Troia (2ª Temporada) – Episódio 09 (penúltimo episódio)

Troia

AUTOR – Felipe Borges
Episódio 2×09 – Enone

CENA 1/CAMPO DE BATALHA/EXT./DIA

Aqueus e troianos lutavam. Aqueus eram comandados por Agamenon, já troianos recebiam ordens de Páris.

PÁRIS (GRITANDO) — Avante, troianos!

Páris então vê Aquiles, derrotando vários troianos ao mesmo tempo, ele era relamente imbatível. Páris então pega uma das flechas que Apolo havia lhe entregado, coloca-a no arco e mira no calcanhar de Aquiles, que não era protegido por uma armadura.

PÁRIS (GRITANDO) — Chegou a sua hora!

Páris atira a flecha envenenada, acertando em cheio do calcanhar do guerreiro. A dor então passa a ser visível no olhar de Aquiles, que antes exibia apenas triunfo.

PÁRIS (GRITANDO) — Aquiles caiu, avante Troia!

Todos os guerreiros olham para Aquiles e o veem caindo no chão, paralisado, morto.

CENA 2/CASTELO/JARDIM/EXT./DIA

Helena estava sentada sob uma árvore, observando pássaros que voavam de uma árvore para a outra. Hécuba chega e caminha até ela, sendo seguida pelas suas damas de companhia.

HÉCUBA — Chega a ser engraçado lhe ver assim, tão tranquila.

Helena finge não ouvir a rainha, que se aproxima mais um pouco dela.

HÉCUBA — Enquanto está aqui, seu marido luta na mior guerra da história, com risco de ser morto!

Helena se levanta, mas quando passa por Hécuba a rainha lhe segura.

HÉCUBA — Nunca vou lhe perdoar pela morte de Heitor, meu primogênito amado.

HELENA — Solte-me, por favor!

Hécuba solta Helena que sai rapidamente do jardim, abalada pelas constantes acusações de Hécuba.

Esparta

CENA 3/CASTELO/SALA DO TRONO/INT./DIA

Hermíone, atual rainha de Esparta, estava sentada no trono de um dia pertenceu a sua mãe, Helena.

HERMÍONE (P/ SI) — Já fazem dez anos… dez anos sem lhe ver…

Ela passa a mão pelo trono, lembrando dos momentos bons que havia vivido com a mãe.

HERMÍONE (P/ SI) — Volte logo, minha mãe…

Ela começa a chorar, em silêncio, na vazia sala do trono.

Troia

CENA 4/ACAMPAMENTO AQUEU/TENDA DE AGAMENON/INT./NOITE

Calcas e Agamenon conversavam.

AGAMENON — O que você pode me adiantar sobre o futuro da guerra agora, com a morte de Aquiles?

Calcas respira fundo.

CALCAS — O fim… o fim se aproxima. Desde a chegada das escravas, Briseida e Criseida, que o fim está próximo.

AGAMENON — Então quer dizer que com a chegada daquela caravana de escravos a guerra entrou em sua reta final?

CALCAS — Exato. Basta apenas mais uma morte para que um dos dois lados vença. Uma morte definirá o rumo de tudo…

Calcas fecha os olhos, calando-se. Agamenon suspira, nervoso.

CENA 5/CASTELO/QUARTO REAL/INT./NOITE

Hécuba e Príamo estavam sentados sobre a cama, cada um segurando um cálice cheio de vinho.

HÉCUBA — Não sabe como me alegrei ao saber que Páris vingou a morte de Heitor.

PRÍAMO — Realmente, uma paz invadiu meu ser juntamente com a notícia. Heitor merecia ser vingado.

Hécuba bebe um pouco de vinho.

HÉCUBA — Dizem que Aquiles era o melhor guerreiro aqueu.

PRÍAMO — Sim, enquanto estive na guerra percebi a grande qualidade de Aquiles no campo de batalha.

HÉCUBA — Então, que com essa grande baixa, nosso exército consiga avançar e expulsar os aqueus destas terras.

PRÍAMO — Que os deuses lhe escitem, Hécuba!

CENA 6/CASTELO/CORREDOR/INT./NOITE

Cassandra chega no corredor que levaria até seu quarto e vê Andrômaca caminhando lentamente, enquanto chorava.

