Um Amor e Duas Realidades – Capítulo 03

“Ansioso para saber a resposta, Alex fita seus olhos nos de sua amada que não cessam de brilhar… Afrodite, de tão surpresa e nervosa que está, nada consegue falar. Como um cortês nato que é, Alex ajoelha-se no chão e pega a mão de Afrodite, beijando-a lentamente, fazendo com que o coração dela pulse tanto a ponto de quase sair pela boca”…

ALEX: Aceita?

(Quando Afrodite está prestes a responder, chega o inspetor com seu inseparável apito dependurado no pescoço)

INSPETOR: Mas será o Benedito?… Vocês aqui de novo? Já pra sala os dois!

ALEX: (impaciente) Estamos de tempo vago, inspetor… A professora de Ciências Humanas faltou.

INSPETOR: Ah, a professora de Ciências faltou?… E por que você… Está aí… De joelhos, hein, rapazinho?

(Alex percebe que ainda está abaixado e se levanta)

INSPETOR: Por um acaso… Isso é um pedido de casamento?

AFRODITE: Casamento?

(Alex e Afrodite se olham, envergonhados; O inspetor dá um sorriso sacana; Alex sorri para Afrodite, que retribui da mesma forma, só que mais discreta)

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Alex e Afrodite caminham lentamente pelo gramado na parte de trás da escola…

ALEX: Você ainda não respondeu o meu pedido de namoro…

AFRODITE: Namoro?… Mas, eu não sei nem o seu nome.

ALEX: Alex… Prazer!

(Alex pega a mão de Afrodite e a beija; Afrodite ri)

ALEX: Então… Aceita?

(Afrodite suspira e quando está pronta para falar, Bruna aparece correndo)

BRUNA: (eufórica) Vem Afrodite, o Frederick já chegou pra ensaiar!

(Bruna arrasta Afrodite para longe, que sai olhando para Alex que ali parado fica; Ao longe, Alex vê Afrodite e Frederick valseando, enquanto Bruna os orienta nos passos; Ao ver tal situação, Alex fica completamente enciumado, mas não intervê; Mesmo dançando com Frederick, Afrodite não tira os olhos de Alex; Seus olhares mal se encontram, pois a distância é grande e para eles, parece um espaço incalculável, que os separa sem direito de escolherem ficar perto um do outro)

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Enquanto isso no ponto de ônibus…

(Maria das Graças parece não acreditar no que Maria dos Prazeres lhe contou)

MARIA DOS PRAZERES : Uhum!… Ontem, eu e o Bené saímos para tomar sorvete na praia. Ele não te contou?

MARIA DAS GRAÇAS: Não… Mas como vocês saíram? Ele estava trabalhando.

MARIA DOS PRAZERES : Eu não sei por que ele não te contou que nós saímos juntos, também não sei por que ele mentiu que estava trabalhando até tarde… Mas que nós fomos à praia e tomamos sorvete de casquinha, isso foi…

(Maria das Graças sente-se traída pelo marido por ele não ter lhe contado a verdade)

MARIA DOS PRAZERES : Mas não fique triste, nem com raiva do Bené, minha irmã…

MARIA DAS GRAÇAS: Mas ele vai ter que me explicar muito bem explicado o porquê dele não ter me contado toda a verdade… Tu sabe por que o Bené mentiu, Prazeres?

MARIA DOS PRAZERES: Eu não! Mas, procure descobrir, minha irmã… Abra seus olhos com o Bené, Graça, porque vem uma bisqueteira e “unhaque”! Abocanha o seu homem.

MARIA DAS GRAÇAS: Estou de olhos bem abertos… Muito bem abertos.

(Maria dos Prazeres se afeta)

MARIA DOS PRAZERES: Você não está desconfiando de mim, né, Graça? Está?

MARIA DAS GRAÇAS: Claro que não, Prazeres… Por que estaria? Você é minha irmã.

(Aliviada, Maria dos Prazeres abraça fortemente a irmã; O ônibus para no ponto)

MARIA DOS PRAZERES: Meu ônibus chegou… Tchau, minha irmã! Fica bem, tá?…

(Falsamente, Maria dos Prazeres beija a bochecha da irmã, que sorri; Em seguida, Maria dos Prazeres embarca e Maria das Graças senta-se no banquinho do ponto, ainda atônita com a notícia)

MARIA DAS GRAÇAS: Se o Bené estava com a Prazeres… Então por que ele mentiu pra mim? Por quê?

