Ovelha Negra – Capítulo 02

ovelha-negra

Cena 01 SALA DE ESTAR – TARDE.

Alex: Está dizendo que a herança ficará com um de nós? E os outros na reserva?

Laura: Exato.

Edmundo: (se levanta) Então, quem herdará tudo primeiro?

Laura: Tem dois envelopes na mesa, o branco é o laudo de minha saúde. O pardo tem cópias do testamento.

Irene, Edmundo, Alex, Amanda pegam envelope pardo. Ângela é a única que pega o branco. Laura chora ao ver todos preocupados com o testamento. Todos observam.

Ângela: Meu Deus, como vocês podem pensar em quem vai herdar o quê, numa hora dessas? Não ouviram a tia dizer que tem um câncer irreversível? Será que não ouviram isso ou só querem o dinheiro? (Ângela abraça a tia)

Laura: (chorando) Isso pra mim é muito doloroso. Pensei que a notícia de minha doença fosse tocá-los. Mas pelo que vejo a maioria aqui não se preocupa. Não sentem nada por mim. Será que sou tão ruim assim? Será, Irene? Será Alex? Será Edmundo? Amanda? Devo ter feito muito mal a todos vocês, mesmo. Talvez eu mereça isso.

Edmundo: Bem minha tia, eu…

Laura: Eu sei que sou ácida, arrogante, mas a vida me obrigou a ser assim. Não consigo ser diferente. Vou ligar para os barqueiros e pedir que voltem. Não quero mais ficar nesta ilha, o fim de semana está cancelado.

Laura pega o celular e começa a digitar. Ângela abraça a tia e pega o celular da mão dela.

Ângela: Não tia. Nada de cancelar. Estamos aqui pra passarmos um fim de semana juntos e em família. Me dá esse telefone, meu amor.

Impressionante, hein, Edmundo, Irene, Alex! Não sentem vergonha?

Irene e Edmundo ficam encabulados.

Alex: Minha mãe, não se trata disso. Não pense isso de mim, que sou seu único filho. Quem aqui liga pra herança? Explique melhor esse câncer. Sérgio não nos disse nada.

Doutor Sérgio: Bem eu…

Laura: Sérgio não sabia de nada. Pedi ao oncologista que não contasse a ele e nem a ninguém.

Amanda: Mas não há nada que se possa fazer? A senhora é milionária, quem sabe um tratamento nos Estados Unidos?

Laura: Não há nada. A doença já se espalhou. O tumor é enorme. Seriam sessões e sessões de quimioterapia. Eu perderia os cabelos. Daria muito trabalho entrevada em uma cama e morreria de qualquer jeito. Quero encarar estes últimos meses de minha vida com alegria e paz no coração. E o que me dói mais, é saber que passaria meses entrevada em uma cama sem receber nenhum carinho de minha família.

Alex: Ora, não diga isso mamãe.

Laura: Alex, meu filho. Você me internaria em alguma clínica degradante e me esqueceria por lá. Eu sei disso.

Alex: Não. Mamãe, não pense assim de mim.

Laura: Não seja cínico. Você nunca gostou de mim. É um traíra. Está tentando parecer que está preocupado, mas no fundo não se contém de felicidade. Você e essa sua esposa. E você Irene? Vamos! Ria! Ria bastante. Sempre desejou minha morte não é?

Irene: Não sou a monstra que pensa. Mas se quer saber? Nunca esqueci o que fez com minha mãe. Você acabou com a vida dela. Você e o canalha do meu pai.

Laura: Você nunca entenderá isso, garota. Eu e seu pai tivemos um momento de fraqueza. Ele me seduziu e fui parar naquele quarto, em cima da cama dele. Foi quando sua mãe chegou e viu tudo. Engraçado é que só as mulheres é que levam a má fama.

Irene: (com lágrimas de raiva) Sonsa! Na cama que sua irmã dormia. Você se deitou com meu pai. Minha mãe se matou por que não aguentou tamanha humilhação e trairagem. Ela era cega de paixão pelo meu pai.

Edmundo: (grita) Chega! Vamos parar pessoal!