CASSANDRA — Andrômaca, a morte de Heitor ainda te deixa tão triste?

ANDRÔMACA (CHORANDO) — É uma dor que nunca passará.

Andrômaca começa a chorar mais intensamente e Cassandra a abraça.

CASSANDRA — Fique calma, Heitor foi um grande guerreiro, certamente foi para um bom lugar.

ANDRÔMACA (CHORANDO) — Eu a única coisa que peço aos deuses, que o mandem para os Campos Elíseos.

As começam a caminhar, abraçadas.

CENA 7/CASTELO/SANTUÁRIO/INT./NOITE

O santuário era iluminado por centenas de velas, váris estátuas imensas de mármore também o preenchiam. Criseis e Criseida entram levando, cada um deles, uma oferenda. Criseis levava um prato repleto de frutas e pães, enquanto Criseida levava bebidas.

CRISEIS — Que os deuses tragam proteção para Troia!

Criseis deposita suas oferendas diante o altar principal, que possuía a imagem dos doze olimpianos.

CRISEIS — Tragam vitória para o meu povo e derrota para os que seguem Menelau!

Criseida entrega suas oferendas e estende os braços em direção às estátuas.

CRISEIDA — Que nossas muralhas sejam invencíveis e nossos guerreiros os melhores.

CRISEIS — Entregamos nosso melhor, agora pedimos que façam o melhor possível!

CENA 8/CASTELO/QUARTO DE ANDRÔMACA/INT./NOITE

Astíanax, o pequeno filho de Andrômaca e do falecido Heitor, estava deitado sobre a cama, onde dormia todas as noites com a mãe. Havia uma criada, cuidando dele. Creusa entra.

CREUSA (GRITANDO) — Saia agora, criada infeliz!

CRIADA — Alteza, minha senhora proibiu sua entrada aqui.

CREUSA (GRITANDO) — Eu sou quase a rainha de Troia e ousa me desafiar?

CRIADA — Mas…

CREUSA (GRITANDO) — Saia!!!

A criada se levanta e sai, Creusa vai até o bebê.

CREUSA — Acho que está na hora do pequeno verme… quer dizer pequeno Astíanax encontrar com o pai, no Mundo dos Mortos!

Ela pega uma das diversas almofadas e se aproxima do bebê, que sem saber que ela lhe faria o mal, sorri. Creusa, furiosa, arremessa a almofada contra a parede.

CREUSA (GRITANDO) — Não consigo! Não consigo acabr com a sua vida! Seu verme maldito.

Creusa sai furiosa do quarto, chorando.

CENA 9/CAMPO DE BATALHA/EXT./DIA

Agamenon e Páris, como todo chefe de exército, apoiavam seu soldados indo na frente da tropa e gritando palavras de ordem e incentivo.

AGAMENON — Prossigam, aqueus! Vamos massacrar os troianos!

PÁRIS — Continuem troianos, pensem na família de vocês e lutem por eles!

Os dois famosos chefes de exército então se encontraram, ficando frente a frente.

AGAMENON — Finalmente nos encontramos no campo de guerra, Páris!

PÁRIS — Digo o mesmo, Agamenon!

Páris avança, com a espada em mãos, na direção de Agamenon. que consegue desviar saltando para cima.

AGAMENON (GRITANDO) — Não vai ser tão fácil me derrotar, príncipe!

Agamenon então avança contra Páris e as espadas se chocam, ficando travadas, uma na outra. O rosto dos dois fica bem próximo.

AGAMENON — Menelau pagará um ótimo preço pela sua cabeça, Páris!

PÁRIS — Vocês jamais terão minha cabeça, Agamenon!

AGAMENON — Isso é o que veremos!

Agamenon consegue desequilibrar Páris com a força dos braços, desarma o troiano, o atinge com a espada na barriga e em seguida  aponta para o pescoço do mesmo.

AGAMENON — Chegou sua hora, Páris. Finalmente poderá rever seu irmão!

Quando Agamenon iria dar o golpe fatal, um barulho alto, como se algo tivesse caído, toma conta de tudo, seguido pela poeira que se levanta do chão.

AGAMENON — O que foi isso?

Afrodite e Ares aparecem, saindo de uma cratera.

AFRODITE — Ainda não chegou sua hora, Páris!

