Fantasma Vivo – Capítulo 03

CENA 01: APARTAMENTO DE VICENTE/QUARTO/INT./NOITE

Vicente observa uma coleção de carrinhos de brinquedo na estante. Ele abre um tímido sorriso.

VICENTE – Eu seria capaz de dar-te esta coleção inteira, só pra ver-te daquele jeito de novo…

FLASH!

[FLASHBACK ON] CASA DE CARLOS ALBERTO/JARDIM/EXT./DIA

LETREIRO:São Paulo, 2005

Arthur sentado no canto do jardim, emburrado. Elizabeth se aproxima, estranhando.

ELIZABETH – O que houve, meu filho?

ARTHUR – O idiota do Vicente.

ELIZABETH (surpresa) – Vocês brigaram?

ARTHUR – Sim. E eu não vou falar com ele nunca mais.

Elizabeth solta uma risadinha.

ARTHUR – É sério, mãe, eu não tô brincando.

ELIZABETH – Claro, eu acredito. Mas o que foi que ele fez?

ARTHUR – Brigou comigo.

ELIZABETH – Alguma coisa você deve ter feito, Arthur.

ARTHUR – Mas eu não fiz nada!

ELIZABETH – Arthur…

ARTHUR (respira fundo) – Tá, eu quebrei o carrinho dele.

ELIZABETH – Os da coleção que ele tanto ama?

ARTHUR – Sim. Mas foi só um… e… não foi porque eu quis. Ele escapuliu da minha mão.

ELIZABETH – Você não acha que ele tem razão em ficar bravo?

ARTHUR – Sim.

ELIZABETH – Pois então, por que você não pede desculpas a ele?

ARTHUR – A senhora acha que ele vai me perdoar?

ELIZABETH – É claro, Arthur! Ele te ama, só está chateado.

Arthur se levanta, apreensivo, e encara Elizabeth.

ELIZABETH – Coragem. Você consegue.

Arthur concorda timidamente com a cabeça. Ele vai entrando lentamente.

CASA DE CARLOS ALBERTO/QUARTO DE VICENTE/INT./DIA

Vicente passa cola na roda do carrinho quebrado. Arthur entra, encarando o irmão com um pouco de medo. Vicente nota a presença de Arthur, se vira para ele e mostra um sorriso.

VICENTE – Oi.

Arthur corre para abraçar Vicente, que larga o que está fazendo em cima da mesa.

ARTHUR – Desculpa, Vicente, foi sem querer, tá?

VICENTE – Claro que eu te desculpo, Arthur. Eu queria te pedir desculpas também por ter gritado com você. É que esses carrinhos são muito importantes pra mim e eu fiquei chateado.

ARTHUR – Você tem razão. Eu que fui descuidado.

VICENTE – Vamos fazer assim, então. A partir de hoje, toda vez que você quiser brincar com alguma coisa minha, é só pedir pra mim, tá?

ARTHUR (sorri) – Tá.

Vicente mostra o carrinho para Arthur.

VICENTE – Arthur, a partir de hoje, esse carrinho é seu.

ARTHUR (surpreso) – Sério? Eu não tô acreditando… muito obrigado, Vicente!

VICENTE – Só cuida bem dele, tá?

Arthur balança a cabeça positivamente para Vicente. Ele pega o carrinho e sai correndo. Vicente apenas o observa, ainda sorridente.

VICENTE – Eu não consigo ficar com raiva de você, tampinha.

Vicente se aproxima da janela, observando Arthur brincando com o carrinho no jardim.

A cena vai embaçando aos poucos.

FLASH!

Ainda encarando a estante, Vicente abre um farto sorriso.

VICENTE (off) – Eu já tive momentos maravilhosos com o Arthur, mas nada se compara com aquele beijo. Sim, é verdade que aquilo me atormentou por muito tempo, era algo surreal, mas foi reconfortante: foi o único momento em que eu pude estar ao lado dele sem me preocupar com nada. Tá certo, ele tava dormindo e nem imagina o que aconteceu, mas eu vejo esse momento como algo único, que selou para sempre o amor que eu tinha por ele.

Vicente tira o celular do bolso e abre a agenda telefônica. Ele encara o primeiro contato da lista: Arthur.

CENA 02: LANCHONETE/EXT./NOITE

Arthur e Túlio sentados em uma mesa, comendo e conversando.

