Um Amor e Duas Realidades – Capítulo 05

“Alex não quer mentir, mas se essa é a única saída para viver seu amor com Afrodite, ele está disposto a entrar nessa farsa e se passar por uma coisa que está bem longe da sua fidedigna realidade”…

ALEX: Se só rico poderei namorar a Afrodite, então rico serei… Seu Adamastor, eu concordo em me passar por um “burguês”.

(Mais seguro, Alex afirma com um sorriso nos lábios; Adamastor ri)

ADAMASTOR: Bem… Pelo visto os seguranças não estão aqui por perto. Vamos! Eu o acompanho até a sala de estar… Lembre-se Alex, você agora é um burguês, como vocês mesmo dizem, os jovens dessa época. Venha! No meio do caminho eu te explico como você deve prosseguir, está bem?

(Alex sorri e concorda com a cabeça; Adamastor abre o grande portão de grades e leva Alex, o instruindo em tudo o que fará)

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Na sala, Ruez e Marieta estão sentados no sofá.

(Ruez está emburrado e Marieta está alisando o seu braço, tentando acalmá-lo)

RUEZ: Não estou gostado “nada nada” dessa história da Afrodite namorar… Ela ainda é muito nova pra essas coisas.

MARIETA: Ruez, para de ser torrão, homem… A nossa filha já está na idade. E já se esqueceu de quando nós começamos a namorar, eu tinha a mesma idade que ela? Hum?

RUEZ: Mas é diferente… Se fosse por mim, filha minha não namorava nunca e de quebra, morreria virgem.

(Ruez fala, levantando-se e poiando-se na poltrona)

MARIETA: Ai, Ruez, que caretice, meu bem!

(Marieta exclama, gargalhando; Adamastor e Alex aparecem e param na porta)

ADAMASTOR: Boa noite, doutor Ruez! Boa noite, dona Marieta!… Esse aqui é o Alex e ele está à procura de Afrodite.

(Ruez encara Alex e Marieta o olha de uma forma enojada; Alex fica envergonhado; Afrodite aparece, contente, e Cidinha vem logo atrás)

AFRODITE: Papai, mamãe, estou bonita?…

(Afrodite vê Alex, que a olha admirado)

AFRODITE: Alex!…

(Alex e Afrodite sorriem apaixonadamente um para o outro)

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(Policial Almeida corre atrás dos moleques, mas eles se escondem) 

POLICIAL ALMEIDA: (gritando) Ei, vocês!… Se continuarem correndo ficarão mais encrencados ainda! Serei obrigado a atirar, hein! Estou avisando!

(Os moleques se espelham, confundindo o Policial Almeida que nem os veem entrando em uma casa velha, que na verdade, é o esconderijo do Metralha, o dono do morro)

Metralha está dormindo num sofá velho, que de um pequeno buraco, um rato escapa… Os moleques entram correndo e o acordam, que assustado, levanta rapidamente e pega logo o seu fuzil, apontando-o a 360°.

METRALHA: Quem tá aí?

PIOLHO: Calma, chefe… Somos nós. ‘Os moleque’!

(Informa Piolho, o líder dos moleques, os famosos espias da favela)

METRALHA: Ah, são vocês? Mas o que quê houve? Entraram feito umasgalinha no sio, caramba…

PIOLHO: É que tem um gambé atrás de nós.

METRALHA: Gambé? Ele não viu vocês entrando aqui não, né? Senão o nosso esconderijo vai pro ralo.

(Metralha pergunta e preocupado, olha pela janela)

PIOLHO: Não, não, pode ficar tranquilo, chefe… Nós entramo na surdina.

METRALHA: Vai ter um dia que eu vou estourar os miolo tudo desses gambé desgraçados!… E eliminar essa raça ruim de vez.

(Mal-encarado, Metralha aponta a arma para fora da janela)

PIOLHO: Ah… Falando em raça ruim, acho que temos um vira-casaca aqui no morro.

METRALHA: Quem é o infeliz?

(Metralha pergunta, apontando o fuzil na direção de Piolho, que se amedronta)

PIOLHO: Calma aí, chefe, cuidado com essa arma aí.

METRALHA: Se for alguém do bando, já sabem né? Vão tudo pra vala.

(Metralha mira em cada um, que se esquivam)

PIOLHO: Não é ninguém do bando não, chefe… Pode ficar tranquilo.

