Azarados – Episódio 12 (últimos episódios)

CENA 01 – RUAS DA CIDADE – NOITE

Apolo caminhava pelas ruas, sozinho, de cabeça baixa sempre. Seu olhar estava triste, nunca pensou em ser pai, na verdade, algumas vezes, mas nunca levava adiante. Pois só fez esses planos com ao lado de Safira, depois que ela o abandonou ele nunca mais cogitou tal possibilidade. E agora com esse diagnostico, sabendo que só tinha mais um mês de fertilidade, era desesperador. Um abismo sem fim para ele.

Apolo chutou uma latinha de refrigerante, e continuou a andar de cabeça baixa, foi quando esbarrou em uma pessoa. Ele levanta a cabeça, e tamanha é sua surpresa, ao ver Safira lhe encarando com um sorriso enorme no rosto e olhar profundo.

Safira: Pensei que nunca mais ia te encontrar, meu amor.

Assustado, Apolo olha para Safira, sem conseguir soltar uma palavra sequer. Ela continua…

 Safira: Depois de todos esses anos eu achei que você fosse dizer ao menos um “oi”, ou talvez esboçar um sorriso quando nos encontrássemos novamente…

Apolo não esboça reação alguma.

Apolo (frio): Licença, você está bloqueado a passagem!
Safira: Apolo, sou eu, a Safira…
Apolo: Eu sei muito bem quem você! E por isso mesmo não quero conversa nenhuma contigo.

Apolo tenta passar, porém, Safira coloca a mão no seu peito, o barrando.

CENA 02 – FLASHBACK – CATEDRAL METROPOLITANA – DIA

Legenda:
Março de 2008

Avista-se um carro sedan 2008 estacionando na porta da igreja. Uma alta movimentação de convidados entrando e saindo do local. A câmera foca em Apolo, mais jovem, que sai do carro, sua expressão era de felicidade fundida com ansiedade. Ele entra na Igreja, e se posiciona no altar.

Horas se passam, temeroso, Apolo vai até seu pai:

Apolo:
Pai, nada da Safira chegar… Será que ela sofreu algum acidente de transito? Ou pior, será que ela me abandonou?

Solano: Olha filho, acredito que não, o Joaquim sabe que se ele fizer uma coisa dessa, ele perde o apoio da nossa empresa na eleição dele… E você sabe o quanto ele depende nós…

Apolo coça a nuca, suando de tanto nervosismo.
Apolo: Nem no dia do meu casamento vocês param de pensar em negócios, vocês acham que a Safira e eu somos um acordo?

Solano: Não quis dizer…
Apolo: Pois pareceu!
CENA 03 – FLASHBACK: MANSÃO DA FAMÍLIA DE SAFIRA – QUARTO DE SAFIRA – DIA

Safira estava deitada no chão, próximo a ela várias tesouras, as pontas do seu vestido de noiva todas cortadas, maquiagem borrada. Um sorriso vago em seu rosto.

Safira: Será que Apolo vai gostar do meu vestido assim? Será mesmo? E pelada? Não, pelada eu não vou… Para, eu não vou contar mais o vestido… Ah! Se for pra ele ficar bonito, eu corto…

Safira começa a picotar mais o vestido, enquanto demonstrava insanidade nos seus atos.
Então, ouve-se batidas nas portas, era a mãe de Safira, Melina.

Melina: Filha, você já está pronta…
Ela grita de espanto, quando vê à filha destruindo o vestido. Ela corre para afastá-la das tesouras.

Melina: O que aconteceu aqui? Porque você está fazendo isso, minha filha?

Diz a mulher, juntando os retalhos do chão.

Safira: São elas mamãe, elas me falaram que o vestido ia ficar mais bonito!
Melina: Elas quem?
Safira: As vozes!
Melina: Ai, Meu Jesus Cristo…

Melina sai do quarto, gritando pelo seu marido, Joaquim.
Após alguns segundos os dois entram novamente, Safira estava rodopiando pelo quarto.
 
