Fantasma Vivo – Capítulo 14

CENA 01: CASA DE C. ALBERTO/QUARTO DE ARTHUR/INT./NOITE

LETREIRO: “São Paulo, 2010”

Vicente está sentado em sua cama, Carlos Alberto e Elizabeth estão na sua frente.

C. ALBERTO – Você tem noção do que poderia ter acontecido?

ELIZABETH – Calma querido, ele deve ter uma explicação.

C. ALBERTO – Que explicação, poderia ter? Ele tentou fugir, você tem noção disso?

ELIZABETH – Mas ele só tem 12 anos não iria a lugar nenhum sem um acompanhante.

C. ALBERTO – Ah é? Eu encontrei isso na mochila dele. Uma autorização de viagem sem acompanhante, e o pior, assinada por você.

Carlos Alberto entrega o documento para Elizabeth.

ELIZABETH – Mas eu não assinei isso.

C. ALBERTO – Isso só prova que temos um falsificador de assinaturas aqui. Mas ele é tão esperto que esqueceu que o aeroporto​ não vende passagens para menores e me ligaram para confirmar a compra.

Elizabeth se aproxima do filho que está debulhado em lágrimas.

ELIZABETH – Por que você fez isso filho? Pra onde você queria ir?

ARTHUR – Eu tinha que encontrar com ele.

C. ALBERTO – O quê? Você estava querendo ir encontrar o Vicente? Em Lisboa?

Carlos Alberto dá uma risada.

ELIZABETH – Querido, você não pode fazer uma coisa dessas sozinho.

ARTHUR – Mas eu não aguento mais. Eu preciso ver ele de novo.

C. ALBERTO – Mas isso não vai acontecer. Então trate de continuar muito bem firme aqui onde você está mesmo. E não me faça passar vergonha de ir até o conselho tutelar buscar você de novo.

ELIZABETH – Não seja tão duro com ele, Carlos. Ele é só uma criança.

C. ALBERTO – Isso defende ele, aposto que ele faz isso porque você fica botando ideias na cabeça dele.

ELIZABETH – Mas eu…

C. ALBERTO – Calada. Aqui quem fala sou eu.

Carlos Alberto encara Arthur e Elizabeth por um instante e sai sem dizer mais nada. Elizabeth enxuga as lágrimas do filho.

ELIZABETH – Um dia ele vai voltar meu filho. Eu prometo.

ARTHUR – Se eu falasse com ele, pelo menos por telefone talvez eu…

ELIZABETH – Eu sinto muito querido, mas foi uma decisão do Vicente que fosse assim.

ARTHUR – Mas por quê?

ELIZABETH – Um dia talvez você entenda.

Arthur chorando encara a mãe.

 

CENA 02: CASA DE C. ALBERTO/QUARTO DE ARTHUR/INT./NOITE

Após Elizabeth sair e deixá-lo sozinho, Arthur continua chorando, o garoto caminha até o guarda-roupa e se esconde, ele fica abaixado com as mãos na cabeça.

ARTHUR (off) – Estava cada vez mais difícil viver sem o Vicente, apesar de eu ter o Túlio que se esforçava para me ver sorrindo eu não conseguia ser feliz da mesma forma que eu era com o Vicente. Eu estava começando a ficar doente de verdade, eu não tinha o apoio dá minha mãe que apesar de tentar me ajudar quase nunca me entendia e ainda tinha o meu pai que me odiava com todas as suas forças e eu sentia isso nele. Sem o Vicente por perto eu já sentia que não tinha mais sentido ser feliz naquela casa que tinha tantas recordações. Bem foi naquele dia que eu fiz pela primeira vez algo que me ajudou a pelo menos amenizar essa tristeza toda.

Arthur começa a arranhar seus braços com força, ele bate a cabeça com força na parte de trás do guarda roupa. Os arranhões começam a criar feridas, Arthur observa a ferida com um certo alívio e sorri. Ele sai do guarda roupa e caminha até o banheiro e se olha no espelho, ele abre uma gaveta na pia e encontra um barbeador. Sem dificuldade ele tira as giletes do instrumento e a encara.

ARTHUR – Será que eu devo fazer isso?

