Hoje, há 15 anos, estreava “O Clone”, um clássico contemporâneo da dramaturgia brasileira!

Por: Airton Guites.

Há 15 anos, o Brasil se emocionava com a estreia de uma novela polêmica. “O Clone” (2001), escrita por Glória Perez e dirigida por Jayme Monjardim, trouxe ao grande público uma história repleta de amor, drama, comédia e informação, sendo considerada por muitos críticos como a melhor novela escrita pela autora.

“O Clone” estreou com receio pela TV Globo. Por estrear menos de um mês depois do atentado terrorista as Torres Gêmeas, nos Estados Unidos, e abordar a cultura muçulmana, houve medo da rejeição do público em relacionar a novela como uma apologia ao terrorismo. Porém, o oposto ocorreu: a emissora manteve a exibição da trama e foi uma oportunidade de mostrar ao público que cultura muçulmana não tem relação com o terrorismo.

Como resultado, foi um grande êxito da obra, seja em território nacional ou internacional, afinal de contas, “O Clone” é a novela brasileira mais reprisada no mundo inteiro e está no ranking das produções nacionais mais vendidas ao exterior. Para celebrar os 15 anos desse clássico, vamos relembrar os três pilares que sustentaram toda a trajetória de “O Clone”.

Cultura Muçulmana

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Os costumes e tradições do Marrocos, país da África, foi intensamente abordado atrás da família Rachid, comandada pelo sábio Tio Ali (Stênio Garcia), grande conhecedor do Alcorão, o livro sagrado dos Islâmicos. As diferenças culturais entre muçulmanos e brasileiros foi ressaltada durante a novela inteira, principalmente com a história de amor dos protagonistas Jade (Giovanna Antonelli) e Lucas (Murilo Benício). As gravações em cidades milenares do Marrocos, como na Medina de Fez, além das belas imagens do Deserto do Saara, somado a uma trilha sonora árabe, permitiu ao telespectador mergulhar no universo oriental e admirar as tramas que ali ocorriam.

Clonagem Humana

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O pilar que deu nome a novela, foi comandado por Albieri (Juca de Oliveira). A abordagem científica a clonagem humana gerou grande repercussão e polêmica, visto que o tema é um tabu social e, até mesmo dentro da ciência, é visto como tabu. Após perder o afiliado Diogo (Murilo Benício), o geneticista Albieri resolve fazer um clone a partir de uma célula do seu irmão gêmeo, Lucas. Ultrapassando as barreiras da ética médica, Albieri cria o clone, Léo (Murilo Benício), o qual é gerado por Deusa (Adriana Lessa), que não sabe que será cobaia de uma experiência científica. Vale destacar a amizade entre Albieri e Tio Ali, que resultou em embates épicos entre ciência e religião sobre a clonagem humana. Destaque também ao conflito gerado entre Deusa e Leônidas (Reginaldo Faria) em relação a filiação de Léo após a clonagem ser descoberta.

Drogas

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Um tabu na época também, mas que rendeu a produção da novela um prêmio da FBI ao considerar a melhor abordagem mundial sobre a dependência química. Através dos personagens Mel (Débora Falabella), Nando (Tiago Fragoso) e Lobato (Osmar Prado), a novela abordou a dependência de maconha, cocaína e bebidas alcoólicas. O destaque desse núcleo, sem excluir a excepcional interpretação do elenco, mas destacamos a forma como Glória Perez abordou o tema: pela primeira vez na TV brasileira, as drogas foram inseridas com a visão de doença e não de criminalidade ou delinquência. O foco foi mostrar como a dependência química se inicia nas pessoas, os danos que ela causa na vida de todos ao redor e qual a forma de cura. Além dos atores que interpretaram os personagens viciados, vale mencionar as mães deles: Maysa (Daniela Escobar), mãe de Mel; e Clarisse (Cissa Guimarães), mãe de Nando; ambas atrizes tiveram papéis de forte carga dramática e transmitiram todo o sofrimento de ter um filho drogado.

