Débora Matias Andrade Bastos e Luciana Azevedo Gimenez culpadas de todas as suas acusações.

Nesse momento, Débora e Luciana se entreolham. Todos os demais personagens se quedam satisfeitos com a condenação das duas.

JUIZ – Condeno a ré Luciana Azevedo Gimenez a 4 anos de prisão em regime fechado pela tentativa de homicídio contra Dimas Vasco Martins e lesão corporal contra Jonas Ricardo Azul de Souza Mendes. Condeno também a ré Débora Matias Andrade Bastos a 28 anos de prisão em regime fechado pela tentativa de homicídio contra Luís Eduardo de Castro e Maria Eduarda de Castro, pelos homicídios de Cassandra Matias Andrade Pires e Venâncio Soares Azevedo e pelos mesmos crimes cometidos pela ré Luciana Azevedo Gimenez.

O juiz bate o martelo, indicando o encerramento do julgamento.

JUIZ – Declaro encerrada a sessão.

Prontamente, as duas são levadas em custódia por policiais. Vão cumprir suas penas em presídio. Dimas, Jonas e Maria comemoram a prisão de Débora e Luciana.

CENA 21: TRIBUNAL/EXT./NOITE

Aos poucos, os cidadãos que assistiram ao julgamento de Débora e Luciana vão saindo do tribunal. O foco vai para Alice, Gabriel, Gustavo, Guto, Helena, Igor e Luís. Este último ainda possui feridas em cicatrização no rosto e no pescoço, mas aparenta estar recuperado fisicamente.

LUÍS – Tio Gabriel…

GABRIEL – Diga, Luís.

LUÍS – Eu esperei toda essa história do julgamento da Débora e da Luciana passar para poder comunicar ao senhor e a toda a família de algo que ocorreu comigo durante este tempo que eu estive me recuperando. Eu não quis deixar vocês preocupados com dois assuntos.

GABRIEL – Do que se trata, Luís?

LUÍS – Durante esses nove meses, eu conheci uma pessoa… eu conheci uma mulher.

GABRIEL – Sério?

LUÍS – Sim, tio…

A cena clareia.

CENA 22: SEQUÊNCIA DE CENAS

São exibidos vários takes descontínuos de sessões de recuperação de Luís no hospital, a maioria contando com a presença de Alice, Bárbara, Fátima, Helena, Jéssica, Larissa e/ou Talita.

LUÍS (voz) – Ela sempre me fez companhia durante a época em que eu estive no hospital, nas minhas sessões de reabilitação, durante os meus exames de check-up… ela esteve faltosa em poucas oportunidades, mas eu sempre sentia a sua presença dentro de mim. Ela me deu muita força, muitos votos de boa sorte, ela me ajudou bastante. E eu devo a minha rápida recuperação a ela, ela foi a minha motivação.

GABRIEL (voz) – E por acaso nós a conhecemos?

LUÍS (voz) – Sim… quer dizer, não… ehm… ahm… quer dizer, eu não sei se vocês a conhecem. Não sei qual o grau de intimidade dela com vocês. Mas comigo, o grau de intimidade dela é enorme. Me arrisco a dizer que estou apaixonado por essa mulher.

GABRIEL (voz/rindo) – Que bom, Luís. Fico muito feliz por vocês.

LUÍS (voz) – Mas o grande problema é que ela é uma mulher casada. Mas nos últimos dias, nós conversamos e eu me declarei pra ela. Eu descobri que o meu amor por ela é recíproco, e ela me disse que estava disposta a se separar do marido para ficar comigo.

GABRIEL (voz) – Ouvir isso me deixa um pouco mais tranquilo. Eu ficaria muito desgostoso em saber que eu eduquei um adúltero.

LUÍS (voz) – Eu estou falando isso para o senhor também em clima de despedida, porque nós estamos nos preparando para abandonar Fortaleza. Vamos viver nosso amor em São Paulo.

O último take mostra Luís sorrindo para Bárbara, Jéssica, Larissa e Talita.

CENA 23: TRIBUNAL/EXT./NOITE

Gabriel e Luís estão um de frente para o outro. Ao fundo, Alice, Gustavo, Guto, Helena, Igor e Jonas observam a conversa atentamente.

LUÍS – Teremos vida nova em São Paulo. Já está tudo pronto, o voo está marcado para amanhã de manhã.

ALICE – Luís…

LUÍS – Sim, tia Alice?

ALICE – Eu acho que não havia necessidade de você nos ter escondido isso. Por mais que seja um assunto que competia mais a vocês dois, pelo menos eu e o Gabriel deveríamos ter sido informados dessa história. Nós teríamos o maior prazer em entender a situação, em ajudá-lo a lidar com ela e, talvez, mediar todo esse processo.

LUÍS – Eu não acho, tia Alice. Foi melhor que acontecesse assim mesmo. Foi melhor que nós mesmos assumíssemos o controle da situação nesses nove meses. Nós elaboramos e tentamos pôr em prática muitas ideias mirabolantes das quais nos arrependemos de ter tido e agradecemos por não termos conseguido pôr em prática. Mas, agora, nós temos certeza de que estamos fazendo a coisa certa. Ela me disse que já pediu o divórcio e que, à altura da viagem, ela já está separada do marido.