(Maria das Graças fica curiosa tentando buscar alguma explicação nos seus pensamentos)

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O sinal toca e os alunos aproveitam o intervalo…

(Afrodite e Bruna estão conversando sentadas numas grandes rochas próximas à maior árvore da escola, intitulada pelos enamorados de plantão, de “A.A.A–A Árvore do Amor”)

BRUNA: Você e o Frederick estão dançando tão bonitinhos… Quando vão assumir o namoro?

AFRODITE: Eu já disse que não tem namoro nenhum, Bruna… Ai que coisa!

(Bruna ri)

BRUNA: Ahhh, Já tá de amizadinha com o novato da nossa classe, né? Vi que vocês estavam no maior “lero” hoje cedo.

(Afrodite disfarça olhando para o outro lado, evitando ter que falar alguma coisa; Alex se aproxima educadamente)

ALEX: Bom dia, meninas!

BRUNA: Bom dia…

(Bruna repara Alex de cima a baixo, chegando até a constrangê-lo)

ALEX: Desculpa, mas será que eu posso falar com a Afrodite…Em particular?

(Afrodite se acentua)

BRUNA: Claro!

(Bruna percebe que existe alguma coisa no ar e se afasta)

BRUNA: Aí tem coisa…

FREDERICK: Falando sozinha, Bruna?

(Frederick pergunta ao se aproximar)

BRUNA: A Afrodite e o novato conversando…

(Frederick vê e não gosta)

FREDERICK: (enciumado) Quem é ele? Eles já se conheciam?

BRUNA: Não sei, mas que ele foi muito educado com ela, ele foi… E a Afrodite é gamada em homens educados, hein… Frederick, meu amigo, se você quer a Afrodite é melhor ser mais rápido… Pelo visto você tem mais concorrente.

(Bruna sorri ironicamente para Frederick, que vê, emburrado, Afrodite e Alex conversando)

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(Alex está segurando a mão de Afrodite e olhando fixamente em seus olhos)

ALEX: Afrodite, você nunca consegue me responder, eu já não aguento mais de tanta ansiedade… Você aceita ser minha namorada, sim ou não?

AFRODITE: Eu…

(Afrodite vira-se de costas, soltando a mão de Alex)

AFRODITE: Eu preciso pensar.

ALEX: Pensar?

(Afrodite torna a olhar para Alex)

AFRODITE: É, preciso pensar… Tudo está acontecendo muito rápido, eu… Preciso de um tempo.

(Alex fica triste)

ALEX: Você não gosta de mim?

AFRODITE: Não é isso, é que… Eu sou um pouco leiga nesse assunto de namoro, eu nunca namorei… Você espera eu pensar?

ALEX: Claro que espero, Afrodite…

(Alex pega a mão de Afrodite e fica alisando-a)

ALEX: Meu amor por você já é tão grande, que nem o tempo será capaz de acabar com ele… Eu te espero, espero o tempo que você precisar.

(Nesse momento, o coração de Afrodite enche-se de ternura e ela sorri emocionada com tais palavras)

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Em sua mansão, Marieta está com os nervos à flor da pele, vendo os preparativos da festa de 15 anos de Afrodite.

MARIETA: E o salão, já está confirmado?

CIDINHA: Sim senhora!

MARIETA: Os convites já foram todos enviados?

CIDINHA: Sim senhora!

MARIETA: E o vestido?… Já pegaram o vestido da Afrodite na costureira?

CIDINHA: Sim senhora… Já está dobrado e bem guardado para não amassar.

MARIETA: Ah, menos mal…

(Marieta esparrama-se pelo sofá)

MARIETA: (gritando) Maria! Maria!

(Maria dos Prazeres aparece submissa)

MARIA DOS PRAZERES: Deseja alguma coisa, dona Marieta?

MARIETA: (irônica) Não… Eu te chamei porque adoro gritar seu nome. Traga-me um chá!

MARIA DOS PRAZERES: Sim senhora!

(Maria dos Prazeres ia se retirando)

MARIETA: Espere!… Maria, você já está começando a se mover com as comidas da festa?

MARIA DOS PRAZERES: Sim senhora… Eu e as outras cozinheiras estamos seguindo à risca o “menu” que a senhora preparou… Mas vou te contar, cada comidinha com nome difícil, hein.

MARIETA: Se virem, porque na festa da minha filha só terá comida fina.

