Fantasma Vivo – Capítulo 11

CENA 01: SERRA DE SÃO PAULO/CACHOEIRA DA PEDRA AZUL/EXT./DIA

LETREIRO: São Paulo, 2007

A imagem mostra uma linda paisagem serrana, em seguida o close em uma grande cachoeira bem íngreme, no seu topo algumas rochas úmidas propiciam uma vista perfeita dá natureza. Arthur e Vicente estão no topo das rocha e observam a paisagem com um grande sorriso.

VICENTE – E então maninho? O que achou da vista?

ARTHUR – É maravilhosa.

Arthur está maravilhado.

VICENTE – Eu tinha a sua idade quando vim aqui a primeira vez, que bom que o papai finalmente concordou em trazer a gente aqui.

ARTHUR – É meu lugar favorito a partir de agora.

VICENTE – Já?

ARTHUR – Claro. Com uma vista dessas não tem como não se apaixonar.

Vicente observa o irmão deslumbrado com a vista. Sua feição de garoto sorridente desperta também um sorriso em Vicente, mas ele sabia que seu sorriso não era pela vista, mas sim pelo sorriso de Arthur.

VICENTE – É, não tem como se apaixonar.

Arthur olha pra Vicente e percebe que ele o encara com um sorriso bobo.

ARTHUR – O que foi?

VICENTE – Nada, eu só gosto de te ver feliz.

Arthur abraça Vicente.

ARTHUR – Obrigado por convencer o papai a trazer a gente aqui.

VICENTE – É não foi nada fácil, se não fosse a mamãe… (Risos) Mas eu iria insistir até deixar. Você merece.

Nesse momento, eles percebem que o sol está se pondo, e a paisagem fica ainda mais bonita.

ARTHUR – Se Deus existe, essa é a maior prova.

Os dois sentam na rocha e observam fascinados o pôr do sol.

ARTHUR – Me promete uma coisa?

VICENTE – Claro.

ARTHUR – A gente vai voltar aqui algum dia.

VICENTE – Quanto a isso você pode ficar tranquilo. Assim que eu for de maior e tiver meu carro, vamos vir aqui todos os dias se necessário.

Arthur dá uma risadinha.

ARTHUR – É por isso que eu digo: Você é o melhor irmão do mundo.

Arthur dá outro abraço em Vicente.

ARTHUR – Agora é melhor a gente voltar. A mamãe e o papai podem estar nos procurando.

VICENTE – É, acho que é melhor mesmo.

Arthur começa a ir para a trilha que os levaria de volta para o resort, quando Vicente o chama.

VICENTE – Arthur? Espera!

Arthur olha de volta para o irmão com um sorriso.

ARTHUR – O que foi?

Vicente o observa e parece desistir do que ia falar.

VICENTE – Nada não.

ARTHUR – Então vamos logo.

Arthur começa a ir para a trilha e quando já está um pouco distante, Vicente cochicha para si mesmo.

VICENTE (cochichando)– Eu te amo.

Após isso, flashes de cenas rápidas mostram os irmãos brincando de sombras embaixo de uma barraca, Arthur adormecendo, Vicente o beijando e Carlos Alberto o flagrando, aos poucos a cena fica embaçada.

 

CENA 02: FACULDADE/ENTRADA/EXT./DIA

Vicente se aproxima de Yago lentamente.

YAGO – Vai encarar, ô engomadinho.

Vicente vem pra cima de Yago, mas Diana se coloca na frente.

DIANA – Vamos parar com isso. Aqui não é lugar para brigas.

Arthur olha para Vicente enquanto tenta se levantar do chão.

ARTHUR – Vicente, não precisa disso.

Vicente ajuda Arthur.

VICENTE – Você está bem?

ARTHUR – Vou ficar.

YAGO – Froxo.

Vicente se aproxima de Yago e o segura pela gola da camisa.

VICENTE – Da próxima vez que você encostar um dedo no meu irmão, eu acabo com a sua raça.

YAGO – Você viu que não fui eu quem começou, esse daí que chegou bancando a mulher maravilha.

ARTHUR – Você sabe o que você fez Yago, e isso não vai ficar assim.

Yago dá um sorriso cínico.

YAGO – Você bebeu porque quis.

Vicente segura Vicente pelo braço.

VICENTE – Vamos embora daqui.

Diana fica na frente de Arthur.