IGOR – Diz aí, Luís, quem é a felizarda?

LUÍS – Eu prefiro manter a identidade dela em segredo. No aeroporto, vocês vão conhecê-la.

GABRIEL – Certo, então. Vamos pra casa?

LUÍS – Podem ir, eu vou depois. Eu ainda tenho alguns assuntos para resolver.

GUSTAVO – Tudo bem, Igor.

Alice, Gabriel, Gustavo, Helena, Igor e Jonas se despedem de Guto e Igor. Os dois vão até o carro de Guto e entram; Guto dá partida no carro e ele segue. Em seguida, Jonas se despede de Helena com um beijo para, depois, se despedir dos cunhados e do sogro com um aperto de mão e com um beijo na mão da sogra.

CENA 24: FORTALEZA/EXT./NOITE

Imagens do Aeroporto Internacional Pinto Martins. Amanhece.

CENA 25: AEROPORTO/FACHADA/EXT./MANHÃ

Luís está em frente à entrada do Aeroporto Internacional Pinto Martins. Alice, Gabriel, Gustavo, Helena, Igor e Maria estão junto com ele, despedindo-se.

GUSTAVO – E a sua mulher, Luís? Ela não estaria aqui com você?

LUÍS – Acho que ela está lá dentro me esperando. Eu lhes convidaria a entrar comigo, para que vocês enfim a conheçam, mas eu já estou atrasado, tenho que ir correndo.

MARIA – Vá com Deus, irmãozinho. Seja muito feliz.

LUÍS – Eu serei, Maria. Tenha certeza disso.

Luís se vira e entra no aeroporto. Ele já não era mais tangível à família Andrade da Costa, já não estava mais em Fortaleza. Estava em São Paulo junto à sua amada. Mas quem é ela?

CENA 26: CASA DE JÉSSICA/SALA/INT./MANHÃ

Carolina, Dimas, Jonas, Júlio e Ricardo estão reunidos na sala de estar, conversando. A conversa é interrompida por Jéssica, que chama a atenção dos jovens.

JÉSSICA – Meus queridos…

RICARDO – Bênção, madrinha?

JÉSSICA – Deus te abençoe.

JONAS e RICARDO – Bênção, mãe?

JÉSSICA – Deus lhes abençoe.

CAROLINA – Bênção, sogrinha?

JÉSSICA (rindo) – Deus te abençoe.

DIMAS – Ai, gente, me senti excluído.

Todos riem.

JÉSSICA – Deus te abençoe também, Dimas. Mas enfim, vocês sabem onde é que tá a Larissa?

Todos olham para Ricardo.

RICARDO – Por que tá todo mundo olhando pra mim?

JÚLIO (irônico) – Ah, sei lá, talvez porque ela é a tua mãe?

Nesse momento, a porta da casa de Jéssica se abre para a entrada de Larissa.

LARISSA – Desculpa, Jéssica.

JÉSSICA – Tudo bem, Larissa. Agora vamos, temos um almoço pra preparar pra esse batalhão que a gente chama de família.

As duas mulheres riem e se dirigem à cozinha. Os jovens ficam a sós em cena.

JÚLIO – Então, gente. Já está decidido. Agora mesmo eu vou até a casa do meu sogro e revelar a verdade pra ele. Eu vou revelar pra ele que eu era amante da minha sogra durante o tempo em que a Carolina era esposa do meu irmão. Pouco me importa como o Angelo vai reagir à notícia, mas eu preciso disso pra ter a minha consciência limpa.

JONAS – Vá, meu irmão. Faça isso.

Júlio sorri para o irmão, a namorada, o primo e o cunhado, se levanta do sofá e se retira da casa de Jéssica.

CENA 27: CASA DE ANGELO/SALA/INT./MANHÃ

Júlio entra na casa de Angelo e se surpreende ao vê-lo sentado no sofá, cobrindo o rosto com as duas mãos, chorando copiosamente.

JÚLIO – Seu Angelo?

Imediatamente, Angelo tira as mãos do rosto e olha para Júlio. Pela primeira vez em anos, Júlio vê um sorriso se formar no rosto daquele homem. Angelo se levanta do sofá, vai até Júlio e o abraça, voltando a chorar.

JÚLIO – O que houve, seu Angelo?

ANGELO – Ela nos enganou, Júlio… aquela vagabunda nos usou…

JÚLIO – Do que o senhor tá falando, seu Angelo?

Angelo e Júlio se apartam do abraço.

ANGELO – A Bárbara. Ela fugiu ontem de madrugada. Ela deixou um bilhete antes de fugir, contando que vocês dois eram amantes.

Júlio se surpreende com o que ouve de Angelo e fica com medo da reação do sogro.

JÚLIO – Seu Angelo—

ANGELO – Não precisa dizer nada, Júlio. Eu te entendo perfeitamente. Tu foi usado pela Bárbara do mesmo jeito que ela me usou. Ela disse que te amava, não é verdade?

