Monólogos da Ditadura – Capítulo 08

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Cena 1 – Sala de Megan

Após terminar a chamada em vídeo com Simenio, Megan se levanta e caminha de um lado par ao outro. Ela estava ainda revoltada com seu pai e precisava tomar uma atitude o quanto antes.

MEGAN: Eu preciso remover meu pai do meu caminho.

Seu olhar determinado exalava ódio e crueldade.

 

Cena 2 – Salão de entrada/Base de Refugiados (Brasil – Noite)

As portas de entrada são abertas e um homem acompanhado por alguns soldados entram. Todos estavam vestidos de uma roupa protetora e uma máscara, e assim que adentram se desfazem do equipamento.

Alguns metros a frente, estavam os cinco membros da SOTF aguardando pela chegada de Ricgard.

Brian foi até ele.

BRIAN: Seja bem vindo. – Ele cumprimentou Richard com um forte aperto de mão.

RICHARD: Obrigado.

ALF: Ficamos sabendo de sua chegada ao Brasil hoje mesmo, poderia nos dizer o motivo?

RICHARD: O mesmo que vocês. – Ele não pôde evitar um sorriso sarcástico no rosto deixando Alf e Brian sem graça.

Ulisses que ficava logo atrás juntamente a Glay e Horácio não se conteve e sussurrou.

ULISSES: Já gostei dele. – Ele riu.

BRIAN: Bom, o Richard vai ficar no quarto de vocês.

ULISSES: O que?

GLAY: O mais justo seria três em cada quarto.

ALF: Nós decidimos assim.

HORÁCIO: Por mim tudo bem.

ULISSES: Só porque vocês querem! E não aceito.

BRIAN: Pra ficar justo, Ulisses vem para o nosso quarto.

ULISSES: Bom, acho justo agora.

Glay e Horácio apenas concordam, em seguida eles voltam para seus respectivos dormitórios.

 

Cena 3 – Dormitório do grupo da Yumi

Yumi esta deitada, ela não consegue dormir e se revira para todos os lados.

DIONÍSIO: Você está bem?

YUMI: Eu queria ir ver a Magda.

DIONÍSIO: Ela está sob cuidados médicos, acredite, ela vai melhorar. – Ele dá um beijo na testa de Yumi. – Agora durma, você precisa descansar.

Yumi fechou os olhos, e Dionísio permaneceu zelando seu sono por longos e cansativos minutos, eis que Rythus se aproxima dele e sussurra algo em seu ouvido.

RYTHUS: Precisamos conversar. – Ele disse num tom preocupado.

DIONÍSIO: Fale.

RYTHUS: Não pode ser aqui. – Ele olha para Yumi. – Temo que ela possa nos ouvir.

Dionísio compreende e os dois saem do dormitório indo para o corredor.

DIONÍSIO: Agora fale o que lhe preocupa.

RYTHUS: Pai, nós ficaremos uma semana sem comida…

Dionísio o interrompe.

DIONÍSIO: Vai ficar tudo bem.

Ele coloca suas mãos sobre os ombros de seu filho tentando encoraja-lo, e Rythus começa a chorar.

RYTHUS: Eu não vou conseguir. – Ele passa as mãos pelos olhos tentando enxugar as gotas que insistiam em molhar seu rosto. – Desde que cheguei aqui eu não tive ânimo para comer nada, e acho que você também, mas agora eu já estou com fome, e não passou nem o primeiro dia. – Ele começa a tremer, era um desespero que lhe corroía o corpo. – Eu não sei quanto tempo vou aguentar, pai, eu sou fraco.

Dionísio fica com os olhos marejados em sentimentos, ele abraça seu filho num impulso de proteção, no desejo que tudo aquilo acabasse.

DIONÍSIO: Eu vou dar um jeito. – Ele suspira. – Você ouviu eles dizendo? Será fornecida comida e água em alguns momentos, basta descobrirmos que momentos são esses.

Rythus termina de limpar as lágrimas, ele estava mais calmo.

RYTHUS: Obrigado. – Ele se aparta do abraço, ele confiava cegamente em seu pai, e se ele disse que daria tudo certo, então era verdade.

DIONÍSIO: Agora vamos entrar, precisamos dormir.

Antes que Dionísio entrasse no dormitório, Rythus segura seu braço.

RYTHUS: Pai, seja sincero comigo.