DIANA – Olha Arthur, eu…

ARTHUR – Você é uma falsa sabia. Eu acho que o Túlio tinha razão sobre você.

Arthur coloca o capuz da jaqueta e segue seu caminho com Vicente, deixando Diana falando sozinha.

As pessoas que estavam aglomeradas começam a se dispersar. Túlio que observava tudo observa Vicente e Arthur indo na direção do carro.

TÚLIO – Então esse é o Vicente.

 

CENA 03: EVENTOS TOLEDO/RECEPÇÃO/INT./DIA

Suelen chega atrasada na empresa e Lídia que estava atarefada a olha séria.

LÍDIA – Onde você estava garota? Sabe que horas são?

SUELEN – Desculpa eu tive um probleminha em casa.

LÍDIA – Você tem que ter responsabilidade, estou cheia de telefonemas.

SUELEN – Tá bom eu já cheguei. Não precisa esse estresse todo.

Lídia respira fundo

LÍDIA – Tá bom desculpa, é que por um momento eu pensei que você já tinha desistido do emprego também.

Suelen se senta ao lado de Lídia.

SUELEN – Espera aí, como assim, também?

LÍDIA – Se eu for contar quantas estagiárias entram nesse emprego e saem sem dar explicação nenhuma, eu ficaria aqui o dia todo.

Suelen para o que está fazendo e desconfia

SUELEN – Como é que é?

LÍDIA – Isso mesmo, as estagiárias aqui não duram mais de dois meses. Na realidade a única que durou bastante foi a Diana, saudades daquela garota olha. Mas aí ela atingiu certa idade e foi dispensada. Eu não sei por que mas o seu Carlos Alberto só contrata garotas da sua idade.

Suelen lembra do momento em que saiu de casa.

FLASH!

[FLASHBACK: SUBÚRBIO DE S. PAULO/CASA DE SOLANGE/ENTRADA/EXT./DIA]

SUELEN – E quem é você?

DIANA – Eu me chamo Diana e eu vi com quem você chegou ontem.

[…]

DIANA – Aquele homem, nem sei se posso chamar ele de homem. Está mais pra um monstro.

SUELEN – Mas do que você está falando?

DIANA – Carlos Alberto Toledo. Eu já fui estagiária dele e você tem que tomar cuidado com esse homem.

FLASH!

SUELEN – Você não acha isso estranho?

LÍDIA – Um pouco, mas quem sou eu para contrariar o chefe, não é mesmo?

 

CENA 04: CASA DE C. ALBERTO/SALA DE ESTAR/INT./DIA

Elizabeth está sozinha na sala tentando se distrair com uma revista quando recebe a ligação de Vicente.

ELIZABETH – Até que enfim, e então conseguiu alcançar ele?

VICENTE – Sim, mamãe. Mas não se preocupe ele está bem. Parece que ele só queria tomar um ar.

ELIZABETH – E precisava dar um susto desses na gente?

VICENTE – Eu vou conversar com ele, não se preocupe. Ah, propósito tive que deixar seu carro na faculdade.

ELIZABETH – Não tem problema. (t) Tem certeza que está tudo bem?

VICENTE – Sim mamãe, fique tranquila.

ELIZABETH – Tudo bem, aguardo notícias.

Ela desliga o celular e respira aliviada quando a campainha toca.

ELIZABETH – Quem pode ser?

A mulher abre a porta e dá de cara com Anthony.

ANTHONY – Oi vizinha.

ELIZABETH – Anthony?

O jovem lhe mostra um chaveiro.

ANTHONY – Acabei de pegar as chaves do meu apartamento

ELIZABETH – Sério?

ANTHONY – O que está a fazer agora?

ELIZABETH – Bem, eu estava…

ANTHONY – Quer ir conhecer?

Elizabeth se assusta.

ELIZABETH – Conhecer? O seu apartamento?

ANTHONY – Isso mesmo. Estou louco pra mostra para alguém.

ELIZABETH – Eu acho melhor…

ANTHONY – Qual é, não me faria uma desfeita dessas, não é?

Elizabeth dá um sorriso sem graça.

 

CENA 05: AVENIDA/CARRO DE VICENTE/INT./DIA

Vicente está concentrado na direção enquanto Arthur está calado no banco do carona.

VICENTE – Tem certeza que você está bem? Podemos ir para o hospital se quiser.

ARTHUR – Estou sim, não é a primeira vez que levo uma surra dessas.