(Mesmo desconfiado, Metralha abaixa a arma)

PIOLHO: É o Alex… O filho da Das Dores, a tia que fazia doce pá nós quando a gente era menor, lembra? Ele tava no maior papo com esse gambé que tava atrás de nós. Pareciam muito amiguinhos, e tudo.

METRALHA: O Alex?… Então quer dizer que o Alex é um traidor? Piolho, busca ele aqui… Quero colocar aquele traidor cara a cara e saber qual é a dele.

PIOLHO: Ih, patrão… Ele saiu todo na beca… Acho que não deve ter voltado ainda não.

METRALHA: Então deixa… Amanhã eu esmago aquele rato.

(Metralha dá um sorrisinho de lado e assopra o cano do seu fuzil)

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(Afrodite corre e abraça Alex; Ruez não se agrada)

AFRODITE: Mamãe, papai… Esse é o Alex, o meu futuro namorado!

(Afrodite o apresenta, pegando a sua mão e entrelaçando seus dedos nos dele)

MARIETA: (esnobe) Então… Esse é o tal príncipe encantado, minha filha?

(Marieta pergunta, analisando Alex de cima a baixo)

ALEX: Boa noite!

(Alex os cumprimenta, meio sem jeito; Ruez e Marieta não demonstram nenhuma simpatia)

AFRODITE: Pode se sentar Alex, venha!

(Feliz, Afrodite puxa Alex pelo braço até o sofá; Alex senta-se, desconfortável e Afrodite senta-se ao seu lado, ainda de mãos dada com ele; Emburrado, Ruez senta-se em sua poltrona e Marieta fica atrás dele, fazendo-lhe massagem nos ombros)

RUEZ: Então rapaz, me fale um pouco sobre você.

ALEX: Falar sobre mim?

(Alex fica nervoso, solta a mão de Afrodite e começa a esfregá-la na outra, misturando todo seu suor de nervoso)

ALEX: (nervoso) É…

(Alex olha para seus sogros e nada consegue falar; Adamastor está olhando tudo de longe, em um dos corredores da mansão)

ADAMASTOR
Vai, Alex… Fala tudo o que ensaiamos…

(Adamastor torce em voz baixa; Maria dos Prazeres aparece)

MARIA DOS PRAZERES: O que é que você está fazendo, hein, Adamastor? O seu lugar é lá fora, no carro. Por acaso, o seu Ruez sabe que você invadiu a casa? Sabe? Eu vou lá falar com ele agora mesmo.

(Maria dos Prazeres ia em direção à sala e se assusta ao ver Alex)

MARIA DOS PRAZERES: Ei, aquele ali é o Alex, o meu sobrinho… Mas o que ele está fazendo aqui?

ADAMASTOR: Ele veio pedir a Afrodite em namoro.

MARIA DOS PRAZERES: Ah, mas não pode ser… O doutor Ruez nunca que deixaria a dondoquinha da Afrodite namorar um moleque de favela. Não ia mesmo!

ADAMASTOR: Ele se passará por rico.

MARIA DOS PRAZERES: Ah, espertinho, mas eu não vou deixar. Entre ele e o Fábio, eu prefiro o meu filho… Claro, por que eu não pensei nisso antes? Passar o Fábio como rico e assim empurrá-lo pra cima da Afrodite… É uma ótima ideia! E enquanto ao Alex, acabarei com esse teatrinho agora mesmo.

(Maria dos Prazeres já ia com toda a vontade, mas Adamastor a segura forte pelo braço)

ADAMASTOR: Você não vai a lugar nenhuma, Maria dos Prazeres.

MARIA DOS PRAZERES: Me solte, seu velho, quem você pensa que é pra falar assim comigo?

ADAMASTOR: Se você abrir o bico, eu conto pra sua irmã tudo o que sei.

MARIA DOS PRAZERES: Eu hein, tá ficando caduco, já, seu velho? Contar o quê? E de que irmã você está falando?

ADAMASTOR: Da Maria das Graças… Eu conto pra ela que vi você e o Bené se beijando na praia.

(Maria dos Prazeres muda e seu semblante fica pesado)

MARIA DOS PRAZERES: Não fale isso nem de brincadeira, está me ouvindo? E você não pôde ter visto nada, a praia estava praticamente deserta naquele dia, não tinha ninguém.

ADAMASTOR: Ah, mas eu vi… Maria dos Prazeres, se você estragar o plano do Alex, eu conto tudo pra Graça. Então? Topas guardar segredo?

MARIA DOS PRAZERES: Fazer o quê, né? Não tenho outra saída.