Ele encara profundamente Dionísio a procura de alguma resposta oculta.

RYTHUS: A Magda vai melhorar?

Na verdade nem Dionísio sabia responder aquela questão, qualquer um poderia morrer a qualquer momento.

DIONÍSIO: Vamos orar, meu filho. – Ele segura o ombro de Rythus. – Vamos nos apegar a Deus, ele vai nos ajudar a passar por tudo isso.

Rythus calou-se, os dois entraram junto no dormitório e rezaram baixinho minutos antes de adormecer.

 

 

Cena 4 – Dormitório da SOTF (Glay, Ulisses e Horácio)

Os três são os primeiros a entrar, em seguida Richard entra carregando sua mala.

ULISSES: E me ajude a tirar minhas coisas do armário para eu me mudar daqui. – Ele disse revoltado enquanto encarava Richard.

GLAY: Não precisa disso…

RICHARD: Está tudo bem.

HORÁCIO: Eu vou ajudar também.

ULISSES: Você nem invente de tocar nas minhas coisas.

Horácio se cala e permanece imóvel sentado na cama, enquanto Ulisses e Richard fazem as mudanças de seus pertences pessoais.

 

Cena 5 – Dormitório da SOTF (Brian e Alf)

ALF: E por que disse para o Ulisses vim para cá?

BRIAN: Ele é uma pessoa complicada, precisamos dele do nosso lado no momento.

ALF: E quanto aos outros?

BRIAN: Será apenas uma questão de tempo para que Richard descubra a verdade.

ALF: E você nem está preocupado que ele vá correndo denunciar a forma como está feita a seleção?

Brian solta um sorriso.

BRIAN: A única forma de se comunicar com James nos Estados Unidos é por meio da sala do Simenio, e duvido muito que ele vai permitir que o próprio filho consiga cumprir sua missão.

ALF: O que nós faremos?

BRIAN: Nos foi dada a missão de seguir o plano e nele permaneceremos, Richard não será um problema.

Os dois sorriem.

BRIAN: Bom, agora preciso ir falar com Simenio, e você trate de recepcionar Ulisses assim que ele chegar.

ALF: Conte comigo.

BRIAN: Aquele idiota, vai ser fácil manipulá-lo.

Alf solta uma gargalhada, e Brian deixa o dormitório logo em seguida.

 

Cena 6 – Clínica

Galileia permanecia olhando o horizonte, seus olhos estavam úmidos e enfraquecidos, ela estava cansada, mas mesmo assim se recusava a deixar aquele canto.

Passos lentos se aproximam da velha, Taume senta ao seu lado e permanece olhando para o horizonte misterioso revelado diante o vidro que era contemplado pela Galileia.

TAUME: Por que continua a olhar em direção de onde o caminhão foi?

Galileia não responde, apenas suspira, uma profunda respiração dolorosa.

TAUME: Você foi salva. – Ela revela. – As pessoas que foram levadas pelo caminhão. – Ela olha ao redor para verificar se ninguém estava as ouvindo, e depois de confirmar que estavam sozinhas, ela volta a falar. – Todas elas foram enganadas. – Ela suspirou. – Todas devem estar mortas agora.

Galileia agora chorava, ela vira seu rosto lentamente para Taume e então consegue balbuciar algumas palavras, que custaram a sair.

GALILEIA: Eu sei. – Ela continuava a chorar como uma criança que tinha acabado de cair e ralado o joelho, mas sua dor era eterna. – E eu sou eternamente grata pelo rapaz ter me salvado, mas… – Ela volta a olhar para o horizonte. – Eu preferia mil vezes ter ido do que permanecido aqui.

TAUME: Não diga isso, você tem uma vida toda para viver.

GALILEIA: Não, doutora. – Ela passa a mão pelo rosto de Taume. – A senhora é jovem, a senhora sim tens todo o tempo do mundo para viver. – Ela sorri com melancolia. – A senhora deveras ter um futuro brilhante pela frente, és linda.

TAUME: Mas a vida, é a mesma tanto pra mim, quanto pra você.

GALILEIA: Doutora. – Ela se desfaz em lágrimas e a abraça repentinamente. – Meus dois filhos estavam dentro daquele caminhão. – Ela grita. – Meu marido morreu semana passada. – Suas palavras foram trancadas na garganta, era doloroso lembrar de toda a sua família.

