Descobertas – Capítulo 23

CENA 01: COLÉGIO MÁXIMO, CANTINA, EXTERIOR, MANHÃ.

Stefanny está lanchando com Patrícia na mesa da cantina, assim como outros estudantes. De repente, Maria surge na ponta da mesa, em pé, e Stefanny a encara com desprezo. De longe, Luana filma com seu celular.

(STEFANNY): – Perdeu alguma coisa, caipira?

(MARIA): – Não. Já você perdeu a noção do perigo né?

(STEFANNY): – Do que você é falando, quer dizer, cacarejando?

(MARIA): – Eu já sei de tudo. Foi você quem arquitetou a filmagem e divulgação da minha transa com o Jonathan. Confessa, piranha! – gritando.

(STEFANNY): – Olha, eu não sou obrigada a aturar isso. – ficando em pé. – Eu tenho nível e não preciso me relacionar com gentinha ignorante como você. Licença!

Stefanny vai sair, mas Maria desfere um tapa no rosto da rival, tão forte que a faz cair em cima da mesa, estragando a refeição de vários estudantes. Patrícia se assusta e se afasta. Maria então segura os cabelos de Stefanny e começa a bater com a cabeça dela em direção a mesa, machucando sua testa. Os alunos se afastam, mas assistem tudo. Maria puxa Stefanny pelos cabelos para trás, a fazendo desequilibrar e cair no chão.

(MARIA): – Levanta, dondoquinha! Vem que minha mão tá coçando pra bater mais nessa sua cara de porcelana de brechó! – gritando.

(STEFANNY): – Caipira insuportável, você me paga!

Stefanny vai levantar, mas Maria dá um chute em seu estômago, a fazendo cair novamente. Logo, Maria sobe em cima de Stefanny e começa a desferir vários tapas em sequência em seu rosto.

(MARIA): – Toma, sua piranha! – batendo. – Isso é pra você aprender a não se meter mais comigo! – batendo. – Toma pelo vídeo! – batendo. – Toma pelos xingamentos. – batendo. – Toma pela surra que me deu! – batendo. – Toma pelo prof Rômulo! – batendo. – Eu vou te destruir, sua riquinha! – batendo.

(STEFANNY): – Para, sua louca! – gritando.

Maria continua a dar bofetadas em Stefanny, enquanto toda a escola assiste dentro e fora da cantina. Até que dois alunos separam as duas, um segurando Maria e outro ajudando Stefanny a se levantar, muito machucada.

(MARIA): – Gostou? É só o começo, sua ordinária, agora que eu já descobri que você esteve por trás de tudo o tempo todo, eu vou juntar minhas forças pra te arruinar aqui na escola!

(STEFANNY): – Desgraçada! Você pegou desprevenida, senão eu tinha reagido!

(MARIA): – Você é uma covarde, só age na moita, não tem coragem de enfrentar de frente. Mimadinha ridícula! Não cruza mais meu caminho senão vai levar mais.

Maria dispara um cuspe em direção a Stefanny, acertando seu rosto. Luana se aproxima de Maria e as duas saem do refeitório, sob o alvoroço dos alunos, que estão polvorosos com a briga, enquanto Stefanny sente-se extremamente humilhada e Patrícia vai ajudá-la, levando para a enfermaria.

CENA 02: COLÉGIO MÁXIMO, EXTERIOR, MANHÃ.

Victor e Wesley estão conversando encostados em uma parede da escola, enquanto lancham.

(VICTOR): – Wesley, porque a Stefanny perguntou se você era gay durante o jogo? – intrigado.

(WESLEY): – Sei lá, Victor, você não conhece a Stefanny? Só quer causar, é muito inconveniente. – disfarçando tensão.

(VICTOR): – É que eu achei bem estranho porque tipo, nunca vi ninguém te perguntar isso e ela nem é próxima. Você era próximo do irmão dela né, mas é diferente…

(WESLEY): – O Ryan perguntou se você tinha ficado com homens e isso também foi bem estranho.