JÚLIO – Sim, seu Angelo, ela sempre me dizia que eu era mais marido dela do que o senhor. Eu era a razão de viver dela.

ANGELO – Pois ela fugiu com outro amante.

Júlio se surpreende com o que ouve do sogro.

ANGELO – Aquela ordinária não te ama, Júlio. Ela não ama ninguém.

Angelo e Júlio ficam se encarando.

CENA 28: SÃO PAULO/EXT./TARDE

Imagens da Avenida 9 de Julho.

Imagens da Avenida D. Pedro I.

Imagens da Avenida dos Bandeirantes.

CENA 29: HOTEL/QUARTO/INT./TARDE

Luís está deitado na cama, só de cueca. Uma mulher sobe em cima da cama e se senta no seu colo, ficando de costas para a câmera.

LUÍS – Você me deixa louco…

A mulher põe o dedo nos lábios de Luís, pedindo para que ele fique quieto. A câmera muda de ângulo, focalizando o rosto daquela mulher: é Bárbara.

BÁRBARA – Você não viu foi nada, meu amor…

Bárbara puxa Luís, colando seu corpo no dela. Os dois começam a se beijar vorazmente. Os dois se viram na cama, pondo Luís em cima de Bárbara. Enquanto os dois se despem, a câmera dá zoom, focalizando a vista do quarto.

BÁRBARA (voz) – O Angelo me mostrou o que é amor. Mas isso foi lá em 1989. Depois que o meu filho nasceu, nosso relacionamento caiu numa tediosa rotina onde eu não me sentia mais como esposa dele, e sim como irmã. Por isso, me entreguei a vários amantes durante os 26 anos seguintes. Foi aí que eu me mudei para Fortaleza e conheci o Júlio: mais do que apenas sexo, ali tinha amor. Eu encontrei no Júlio tudo o que mais me atraía em um homem. Não vou mentir, o Júlio continua sendo o homem da minha vida. Mas o Luís Eduardo tem algo que o Júlio não tem: dinheiro. Os dotes dele são bem melhores, mas se o Júlio tivesse o dinheiro que ele tem, eu não teria trocado ele pelo Luís.

As risadas e gemidos de prazer de Bárbara ecoam em cena.

CENA 30: FORTALEZA/EXT./TARDE

Imagens do Aeroporto Internacional Pinto Martins.

CENA 31: PRESÍDIO/SALA DE VISITAS/INT./TARDE

Dimas, Larissa e Ricardo estão sentados na sala de visitas, esperando a entrada de Douglas. A porta da sala de visitas se abre e Douglas entra na companhia de dois policiais. Ele se senta em uma cadeira, de frente para os três.

DOUGLAS – Lembrou que tem um pai, né, Dimas?

DIMAS – Boa tarde pro senhor também, papai.

RICARDO – Boa tarde, sogrinho.

DOUGLAS – Eu prefiro você calado, sabe?

Ricardo ri de Douglas.

DOUGLAS – Enfim, o que lhe traz até aqui.

DIMAS – Boas notícias. Uma data comemorativa.

DOUGLAS – Explique-se melhor, Dimas.

DIMAS – Hoje fazem nove meses que o homem que destruiu nossa vida morreu.

DOUGLAS – Hã?

DIMAS – Não contaram pro senhor?

DOUGLAS – O quê?

DIMAS – Faz nove meses que o Venâncio morreu. O delegado Azevedo, pai, o Assassino do Origami, o homem que matou o meu irmão!

Surpreso, Douglas se ajeita na cadeira. Seu rosto boquiaberto é, aos poucos, colorido por um sorriso de satisfação.

DOUGLAS – Não acredito…

Sorrindo, Dimas leva sua cadeira de rodas para mais perto de Douglas. Pai e filho se abraçam. Assim que se apartam, os dois olham para Larissa e Ricardo, que sorriem para eles.

DOUGLAS – E a moça bonita, quem é?

DIMAS – É a Larissa, minha sogra. Mãe do Ricardo.

LARISSA – Prazer em conhecê-lo, Douglas.

Douglas sorri para Larissa. Ele estende a mão a ela, que reproduz o gesto. As mãos se tocam; Douglas leva a mão de Larissa para mais perto do seu rosto e a beija delicadamente.

DOUGLAS – Prazer em conhecê-la, Larissa.

Dimas e Ricardo riem dos dois.

DOUGLAS – Sabe, Ricardo… durante esse tempo que eu passei aqui preso, eu refleti bastante… cheguei à conclusão de que não tenho porque ficar me opondo à ideia de ter você como genro…

RICARDO – Douglas, eu gosto de você como sogro. E acho que vou adorar ter você como padrasto.

DIMAS – Ih, gente, vai rolar incesto.

RICARDO – Para com isso, Dimas, não vai ser incesto nenhum.

Dimas e Ricardo riem. Aos poucos, Douglas e Larissa se permitem contagiar pelas risadas.