TAUME: Senhora, eu estou aqui…

GALILEIA: Eu queria ter ido! – Ela se aparta de Taume. – Por favor. – Ela encara profundamente Taume. – Doutora, eu lhe imploro. – Ela segura as mãos de Taume com muita força. – Eu lhe suplico. – Ela cai de joelhos. – Me conceda a chance de ver meus filhos.

TAUME: O que? – Ela estava incrédula.

GALILEIA: Seu trabalho é aliviar a dor de seus pacientes, não é? – Ela passa as mãos sobre o rosto de Taume, que encontrava-se chorando. – Você tem a idade da minha filha…

TAUME: Eu não vou fazer isso.

GALILEIA: Eu imploro, me mate doutora.

Taume engoliu em seco enquanto permanecia encarando aquela vida anulada em sua frente.

 

Cena 7 – Depósito de materiais químicos

Uma mulher entra com cuidado no depósito onde era guardado os materiais químicos que auxiliavam para o tratamento de alguns pacientes, ela olhava para todos os lados para certificar-se de que ninguém a tinha seguido até ali, eis que uma mulher já a esperava em meio a alguns pilares.

Estava tudo escuro, e não podia se ver de quem se tratava, apenas uma voz falando baixo.

FERNANDA: Você demorou.

A mulher que tinha chegado logo em seguida vai até o interruptor e acende a luz revelando seu rosto aflito.

FERNANDA: O que aconteceu com você, Margelli?

MARGELLI: Ai meu Deus. – Ela vai até Fernanda e a abraça. – Eles mataram meus pacientes.

Fernanda se assusta.

FERNANDA: Isso não pode ser verdade.

MARGELLI: Sim, e o pior é que eu nem pude defende-los. – Ela chora. – Eu fui uma covarde.

FERNANDA: Não diga isso de si mesma, você não poderia fazer nada.

Margelli continua abraçada a Fernanda enquanto chora.

MARGELLI: Eu não sei o que eu faria sem você para me apoiar nesses momentos.

FERNANDA: Eu sempre estarei aqui. – Ela acaricia o rosto de Margelli. – Nunca irei te abandonar. – Ela a beija carinhosamente.

Os carinhos eram correspondidos, Fernanda e Margelli sempre encontravam-se escondidas no depósito de materiais químicos, viviam um romance às margens das leis vigentes naquele lugar.

Eram amantes. Eram acima de tudo, duas mulheres que se amavam.

 

Cena 8 – Subsolo

Os imperfeitos, as pessoas que perderam a primeira prova agora estavam no andar abaixo, e trancados com grades para não se misturar com as pessoas que estavam passando pela segunda prova.

Daskvi caminhava entre centenas de pessoas, ele queria sair daquele lugar imundo o mais rápido possível, mas se via perdido em seus pensamentos, sentia falta de seus pais, e necessitava da ajuda de Angelique naquele momento.

Daskvi se agachou num canto e chorou até adormecer.

 

Cena 9 – Clínica

Galileia encarava Taume seriamente.

TAUME: Eu jamais faria isso.

GALILEIA: Eu lhe imploro. – Suas lágrimas, e seu desespero foi capaz de convencer Taume.

TAUME: Está certo. – Diz ela rendendo-se ao pedido. – Eu o farei. – Ela derruba uma lágrima.

Taume se levanta e vai até uma sala que ficava ao lado, enquanto que Galileia a segue. Galileia presencia a doutora preparar uma seringa letal.

TAUME: Isso vai mata-la em poucos segundos. – Ela chorava, ela acabaria realizando uma eutanásia, era contra tudo o que tinha aprendido, afinal seu papel era salvar vidas, e não tirá-las.

Taume se aproxima de Galileia, e antes de aplicar a seringa, Galileia se estremece, ela tremia muito, e seus olhos vislumbravam a dor e a morte.

GALILEIA: Não vai doer?

TAUME: Não. – Ela tentava evitar entrar em desespero.

GALILEIA: Por favor, antes, me dê um último abraço.

Taume que até então estava com a seringa próxima ao braço de Galileia, não poderia negá-la um último pedido e abraça a senhora de idade.

Em meio ao abraço, lágrimas caem dos olhos daquelas duas mulheres, Galileia aproveita-se para pegar a seringa da mão de Taume.