(VICTOR): – Nem me fale, me subiu um ódio na cabeça… Falando nisso, olha quem vem aí!

Wesley olha para trás e vê Ryan caminhando e conversando com Bruna. Victor coloca seu lanche em cima de um banco ali próximo e fica frente a frente com Ryan, ambos se encaram.

(RYAN): – Qual foi, mauricinho? Tu tá querendo treta comigo né?

(VICTOR): – Você que tá querendo treta, falando aquilo de mim na sala! O pó comeu teus neurônios ou você já nasceu sem eles?

(RYAN): – Tu tá muito nervosinho com essa brincadeira… Relaxa, quem não deve, não teme. Tá se incomodando demais, aí tem… – rindo.

Victor fica irritado e desfere um soco no rosto de Ryan, que se apoia na parede. Bruna e Wesley se afastam, quando Ryan dá um soco no rosto de Victor. Uma aglomeração de alunos se forma, enquanto Victor e Ryan trocam muitos socos, no rosto e na barriga, sendo possível ver gotas de sangue no piso da escola. Algumas pessoas tentam separar, mas é inútil, até que Ryan dá uma rasteira em Victor, fazendo-o cair e bater com a nuca no acento do banco, desmaiando. Todos se apavoram e Wesley corre até Victor, mexendo nele para acordá-lo.

(WESLEY): – Acorda, Victor! Fala comigo, meu amigo! – gritando.

(BRUNA): – Caramba, olha o que você fez, Ryan! – pasma.

(RYAN): – Besteira, daqui a pouco o viadinho enrustido acorda. – rindo.

Logo, Victor acorda e todos se aliviam, Wesley o ajuda a levantar, apoiando-o em seu ombro e o levanto até a enfermaria, enquanto Bruna e Ryan saem em outra direção, em meio aos alunos polvorosos no corredor.

CENA 03: ENFERMARIA, INTERIOR, MANHÃ.

Stefanny está descendo da maca com ajuda de Patrícia após terminar os curativos, enquanto Victor sobe na maca com ajuda de Wesley ainda meio zonzo.

(WESLEY): – Como você tá, Victor?

(VICTOR): – Tá doendo mais a batida na nuca do que os socos que tomei.

(ENFERMEIRA): – Fica tranquilo, logo eu vejo um remédio pra você.

Enquanto a enfermeira arruma seus materiais, começa a passar na mente de Victor imagens embaçadas dele na cama beijando outro homem, deixando-o ainda mais zonzo. Victor se vê transando alguém na cama, cujos rostos estão embaçados. No mesmo instante, ele afasta a mão de Wesley, que estava apoiada em seu ombro.

(VICTOR): – Me deixa, vai aproveitar seu recreio, eu vou ficar bem.

Wesley compreende, mas acha estranho, saindo da enfermaria, assim como Stefanny e Patrícia. Enquanto a enfermeira faz o curativo em Victor, ele tenta entender o que aquelas imagens representavam: sonho ou realidade? E quem era o outro homem?

CENA 04: COLÉGIO MÁXIMO, SALA DA DIREÇÃO, INTERIOR, MANHÃ.

Abigail está encarando Maria, Stefanny, Victor e Ryan, sentados lado a lado, na sala da direção, após a briga minutos antes. Todos estão em silêncio e sérios.

(ABIGAIL): – Posso saber o que aconteceu com vocês? Foi a rebeldia do 3º ano hoje, duas brigas. O que eu faço com vocês hein? Só vejo uma saída: convocar os pais para uma reunião de emergência e suspendê-los, nenhuma violência é admissível.

(MARIA): – Agora a senhora quer chamar os pais, mas quando a Stefanny me bateu não. Claro, agora é diferente, foi a riquinha que apanhou né… O prof Rômulo tinha razão, a senhora é uma vendida, Dona Abigail!