(Maria dos Prazeres continua parada, olhando para a patroa)

MARIETA: O que você ainda está fazendo aqui, lesma? Vá pegar o meu chá, criatura.

(Marieta ordena, batendo as mãos)

MARIA DOS PRAZERES: Sim senhora!

(Maria dos Prazeres se retira, praguejando a patroa em sua mente)

MARIETA: Esses serviçais cada vez mais lastimáveis… Ó raça ruim!

(Constrangida, Cidinha abaixa a cabeça; Enquanto Maria dos Prazeres leva o chá para Marieta, discretamente, ela cospe no copo e o dá para a patroa, que bebe, fazendo cara de degustação)

MARIETA: Hum… Esse chá está maravilhoso, divino!

(Com puro sarcasmo, Maria dos Prazeres sorri com gostinho de vingança)

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Aproveitando que já estava no bairro, Maria das Graças resolve subir ao morro para visitar a irmã que tanto ama.

(Maria das Graças e Maria das Dores se afastam de um longo abraço e se sentam no sofá)

MARIA DAS GRAÇAS: Aproveitei que levei as crianças na escola e passei aqui para me despedir.

MARIA DAS DORES: Poxa, por que vocês não dormem aqui?

MARIA DAS GRAÇAS: Não, hoje eu tenho muitas coisas pra resolver… Hoje eu pego a Tânia de jeito e quero saber muito bem sabido por que o Bené mentiu pra mim… Olha que cachorro! Ele mentiu que estava trabalhando até tarde e foi tomar sorvete com a Dos Prazeres na praia… Podia ter me contado a verdade, né?…

MARIA DAS DORES: Eu já sabia. A Dos Prazeres me contou ontem quando veio buscar o Fabinho aqui… Acho melhor você abrir o olho, minha irmã.

MARIA DAS GRAÇAS: Abrir o olho com a Prazeres? Mas ela é nossa irmã, Das Dores… Você acha que ela e o Bené…

MARIA DAS DORES: Não, eu não falei isso, não me entenda mal… Mas com um marido bem sucedido como o seu, todas querem. Não estou falando da nossa irmã, mas de todas as mulheres. Todas.

(Maria das Graças ouve atenta às palavras da irmã)

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Muitas horas depois…

(O sinal toca e os alunos saem animados para irem embora)

TÂNIA: Ai, eu não quero ir pra casa… Minha mãe vai tirar meu coro fora.

TINA: Bem feito, Tânia, você mereceu.

TÂNIA: Cala essa sua boca, sua fedelha, senão arranco sua língua fora.

(Tina passa o zíper na boca, metaforicamente, é claro)

TÂNIA: Tchau, Alex… Vamos, crianças!

TINA: Eu não sou criança.

(Tina sai na frente, chateada, Tânia e Tico vão atrás tentando alcançá-la; Alex vê seu ônibus chegando e corre para embarcar nele)

AFRODITE: Espera, Alex!

(Afrodite o grita, saindo do colégio, correndo; Ao ouvir a voz de sua amada, Alex para e olha para ela)

ALEX: Afrodite?!

AFRODITE: Eu aceito, Alex!… Eu aceito ser sua namorada.

“Alex parece não acreditar em tais palavras que saem da boca de sua amada, pois aquilo que tanto sonhou, finalmente estava se concretizando… Alex então sorri, o sorriso mais cativante que já dera em toda a sua vida. Afrodite também não acredita que finalmente tomou coragem e enfim abriu seu coração e deixou seu amor falar mais alto… E sem demorar, Alex corre até Afrodite e a abraça fortemente, em seguida, vem um beijo mais que apaixonado”.

“Ainda se beijando, Alex ergue Afrodite, rodando lentamente, fazendo com que ela tenha a sensação de estar voando sobre nuvens de algodão… Afrodite já não consegue pensar em mais nada, seu pensamento está tomado por tanto amor que esse momento mágico proporciona; Ela,agora, não deseja sair dali nunca mais. Alex tem a sensação de estar segurando um grande tesouro nos braços, um mundo que já não consegue viver sem. E nesse beijo com sabor de paixão, Alex e Afrodite têm a certeza de que nasceram um para o outro, que são almas gêmeas e selam um amor que nasceu tão rápido, mas que já é tão lindo, tão belo e tão singelo… Lentamente, Alex vai parando de rodar, os pés de Afrodite já podem tocar o chão e eles vão parando de se beijar”…

ALEX: É isso mesmo que eu ouvi? Você aceitou ser minha namorada, Afrodite?… Fala que eu não estou sonhando, fala!