GALILEIA: Deixe eu fazer isso, não suje suas mãos.

Taume entrega a seringa para Galileia, que transtornada, e no impulso, salta por cima da doutora e introduz o líquido venenoso no pescoço daquela jovem mulher. Taume cai no chão sem ar tentando escapar de seu destino que já tinha sido traçado.

TAUME: Por que…

Seus olhos vão se fechando lentamente, sua última visão é Galileia caída ao seu lado gritando desesperadamente.

GALILEIA: Você matou meus filhos! Você matou toda aquela gente! Assassina! – Ela estava arrasada, nunca pensou que seu coração bondoso se tornaria negro diante de um acontecimento drástico como aquele, Galileia foi até as últimas consequências.

Taume, em seu último suspiro deixa um sorriso triste ser exibido no rosto.

TAUME: Me perdoa. – Não havia nada que ela poderia ter feito, a menos que desejasse se sacrificar em nome de todos. – Talvez eu merecesse ser punida dessa maneira…

Os olhos de Taume fecham-se para sempre, e agora restava apenas um corpo sem esperanças jogado no chão frio.

Galileia chorava.

GALILEIA: Que Deus me perdoe. – Ela tentava se levantar e se recompor. – E sua morte não será em vão. – Disse ela enquanto acariciava o rosto de Taume. – Em breve aquele que atende pelo nome de Simenio estará junto a você, no inferno.

Galileia estava determinada a fazer justiça com as próprias mãos.

 

Cena 10 – Sala de Simenio

Simenio analisava alguns documentos e estudava possíveis provas para ser aplicadas para a seleção dos refugiados, quando a porta se abre e Brian adentra.

BRIAN: E então, me chamou?

SIMENIO: Boa noite, Brian. – Ele se levanta e faz questão de cumprimentar o líder do grupo da SOTF com um firme aperto de mão. – Eu esperava que viesse mais cedo.

BRIAN: Tive problemas a resolver.

SIMENIO: E as coisas não estão fácil pra nós.

BRIAN: Do que está falando?

SIMENIO: Megan foi tirada da presidência, e caso seja comprovado que estamos fazendo uma seleção, todos nós poderemos ser julgados pelo conselho internacional, e isso poderia acarretar na terceira guerra mundial.

Brian o encara apreensivo.

SIMENIO: O que houve?

BRIAN: O Richard está aqui.

Simenio acerta um soco contra a mesa.

SIMENIO: Aquele maldito! – Ele caminha de um lado para o outro, e não conseguia conter o nervosismo. – Ele vai revelar todos os nossos esquemas.

BRIAN: Precisamos remove-lo do caminho.

Simenio o encara com seriedade.

SIMENIO: Está, por um acaso, sugerindo que eu elimine meu próprio filho?

BRIAN: E você tem uma ideia melhor?

SIMENIO: Por enquanto, mantê-lo fora do alcance de algum sinal que o permita se comunicar com James nos Estados Unidos.

BRIAN: Você sabe que não podemos manter isso por muito tempo, não é?

SIMENIO: Eu sei. – Ele volta a sentar. – Eu falarei com ele. – Ele entrega uma pasta para Brian. – Preciso que você coloque em prática o plano de espalhar uma epidemia o quanto antes.

BRIAN: E quem são os alvos?

SIMENIO: Está tudo nos documentos, a epidemia será espalhada no subsolo onde estão os perdedores, enquanto eles permanecerem presos lá embaixo e sem tratamento o único destino que eles terão é a morte.

Brian segura a pasta com firmeza, mais uma vez a chacina contra os sobreviventes seria imposta naquela base, sem piedade alguma.

BRIAN: Eu farei isso. – Ele se levanta. – Agora preciso ir.

SIMENIO: Eu desejo sorte a todos nós.

 

Cena 11 – Dormitório da SOTF (Glay – Horácio – Richard)

HORÁCIO: Enfim Ulisses nos deixou.

GLAY: E já vai tarde.

Horácio senta na cama, ele coloca as mãos sobre o rosto e solta um suspiro de preocupação.

HORÁCIO: Eu não tive um bom dia hoje.

GLAY: O que houve?

Horácio o encara, e em seguida olha para Richard, ele não sabia ao certo se deveria falar o que estava acontecendo naquele lugar, ele poderia ser punido caso contasse.