Um pouco relutante, Arthur aproxima a gilete de seu braço e começa a fazer pequenos cortes. Com certo alívio, Arthur dá um sorriso misturado com lágrimas.

 

CENA 03: APARTAMENTO DS VICENTE/SALA/INT./DIA

Riely sorri para Arthur.

RIELY – O Vicente saiu mais cedo hoje, eu posso ajudar?

ARTHUR – Não. Obrigado, eu posso ir ao hospital falar com ele.

Arthur se vira quando Riely o chama.

RIELY – Espera! Foi bom tu teres aparecido, eu queria mesmo falar contigo.

ARTHUR – Eu estou com um pouco de pressa.

RIELY – Ah, vai entra aí não vou lhe tomar mais que dois minutos.

Arthur suspira.

ARTHUR – Está bem.

Arthur entra e observa a sala de estar do apartamento.

ARTHUR – Nossa! O apartamento de vocês ficou lindo.

RIELY – Ah, obrigada. Foi tudo do meu gosto.

Arthur se senta e Riely senta ao seu lado.

RIELY – Bom, Vicente comentou que vocês estavam juntos ontem.

ARTHUR – Ele comentou?

RIELY – Sim, eu confesso que achei estranho.

ARTHUR – Estranho?

RIELY – Sim, bem o Vicente sempre evitou falar a seu respeito e quando falava não eram coisas tão agradáveis.

Arthur estranha.

ARTHUR – Como é que é? E o que ele falava?

RIELY – Não sei se você merece ouvir.

ARTHUR – Se é sobre mim eu tenho que saber.

RIELY – Ah, basicamente o quanto era desagradável te defender de tudo e de todos, você era muito mimado então acabou ficando dependente dele.

ARTHUR – Mas isso não é verdade, eu…

RIELY – Foi por isso que eu estranhei vocês juntos. Mas, o Vicente sempre diz que tem muita pena de você então pode ser que tenha sido isso.

ARTHUR – Pena? Então é isso? Ele tem pena de mim?

RIELY – Olha não o leve a mal, irmãos mais velhos são assim mesmo. O Anthony sempre se viu obrigado a cuidar de mim, com toda certeza o Vicente sente a mesma coisa.

Arthur não consegue acreditar no que ouve.

 

CENA 04: HOSPITAL S. LUCAS/CONSULTÓRIO DE VICENTE/INT./DIA

Vicente está pensativo sentado em sua mesa.

VICENTE (off) – Não sei se fiz certo em contar tudo o que eu sentia ao Arthur, eu achava que era necessário mas não sei se era a hora certa, logo agora que tudo parecia que ia ser como antes. Eu tenho medo do que ele possa pensar de mim, e se não quiser mais me ver? E se me odiar para sempre?

SECRETÁRIA – Com licença doutor, já temos um paciente.

VICENTE – Pode mandar entrar.

Vicente se recompõe.

VICENTE (off) – Deixa eu continuar a minha vida se não eu posso ficar louco.

 

CENA 05: SUBÚRBIO DE S. PAULO/CASA DE DIANA/INT./DIA

Diana recebe Suelen em sua e lhe dá um copo d’água.

DIANA – Então você é filha da Solange?

SUELEN – Você conhece ela?

DIANA – Sim, de outros carnavais.

SUELEN – Pois então eu estou despertada, não sei a quem recorrer, foi então que eu lembrei de você e do que me disse.

A garota está nervosa e trêmula.

DIANA – Calma garota, você tem que se acalmar pra poder eu te ajudar.

SUELEN – Você tinha razão, aquele canalha do Carlos Alberto tentou me fazer mal. Eu nem quero imaginar o que teria acontecido se eu não tivesse dado aquela garrafada na cabeça dele.

DIANA – Você fez isso?

SUELEN – Fiz. Era a única chance que eu tinha de escapar daquela sala da tortura dele.

DIANA – Aquela sala eu conheço bem.

Diana encara Suelen.

SUELEN – Eu devia ter te escutado, você tentou me alertar e a minha mãe também, e agora ela sumiu.

DIANA – Pode ter certeza que ele tem alguma coisa a ver com esse sumiço.

SUELEN – Esse é o meu maior medo.

DIANA – Não se preocupa porque se tem uma pessoa que quer a ruína desde desgraçado essa sou eu.