TÚLIO – Então, eu não posso mais ir na sua casa. É isso?

ARTHUR – Pelo menos por um tempo, é melhor evitar. Meu pai parecia bem decidido.

TÚLIO – Engraçado que você e a sua mãe sempre se calam para o seu pai.

ARTHUR – Lógico! Quem seria capaz de contrariar o grande Carlos Alberto Toledo?

Túlio levanta a mão. Arthur não resiste e dá uma risadinha.

TÚLIO – Olha, ele sorriu!

ARTHUR – Era disso que eu precisava. Conversar com alguém, distrair minha cabeça…

TÚLIO – Arthur, me diz uma coisa. Você já parou de se cortar?

Arthur estranha a pergunta.

ARTHUR – Não vamos falar disso, Túlio, por favor.

TÚLIO – Você disse que queria ajuda.

ARTHUR – Sim, mas a ajuda que eu preciso é apenas conversar para que eu não faça certas coisas desagradáveis.

Arthur puxa a manga da camisa, expondo as cicatrizes. Antes que Túlio responda, ele é interrompido pelo toque do celular de Arthur, que imediatamente o tira do bolso e o atende.

ARTHUR – Alô? (T) Oi?

TÚLIO – Quem é?

ARTHUR – Não sei… alô?

Arthur desliga o celular.

ARTHUR – Não deve ser ninguém importante… quem iria me ligar?

TÚLIO – Certo… mas voltando àquele assunto…

ARTHUR – Já tá ficando tarde. É melhor eu ir embora.

TÚLIO – Não. Espera aí, cara.

ARTHUR – Muito obrigado, Túlio. Você é a única pessoa com quem eu posso contar.

Arthur segura as mãos de Túlio.

Ao longe, Diana continua registrando a cena.

DIANA (sorridente) – Nossa, esse álbum vai ser incrível!

Túlio sorri para Arthur.

TÚLIO – Eu sempre vou estar por perto, Arthur. É só me chamar.

Arthur abraça Túlio, beijando-lhe o rosto.

ARTHUR – Obrigado, Túlio!

Arthur vai embora. Túlio o observa partir, com uma expressão encantada.

Diana se diverte com o que vê.

DIANA – Se isso não for paixão, eu não sei o que é. (ri)

CENA 03: APARTAMENTO DE RIELY/SALA/INT./NOITE

Anthony e Riely sentados à mesa, jogando cartas.

ANTHONY – Já pensaste no quanto a volta ao Brasil mexe com o Vicente.

RIELY – Claro que sim. Mas eu ainda não consegui descobrir por que.

ANTHONY – O que sabes sobre a família dele?

RIELY – Bom, ele tem um pai, mas não gosta de falar muito dele, parece que tem diferenças com ele… uma mãe… e parece que um irmão.

ANTHONY – Apenas?

RIELY – Pelo menos foi o que ele me contou.

ANTHONY – E essas diferenças com o pai? Não imaginas o motivo?

RIELY – Não. De jeito algum.

ANTHONY – Será que ele deu um golpe no velho?

RIELY – Um golpe? Tu achas? Mas ele só tinha 15 anos.

ANTHONY – Que isso importa? Eu nesta idade já era experiente nisso.

RIELY – Creio que não seja este o motivo. Não acho que ele seja capaz de algo do género, creio que tenha algo a ver com aquela fotografia.

ANTHONY – O que tinha naquela fotografia?

RIELY – Não sei. Ele a escondeu em outro lugar.

ANTHONY – Não desistas, minha ninfa. Se descobres o segredo de Vicente, o teremos na palma de nossas mãos.

RIELY – Estás coberto de razão. Farei o possível para que isto ocorra.

Os dois trocam olhares maliciosos e dão gargalhadas.

CENA 04: CASA DE DIANA/SALA/INT./NOITE

Diana observa as fotos com um sorriso malicioso no rosto. De repente, sua expressão muda.

DIANA – Meu Deus, o que eu estou fazendo? Onde eu estava com a cabeça?

INÊS – Viu, minha filha? Essa é você?!

DIANA – Por que eu fiz isso, mamãe?

INÊS – Você sabe.

DIANA – A maldita vingança!

INÊS – Você está disposta a tudo por essa vingança? Até mesmo atingir pessoas inocentes?