HORÁCIO: Nada. – Ele tenta disfarçar deitando na cama, mas Richard senta ao seu lado e o segura pelo braço.

RICHARD: Eu quero ouvir. – Ele olha profundamente nos olhos de Horácio. – Seu papel aqui é salvar todas essas pessoas e eu quero saber se você está empenhado o suficiente para cumprir seu papel.

Ele olha para Glay, que permanecia imóvel.

RICHARD: Eu quero saber. – Ele agora trazia um tom sombrio em suas palavras. – Está acontecendo uma seleção nessa base, é isso mesmo? Estão selecionando pessoas e decidindo quem vive e quem morre?

Horácio e Glay se entreolham, eles não sabiam ao certo o que responder, poderia ser uma armadilha, ou poderia ser a chance que eles tinham de salvar milhares de pessoas.

 

Cena 12 – Clínica

Margelli voltava para a clínica e encontra Taume caída no chão, ela se desespera e corre até ela.

MARGELLI: Taume! – Ela toma o pulso da amiga e percebe que ela está morta, não há mais ninguém no local, aparentemente Galileia tinha fugido do recinto, e Margelli via-se perdida. – Não faça isso comigo, não me deixa amiga. – Ela chora descontroladamente enquanto abraça aquele corpo gelado.

MARGELLI: Magda! – Ela olhava ao redor e não via ninguém. – Galileia? – Ninguém a respondia.

Alguns passos se aproximam, eram passos que se arrastavam pela sala, o olhar de Margelli, que estava jogada no chão, se ergue e se depara com Angelique em pé em sua frente, ela estava acordada, pálida e esforçando-se o máximo possível para manter-se lúcida.

MARGELLI: Angelique. – Ela corre até a amiga e a coloca deitada novamente. – Você está em recuperação, não pode se levantar.

Angelique segura firme a mão de Margelli.

ANGELIQUE: Margelli, nós precisamos fugir.

MARGELLI: Do que está falando?

ANGELIQUE: Antes de enfrentar Simenio e levar esses tiros. – Ela respira. – Eu o entreguei para o James. – Ela tosse. – É só uma questão de tempo para ele querer minha cabeça.

Margelli tremia, ela acabava de perder sua amiga, e agora via Angelique padecer, ela não suportaria perder mais ninguém, seu pensamento estava em sua amada Fernanda, e tudo ao seu redor parecia um castelo de cartas prestes a desmoronar.

 

Cena 13 – Corredor/Dormitório de Gelon e Tanea

Tanea tinha saído do dormitório sem que Gelon percebesse, ela permanece escorada na porta a espera de alguém, seu nervosismo podia ser percebido de longe, eis que Fernanda se aproxima.

TANEA: Finalmente você apareceu.

FERNANDA: Desculpe a demora.

TANEA: E então, você trouxe o que eu pedi?

FERNANDA: Está aqui. – Ela entrega uma pequena caixa para Tanea.

TANEA: Obrigada.

FERNANDA: Disponha, agora preciso ir. – Ela se despede e sai logo em seguida.

Tanea volta para o quarto e olha para a pequena caixa onde continha um exame, ela sabia que Fernanda era próxima de Taume e Margelli, e por isso encomendou um exame com aquela mulher.

Após realizar o exame, Tanea se choca com o resultado.

Gelon estava dormindo e Tanea decide acordá-lo.

TANEA: Gelon, acorda.

Ela tocava suavemente em seu peito nu, ele moveu-se centímetros e abriu os olhos em segundos, sua face trazia um ar safado, e ao mesmo tempo preguiçoso.

GELON: O que é? Você tá querendo?

TANEA: Não. – Ela estava séria.

Gelon percebe a seriedade em sua companheira e senta-se rapidamente.

GELON: O que houve?

TANEA: Eu estou grávida.

 

Cena 14 – Dormitório da SOTF (Alf – Ulisses)

Alf aguardava pela chegada de Ulisses que não demorou muito.

ALF: Até que enfim.

ULISSES: Não gosto que me apressem, eu poderia vir a hora que eu bem entendesse.

ALF: Acontece que aqui não é você quem dita as regras.

Ulisses tremia, ele carregava sua mala, mas algo estava errado, ele estava com muita raiva.