(Vem que não tem escolha, Maria dos Prazeres concorda; Adamastor sorri)

MARIA DOS PRAZERES: Agora me solte, que você está me machucando.

(Adamastor larga o braço de Maria dos Prazeres, que o encara cruelmente e depois olha para Alex, com inveja)

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“Casa de Maria das Graças”…

(Tina está prestes a responder sobre Tânia e Maria das Graças não entende o porquê de tanto suspense)

MARIA DAS GRAÇAS: Fale de uma vez, Tina… Onde está a Tânia?

TINA: A Tânia…

TICO: A Tânia já está dormindo, mamãe… E disse que não iria jantar.

MARIA DAS GRAÇAS: Não vai jantar? Mas por quê? Ela adora frango com o meu molho… Isso é verdade, Tina?

(Tina demora a responder e Tico a olha, com um olhar amedrontado; Tina toma coragem e então responde, de cabeça baixa)

TINA: É sim, mãe… A Tânia está mesmo dormindo.

MARIA DAS GRAÇAS: Muito estranho ela já estar dormindo a essa hora… Sentam-se, crianças, eu vou colocar o prato de vocês.

(Tico e Tina sentam-se à mesa)

TINA: (pensamento) Ah, eu bem que poderia ter entregado a Tânia… Mas, agora ela vai ter que me dar a maquiagem e a meia-calça dela.

(Tina assim pensa, querendo tirar vantagem por acobertar a irmã)

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Tânia havia ido para cumprir a prova de amor e Quinho parece não acreditar…

TÂNIA: Não vai nem me convidar para entrar, Quinho?

QUINHO: Ah, claro… Entre!

(Quinho pega na mão de Tânia, que entra; Quinho fecha a porta; Tânia olha a casa toda e senta-se na cama; Quinho e Tânia se entreolham, sem saberem o que fazer)

QUINHO: E aí?

TÂNIA: Já estou aqui, Quinho.

(Maroto, Quinho sorri; Tânia também sorri, olhando no fundo dos olhos dele; De repente a toalha de Quinho cai e ele, envergonhado, logo a pega e a enrola em seu corpo; Tânia ri, com a mão na boca)

QUINHO: (envergonhado) Desculpa, não era…

(Tânia se levanta e inesperadamente, beija Quinho; O beijo é verdadeiramente apaixonado e Quinho pega Tânia no colo, deitando-a na cama e lentamente, vai abrindo e tirando o vestido dela, deixando-a somente de sutiã e calcinha; Quinho beija todo o corpo de Tânia, em seguida tira as suas peças mais íntimas e por fim, eles se amam)

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Ruez, Marieta, Afrodite e Alex estão sentados à enorme mesa de jantar, que se encontra na luxuosa copa da mansão.

(Marieta pega um sininho que está sobre a mesa, e o toca; Ninguém entende nada)

RUEZ: Marieta, o que é isso?

MARIETA: Você vai ver, querido.

(Marieta sorri e toca novamente o sino; Todos continuam sem entender nada; Impaciente, Marieta toca o sino com mais força)

MARIETA: Ai, que empregados mais incompetentes… MARIA!

(Maria dos Prazeres aparece correndo, com a bandeja na mão; Alex fica surpreso ao ver sua tia)

MARIA DOS PRAZERES: Sim senhora!

MARIETA: Está surda, Maria dos Prazeres? Eu estou tocando o sino a uma eternidade.

MARIA DOS PRAZERES: Desculpa, dona Marieta, é que eu tinha me esquecido que esse era o alerta… Aqui já está a comida.

(Maria dos Prazeres põe a bandeja sobre a mesa)

MARIETA: Da próxima vez, você seja mais alerta, lesma!

(Maria dos Prazeres fica com raiva por dentro; Alex sente dó da tia)

ALEX: Tia, eu não sabia que a senhora trabalhava aqui.

(Todos estranham a forma como Alex tratou Maria dos Prazeres e Adamastor, de longe, lamenta se o plano for por água abaixo)

RUEZ: Tia? Como assim?… Ela é sua tia?

(Alex fica nervoso; Maria dos Prazeres pensa um pouco e logo pensa numa desculpa para dar)

MARIA DOS PRAZERES: Não, doutor Ruez… Na verdade, eu… Eu fui babá do Alex, quando ele era criança e… E até hoje, ele me chama de tia, né Alex? 

(Nervoso, Alex sorri e concorda com a cabeça; Adamastor sorri, com a virada espetacular que Maria dos Prazeres deu)

MARIETA: Hum… Muito comovente essa história, mas… Vamos ao jantar!