(Afrodite sorri emocionada e eles se beijam novamente)

AFRODITE: Eu que estou sonhando, Alex… Um sonho lindo!

ALEX: Nós estamos sonhando juntos, Afrodite… O mesmo sonho lindo, um sonho de amor!

AFRODITE: Só espero não acordar nunca mais… Quero sonhar esse amor para sempre.

ALEX: Para sempre…

(Afrodite sorri angelicalmente; Alex, com uma mão, pega na nuca de Afrodite e a outra apoia na cintura dela; O corpo de Afrodite fica inclinado próximo ao chão e Alex a beija carinhosamente; Luzes de faróis altos incidem sobre eles e barulho de buzina frenética os atrapalha; Prontamente, Afrodite se aparta do beijo)

AFRODITE: Meu motorista, eu preciso ir…

(Afrodite beija a bochecha de Alex e ia saindo, mas ele a segura pelo braço)

ALEX: Sonha comigo, que sonharei com você… Tá bom?

AFRODITE: Pode deixar!

(Alex sorri e beija Afrodite, que sai correndo, sorridente; Alex sorri olhando para o céu e segue o caminho oposto; Quando Afrodite está prestes a entrar no carro, Frederick e Bruna aparecem)

FREDERICK: Afrodite, eu…

AFRODITE: Desculpa, Frederick, mas eu tenho que ir… Amanhã nos falamos, ok?

(Afrodite nem espera a resposta e já entra no carro; Frederick e Bruna ficam sem entender nada)

FREDERICK: O que deu nela?

BRUNA: Sei lá, só deu pra ver que ela estava muito felizinha… Por que será?

(Frederick e Bruna ficam intrigados)

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No carro, Afrodite está sentada no banco traseiro com os pés para cima e Adamastor a observa pelo espelhinho refletor… Afrodite está pensativa e com um sorriso de orelha a orelha.

ADAMASTOR: Devo contar pro seu pai o que vi, senhorita Afrodite?

AFRODITE: Não, claro que não, Adamastor… Papai ficaria uma fera.

ADAMASTOR: Então esse será um segredinho nosso… Mas só porque você está feliz.

(Afrodite ri)

ADAMASTOR: Desculpa ser intrometido… Mas quem é ele?

AFRODITE: Meu príncipe, Adamastor… Meu príncipe encantado.

(Afrodite continua sorridente)

ADAMASTOR: Ai, ai, essa juventude… Sempre vivendo no mundo da lua.

(Afrodite ri e com carinho, pensa em Alex)

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Maria das Graças já está regressando para sua casa e ao chegar do ônibus, ela dá sinal e ele para… Maria das Graças embarca e vê que Bené é o motorista.

BENÉ: (assustado) Graça?! O que é que você está fazendo aqui, mulher?

MARIA DAS GRAÇAS: Por que a surpresa, Bené? Você sabe muito bem que sempre que dar, eu venho visitar a minha irmã no morro.

BENÉ: Que irmã?

MARIA DAS DORES: A Das Dores, Bené… Qual seria?

BENÉ: (aliviado) Ufa, pensei que fosse…

MARIA DAS GRAÇAS: A Maria dos Prazeres?

(Bené fica nervoso e dá uma brusca freada, causando furor nos passageiros que reclamam)

BENÉ: Não, não… Por que você está falando isso?

(Bené começa a suar de nervoso e se seca com a gravata do uniforme)

MARIA DAS GRAÇAS: Porque ela me contou que vocês foram à praia ontem e tomaram sorvete de casquinha… Por que você não contou, Bené?

(Bené se engasga a seco)

PASSAGEIRA: “Vamo” logo, seu molenga… Tô com pressa!

(Grita uma passageira estressada lá do fundo do ônibus)

MARIAS DAS GRAÇAS: (gritando) Se tá com pressa, por que não pegou um táxi, então?… “Eu hein”!

(Maria das Graças cala a passageira, que se senta como se nada tivesse acontecido; Bené continua a dirigir)

MARIA DAS GRAÇAS: E você… Em casa conversaremos melhor.

(Maria das Graças cochicha no ouvido de Bené e vai sentar-se no banco ao lado da janela)

BENÉ: Estou frito!

(Bené lamenta em sua cabeça)

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“Mansão dos Smith; Quarto de Afrodite”.