ULISSES: Pra mim chega! – Ele joga a mala no chão e grita. – Eu vi uma pessoa baleada, eu vi sangue, eu vi pessoas morrendo. – Ele trazia um medo e um desespero que tomou conta de si por questão de segundos. – E não vou mais participar disso. – A culpa também o corroía. – Pra mim já chega, eu vou contar toda a verdade para o Richard, eu vou desmascarar esse sistema podre da Megan e do Simenio, eu posso cair. – Ele solta uma gargalhada assombrosa e ao mesmo tempo frustrada. – Mas todos vocês vão cair junto comigo!

Monólogo de Alf

Algo mudou. Vejo as atitudes de um idiota ganhando forma e proporção, antes era ninguém, e agora é alguém, é incrível como a morte e o medo tem o poder de transformar as pessoas. Até num momento como esse o babaca se torna sábio, não o suficiente, ele ainda pode ser manipulado, e eu posso manipular quem eu quiser, como eu quiser e por esse motivo e não temo nem a morte.

 

 

CONTINUA…

 

57 thoughts on “Monólogos da Ditadura – Capítulo 08

  1. Capítulo surpreendente com galileia matando Taume e a grande reviravolta de Ulisses. Coitado do Daskvi, só sofre nessa web. parabéns Hivan, mais um capítulo esplêndido.❤

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  2. Tava com preguiça de fazer o #MyAnalysis, mas o capítulo tá tão chocante que eu não poderia deixar de opinar

    O que será que Megan fará com James?

    Descobrimos porque a Fernanda some, ela tem um caso com Margelli

    Galileia se fez de boazinha, pediu para Taume a matar de eutanásia, mas isso foi um plano para ela matar Taume, o que será que Galileia fará com Simenio? Tomara que ela mate ele. Você arrasou nessa cena

    Richard se mostrou uma boa pessoa (ainda bem)

    Chocado que vão matar o Daskvi e todos do subsolo

    Descobrimos quem entregou Megan para James, foi Angelique

    E por fim, o Ulisses vai entregar todos, será que ele conseguirá?

    Parabéns, Hivan!

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    • E que bom que não desistiu de fazer a análise😀

      Bom, não poderei revelar o que ela fará, mas será nos próximos capítulos.

      Resta saber se alguém mais vai descobrir esse caso das duas.

      Muito obrigado, eu fiquei com muito receio de criar essa cena, Taume era uma personagem que eu gostava muito, mas infelizmente teve esse fim.

      Richard é uma boa pessoa😀

      Será que vão conseguir matar a todos no subsolo?

      E Ulisses apresentando mudanças em seu comportamento, umas surpresas.

      Muito obrigado😀

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  3. Cocerteza o maior destaque do capitulo foi o romance entre Margelli e Fernanda. A morte de Magda foi uma triste surpresa, além da chegada do novo integrante da SOFT, marcaram o capitulo. Parabéns Hivan.

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    • Ops, confundi os nomes quem morreu foi a Taume e não a Magda ( espero que a Yumi não tenha lido meu comentario ) , sorry. Aproveitando para falar que não acho que o Daskvi possa morrer nessa epidemia que soltarão no subsolo .

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  4. Tenho muita curiosidade pela web-novela, lamento por não estar conseguindo acompanhar pela falta de tempo, mas vim contribuir. Parabéns pelo sucesso, Hivan!😀❤
    #²😛

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  5. O ponto alto do capítulo, o evento mais inesperado, foi o assassinato da Taume. Mas posso falar? A atitude da Galielia foi meio sem sentido. Tá certo que ela vingou a morte da família matando quem ela considerava culpada por isso, tá certo que ela foi inteligentíssima em simular suicídio para armar a emboscada pra Taume, mas o que vai ser dela depois disso? Pra onde ela vai? Melhor perguntando, pra onde ela e a Magda foram? Pelo que eu entendi, a Angelique está coordenando uma operação para salvá-las e parece que a Margelli também tá dentro… mas eu ainda estou sem entender.

    Não que a descoberta do caso da Fernanda e da Margelli não tenha sido inesperada, mas a morte da Taume superou. Com a provável fuga da Margelli, o que será da Fernanda?