(ABIGAIL): – Escute aqui, menina, como você fala assim comigo? – pasma.

(MARIA): – Ah, pensa que eu não sei que a mãe perua da Stefanny te paga um extra todo mês? É suborno pra senhora fechar os olhos pros erros dessa ordinária, a senhora se vendeu!

(STEFANNY): – Não fala da minha mãe, sua idiota! Eu exijo a expulsão dela!

(MARIA): – Você não foi capaz de exigir que o Jonathan não se apaixonasse por mim durante essa armação do vídeo íntimo, acha que vai exigir alguma coisa da diretora?

(ABIGAIL): – Chega! Basta as duas! – gritando. – As duas brigaram por causa desse tal vídeo de novo, ai meu Deus… Ok, e vocês, meninos? Qual o motivo, por mais injustificável que seja?

(RYAN): – Ele não gostou de uma brincadeira que eu fiz, levou a sério e veio tirar satisfações. Eu não sou homem de levar desaforo pra casa, sentei a mão e sentava de novo.

(VICTOR): – Será que é só a mão que você gosta de sentar?

(ABIGAIL): – Ei, que isso, não vão começar de novo! Estou decepcionada com vocês, no 3º ano do Ensino Médio e agindo como crianças. Stefanny e Ryan estão dispensados, podem ir pra casa, inclusive. Minha conversa será com Maria e Victor, os causadores de tudo.

Stefanny e Ryan sorriem sarcasticamente e saem da sala, enquanto Maria e Victor permanecem aflitos com o sermão de Abigail.

CENA 05: COLÉGIO MÁXIMO, EXTERIOR, MANHÃ.

Stefanny está caminhando pelo pátio da escola, enquanto percebe que todos os alunos estão a observando com risos e cochichos entre si. Ela estranha, até que Patrícia se aproxima com seu celular e lhe entrega.

(PATRÍCIA): – Amiga, veja isso!

(STEFANNY): – O que tem? – assistindo. – Eu não acredito! Quem filmou a surra que a Maria me deu e espalhou na internet?

Naquele momento, Stefanny olha para frente e vê Luana distante, sorrindo a abanando para ela. Em fúria, ela atira no celular de Patrícia no chão, quebrando.

(PATRÍCIA): – Tá louca, amiga, quebrou meu celular!

(STEFANNY): – Cala boca, Patrícia, se eu quiser eu compro vinte celulares importados e te faço engolir todos! Ai que ódio, eu não acredito que eu perdi pra caipira! Toda escola tá rindo de mim, justo de mim, eu não admito isso! – griantando.

Stefanny sai correndo em meio ao tumulto de alunos que assistem a briga de Maria e Stefanny pelo celular, que Luana fez viralizar pelo WhatsApp. Stefanny corre entre os alunos, chorando de raiva, enquanto recebe risos e deboches como retorno. Logo, Ryan se aproxima de mãos dadas com Bruna, que usa a mochila nas costas.

(RYAN): – A diretora me liberou, o que vocês acham de vir comigo?

(PATRÍCIA): – Mas tem aula agora, Ryan…

(BRUNA): – Chatice de Física, porre de Matemática e sono de Filosofia. Vem Patty, eu já peguei minha mochila, vou pular o muro dos fundos da escola. Pula comigo?

(RYAN): – Bora se divertir um pouco ao invés dessa mediocridade?

(PATRÍCIA): – Tá, eu topo! Me espera, Bruna, eu já volto!

Patrícia vai correndo para sala de aula, enquanto Ryan beija Bruna e vai embora pelo portão da frente. Minutos depois, Bruna e Patrícia pulam o muro dos fundos do Colégio Máximo, em que Ryan já esperava por elas. Os três correm juntos pela rua.

CENA 06: MORRO DO JABURU, BOCA DE FUMO, EXTERIOR, MANHÃ.

Trilha Sonora: Música ou Crime (Chave Mestra).