CENA 32: MANSÃO ANDRADE DA COSTA/SALA/INT./TARDE

TRILHA SONORA: Esquiva da Esgrima – Criolo

Helena e Jonas no centro da sala. Na frente deles, uma mesa com um bolo de aniversário. Duas velas deixam subentendido que se trata de uma festa de aniversário de 18 anos. Também presentes em cena estão Alice, Carolina, Dimas, Fátima, Gabriel, Gustavo, Guto, Igor, Jair, Jéssica, Júlio, Larissa, Maurício, Ricardo, Talita, Venâncio e Vinícius. As velas são acesas.

TODOS (coro) – Parabéns pra você / Nessa data querida / Muitas felicidades / Muitos anos de vida!

Enquanto o coro repete a estrofe, Helena e Jonas trocam um rápido beijo. Os jovens aceleram as palmas, aprovando o beijo.

TODOS (coro) – É pique! É pique! É pique, é pique, é pique! É hora! É hora! É hora, é hora, é hora! Rá, tim, bum, Helena! Helena! Helena! Helena!

Todos batem palmas para Helena, que beija o rosto de Jonas.

JÚLIO (cantando) – Com quem será…

Imediatamente, Helena e Jonas começam a rir.

TODOS (coro) – Com quem será / com quem será / que a Helena vai casar? / Vai depender / vai depender / vai depender / se o Jonas vai querer!

Todos batem palmas.

JONAS – Ele aceitou, tá?

Juntos, Helena e Jonas se aproximam do bolo e assopram as velas. Salva de palmas.

Corte rápido. Todos os convidados da festa estão devidamente servidos. Takes descontínuos põem em destaque os casais da festa: Alice e Gabriel trocam um beijo, comemorando a felicidade; Carolina e Júlio enfim descobriram que se amam verdadeiramente; Helena e Júlio celebram o namoro; para não segurarem vela, Gustavo e Guto celebram a amizade que cultivam desde a infância; Dimas e Ricardo celebram o seu namoro e o futuro namoro de seus respectivos pais; Jair e Jéssica celebram a felicidade dos seus filhos; e, por fim, Igor e Maria chamam a atenção de todos subindo as escadas, ficando em uma posição privilegiada.

MARIA – Família! Eu gostaria de ter a atenção de todos!

Todos dirigem suas atenções a Igor e Maria, na escada.

MARIA – Então, eu serei breve. Para complementar o clima de plena felicidade da família Andrade da Costa, eu e o Pedro Igor gostaríamos de fazer um pequeno anúncio.

IGOR – Sim, gente. A família está aumentando. A Maria está grávida!

Imediatamente, os jovens começam a gritar e aplaudir, em comemoração. Igor e Maria se entreolham e trocam um beijo apaixonado, levando a todos ao delírio. A cena congela em um efeito dourado no beijo de Igor e Maria.

FIM DO ÚLTIMO CAPÍTULO.

MUITO OBRIGADO, QUERIDO LEITOR, POR TER ME AJUDADO A CHEGAR ATÉ AQUI, MAIS UMA VEZ. MUITO OBRIGADO MESMO.

45 thoughts on “Mundos Opostos – Capítulo 36 (Último Capítulo)

  1. E, pela quarta vez, eu chego até aqui. No último capítulo de uma web-novela. E, pela quarta vez, eu chego até aqui com a sensação de dever cumprido. Eu consegui trazer para vocês uma história curta, mas bem desenvolvida. Meu roteiro detalhista conseguiu imergir alguns leitores na minha narrativa, fazendo com que eles dialogassem comigo sobre a história, fizessem suas apostas sobre o que aconteceria nos capítulos seguintes. E falando em apostas, teve também uma enquete ontem para saber quem vocês achavam que ia morrer nesse capítulo, né? Pois bem, vejam lá o resultado da enquete:

    https://audienciadatvmix.wordpress.com/2016/09/17/amanha-no-ultimo-capitulo-de-mundos-opostos/

    Como vocês puderam ler nesse capítulo, a voz do povo foi a voz de Deus. O mais votado da enquete foi premiado com a morte neste último capítulo. Débora e Maria assassinaram Azevedo, impedindo que ele matasse Gustavo. O plano de Débora e Azevedo tinha ido pro ralo, pois ela havia desistido de matar a Maria e quis que ele se contentasse com o dinheiro do resgate e fugisse. Ele não aceitou e ficou no comando da operação, sequestrando agora a Maria e a Débora. Ele conseguiu o resgate, mas não conseguiu fugir. Foi morto pela Débora e pela Maria.

    Paralelo a isso, tivemos o Guto cansando de acobertar as maluquices da Luciana. Ele a expulsou de casa e, por causa disso, ela teve que contar com o sucesso do plano da Débora e do Azevedo pra fugir junto com eles. Infelizmente, o plano foi pro saco, mas nem por isso ela desistiu. Ela conseguiu convencer a Débora a não abandonar por completo o plano. Por isso, elas decidiram fazer tocaia para emboscar o Dimas e matá-lo.