(Cidinha está dobrando o vestido que Afrodite usará em sua festa; Radiante, Afrodite entra no quarto, deixa seus livros sobre a escrivaninha e se joga na cama, suspirando)

CIDINHA: O que houve com você, Afrodite? Viu passarinho verde, foi?

AFRODITE: Não, Cidinha… Vi o cúpido do amor!

CIDINHA: Cúpido do amor?… Não me diga que você está…

(Afrodite concorda com a cabeça)

AFRODITE: Sim, Cidinha, estou apaixonada.

(Cidinha fica feliz e a abraça)

CIDINHA: Por quem?

AFRODITE: Por um príncipe… Ele até já me pediu em namoro…

CIDINHA: Em namoro?

(Radiante, Afrodite concorda com a cabeça; Cidinha dá pulinho de alegria; Marieta entra no quarto e pega a conversa pela metade)

MARIETA: Você está apaixonada, filhinha? Eu já sabia… Mas, por que você não me falou que o Frederick te pediu em namoro?

(O semblante de Afrodite se transforma e ela não demostra mais alegria)

AFRODITE: Não é o Frederick, mamãe.

MARIETA: Não? Mas… Quem é o tal príncipe encantado então?

AFRODITE: É o Alex.

MARIETA: Alex? Quem é esse?

AFRODITE: A senhora não o conhece, ele é novato na minha classe.

MARIETA: É rico?

AFRODITE: Não sei, mas isso não importa, mamãe… Eu gosto dele, independente se é rico ou não.

MARIETA: Mas minha filha, eu quero o melhor pra você, um futuro bem estabilizado… Não criei filha pra namorar qualquer um não. Ele é bolsista?

AFRODITE: Não… Por quê?

MARIETA: Ah, então é rico, menos mal. Aquela escola é a mais cara da cidade, só os filhos dos ricos estudam lá…Pois traga ele aqui, quero conhecê-lo.

AFRODITE: Sério? Posso mesmo?… O papai não vai encrencar não?

MARIETA: O seu pai é um pouco torrão, mas… Eu consigo convencê-lo… Traga-o sábado para um jantar, assim até lá eu converso com o Ruez.

AFRODITE: Ah, mamãe… Eu estou tão feliz… Mais tão feliz!

(Afrodite abraça Marieta, fortemente)

MARIETA: Ai, Afrodite, assim você está amassando o meu vestido, filha.

(Afrodite se afasta do abraço, passando a mão no vestido de Marieta; Empolgada, Afrodite beija as bochechas de Marieta e Cidinha, que sorriem, admirando a felicidade dela)

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Alex chega em casa, feliz, e nem vê Maria das Dores, Luís e Solange que estão sentados à mesa, jantando.  Alex passa direto em direção ao quarto.

MARIA DAS DORES: Vai jantar não, meu filho?

ALEX: Ô mãe, nem vi vocês aí…

(Alex volta, beija a cabeça de Maria das Dores e senta-se à mesa, junto a eles)

ALEX: Boa noite, família!… Tem carne, é?

(Faminto, Alex se serve)

MARIA DAS DORES: Foi o seu irmão que comprou com o dinheiro que ganhou na carpintaria… Mas você está diferente, Alex… Está feliz, filho?

ALEX: É, mãe… Tô muito feliz sim… Tô namorando!

(Todos ficam surpresos)

MARIA DAS DORES: Namorando? Namorando quem?

SOLANGE: Só pode ser a biscateira da Tati, aposto…

ALEX: Que mané Tati, o quê?… Eu estou namorando uma princesa, a minha deusa do amor…

(Alex fala com um sorriso no rosto)

MARIA DAS DORES: E quem é a sortuda, meu filho?

ALEX: É uma menina da minha classe… O nome dela é Afrodite.

SOLANGE: Afrodite?! Isso lá é nome de gente, por acaso?… Parece mais nome de sabonete.

MARIA DAS DORES: É um nome muito bonito… Traz ela aqui, quero conhecer a minha nora.

(Alex sorri; Carlos chega bêbado, cambaleando com uma garrafa de cachaça na mão; Maria das Dores se levanta, feliz, e se aproxima do marido)

MARIA DAS DORES: Carlos, o nosso filho já tá crescendo… O Alex tá namorando.

CARLOS: Lá quero saber disso?… Da idade dele já “tava” cansado de tá fazendo as coisas com as “cocota” de esquina.