SUELEN – Então o que estamos esperando? Vamos denunciar ele.

DIANA – Não é assim, ele tem um esquema muito bem armado se formos lá sem provas, não iremos conseguir nada. Vai por mim, eu já tentei isso.

SUELEN – Mas o que vamos fazer, então?

DIANA – Eu tenho uma ideia. E a sua mãe pode nos ajudar.

Suelen encara Diana.

 

CENA 06: EVENTOS TOLEDO/SALA SECRETA/INT./DIA

Carlos Alberto furioso veste sua roupa.

C. ALBERTO – Aquela piranhazinha vai pagar caro pelo o que fez, ou eu não me chamo Carlos Alberto Toledo.

O homem sai empurrando tudo o que vê pela frente

 

CENA 07: CASA DE DR. AUGUSTO/SALA DE JANTAR/INT./DIA

Yago encara Lauro.

YAGO – Por que você acha que eu seria cúmplice daquela maluca?

LAURO – Justamente porque “aquela maluca” também é minha namorada e ela me contou que vocês estavam andando juntos.

YAGO – Como já disse ela é maluca.

LAURO – Pois eu não acho que ela esteja.

YAGO – Você prefere acreditar numa louca duas caras do que em mim que sou seu irmão?

LAURO – Tudo bem, eu não quero discutir com você. Mas acho melhor te alertar.

YAGO – Me alertar?

LAURO – Você tem que tomar muito cuidado com essa garota, não importa o que ela diga, ela só estará te usando.

YAGO – Mas eu já disse que eu não…

LAURO – Eu vou acreditar em você, mas você tem que saber de um coisa.

YAGO – O quê?

LAURO – Eu não contei pra vocês, mas eu sempre soube quem me atropelou.

YAGO – Como é que é? Você disse que tinha sido um louco que passou e não prestou socorro.

LAURO – Eu menti.

YAGO – Como assim mentiu? Se você sabe quem é o cara, a gente já podia ter colocado ele na cadeia há muito tempo e…

LAURO – Acontece que não é um cara. Quem me atropelou foi a Diana. Quer dizer essa louca que vive dentro dela.

Yago se surpreende ao ouvir o irmão.

YAGO – Como é que é?

LAURO – Eu não queria prestar queixa contra ela, então inventei aquela história pra polícia, mas agora é importante que você saiba o quão perigosa pode ser essa garota. Então tome cuidado e se afasta dela enquanto pode.

YAGO – Como você pode gostar dela depois do que ela fez?

LAURO – Eu gosto da verdadeira Diana, a garota que eu conheci e que eu amo. Eu não vou medir esforços para ajudar ela a se livrar desse fantasma que está a assombrando.

Yagi fica sem reação.

LAURO – Eu sei que ela pode ter te iludido com várias promessas, mas é tudo mentira. Ela só pensa nos objetivos dela mesma e não vai pensar duas vezes na hora de te descartar. Pensa nisso!

Lauro limpa a boca com um guardanapo, se levanta e sai, deixando Yago intrigado com as informações que acaba de receber.

 

CENA 08: SUBÚRBIO DE S. PAULO/CASA DE TÚLIO/INT./DIA

Túlio encara a mãe por um tempo.

TÂNIA – E então o que você tem a me dizer?

TÚLIO – A verdade.

TÂNIA – E qual é a verdade?

TÚLIO – O Túlio é apenas meu amigo.

TÂNIA​ – Somente amigo? Não é o que parece.

TÚLIO – Mas essa é a verdade. O Arthur somos só amigos, apesar deu gostar dele de outra forma.

TÂNIA – Como é que é?

TÚLIO – Eu sou apaixonado pelo Arthur mamãe, sempre fui.

Tânia senta-se no sofá incrédula.

TÂNIA– Eu não posso acreditar nisso, de novo não.

TÚLIO – Eu sei que é difícil pra senhora, mas eu não quero mais mentir. Eu amo o Arthur, mas infelizmente ele não sente o mesmo por mim.

TÂNIA – Infelizmente? Você deveria ficar feliz por isso. Isso é Deus mostrando pra você que isso é errado.

TÚLIO – Eu não tenho culpa mamãe, eu nasci assim.

