Um Amor e Duas Realidades – Capítulo 12

“A hora chegou, agora é pra valer… Alex é efetivamente dono do morro e com o lustroso fuzil em mãos, inocente, ainda não sabe o que fazer”…

MARIA DAS DORES
Larga isso, menino!… Se os polícias te pega, você vai preso.

(Preocupada, Maria das Dores se aproxima de Alex, que estagnado, continua a olhar para o fuzil)

MARIA DAS DORES
Alex, meu filho… Por que esse bandido te deu essa arma antes de morrer? Não vai me dizer que…

(Alex suspira, tomando coragem para falar e em seguida, olha para Maria das Dores, que transparece preocupação)

ALEX
Eu vou ser o dono do morro, mãe… Agora o morro é meu. Eu sou o dono disso tudo aqui.

(Como uma faca pontiaguda, aquelas palavras estraçalham o coração de uma sofrida mãe que nunca sonhara em ouvir tal coisa de um filho)

MARIA DAS DORES (decepcionada)
Ah não… Não pode ser, meu filho…

(Maria das Dores deixa uma lágrima rolar e com a mão no coração, desmaia, caindo no chão ao lado do cadáver de Metralha)

ALEX (preocupado)
Mãããeee!

(Alex deixa o fuzil de lado e acode Maria das Dores; Todos se amontoam em volta e observam a tudo, perplexos; Luís e Solange aparecem correndo e tentam acordar Maria das Dores, que não responde aos seus comandos; Com medo de perder a mãe, Alex chora lágrimas de arrependimento)

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“Pouco depois”…

(Após desovarem o cadáver de Metralha em um terreno baldio qualquer no morro, Alex, Piolho e os demais Moleques chegam ao esconderijo)

PIOLHO
E agora, Alex? Você é o novo patrão… Qual é que vai ser?

(Alex suspira, como se não fizesse a mínima ideia do que fazer; Os Moleques olham para Alex, aguardando alguma resposta)

ALEX
Bom… Agora que o Metralha se foi, cada um está livre para seguir as suas vidas.

PIOLHO
Hã?

(Os Moleques se entreolham, sem entender nada)

PIOLHO
Que papo é esse, Alex?

ALEX
O trafico não existe mais, não ficaremos mais na ativa. Quem quiser sair, pode ficar à vontade para trilhar um novo caminho… Caminho do bem, de forma íntegra e correta.

(Esperançoso, Alex sorri; Ninguém entende nada)

PIOLHO
Mas Alex… Tá doido, cara? A gente vive disso aqui, nóis num tem trabalho, num tem nada… Como vamos sobreviver?

(Todos os Moleques concordam com o que Piolho acaba de dizer e aguardam uma posição de Alex sobre o assunto)

ALEX
Sobreviver do que produzirem com o próprio suor de vocês. A partir de hoje, a “boca” será fechada. Quem quiser seguir seu rumo, está livre… Quem quiser ficar, terá que ser diferente.

PIOLHO
Diferente?! Diferente como?

(Alex faz cara de pensativo e sorri)

ALEX
Tive uma ideia…

(Alex continua sorridente, olhando para o nada; Os Moleques se entreolham, confusos)

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“Morro da Paz – Quadra Esportiva”

(Alex convoca uma pequena reunião com a população e enquanto fala, todos prestam atenção)

ALEX
Ninguém sabe, mas antes do Metralha morrer, ele me pediu para que tomasse conta do morro quando ele viesse a falecer. Mas como controlar alguma coisa que não está ao meu alcance? Eu não sou bandido… Quem me conhece sabe muito bem da minha índole, mas mesmo assim, ele me pediu para assumir o poder. Bom, meu objetivo aqui não é ser quadrilheiro, não é roubar, nem matar… Muito menos amedrontar pessoas honestas e trabalhadoras como vocês. Meu objetivo maior é fazer do “Morro da Paz” um bom lugar para se viver. Um lugar onde as pessoas tenham orgulho de morar… Um lugar amistoso e cordial. Portanto, vos digo, meus amigos, que a partir de hoje… O tráfico acabou!

