Monólogos da Ditadura – Capítulo 4

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Cena 1 – Salão principal

Em questão de minutos todos estavam com a folha em suas mãos, um encarando o outro, e alguns ousando dar uma espiada na prova. E logo que Brian percebeu que todos já tinha recebido as provas, ele então revelou.

BRIAN: A prova são questões objetivas. – Ele sorriu com um ar de superioridade, encarando as pessoas logo a sua frente como incapazes de responder uma prova que não fosse daquela forma. – Não existe resposta errada, apenas interpretação.

Ele deu espaço para Alf caminhar até seu lado e apresentar as questões.

ALF: Alguns de vocês já devem estar lendo o conteúdo, não se assustem, isso é apenas para que possamos conhece-los melhor. – Ele pega uma cópia da prova e começa a ler as questões. – Primeira pergunta: “Qual sua cor?”, temos como opções de resposta “preto” e “branco”, sejam sinceros ao responder, afinal são aspectos que ninguém consegue esconder assim facilmente.

Ele continuou falando sobre as questões, eram questões de péssimo gosto, como se a SOTF estivesse em busca de pessoas perfeitas para um padrão perfeito.

BRIAN: Agora explicarei as regras da prova. Primeiro, vocês terão uma hora para responder TODAS as questões, não deixando nenhuma em branco. Vocês devem assinalar apenas uma resposta por questão, afinal não existe alguém branco e preto aqui, não é? – Ele sorriu. – Ou um homem que de dia gosta de mulher e de noite dorme com outro homem. – Todos ficam um pouco desconfortáveis com os comentários de Brian. – Não serão distribuídas canetas para vocês, pois durante essa hora vocês terão que encontra-las pela base e devem responder as questões.

“Onde poderemos encontrar essas canetas?”, perguntou um homem de meia idade.

BRIAN: Estão escondidas pela base, em pontos principais, mas na prova mesmo terão algumas pistas.

ALF: Vale lembrar que esse é um processo seletivo, todos que conseguirem vão passar, independentemente das respostas. – Ele disse.

As pessoas ouviram tudo atentamente, alguns ainda conversavam entre si. Em seguida o grupo da SOTF deixou o salão.

ANGELIQUE: Boa sorte a todos. – Ela e os líderes da base também se retiram do salão principal, em seguida todo mundo se dispersa.

 

Cena 2 – Entrada principal (Base de refugiados)

Dionísio vinha juntamente com seu filho, e Madga junto com Yumi logo ao lado.

MAGDA: Não faço a menor ideia de onde podemos encontrar essas canetas.

DIONÍSIO: Isso é loucura. – Ele disse num suspiro.

Magda e os outros pararam enquanto Dionísio expressava sua opinião entre eles.

DIONÍSIO: Isso é um absurdo, você leu as questões? – Ele olhou para Magda.

MAGDA: Li alguma coisa.

DIONÍSIO: Tem uma questão que pergunta se a bomba trouxe benefícios para a humanidade.

MAGDA: E o que tem de ruim nisso? Basta marcar essa opção aqui. – Magda aponta para a alternativa em que se posicionava totalmente contra a posição dos Estados Unidos.

DIONÍSIO: É uma armadilha. – Ele puxou os três integrantes de seu grupo até um canto e falou baixinho. – Vamos marcar as mesmas questões, ok?

Todos concordaram.

DIONÍSIO: Eles vão eliminar as pessoas que se oporem ao governo.

RYTHUS: Só tem um problema.

DIONÍSIO: Qual?

RYTHUS: Não temos nenhuma caneta.

MAGDA: Isso não é problema, eu sei onde podemos encontrar uma. – Ela olha apreensiva para os três. – A pista na minha prova indica uma caneta aqui próximo, mas é perigoso.

DIONÍSIO: Então a resposta é não!

MAGDA: Deixe eu terminar. – Ela baixa o tom de voz para que ninguém das pessoas que estavam passando ali por perto pudessem ouvi-los. – Preciso que vocês fiquem aqui enquanto eu busco uma caneta para nós.

DIONÍSIO: Negativo, eu vou junto.

MAGDA: Não. – Ela olha ao redor como se estivesse sendo observada, e em seguida volta seu olhar abatido sobre Dionísio. – Eu preciso que você fique e cuide das crianças, e a propósito, eu conheço esse lugar melhor do que vocês, eu vou tomar cuidado.

DIONÍSIO: Tudo bem…

Magda se agacha e beija o rosto de Yumi.

