Serra Dourada – Capítulo 12

CENA 1 – SERRA DOURADA. EXTERIOR. FIM DO DIA.

Félix e Leopoldo conversam sobre o que acabara de acontecer.

LEOPOLDO – Você viu o que acabou de acontecer aqui?

FÉLIX – O ouro pertence ao Barão? É o Barão quem está desviando tudo

LEOPOLDO – Não acho que seja.

FÉLIX – Mas eles estavam na carruagem do Barão.

LEOPOLDO – Irmão, você acha que se fosse do Barão ele mesmo não viria tratar dos seus próprios negócios?

FÉLIX – E se estiverem… Enganando o Barão?

LEOPOLDO – Quem?

FÉLIX – O escravo! O bispo! Todos!

LEOPOLDO – Vai defender o Barão agora?

FÉLIX – Só achei estranho tudo isso…

LEOPOLDO – Espero que seu amor pela filha do Barão não tenha feito você esquecer tudo o que esse demônio fez contra nós. Agora vamos, temos trabalho a fazer.

Félix e Leopoldo saem correndo em direção ao jornal.

CORTA.

CENA 2 – JORNAL O DEMOCRATA. INTERIOR. NOITE.

Dentro do jornal, os dois irmãos comemoram brindando com um vinho. Félix, porém, parecia menos cruel.

LEOPOLDO – Um brinde! Ao fim do Barão de Anhanguera!

Os dois brindam, Leopoldo vai radiante para a taquigrafia.

FÉLIX – O que vosmecê vai fazer?

LEOPOLDO – Vou escrever uma matéria acusando o  Barão de contrabandear ouro. Vai ser a ruína dele.

FÉLIX – Mas, irmão, isso não é verdade!

LEOPOLDO – Não imteressa se isso não é verdade, Félix. Temos tudo aqui. Nós podemos dar um fim nesse Barão em dois tempos.

FÉLIX – Nosso pai não aprovaria, Leopoldo.

Neste momento, Leopoldo se transforma numa figura mais séria. Vira a garrafa de vinho, agressivo.

LEOPOLDO – Não aprovaria? Vosmecê não sabe o que ele passou nas mãos desse desgraçado. Vosmecê não se lembra porque era muito pequeno. Mas eu sim! Eu me lembro de cada gota de sangue que esse maldito derramou. Sangue do nosso pai!

FÉLIX – E vosmecê quer o que? Vingança? Acha que era assim que nosso pai resolveria as coisas?

LEOPOLDO – Infelizmente ele não está aqui para nos responder, não é irmão? E sabe por que ele não está aqui? Porque ele morreu. E sabe quem o matou? O Barão de Anhanguera!

FÉLIX – Vosmecê está louco, Leopoldo. Eu nunca te vi assim.

LEOPOLDO – Eu vou fazer essa matéria e vou acabar com esse Barão. Ou eu não me chamo Leopoldo Bulhões.

Cambaleando, Leopoldo começa a pegar as letras necessárias para fazer a matéria. Félix balança a cabeça negativamente e sai da sala em direção ao seu quarto, preocupado.

CORTA.

CENA 3 – CASA DOS CAIADO. INTERIOR. NOITE.

Pensativo em seu escritório, o Barão de Anhanguera toma uma decisão: vai conversar com a filha. Ele caminha até o quarto de Maricota.

BARÃO – Maria Teresa, posso falar com vosmecê?

MARICOTA – Claro papai. Estava me preparando para o jantar. Aconteceu alguma coisa?

BARÃO (respira fundo) – Vosmecê sabe que estamos passando por uma crise, não sabe?

MARICOTA – Sim, eu sei. Como isso é possível, papai?

BARÃO – Acredito que este tal Duque esteja tramando contra mim. Quer me colocar contra a coroa para me ver em maus lençóis.

MARICOTA – E o senhor tem alguma solução, papai?

BARÃO – Tenho, mas vou precisar de vosmecê.

MARICOTA – De mim?! O que eu posso fazer?

BARÃO – Veja bem, minha filha, este não é um pedido fácil para ser feito… E até pensei em usar da minha autoridade de pai, mas sabe que eu não conseguiria ser cruel com vosmecê.

MARICOTA – O que o senhor quer dizer com isso?

BARÃO – Minha filha… Vosmecê se casaria com o Duque para salvar nossa família?

A câmera foca a expressão incrédula de Maria Teresa.

CORTA.

CENA 4 – JORNAL O DEMOCRATA. INTERIOR. NOITE.