(Sorridente, assim Alex termina seu discurso; Os Moleques ficam tristes pelo fim do tráfico, em controvérsia, a população comemora com aplausos e assovios; Orgulhosa do filho, Maria das Graças abraça-o fortemente, seguida de Carlos, Luís e Solange, formando um lindo abraço coletivo)

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COM O PASSAR DO TEMPO…

O tempo passou e algumas coisas mudaram. Alex, realmente, fez do “Morro da Paz” um bom lugar para se viver. Com o apoio dos Moleques, ele usa o dinheiro roubado e estimado por Metralha antigamente e ajuda as pessoas mais necessitadas da comunidade…

SENHORA
Deus lhe pague, Alex… Porque eu sou dura.

(Brincalhona, a senhora agradece, após receber uma recheada cesta básica de Alex, que solidário, sorri com a felicidade dela; Em seguida, Alex volta fazer as doações e se alegra ao ver o sorriso daquelas pobres pessoas)

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No exterior, Afrodite e Frederick desfilam pelas mais famosas passarelas do mundo da moda. Eles brilham por entre flashes, aplausos e repercussão. Em tão pouco tempo de carreia, já estampam inúmeras capas de revistas…

(Na mansão, sentados no sofá, Ruez e Marieta se alegram ao ver as fotos da filha no “LaMour – Glamour”, a revista mais cara e vendida do mundo)

RUEZ
“Afrodite Smith e Frederick Campanello, as mais novas estrelas da moda já ganharam o mundo. Sucesso, carisma e muito glamour fazem dos dois jovens brasileiros, os modelos em maior ascensão do momento”.

(Extremamente orgulhoso, Ruez lê o título da manchete e se vislumbra com as fotografias da filha que estampam as folhas da revista; Animada, Marieta comemora batendo palmas; Contente com a notícia, Cidinha se aproxima feliz)

CIDINHA
Que ótima notícia! A Afrodite realmente merece toda a felicida…

MARIETA
Cidinha, alguém por acaso pediu a sua opinião? Pediu?

CIDINHA
Perdoe-me, eu não queria incomodar…

MARIETA (rude)
Ah, faça-me favores, Cidinha… Deixe de ser mexeriqueira! Já que a incompetente da Maria não trabalha mais aqui, traga-me um chá agora.

CIDINHA
Sim senhora!

(Submissa, Cidinha caminha em direção à cozinha; De imediato, Marieta e Ruez voltam a folhear a revista, encantados com a fama repentina que Afrodite tem alcançado)

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Mesmo proibida, Tânia continua a se encontrar com Quinho. O namoro entre os dois está cada vez mais quente… Picante em grande dose de paixão ardente e inconsequente…

TÂNIA
Eu sou sua, Quinho… Toda sua! Hoje e sempre…

(Tânia sorri, olhando no fundo dos olhos de Quinho; Na cama, Quinho e Tânia se beijam ardentemente, fazendo amor logo em seguida por entre o fino lençol branco que contrasta suas sombras que se misturam nesse ato tão carnal e tão prazeroso)

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(Maria das Graças é chamada na escola para conversar sobre a situação de seus filhos e se espanta com a quantidade de reclamações da diretora, que fala analisando uns papéis)

DIRETORA
Senhora, a situação dos seus filhos está muito crítica. Começando pelo Tico. Não sei o que está acontecendo com ele, sinceramente. Antes era um aluno exemplar, mas de uns tempos para cá, suas notas despencaram e seu rendimento escolar está piorando consideravelmente.

MARIA DAS GRAÇAS (exaltada)
Culpado disso tudo é o crápula do meu ex-marido que me traiu com a vadia da minha irmã… Aquela cachorra safada! Ai, que ódio!

(A diretora fica boquiaberta e Maria das Graças se recompõe)

MARIA DAS GRAÇAS
Desculpa meu desabafo, diretora… Mas quando o Bené, o pai das crianças, saiu de casa… A nossa vida ficou uma desgraça.

(Os olhos de Maria das Graças enchem-se de lágrimas e ela controla-se para não chorar; Comovida com o estado de Maria das Graças, a diretora dá continuidade ao assunto)

DIRETORA
Agora vamos falar da Tina. Nada a reclamar sobre as suas notas, pois são excelentes, mas suas atitudes temperamentais espantam os professores. Ela é bagunceira, faladeira e muito respondona. Desculpe-me falar assim… Mas ela é o terror dos professores, só falta tacar fogo na sala de aula.