MAGDA: Yumi, eu preciso que você obedeça o Dionísio.

YUMI: Você vai demorar?

MAGDA: Não, logo estou de volta, tomem cuidado.

E assim ela se despede dos três e segue por um corredor diferente do caminho que dava acesso aos dormitórios, alguns homens a seguem.

 

Cena 3 – Sala de Angelique

Angelique senta em sua poltrona, seu olhar abatido estava centrado nas milhares de pessoas que estavam ouvindo o depoimento a SOTF, ela acreditava que a seleção pudesse salvar alguns, mas ela também sabia que nem todos poderiam ser salvos, e aquele era um medo que estava a torturando há dias.

Aquela mulher já deixara de ter sonhos durante a noite, e também durante a vida, após perder seus familiares tudo havia perdido o sentido, continuava apenas para salvar a humanidade, para que de alguma forma a justiça pudesse ser restaurada. Seus olhos contemplavam uma dor estampada em uma foto que ficava sobre a mesa.

Angelique abriu uma das gavetas de sua mesa, a mesma onde ficava o revólver, mas desta vez ela não pegou a arma, ela pegou outro objeto que estava em volta de um pano, ela desenrolou e dele tirou um terço, que era de sua falecida mãe.

Ela se apego com as duas mãos naquele objeto e iniciou sua oração.

ANGELIQUE: Senhor meu Deus, o senhor que és o salvador da humanidade deve estar ouvindo o lamento dessas pessoas, deve ter visto em algum momento várias dessas pessoas morrerem. – Uma pausa para imagens de pessoas morrendo pela guerra, pela explosão de bombas, pela morte e tudo que nela acaba. – Senhor meu Deus, se está me ouvindo nesse momento, faça isso parar. – Ela chora. – Eu lhe imploro.

Mais dois segundos de meditação até ser interrompida pela porta que se abriu, Angelique, numa forma de proteção guardou rapidamente o terço de volta na gaveta e encarou os olhos que lhe jugava naquele momento.

ANGELIQUE: O que está fazendo aqui? – Ela o questionou.

ULISSES: Estava entediado. – Ele caminha pelo local e senta no sofá que ficava no centro da sala.

ANGELIQUE: Nos Estados Unidos não lhe ensinaram a bater na porta antes de entrar?

ULISSES: Eu deveria? – Ele solta um riso falso. – Não queria que eu lhe flagrasse rezando?

ANGELIQUE: Não vejo problema algum nisso.

Ulisses caminha de um lado para o outro na sala olhando tudo em volta enquanto tocava em alguns objetos.

ULISSES: Sabe, nessas horas. – Ele tinha um olhar distante. – Não adianta se apegar a Deus, ele está nem aí pra você. – Seu olhar agora encarava o espanto de Angelique. – Ele não fez nada antes, e não vai fazer nada agora, então eu lhe pergunto… Por que você ainda continua rezando?

ANGELIQUE: Eu não sei e nem quero saber em que você acredita. – Ela o encara com raiva. – Eu não vou discutir religião com uma pessoa que não sabe nem o significado de respeito, e quer saber? Eu rezo pois eu tenho esperança, eu rezo porque eu ainda acredito que exista algo de bom para nós, eu pelo menos acredito em alguma coisa, agora se me der licença, eu gostaria que você me deixasse sozinha.

Ulisses ficou em silêncio, não era o momento para criar uma discussão com Angelique, então ele apenas sai sem dizer mais nada, mas ele saiu com o orgulho ferido, ele iria vingar-se.

 

 

Cena 4 – Sala de Simenio

Simenio estava em uma conversa com Megan, novamente ela dava as ordens para ele.

MEGAN: E como está o início das provas?

SIMENIO: Um sucesso.

MEGAN: Magnífico. – Ela comemora. – Pois tenho novos planos de agora em diante, ou melhor, assim que a primeira prova acabar.

SIMENIO: Diga.

Eles continuam falando por mais alguns minutos, Megan passa todas as informações, e mesmo um pouco surpreso com a sugestão da megera, Simenio acaba acatando-as.

Logo que a conversa acaba, Simenio deixa sua sala e vai até a clínica onde está Margelli.

 

Cena 5 – Base de refugiados

Jayne e Kalebe já estavam cansados de procurar canetas e não encontraram em nenhum lugar.

KALEBE: O que diz mesmo a sua pista?

JAYNE: “O começo e o fim”, e a sua?

KALEBE: “Fale menos, escute mais.”.