Vicente se surpreende com a resposta do irmão.

VICENTE – Acho que precisamos ter uma conversa, não acha?

ARTHUR – Sem sermão por favor.

VICENTE – Eu não vou te dar sermão nenhum. Só quero entender o que está acontecendo com você.

ARTHUR – Eu não estou usando drogas se é isso que você quer saber. Aquele garoto armou pra mim.

VICENTE – E por que ele faria isso?

ARTHUR – Por que ele me odeia, essa é a razão. Ninguém gosta de mim porque eu sou um fracassado.

VICENTE – Não fala isso, Arthur.

ARTHUR – Mas essa é a verdade. Você é uma prova disso!

Vicente estaciona o carro em um restaurante.

VICENTE – Está certo, você precisa me contar exatamente o que está acontecendo com você.

Arthur encara Vicente.

 

CENA 06: EVENTOS TOLEDO/RECEPÇÃO/INT./DIA

Suelen tenta se concentrar em seus afazeres, mas a declaração de Lídia acabou deixando ela bem desconfiada e ela não tira os olhos da porta do escritório de C. Alberto.

LÍDIA – Tá tudo bem garota? Parece distante

SUELEN – Está sim, é impressão sua

Nesse momento Carlos Alberto abre a porta e olha diretamente para Suelen que tenta desviar o olhar.

C. ALBERTO​ – Bom dia, senhorita Suelen.

Suelen responde envergonhada.

SUELEN – Bom dia chefe.

C. ALBERTO – Linda como sempre.

SUELEN – Obrigada.

C. ALBERTO – Será que você pode me acompanhar até a minha sala?

Suelen encara o chefe e se prepara para responder quando é interrompida por Solange.

SOLANGE – Ah, mas ela não vai mesmo.

Suelen se assusta ao ver a mãe.

SUELEN – Mamãe?

Ao ouvir Suelen, Carlos Alberto se assusta.

C. ALBERTO – Mamãe? Como assim? Mamãe?

SOLANGE – Isso mesmo Carlos Alberto, a Suelen é minha filha.

Carlos Alberto encara Solange sordidamente.

 

CENA 07: FACULDADE/LABORATÓRIO /INT./DIA

Diana está furiosa, ela quebra vários instrumentos do laboratório.

YAGO – Você sabe que se te pegarem você vai ter que pagar, não é?

DIANA – Quantas vezes eu te falei para não ficar perto de mim em local de grande movimento. Era óbvio que o Arthur podia aparecer.

YAGO – Nossa! Pra quê esse estresse todo?

DIANA – Por que não é o seu plano que está indo por água abaixo por causa de uma estupidez sua.

YAGO – Isso joga na cara. Mas eu já te ajudei muito, viu.

DIANA – Mas de uns tempos pra cá só tem me decepcionado. A começar pela parada das drogas. Pelo visto o Arthur estava muito bem.

YAGO – Mas eu me encarreguei do serviço. Não tenho culpa se o seu plano não saiu como planejado.

DIANA (gritando) – Já chega. Eu tenho que pensar em outra coisa pra prejudicar o Arthur e manchar a imagem daquele monstro. Mas o quê?

Nesse momento Tulio aparece aplaudindo a garota.

TÚLIO – Muito bem, garota. Eu sabia que vocês estavam armando alguma coisa

DIANA – E você sempre se intrometendo.

TÚLIO – Qual é a de vocês. Por que estão querendo prejudicar o Arthur?

DIANA – Isso não​ é da sua conta.

TÚLIO – Eu vou descobrir o que está acontecendo e o Arthur vai ficar sabendo disso. Por mais que ele não queira ser meu amigo, isso não impede de eu alerta-lo contra vocês.

Túlio sai e Diana dá um grito de raiva.

DIANA – Mas essa agora.

YAGO – Não se preocupa que desse aí eu me encarrego.

DIANA – Bom eu vou tentar dar um jeito de fazer as pazes com o Arthur, mas nem tudo está perdido para todos os efeitos eu ainda tenho a senhora Toledo na manga. (Risadas)

CENA 08: APARTAMENTO DE ANTHONY/INT./DIA

Anthony abre a porta de seu apartamento e Elizabeth entra timidamente.

ANTHONY – E então? Gostou?

ELIZABETH – É lindo.

ANTHONY – Claro ainda falta da um toque português nele, mas com o tempo.

ELIZABETH – Posso te fazer uma pergunta?