Laura: E você, Edmundo? Espero que não tenha acreditado nas palavras de seu pai, meu irmão Clóvis, ao dizer que fui eu quem tramou o acidente dele.

Edmundo: Tia, por favor. Esqueça isso. Eu já esqueci.

Laura: E você, Clotilde? Espero que tenha me perdoado por ter separado você de seu filho. (Todos ficam surpresos)

Clô: Senhora, por favor.

Alex: Que estória é essa?

Laura: Clô teve um filho quando começou a trabalhar pra mim. Isso foi há quarenta anos. Até eu descobrir que o pai do filho que ela teve, era de meu primeiro marido. Numa noite, com muito ódio, dei um dinheiro ao jardineiro pra sumir com a criança. Clô descobriu, mas como tinha matado uma pessoa e eu sabia, teve medo de me denunciar, porque eu a denunciaria também.

Clô: (chorando) Senhora, por favor. Pra que desenterrar isso?

Laura: Todos nós temos segredos. Como tenho poucos meses de vida, precisava contar isso. Meu segredo. Seu segredo.

Amanda: Que horror, gente! E onde está seu filho, Clô?

Clô: (chorando) Eu descobri tudo depois. Meu filho infelizmente veio a falecer ainda menino com rubéola. Eu não cheguei a conhecê-lo.

Irene: Como você pode ficar aqui nesses anos todos, Clotilde? Depois do que ela te fez?

Clô: Eu não podia ir embora. Tinha o rabo preso por ter matado uma pessoa. Amigo de dona Laura, que matei por engano ao pensar que se tratava de um assaltante de casas.

Laura: Não se preocupe, Clô. Você e todos que mais prejudiquei serão beneficiados, agora. Então? Vamos ler o testamento? Otávio?

Advogado (Otávio): Senhora; estou pronto.

Laura: Então, é chegada a hora de sabermos quem é o felizardo a ser o meu primeiro beneficiário.

TODOS SE OLHAM.

Cena 2 SALA – MESA DE JANTAR – TARDE.

TODOS REUNIDOS. LAURA sentada na cabeceira, Advogado ao lado dela.

Advogado distribui um envelope pra cada um.

Laura: Antes de abrirem suas cópias do testamento. Quero dizer algumas palavras. Quando soube deste câncer há seis meses. Perguntei ao doutor quais eram as chances de eu escapar. Ele me disse, 1% de chance, podemos começar a quimioterapia agora mesmo. Eu disse a ele: Não! Fiz muita coisa errada em minha vida. Chega. Quero aproveitar esse tempo. Poderia estar agora em Paris, gastando a fortuna que tenho. Bebendo os melhores champagnes, mas faltava uma coisa: O Perdão de minha família. Por isso reuni vocês aqui. Um fim de semana onde poderíamos passar juntos. Nos amando. Como uma família de verdade. E…

 (sua voz fica embargada pelo choro, Ângela põe sua mão sobre a da tia).

Ângela: Ô minha tia!

Laura: Fiz este testamento, me baseando no merecimento de cada um. Inclui também Otávio, meu advogado e Sérgio meu médico de cabeceira, Jayme meu mordomo e Clô. Apesar de não serem da família, são meus grandes amigos. Peço a vocês que depois de minha partida, aprendam a viver em união e amor. Como já disse: a herança é sucessiva, não posso dividi-la porque isso envolve as ações da empresa e não posso nomear mais de um administrador. E porque sei que cada um iria pro seu canto e nunca mais se veriam. Resolvi nomear um beneficiário apenas. E em caso de morte desse beneficiário, outro e assim sucessivamente. Sei que ninguém ficará contente e espero que não traiam ao outro. Ao contrário, amem. Amem uns aos outros, como eu não fui capaz de amar vocês. O dinheiro me tirou a capacidade de amar, mas o câncer, me fez enxergar novamente. Repito: Amem uns aos outros.

Irene: (sarcástica) Parece até Jesus falando na última ceia com os apóstolos.

Risos contidos de Amanda.