JAYNE: Eu não consegui entender nenhuma delas.

KALEBE: Já passou meia hora.

Os dois começam a olhar ao redor, algumas pessoas já tinham terminado a prova, mas aparentemente não tinham nenhuma caneta, e sorriam despreocupados com a vida.

JAYNE: Me espere aqui. – Ele vai até um homem que estava passando por ele, o homem estava com a prova toda completa, então ele o aborda. – Oi… – Ele se aproxima um pouco ofegante pelos passos ligeiros até chegar ao homem. – O senhor já preencheu sua prova…

O homem escondeu o papel como se Jayne quisesse rouba-lo de si.

JAYNE: Eu só quero saber se o senhor poderia emprestar a caneta para meu irmão e eu.

“Não posso, eu já emprestei.”, disse ele num tom sossegado, e em seguida abandonou Jayne sem dar mais explicações a respeito.

JAYNE: Que homem mais mau educado.

Kalebe se aproxima do irmão.

KALEBE: Isso é lógico, ninguém quer ter concorrentes.

JAYNE: Do que está falando?

KALEBE: As pessoas que já acharam suas canetas não vão dividir com ninguém, assim mais pessoas não passam para a próxima fase.

JAYNE: Que velho safado.

KALEBE: Não se preocupe meu irmão, nós vamos conseguir encontrar uma dessas canetas.

Eis que ao lado deles aparece Daskvi.

DASKVI: E então, procurando por canetas?

JAYNE: Então finalmente você apareceu, pensei que estava na sala da Angelique.

DASKVI: Não… Eu estava indo para o meu quarto, estou morrendo de sono. – Daskvi não tinha dormido nada na noite passada, pois a morte de sua mãe o perturbara tanto que não conseguia fechar os olhos, mas ele sentia-se mais tranquilo agora com a vontade de dormir, ele queria fechar seus olhos e nunca mais abri-los.

JAYNE: Você não vai procurar por canetas?

DASKVI: Eu não quero ser escolhido.

KALEBE: Você não quer ser salvo?

DASKVI: Eu quero… – Ele não queria. – Você não ouviu eles dizendo que vai ter mais de um transporte? Então, eu espero o próximo avião.

No entanto Daskvi não sabia, ninguém sabia, que não existiria outra chance.

JAYNE: Mas eu tenho pressa, quero encontrar meu pai e minha mãe logo, então por favor, nos ajude.

DASKVI: O que eu posso fazer por vocês?

KALEBE: Será que na sala da Angelique não tem canetas?

DASKVI: Deve ter sim. – Ele diz quase que animado. – Eu irei buscar e logo trago pra vocês.

JAYNE: Nós agradecemos.

Daskvi se despede rapidamente e se dirige para a sala de Angelique.

 

Cena 6 – Clínica

Margelli terminava de medicar um paciente, ela solta a bandeja com medicamentos ao lado da cama para virar o paciente do outro lado. Com delicadeza ela coloca mão sobre as pernas do homem, ele estava frio.

MARGELLI: Me ajude aqui, Taume.

Taume era voluntária para ajudar Margelli. Taume tinha estudado alguma coisa sobre enfermagem, não chegou a se formar, mas era a mais apta para ajudar Margelli a coordenar aquela clínica.

TAUME: Ele está sem pulso.

MARGELLI: Mas eu acabei de medica-lo, não é possível. – Margelli corre até o desfibrilador para reanimar o corpo, mas antes que ela possa pegar o aparelho um homem com um olhar sombrio lhe para.

SIMENIO: Deixe-o morrer.

MARGELLI: Simenio? – Ela está surpresa, suas mãos falharam em pegar o aparelho. Eis que Taume surge rapidamente.

TAUME: O senhor não se mete, estamos salvando vidas aqui.

Taume coloca a mão sobre o aparelho na intensão de leva-lo até aquele corpo e reanima-lo, mas ela é detida com um forte golpe no rosto que a faz cair no chão.

SIMENIO: Você é surda? – Ele a encarou com raiva. – Eu disse para deixa-lo morrer, fui bem claro?

Taume derruba uma lágrima, e faz um sinal negativo. Simenio chuta seu corpo fazendo com que um pouco de sangue escorra pelo canto da boca da moça.

MARGELLI: Mas é o pai de Daskvi que está morrendo.

SIMENIO: Que seja o papa, não importa, vocês não vão passar por cima de uma ordem minha!