TÂNIA – Por favor não fala mais nada. Eu … eu tenho que pensar sobre isso.

TÚLIO – Sinto muito mamãe.

Tânia vai para o seu quarto enxugando as lágrimas. Túlio fecha as mãos com força.

TÚLIO – Você me paga, Yago.

 

CENA 09: APARTAMENTO DE VICENTE/SALA/INT./DIA

Riely percebe que Arthur ficou incomodado com o que ela disse sobre Vicente.

RIELY – Ah, tu fiaste triste com o que eu te disse?

ARTHUR – Não, não só surpreso, eu não esperava que o Vicente pensasse assim de mim.

RIELY – O Vicente é um pouco conservador demais, ele nunca gostou do Brasil, se não fosse por mim nem teria aceitado essa proposta de emprego.

ARTHUR – É melhor eu ir embora.

RIELY – Calma! Eu ainda nem disse o motivo da nossa conversa.

ARTHUR – Olha Riely, eu realmente…

RIELY – Eu estou grávida.

Arthur se surpreende ao ouvir.

ARTHUR – Grávida?

RIELY – Isso mesmo. O Vicente vai ser papai. Não é maravilhoso?

Uma lágrima escorre dos olhos de Arthur, Riely percebe e a enxuga.

RIELY – Que fofo, ficaste emocionado. Ah, Vicente também chorou como um bebê quando soube, ele até resolveu antecipar o casamento antes da barriga crescer muito.

Arthur tenta disfarçar a decepção.

ARTHUR – Nossa! Parabéns!

RIELY – E eu quero que você seja nosso padrinho.

ARTHUR – Claro! Com todo prazer.

RIELY – Ainda vamos organizar tudo, mas eu quero algo bem simples. Talvez no jardim dá sua casa, o Vicente gosta bastante daquele lugar e…

ARTHUR – Olha Riely, eu estou muito feliz por vocês, mas eu preciso ir.

Arthur caminha na direção da porta.

RIELY – Claro. Eu aviso ao Vicente que você esteve…

ARTHUR – Não precisa, não precisa avisar ninguém.

Arthur sai apressado e Riely fecha a porta e cai na gargalhada.

RIELY – Coitadinho dele.

 

 

CENA 10: FACULDADE/SALA/INT./DIA

Yago está sozinho na sala de aula, ele está pensa no que o irmão lhe falou.

LAURO (pensamento de Yago) – Eu sei que ela pode ter te iludido com várias promessas, mas é tudo mentira. Ela só pensa nos objetivos dela mesma e não vai pensar duas vezes na hora de te descartar. Pensa nisso!

YAGO – Será que ela está me enganando?

Nesse momento Tulio entra na sala nervoso.

TÚLIO – Você é desprezível sabia?

YAGO – Do que​ você está falando?

TÚLIO – Eu sei muito bem que foi você que deixou aquelas fotos na minha casa.

YAGO – Olha eu…

TÚLIO – Você o quê? Vai negar?

Yago abaixa a cabeça.

YAGO – Não, eu não vou.

TÚLIO – Claro que​ não vai, porque uma coisa desse tipo só podia vir de você.

YAGO – Eu fiz isso porque…

TÚLIO – Porque é um mal-cárater por isso. Você não se importa com o sentimento dos outros não é mesmo?! Acha mesmo que suas brincadeiras são engraçadas, sinto te informar, mas eu não acho graça nenhuma. É por isso que ninguém gosta de você Yago, e se continuar assim, nunca ninguém vai gostar.

Túlio sai deixando Yago sem reação.

 

CENA 11: APARTAMENTO DE ANTHONY/SALA/INT./DIA

Anthony observa fixamente para a tela de seu notebook. Ele começa a passar a mão por todo o seu corpo.

ANTHONY – Nossa! Tu és muito gostosa sabia?

Ele observa uma jovem garota que sensualmente tira seu sutiã em uma chamada de vídeo.

GAROTA – Você gosta?

ANTHONY – ADORO

GAROTA – Prefere as brasileiras ou as portuguesas?

ANTHONY – As brasileiras com toda certeza.

A garota tira o sutiã e tapa os mamilos com a mão, Anthony observa atento e com desejo, quando ela se prepara para tirar a mão. Riely abre a porta de supetão.