MARIA DAS GRAÇAS
Ah, ela teve a quem puxar… Saiu igualzinha a mim!

(Divertindo-se, Maria das Graças afirma às gargalhadas)

DIRETORA
Agora o caso mais preocupante de todos. Dona Maria, a Tânia está doente ou está com algum problema mais grave de saúde?

MARIA DAS GRAÇAS
Não… Por quê?

(Maria das Graças pergunta, parando de rir aos poucos)

DIRETORA
Porque ela não comparece às aulas faz mais de três meses… Desse jeito ela ficará retida na série que está.

MARIA DAS GRAÇAS
O quê?!

(Surpresa, Maria das Graças se choca com a informação recebida)

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“Horas Depois – Casa de Maria das Graças”…

(Tânia, Tina e Tico chegam em casa e logo se dirigem para a cozinha pra tomar café da tarde; Cansada, Tânia vai direto para seu quarto e se surpreende ao ver Maria das Graças, que séria, se levanta da cama com um cinto na mão)

TÂNIA
Ai, que susto, mãe… Não sabia que a senhora estava aqui.

MARIA DAS GRAÇAS
Estava te esperando, para termos uma conversinha.

TÂNIA
Conversinha? Ai, mãe, pode ser depois do meu banho?… É que eu estou tão cansada…

(Tânia fala, largando seus livros sobre a cama e em seguida, tirando seus sapatos e as meias)

MARIA DAS GRAÇAS
Cansada? Estudou demais, foi?

TÂNIA
A senhora não sabe o quanto! Hoje tive uma lista de exercícios de física e química para fazer, que…

MARIA DAS GRAÇAS
Mentirosa! Dissimulada!… Falsa!

TÂNIA
Que isso, mãe? Não estou entendendo o motivo de tantos xingamentos. Por que a senhora está falando desse jeito comigo?

MARIA DAS GRAÇAS
Ah… Ainda pergunta? Não se faça de sonsa, Tânia! Eu fui chamada na escola hoje… E sabe por quê? Por que a minha filha tão estudiosa não comparece às aulas faz mais de três meses.

(De olhos arregalados com a descoberta, Tânia leva um baque)

TÂNIA
Não, mãe… Isso é mentira!

MARIA DAS GRAÇAS
Mentirosa é você, menina. Como tem coragem de tentar quer me engana, mesmo depois de tudo o que a diretora me disse? Fala… Aonde você vai todos os dias?

TÂNIA
Não vou falar… Senão a senhora me bate.

MARIA DAS GRAÇAS
Ah, não se iluda com isso, Tânia… Eu vou te bater de qualquer maneira. Fala logo, antes que seja pior.

TÂNIA (gritando)
Já disse que não falo!

MARIA DAS GRAÇAS
Fala baixo comigo!

(Exaltada, Maria das Graças dá um tapa na cara de Tânia, que a olha com os olhos lacrimejantes)

TÂNIA
Não acredito que a senhora fez isso…

MARIA DAS GRAÇAS
Fala logo! Antes que seja pior… Estou te avisando, menina.

(Tânia põe a mão no rosto aonde levou o tapa e vendo que não tem mais saída, ela decide contar toda a verdade)

TÂNIA
A senhora quer mesmo saber? Eu estava com o Quinho… Eu me encontro com ele todas as tardes. Está satisfeita?

MARIA DAS GRAÇAS
Com o Quinho? Você ainda teima em se encontrar com aquele marginal mesmo depois que eu proibi?

TÂNIA
Sim! E não me arrependo nem um pouco. Eu amo o Quinho e vou fazer de tudo pra ficar com ele e não vai ser a senhora, nem ninguém que vai me impedir.

MARIA DAS GRAÇAS
Você é uma ingrata, que não sabe ouvir o conselho de uma mãe. Que futuro você terá ao lado de um maconheiro que nem trabalha? Que futuro ele poderia te dar, sua irresponsável?

TÂNIA
Um futuro melhor do que o da senhora que se casou com o papai sem amor nenhum. Pensa que eu não sei que foi a titia Das Dores que te obrigou a casar com o meu pai só porque ele trabalhava? Até parece que você o amava de verdade… E se chorou a separação, foi tudo dor de cotovelo.