Bruna e Patrícia estão subindo uma favela pela primeira vez e se surpreendem com a pobreza e simplicidade do local. Além disso, é nítido as atividades criminosas que acontecem por ali, pois veem muitas pessoas com revólver na calça e trocando dinheiro. Ryan chega então à boca de fumo de seu pai, que é um dos chefes do tráfico de drogas na região. Um casebre caindo aos pedaços, que ali dentro ocorre os esquemas ilícitos.

(BRUNA): – Que lugar é esse, Ryan? – assustada.

(RYAN): – Aqui é a boca de fumo, minha gatinha. É daqui que sai aquele pozinho mágico, aquela ervinha tranquilizante, e outras coisas. – rindo. – Bora fumar um cigarrinho de maconha pra dar uma onda?

(PATRÍCIA): – Eu quero, tô precisando relaxar. A Stefanny foi muito grossa comigo hoje.

(BRUNA): – E quando aquela égua não é grossa? Trás um cigarrinho pra mim também, Ryan.

(RYAN): – Tá, mas as duas tem grana? Aqui na boca, tem que pagar hein. Não é muito barato, mas o produto é de qualidade, direto da fonte, vale a pena. Meu pai sabe selecionar os melhores, pode confiar.

(PATRÍCIA): – Eu não tenho grana aqui, gastei tudo na cantina da escola.

(BRUNA): – Tenho só o dinheiro pra pegar o busão.

(RYAN): – Tá, eu vou descolar com o coroa uns cigarrinhos pra gente, depois as duas pagam, são da minha confiança. Já aproveito e descolo um pó também né. – rindo.

Bruna e Patrícia concordam e Ryan entra no casebre, conversando com seu pai. Minutos depois, ele trás maconha e cocaína, sentando com Bruna e Patrícia no chão de terra batida, onde os três fazem uso das drogas. Pouco a pouco, as duas estão entrando na cadeia do vício sem perceber, e abrir uma conta na boca de fumo é o início de uma dívida que alimenta a organização criminosa.

Bruna e Patrícia passam o resto da manhã e a tarde inteira na boca de fumo, fazendo uso de drogas com Ryan, sem ter noção do tempo e do dinheiro que gastaram sem ter, fazendo a dívida inicial aumentar e o corpo se viciar cada vez mais pelo uso daquelas substâncias tóxicas e, ao mesmo tempo, prazerosas.

CENA 07: SHOPPING VITÓRIA, INTERIOR, TARDE.

No dia seguinte, Rosa e Catarina estão passeando pelo shopping, enquanto Jorge aguarda ansioso pelo encontro em uma cafeteria. As duas caminham pelos corredores.

(CATARINA): – Ai Rosa, só você pra me fazer vir no shopping de novo, nós viemos ontem com a Fernanda. Qual roupa você quer que eu te ajude a escolher hein?

(ROSA): – Não tem roupa nenhuma, querida, é outra coisa. Eu te chamei aqui porque tenho uma surpresa.

(CATARINA): – Surpresa? Como assim, Rosa, não estou entendendo, você não é disso… – intrigada.

(ROSA): – Então, eu nem sei como dizer, não quero estragar a situação, mas eu tô muito feliz em promover o reencontro de duas pessoas que há tantos anos não se veem.

(CATARINA): – Do que você tá falando?

(ROSA): – Entre na cafeteria da praça de alimentação, tem alguém muito especial te esperando. Depois eu vou dar um oi pra vocês. – abraçando. – Se divirtam!

(CATARINA): – Espera, quem tá na cafeteria? Fala, Rosa, eu não tô gostando desse suspense! – nervosa.

(ROSA): – Calma, eu não quero estragar o momento. É um amigo seu, que há muitos anos você não vê, ele me viu contigo ontem no shopping, a gente conversou e ele pediu que eu promovesse esse encontro.