ANTHONY – Claro.

ELIZABETH – Por que você me chamou primeiro? Por que não sua irmã?

ANTHONY – Riely estava ocupada com o apartamento dela e do Vicente. E também eu ainda não tenho amigos aqui.

ELIZABETH – Mas por que eu?

ANTHONY – Bom, desde que a vi, eu me interessei por você.

ELIZABETH – Se interessou? Por mim?

ANTHONY – Eu não sei como explicar, mas é uma atração muito forte. E tenho quase certeza que sentes o mesmo.

Anthony se aproxima de Elizabeth.

ELIZABETH – Anthony, eu sou casada.

ANTHONY – Eu sinto que não amas teu marido e eu posso dar-te o amor que ele não dá.

Anthony puxa Elizabeth para perto de si e a beija. A mulher apesar de relutante acaba cedendo. O beijo começa a ficar cada vez mais quente, e ele passa a beijar o pescoço dela.

ELIZABETH – O que estamos fazendo?

ANTHONY – Só nos entregando a um vontade que ambos querem.

Ele abaixa a alça do vestido da mulher que o olha com receio, mas dá um sorriso.

ANTHONY – Vem comigo!

Ele a puxa na direção do quarto.

 

CENA 09: FACULDADE/ESTACIONAMENTO/EXT./DIA

Diana caminha aceleradamente e Yago a segue.

YAGO – Posso passar na sua casa mais tarde?

DIANA – Pode, mas faz o favor de se afastar de mim. Já trouxe muito problema por hoje.

Nesse momento um carro branco para perto deles de surpresa e alguém no banco do carona abre o vidro.

LAURO – E aí maninho? Adivinha quem veio te pegar hoje?

YAGO – Lauro?

Lauro sorri para Yago, mas a feição dele muda rapidamente quando ele vê Diana ao seu lado.

LAURO – Diana?

Diana encara Lauro seriamente quando lembranças de seu passado vem a tona.

 

FLASH!

CENA 10: [FLASHBACK: HOSPITAL PSIQUIÁTRICO/CARRO/INT./NOITE]

Lauro estaciona o carro na entrada do hospital.

LAURO – Você esta pronta?

Diana respira fundo.

DIANA – Estou sim.

LAURO – Olha eu vou estar do seu lado durante todo o tratamento, não vou te deixar nenhum segundo. E quando você se recuperar nós vamos nos casar e vamos pra bem longe daqui.

DIANA – Eu não vejo a hora disso acontecer. E já que essa é a única solução, eu aceito.

LAURO – Eu vou tirar sua bagagem do porta-malas.

Lauro sai e Diana que estava sorrindo muda de fisionomia rapidamente. Ela retira o cinto de seguranças e observa as chaves na ignição.

DIANA – Nem morta eu entro nesse lugar.

Enquanto Lauro retira as malas de Diana, ela liga o carro novamente. Lauro se assusta quando ouve o barulho do carro e ao perceber que Diana está dando a ré se apavorar.

LAURO – Querida, o que você está fazendo?

Diana acelera e mesmo Lauro tentando correr é atingido por trás. Diana passa por cima dele novamente e acelera na direção da rua saindo rapidamente do local.

Lauro fica estirado no chão com os olhos fechados.

FLASH!

 

CENA 11: RESTAURANTE/INT./DIA

Vicente e Arthur estão em uma mesa almoçando.

VICENTE – Então você não vão me contar nada mesmo?

Arthur respira fundo.

ARTHUR – Bom, só o que eu posso te dizer é que aquele garoto não gosta de mim.

VICENTE – Mas por quê? Você deve ter feito alguma coisa grave pra ele tentar te drogar.

ARTHUR – Eu não fiz nada. Ele não gosta de mim por que eu sou assim.

VICENTE – Assim? Assim como?

ARTHUR – Estranho, solitário… (t) e também porque…

VICENTE – Por que?

Arthur volta a respirar fundo.

ARTHUR – Eu acho que eu sou gay Vicente.

Vicente arregala os olhos e toma um susto.

ARTHUR – Pode me julgar por isso, mas antes que você diga alguma coisa .. eu não tive culpa de nascer assim.

Vicente toca nas mãos de Arthur que se assusta.

VICENTE – Calma, eu não disse nada… Eu não tenho problema nenhum com isso.

ARTHUR – Eu achei que…

VICENTE – Achou errado.