Margelli e Taume permaneceram caladas, as duas vão até o corpo e contemplam o paciente com pena.

MARGELLI: Ele tinha chances… – Talvez fosse aquilo que a frustrasse ainda mais. As duas desligaram os aparelhos e encaminharam o corpo do pai de Daskvi para o descarte humano.

SIMENIO: Depois que você terminar isso quero que me encontre em minha sala, Margelli.

Simenio sai e Taume desaba em lágrimas.

TAUME: Monstro! Desgraçado! – Ela cai no chão em lágrimas.

MARGELLI: Calma amiga.

Margelli estava mais habituada com a morte das pessoas a seu redor e por isso ela era fria, ela abraçou Taume e a acariciou.

MARGELLI: Já acabou, está tudo bem agora. – Ela disse em meio a um sorriso. – Agora preciso que você fique bem, irei falar com nosso carrasco agora.

Poderia parecer estranha a maneira como Margelli agia, mas ela era uma mulher determinada, ela poderia sofrer, mas não se permitia que os outros a vissem derrotada.

Margelli saiu e Taume terminava de encaminhar o corpo do pai de Daskvi para descarte.

 

Cena 7 – Saída de emergência (Base de refugiados)

Magda estava em frente a uma porta que dava acesso ao descarte de corpos humanos, ela sabia que do lado de fora existia muitos perigos, e ela poderia facilmente se contaminar com o ar poluído, mas ela estava determinada, ela pensava em sua irmã e na luta que travaram para permanecerem vivas, e depois pensou em Yumi, valia a pena sacrificar-se por elas.

Magda olhou pela janela e viu a caneta jogada no chão a poucos metros de distância da porta, bastava ela sair do lado de fora e se arriscar, ela precisava fazer aquilo sem avisar ninguém.

Rapidamente ela abriu a porta, foram segundos de incerteza e medo. Era como se a vida pulsasse em suas mãos, ela cobriu a boca com a manga de sua blusa e correu até a caneta, e por mais incrível que parecesse, Magda havia conseguido sem maiores dificuldades, quando ela sentiu a caneta em seus dedos ela vibrou internamente, era preciso voltar para a base em segurança.

Magda correu até a porta, ela estava a poucos metros quando a abertura fechou-se na sua cara, ela tentou desesperadamente empurrar, mas não conseguida. Ela forçou a fechadura, mas era inútil.

Magda correu até a janela para ver se conseguia ver alguém, e para seu desespero a pessoa que havia fechado a porta estava lhe fitando com frieza.

MAGDA: Abra a porta, por favor! – Ela gritava do outro lado do vidro, quem a olhava fazia gestos de que não estava conseguindo ouvi-la.

Magda gritou e gritou várias vezes, ela tentou empurrar a porta, mas era impossível, alguém havia trancado pelo lado de dentro.

MAGDA: Por favor, eu lhe imploro. – Ela via o sorriso do outro lado, era um sorriso satisfeito por vê-la daquele jeito.

Magda começava a tossir, já lhe faltava o ar, então ela se ajoelha na terra seca e sem vida, ela chora.

MAGDA: Deixe-me viver.

Ela implorava como alguém implora vida a Deus, no entanto, desta vez a porta se abriu. Magda se arrastou até a abertura, ela chorava muito, e quando finalmente chegou ela foi chutada e pisoteada pelo agressor que anteriormente havia trancado sua passagem.

Magda apanhou até sangrar, ela viu ele a deixando e levando consigo a caneta que ela sofreu tanto para conseguir.

 

Cena 8 – Quarto do grupo SOTF

Alf e Brian aguardavam a chegada de Ulisses, Horácio e Glay.

ALF: Finalmente vocês chegaram.

GLAY: Eu quero saber para que serve essa reunião.

BRIAN: Recebi informações de que temos que reduzir o número de selecionados.

HORÁCIO: Mas já não basta os poucos que vão ser selecionados?

ULISSES: Você nem opine. – Ele solta uma gargalhada e depois volta a prestar atenção no que Brian estava falando. – Pode continuar.

BRIAN: Todos terão a chance de ter “protegidos”, ninguém pode saber, essa forma de escolha será algo que só a equipe SOTF pode saber.

ULISSES: Estou perdido.

BRIAN: Cada um de nós poderá ter no máximo 3 protegidos, esses protegidos, independentemente da forma como serem eliminados no processo seletivo, eles passarão.

GLAY: Está nos dando a chance de salvar 3 pessoas, cada um?

Brian sorri.