Após escrever algumas linhas do artigo contra o Barão, Leopoldo pega no sono. Félix se apressa e escreve um bilhete para Maricota.

FÉLIX (pelo bilhete) – Me encontre amanhã o mais cedo possível no riacho. Te amo.

O rapaz dobra o bilhete em muitos pedaços e sai de casa.

CORTA.

CENA 5 – CASA DOS CAIADO. INTERIOR. NOITE.

MARICOTA – Papai eu… Eu nunca pensei nessa possibilidade.

BARÃO – Eu sei! Sua mãe é terminantemente contra essa ideia. Ela insiste em querer levar vosmecê para um convento, mas isso eu não vou permitir.

MARICOTA – Mas eu não quero me casar com o Duque… Eu acho ele repugnante.

BARÃO – É um casamento passageiro, minha filha. Prometo que poderá se casar com quem vosmecê quiser, desde que nós consigamos reavivar o orgulho da família.

MARICOTA – Mas, papai, será que esse duque tem tanto poder assim?

BARÃO – Ele parece ser bem próximo do imperador.

MARICOTA – Não é melhor esperar o imperador chegar, papai?

BARÃO – Precisamos agir rápido! E sua mãe não pode saber.

MARICOTA – Eu prometo que vou pensar com carinho, papai. Se ele for mesmo tão próximo do imperador… Eu me caso com ele.

O Barão respira aliviado.

MARICOTA – Mas esse casamento não vai durar muito tempo. Sequer vai ser consumado.

BARÃO – Prometo a vosmecê que no dia seguinte mexerei meus pauzinhos na corte para livrá-la desse homem.

MARICOTA – Confio no senhor, papai.

BARÃO – Não conte nada a sua mãe. Deixe que eu me entendo com ela.

Maricota finge um sorriso, abraça o pai e fecha a cara, pensando em Félix.

CORTA.

CENA 6 – RUAS DE GOYAZ. EXTERIOR. NOITE.

Félix Bulhões caminhava pelas ruas com o bilhete em mãos. Diante da hora avançada, poucas pessoas eram vistas e eram, em sua maioria, bêbados ou meretrizes.

FÉLIX – Preciso avisar Maricota sobre o ouro na serra…

Ele se aproxima do casarão dos Caiado. Sobe o pequeno lance de escadas sem ser visto e joga o bilhete por baixo da porta. Ao fazer isso, sai em disparada de volta para o jornal.

CORTA.

CENA 7 – CASA DOS CAIADO. INTERIOR. NOITE.

O Duque de Monteverde passava pela sala em direção ao escritório quando deparou-se com um papel sobre o assoalho. Ele se abaixa e pequena o bilhete.

duque de monteverde (lendo o bilhete) – M.T. Me encontre no riacho amanhã. É importante. Te amo. F.B.

O Duque arqueia uma das sobrancelhas e caminha até o escritório, curioso.

DUQUE DE MONTEVERDE – Quer dizer então que temos um admirador secreto por aqui? Ele vai ter uma surpresa amanhã.

O duque coloca o bilhete dentro do paletó e sorri, vitorioso.

CORTA.

CENA 8 – CASA DOS CAIADO. INTERIOR. NOITE.

Suzana e o Barão ainda discutiam sobre o futuro da filha.

BARÃO – Não tem outro jeito, Suzana. Ela aceitou de bom grado.

SUZANA – Eu já disse a vosmecê, Braz, que não vou permitir esse casamento! Minha filha não vai ser deflorada por esse homem.

BARÃO – Mas isso não vai acontecer. É um casamento de fachada.

SUZANA – E como é que vosmecê pretende minar esse homem?

BARÃO – Eu tenho amigos na corte. Advogados, juízes. Vou fazer com que Maricota possa reaver tudo o que era nosso.

SUZANA – Se vosmecê entregar a nossa filha a este homem, Braz, nunca mais precisa dirigir sua palavra a mim.

BARÃO (irritado) – Chega! Eu vou usar a minha autoridade de pai e marido nesta casa! Maria Teresa vai se casar com o duque, quer você queira, quer não!

SUZANA – Pois então vosmecê pode esquecer que tem uma esposa. Nunca mais vou permitir ser tocada por vosmecê.

BARÃO (amargurado) – Não seria muito diferente do que já acontece hoje… Mas, também, o que esperar de uma mulher que foi incapaz de dar ao seu marido um filho homem?