ARES — Você não vai morrer agora!

Ares e Afrodite se aproximam de Páris e desaparecem, todos os três, em uma nuvem de fumaça.

AGAMENON (GRITANDO) — Não!

CENA 10/CASTELO/JARDIM/EXT./DIA

Como de costume, Helena estava sozinha no jardim, pensando em tudo que havia acontecido. Criseida passava por ali,  colhendo algumas flores. De repente, Páris aparece em meio uma nuvem de fumaça, deitado no extenso gramado, saía muito sangue de seu abdômen, ferido pela espada de Agamenon.

HELENA (GRITANDO) — Páris?!

Helena corre até ele, Criseida se assusta, derrubando a cesta de flores, e corre até ele também.

HELENA (CHORANDO) — Páris… como você chegou aqui? Você está muito ferido!

PÁRIS — Eu ganhei uma nova… nova chance.

Helena abraça-o.

CRISEIDA — Vou chamar meu pai, você não pode cotinuar assim, todo machucado!

Criseida corre para dentro do castelo e Helena continua ali, abraçada em seu grande amor.

HELENA (CHORANDO) — Foi tudo culpa minha… você não pode morrer, eu não quero ficar sozinha!

Páris fica em silêncio, apenas sorri para ela, que retribui com um sorriso em meio a muitas lágrimas.

CENA 11/CASTELO/SALA DO SACERDOTE/INT./DIA

Criseis arrumava alguns frascos de poções, catalogando-os em um papiro.

CRISEIS (P/ SI) — Ninguém nunca mais roubará minhas poções.

Criseida entra, desesperada, e vai até o pai.

CRISEIS — O que aconteceu, parece que morreu e voltou!

CRISEIDA — Algo terrível aconteceu, meu pai. Você precisa salvar uma vida, pegue tudo o necessário.

CRISEIS — Explique melhor, estou ficando nervoso.

CRISEIDA — Páris chegou no castelo e está com um grande ferimento, se o senhor não for agora, ele poderá morrer.

Criseis se assusta com a notícia, derrubando o papiro que segurava.

CENA 12/CASTELO/SALA DO TRONO/INT./DIA

Hécuba e Príamo se deliciavam com algumas uvas, aos risos.

PRÍAMO — Mesmo na guerra, você consegue me trazer paz, Hécuba!

HÉCUBA — Não sabe como suas palavras me alegram, Príamo!

Quando a rainha termina de falar, a porta principal se abre e Heleno entra, correndo.

HELENO — Trago-lhes uma péssima notícia.

Príamo se levanta do trono com dificuldade e caminha até Heleno, acompanhado de Hécuba.

PRÍAMO — Seja breve, meu filho!

HELENO — Páris, meu irmão, está aqui no castelo.

HÉCUBA — Não vejo algo de ruim.

HELENO — Ele está aqui para recebr ajuda, pois está quase morto.

Hécuba solta o cacho de uvas que segurava, enquanto Príamo sente uma forte tontura, apoiando-se em Heleno.

HÉCUBA (CHORANDO) — Helena pagará caro se eu perder mais um filho!

PRÍAMO (CHORANDO) — Não pode ser… não pode!

CENA 13/CASTELO/QUARTO DE HELENA E PÁRIS/INT./NOITE

Helena estava sentada sobre a cama do casal, chorando. Cassandra entra emsilêncio e caminha até a esposa do irmão.

CASSANDRA — Helena, tente se acalmar.

Helena continua choirando, sem esboçar reação. Cassandra senta-se ao lado dela.

CASSANDRA — Sei que nunca fomos próximas, mas quero que saiba que estou aqui para te apoiar neste momento tão difícil.

HELENA (CHORANDO) — Se Páris morrer eu nunca me perdoarei! Eu causei a guerra, eu serei a culpada.

CASSANDRA — Ele não vai morrer, fique calma.

Cassandra abraça Helena, que continua chorando.

CENA 14/CASTELO/ENFERMARIA/INT./NOITE

Páris estava deitado em uma cama, Criseis fazia o curativo na ferida do príncipe, enquanto Criseida preparava alguns remédios, que seriam colocados no ferimento.

CRISEIS — Rápido Criseida, os soberanos não irão nos perdoar se Páris morrer.