(Marieta fica animada e instrui Maria dos Prazeres a tirar a tampa da bandeja, que assim faz)

MARIETA: Bem… Como prato principal, teremos lagosta.

(Afrodite lambe os beiços e sorri)

MARIETA: Alex, né?

ALEX: Sim, sim… Na verdade, meu nome é Alexandre, mas todos me chamam de Alex desde que eu nasci.

MARIETA: Nominho de pobre esse o seu, hein… Pavoroso!

AFRODITE: Mamãe!

MARIETA: Desculpa, mas é verdade, né? Enfim… Alex, você gosta de lagosta?

ALEX: Lagosta? É… Acho que sim.

(Alex ri de nervoso, pois mal sabia segurar um garfo, imagine comer lagosta)

ALEX: Mas antes de comer, eu gostaria de ir direto ao assunto…

(Alex levanta)

ALEX: Seu Ruez e dona Marieta, os senhores me permitem a mão da Afrodite em namoro?

“Marieta desvia o olhar, preferindo não responder, Ruez emburra a cara e faz suspense, enquanto Afrodite sorri, encantada com aquele momento único para ela… Alex vê Afrodite tão contente e então olha em seus olhos brilhantes, enquanto os seus estão aflitos, mas como está mais do que apaixonado, foi até fim e se manteve firme, agora basta aguardar a resposta do sogrão, que não demonstra nenhum tipo de satisfação. Alex já tinha feito o pedido, ele e Afrodite morrem de ansiedade… Já Ruez… Ah, esse não está nenhum pouquinho feliz, não aparentemente”…

ALEX: Então, seu Ruez… O senhor me concede a mão da sua filha em namoro?

(Ruez nada responde)

AFRODITE: Ai, papai, responda de uma vez… Já estou ficando nervosa de tanta ansiedade.

RUEZ: Bem… Eu…

(Alex e Afrodite se olham, ansiosos)

RUEZ: Depois trataremos sobre isso, vamos jantar antes, né?… E Alex, eu quero saber mais coisas sobre você, rapaz.

ALEX: (tenso) Ok, seu Ruez.

(Alex senta-se de imediato; Afrodite olha para Alex e percebe que ele está com algum problema)

MARIETA: Maria, já pode servir a lagosta.

MARIA DOS PRAZERES: Sim senhora!

(A mesa está preparada devidamente e Maria dos Prazeres serve a lagosta para todos; Alex olha assustado aquele crustáceo tão estranho, mas tão refinado)

RUEZ: Hum, lagosta é o meu prato favorito… E o seu, Alex? Qual é o seu prato predileto?

ALEX: O meu é bife com batata-frita.

(Espantada por ter ouvido aquilo, Marieta para até de beber)

MARIETA: (horrorizada) Bife com batata-frita?! Isso… Isso… Isso é comida de pobre!

RUEZ: Ah, Alex, vejo que és bastante espirituoso, rapaz…

(Ruez afirma rindo)

AFRODITE: Eu também adoro batata-frita, mas a mamãe nunca me deixa comer… Diz que engorda.

MARIETA: E não vai comer mesmo, Afrodite, você tem uma silhueta tão esguia… Tem tudo para ser uma linda modelo.

AFRODITE: Mamãe… Já disse mais de mil vezes que nunca serei modelo, ai que coisa!

MARIETA: Está bem, minha filha… Hoje você fala isso, mas um dia você ainda muda de ideia.

(Marieta dá uma piscadela para Afrodite, que desvia o olhar, chateada; Refinada do jeito que é, Marieta bebe o vinho que está em sua taça de cristal)

RUEZ: Deixem de conversinhas e vamos ao que interessa, né? Ao rango!… Vamos comer logo.

(Ruez, Marieta e Afrodite põe o guardanapo no colarinho de suas roupas e Alex olha um tanto surpreso)

RUEZ: Não vai colocar o guardanapo, Alex? Desse jeito irá se sujar quando for digerir a lagosta.

ALEX: Ah, é pra pôr? Pensei que só os bebês usavam babador.

(Rindo, Alex coloca o guardanapo; Desconformado, Adamastor nega com a cabeça)

RUEZ: (rindo) Babador?… Você é muito engraçado, Alex! Estou começando a gostar de você, rapaz… Tudo pela sua jovialidade.

ALEX: (contente) Verdade mesmo?

(Alex pergunta animado, depois olha para Afrodite, que também sorri)

MARIETA: (resmungando) Já eu estou odiando… Esse rapaz parece mais um pobretão, ai!