Safira: Já veio me buscar? Ótimo… Já vamos para a Igreja?

Boquiaberto, Joaquim, pai de Safira, senta-se na cama, refletindo por alguns segundos. Até que se levanta e decidido diz:

Joaquim: Eu não posso deixar que a população, meu eleitorado, veja a loucura da minha filha… O que vão pensar dela, de mim, da nossa família?

Melina se aproxima do marido, o segurando fortemente pelos ombros.

Melina: Como você pode pensar em política uma hora dessas? Olha o estado em que nossa filha está, ela precisa de cuidados!
Joaquim: O que eu fiz para merecer isso?
Safira: Papai! Vamos para Igreja, vamos, eu preciso dizer sim pro Apolo…

Safira, sorridente, abre a porta do quarto. Porém, seu pai a fecha bruscamente.

Joaquim: Você não vai pra canto nem um! Chega, isso já foi longe demais, antes achávamos que era só uma fase, a adolescência agindo. Mas essa menina está louca, completamente louca! Vou ligar pra um manicômio agora mesmo.

Melina: O que vamos dizer para a família do Apolo, os convidados, ao padre?
Joaquim: Que a Safira fugiu do casamento. Prefiro ter uma filha desaparecida do que mentecapta!

Joaquim disca um número no telefone. A expressão estampada no rosto de Melina é de surpresa e medo, não acreditara no que estava acontecendo.  

Após alguns minutos, alguns enfermeiros entram no quarto e capturam Safira, que tenta se soltar lançando gritos, chutes e braçadas, sem sucesso… Ela é sedada e colocada em uma maca, sendo levada para um carro escuro que arranca em direção ao Manicômio Soraya Montenegro.

CENA 04 – FLASHBACK: CATEDRAL METROPOLITANA – DIA

Na igreja, Apolo se aproxima novamente de seu pai.

Apolo: Conseguiu falar com o Joaquim?
Solano: Não, ninguém atende, eu não estou acreditando nessa cachorrada que o Joaquim fez…

Nesse exato momento, Joaquim entra na igreja, correndo em direção ao altar, chorando, completamente desesperado em uma cena digna de Oscar.

Joaquim: Minha filha fugiu, eu entrei no quarto e ela não estava lá, deixou apenas essa carta dizendo que não estava preparada para esse momento – Erguendo o braço, segurando um papel – Eu não tenho palavras para me desculpar com você, Apolo…

Apolo estava pasmo, não conseguia digerir a cena bem.
Em uma crise súbita, ela arrancar a gravata, e sai correndo até a porta da Igreja.
Milena olhava tudo, incrédula, seu marido havia transformado a cena em uma forma de ganhar votos para sua eleição, já que todos sentiam extrema pena do homem.

CENA 05 – RUAS DA CIDADE – NOITE

Apolo: Tira a mão de mim!
Safira: Precisamos conversar…
Apolo: Não, contigo eu não quero conversar… Tu acha o que? Tu me abandona no dia do nosso casamento, no altar ainda mais, e acha que pode voltar e ocupar o mesmo lugar? Olha, meu coração não é circo para você querer fazer palhaçada nele…
Safira: Apolo não foi bem assim… Tem mais coisa envolvida…
Apolo: Chega de mentiras, tu me abandonou e pronto… Inclusive eu encontrei alguém melhor, alguém que me aceitou do jeito que sou, e não fugiu de mim!

Nesse instante Lola estava estacionando o fusca rosa na porta do prédio. Apolo olha e aponta para ela.

Apolo: Ta ali, a mulher que merece meu respeito, e tenho certeza que não vai me abandonar no casamento.

Ele sai de cena, e Safira fica ali parada.
Até ela colocar as mãos na cabeça, e ouvir novamente as vozes.

Safira: Vocês de novo não! Chega… Culpa de vocês Apolo não quer mais nada comigo… Não é verdade? Como assim? Verdade, tudo é culpa daquela mulher que roubou ele de mim…

Safira sai correndo dali, nervosa, ela tropeça no chão, machucando seus braços e pernas.