CRISEIDA — Estou indo o mais rápido que posso.

Páris então abre os olhos e, com as mãos, segura no braço de Criseis que se assusta.

PÁRIS — Me… salvem…

CRISEIS — Estamos fazendo o melhor, alteza!

PÁRIS — Enone… Enone… a ninfa pode me salvar!

CRISEIDA — Eu conheço Enone e ele tem razão, ela realiza ótimos curativos, é muito conhecida na região onde vive.

PÁRIS — Enone… tragam Enone… minha amiga perdida…

CRISEIS — Faremos o possível e o impossível para trazer esta ninfa para cá.

Monte Ida

CENA 15/TEMPLO/SALÃO PRINCIPAL/INT./DIA

Enone, agora sacerdotisa, organizava o altar principal do grande templo. Eneias então chega e entra, assustando-a.

ENEIAS — Creio que seja Enone.

ENONE — Exato e quem é você?

ENEIAS — Sou Eneias, primo de Páris, um dos prínipes de Troia.

Enone fica paralisada por alguns segundos, enquanto uma lágrima escorria pelo seu rosto.

ENONE — Não quero saber de Páris.

Enone se vira, mas Eneias corre até ela.

ENEIAS — Com certeza sabe da guerra.

ENONE — Guerra que eu fiz de tudo para evitar. Eu tentei impedir de todas as maneiras de Páris entrar em Troia, mas foi tudo em vão, ele não me ouviu!

ENEIAS — Ele precisa de você, ou morrerá.

ENONE — Ele não devia ter me deixado, eu o amava.

Enone começa a chorar, mas enxuga as lágrimas com parte de sua túnica.

ENEIAS — Ele precisa de seus conhecimentos, eu peço que venha comigo para Troia e ajude-o. Toda a família real será eternamente grata!

ENONE (GRITANDO) — Me deixe em paz, eu não voltarei para aquela cidade maldita!

Eneias abaixa a cabeça, triste, e sai do templo. Enone se ajoelha no chão e começa a chorar.

CENA 16/TEMPLO/QUARTO DE ENONE/INT./NOITE

Enone, deitada na cama, ainda estava abalada com tudo o que havia acontecido mais cedo.

ENONE (P/ SI) — Ele devia terme ouvido, mas foi teimoso, decidiu continuar naquela cidade.

Ela começa a chorar.

ENONE (P/ SI) — Era tão bom quando vivíamos juntos, tenho tanta saudades daquele tempo. Eu era apenas uma ninfa e ele umn pastor de ovelha, grandes amigos.

Ela suspira.

ENONE (P/ SI) — Agora sou uma sacerdotisa e ele, ele é um príncipe.

Ela enxuga as lágrimas.

ENONE (P/ SI) — Não posso deixar que ele morra, que toda a nossa história seja apagada. Ele foi um grande amigo, meu primeiro e único amor. Ele me amava apenas como amiga, ma sisso não importa agora.

Ela se levanta rapidamente da cama.

ENONE (P/ SI) — Não vou deixar meu grande amigo morrer, não posso deixá-lo morrer.

Ele se envolve com uma capa preta e sai correndo do quarto.

Troia

CENA 17/CASTELO/SALA DO TRONO/INT./NOITE

Hécuba caminhava de um lado para o outro na imensa sala, enquanto Príamo bebia vinho, sentado em seu trono.

PRÍAMO — Caminhar não saçvará a vida de Páris, Hécuba.

HÉCUBA — É a única maneira de me acalmar, não sei se suportarei a morte de mais um filho.

Eneias então entra, Hécuba para de caminhar e Príamo levanta-se.

HÉCUBA — Cadê a tal Enone?

Eneias fica em silêncio.

HÉCUBA (GRITANDO) — Não! Me diga que a encontrou.

Príamo, mesmo caminhando com dificuldade, vai até a esposa e a abraça.

ENEIAS — Ela se recusou a vir…

HÉCUBA (CHORANDO) — Salvem meu filho, slave Páris!

PRÍAMO — Agora está nas mãos dos deuses, minha amada.

Príamo segura o choro e continua abraçando Hécuba. Eneias observa tudo, silenciosamente.