ARTHUR – A verdade é que eu fui muito apaixonado pelo Yago, mas essa paixão foi sumindo aos poucos, conforme ele me fazia mal. Hoje eu olho pra ele e não sinto nada, só desprezo.

VICENTE – E é exatamente isso que você deve sentir. Pessoas como ele não merecem nosso respeito.

ARTHUR – Obrigado por me ajudar. Eu senti muito sua falta.

Vicente segura as mãos de Arthur.

VICENTE – Agora eu estou aqui, e não vou deixar que nada te aconteça.

Vicente sorri para Arthur de forma carinhosa e pela primeira vez Arthur sente algo diferente pelo irmão e com susto ele solta rapidamente sua mão.

VICENTE – Tá tudo bem?

Arthur sorri timidamente.

ARTHUR – Tá, tá sim.

Vicente vê o panfleto de um filme de comédia.

VICENTE – Olha eu estava afim de ver esse filme. Topa?

ARTHUR – Eu? Faz tanto tempo que eu não vou ao cinema.

VICENTE – Qual é? Não estava reclamando que estava solitário?

ARTHUR – Mas e o seu trabalho? Acho que você já está bem atrasado.

VICENTE – Ah, depois eu me resolvo com o chefe. Vamos?

ARTHUR – Vamos.

Vicente pede a conta e ao longe alguém os observa seriamente. Riely está parada no carro.

RIELY – Você me paga Vicente.

 

CENA 12: EVENTOS TOLEDO/RECEPÇÃO/INT./DIA

Solange encara Carlos Alberto.

C. ALBERTO – A gente pode conversar a sós?

Ele entra lentamente em seu escritório e Solange o segue. Suelen também se aproxima, mas Solange o impede

SOLANGE – Você fica.

Solange entra no escritório e fecha a porta.

C. ALBERTO – Você pode me explicar que história é essa?

SOLANGE – Eu fiquei tão surpresa quanto você quando me mostrou a foto da garota naquela noite.

C. ALBERTO – Bom, é certo que eu estou surpreso, mas acredito que esse fato um tanto curioso facilite as coisas.

SOLANGE – O que você quer dizer com isso?

C. ALBERTO – Você como mãe pode muito bem obrigar a garota a aceitar a minha proposta.

SOLANGE – Você só pode estar louco. Eu faço isso com qualquer garota menos com a minha filha.

C. ALBERTO – Não seria a primeira vez que isso acontece.

Solange senta na cadeira com lágrimas escorrendo.

SOLANGE – Ela não pode ter o mesmo destino da Simone.

C. ALBERTO – Olha, o que aconteceu com a sua filha Simone foi uma fatalidade, mas não vá me julgar por conta disso. Eu assumi as consequências. E não seria burro de deixar acontecer novamente.

Solange se levanta furiosa.

SOLANGE – Não! A Suelen não vai ser uma de suas garotas.

C. ALBERTO – Por acaso você está me desafiando?

SOLANGE – Entenda como quiser.

C. ALBERTO – Você sabe que eu não preciso de você pra conseguir o que eu quero, não é mesmo?

SOLANGE – Se você tentar alguma coisa com ela, eu abro o jogo pra polícia, eu tenho o arquivo de todas as suas vítimas, se eu ou a polícia procurar cada uma das garotas que você chantageou para manter seu segredo sujo, você está perdido.

C. ALBERTO – Se você fazer isso, estará colocando a si mesma no buraco.

SOLANGE – Se for para proteger minha filha, eu não me importo.

C. ALBERTO – Você não sabe com quem está se metendo.

SOLANGE – Se eu fazer isso é porque eu sei muito bem com quem estou me metendo.

Solange pega sua bolsa e sai da sala deixando Carlos Alberto furioso.

Ao ver a mãe sair Suelen corre atrás dela.

 

CENA 13: APARTAMENTO DE ANTHONY/QUARTO/INT./DIA

Anthony e Elizabeth terminam o ato sexual ofegantes.

ELIZABETH – Nossa! O que foi isso?

ANTHONY – Foi bom pra ti?

ELIZABETH – Foi mais do que bom. A quanto tempo não sentia essa sensação?

ANTHONY – Pra mim também foi perfeito. Superou minhas expectativas, hein. Mal posso esperar pela próxima.

Elizabeth para por um minuto, e se dá conta do que acaba de acontecer.