Sangrando, a moça grita de ódio e volta a chorar.

CENA 06 – APARTAMENTO DA LOLA – NOITE

A campainha toca.
Lola atravessa o apartamento para atender.
Ao abrir a porta, ela se depara com Apolo, estava abatido e chorando.

Lola: O que aconteceu?
Apolo: Eu preciso de sua ajuda! Eu preciso que você me escute.
Lola: Entra, pode falar!
Apolo: Eu esbarrei com a Safira… Estava vindo para casa, quando ela me abordou na rua, falou que precisava falar comigo, eu não consegui dizer nada de imediato, mas depois desabafei sobre o abandono dela, porém, nada adiantou a dor ainda continua aqui, e está doendo tanto. Não me sinto assim desde que ela me largou naquela igreja.
Ele deita a cabeça no colo de Lola, que fica fazendo cafuné no cabelo dele.

Lola: Apolo, o passado faz essas coisas conosco, ele meio que vem para destruir qualquer estrutura que criamos enquanto fugíamos dele, porém, nos devemos ser fortes e suportar essa tsunami passar. E acredito que você deve falar com ela, por mais difícil que seja, por mais dolorido que venha a ser, você precisa saber por que ela te abandonou, porque passados maus resolvidos são os piores.

Apolo levanta a cabeça, e fica olhando Lola.

Lola: Que foi?

Apolo responde Lola com um beijo.
Um beijo quente e molhado, que deixa Lola surpresa, porém, envolvida com o ato.

CORTE DESCONTINUO…

Apolo: Vire-se!

Sua voz foi baixa, quase um sussurro, porém, autoritária, e de tom sexy. Fazendo Lola o obedecer, suas mãos percorrem até o cabelo dela.

Apolo: Essa noite você será minha!

Suspira, puxando o lóbulo da orelha de Lola com os dentes, ela geme, e logo solta um sorriso safado, enquanto ele a prende com os seus braços.  Ele afasta o cabelo dela, passando os dedos pela borda de renda do vestido, que percorre toda a parte superior da coluna, fazendo ela ficar toda arrepiada com os toques. Ele começa a desabotoa todos os botões do vestido da Lola, até ele cair, deixando ela apenas de roupas intima. Lola, então, em um movimento rápido agarra Apolo pela cintura e o deita na cama. Deixando ele surpreso.

Lola: Você é que será meu!

Sorrindo, ela tira a roupa dele. Beija lentamente a boca de Apolo, o provocando.

CENA 07 – ENTRADA DO PRÉDIO VENENO DE CASCAVEL – NOITE

De braços cruzados, cabelos desgrenhados e olhar atento, Safira caminha pela escadaria do prédio onde Apolo mora, conseguira entrar ali num momento de distração do porteiro. Perguntava aos moradores aonde era o apartamento de Apolo e dava características dele, até que consegue e sobe até o andar, ao ver o número na porta do rapaz, ela começa a bater com força, ecoando um barulho estrondoso.

CENA 08 – APARTAMENTO DE LOLA – NOITE

Um último gemido de prazer era ouvido. Lola e Apolo caem na cama, ela estava deitada sobre o peitoral do rapaz, passava suavemente seus dedos na barba dele.

Lola: Você é incrível… Agora sei porque faz tanto sucesso.

Apolo fixa no olhar de Lola.

Apolo: Sucesso? Pra mim você é a primeira mulher de verdade com quem pude estar… O restante foi só diversão.

Lola sorri.

Lola: Mas olha só… Agora só falta dizer que quer ficar só com uma mulher pelo resto da vida…

Apolo acaricia os lábios da moça com os dedos.

Apolo: E se eu disser que sim? E se eu disser que essa mulher é você? Se eu te disser agora que você é a mulher mais incrível que eu já conheci e quero formar uma família contigo? Qual seria tua reação?