(Maria das Graças se enfurece e dá um forte tapa na cara de Tânia, fazendo-a cair no chão; Maria das Graças pega o cinto e vai se aproximando de Tânia, que se afasta com medo)

TÂNIA
Não mãe, o cinto não… Por favor!

MARIA DAS GRAÇAS
Agora você vai aprender, sua ingrata… Vai aprender a ser uma boa filha, coisa que você nunca foi.

(Maria das Graças se aproxima cada vez mais, fazendo com que o medo de Tânia aumente e seu coração dispare na mesma proporção)

TÂNIA
Não, por favor… Eu te peço, mãe! Não me bata, por favor!

(Maria das Graças não dá ouvidos às suplicas de Tânia e a agride violentamente com o cinto; A cada estalar de cintada, Tânia grita mais alto de dor e mais a raiva de Maria das Graças aumenta; Do lado de fora do quarto, Tico e Tina se aproximam da porta e ouvem a gritaria, espantados; Do lado de dentro, Maria das Graças continua a bater em Tânia, que chora muito e grita por socorro)

TÂNIA
Para, mãe… Tá doendo muito!

MARIA DAS GRAÇAS
Tá doendo? Pensasse nisso antes de fazer papel de vagabunda.

(Quanto mais Tânia chora, mais Maria das Graças bate mais forte; Ao apanhar, Tânia começa a sentir uma forte dor na barriga e se contorce, para tentar amenizá-la, mas de nada adiante e assustada, ela repara que está perdendo sangue)

TÂNIA
Ai, mãe… Para, por favor! A minha barriga… A minha barriga está doendo muito e eu estou perdendo sangue.

MARIA DAS GRAÇAS
Perdendo sangue?

(Preocupada com o estado da filha, Maria das Graças cai em si e para de agredi-la; Tânia continua a grita de dor)

TÂNIA
Ai, tá doendo muito… Muito! Ai… Acho… Acho que vou morrer.

(Tânia se contorce e rola no chão de tanta dor; Maria das Graças fica sem ação ao ver tanto sangue saindo de sua filha, quando seu instinto de mãe fala mais alto e ela tem uma solução)

MARIA DAS GRAÇAS
Venha, vou levá-la ao hospital.

(Abalada, Maria das Graças ajuda Tânia a se levantar e sai do quarto, carregando-a; Assustados, Tina e Tico se aproximam das duas)

TINA
Mamãe, o que houve? Por que a Tânia tá sangrando?

MARIA DAS GRAÇAS
Vão pra casa da vizinha… Eu vou levar a sua irmã ao hospital.

TÂNIA
Ai… Tá doendo muito!

(Tânia grita de dor e prontamente, Maria das Graças caminha com ela ao hospital; Tina e Tico se abraçam, nervosos e preocupados com a irmã)

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“No hospital”…

(Tânia está deitada no leito e Maria das Graças está sentada no sofá, preocupada; Tânia encara a mãe friamente e Maria das Graças sente-se culpada por ter agredido a filha daquela maneira tão cruel)

MARIA DAS GRAÇAS
Filha, me descul…

(Antes que Maria das Graças conclua sua frase, Tânia a despreza, olhando para o outro lado, Maria das Graças, que ia se aproximando da filha, volta a sentar-se no sofá e a olha com os olhos banhados em lágrimas; O medico entra no quarto)

MARIA DAS GRAÇAS
E então, doutor… Por que a minha filha estava sangrando tanto daquela maneira?

(Maria das Graças pergunta, levantando-se e aproximando-se do médico)

TÂNIA
É, doutor… O que eu tenho?

(Ansiosas, Tânia e Maria das Graças aguardam a resposta do médico, que com uma pequena pausa, causa um leve suspense)

MÉDICO
Bom… Fizemos um exame de sangue e está tudo bem com você.

MARIA DAS GRAÇAS
Graças a Deus!

MÉDICO
Mas na ultrassonografia acusou que você está… Grávida.

(Tanto Maria das Graças como Tânia se surpreende grandemente com a notícia)

TÂNIA
Grávida? Mas…

MÉDICO
Grávida sim. E por milagre não aconteceu nada com o seu bebê. Daqui por diante, preze mais pela vida do seu filho, ouviu mocinha?