ELIZABETH – Não! Isso não pode mais acontecer.

ANTHONY – Qual é? Você acabou de dizer que gostou.

ELIZABETH – Gostei sim, foi perfeito, mas Anthony entenda eu sou uma mulher casada, tenho família. E você é irmão da noiva do meu filho.

ANTHONY – E daí? Tu não estás feliz nessa família. Ninguém precisa saber.

ELIZABETH – Eu não sei Anthony, talvez seja adrenalina demais pra mim. Eu sinto muito.

Elizabeth começa a recolher suas roupas e se vestir.

ANTHONY – Por favor não faz assim. Eu gosto de ti.

ELIZABETH – Anthony, desculpa.

Ela termina de se vestir e sai apressada. Anthony sorri e pega um cigarro.

 

CENA 14: EVENTOS TOLEDO/ENTRADA/INT./DIA

Suelen corre atrás da mãe e a segura.

SUELEN – O que você está fazendo aqui, mãe?

SOLANGE – Tentando te salvar desse monstro.

SUELEN – Você não vai desistir dessa história?

SOLANGE – Não, enquanto não te ver longe desse lugar.

Suelen começa a lagrimar.

SUELEN – Me prova.

Solange se assusta.

SOLANGE – O quê?

SUELEN – Me prova que esse homem é esse monstro todo e eu acredito em você.

SOLANGE – Se você disser que está contra mim e que aceita a proposta dele. Que eu te contei tudo. Ele vai revelar quem realmente é.

Solange abraça a filha.

SUELEN – E se ele não for isso?

SOLANGE – Aí você pode me internar porque eu sou louca.

Suelen olha para Solange que não se controla e começa a chorar, ela disfarça e sai deixando Suelen apreensiva.

 

CENA 15: SALA DE CINEMA/INT./DIA

Vicente e Arthur estão assistindo ao filme de comédia e Arthur dá uma risada ao ver uma cena.

VICENTE – Era isso que eu queria ver.

ARTHUR – O quê?

VICENTE – Um sorriso de verdade seu.

ARTHUR – Realmente, acho que era disso que eu precisava. Uma boa risada ao lado de alguém que eu gosto.

Vicente fica feliz ao ouvir o que o irmão falou.

VICENTE – Eu também estava com saudades do cinema nacional. Pode ser irônico já que os brasileiros fazem piadas com portugueses, mas eles não sabem fazer ninguém ri com os filmes de comédia deles, somente a Riely entendia quando íamos assistir juntos.

A fisionomia de Arthur muda rapidamente ao ouvir o irmão falando de Riely.

ARTHUR – Pois então, pra quem vivia dizendo que não ia se casar, né?!

VICENTE – É, as coisas mudaram um pouquinho.

ARTHUR – Sei. Mas… Você a ama?

Vicente se surpreende com a pergunta de Arthur.

VICENTE – Acho que sim.

Um clima um pouco constrangedor silencia a conversa e os dois voltam sua atenção ao filme. Os dois dividiam o mesmo balde de pipoca e sem querer acabam encostando suas mãos, os dois com o susto se afastam, mas lentamente aos mãos vão se reaproximando e acabam se tocando. Arthur decide quebrar o gelo.

ARTHUR – Pra onde vamos depois daqui?

VICENTE – Não sei, você pode escolher já que eu escolhi o cinema. Algum lugar em mente?

ARTHUR – Pode parecer loucura, mas tem um lugar que eu quero ir com você.

 

CENA 16: APARTAMENTO DE ANTHONY/SALA/INT./DIA

Anthony assiste TV, quando Riely entra furiosa.

ANTHONY – Nossa! Aconteceu alguma coisa?

RIELY – Tudo o que não podia acontecer. Aconteceu! O Vicente e o Arthur estavam no maior clima romântico, me dá uma ânsia só de vê-los juntos.

ANTHONY – Não sei por que? Pra todos os efeitos nós dois também somos “irmãos” e vivemos nos pegando. (Risos)

Riely força uma risada.

RIELY – Engraçadinho.

O celular de Riely começa a tocar.

ANTHONY – Teu telemóvel está a tocar.

Riely pega o celular e vê que é uma ligação de Vicente.

RIELY – É ele, fica calado.

Ela atende.

RIELY – Oi amor.

VICENTE – Oi querida. Só avisando que vou demorar um pouco hoje, talvez só voltei de madrugada.

RIELY – Madrugada? Por quê?