Laura: Você brinca com isso, não é Irene! Mas talvez você tenha razão. Não me surpreenderia que aqui entre nós, houvesse um Judas. Seria você?

Doutor Sérgio dá uma tossida. Alex ajeita a gravata.

Irene: Leia seu testamento. E espero que não tenha se esquecido da sujeira que fez com minha mãe.

Laura: Abram seus envelopes. Otávio?

Todos abrem os envelopes. Mordomo e Clô em pé ao lado da mesa.

Advogado(Otávio): (dá uma tossida e lê) Eu, Laura Mendes Falcão, aos 63 anos, em pleno gozo de minhas faculdades mentais, deixo meus bens ao senhor Jayme Silva, Mordomo a quem tantos anos me serve. Ficando ele com minha casa, meus automóveis, todas as ações de minha empresa. Por sua fidelidade, Jayme é meu primeiro herdeiro. Em caso de sua morte ou recusa: Clotilde Sales, cozinheira e amiga de muitos anos, por seus serviços prestados. Em caso de sua morte ou recusa:

Ângela Meirelles Falcão, sobrinha, será herdeira de tudo. Em caso de sua morte ou recusa:

Meu fiel advogado Otávio Correa de Andrade, como gratificação por sua fidelidade. Em caso de sua morte ou recusa:

O direito se estenderá ao Doutor Sérgio Vaz, por seu carinho e cuidado comigo. Em caso de sua morte ou recusa:

Meu sobrinho Egídio Falcão ficará responsável pela herança da família. Em caso de sua morte ou recusa:

Meu sobrinho Edmundo Falcão será o beneficiário. Em caso de sua morte ou recusa:

Minha sobrinha Irene Falcão. E em caso de sua morte ou recusa:

Meu filho Alexandre Falcão Torres. Sendo este meu último beneficiário.

Alex dá uma pancada na mesa com raiva e se levanta.

Alex: Vagabunda! Ordinária! Como pôde fazer isso?

Todos olham pra ele.

Amanda: Francamente, dona Laura. Até o demente mental do Egídio ficou na frente de seu filho. O que a senhora tem na cabeça? O tumor já começou a comer o seu cérebro?

Laura: E você? O que tem a ver com isso? Você é só agregada, não parente.

Irene: Os criados, Otávio e Sérgio também não são parentes.

Laura: Não são, porém, são mais humanos e fiéis que todos vocês.

Irene: Quer saber? Não faço mesmo questão disso. Chega! (Irene se retira).

Edmundo: Eu também não. Com licença. (Edmundo se vai)

Egídio: Egídio agora vai ser rico. É só morrer, um, dois, três. (ri)

Mordomo: Senhora, eu lhe agradeço profundamente. Mas não sei se mereço.

Laura: Então recuse e Clotilde ficará com tudo.

Mordomo olha pra Clotilde de cara feia.

CENA 3 QUARTO DE ALEX E AMANDA.

Alex entra no quarto como uma bala e bate a porta. Amanda entra logo atrás. Alex pega uma cadeira e arremessa contra a parede, bufando de ódio.

Alex: Vadia! Ordinária! Como ela pôde fazer isso?

Amanda: E agora? Como vamos fazer?

Alex: Em caso de morte ou recusa… Não acredito que ninguém irá se recusar. Então só haverá um jeito de pôr as mãos nessa grana.

Amanda: Sim. E com certeza não será esperar. Teria coragem de…?

Alex: De matar? E você?

Amanda: Eu não vim pra essa ilha a passeio. Se é que você me entende.

Os dois se olham.

CENA 4 QUARTO DE EDMUNDO.

Edmundo entra no quarto e tranca a porta. Ele abre a gaveta e pega sua arma.

Edmundo: Tenho que esconder isso em um lugar melhor. Talvez seja preciso usá-la. Agora mais do que nunca.

CENA 5 ROCHEDOS.

Irene olhando o mar.

Irene: Vaca! Por tudo que fez a minha mãe. Eu deveria ser a primeira. Eu. E agora? Não é justo sair daqui sem nada. Não é justo. Tenho que fazer algo. O que essa vaca mais gosta? Ah! Já sei.