BRIAN: É isso ou é nada.

Parecia que havia terminado a reunião, havia se estabelecido um impasse entre Glay e Brian, mas tudo se dissipou após o diálogo profundo sobre como deveria ser feita a escolha dos “protegidos”.

Glay, Horácio e Ulisses estavam voltando para o quarto, quando Glay fica para trás.

GLAY: Eu preciso ir ao banheiro.

Ele olhou com uma expressão de dor para Horácio, que percebeu no mesmo instante que deveria ir junto a ele no banheiro. Ulisses foi para o quarto enquanto os dois foram até o banheiro.

HORÁCIO: Você precisava falar comigo?

GLAY: Sim. – Ele vai até a porta para ver se ninguém está o ouvindo. – Eles pretendem fazer uma chacina.

HORÁCIO: Como assim?

GLAY: Não tem outra explicação para que tenhamos “protegidos”, ou seja, eles planejam acabar com todos aqui, mas eu ainda não sei como.

Glay nem imaginava, mas eles planejavam exterminar todos com uma epidemia.

 

Cena 9 – Sala de Angelique

Daskvi entrou, ele era uma das únicas pessoas que entrava sem bater, mas mesmo assim era bem vindo. Angelique foi flagrada chorando, ela tentou disfarçar, mas era tarde demais.

DASKVI: O que houve?

ANGELIQUE: Nada.

DASKVI: Se quiser falar sobre, eu vou ouvir.

ANGELIQUE: Não. – Ela se levanta e vai até ele. – Você não precisa fazer a prova de seleção?

DASKVI: Era sobre isso mesmo que vim falar com você, eu vim pedir uma caneta.

Angelique passa as mãos rapidamente pelo rosto para limpa-los das lágrimas que ainda restavam, e se direcionou até as prateleiras de sua estante.

ANGELIQUE: Eu tenho algumas aqui. – Ela começa a procurar, mas acaba não encontrando nenhuma. – Estranho, eu não estou achando nenhuma caneta.

DASKVI: Será que alguém pegou?

Angelique pensa um pouco e chega a uma conclusão.

ANGELIQUE: Aquele safado do Ulisses.

Angelique fica visivelmente revoltada, mas Daskvi a acalma.

DASKVI: Não se preocupe, eu vou encontrar alguma caneta por aí.

Daskvi parecia estar com pressa, ele deixa a sala, e Angelique permanece pensativa.

 

Cena 10 – Sala de Simenio

Margelli adentra e se depara com Simenio ao lado de dois soldados, eles estavam preparando armamentos e quando a vê eles acabam disfarçando.

SIMENIO: Depois nos falamos. – Ele diz para os soldados que saem levando as armas junto.

MARGELLI: O que você queria falar comigo?

SIMENIO: Novas ordens foram dadas, os doentes serão transferidos.

MARGELLI: O que?

SIMENIO: Isso morre aqui, entendeu? – Ele a encara com um olhar intimidador. – Os doentes serão descartados.

MARGELLI: Você está louco? – Ela se revolta e avança sobre o general o acertando um golpe no rosto. – Você não vai matar ninguém enquanto eu existir.

Ele a encara com ódio e a empurra no chão.

SIMENIO: Eu não estou pedindo sua autorização, sua idiota. – Ele pega um revólver e aponta para a cabeça de Margelli. – Eu estou cumprindo ordens, você deve ser obediente, caso contrário todo mundo vai ficar sabendo que a enfermeira Margelli morreu misteriosamente.

MARGELLI: Vai me matar?

SIMENIO: Essa pergunta é você quem deve responder, e então, você vai ser obediente?

Monólogo de Margelli

É preciso ser forte para admitir a derrota e fraquejar perante a morte. É difícil se render e aceitar as ideologias que não lhe pertencem, na verdade, parando bem para pensar, tudo é difícil, apenas a morte é uma regalia que nos é premiada com facilidade, mas com ela perdemos todas as chances de mudar o mundo… Eu escolhi ser fraca e acatar as ordens de meu carrasco, eu escolhi viver.