(CATARINA): – Amigo que eu não vejo há anos? – ficando pálida. – Só pode ser ele…

(ROSA): – Tá vendo, você lembrou dele. – se afastando. – Aproveita, amiga!

(CATARINA): – Volta aqui, Rosa, vamos embora!

Catarina vai atrás de Rosa e lhe puxa pelo braço, fazendo seu salto quebrar ao virar o pé e ela cai em frente à porta da cafeteria, dando um grito. Jorge que estava lá dentro, olha para fora e vê Catarina erguendo Rosa, abrindo um sorriso sarcástico. Em seguida, Catarina olha para dentro da cafeteria e vê Jorge, começando a suar frio.

(CATARINA): – Vem, corre! – puxando.

(ROSA): – Calma, meu salto quebrou!

Trilha Sonora: Numb (Link Park).

Catarina e Rosa saem correndo pelo corredor do shopping e Jorge entra em desespero, correndo atrás das duas. Elas correm rapidamente entre as pessoas, assim como ele, que olha fixamente para Catarina em meio à multidão, para não perdê-la de vista. Logo, Catarina e Rosa chegam ao hall dos elevadores e Catarina aperta o botão de todos, muito impaciente. Pouco depois, um elevador abre e as duas entram, mas quando a porta vai se fechar, Jorge coloca seu braço e a porta se abre. Então, ele tenta entrar, mas Catarina empurra ele para fora, fazendo resvalar no piso e cair, apertando rapidamente o botão e fechando a porta do elevador. Furioso, Jorge desce pela escada rolante, mas desce correndo, esbarrando em todo mundo.

CENA 08: SHOPPING VITÓRIA, ESTACIONAMENTO, INTERIOR, TARDE.

Trilha Sonora: Numb (Link Park).

Catarina e Rosa correm pelo estacionamento, procurando pelo seu carro.

(ROSA): – Que loucura é essa, Catarina! Quem é esse homem? – apavorada.

(CATARINA): – Como ele foi se aproximar de você, meu Deus! Rápido, a gente precisa ir embora. – ofegante.

Catarina e Rosa encontram o carro e entram, mas quando Catarina vai fechar a porta, Jorge aparece e abre, segurando fortemente nela.

(JORGE): – Te encontrei, Catarina! Não adianta fugir, eu te encontro sempre!

(CATARINA): – Me solta, Jorge! Sai daqui! – gritando.

(JORGE): – Desce desse carro, vamos conversar!

(CATARINA): – Não, me solta, socorro! – gritando.

Jorge continua a forçar Catarina a sair do carro, que grita sem parar. Apavorada, Rosa sai do carro e tira o sapato do pé, correndo até Jorge e batendo em sua nuca. Jorge perde as forças e Rosa o empurra, fazendo-o tropeçar e cair. Catarina fecha a porta do carro e Rosa retorna ao veículo, fechando a porta também. Jorge recupera os sentidos e vê o carro arrancar em disparada pelo estacionamento, ele corre até sua moto e as segue.

CENA 09: RODOVIA DO CONTORNO, EXTERIOR, TARDE.

Trilha Sonora: Numb (Link Park).

Catarina dirige pela isolada rodovia próxima ao Shopping Vitória, muito nervosa, enquanto Rosa está ofegante e se abanando com uma revista.

(ROSA): – Gente, que loucura foi essa, minha amiga! Esse homem é doido! De onde você conhece ele?

(CATARINA): – Não interessa, Rosa, mas pelo amor de Deus, nunca mais se aproxime dele, entendeu? Nunca mais dê informação nenhuma sobre mim pra ele!

(ROSA): – Tudo bem, eu vou manter distância dele. Me desculpa, te envolvi nessa enrascada, mas eu não sabia que ele era assim, me parecia tão verdadeiro, fiz tudo na melhor das intenções.

Catarina compreende e olha pro retrovisor, percebendo que uma moto está muito próxima de seu carro e desconfiando ser Jorge. Logo, a moto acelera e fica do lado do motorista. Jorge levanta a aba do capacete e encara Catarina, que dirige nervosa.