    Enquanto isso, o encontro da Corrente acontecia mesmo sem a presença de Gustavo, Guto, Igor e Maria. Dimas e Ricardo anunciaram o namoro, tal qual Jonas e Helena e também Júlio e Carolina. Assim que se encerrou o encontro, Carolina, Dimas, Jonas, Júlio e Ricardo voltam para casa. Dimas cai na armadilha de Débora e Luciana, mas se salva. Por causa de um gato, Luciana perde a concentração e erra o tiro: no lugar de matar Dimas com um headshot, ela só fere Jonas de raspão. As duas tentam fugir, mas é inútil: elas são presas.

    Passam-se nove meses. Chega o dia do julgamento de Débora e Luciana. As duas são consideradas culpadas de todos os crimes que cometeram e são condenadas a, respectivamente, 28 e 4 anos de prisão. É o fim das vilãs de Mundos Opostos. Em seguida, é hora de solucionar um dos maiores mistérios da reta final da trama: Luís revela que está apaixonado por uma mulher casada. Ele avisa que vai ir embora de Fortaleza com a amada, reconstruir sua vida em São Paulo. E ele esconde a identidade da amada de todos. Só depois da viagem que descobrimos quem ela é: trata-se de Bárbara, que abandonou seu casamento com o Angelo e o seu caso amoroso com Júlio para ter uma vida de luxo, riqueza e prazer com Luís.

    E por último, mas não menos importante, temos o que seria o início da formação de um novo casal. Dimas revela ao pai Douglas que Azevedo morreu. De quebra, Douglas conhece Larissa, a mãe de Ricardo, e não esconde o seu interesse nela. Antes namorados, Dimas e Ricardo viraram também “irmãos”. Parece estranho, né? E que tal o Venâncio e o Washington de Empregados contra Patrões, dois irmãos que viraram “genro” e “sogro” porque o Venâncio se casou com a mãe do namorado do Washington?

    E assim, todos tiveram o seu felizes para sempre. E fim.

    Para encerrar o comentário, gostaria de agradecer a cada leitor que dedicou uma parte do seu tempo para contribuir para o sucesso de Mundos Opostos. Desde a você, que só comentou parabéns em um único capítulo da trama, até você que sempre fez todo o possível para se atualizar na trama e comentar fielmente em todos os capítulos da trama, dialogando sobre a história, torcendo a favor ou contra esse ou aquele personagem, dando vida à web-novela. Sou grato a cada um de vocês por ter me motivado a levar Mundos Opostos até o fim.

    Mas claro, sempre tem aqueles que vão merecer um pedido de agradecimento especial. Primeiramente, gostaria de agradecer nominalmente ao Caíque Martins, responsável pela abertura e encerramento de Mundos Opostos e também responsável pelas chamadas da web. Sem sombra de dúvidas, ele foi meu principal incentivo para levar MO até o fim. Gostaria também de agradecer ao Willian Gonçalves, vulgo @willianmx, coordenador do horário onde MO foi exibido e também responsável pelo logotipo e pelas chamadas da web. Se não fosse por ele, eu talvez não estaria aqui exibindo o último capítulo dessa web. Quem também merece o meu obrigado é o Brenddo Farias, vulgo @brenddofarias, coordenador de web-dramaturgia do Tv Mix. Serei eternamente grato a ele por ter me dado a chance de exibir minha primeira web-novela aqui no Tv Mix, há quase exatos um ano e nove meses. E, novamente, muito obrigado a todos que tiveram algum tipo de envolvimento com Mundos Opostos, eu agradeço cada um de vocês.

    Eu considero Mundos Opostos a melhor web-novela que eu já escrevi até agora. Foi uma trama bem desafiadora, mas eu consegui conclui-la com sucesso sem maiores problemas (por favor, esqueçam a minha extrema dificuldade em levá-la ao ar no horário certo). Espero poder voltar a escrever para o Tv Mix, mas isso já é algo a se planejar para 2017. Enfim, boa leitura (para você que se assustou com o tamanho do capítulo, leia o resumo acima que eu fiz) e, se possível, comente e opine sobre o capítulo. Eu preciso da opinião de vocês para enfim sentir que eu concluí mais uma web-novela. Leiam, comentem, opinem e, se possível, também divulguem o capítulo. Ficarei muito grato se receber essa ajuda.

    Curtido por 7 pessoas

  2. Infelizmente foi outro projeto que não consegui acompanhar como eu gostaria de ter acompanhado. Mesmo assim me atrevo a dizer que sou um grande admirador do seu trabalho Glay, acompanhei alguns, outros apenas de início, outros apenas ouvi falar, mas que fiquei sabendo da grandiosidade que todos tinham, assim como foi “Amizade de Isopor” que tive a honra de ler alguns capítulos (não todos, infelizmente), e sei que de certa forma essa trama é o segmento da tão aclamada ADI, (e que talvez podemos considerá-la seu mimo?), bom, tudo o que eu aqui dizer não chegará nem perto do meu desejo de ter acompanhado essa trama, mas eu estive ocupado, o que é uma pena. Mas volto a dizer que de certa forma estou feliz por mais esse projeto seu realizado, meus sinceros parabéns, e quem sabe eu possa acompanhar um próximo projeto seu.
    Belíssima ❤

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    • Fico muito feliz em ver essas palavras vindas de você, Hivan. Fico muito feliz em saber que você considera todos os meus trabalhos grandiosos, isso me faz ter cada vez mais orgulho de ter escrito todos eles.