RIELY – Anthony?

Ao ver Riely, Anthony fecha o notebook rapidamente.

RIELY – O que tu estavas a ver?

ANTHONY – Nada de mais.

RIELY – Nada de mais? E estas nervoso por quê?

ANTHONY – Por nada.

RIELY – Tu não está procurando mulheres para satisfazerem aquele seu fetiche de transar com duas mulheres diferentes, né?

ANTHONY – Eu? Claro que não.

RIELY – Vou fingir que acredito. Mas enfim, vim porque tenho notícias fresquinhas.

ANTHONY – Ah! É? E quais são?

 

CENA 12: CASA DE C. ALBERTO/QUARTO DE ARTHUR/INT./DIA

Arthur chega chorando e se tranca no quarto, quando as lembranças de Riely lhe falando sobre Vicente voltam a tona com todo vapor.

RIELY (pensamento de Arthur)

[…] o Vicente sempre diz que tem muita pena de você […]

ARTHUR – Como eu pude acreditar nele? Era tudo mentira.

O jovem começa a chorar.

ARTHUR – Eu acho que só sirvo para ser enganado por tudo e por todos.

Ele vai na direção de sua gaveta e procura por sua gilete.

ARTHUR – Onde eu coloquei? Onde eu coloquei?

Ele joga tudo o que encontra pro alto procurando desesperadamente.

ARTHUR – Eu tinha colocado essa merda aqui.

Ele começa a se arranhar com força, quando vê o espelho na parede, ele se aproxima e dá um grito de raiva e começa a esmurrar o vidro do espelho que trinca e depois se quebra.

Arthur pega um estilhaço de vidro e começa a fazer vários cortes sobre seu antebraço, mas a sensação de alívio não vem e ele continua chorando desesperado.

 

CENA 13: APARTAMENTO DE ANTHONY/SALA/INT./DIA

Anthony dá risadas ao ouvir o que Riely lhe contou.

ANTHONY – E ele acreditou?

RIELY – Caiu feito um patinho.

ANTHONY – Mas é muito otário, mesmo.

RIELY – Agora é só esperar o Vicente saber de tudo, e eu vou ter ele na palma das minhas mãos.

ANTHONY – E quando tivermos com essa grana na mão estaremos feitos.

RIELY – Primeiro eu quero o meu casamento com o Vicente.

ANTHONY – Pra que isso? Tu já tens ele nas mãos.

RIELY – Por que eu quero me casar com ele, só por diversão.

ANTHONY – Se não te conhecesse ia dizer que estás apaixonada pelo babaca.

RIELY – Estás louco? Claro que não.

ANTHONY – Como tu mesma diz, vou fingir que acredito. (Risadas)

Riely joga uma almofada na cara de Anthony.

RIELY – E tu, vais me dizer que também não está planejando algo? Estou lhe vendo cheio de segredos ultimamente.

ANTHONY – Confesso que estou num esquema aí, mas o meu é por puro prazer.

RIELY – Até imagino o que seja.

ANTHONY – Se imagina então não perguntes, suas suposições são sempre certeiras.

Anthony sorri maliciosamente para Riely que retribui.

 

CENA 14: HOSPITAL PSIQUIÁTRICO/CONSULTÓRIO/INT./DIA

Lauro conversa com um psiquiatra.

LAURO – Então doutor, é mais ou menos isso. A Diana está cada vez pior.

PSIQUIATRA – Pelo o que você me relatou, o quadro dela já evoluiu bastante. A segunda personalidade já a dominou quase por inteiro.

LAURO – Mas foi diferente, assim que ela me viu voltou a si.

PSIQUIATRA – Talvez uma lembrança muito forte traga ela de volta, é comum isso acontecer. Porém é necessário a internação, só assim podemos ajudá-la.

LAURO – E é exatamente isso que eu vou fazer. Farei de tudo para que ela seja internada.

PSIQUIATRA – Se você conseguir alguma prova dá condição dela, poderemos interna-la a força.

LAURO – A força?

PSIQUIATRA – Sim, nesses casos nós apelamos pela autorização da família, mas como você diz que ela não tem ninguém, somente com uma prova concreta poderemos fazer isso contra a vontade dela.