(JORGE): – Não adianta fugir, Catarina, eu vou te caçar até o fim! – gritando.

(CATARINA): – Me deixa em paz, seu doente! – gritando.

(JORGE): – Eu vou acabar com a tua vida como você acabou com a minha! – gritando.

Catarina segue dirigindo em alta velocidade, assim como Jorge, enquanto Rosa está extremamente aflita. Furiosa, Catarina puxa o volante pro lado da moto, fazendo Jorge se assustar e perder o rumo do volante. A moto de Jorge é direcionada para o matagal do acostamento, arremessando Jorge para longe. Catarina vê tudo e segue dirigindo.

(ROSA): – Amiga, você matou o homem! – perplexa.

(CATARINA): – Matei nada, ele perdeu o controle da moto sozinho. Para, não me deixa mais nervosa!

Rosa se cala e Catarina continua dirigindo, ofegante. No matagal, Jorge está caído e desmaiado, enquanto a moto vaza gasolina.

CENA 10: PRESÍDIO DE VIANA, SALA DE VISITAS, INTERIOR, TARDE.

Maria está na sala de visitas com Rômulo, sentados ao redor de uma mesa.

(MARIA): – Pode ser estranho perguntar isso nessa situação, mas… Como você está?

(RÔMULO): – É, tô indo… Sobrevivendo a cada dia. E como estão às coisas por lá?

(MARIA): – Do mesmo jeito. Quer dizer, eu dei uma surra na Stefanny, humilhei ela diante de toda a escola, igual ela fez comigo, só que eu tenho motivos!

(RÔMULO): – Stefanny… Tenho pesadelos com essa garota. Eu tenho certeza que foi ela quem roubou a pasta com as provas e colocou aquele pacote de drogas no lugar. Tome cuidado, Maria, ela não é apenas uma patricinha mimada, ela é perigosa! Pra piorar, tem uma mãe omissa e a diretora trabalha com suborno.

(MARIA): – Mas a gente tem que fazer alguma coisa, prof Rômulo, isso não é justo!

(RÔMULO): – Você me chamou de prof… – rindo timidamente. – Não precisa me chamar mais assim, eu tô preso. A prof Helena me avisou que eu ia me machucar se continuasse insistindo nessa investigação, tá aí… Eu corro o risco de perder o diploma, Maria. E mesmo que eu não perca, que escola vai querer contratar um professor acusado de traficar drogas para adolescentes dentro da escola? A Stefanny destruiu a minha vida!

Rômulo cobre o rosto com as mãos e chora compulsivamente, comovendo Maria. Ela levanta da cadeira e vai até ele, acariciando sua cabeça.

(MARIA): – Calma, eu prometo que vou dar um jeito de te tirar daqui. Vou conversar com a madrinha, a gente vai conseguir um advogado.

(RÔMULO): – Você tem noção de quanto custa um advogado, Maria? – limpando as lágrimas. – Não quero que se endividem por mim, me deixem aqui, eu me viro de um jeito ou de outro. Mas obrigado pelo carinho.

(MARIA): – Eu não gosto de te ver assim, tão pra baixo. Não é justo a Stefanny sair por cima, o que ela fez comigo e contigo é terrível, tem que ter uma forma de provar!

(RÔMULO): – O amigo que fez essa investigação virtual viajou pro intercâmbio a Nova Zelândia depois que me entregou as provas. Pagar alguém que faça esse serviço particular sairá muito caro. Só tem um jeito: denunciar a Stefanny pra polícia. Mas pra isso, você precisa de algum indício mais forte do que apenas a rivalidade de vocês. Sabe o que seria importante nessa situação? O depoimento do Jonathan, a partir dele, com certeza a polícia abriria um inquérito contra a Stefanny.