      Sim, AdI é o meu xodó. Eu amei ter escrito aquela web-novela, eu tenho muito carinho pelos personagens que eu criei ali e, por isso, eu lhes dei a chance de continuar tendo vida aqui no mundo virtual, inserindo-os em Mundos Opostos. Eles são uma das muitas famílias que eu tenho, e eu os amo muito.

      Muito obrigado, Hivan. Muito obrigado pelo comentário… muito obrigado por ter contribuído para o sucesso de Amizade de Isopor, O Resgate e Mundos Opostos… muito obrigado por ter feito sua parte pra fazer o meu trabalho ter valido a pena. Eu espero que você consiga acompanhar o meu próximo trabalho. Tenho algumas ideias boas, mas só poderei desenvolvê-las e tentar mostrar para vocês em 2017. Mas enfim, novamente, muito obrigado, Hivan ❤ :*

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  3. Débora se regenerou, matou Azevedo, Luciana tentou matar Dimas e as duas foram presas: Débora fez um bem pra humanidade, matou o verme do Azevedo
    Luís e Bárbara terminaram juntos, nunca pensei nessa possibilidade
    Jonas e Carolina se separaram (prova de que o amor não é eterno) e Jonas ficou com Helena (sem palavras)
    Parabéns, Glay!
    Esse último capítulo foi ótimo

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    • Sabe, não estava nos meus planos matar o Azevedo. Mas como eu formulei a enquete para fazer da voz do povo a voz de Deus, então eu fiz a Débora e a Maria matarem o Azevedo. Foi melhor assim mesmo, elas fizeram um bem à humanidade, como você disse.

      As minhas intenções com esse casal foram concluídas com sucesso.

      Depois do que aconteceu naquele churrasco, não tinha mais como o Jonas ficar com a Carolina. Eles tinham que aceitar que não dava mais pra eles viverem juntos, e eles tiveram que se separar e correr atrás de quem eles realmente amavam: o Jonas ficou com a Helena e a Carolina ficou com o Júlio.

      Muito obrigado, Roberto. Sou muito agradecido a você por ter dedicado uma parte do seu tempo para ler Mundos Opostos, contribuir para o seu sucesso e ainda opinar sobre o capítulo lido. Fico muito feliz em ver o meu trabalho sendo bem avaliado pelos meus leitores. Novamente, muito obrigado, e espero continuar contando com você em um futuro projeto meu. ❤ 😀 😉

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  4. Ainda acho que o Angelo e o Júlio deveriam ter ficados juntos rsrs x😍
    Luís bobão 😂😂😂
    Luciana deveria ter sido mooooorta rsrs
    Meu dimardo venceu 😍
    Gente! É muita traição, putz 😂😂😂
    Adorei cada capítulo 😘😘😘

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    • Mas GeGeGeGeGeGeGeGeGeGeGe, você queria o Júlio passando o rodo na família inteira, né? 😛

      Bárbara tá fazendo bom proveito desse bobão, viu?

      Eles tinham que ficar juntos, felizmente a Luciana não conseguiu separá-los.

      Eu sofro.

      Muito obrigado, Jair. Muito obrigado por ter dedicado uma parte do seu tempo para ler a web-novela, contribuir para o seu sucesso e ainda comentar sobre a trama. Fico muito feliz em saber que você gostou de Mundos Opostos. Novamente, muito obrigado, e espero contar novamente com você em um futuro retorno meu à web-dramaturgia do Tv Mix. ❤ 😀 😉

      Curtido por 1 pessoa

    • Muito obrigado por ter contribuído para o sucesso de Mundos Opostos, Gremista. Muito obrigado mesmo. Espero contar com você no futuro, quando eu emplacar uma nova web aqui no Tv Mix ❤ 😀 😉

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  5. Apenas passando para prestigiar essa web que teve seus altos e baixos em audiência, mas merecia mais do que tem, quantidade não significa qualidade, mesmo que a web não tenha tido a audiência que merece, só pelo pouco que pude ler, ela tem bastante qualidade, isso eu me arrisco à dizer, pois nunca vi uma escrita tão boa e impecável, amoo 😍
    Parabéns por esse sucesso, que você possa ter mais webs de sucesso e que eu também possa conseguir acompanhar, foi uma pena não ter acompanhado Mundos Opostos, mas enfim, estupendo.