CENA 6 COZINHA.

Clô e Jayme.

Clô: Nos demos bem.

Mordomo (Jayme): Como assim? Eu fui o beneficiário. Eu me dei bem.

Clô: Você disse que se fosse o escolhido, dividiria comigo.

Mordomo (Jayme): E se você tivesse sido escolhida, primeiro, dividiria?

Clô: Claro que sim.

Mordomo (Jayme): (ri) Me poupe Clotilde. Você é louca por esse dinheiro.

Clô: Sou sim. E mereço. Por tudo que passei. Por causa dela, perdi meu filho sem nem conhecê-lo.

Mordomo (Jayme): Então reclame com ela. Aceite que eu tive mais sorte que você.

Clô: Você é um traidor Jayme. A gente só conhece as pessoas depois que elas ganham poder.

Mordomo (Jayme): Acalme-se. Quem sabe depois que dona Laura se for, eu descubra ter um tumor também. Aí chegará sua vez. (ri e sai. Clô fica a olhá-lo).

Clô: Maldito. Esse dinheiro não pode ser seu.

CENA 7 QUARTO DE ÂNGELA.

Ângela mexe no celular e escreve: “Eu te amo”. Ela envia um SMS. Aparece na tela: “Erro. Mensagem não enviada”.

Ângela: Droga.

Mordomo aparece na porta com vassoura e lençol na mão.

Mordomo (Jayme): Com licença senhorita Ângela.

Ângela: Jayme. Entre. Então, é o herdeiro. Parabéns.

Mordomo(Jayme): Por favor, senhorita. Não quero que fique com raiva de mim, eu…

Ângela: Oh não. Por favor. Eu não. Fico feliz que tenha sido você. Antes um bom homem e fiel a minha tia, como você, do que outros por aí. To feliz de você ser o beneficiário. Pode acreditar em mim!

Mordomo(Jayme): Eu agradeço. A senhorita nem parece ser dessa família. Me desculpe, mas dos sobrinhos e filho da madame, a senhorita é a única de bom coração. Se não se importa, passarei a tarde limpando os quartos e trocarei a roupa de cama de todos.

Ângela: Ok. Vou só deixar meu celular carregando. Estranho, aqui não consigo área.

Mordomo: Aqui é muito ruim de área e a linha do fixo não foi consertada. Estamos neste momento, isolados de internet e qualquer outra tecnologia. No entanto, acho bom. Assim vocês terão mais tempo em família. A tecnologia afasta as pessoas.

Ângela: Tem razão. Bem, vou descer e me juntar aos demais.

CENA 8 SALA DE ESTAR.

Doutor Sérgio sentado tomando chá. Advogado Otávio chega até ele.

Doutor Sérgio: Eu não esperava por isso. Nós, beneficiados?

Advogado: Não? Laura me contou. E disse que havia contado a você. Então não precisa mentir pra mim, fingindo surpresa.

Doutor Sérgio fica sem jeito.

Doutor Sérgio: Então você também sabia?

Advogado: E você também sabia dessa doença?

Doutor Sérgio: Superficialmente. Plínio não fala muito. Seria antiético. Mas sabia que senhora Laura não estava bem. Quando comecei a perceber alterações em seus exames, encaminhei a um oncologista. Desconfiava de um tumor.

Advogado: E onde está esse tumor?

Doutor Sérgio: No cérebro.

Advogado: (assovia) Então não há mesmo jeito?

Doutor Sérgio: Só um. Um transplante de cérebro.

Sérgio olha pra Otávio, eles riem.

Advogado: É meu amigão. Pelo visto, essa grana não será nossa. Há uma longa fila até chegar nossa hora.

Ângela descendo as escadas; fica escondida ouvindo a conversa.

Doutor Sérgio: E pior, estamos velhos demais, pra esperar pela morte de alguns, especialmente, Ângela, a mais jovem. Essa, coitada, o que vai ter de mandiga contra ela. (ri)

Advogado: Que nada! Às vezes os jovens vão primeiro. Pra morrer, basta estar vivo.