CENA 18/CASTELO/ENFERMARIA/INT./NOITE

Helena estava sentada ao lado de Páris, que estava imóvel, deitado na cama. Criseis procurava por mais alguns remédios que pudesse usar no ferimento do príncipe em seu livro.

HELENA — Logo você ficará bem, Páris. Logo, logo…

De repente ele segura na mão dela, que se assusta.

HELENA — Finalmente você acordou, já estava pensando no pior.

PÁRIS (COM DIFICULDADE) — Onde… onde está Enone?

Helena e Criseis trocam olhares.

CRISEIS — Ela ainda não chegou, alteza.

PÁRIS (COM DIFICULDADE) — Ela… ela… só ela pode… me salvar!

Helena segura com força na mão de Páris, chorando.

HELENA (CHORANDO) — Eu vou te salvar, não precisamos de ninfa.

Páris começa a tossir.

PÁRIS (CHORANDO) — Chegou a minha hora. O fio da minha vida vai ser coratado. Já consigo ver.

Helena abraça Páris, chorando.

HELENA (CHORANDO) — Não!!!

Criseis corre até eles.

PÁRIS — Eu… eu sempre te amarei, Helena. Te espero do outro lado!

HELENA (GRITANDO) — Não!

Páris fica imóvel e Helena continua gritando. Criseis chora silenciosamente no canto da sala.

CENA 19/RUA/EXT./DIA

Enone caminhava pelas grandes ruas de Troia, que mesmo em tempos de guerra, eram movimentadas, cheia de comerciantes. Ela se encontra com Criseida, que comprava algumas ervas em uma tenda.

ENONE — Criseida!

Criseida se vira e vê a amiga, indo até ela.

CRISEIDA — Faz tanto tempo que não nos vemos!

ENONE — Desde sua última visita ao templo, me contaram que você foi capturada pelos aqueus.

CRISEIDA — Meu pai conseguiu me resgatar. Mudando de assunto, já sei o que lhe trouxe aqui.

ENONE — Páris. Já que seu pai é o sacerodte real, poderia me levar ao castelo. Tenho que salvar Páris.

Criseida fica em silêncio e Enone estranha.

ENONE — Não me diga, conheço bem esse seu olhar.

CRISEIDA — O pior aconteceu ontem a noite, você chegou tarde, Enone. Até mesmo o funeral dele já teve fim, nem mesmo o corpo dele está entre nós.

Enone começa a chorar e Criseida abraça-a.

CENA 20/CASTELO/SALA DO TRONO/INT./DIA

Príamo estava sentado em seu trono, completamente de luto, com sua túnica preta. Dêifobos entra; Heleno estava ao lado do pai, de pé.

PRÍAMO — Veio mais rápido do que eu epserava, Dêifobos.

DÊIFOBOS — Não queria deixá-lo esperando.

PRÍAMO — Serei rápido com a notícia que devo lhe dar. Com a morte de Páris ficamos novamente sem um líder do exército e apenas você poderá realizar está função.

DÊIFOBOS — Não vai ser tão fácil assim, Heitor e Páris sempre tiveram reconhecimento e preferências. Somente com a falta deles é que você se lembra de mim!

PRÍAMO — Não é bem assim e você sabe disso!

DÊIFOBOS — Eu aceito ser o líder, mas com uma condição, quero que Helena seja minha esposa!

CENA 21/CASTELO/QUARTO REAL/INT./DIA

Hécuba estava deitada sobre a cama, em total silêncio. Cassandra estava sentada ao lado da mãe, quando Creusa entra, trazendo uma bandeja com frutas.

CREUSA — Mãe, consegui as melhores frutas de Troia para a senhora.

Hécuba se mantém em silêncio. Creusa coloca a bandeja sobre uma mesa e vai até Cassandra e a mãe.

CASSANDRA — Mãe, a senhora precisa se alimentar. Páris não gostaria de vê-la sofrendo.

HÉCUBA — Ele está morto, meu filho mais novo e meu primogênito estão mortos.

CREUSA — Se a senhora não se alimentar será a próxima a morrer!

HÉCUBA — Que assim seja, pelo menos poderei vê-los mais rapidamente. Tudo que eu quero agora é morrer!

Creusa e Cassandra trocam olhares preocupados.

CENA 22/CASTELO/SALA DO TRONO/INT./DIA

HELENO — Como assim quer Helena como esposa?