O sorriso no rosto de Lola dá espaço agora a uma expressão de surpresa. Suas pupilas estavam dilatadas e sua boca seca, seus lábios tremiam, mas não conseguia dizer uma palavra sequer.

É quando os dois ouvem um barulho forte de batias, Lola sai do transe e diz:

Lola: Ouviu isso? Será que tá acontecendo algo nos corredores?

Apolo: Parece alguém querendo derrubar uma porta.

Apolo levanta-se da cama, vestindo apenas uma cueca, Lola enrola-se no lençol e os dois saem do quarto.

Na sala…

Lola: Parece que tá vindo da porta de vocês.

Apolo: Era só o que me faltava…

Apolo corre e abre a porta do apartamento de Lola, ele vê Safira de costas, chutando e deferindo socos na porta de seu apartamento, exaltado, ele diz:

Apolo: Que porcaria tu tá fazendo aqui?

Safira congela, ainda de costas, um enorme e assustador sorriso surge em seu rosto. Vagarosamente, ela vira-se para trás, fixando o olhar em Apolo.

Safira: Meu amor…

Lola chega correndo até a porta, ficando atrás de Apolo.

Lola: O que tá acon…

Lola corta sua fala quando vê Safira ali, ela a reconhece pela foto que viu nos álbuns de Apolo.

Lola: O que essa cachorra tá fazendo aqui?

Safira muda a expressão de sorriso em seu rosto ao ver Apolo somente de cueca e Lola ao seu lado, apenas enrolada nos lençóis. Os olhares das duas loiras se cruzam e elas não conseguem disfarçar o incomodo com a presença da outra.

CENA 09 – RESTAURANTE GALILEU – INT. – NOITE 

Em um clima romântico, Theo e Ema jantavam.
Os dois trocavam olhares de muita paixão e desejo, enquanto tocava suas mãos.

Theo: Amor, já volto, vou ao banheiro!
Ema: Tudo bem! Assim eu termino de comer essa La Paillote. Se bem que nem tem muito para comer aqui, devíamos ter indo para aquela cantina italiana…
Theo: O teu desejo para comida é insaciável!
Ema: O meu desejo por ti também é…

Ela pisca para ele.
Depois de alguns minutos, Theo volta para a mesa.
Ele se manter calado, e Ema estranha.
É quando a música que eles escolheram como tema do casal começa a tocar no ambiente “Eclipse de Luna”.
Ema olha assustada para Theo, que se levanta. Ajoelha nos pés dela, enquanto um balé entra por detrás e começa a dançar no ritmo da canção.

Theo: Quando te vi pela primeira vez já sabia que você seria a mãe dos meus filhos, a mulher com quem dividiria meus melhores momentos, com que eu poderia contar nas indecisões, nas angustias, nos desafios que a vida trouxer, naquele dia quando te vi sorrir, sabia que tinha feito a escolha certa! Ema prometo te amar eternamente, de colocar no colo quando seus pés tiverem caçados de caminhar, prometo ser teu porto seguro, ser teu refúgio na pior das tempestades. Ser teu marido, namorado, amigo e amante. Ema, você aceita casar comigo?

Ema se levanta da cadeira, estende a mão para Theo.

Ema: Claro que sim, você foi a melhor surpresa que aconteceu comigo!

Theo coloca o anel no dedo de Ema. Os dois se beijam, enquanto a câmera vai subindo lentamente, até mostrar todos os clientes do restaurante olhando a cena enquanto o balé de dançarinos dançava em volta deles.

Lola: Olha como as coisas são, em um minuto você é o saco de pancadas preferido da vida, ela só sabe de bater, jogar em situações complicadas, é tanto azar, que você pensa em desistir. E no outro, ela te pega no colo, passa a mão na tua cabeça, e começa a te surpreender com coisas boas. Porém, se fomos ficar pensando nessa bipolaridade da vida, vamos perder os minutos prazerosos que ela nos oferece, por isso, aproveite cada um desses momentos, e se entregue de corpo e alma, só assim eles se tornaram inesquecíveis.

CONTINUA…

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