VICENTE – Ah, surgiu uma emergência aqui no hospital e eu vou precisar ficar um pouco mais.

RIELY – Mas, achei que iríamos para o apartamento novo hoje. Eu já fui ver e está lindo.

VICENTE – Sinto muito. Mas  você já pode levar nossas coisas do hotel direto para o apartamento, quando chegar eu já posso ir direto pra lá. O que achas?

RIELY – É, pode ser.

VICENTE – OK, então até mais. Beijos e te amo.

RIELY – Beijos.

Riely desliga o celular com raiva.

RIELY – Ele esta mentindo pra mim, ele teve a audácia de mentir pra mim.

ANTHONY – Então estão quites, tu também mentes pra ele.

Riely joga o celular na direção de Anthony que cai no sofá.

RIELY – Tu sabes que é diferente.

ANTHONY – Impressão minha ou tu estás com ciúme?

RIELY – Estás louco? Ciúmes eu?

ANTHONY – Então relaxa, tu tens uma carta na manga, esqueceu? Podes usar quando quiser.

RIELY – Eu sei disso, mas ainda não é a hora. Primeiro eu preciso arrumar um jeito de separar esses dois, porque se eu disser que eu sei. Vai ser muito fácil, o Vicente me deixar e se declarar para o Arthur de uma vez.

ANTHONY – Tens razão, eu não tinha pensado nisso.

RIELY – Claro né, sou eu que sempre penso em tudo. Agora, me mostre sua nova morada.

ANTHONY – Ah, estava esperando você falar isso. Mas que tal tu conhecereis primeiro a minha nova cama?

RIELY – Vamos inaugura-la?

Anthony para por um segundo.

ANTHONY – Claro!

Anthony se aproxima de Riely e a agarra lhe dando um beijo quente.

 

CENA 17: ESTRADA/EXT./DIA

TRILHA SONORA: Dangerously – Charlie Puth

A imagem mostra o carro de Vicente seguindo pela estrada. Depois a cena muda em direção ao céu mostrando o sol se movimentando e entardecendo.

 

CENA 18: SERRA DE SÃO PAULO/CACHOEIRA DA PEDRA AZUL/EXT./DIA

Arthur e Vicente chegam a mesma rocha da cachoeira de anos atrás. Arthur se deslumbra com o lugar.

ARTHUR – Nossa que saudades que eu estava desse lugar.

VICENTE – Eu também.

ARTHUR – É impressionante como não mudou quase nada.

VICENTE – Verdade. E olha que já se vão 10 anos.

ARTHUR – Sabe que eu nunca imaginei eu vindo aqui sem você.

VICENTE – Sério? Por quê?

ARTHUR – Acho que ficou como um lugar marcado entre eu e você.

VICENTE – Acho a mesma coisa.

Arthur sorri para Vicente, e num flash ele lembra do sorriso que ele lhe deu a 10 anos, continuava o mesmo.

ARTHUR – Olha Vicente. Isso te lembra alguma coisa?

Arthur aponta para o pôr do sol no horizonte, a paisagem vai ficando laranja e deixa aquele lugar ainda mais bonito. Vicente sorri.

VICENTE – Foi a última vez que eu vim aqui.

ARTHUR – A minha foi a primeira e única … Bem, até agora.

VICENTE – Sério?

ARTHUR – Dois dias depois que a gente saiu daqui há 10 anos atrás você estava indo para o outro lado do oceano. Lembra?

Novamente as lembranças de Vicente voltam a atormentá-lo e flashes daquela noite voltam a sua lembrança: a barraca, a brincadeira de sombras, a declaração e o fatídico beijo aos olhos de Carlos Alberto. As lágrimas o consomem novamente.

VICENTE – Por favor, não me faça lembrar disso.

ARTHUR – Você não​ vai me contar mesmo o que aconteceu?

Vicente senta-se na rocha úmida e põe as mãos na cabeça.

VICENTE – Eu não​ sei se devo.

Arthur senta-se ao seu lado.

ARTHUR – Só estamos​ eu e você aqui. Essa é a hora de contar, Vicente. O que de tão grave te afastou por 10 anos de mim?

Vicente respira fundo e encara Arthur com lágrimas no olhar.

VICENTE – Eu fiz uma coisa… Uma coisa que jamais poderia ter feito… E o papai… ele… (t).. ele me viu fazendo isso e… Me mandou ir embora.