(Enojada, Marieta olha para Alex; Faminto, Alex olha para seu prato e já fica com “água na boca”)

ALEX: Hum… Pelo cheirinho essa lagosta está uma delícia.

(Alex sorri, tentando cortar a casca da lagosta com garfo e faca; Marieta observa espantada, depois olha para Ruez, que prende o riso; Afrodite arregala os olhos vendo aquilo)

ALEX: Ai, tá difícil de cortar… Essa casca!

(Alex serra a casca com tanta força, que a lagosta voa do seu prato e cai na cabeça de Maria dos Prazeres, que faz cara feia; Todos riem e Alex fica sem graça)
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“Algum tempo depois, na sala de estar”…

(Ruez e Marieta estão sentados no sofá, de braços dados; Alex e Afrodite estão de mãos dadas e em pé, um de frente para o outro; Alex solta as mãos de Afrodite e pega o embrulho que deixou no sofá)

ALEX: Trouxe um presentinho para você, Afrodite.

(Alex dá o embrulho para Afrodite, que o abre animada)

AFRODITE: Presente?… Mas não precisava, Alex…

(Afrodite joga o papel do embrulho no sofá e alisa a dura capa do livro)

AFRODITE: “Contos, poemas e poesias de um sentimento chamado amor”… Esse eu nunca li. Adorei, meu príncipe!

(Afrodite beija Alex e forçado, Ruez finge tirar pigarro da garganta; Prontamente, Afrodite se aparta do beijo e envergonhada, sorri com as bochechas coradas)

ALEX: Perdão, seu Ruez!

RUEZ: Que isso, Alex… Também já tive a sua idade, rapaz. Só que nunca se faz essas coisas na frente dos sogros, né?

(Alex sorri e de mãos dadas, senta-se no sofá com Afrodite)

RUEZ: Pelo que eu entendi Alex, você mora no Leblon, no condomínio “Jardim Atlanta”, fez curso de inglês na infância e sabe tocar um pouco de piano. Certo?

ALEX: (mentindo) Sim, é isso mesmo, seu Ruez.

RUEZ: Hum… Me parece que você é o partido ideal para a minha filha, Alex. O genro que eu sempre sonhei para a minha princesinha…  Tá aí, eu aprovo o namoro de vocês.

(Alex e Afrodite se olham contentes e sorriem)

AFRODITE: Verdade, papai? O senhor jura?

(Afrodite pergunta, emocionada)

RUEZ: Uhum!

(Ruez responde, concordando com a cabeça; Então, Alex e Afrodite se olham apaixonados e se beijam lentamente, um beijo com sabor de ‘amor vitorioso’; De longe, Adamastor comemora; Marieta não gosta, mas aplaude debochadamente; Ruez sorri, acostumando-se com a ideia de que finalmente a filha cresceu; Invejosa, Maria dos Prazeres se afasta de todos)

MARIA DOS PRAZERES: Mas isso não vai ficar assim… Não vai mesmo!

(Maria dos Prazeres jura em pensamento e olha emburrada, o beijo entre Alex e Afrodite)

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“Zona Sul do Rio de Janeiro”

(Na luxuosa casa dos pais de Frederick, ele e Bruna estão em seu quarto, fazendo trabalho escolar; Betem na porta e a empregada entra, submissa)

EMPREGADA: Frederick, o jantar já está na mesa… Seus pais estão esperando vocês pra comer.

(Com um pouco de fome, Bruna deixa o caderno de lado e se anima)

FREDERICK: A gente não vai jantar.

EMPREGADA E BRUNA: (surpresas) Não?!

FREDERICK: Não! Você não vê estamos concentrados nos estudos, sua empregadinha?

BRUNA: Não seja descortês, Frederick… Eu que estou fazendo a lição toda sozinha e você nem pra me oferecer um copo d’água.

EMPREGADA: Você quer uma água? Não, melhor… Vou trazer um refresco pra você.

BRUNA: Sim, eu que…

FREDERICK: Ela não quer nada, empregada… Agora saí, chispa daqui. Rala!

EMPREGADA: (resmungando) Que mal educado…

(Sem nem se despedir, a empregada sai e fecha a porta; Indignada, Bruna se levanta da cadeira)

BRUNA: Cruzes, Frederick… Nunca pensei que seria tratada dessa maneira. Eu vou-me embora, pois não me sinto bem vinda nessa casa.