DÊIFOBOS — Ou eu me caso com ela, ou terão que procurar por outro líder de exército.

PRÍAMO — Você tem minha aprovação, Helena é sua esposa.

HELENO (GRITANDO) — Não pode!

Príamo e Dêifobos se assustam.

PRÍAMO — Não existe outra opção, meu filho!

HELENO — Eu sempre a amei, você não pode fazer isso Dêifobos.

DÊIFOBOS — Você ouviu nosso pai e soberanos, Helena agora é minha esposa!

Heleno sai furioso da sala, enquanto Príamo e Dêifobos observavam.

CENA 23/RUA/EXT./DIA

Enone caminhava sem rumo pelas ruas de Troia. Ela chorava durante todo o tempo.

ENONE (P/ SI – CHORANDO) — Eu devia ter vindo quando recebi o chamado… Páris morreu por minha culpa…

Ela se vê diante dos grande portão de entrada para a cidade.

ENONE (P/ SI – CHORANDO) — Adeus Troia, cidade maldita!

Os soldados abrem o portão e ela sai, tritse e em silêncio.

Passagem de Tempo

Alguns dias

Monte Ida

CENA 24/CAVERNA/INT./DIA

Heleno, desde o casamento entre Dêifobos e Helena, havia fugido de Troia e passara a viver em uma caverna, no Monte Ida. Ali viva como um bárbaro, vivendo do que a natureza lhe dava, tendo que até mesmo, caçar como um animal.

Ele estava sentado próximo a uma fogueria, cozinhando algumas carnes.

HELENO (P/ SI) — Helena, meu grande amor, não devia ter se casado com Dêifobos. Ele sabia que eu era apaixonado por ela, ele me traiu!

De repenete ele escuta um som e ao olhar para trás vê Agamenon, acompanhado de soldados aqueus.

AGAMENON — Calcas estava certo, você seria encontrado aqui.

Heleno se levanta rapidamente, com medo.

HELENO — O que quer?

AGAMENON — Calcas disse que vocês seria o responsável por revelar um modo de destruir Troia…

Antes que Agamenon terminasse, um soldado golpeia Heleno na nuca, com um pedaço de madeira. O príncipe cai, desmaiado.

AGAMENON — Foi mais fácil do que imaginei, agora vamos voltar, com ele, para o acampamento, lá ele revelará tudo!

Micenas

CENA 25/CASTELO/SALA DO TRONO/INT./DIA

Clitemnestra estava sentada em seu trono, exuberante como de costume, usando sempre seu longo vestido preto e suas jóias de puro ouro. Egisto entra, vestindo um grande casaco de pele de urso e caminha até a esposa.

EGISTO — Acaba de chegar um dos nossos espiões que estão em Troia.

Clitemnestra se levanta, ansiosa.

CLITEMNESTRA — Então diga, quais as novidades da guerra?

EGISTO — Agamenon ainda se encontra vivo e parece que agora se envolveu com uma escrava.

CLITEMNESTRA (GRITANDO) — Maldito! Está me traindo!

EGISTO — Me perode, mas você também o trai, comigo.

CLITEMNESTRA — Eu não pedi sua opinião, Egisto!

EGISTO — Adoro quando fica assim, nervosa.

Egisto puxa a rainha e os dois se beijam, apaixonados.

Troia

CENA 26/ACAMPAMENTO TROIANO/TENDA REAL/INT./NOITE

Menelau observava Agamenon torturar Heleno com socos e chutes. O prínicpe troiano contorcia de dor, sem dizer nada. Odisseu, Castor e Polux também estavam ali.

MENELAU — Chega! Acho que enfim teremos a ajuda necessária de Heleno.

Agamenon para e Heleno consegue respirar. Castor o pega pelo braço e levanta-o.

HELENO (COM DIFICULDADES) — Tenham piedade, farei tudo o que quiserem!

Agamenon sorri.

AGAMENON — Sua fama é grande príncipe, todos sabem que é um Oráculo, um profeta. Quero apenas que nos revele o que é necessário para invadir e destruir Troia.

Heleno fica em silêncio por alguns segundos, com os olhos fechados, abrindo-os em seguida.