DIANA – Não, eu não posso deixar isso acontecer. Tenho que apagar essas fotos o quanto antes!

INÊS – Faça isso!

Prontamente, Diana começa a selecionar as fotos a serem apagadas.

CENA 05: CASA DE SOLANGE/SALA/INT./NOITE

Solange sentada à mesa, jantando. Pensativa.

SOLANGE – Como eu vou conseguir uma garota nova para esse homem, Senhor?!

Batem à porta.

SOLANGE – Quem será uma hora dessas?

A contragosto, Solange se levanta e vai atender. Ela se surpreende ao ver Suelen.

SUELEN – SURPRESA!

SOLANGE – Suelen?

SUELEN – Eu mesma, mãezinha!

Suelen beija o rosto de Solange e entra com suas coisas.

SUELEN – O que tem pra comer, mãe? Tô morta de fome.

SOLANGE – Espera aí! Você pode me explicar o que está acontecendo?

SUELEN – Eu estou com fome, mãezinha, acabei de falar.

SOLANGE – Você sabe muito bem do que eu tô falando, garota! O que você está fazendo aqui? Você não deveria estar em Ribeirão Preto com o seu pai?

As duas se encaram, em silêncio.

CENA 06: CASA DE DIANA/QUARTO/INT./NOITE

Diana deitada na cama, abraçada a um urso de pelúcia, pensativa.

DIANA (off) – Mais uma vez aconteceu o que eu mais temia. A outra eu reapareceu… é difícil explicar, mas eu tenho outra personalidade, um alter ego, que toma conta de mim. Geralmente ela surge quando eu tenho raiva ou medo, mas ultimamente vem surgindo em outras ocasiões. Talvez eu precise de ajuda para lidar com isso, mas eu tenho medo… medo do que ela possa fazer. Esse tormento, esse fantasma surgiu depois que eu conheci aquele monstro que atende pelo nome de Carlos Alberto Toledo. Ele me fez muito mal, mas eu não quero vingança. Eu quero justiça: para a justiça ser feita eu preciso de provas. Quem quer vingança é ela, o que ela quer é que o Carlos Alberto pague na mesma moeda e que todos ao redor dele sofram. Ela é perigosa, e eu temo pelo pior, da mesma forma que eu temo que o Carlos Alberto descubra os planos dela e volte a me fazer mal. Querendo ou não, ela e eu dividimos o mesmo corpo; se alguém fizer mal a ela, faz mal a mim também. Eu não vou suportar passar por aquilo tudo de novo… é doloroso até mesmo de lembrar.

FLASH!

[FLASHBACK ON] EVENTOS TOLEDO/ESCRITÓRIO/INT./MANHÃ

Diana sentada, de frente à escrivaninha de Carlos Alberto, os dois conversando.

DIANA – Eu tenho certeza de que posso ajudar bastante essa empresa.

C. ALBERTO – Nossa, você é muito linda… me diga, quantos anos você tem?

DIANA – Tenho 15. Faço 16 daqui a alguns meses.

C. ALBERTO – Novinha… sabia que as novinhas são as que trabalham melhor?

DIANA (empolgada) – Sério? Que bom!

C. ALBERTO – Você está disposta a tudo?

DIANA – Claro que sim!

C. ALBERTO – É tudo o que eu queria ouvir.

Carlos Alberto sorri cinicamente para Diana, que se intimida.

FLASH!

QUARTO/INT./NOITE

Diana amordaçada, com os membros amarrados. Claramente desconfortável. Carlos Alberto surge, de repente, com um olhar diabólico e um sorriso malicioso.

C. ALBERTO – E então, abelhinha? Tá preparada?

Os gritos de Diana são abafados pela mordaça.

C. ALBERTO – Isso! Grita bastante. Eu adoro isso.

Foco em Diana, desesperada. Lágrimas rolam pelo seu rosto. A sombra na parede mostra Carlos Alberto erguendo um objeto cilíndrico e consideravelmente grande, apontando-o para a garota.

C. ALBERTO (voz) – O que foi? Vai dizer que não gosta disso?

Diana grita, enquanto Carlos Alberto ri dela.

C. ALBERTO (voz) – Sem problemas. Te faço gostar.

Diana grita mais forte.

FLASH!

Diana chora copiosamente, abraçada ao urso.