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    • Ai ❤

      Muito obrigado por essas palavras, Paulo, lhe sou muito agradecido por você ter ajudado a fazer o sucesso dessa web, por você ter dedicado uma parte do seu tempo para ler um pouco dela e pelas belas palavras que você me dirigiu sobre ela. É muito gratificante para mim. Novamente, muito obrigado pelas palavras e pelo apoio, espero que você consiga acompanhar meus próximos projetos para o Tv Mix ❤ 😉 😀

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  6. Bom, estou eu aqui… Vou falar do que mais me prendeu nesse capítulo:

    Essa sequência do quarto da Maria me deixou sem fôlego! Débora começou comandando tudo e, de repente, o jogo mudou completamente! Eu não sabia o que esperar… AZEVEDO MORREU! E Maria e Débora se consolando foi muito bonito!

    Logo depois, quando eu achava que tudo podia estar resolvido, vem Luciana com todo aquele ódio e começa outro episódio, pelo menos ela foi condenada a apenas 4 anos, já Débora… Coitada, vai envelhecer lá!

    A cena final foi muito interessante, e eu já esperava que algo assim fosse acontecer… Maria grávida!

    Bom, Glay, você sabe que eu não fui totalmente fiel à sua web, mas eu juro que fiz de tudo pra estar presente e nesse último capítulo não podia ser diferente. Quero te parabenizar por essa obra tão bem dirigida por você, e espero poder acompanhar de uma forma mais fiel uma outra produção sua. Parabéns! ❤

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    • Foi uma sequência bem trabalhosa de se fazer, mas o resultado final me agradou. Originalmente, eu faria de uma maneira diferente: o Azevedo não ia morrer. Mas como o público pediu, então eu o matei.

      Todos os personagens mereceram o final que eu julguei justo. Débora e Luciana foram para a cadeia pagando pelos crimes que cometeram, Luís e Bárbara se juntaram e foram para São Paulo, Júlio ficou com a Carolina, Jonas ficou com a Helena, e todos viveram felizes para sempre, inclusive a Débora.

      Eu te entendo, Bruno, sei que você não pôde ser um comentarista fiel de Mundos Opostos, mas a sua disposição em tentar embarcar na minha história e contribuir para o seu sucesso já conta e lhe faz merecedor do meu “muito obrigado”. Também espero que você consiga acompanhar fielmente o meu próximo projeto. Enfim, muito obrigado, Bruno ❤ 😀 😉

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  7. Primeiramente peço desculpas por não ter acompanhando Mundos Opostos, eu acabei não conseguindo, acho que li uns dois capítulos só, infelizmente, mas o que li, só comprovei novamente o quanto sua escrita é boa e descontraída. Enfim, eu queria muito ter lido a web, você que foi tão importante pro meu trabalho que antecedeu essa web, eu queria ter te prestigiado de forma decente e dar minhas opiniões e teorias rotineiras, mas enfim. Mesmo com todos os resumos, não consegui acompanhar. Mas sempre tentei me fazer presente e contribuir pelo menos com meu ponto.

    Eu fico feliz pelo sucesso da web, também fico feliz por você finalmente ter matado o Azevedo, amei isso, risos. Mas enfim, parabéns por mais um trabalho Glay, me desculpa por não ter acompanhado, não foi por falta de vontade, eu queria muito ter lido, mas ultimamente tá difícil mesmo, e espero ler um projeto futuro seu. Parabéns amigo. ❤

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    • Eu vi o seu esforço em tentar se atualizar em Mundos Opostos. Mesmo não tendo conseguido, você sempre tentou pelo menos contribuir com o sucesso da web com um pontinho. Sou muito agradecido a você por isso. Espero que, no futuro, você consiga acompanhar um projeto futuro meu. Enfim, muito obrigado, Jean ❤ 😀 😉

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  8. Então Glay, nem sei o que dizer…. Desculpe por não ter acompanhado sua trama, eu acompanhei no início, mas quando minha faculdade voltou, eu não consegui. Tentei voltar várias vezes, mas não deu, mesmo com os resumos semanais foi difícil. Lamento por isso, mas de qualquer forma, não podia deixar de vir dar os parabéns por mais um projeto que você finalizou, e que venham outros! 😀 ❤

    Curtido por 1 pessoa

    • Entendo o seu esforço em tentar se atualizar na trama, mas pode ter certeza, ele foi compensado. Agradeço muito por todas as vezes que você conseguiu contribuir para o sucesso dessa web-novela, para que eu a considerasse a melhor obra que eu já escrevi até agora. Muito obrigado, Airton, e espero que você consiga acompanhar meu próximo projeto ❤ 😀 😉

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  9. Ah, querido. Seu lacre chegou ao fim… Não pude acompanhar fielmente MUNDOS OPOSTOS, mas tenho certeza que foi uma obra magnifica. Meus parabéns pelo projeto e que venha uma nova web sua!❤

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  10. Ai meu Deus, chegou o fim. Marejando

    Você adiciona algo nessa sua escrita que me encanta e me faz mergulhar nos diálogos e nas cenas de uma forma inexplicável. Quando comecei a ler cada palavra, cada ação dos personagens desde a invasão no quarto de Maria até a gravidez da mesma, eu me entreguei e me surpreendi com o momento. Nossa, Glay, te aplaudo e muito por esse feito. Vc trabalhou de uma forma tão delicada em cada passo de “Mundos Opostos” que chega a impressionar, sério. Bom, vou falar desse último capítulo e em sequência umas palavrinhas bônus, okay?