 

 

CONTINUA…

62 thoughts on “Monólogos da Ditadura – Capítulo 4

  1. E vamos ao #MyAnalysis

    Gente, que maldade desse povo! Não dar as canetas para as pessoas fazerem a prova e ainda sair procurando por uma hora, que desumano! 😤😤
    Muito linda a cena da Angelique orando, a cena mais emocionante de todas
    Pobre Magda, morreu tentando pegar uma caneta! 😭😭
    Coitado do Daskvi (acertei na escrita?) achando que terá um segundo avião
    Akf, Brian, Ulisses, Glay e Horácio terão que salvar 3 pessoas cada um, serão apenas esses que embarcarão para os EUA?
    Que ódio do Simenio! Mandou descartar todos os doentes, não deixou o pai do Daskvi sobreviver e ainda ameaçou a Margelli de morte
    Pelo monólogo da Margelli, parece que ela decidiu acatar as ordens do Simenio

    Parabéns, Hivan!

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    • Muito obrigado

      Realmente é um ato de crueldade o que fizeram, mas mais provas virão pra provar que eles podem ser piores.
      Também acho uma cena linda
      Magda ainda não morreu😛
      Acertou sim, na verdade todos estão se iludindo.
      Terão outros, mas esses estarão livres de tudo…
      Simenio é um homem desprezível.

      Muito obrigado (de novo kk)

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  2. E shock com o luxo, não posso fazer um comentário mais específico porque o tempo não me permite.
    No mais, parabéns ❤

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  3. OS JOGOS COMEÇARAM!!! Mais um capitulo sensacional, coitado do Daskvi sofre mais que protagonista de novela mexicana.Obs: Vou dar mai valor s as minhas canetas. Parabens Hivan.

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  4. Chocado com a frieza do Simenio deixando q o pai do Daskvi morresse.
    Em choque com essa cena da Magda, que q a dama iria morrer.
    Vao exterminar os doentes, imaginando a atrocidade.:/
    MArgelli agora nas mãos do Simenio.
    Web pegando fogo
    Parabéns ;*

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  5. OS JOGOS COMEÇARAM!!! Mais um capitulo sensacional. Coitado do Daskvi sofre mais que protagonista de novela mexicana. Obs: Vou dar mais valor as minhas canetas. Parabéns Hivan.

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  6. Quando comecei a ler esse capítulo, nas primeiras cenas, logo estranhei como a prova era fácil, apenas responder um questionário? Mas lógico, eles tinham de encontrar canetas, malditas canetas! Imaginar que a sobrevivência de pessoas dependiam apenas de míseras canetas… Além de tudo isso, ainda havia armadilhas no questionário, raciocínio, agilidade e lógica eram precisos.

    Tadinha da Magda! Quase a mataram não só por conta de uma caneta, mas por conta da sobrevivência, vemos claramente que as pessoas expostas a uma situação dessa, são capazes de tudo para se garantirem. Pobre Magda e seus companheiros que dependiam dessa caneta. Caneta está, que estava em um lugar “super apropriado” hein? Esse povo da SOTF não valem nada.

    E como assim 3 protegidos cada integrante da SOTF? Quer dizer que dali só sairão 15 sobreviventes?

    Odeio o Simenio, sinceramente, ele é frio e desumano a um ponto extraordinário, tive dó da Teuma e da Margelli. De certo, Margelli sofrerá bastante quando tiver de executar o que Simenio pediu, o que se encaixa ainda mais com os malditos planos de Megan e sua organização, o plano de disseminar uma epidemia.

    Parabéns Hivan!

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    • Eu também imaginei que fosse uma prova fácil, na verdade eu estava desenvolvendo esse desafio e nada me vinha na cabeça a não ser um questionário, nenhuma ideia me levava a lugar algum para a primeira prova (tenho outras em mente), mas a primeira em especial tinha que ser esse questionário, e então as coisas tinham que ficar um pouco dificeis, e sim, espalhar as canetas por locais perigosos (ou inapropriados) era uma ideia. Porém vamos ter uma virada muito surpreendente nessa prova, aposto que vai surpreender todos.

      Presenciar a morte de perto faz com que as pessoas ajam de maneira que elas não agiriam normalmente, e Magda foi uma vítima de uma dessas pessoas. Bom, falar da SOTF é falar de bem e mau, afinal existem alguns que querem salvar as pessoas, mas nem todos podem ser salvos.

      Os 3 protegidos é tipo os escolhidos para sobreviver, então digamos que sim, sairão apenas 15 vivos (teoricamente), existem muitos acontecimentos ainda que podem mudar isso completamente.

      Simenio acabou por se tornar um vilão odiável, Margelli agora sofre nas mãos dele, e ela acaba por acatar uma das ordenas mais crueis de seu general e carrasco, vamos aguardar o desenrolar da trama, espero que goste

      Muito obrigado😀

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