CENA 07: CASA DE C. ALBERTO/QUARTO DE C. ALBERTO E ELIZABETH/INT./NOITE

Elizabeth, vestindo apenas uma lingerie preta, observa-se no espelho.

ELIZABETH – Há quanto tempo eu não visto algo assim… será que o Carlos Alberto vai gostar?

Em cenas rápidas, Elizabeth pinta os lábios com um batom bem provocante, passa perfume, veste uma camisola preta transparente e passa hidratante nos braços e pernas.

Depois de guardar os produtos, a mulher se deita na cama, sorridente.

ELIZABETH – Agora é só esperar. Ele não deve demorar muito.

Elizabeth olha para o relógio de parede.

Foco no aparelho, cujos ponteiros estão próximos do número 7. Após um time-lapse, os ponteiros do relógio ficam próximos do número 10.

Elizabeth ainda deitada na cama, quase dormindo. Carlos Alberto entra no quarto e se senta com força na cama, assustando Elizabeth.

ELIZABETH – Chegou, querido?

C. ALBERTO – O que ainda faz acordada? Sabe que não precisa me esperar.

ELIZABETH – Estava sem sono.

Carlos Alberto tira a camisa e se deita na cama.

C. ALBERTO – E então? Conversou com o garoto?

ELIZABETH – Sim, ele já está melhor.

C. ALBERTO – Não é questão de estar melhor ou não. Ele tem que respeitar a minha casa, só isso.

ELIZABETH – Tudo bem, querido, mas vamos deixar isso pra lá um pouco.

Elizabeth se aproxima de Carlos Alberto, levando a mão ao seu tronco.

ELIZABETH – Faz tanto tempo que nós não ficamos sozinhos—

C. ALBERTO – Não, Elizabeth, eu tô muito cansado. Não tô com cabeça. Desculpa, mas eu quero dormir. Se quiser ficar acordada, tudo bem, mas apaga a luz do abajur, tá?

Carlos Alberto se vira de costas para Elizabeth, que fica chocada com a reação dele. Não demora muito para uma lágrima cair do rosto dela.

CENA 08: CASA DE SOLANGE/SALA/INT./NOITE

Suelen sentada à mesa, jantando. Solange em pé, encarando-a.

SOLANGE – Suelen, eu estou esperando. O que você está fazendo aqui?

SUELEN – Papai foi preso.

SOLANGE – Preso?

SUELEN – Sim, preso. A polícia invadiu a casa e levou tudo. Só consegui salvar umas roupas e fugi antes que me levassem também.

SOLANGE – Por que você veio procurar a mim?

SUELEN – Ué, porque eu não tenho mais ninguém.

SOLANGE – Tá bom. Você fica aqui, mas só até eu arranjar alguém pra ficar com você.

SUELEN – Que mãezona você, hein?

SOLANGE – Você sabe que eu não posso ficar com você. Mal consigo me sustentar sozinha.

SUELEN – Não se preocupa com isso, já consegui um trampo aí numa empresa. Amanhã eu vou pra entrevista.

SOLANGE – Trampo?

SUELEN – Uma parada de estágio, jovem aprendiz pra garotas, algo assim. Não sei direito o que é, só sei que eu tô dentro. Se tem dinheiro no meio eu tô dentro.

SOLANGE – Tinha que ser filha da Solange mesmo. (ri) Tudo bem, come aí, vou arrumar um canto pra tu dormir.

CENA 09: APARTAMENTO DE VICENTE/QUARTO/INT./NOITE

Vicente deitado na cama, observando sua fotografia com Arthur. O sorriso farto no rosto.

VICENTE (off) – Aquela ligação mexeu comigo. Enfim caiu a ficha de que o Arthur cresceu. Como ele é fisicamente, eu já sei… mamãe sempre me enviou fotografias dele durante esses anos, e ele virou um rapaz lindíssimo. Como ficou a voz dele, acabei de descobrir… ele já tem voz de homem. Agora só resta saber se aquele miúdo de 9 anos que eu deixei pra trás ainda existe dentro daquele rapaz de 19. (respira fundo) Confesso que tenho medo deste reencontro.

Vicente acaricia o rosto de Arthur na fotografia, e fecha os olhos.

CENA 10: FACULDADE/EXT./MANHÃ

TRILHA SONORA: Only You – Selena Gomez

Amanhece sob imagens da faculdade. Grande movimento de alunos em vários lugares do prédio.