Doutor Sérgio: O que quer dizer?

Advogado: Não se preocupe. Eu sou antes de você.  (Eles riem) Que maleta bonita! Sempre quis ver a maleta de um médico.

Doutor Sérgio: (sério, segura a mão dele) Não toque nisso. Desculpe, mas é meu material de trabalho. É sensível. Você tem o seu, eu tenho o meu.

Advogado: Desculpe. Foi só curiosidade. Quando entrei pra faculdade, pensei em fazer medicina, até cursei dois anos, mas achei muito difícil. Parti pro direito. Diga-me, nossa cliente, Laura, pode comer de tudo?

Doutor Sérgio: Ficou alérgica a algumas coisas por causa desta doença. Mas abandonou todo tipo de restrição depois que soube que ia morrer. Ela agora quer é curtir a vida.

Advogado: Alérgica? Coitada.

Doutor Sérgio: É. Coitada.

  Ângela ouvindo do pé da escada.

Ângela: Alérgica? Minha tia?

CENA 9 ROCHEDOS.

Irene, Edmundo, Amanda e Alex num ponto (Amanda mexe no celular).

Todos olham as ondas batendo nos rochedos. Irene e Alex flertam.

Ângela chega.

Irene: O que faz aqui fora? Cansou de bajular a titia?

Ângela: Tia Laura dorme o sono da tarde. Egídio também.

Irene: (ri) Dormir pra quê? Ela vai morrer em três meses.

Ângela: Irene, você podia ser menos ácida? E Jayme está limpando os quartos, por isso vim pra cá.

Edmundo: O cara vai ser milionário daqui a alguns meses e limpa os quartos.

Ângela: E se você tivesse no lugar dele? Deixaria de trabalhar e esperava?

Edmundo: Esperar? Não. No lugar dele eu tomava era posse agora mesmo de tudo.

Ângela: Só pode fazer isso depois que a tia morrer. Tá na lei.

Edmundo: Então. Um empurrãozinho no tempo não faria mal.

Ângela: Não brinca com isso. Sabem o que ouvi o Sérgio dizer lá dentro? Que a tia Laura, ficou alérgica a algumas comidas.

Amanda ouve. Irene sorri maliciosamente.

Cena 10 COZINHA.

Clô mexendo a panela de cara feia. Ela olha pra todos os lados e percebe estar sozinha. Ela abre o armário da cozinha e pega um vidro parecido com pimenta.

Clô: Um bom jantar; precisa de um bom tempero. Ih! Estou esquecendo o principal.

Clô se vai, DEIXANDO A COZINHA SOZINHA e as panelas no fogo.

A NOITE CHEGA.

CENA 11 SALA DE ESTAR – NOITE.

Todos sentados à mesa, cada um em seu canto. Não se falam. Caras feias. Silêncio total. Laura descendo as escadas.

Mordomo (Jayme): Posso servir o jantar, Madame?

Laura: Logo. Antes preciso achar Priscila, minha gatinha. Não a viram? Depois que acordei do sono da tarde, não a vi mais.

Alguns se entreolham, mas não dizem nada.

Ângela: Será que não foi caçar algum rato na ilha?

Laura: Nesta ilha não há ratos. Bem, vamos comer então.

MINUTOS DEPOIS.

CENA 12 SALA DE JANTAR – NOITE.

Todos comendo suflê. Silêncio total. Ambiente hostil. Laura preocupada.

Laura: To aflita! Priscila nunca saiu de perto de mim por tanto tempo. Depois do sono da tarde, ela simplesmente sumiu. Será que ninguém a viu?

Todos calados. Irene olha pra Edmundo. Advogado olha para o Médico. Egídio com vontade de rir, se contém.

Laura: Nossa! Será que ninguém vai dizer nada? Vi que ninguém aqui gostou do testamento. Fiz por ordem de merecimento. Não vão dizer nada?

Ângela: Eu digo. Clô, este suflê está delicioso. Parabéns.

Amanda: Está mesmo. Deve ter usado um tempero muito bom.

Amanda olha pra Alex.