TÂNIA
Mas…

(Completamente surpresa, Tânia olha para Maria das Graças, que a encara enfurecida; Os olhos de Tânia enchem-se de lágrimas, pois ela nem desconfiava dessa possibilidade; Tânia põe a mão em sua barriga e se emociona, alisando-a)

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“Delegacia – Sala de Visitas”…

(Bené e Fábio estão sentados à mesa, esperando por Maria dos Prazeres, que chega trazida pela carcereira; Fábio se levanta e corre até os braços da mãe, dando-lhe um forte abraço)

FÁBIO
Que saudades, mãe…

MARIA DOS PRAZERES
Também estava, meu filho… Com muitas saudades!

(Maria dos Prazeres abraça Fábio mais forte e uma lágrima cai de seus olhos; Bené se levanta da mesa e se comove com a bonita cena; Maria dos Prazeres se afasta lentamente de Fábio e se encanta ao ver Bené)

MARIA DOS PRAZERES
Bené… Pensei que você nunca mais viria me ver aqui nesse lugar… Asqueroso.

BENÉ
E você acha que eu iria te abandonar assim?

(Maria dos Prazeres e Bené sorriem, olhando um nos olhos do outro e se abraçam fortemente, beijando logo em seguida; Sorridente, Fábio os observa; Depois de muitos abraços e de matarem a saudade, os três conversam sentados à mesa)

FÁBIO
Está sabendo, mãe? O Alex agora é dono do morro e acabou com tráfico.

MARIA DOS PRAZERES
Dono do morro?! Como assim? Que história é essa?

FÁBIO
É! O Metralha morreu, mas antes pediu para que ele assumisse o poder da boca.

MARIA DOS PRAZERES
Desgraçado!… Esse Alex sempre tendo tudo de melhor. Fábio, meu filho, esse morro tem que ser seu.

(Fábio e Bené se entreolham, confusos)

FÁBIO
Como assim, mãe? Do que a senhora tá falando?

MARIA DOS PRAZERES
Meu filho, esse morro vai ser seu, tem que ser… É questão de honra! Como o chefão de tudo, você vai ter muito dinheiro, vai ser rico. Eu vou te explicar o que você deve fazer pra derrubar o Alex e conquistar tudo. Faça o seguinte…

(Maria dos Prazeres explica o plano maquiavélico e Fábio presta muita atenção; Indignado, Bené ouve tudo e se assusta com a frieza de Maria dos Prazeres)

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(Com o passar de pouco tempo, Fábio, como parte do plano, passa a integrar o grupo dos Moleques e a ser braço direito de Alex)

ALEX
Primo, se alguma coisa acontecer comigo, você assume o morro.

FÁBIO
Que isso, Alex? Por que você está falando isso?

ALEX
Não sei, mas sei lá… Vai que alguma coisa de ruim aconteça. Eu quero que algum amigo meu assuma isso daqui e dê continuidade na missão de transformar o morro num bom lugar pra se viver. Promete? Promete se acontecer alguma coisa, você vai continuar a deixar o morro em paz como está?

FÁBIO
Claro que sim, primo… Pode confiar em mim. Sou seu amigo, não sou?

ALEX
É sim, primo! Amigo maior, eu não poderia encontrar nesse mundão de Deus.

(Alex abraça Fábio, que sorri, falsamente e dá dois leves tapinhas em suas costas)

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(Depois de ligar para a polícia, anonimamente, e entregar Alex, Fábio bate o telefone público, de um velho “orelhão”)

FÁBIO
Alex, otário… Esse morro será meu!

(Fábio sorri, maliciosamente)

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(Em casa, deitado no sofá, Bené não consegue parar de pensar nas palavras de Maria dos Prazeres)

BENÉ
Não… Eu não posso deixar que façam isso com o Alex. Ele é meu afilhado… Eu tenho que impedir.

(Bené se levanta, calça seu chinelo e sai)

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(Alex e os Moleques estão realizando mais uma obra solidária; Alex nota o sumiço de Fábio e comenta com Piolho)

ALEX
Piolho, você sabe do Fábio? Ele não está aqui…

PIOLHO
Não! Mó tempo que eu não vejo ele… Onde será que ele tá?