MARIA DAS DORES: Carlos, você bebeu de novo?

CARLOS: O dinheiro é meu, quem trabalha é eu, e eu gasto onde e como quiser, você não tem é que se meter na minha vida… Eu vou é beber mais.

(Carlos sai tropicando e Maria das Dores fica angustiada)

MARIA DAS DORES: Meu Deus, como o Carlos foi ficar dessa maneira? Gastou o salário todo em bebida, de novo.

(Luís se levanta e vai apoiar a mãe)

LUÍS: Quer que eu vá atrás dele, mãe?

MARIA DAS DORES: Não precisa, meu filho, não precisa.

(Maria das Dores beija a cabeça de Luís, que a abraça forte; Alex e Solange ficam tristes)

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“Mansão dos Smith; Quarto do casal”

(Cansado, Ruez tira sua roupa e veste o pijama; Marieta, de camisola íntima, está sentada na cama, passando creme nas pernas)

RUEZ: Hoje o dia foi puxado lá na fábrica… Tive que assinar papéis e mais papéis, promissórias, duplicatas… Foi estressante.

(Ruez deita na cama)

MARIETA: Ruez, antes que você durma, eu preciso falar com você… A Afrodite vai trazer o namoradinho dela aqui.

RUEZ: (enfurecido) O quê?! Namorado?! Que história é essa?!

(Marieta disfarça)

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Quinho está sentado na calçada da sua casa, olhando para o céu.

QUINHO: Ela não vem mesmo.

(Quinho se levanta e ia entrando em casa; Tati passa pela rua)

TATI: Oi, Quinho!… Tá sozinho aí?

QUINHO: Tô… Tati, você não quer dar um fight rapidex comigo não?

TATI: Só se for agora!

(Quinho sorri maliciosamente e puxa Tati para dentro da sua casa, beijando-a e tirando as suas roupas)

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Em casa, Maria das Graças põe Tânia contra a parede.

MARIA DAS GRAÇAS: Por que você foi pro baile sem a minha permissão, Tânia?

TÂNIA: Porque… Porque… Porque eu queria ver o Quinho, pronto falei!

MARIA DAS DORES: Ver aquele maconheiro?… Tânia, eu não quero que você namore esse marginal. Eu já falei!

TÂNIA: Mas eu gosto dele, mãe… Estou apaixonada.

MARIA DAS GRAÇAS: Pois trate de desapaixonar… E fim de assunto. Pode mandar o seu pai entrar agora.

(Tânia fica com raiva e sai; Bené entra cabisbaixo; No corredor, Tânia fala sozinha)

TÂNIA: Eu não vou desistir do Quinho. Não vou!

(Tânia entra no seu quarto e bate a porta, extravasando a sua ira; De volta ao quarto do casal, Bené olha nos olhos de Maria das Graças, que o encara bravamente)

BENÉ: Já me perdoou?… Eu já expliquei que não fiz nada, e que nunca mais vou mentir pra você… Você me perdoou, né?

(Maria das Graças faz um suspense, mas logo abre um sorriso)

MARIA DAS GRAÇAS: Mas é claro que sim, meu maridão perfeito… Eu te amo muito! Muito, muito, muito…

(Bené sorri, aliviado e Maria das Graças pula em seu colo, lhe tascando um beijo; Eles caem na cama e fazem amor)

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“Já é madrugada, Alex e Afrodite dormem tranquilamente em seus respectivos quartos, mas uma coisa bela e surreal acontece… Eles se encontram no mesmo sonho, num jardim florido, sobrevoado por borboletas coloridas, que contrastam uma sensação de uma página de um livro de contos de fadas… Alex e Afrodite se olham sorridentes e correm em “câmera lenta” para se abraçarem, mas uma coisa inusitada ocorre. Eles são tombados por uma força invisível que os impedem de se aproximarem… Alex e Afrodite se olham espantados e confusos”

(A imagem se congela num tom preto-e-branco)

Continua…

O blog TV MIX está completando 7 anos hoje!

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9 thoughts on “Um Amor e Duas Realidades – Capítulo 03

  1. Chamem-me de machista, mas eu defendo o Bené. Até agora, ele tem a minha defesa. Foi só um sorvete com a cunhada, nada para se alarmar. Agora o que vai acontecer depois não.

    Frederick vai precisar se mexer para não perder Afrodite tão facilmente.

    Coitada da Tânia…

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