Arthur o encara sem entender o que se passa na cabeça do irmão.

ARTHUR – E o que você fez?

Vicente encara o irmão por um tempo, sem saber se o que estava prestes a fazer era o certo, mas se ao contar o que de tão grave tinha feito e o irmão não lhe perdoasse ou o rejeitasse ele iria ter feito o que ele desejava fazer novamente já há muito tempo. Num ato de impulso Vicente toca no rosto do irmão e lentamente se aproxima, encostando pela segunda vez seus lábios nos lábios de Arthur. Os dois se beijam ao mesmo tempo em que o sol se põe.

A imagem fica em efeito preto e branco e é amassada.

 

CONTINUA …

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10 thoughts on “Fantasma Vivo – Capítulo 11

  1. NÃO TÔ ACREDITANDO NISSO! Não tô crendo que o Arthur corresponde sim ao Vicente! Não tô crendo que Vithur é real!

    O capítulo 11 foi a redenção do Vicente. Ele, que havia demonstrado ser um frouxo a trama inteira, mostrou do que verdadeiramente é capaz de fazer pelo Arthur. Ele nos mostrou porque o Arthur o considerava um herói quando criança. Antes tarde do que nunca, né, Vicente? Ele foi excelente no capítulo inteiro, seus esforços para reconquistar o Arthur não só deram certo como também me conquistaram.

    Arthur corresponde ao Vicente. Não vou mentir, estranhei a receptividade do Arthur, mas ele me provou que corresponde sim a ele. O clima romântico pairou no ar na sala de cinema, e ele deixou o Vicente beijá-lo. Só vai fazer sentido ele se esquivar depois apenas se ele rejeitar a ideia de incesto.

    Mesmo assim, continuo acreditando que o verdadeiro amor do Arthur seja o Yago. Eu ainda acredito que Yarthur é real. O próprio Arthur admitiu que ama o Yago, e ele também já admitiu que ama o Arthur. A única coisa que os impede de ficar juntos é o estupro. Mas mesmo assim.

    Elizabeth tá numa verdadeira sinuca de bico. Ou ele resiste ao Anthony e continua sofrendo ao lado do Carlos Alberto, ou ela desiste do Carlos Alberto e corre pros braços do Anthony para depois ser abandonada por ele. Não importa a escolha, ela vai sofrer. Já que ela não pode escolher pelo fim do seu sofrimento, então que ela escolha pelo sofrimento mais suportável. O que é melhor: continuar vivendo ao lado de um homem que não a ama, ou ser enganada e abandonada por um homem que dizia amá-la?

    O capítulo não foi só do Vicente não, foi da Suelen também. Ela tá começando a perceber a furada onde tá entrando. A Suelen tá voltando a se mostrar uma garota esperta. Gostei muito da maneira como ela tá tratando a situação: ela quer saber de tudo antes de tomar qualquer decisão. Só resta saber se ela vai conseguir se livrar das garras do Carlos Alberto. Em breve, a Diana entra nessa luta contra o organizador de eventos.

    Coitada da Elizabeth, é a única inocente nessa história toda, mas é a que mais tem a perder se o Carlos Alberto cair. Será que vai ser ela quem vai cometer suicídio no final? Ou ela vai ser realmente fiel ao Carlos Alberto e vai esperar ele sair da cadeia? Seria bonitinho, não nego. Mesmo ele destratando ela por todos esses anos, ela ainda fica do lado dele e vai ajudá-lo a reconstruir sua vida depois de perder tudo. Seria um bom pretexto para ensaiar a redenção dele, a redenção pelo amor (talvez pela redescoberta do amor, porque eu tô começando a achar que o Caros Alberto ama sim a Elizabeth).

    Carlos Alberto e Yago tão começando a esfriar. Cuidado. Quanto ao Carlos Alberto, eu não me preocupo muito, mas eu tenho medo do Yago ser ofuscado pelos outros personagens. Não, não é porque eu acredito em Yarthur, mas sim porque eu gostei do personagem, vi potencial nele, mas ele tá começando a ser ofuscado pela Diana e pela Suelen. Agora Túlio é caso perdido, foi completamente ofuscado pela Diana e pelo Vicente (se bem que ele realmente foi um substituto do Vicente na vida do Arthur, é de se esperar que ele fosse deixado de lado com a volta do Vicente); já sei que ele vai morrer pelo Arthur no sequestro dele.

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