(MARIA): – O Jonathan denunciando a Stefanny? Mas aí ele estará denunciando a ele mesmo também, porque ele participou da armação toda, só da divulgação que não.

(RÔMULO): – Por isso o depoimento dele é importante, porque ele esteve no meio de tudo, é diferente de você, que é a vítima. De certa forma, ele também é vítima, mas não deixa de ser cúmplice também.

(MARIA): – Entendo… Será que o Jonathan seria capaz de depor contra a Stefanny e a meu favor, mesmo sabendo que seria investigado e punido também?

Rômulo e Maria se olham, apreensivos, quando um policial abre a porta e entra na sala, encerrando a visita. O professor abraça a ex-aluna e é levado para sua cela, deixando-a pensativa.

CONTINUA…

NO PRÓXIMO CAPÍTULO: Carlos tem um briga severa com Richard.

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36 thoughts on “Descobertas – Capítulo 23

  1. Parabéns!!!
    As brigas foram ótimas, uma pena que a Stefanny não apanhou mais, por que ela merece.A sequencia de atos na cena do Morro do Jaburu, foram bem conduzidas, como deveria ser.
    A perseguição foi sensacional,uma pena que o Jorge mais pegou(sequestrou) a Rosa.
    Mario e o Rômulo, se encontrar em uma cena para os personagens cheias de emoção!!!

    Vou dizer uma coisas triste, acho que não conseguirei acompanhar a web esse final de semana.

    Curtido por 1 pessoa

    • Stefanny apanhou bastante da Maria, mas lógico, ainda é pouco perto do que ela merece. Aguarde, tem muito pra acontecer, quem sabe novas surras? Joguei no vento… Que pena que talvez você não consiga acompanhar o resto dessa semana, mas tente se atualizar depois e opine a partir de segunda-feira, os capítulos de quinta e sexta serão decisivos para o núcleo do Wesley, joguei no vento também. Obrigado pelas opiniões, Paulo! ❤

      Curtido por 1 pessoa

      • Os ventos estão ótimos, vou esperar esse fatos se concretizar. Acho que sabado posso aparecer, meio dificio.
        Duas curiosidade: Você e de qual estado.
        E outra; você escreve web fora do eixo Rio-São Paulo, por que? Um palpite por ser, porque você faz faculdade de geografia.
        Desculpa o incômodo.

        Curtido por 1 pessoa

      • Não é incômodo algum, Paulo. Eu sou do Rio Grande do Sul e gosto de escrever tramas fora do eixo Rio-São Paulo porque prefiro escolher locais diferentes do que já estamos acostumados (e exaustos também) de ver sempre nas novelas, séries e filmes. E claro, isso tem um pouco de influência da faculdade de Geografia também! hehehehehehe 😛

        Curtido por 1 pessoa

  2. Chocado com a Maria sentando a mão na Stefanny. Não é a primeira vez que elas saem no tapa, mas é a primeira vez que a Maria sai ilesa. Dessa vez, quem se acovardou foi a Stefanny. E nem com a proteção da Abigail ela saiu por cima.

    E, de quebra, Ryan e Victor chegaram às vias de fato. Ryan só falou verdades, as reações do Victor só confirmam as “suspeitas” dele. Ryan teve sorte de ter conseguido nocautear o Victor, senão ele era quem tinha ido pra enfermaria. Bom, aos poucos o Victor vai lembrando de sua noite com o Wesley. Curioso pra ver a reação dele ao se lembrar de tudo.

    Shocka com a cena da Catarina e do Jorge. Não acredito que o Jorge morra tão cedo, ele deve escapar desse acidente. Ou não.