Suzana fica profundamente magoada e se retira do quarto, deixando o Barão sozinho a coçar a cabeça.

cena 9 – casa dos caiado. interior. noite.

Maricota e Mirmila conversam.

mirmila – É muito arriscado isso, sinhá. E o senhor Bulhões?

MARICOTA – Shh! Fale baixo! Se alguém escuta vosmecê falar sobre o Félix eu estou perdida.

MIRMILA – Mas como a sinhazinha vai resolver isso?

MARICOTA – Eu ainda não sei. Mas, se ele me ama, há de entender.

MIRMILA – Homem é bicho bravo, sinhá. Eu não teria tanta certeza…

MARICOTA – Vosmecê devia era me agradecer. Estou fazendo isso para livrar vosmecê da garra desse homem. Quando for sua esposa vou exigir mais respeito com vosmecê.

MIRMILA – E eu agradeço sim, sinhá. Todos os dias agradeço por vosmecê me proteger. Mas é que eu me preocupo…

MARICOTA – Vai ser um casamento falso. Só para reaver as posses do meu pai. Está tudo arranjado.

MIRMILA – Eu vou rezar para que tudo saia conforme vosmecê e o senhor Barão planejaram. E o moço, deu notícias?

MARICOTA – Ainda não. E agora não posso ficar indo mais ao riacho sempre que quiser. Vou ter que conversar com ele.

CORTA.

CENA 10 – PASSAGEM DE TEMPO.

A câmera mostra o amanhecer do alto da Serra Dourada. Ao longe dá pra ver o sol refletindo no ouro escondido naquela região.

CORTA.

CENA 11 – RIACHO. EXTERIOR. DIA.

Logo nas primeiras horas da manhã, Félix caminha em direção ao riacho da propriedade do Barão. Passa por uma região de mata fechada e fica no leito do rio esperando Maricota.

DUQUE DE MONTEVERDE – Bom dia, senhor Bulhões.

Félix se vira para trás e dá de cara com o Duque de Monteverde. Em sua mão ele exibia o cartão que ele enviara para Maricota com um sorriso vitorioso no rosto.

DUQUE DE MONTEVERDE – Então quer dizer que vosmecê é o admirador secreto?

FÉLIX – O que vosmecê está fazendo aqui?

DUQUE DE MONTEVERDE – Tenho certeza que o Barão ficará muito contente em saber que é vosmecê quem corteja a filha dele.

Close na expressão assustada de Félix.

A cena congela e um punhado de ouro em pó cai sobre a fotografia, formando o desenho da cena.

FIM DO CAPÍTULO 12

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9 thoughts on “Serra Dourada – Capítulo 12

  1. O Felix pego, o que será que vai acontecer com ele???
    Palpite: Vai falar do ouro para o Duque, para não ser entregue para o Barão.

    A web está ótima, cada vez mais linda.
    Quando o Imperador vai chegar, em que capitulo.

    Parabéns, Leonel.

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  2. Opa, Félix. Parece que agora você está em maus lençóis.

    É, a ideia do barão não é de toda má. Não vejo motivos para Maricota e Suzana reprová-la. Sim, as chances de fracasso não são pequenas, mas eles parecem não ter outra saída. O barão tá se saindo um ótimo personagem estratégico, suas palavras são certeiras para as situações em que são proferidas.

    Concordo com o Félix, Leopoldo está cego de ódio pelo barão. Felizmente o irmão do Leopoldo tem cérebro.

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  3. Leonel, demorei, mas cheguei! Li alguns capítulos para ficar íntimo da sua web. Ela realmente é bem construída e tem uma história interessante. Acompanhei um pouco de “Conto de Farsas” e percebi que você conseguiu evoluir de uma web para outra.

    Agora falando sobre o capítulo de hoje: Félix foi pego, e agora? Estou curioso para saber o que vem a seguir. E o Barão, bem… tenho que admitir que ele é um ótimo estrategista, ainda mais depois da proposta que fez à sua filha para salvar sua família, resta saber se tudo irá correr como ele imagina.

    Parabéns pelo capítulo, Leonel! Pretendo estar aqui nos próximos, boa sorte! ❤

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  4. Concordo com Leopoldo, Félix está cego de amor e não consegue enxergar o que o Barão pode ter feito com seu pai.

    Já imaginava que Maricota seria a solução para os problemas do pai. E acho que esse casamento falso pode trazer sérias consequências ao povo dessa família.

    Estou muito surpreso com o gancho. Félix foi descoberto? 😮 SOS O pior foi quem descobriu: Monteverde. 😮

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