HELENO — Para destruirem Troia serão necessárias duas coisas! Deverão roubar o Paládio Troiano, um símbolo de proteção maior até mesmo que a muralha, a estátua de Atena que mantém Troia viva e também precisarão de Neoptálemo, filho do falecido Aquiles, que se encontra escondido em Esquiro.

PÓLUX — Como roubaremos o Paládio? É impossível passar pela muralha.

ODISSEU — E se fingíssemos que desistimos da guerra, contruíssemos um cavalo de madeira e nos escondêssemos dentro dele. Os troianos nos levariam para dentro da cidade, como um presente.

MENELAU — Ótima ideia, Odisseu você ficará responsável pela construção do cavalo e Agamenon, traga Neoptólemo. Enfim destruirei Troia!

Passagem de Tempo
Alguns dias

CENA 27/CAMPO/EXT./DIA

Príamo, Cassandra e Dêifobos haviam ido até o lado de fora da muralha, eles não acreditavam no que viam em sua frente. O imenso cavalo de madeira estava na frnete dos portões de Troia.

PRÍAMO — Então, Menelau desistiu mesmo da guerra?

DÊIFOBOS — Pelo que parece, finalmente teremos paz. E ainda nos deixaram um presente, um pedido de paz.

CASSANDRA — Nada é o que parece, meu irmão. A vida não é tão fácil assim.

DÊIFOBOS — A vida não é fácil por que nós, mortais, a complicamos demais!

CASSANDRA — Eu sinto algo vindo deste cavalo, algo estranho.

DÊIFOBOS — Suas profecias não passam de devaneios, Heleno sim era um profeta, o verdadeiro Oráculo Troiano, pena que resolveu fugir por ciúmes.

PRÍAMO — Chega de discussão, o cavalo será levado para dentro de Troia e toda a cidade festejará, serão dias e noites de festa.

CASSANDRA (GRITANDO) — Não! O cavalo de madeira não vai entrar!

A câmera foca em Cassandra, nervosa.

29 thoughts on “Troia (2ª Temporada) – Episódio 09 (penúltimo episódio)

  1. Aquiles morreu,… Que pena, gostava dele, Agamenon tentou matar Páris, mas ele foi salvo por Ares e Afrodite. Pelo que eu li, eu percebo que a Enone é apaixonada pelo Páris, falando nele, ele sobreviveu ou ele morreu?
    Mas o destaque foi a chegada do cavalo de tróia na cidade. O que irá acontecer
    Parabéns, Felipe

    P.S: Clitemnestra está precisando de mais destaque

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    • Sim, Enone é apaixonada por Páris, mas isso ficou mais explícito no inicio da temporada inicial, quando ela teve mais destaque. Sim, ele morreu.
      Prometo muita emoção com a chegada do cavalo.
      Obrigado.

      P.S: Decidi deixar Clitemnestra um pouco pagada, para que outros personagens tivessem destaque, mas no próximo episódio ela volta com tudo!

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  2. A morte de Aquiles foi vingada por Agamenon (olha…). Como Calcas disse, mais uma morte seria responsável por definir os rumos da guerra. Realmente, Páris morreu e Agamenon teve uma grande ideia para acabar com Troia: fingir uma desistência aqueia da guerra e enviar um “presente” para simbolizá-la, a fim de obter uma ofensiva perfeita que destrua Troia efetiva e definitivamente.

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    • Realmente Calcas estava certo, mais uma morte seria necessária para a guerra ter um fim.
      O famoso Cavalo de Troia trará muita emoção para a série.
      Obrigado pela participação, Glay!

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  3. Bom, Felipe, te prometi que faria um comentário digno hoje, mas achei melhor deixa-los para o último episódio e fechar com “chave de ouro”. Estou lendo o episódio 8 e estou adorando de verdade os rumos da trama. Deixo meus parabéns pelo episódio. 😀 Ansioso pelo desfecho.

    Divulgação antecipada sem link da última semana de CdeM. Te espero lá, claro se o tempo lhe permitir. 😉

    Mais uma vez PARABÉNS! 😀

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    • Fico feliz que esteja gostando dos rumos da história. Estou esperando desde já seu comentário.
      Consegui me atualizar em CdeM então pode contar com minha humilde presença nesta última semana.

      Obrigado, Fred!

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