    Daskvi fazendo as vezes da donzela indefesa e sofredora. Pra ele virar a Princesa Peach, só falta o vestido rosa, a coroa e o Bowser. Imagino que, quando o jogo virar, ele acabe virando o freio de mão dos fugitivos. Mas até lá, ele vai continuar chorando litros…

    Apesar de previsível, o surto de consciência do Ulisses foi surpreendente. Ele definitivamente foi pro meu lado e pro lado do Horácio. Mas ele foi suicida, confrontou os seus algozes e prometeu acabar com eles. Depois morre numa emboscada e não sabe porque…

    Daskvi, Tanea e Gelon ainda estão bastante deslocados na trama. Por hora, suas cenas servem como pontos de descanso, de alívio, pro leitor se preparar pra continuar a leitura da trama.

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    • Galileia agiu sem pensar, diferente de atitude sem sentido, as vezes fazemos uma coisa sem pensar nas consequencias, pode ser que ela não faça nada depois disso, mas ela bem que queria, ela tem a intenção de fazer justiça, mas faltou planejamento da parte dela, de fato.
      E realmente isso foi uma falha minha, a Magda deixava a clínica, mas enfim, deixei isso para o proximo capítulo, talvez se explique melhor.

      Não acho que Margelli fuja e deixei Fernanda, e acho que a proposta de Angelique não englobe apenas ela e Margelli, e sim todas as outras pessoas, afinal ela não iria abandona-los, é uma fuga desse processo seletivo.

      Daskvi está muito sentimental, e as vezes é difícil conduzir as cenas dele, é um personagem que não consegue superar seu sofrimento, já Tanea e Gelon estão como apoio no momento, sempre entre uma cena e outra vou intercalando com as cenas de apoio, que realmente é uma maneira de fugir, ou sossegar um pouco, a forma exaustiva como a trama tem sido desenvolvida.

      Já sobre Ulisses é um personagem muito complexo, um dia pensa uma coisa, outro ele pensa algo totalmente diferente, e ele não é de mandar recados, ele fala tudo na cara.

      E no mais, muito obrigado😀

      Curtido por 1 pessoa

  6. Parabéns!
    Amei o Monólogo de Alf!
    No meu ponto de vista a web não é uma web-romatica, como as outas. E ai vem uma pergunta para você: A ideia sua foi fazer uma web com um assusto principal, do que um casal protogonista? Por que?

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    • Obrigado😀
      Alf se mostrando rígido mesmo diante do perigo

      E respondendo a sua pergunta: Eu quase nunca faço webs românticas, com protagonistas e tudo mais, Monólogos nasceu como um protesto de uma pessoa que está farta do abuso de porte, seja por parte de governantes, ou também, pessoas que acham-se que estão com o poder, mas no fim, eles são apenas pessoas acovardadas que aproveitam-se das pessoas que necessitam de sua ajuda, quando seu papel unicamente era ajudar, eles simplesmente usam disso, para humilhar. E não há nada de romântico em Monólogos, é uma web triste, trágica, e verdadeiramente dolorosa.

      Mais uma vez, obrigado.

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  7. A cada capítulo que passa, mais revelações, mais acontecimentos, cada capítulo uma nova bomba, estou surpreendido!

    Uma das minhas maiores preocupações é Yumi e Rythus, coitado do Dionísio, tem toda essa pressão nas costas, com certeza esses três são alguns dos personagens mais fortes da trama, passam por traumas psicológicos, e agora algo que pode acabar com a vida deles: a fome. Creio eu que Dionísio conseguirá passar por essa prova com muita dificuldade, mas passará, somente os próximos capítulos podem afirmar isso.

    Não sei se odeio e ou se gosto da Galileia, ela é uma personagem complexa e tanto, mesmo aparecendo pouco e recentemente, mas fez alho que eu não esperava: matar a Taume. Triste porquê ela não merecia, mas o lado bom é que ela vai tentar matar o Simenio.

    Tenho muito amor envolvido pela Fernanda e Margelli, era disso que a web estava precisando, principalmente por não ter um par romântico propriamente dito até então, mas agora tem, e no caso, um amor lindo e infelizmente proibido por essa organização dona do meu ódio.

    Richard é um cara bem sinistro hein? Mas já gosto dele só por ele ter desafiado o pai e a SOTF… Falando nisso, parece que a SOTF vai continuar se chamando SOTF, isso se o Ulisses for em frente e tentar dar com a língua nos dentes e acabar morrendo. Mas ainda temos o Alf, maldito Alf! Deixa o Ulisses contar a verdade, queria tanto!❤

    Parabéns Hivan!

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