(Bruna pega seus materiais e ia saindo, mas Frederick a segura pelo braço)

FREDERICK: Não sem antes eu desabafar…

BRUNA: Desabafar? Você desabafar?

FREDERICK: Sim… É que eu estou apaixonado e essa pessoa parece não querer nada comigo.

BRUNA: Declara-se à ela! Quem sabe ela não cai aos seus pés?

(Por alguns minutos, Bruna e Frederick se olham profundamente e ela sorri, espontaneamente)

FREDERICK: Mas tem um desgraçado no meu caminho… Ah, que ódio! Minha vontade é de esmagar aquele tal de Alex, como se pisa em um rato.

(Triste, Bruna se afasta de Frederick)

BRUNA: Ah, você está falando da Afrodite… Só podia ser mesmo. Frederick, agora eu tenho que ir, já está tarde. Amanhã a gente se encontra no ensaio. Se não for incômodo, você poderia me acompanhar até em casa.

FREDERICK: Por que não pega um táxi? Toma, isso deve ser o suficiente.

(Frederick tira umas notas do bolso e põe na mão de Bruna, que as olha, triste e sai)

FREDERICK: Eu preciso acabar com esse namoro da Afrodite… Eu vou conseguir! A Afrodite tem que ser minha. Minha!

(Tomado pelo ódio e pela raiva, Frederick arremessa um objeto contra a parede)

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Sob a lua cheia e o céu estrelado, Alex e Afrodite caminham lentamente, de braços dados, pelo jardim da mansão…

AFRODITE: Ai, Alex, você não sabe como eu estou feliz… Esse é o dia mais feliz da minha vida.

ALEX: Da minha também.

(Alex fala um pouco desanimado e Afrodite percebe)

AFRODITE: Não parece, Alex… Está triste?

ALEX: Não… Só estou com um pouquinho de vergonha.

AFRODITE: Vergonha? Vergonha de quê? Os meus pais te adoraram, Alex… Não tem porque ter vergonha.

ALEX: Ah… Eu me embolei todo na hora do jantar, a lagosta até voou do meu prato. Você deve estar me achando um ridículo, né?

(Afrodite ri)

AFRODITE: Claro que não, Alex… Mas que foi engraçado, foi. Você não sabia que lagosta pode se comer com as mãos? Pelo menos para quebrar a casca.

(Com os olhos tristes, Alex posiciona-se de frente para Afrodite)

ALEX: Afrodite, eu preciso…

(Afrodite põe a sua mão na boca de Alex, fazendo-o calar-se)

AFRODITE: Não fale nada, príncipe…

“Afrodite sorri e puxa Alex pelo braço, levando-o até um campo florido atrás da mansão”

AFRODITE: Sabe esse lugar? É aqui que eu venho todos os dias para ficar pensando em você.

(Com a consciência pesada, Alex sorri sem a mínima vontade)

ALEX: Afrodite, tem uma coisa que eu preciso…

AFRODITE: Shiuuu!

(Alex tenta contar toda a verdade, mas Afrodite o interrompe)

AFRODITE: Fale depois… Não vamos estragar um momento tão mágico e bonito como esse.

(Triste, Alex abaixa a cabeça; Lentamente, os olhos de Afrodite vão se fechando e ela beija Alex, que mesmo sentindo-se culpado, vai se deixando envolver pelo seu sentimento que é verdadeiro; Abrangidos por aquele beijo ardente, Alex e Afrodite caem no chão e vão rolando entre as flores; Possuído pelo desejo que abrasa o seu corpo, lentamente Alex vai abaixando a fina alça do vestido de Afrodite e de leve, alisa o seio dela; Delicada, Afrodite tira a mão de Alex e se aparta do beijo)

AFRODITE: Desculpa, Alex, mas eu ainda não me sinto preparada para dar tal passo.

(Arrependido, Alex se envergonha por essa sua atitude)

ALEX: Eu é que tenho que me desculpar, Afrodite… Não queria parecer abusado, somente apaixonado.

AFRODITE: Eu entendo, príncipe… Quando chegar a hora certa, será tudo muito lindo. Eu tenho certeza!

“Alex olha para Afrodite, que lhe retribui o olhar… Romanticamente, Alex e Afrodite se beijam de olhos fechados e em seguida, olham o céu estrelado… E como num sonho poético, Alex e Afrodite enxergam uma constelação formando um grande coração, que é partido por uma linda estrela cadente, que desaba atrás deles… Em seus corações, Alex e Afrodite desejam nunca mais se separarem”

(A imagem se congela num tom preto-e-branco)

Continua…

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