    Xuxafalandoput*quepariu.gif

    QUE ÚLTIMO CAPÍTULO FOI ESSE? 😮 Pareceu carro capotando com tantas reviravoltas em apenas um único capítulo. Vou destacar os pontos altos (Nn que os outros tenham sidos baixos, mas é os que surpreenderam). Início falando dessa cena tensa entre Origami, Maria e Débora. Ele foi um assassino frio e bem calculista que conseguiu reverter o jogo ao seu favor após Débora “abandonar” o plano de uma forma impressionante. Nunca pensei que diria isso, mas fiquei bem aliviado por Maria ter se salvado dessa enrascada. Débora e ela matando aquele infeliz e dividindo a culpa desse ato foi bem surpreendente também. Imaginava que a morte de Origami seria de outra maneira e nn dessa. Socorro com Débora pegando a culpa pra si mesma, a rainha nn merecia isso. Achou pouco? Pois se prepare pois tem mais. Luciana se revelou nesse último capítulo e fez Débora querer fugir e matar Dimas. ** Até a esse bloco eu estava sem fôlego ** “Azarados” presente na web e trazendo um momento desse tipo a Débora e a Luciana. Morri com as coincidências. 28 anos pra diva sair do xilindró, sofri. Ricardo e Dimas felizes do jeito que merecem. Guto era apaixonado por Luciana? Eu tinha falado em um capítulo isso, que me lembre. Enfim… Bárbara foi bem vaca, kkkk, fugiu com Luís e deixou Ângelo e Júlio chupando dedo. Será que Luís abriu o olho para o que realmente essa mulher quer? Cena final linda com a gravidez de Maria e o aniversário de Helena. E pelo que parece, a história nn terminou aqui. Ou terminou?

    “Mundos Opostos” foi uma trama bem completa, teve de tudo um pouco. Duas famílias diferentes que ao mesmo tempo tinha tudo igual. No meio desses lados distintos tem uma “corrente” que unem essas famílias de uma forma bem agradável. Vc mostrou isso, Glay, mostrou que na vida existem vários “mundos opostos” e que fazemos parte dela. Te admiro muito quando lembro que o mesmo deu continuidade a uma trama que foi o seu maior xodó, vamos dizer assim, mostrando que ela tinha sim muitas histórias pra contar. Sempre deixei claro a vc que queria ler uma web sua e tá aí, consegui ler e não me arrependi nenhum pouco. Sofro demais por ter deixado algumas vezes apenas minha “presença”, mas acredite, corria no dia seguinte pra me atualizar e não me perder da história. Foi muito bom esses 36 capítulos que podiam ir mais além, porém, se ficou ótimo assim pq mexer?

    Quero te parabenizar pela sua lealdade com o leitor que mesmo levando os capítulos tardes ou às vezes longo, vc demonstrou cuidado com os capítulos, nos mostrou um projeto de alta qualidade. Parabéns pelo sucesso, parabéns pela trama, parabéns por mais um trabalho concluído, parabéns por “Mundos Opostos”. Ah, agradeço demais por essa web maravilhosa que recheou minhas noites. Vai fazer muita falta sim!

    Mais uma vez: Parabéns, Glay! 😀

    Curtido por 1 pessoa

    • Como eu já disse, originalmente não era pro Azevedo morrer, mas como foi assim que o público quis, assim eu fiz (e realmente ficou melhor assim). Débora foi tomada por uma crise de consciência durante essa sequência de cenas, que a fez abandonar o plano do Azevedo e tentar proteger a Maria, sua inimiga, a ponto de tentar livrá-la de ser punida por ter atirado no Assassino do Origami. Claro, veio Luciana para curá-la desse ataque de bondade e incentivá-la a se vingar de um rival em comum: Dimas. Felizmente, o plano foi frustrado e elas perderam tudo, indo direto para trás das grades.

      Pois é, você estava certo. O que mais poderia motivar o Guto a aceitar passivamente ser cúmplice das loucuras da Luciana, sem precisar ser chantageado ou ameaçado? O amor, o querer bem, o se importar com o outro mais do que com si próprio. Foi isso que fez o Guto abrir as portas da sua casa pra Luciana e assumir de bom grado o papel de serviçal dela. Mas ele percebeu o quão prejudicial pra ele era esse amor que ele tinha pela Luciana e, por isso, a expulsou da sua casa, da sua vida e da Corrente.

      O lugar do Ricardo era ao lado do Dimas. Os dois realmente se amam, e entenderam que foi um erro terem se separado.

      Bárbara apenas honrou o apelido de cachorra que o Júlio lhe deu.

      Infelizmente, sim, esse é o fim.

      Não sei nem o que dizer diante das suas palavras. Apenas agradecer por ter dedicado o seu tempo para mergulhar na minha web. Você foi um dos que melhor conseguiu entender o que eu quero quando eu escrevo uma web-novela para o Tv Mix. Muito obrigado, Fred, de coração ❤ 😀 😉

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