Arthur vem caminhando pela estrada. Com fones de ouvido, bem animado.

ARTHUR (off) – Sabe quando o destino prega uma peça na gente? Aquele dia tinha tudo pra ser mais um dia tedioso naquele prédio. Até aquele momento, era mais um dia normal… tava prestes a entrar no prédio, ouvindo uma das minhas músicas preferidas… a única coisa que estava diferente era o meu humor, graças à minha conversa com o Túlio; eu precisava daquilo, precisava me distrair depois daqueles dias tão conturbados, precisava esquecer um pouco daquela gilete. Eu tava tão entretido que eu nem vi que o sinal estava aberto para os carros. Imagina a tragédia que poderia acontecer se não tivesse acontecido isso.

Arthur já estava na faixa, quando percebe um veículo aproximando-se dele numa velocidade considerável. O motorista buzina, mas Arthur se desespera e não consegue desviar. Agilmente, Diana puxa Arthur pela alça da mochila para a calçada antes que o veículo o atinja.

DIANA (tensa) – Nossa! Você tá bem?

Arthur observa o olhar apreensivo de Diana.

ARTHUR (off) – Bendita seja aquela alma que me salvou no último segundo. O que tinha tudo pra ser um dos dias mais trágicos da minha vida passou a ser um dos melhores dias da minha vida. O dia em que eu conheci a minha melhor amiga Diana.

CENA 11: FACULDADE/REFEITÓRIO/INT./MANHÃ

Arthur e Diana sentados à mesa, conversando.

ARTHUR – Tô te devendo uma, viu?

DIANA – Ah, quê isso…

ARTHUR – Vou ser eternamente grato a você.

DIANA – Minha mãe morreu atropelada, e eu não pude fazer nada pra salvar ela. Quando vi você naquela situação, percebi que era a minha chance de fazer alguma coisa.

ARTHUR – Sinto muito pela sua mãe.

DIANA – É difícil, mas já tô me acostumando com a falta dela.

ARTHUR – A propósito… prazer, Arthur.

DIANA – Prazer, Diana.

Algumas garotas passam por Arthur e começam a rir.

ARTHUR – Você conhece elas?

DIANA – Não. Sou nova por aqui, não conheço quase ninguém.

ARTHUR – Acho que elas estavam rindo de mim.

Eles olham ao redor e percebem muitos olhando para eles.

DIANA – O que está acontecendo, Arthur?

Foco em Arthur, apreensivo.

CENA 12: CONSULTÓRIO DE VICENTE/INT./MANHÃ

Pedro e Vicente sentados, conversando.

PEDRO – Eu não sei como agradecer, Vicente. Teu trabalho aqui foi incrível, merece todo o reconhecimento do mundo.

VICENTE – Me alegro em ouvir isso, doutor, ainda mais vindo do senhor.

PEDRO – Senhor está no ceu. Pois bem, já fizeste muita gente bem por aqui, chegou a hora de ajudar teu próprio povo. O Brasil precisa de um profissional como tu.

VICENTE – Eu sei disso, doutor, estou disposto a voltar à minha terra e por em prática tudo o que aprendi aqui na Europa.

PEDRO – Embarcas amanhã, certo?

VICENTE – Sim senhor.

PEDRO – Faça uma boa viagem, meu caro.

Os dois se levantam e trocam um terno abraço.

VICENTE – Muito obrigado por tudo, dr. Pedro. De coração.

CENA 13: EVENTOS TOLEDO/ESCRITÓRIO/INT./MANHÃ

Carlos Alberto em entrevista com uma mulher loira. Ela aparentemente empolgada.

C. ALBERTO – Gostei bastante de você. Mas infelizmente você não se enquadra no perfil ideal para esta vaga.

A mulher fica visivelmente desanimada.

C. ALBERTO – Não se desanime. Em breve, devemos abrir novas vagas. Fique atenta, quando menos esperar deve surgir a vaga certa para você.

Ela responde concordando com a cabeça.

C. ALBERTO – Muito obrigado. Está dispensada.

Os dois sorriem cordialmente um para o outro. Ele se despede dela com um rápido beijo no rosto e ela vai embora. A sós em cena, Carlos Alberto bufa, frustrado.

C. ALBERTO – Não é possível, não pode ser tão difícil. Onde estão as novinhas? Até agora só apareceram mulheres feitas, esse tipo não me interessa.