Outros Destaques

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Impossível falar de “O Clone” e não citar o núcleo de humor. O bar da Dona Jura (Solange Couto) foi palco de muitas risadas e bordões, como o inesquecível “Né brinquedo não”. Próximo ao bar, residia a exibida Odete (Mara Manzan), que sonhava em sair do subúrbio e ficar rica, mas não dispensava uma ida no Piscinão de Ramos, onde ecoava o bordão “Cada mergulho, é um flash”. No humor, também citados o casal muçulmano Latiffa (Letícia Sabatella) e Mohamed (Antônio Calloni), e também Nazira (Eliane Giardini), que renderam várias risadas com situações de conflito entre os costumes árabes e brasileiros.

Falar resumidamente sobre “O Clone” é difícil, visto que tantas coisas marcaram essa novela na TV brasileira. Mas de modo geral, aqui fica nossa homenagem a toda produção da novela, desde autoria, a direção, o elenco e toda a equipe técnica por trás das câmeras. O êxito de um trabalho só ocorre quando é feito em conjunto e se “O Clone” se tornou este marco, é por merecimento de todos. E para encerrar, nada melhor do que escutar o tema de abertura sob o comendo de Marcus Vianna.

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21 thoughts on “Hoje, há 15 anos, estreava “O Clone”, um clássico contemporâneo da dramaturgia brasileira!

  1. Novelãoooooooo, amo!
    Minha predileta do horário e a melhor da faixa pra mim. Enredo fantástico, temas muito bem abordados, personagens marcantes , atuações maravilhosas. E como não falar da trilha sonora e instrumental, impecáveis. Que tenha re-reprise no VPVN antes de ir para o Viva.

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  2. Sempre deixei claro que tenho uma curiosidade enorme pra conhecer essa trama. Lendo essa matéria me despertou ainda mais interesse. A história em geral parece que foi perfeita e levou ao público todos os elementos que uma novela deve ter. Ótimo texto, Airton, adorei. ❤

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  3. Lacre, um folhetim onde tudo funcionou, Jade uma das protagonistas que eu mais amo, daquelas mocinhas que o público torce de verdade, a cultura muçulmana retratada, foi maravilhosa, a trilha sonora impecável, é sem dúvidas, o grande trabalho da Glória… é minha 3ª favorita do horário.

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  4. Como eu amo essa novela, isso porque eu nem acompanhei a exibição na íntegra, só na maravilhosa reprise de 2011. Eu tenho ótimas lembranças dos núcleos dessa novela, a clonagem e todo o desdobramento dessa trama me marcou muito, as cenas em que esse ato do Albieri vem a tona, e todas as sequências que os familiares do Diogo conhecem o Léo se eternizaram em mim, e até hoje me emociono. O amor de Lucas e Jade era lindo, um dos melhores casais das novelas. A abordagem das drogas também me marcou profundamente, mesmo com os cortes na reprise, tenho muitas lembranças desse núcleo. Dona Jura, Dona Odete me fizeram rir muito, amo. Sem contar as danças, a trilha sonora, que fez todos dançarem e cantarem juntos. 😛 Uma novela maravilhosa, Glória Perez atingiu seu ápice com essa obra tão incrível e que marcou mundo. ❤

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  5. Eu não chego a ser fã dessa novela, mas reconheço o seu grande sucesso, uma verdadeiro clássico que jamais será esquecida e está entre as melhores tramas da história da teledramaturgia brasileira. Melhor novela escrita pela Glória Perez, merece sim uma re-reprise.

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  6. Ótimo texto. Linda novela, um clássico moderno. Marcou o início da minha infância, eu era muito pequeno na exibição original, mas lembro da novela e do sucesso que ela fazia. Foi um prazer rever, mesmo que parcialmente, 10 anos depois e descobrir uma nova novela. Se foram 15 anos e a lembrança da novela no ar continua muito viva na minha memória.

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