    Curtido por 1 pessoa

  3. Que capítulo foda, Maria finalmente lavou a alma ao surrar aquela patricinha de quinta. Stefanny mereceu cada tapa. Maria ainda jogou na cara da diretora que ela é vendida e defende a Stefany. Victor lembrou de mais cenas, mas ao mandar Wesley sair deve ter lembrado que transou com ele. Patrícia, Ryan e Bruna estão viciados já. Luana divulgou a surra e Stefanny pela primeira vez na escola se sentiu humilhada por todos. Acho que ela se vingará, fará coisas terríveis.
    Catarina fugindo do Jorge, que tensão que foi. Cena bem escrita. Será que Jonatan seria capaz de depor sobre o vídeo íntimo, mesmo se incriminando para acusar Stefanny e defender sua amada Maria?
    Acho que sim e assim Maria o perdoaria.
    Descobertas é Top!
    Parabéns!

    Curtido por 1 pessoa

    • Maria, enfim, deu a surra que todos nós queremos dar na Stefanny, não é mesmo? E ainda enfrentou Abigail, assim como Rômulo fazia. Agora ninguém segura a Maria! Falta um triz pro Victor lembrar de tudo, Wesley precisará enfrentar isso logo. A perseguição de Jorge contra Catarina e Rosa foi apenas uma prévia do que ele é capaz por sua obsessão. Obrigado pelas opiniões, Gremista! ❤

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  4. Adorei a surra que a Maria deu em Stefanny \o/ Bem feito pra ela, merece mais, um tribunal, por exemplo \o/ Jorge sofreu um acidente, será que ele vai querer se vingar? :-O Por ele parecer um maluco, medo 😮 Maria foi visitar Rômulo, coitado, aguardo a volta por cima deste também :/ Mais um capítulo ótimo 😀

    Curtido por 1 pessoa

  5. Não é que Maria aprendeu a bater. Quero Stefanny a pegando distraída também. Sei que está 1X1 agora, mas quero 2X1 sim! 😈

    Patrícia se estragando junto a Bruna nesse mundo do tráfico. Pensei que outros personagens se envolveriam nesse núcleo e não elas. Fico com dó de Yolanda com as dores de cabeça que estão por vir. :/

    Jorge é louco! 😮 Não sei se o vejo como o mocinho que possa está injustiçado, ou um vilão psicopata. Quase esse desgraçado morre. Catarina rainha! ❤

    O laço entre Maria e Rômulo está cada vez mais firme. Será que aí existe um laço que vai além de Prof e aluna? Quem sabe de pai e filha, risos.

    Parabéns, Airton! Muito bom o capítulo de hoje. ❤

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    • Maria bateu em Stefanny e com razão, diferente de Stefanny que bateu em Maria sem motivos, por puro bullying. Patrícia e Bruna ainda viverão problemas bem complexos no mundo das drogas ao lado de Ryan, que Yolanda se prepare… Jorge é um homem muito misterioso, mas sua face vai se revelando pouco a pouco. Socorro com a possibilidade que levantou entre Maria e Rômulo, será possível isso? Aguarde! Obrigado pelas opiniões, Fred querido! ❤

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  6. Adorei o capítulo amg. O Victor realmente tá a um passo de descobrir tudo. Já tá tendo flashes do que aconteceu, mas tá meio zonzo e não viu ainda na mente quem é. Só quero ver como ele vai reagir. Acho que vai se afastar do Wesley pra manter a personalidade de macho dele intacta. Parabéns amg pelo capítulo.

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  7. Nossa que capítulo.. A surra da Steffany foi bem merecida.. e a Patrícia e Bruna estão cada vez caindo no.mundo das drogas.. e esse acidente será que Jorge vai.morrer?
    Parabéns

    Curtido por 1 pessoa

  8. E correndo pra dar tempo, comentário específico pra amanhã sobre este e o outro capítulo, amamos? Deixando meu ponto, parabéns amigo. E dande com Maria ao som do tema de abertura.

    Curtido por 1 pessoa

  9. Chocado esse capítulo foi babado confusão e gritaria …Amei Maria mostrando a que veio, surra lavou a alma…Que perseguição ein de tirar o fôlego

    Curtido por 1 pessoa

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