Ele aperta o interfone.

C. ALBERTO – Próxima.

Segundos depois, Suelen adentra a porta. Seus trajes provocantes (colete e saia preta) chamam a atenção de Carlos Alberto.

SUELEN – Com licença.

C. ALBERTO (sorri) – Toda, princesa. Como você se chama?

SUELEN – Suelen.

C. ALBERTO – Suelen… desculpa, não pude deixar de reparar na sua beleza. Já lhe disseram que você é muito linda?

SUELEN – Algumas pessoas.

C. ALBERTO – Quantos anos você tem?

SUELEN – 15.

C. ALBERTO – Sabia que as novinhas são as que trabalham melhor?

SUELEN – Sério? Então, eu devo ter uma vantagem para conseguir esta vaga.

C. ALBERTO – Com certeza. Me diga, Suelen, você está disposta a tudo?

SUELEN – Sim senhor. A tudo.

C. ALBERTO – Era tudo o que eu queria ouvir. Definitivamente, você tem o perfil ideal para esta vaga. É de você que eu preciso.

Os dois se encaram maliciosamente.

CENA 14: APARTAMENTO DE RIELY/QUARTO/INT./MANHÃ

Anthony e Riely dormindo abraçados. Batem à porta. Os dois acordam, preguiçosamente.

RIELY – Droga… quem será, a uma hora dessas?

ANTHONY – Deve ser a camareira. Ela sempre vem neste horário.

RIELY – Então vá atender.

ANTHONY – Por que eu?

RIELY – Porque eu quero. Eu não vou levantar.

ANTHONY – Mulheres…

Anthony demora a levantar.

RIELY – Vista uma camiseta, não quero nenhuma rapariga de olho no meu homem.

ANTHONY – Certo.

CENA 15: APARTAMENTO DE RIELY/SALA/INT./MANHÃ

Batem à porta novamente. Anthony chega à sala e vai atender. Ele se assusta ao ver que se trata de Vicente; ele, com um buquê de flores nas mãos, também se assusta ao ver Anthony.

VICENTE – Quem és tu? O que estás a fazer aqui?

Anthony encara Vicente, sem saber o que fazer.

CENA 16: FACULDADE/REFEITÓRIO/INT./MANHÃ

Arthur e Diana observam os olhares de todos, sem entender.

ARTHUR – O que está acontecendo? Por que todos estão rindo de mim?

DIANA – Não faço ideia.

Túlio se aproxima deles, bastante nervoso.

TÚLIO – Como isso foi acontecer, Arthur?

ARTHUR – Do que você tá falando, Túlio?

Túlio apenas mostra o celular para Arthur e Diana. Na tela, uma das fotografias de Arthur e Túlio na lanchonete. Arthur e Diana reagem chocados; Diana cobre a boca.

TÚLIO – Tá todo mundo compartilhando essas fotos. Como isso foi acontecer, Arthur?

Arthur e Túlio se encaram, apreensivos. A cena congela num efeito preto-e-branco e é amassada.

CONTINUA…

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14 thoughts on “Fantasma Vivo – Capítulo 03

  1. Ué, mas a Diana não tinha apagado as fotos? A não ser que ela já tivesse compartilhado as fotos antes de apagá-las.

    Quero ver o que o Anthony vai fazer pra sair pela tangente. Aposto que ele e a Riely vão apelar pra desculpa de serem parentes (irmãos, primos…) e o trouxa do Vicente vai acreditar. Mas mantenho as esperanças de que o Vicente descubra o caso do Anthony e da Riely e volte ao Brasil sozinho… vejo uma história interessante se desenvolvendo a partir disso.

    Solange nem precisou fazer nada para atender o desejo do Carlos Alberto. O destino colocou a filha dela pra tomar a iniciativa.

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  2. Suelen vai cair nessa história de C. Alberto assim como Diana caiu. Tenso!

    Não consigo imaginar um romance entre Arthur e Vicente, não consigo! Os flashbacks são os culpados por isso, risos, mas são uma boa sacada.

    Parabéns pelo capítulo, José! 😉

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  3. E assim concluo a primeira semana.. rs espero que tenha dado pra se ter uma ideia do que vem por aí.. muitas emoções, o retorno de Vicente promete 😉 Espero que possam acompanhar. 😘 Obrigado a todos que estão​ comentando..

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