LAURO – Eu não quero que ela seja internada assim, mas acho que vai ser necessário.

PSIQUIATRA – Pois então, você conseguindo essa prova, ela vai ser obrigada a vir para cá.

Lauro fica pensativo.

 

CENA 15: CASA DE C. ALBERTO/QUARTO DE ELIZABETH/INT./DIA

Carlos Alberto entra no quarto bufando de raiva e Elizabeth se assusta.

ELIZABETH – Onde você esteve? Eu estava preocupada?

Carlos Alberto revira i guarda-roupa procurando algo

C. ALBERTO – Desde quando eu te devo satisfação de algo.

ELIZABETH – Desde que se casou comigo. Eu sou sua mulher.

C. ALBERTO – Isso mesmo, você é minha mulher e tem que ser submissa a mim.

ELIZABETH – Já chega! Eu aqui preocupada e você aí sempre sendo grosseiro.

C. ALBERTO – Eu sempre fui assim que soubesse disso antes de infernizar a minha vida para se casar comigo. Onde está aquela droga?!

ELIZABETH – Eu nunca obriguei você a se casar comigo.

C. ALBERTO – Você não obrigou, mas eu fui obrigado de outra forma.

ELIZABETH – Do que você está falando?

Carlos Alberto para de procurar por um momento.

C. ALBERTO – Você sabe muito bem do que eu estou falando. Eu nunca gostei de você e você casou comigo sabendo disso.

ELIZABETH – O que deu em você para falar assim comigo?

C. ALBERTO – Eu já cansei de você sempre me atordoando, sabendo que eu nunca vou gostar de ti e continua me amolando com essa história de preocupação, de: “Eu sou sua mulher”. Entenda de uma vez por todas eu nunca quis ter uma família.

Ele diz essas palavras gritando na cara de Elizabeth que chora.

ELIZABETH – Eu pensava que…

C. ALBERTO – Calada. Aqui quem fala sou eu.

Nesse momento Arthur aparece com os olhos inchados de tanto chorar.

ARTHUR – Desse jeito você não pode falar com a minha mãe.

C. ALBERTO – Vai defender ela agora é?! Seu mariquinha. Ou vai esperar pelo seu irmãozinho.

Arthur encara o pai com raiva e como ato de impulso cospe na cara de Carlos Alberto.

ARTHUR – Eu não preciso dele para me defender.

Carlos Alberto encara Arthur com fúria nos olhos e com um grito de raiva ele dá um soco em Arthur que cai no chão.

ELIZABETH (gritando) – Arthur!!

Ela corre para acudir o filho.

C. ALBERTO – Dá próxima vez que ele fizer isso eu boto ele para fora dessa casa.

Carlos Alberto limpa o rosto e finalmente encontra o que procurava, um revólver que estava escondido no fundo do guarda roupa.

ELIZABETH – Onde você vai com isso?

C. ALBERTO – Agradeça por eu não vou usar isso com vocês.

Ele sai apressado. Elizabeth acode o filho.

ELIZABETH – Você esta bem?

ARTHUR – Por que você deixa ele fazer isso com você?

ELIZABETH – Eu não sei. Nem eu sei meu querido.

A mulher começa a chorar e quando Arthur acaricia seu cabelo, ela percebe a marca dos cortes em seu antebraço.

ELIZABETH – Arthur? O que é isso no seu braço?

Arthur esconde o braço rapidamente, ele se levanta e corre para o seu quarto, Elizabeth o segue mas ele fecha a porta e se tranca.

ELIZABETH – Filho! Filho! Abre essa porta. Por que você tá fazendo isso com você meu amor?

Arthur chora sentado atrás da porta, enquanto Elizabeth bate incansavelmente.

 

CENA 16: SUBÚRBIO DE S. PAULO/CASA DE SOLANGE/INT./DIA

Suelen e Diana estão na sala.

SUELEN – Eu não sei por onde começar?

DIANA – Qualquer lugar, onde ela costumava trabalhar, guarda roupa, armário qualquer lugar.

SUELEN – Você acha mesmo que pode haver algum documento que prove os crimes daquele canalha?

DIANA – A Solange nunca ia dispensar algo que pudesse incriminar ele. Ela trabalhava pra ele, mas também o odiava.