(Alex estranha esse sumiço, mas volta a entregar as cestas básicas; Depois de um tempo, Fábio aparece)

FÁBIO
Desculpa a demora, comparsas… Tava resolvendo uma parada ali.

ALEX
Ah…

(Dissimulado, Fábio se ajunta aos outros e se envolve na boa ação; De repente, várias viaturas adentram o morro, despejando uma rajada de tiros; As pessoas correm assustadas, procurando algum lugar para se esconderem; Alex e os Moleques ficam apreensivos e não sabem o que fazer; Fábio corre e se esconde em um beco velho, com medo de ser baleado; Mesmo com medo, Alex entra na frente de uma viatura e decide enfrentar os policiais)

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“Cidade do Cabo – África do Sul”

Afrodite, Frederick e a companhia de modelos, onde eles atuam, estão fazendo uma turnê de sucesso pela Cidade do Cabo, uma das cidades mais bonitas do mundo, localizada na África do Sul.

(Afrodite está em seu camarim particular e ao passar pó-de-arroz, deixa uma lágrima rolar pelo seu rosto tristonho; Ela lembra-se de todos seus momentos antes da fama e sente saudades daquela época; Entretanto, a saudade maior é a que sente por Alex; Mesmo depois da fama conquistada, ela não deixou de amá-lo e isso ainda dói muito em seu coração; Frederick bate na porta e entra em seguida)

FREDERICK
Vamos, Afrodite… Já está na hora.

(Frederick percebe que Afrodite está triste e vai se aproximando dela, olhando-a pelo espelho)

FREDERICK
O que houve? Está triste?

AFRODITE
Não, não… Vamos logo, vamos! Já devíamos estar na passarela.

(Afrodite fala, levantando e ajeitando-se; Olhando nos olhos de Afrodite, Frederick sorri, animado)

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A iluminação do local está baixa e refletores coloridos abrilhantam a passarela. Os modelos desfilam glamourosamente, enquanto críticos e pessoas importantes os apreciam. Após um modelo norte-americano, Frederick desfila e arranca aplausos de todos. Depois de todos os modelos desfilarem, eis que chega a vez de Afrodite fechar o desfile com chave-de-ouro…

(Todos os modelos terminam de desfilar e param em fileira na lateral da passarela; Afrodite pensa em tudo o que poderia ter sido de sua vida se ela não estivesse ali e, com isso, não consegue desfilar; Todos estranham a demora de Afrodite, que pensa em desistir, mas segue em frente; Ela desfila desconfortavelmente e Frederick a olha, estranhando seu modo)

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De volta ao morro…

(Na frente da viatura, Alex é baleado na perna esquerda e cai no chão, gritando de dor)

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(No mesmo instante, no outro lado do mundo, Afrodite sente uma dor na perna esquerda também, desequilibra-se do seu altíssimo salto agulha e tomba na passarela; Todos a olham, espantados e cochichando uns com os outros; Os repórteres e paparazzis a fotografam nesse momento vergonhoso; Envergonhada, Afrodite fica prostrada no chão, encarando a cara de reprovação e desprezo de todos)

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(Uns policiais saem do carro e seguram Alex, machucando-o; Policial Cardoso sai da viatura, com uma algema nas mãos e sorri, ao ver Alex)

POLICIAL CARDOSO
Ah, então o entregadozinho de drogas agora é o dono do pedaço? Perdeu, otário! Você está preso!

“Policial Cardoso pega os braços de Alex e o algema; Maria das Dores chega gritando pelo filho, mas de nada adianta, pois os policiais o jogam no porta-malas da viatura; Bené chega correndo ao local e vê que já não adianta mais… Maria dos Prazeres e Fábio saíram vitoriosos. Ele, o traidor, sai do beco onde estava escondido e vencedor, sorri a derrocada do primo. Nervosa, Maria das Dores corre atrás da viatura, mas ao cansar, cai no chão, chorando muito e seus filhos, Luís e Solange, a abraçam ternamente, passando-lhe força; Sendo levado para a prisão, Alex chora, ao ver que tudo que sonhou ser um dia, estava sendo enterrado por um rubro futuro que o espera”

(A imagem se congela num tom preto-e-branco)

Continua…

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