Clô: Obrigada.

Laura: Clotilde, já pode servir o prato principal.

Clô: Licença!

Clô se vai. Edmundo e Irene se olham.

Advogado (Otávio): Divina a entrada.

Clô volta com uma bandeja tampada e coloca sobre a mesa.

Ângela: Que lindo! Linda bandeja! Resta saber se o prato também é bom.

Irene: Nossa! O cheiro está péssimo!

Clô destampa a panela e vemos uma sopa de feijão.

Ângela: Feijão com carne? Adoro!

Laura: Por favor, uma concha pra mim!

Laura estende o prato. Clô pega a concha e mergulha na panela, quando a concha volta, traz a CABEÇA DA GATA PRISCILA com os olhos abertos de frente para Laura.

Laura: (grita de horrorizada) Priscila?

Clô: Meu Deus!

Todos se olham. Alguns muito assustados. Outros nem tanto.

Continua…

39 thoughts on “Ovelha Negra – Capítulo 02

  1. Nossa parabens, as cenas sao longas e nao tenho paciencia para ficar lendo, no mais foi otimo, eu faço um resumo das web para acompalharas assim como em Cartas para Florença.

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  2. Eita 😱 menino, essa web é incrível 👏👏👏
    Não tenho ainda um palpite certo de quem possa ser essa ovelha negra, mas to gostando muito!
    Irene, Alex e Edmundo eram pars mim, os principais suspeitou , agora ficou confuso 😂
    Ansioso para o próximo capítulo
    Parabéns 👏👏👏

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  3. Mataram a gata, que nojo! Acho que foi o Jayme ou a Clô, eles são os primeiros da lista do testamento e querem se livrar da Laura
    Como a Ovelha Negra, todos são suspeitos, mas eu acho que são todos eles!
    Parabéns, Maurício!

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  4. Maurício fico feliz e lisonjeado que você seguiu a minha dica. Realmente este capítulo é muito bom. O jargão popular é verdadeiro, pra saber de verdade como é uma pessoa basta dar poder a ela. O capítulo ficou muito bom, a trama andando. Fiquei surpreso, achei que Laura deixaria por primeiro pras pessoas que a odeiam e depois pras pessoas que supostamente a amam. Claro que um a um vão se matar para ter a herança dela.
    A trama já esta se desenvolvendo, já começaram as armações e pelos detalhes que hoje foram necessários percebo que todos querem o poder, mas vários estão se escondendo, estão sendo falsos com a Laura. Essa web é muito boa, me faz pensar, refletir. Afinal qual deles é a Ovelha Negra?
    Chocado que serviram a gata no feijão kkk, penso que foi o mordomo, porque a Clô saiu, os detalhes desse capítulo foram essenciais para entender as entrelinhas dessa disputa pelo poder, uns dizem em matar abertamente outros certamente estão escondendo o jogo. Acertou nos detalhes, continue assim!!!
    Parabéns pelos 21 pontos de ontem, Maurício você merece muito esse sucesso. Vejo que sempre está a melhorar. Pontos positivos pra você hoje. O segundo capítulo foi melhor que o primeiro.
    Sucesso, bons diálogos.

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    • Obrigado Gremista. Sua dica foi de extrema importância. No cap. 3 de hj, finalmente começo minha trama. As cenas de testamento realmente são longas e repetitivas, mas tudo é proposital para familiarização dos personagens! Agora, saio do conflito familiar e começo a mostrar a vcs a face de cada personagem! Obrigado!🙂

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  5. Capítulo maravilhoso, tadinha da Priscila, tenho certeza que isso não é nada comparado as mortes que vão acontecer. Parabéns Maurício.

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  6. Parabéns!!!
    Me estanha que o mordomo ser o primeiro e cozinheira a sagunda.
    EU ACHO QUE OS DOIS SÃO OS PRINCIPAIS SUSPEITOS não sei por que?
    Cada dia melhor Harper’s Island – O mistério da ilha 2

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  7. Desculpe por não marcar presença nesse capítulo,é que não tive tempo.Parabéns!Leio depois.

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