SUELEN – O odiava? Por que?

DIANA – Isso é outra história. Vamos focar em encontrar essas provas.

As duas começam a revirar o local em busca de qualquer coisa.

 

CENA 17: CASA DE C. ALBERTO/SALA/INT./DIA

Vicente chega na casa do pai assustado.

VICENTE – Mãe? Eu vim assim que me ligou? Como está o Arthur?

Elizabeth responde aos prantos.

ELIZABETH – Ele esta​ todo cortado meu filho. Eu não sei porque fez isso.

VICENTE – Calma! Eu vou falar com ele.

ELIZABETH – Aqui tem uma cópia da chave do quarto dele. Esperei você chegar para entrar lá.

VICENTE – É melhor eu ir sozinho, depois você conversa com ele.

ELIZABETH – Tudo bem, eu vou esperar aqui.

Vicente caminha lentamente até a porta do quarto, antes de abrir ele respira fundo. Ao abrir encontra o irmão encolhido em um canto.

VICENTE – Arthur?

ARTHUR – Vai embora daqui.

VICENTE – O que aconteceu? Você se machucou?

ARTHUR – Não! Eu fiz isso porque eu quis, isso é o que se faz quando a vida não se tem mais jeito.

Vicente observa o quarto, estava quase igual como ele se lembrava, a única diferença é que agora a escuridão tomava conta do local e um espelho quebrado chamava atenção.

VICENTE – Aconteceu alguma coisa? Por que você fez isso?

ARTHUR – Para de sentir pena de mim.

VICENTE – Pena? Eu não estou com pena? Eu estou preocupado com você.

ARTHUR – Eu não acredito em você, eu já sei de tudo, já sei tudo o que você pensa sobre mim.

VICENTE – Do que você está falando?

Vicente tenta se aproximar do irmão.

ARTHUR – Se afasta de mim.

Vicente se afasta.

VICENTE – O que está acontecendo Arthur? Por que você está agindo assim?

ARTHUR – A Riely me contou, … Você … Tem pena de mim… Acha que eu sou indefeso… Que eu preciso de você pra tudo?…. Foi por isso que você foi embora? Cansou de me proteger?

VICENTE – Eu nunca pensei isso de você. De onde ela tirou essas loucuras.

Vicente tenta tocar no rosto de Arthur mas ele se esquiva.

ARTHUR – Eu não aguento mais mentiras, agora eu entendo aquela declaração, ficou com pena quando te disse que eu era gay e que tinha sofrido nas mãos do Yago.

VICENTE – Arthur? Eu nunca faria uma coisa dessas. Aquela declaração foi mais do que verdadeira.

ARTHUR – Eu não sei mais o que é verdadeiro.

Arthur chora de cabeça baixa.

ARTHUR – Eu não quero mais te ver, fica longe de mim.

Vicente se abaixa e tenta falar com ele.

VICENTE – Arthur por favor, eu…

ARTHUR (gritando) – Eu falei FICA LONGE DE MIM.

Arthur empurra Vicente e volta a se encolher no canto.

Vicente não se controla e começa a chorar, ele sai correndo.

ELIZABETH – Vicente? O que aconteceu, eu ouvi ele gritar.

VICENTE – Desculpa mamãe, eu preciso ir.

Vicente sai chorando.

 

CENA 18: SUBÚRBIO DE S. PAULO/CASA DE SOLANGE/INT./DIA

Diana e Suelen continuam procurando na sala.

DIANA – Aqui não​ tem nada, eu vou procurar no quarto.

SUELEN – Ok, eu vou ver nessa estante.

Diana vai para o quarto e Suelen procura na estante, quando encontra uma foto de uma jovem sorridente. Ela observa a foto quando alguém entra batendo palmas devagar.

C. ALBERTO – Muito bonito dona Suelen. Saindo sem se despedir?

Suelen se estremece ao ver Carlos Alberto na sua frente.

C. ALBERTO​ – Que foi? Parece que você viu um fantasma.

SUELEN – O que você está fazendo aqui?

C. ALBERTO – Você achou que ia ficar por aquilo mesmo?

SUELEN – Vai embora, eu vou chamar a polícia.

C. ALBERTO – Vai chama.

O homem se aproxima e puxa o cabelo de Suelen que grita.

C ALBERTO – Você não sabe com quem você se meteu sua vadiazinha.

Nesse momento Diana aparece com um martelo na mão.

DIANA – Você não vai fazer nada com ela.

Carlos Alberto encara a jovem e se assusta ao reconhecer.

C. ALBERTO – Diana?

Diana encara Carlos Alberto seriamente.

 

CENA 19: APARTAMENTO DE VICENTE/QUARTO/INT./DIA

Vicente chega no apartamento nervoso e procura por Riely.

VICENTE – Riely?

A jovem está de frente a um espelho se maquiando.

RIELY – O que foi amor meu?

Vicente encara Riely que o observa pelo reflexo do espelho.

VICENTE – O que você falou pro Arthur?

RIELY – A verdade.

VICENTE – E desde quando aquelas coisas que você disse são verdadeiras?

Riely continua olhando Vicente pelo reflexo do espelho.

RIELY – É a minha verdade.

C. ALBERTO – Mas que droga você está falando?

Riely se vira e encara o noivo.

RIELY – Eu sei de tudo Vicente, eu sei que tu eres perdidamente apaixonado pelo Arthur.

Vicente se assusta.

VICENTE – Você… Eu… Eu..

RIELY – Não adianta negar, a sua cara já diz tudo. E se não quiseres que todo mundo fique sabendo o seu segredo sujo é bom que tu faças exatamente o que eu quero.

Vicente encara Riely com frieza.

VICENTE – É dinheiro que você quer, não é isso?

RIELY – Não só dinheiro, eu quero uma coisa muita mais valiosa.

VICENTE – O quê?

Riely se aproxima de Vicente e passa sua mão por debaixo dá camisa dele.

RIELY – Eu quero VOCÊ.

Vicente encara Riely sem acreditar no que ela lhe fala.

A cena fica em efeito preto e branco e é amassada.

 

CONTINUA…

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11 thoughts on “Fantasma Vivo – Capítulo 14

  1. MELHOR CAPITULO DESSA WEB

    As duas divas(vulgo suelen e diana)juntas ñ tem pra ninguem
    Mas a Solange morreu msm(so acredito se for no velorio)
    Riely melhor vilã(depois da diana claro)
    Sera um tuyago(tulio e yago)?
    Carlos Alberto tem que ter um fim mto trágico

    Agora com a ri(ja to intimo) desmascarada o arthur e o vicente vão conseguir fica junto ou ñ

    So mais 4 capitulos 😱😱😱😱 (diz q ñ)

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  2. PUTA QUE PARIU, VICENTE, COMO TU É BURRO! Eu tô full pistola com esse idiota (ele ainda perguntou porque a Riely mentiu pro Arthur… ô animal, teu cérebro é oco ou o quê?) e morrendo de pena do Arthur. O cara é um verdadeiro ímã de gente que faz merda… é Vicente, é Túlio, é Yago…

    Falando em Yago… SÉRIO QUE ELE NÃO SABIA QUE A DIANA TEM DUPLA PERSONALIDADE? Quer dizer então que o alter-ego da Diana tava manipulando o Yago esse tempo todo? Parece que o Yago tá ensaiando uma redenção, mas será que já não é tarde demais?

    Lauro se viu obrigado a tomar uma atitude extrema, pelo bem da Diana. Só que, involuntariamente, ele vai deixar a Suelen totalmente desprotegida. Claro que a Diana vai relutar em ser internada porque tem que proteger a Suelen, mas isso obviamente vai ser entendido como uma reação do alter-ego da Diana. Tudo conspira para um final trágico pra Suelen.

    A cena do Anthony soou completamente gratuita. Dava pra ter passado sem essa.

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  3. Demorou 14 capítulos para chegar a essa ultima cena, dava para aproveitar mais essa trufo(como diz a Riely), a gora só tem 4 ou 3 para abordar as consequências.

    O Vicente tem que morrer para salvar o seu irmão. É não o Túlio, Yago(até ele), Elizabeth, entre outros.

    Ou um fim mais cruel, seria o mais surpresos, é o melhores, seria a morte do Arthur, para salvar o um dos seus amores ou para o desespero do Vicente, por ter feito ele passar por esse dez anos, e com a volta dele.

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