Ovelha Negra – Capítulo 15 (Último Capítulo)

EPISÓDIO 15: Revelando a Ovelha Negra.

Sandra: Está querendo dizer que já sabe quem matou todas essas pessoas?

Benedito: Exatamente minha cara. E vou te dizer que não foi difícil. Esse bilhete encontrado, assinado pela pessoa que fez isso só confirma meu palpite.

Sandra: Bem, então quem é a Ovelha Negra?

Benedito: Vou te contar quem é. O porquê e como cada um foi morto. Está preparada pra ouvir?

Benedito: Chegamos aqui às oito e meia da manhã. São quase seis da tarde. Já vimos todos os corpos, já demos uma volta em torno da casa. Revistamos as roupas de cada um. A arma, as causas das mortes. As impressões digitais Tempo suficiente pra sabermos. Não falei que antes da noite chegar, eu matava a charada?

Sandra: Não, o senhor vai ter que me explicar como pôde desvendar tudo isso.

Benedito: Ai, ai Sandra. Já falei pra desligar o telefone. Assim você nunca vai evoluir. Vamos lá, eu te explico enquanto tomamos café. Temos café nessa jorça, não? Acabou?

Cena 1 Ilha – Início de Noite.

Policiais fazendo exames na ilha. Benedito e Sandra caminham em volta da casa.

Sandra: Agora me conte, como pode ter conseguido solucionar o problema. O senhor disse que na corda que Irene Falcão foi pendurada, havia impressões digitais de várias pessoas da casa, em especial a de Egídio Falcão, que feriu as mãos com ela.

Benedito: Exatamente.

Sandra: Continue inspetor!

Benedito: (ri) Segundo informações dos barqueiros, essa gente morta chegou aqui na última sexta, mas como o tempo esteve chuvoso nos últimos dias, era impossível que algum barco chegasse aqui. E eles estavam sem celulares. Todos foram quebrados. Com exceção de um: Da senhora Amanda que estava sem bateria e tinha um localizador.

Sandra: Onze pessoas. Dez ovelhinhas brancas e uma negra. Mas todos estão mortos. Será que alguém de fora não os matou?

Benedito: Esqueça essa possibilidade. Segundo os barqueiros era impossível alguém ter chegado ou saído dessa ilha nos últimos dias.

Sandra: Então?

Benedito: Óbvio que o assassino só poderia ser um deles. Um testamento. Uma lista de sucessores. Senhora Laura Falcão envenenada. Advogado Otávio morreu baleado. Mordomo Jayme, eletrocutado. A cozinheira Clotilde, levou uma pancada na nuca. Ângela Falcão foi envenenada. Exames detectaram veneno no pescoço, aplicada certamente por uma seringa. Senhora Amanda, teve a garganta perfurada, certamente morreu por asfixia. Egídio, este foi enforcado. Doutor Sérgio Vaz, morreu no local que o encontramos, há hematomas na cabeça, e seus dentes estão quase todos quebrados, deve ter sido empurrado e caiu nas rochas. Edmundo e Alexandre Falcão, também baleados. Sobrou a senhorita Irene, que se enforcou.

Sandra: Três pessoas morreram baleadas. A arma pertencia a Edmundo Falcão, como já descobrimos, podemos supor que Edmundo matou duas pessoas e depois foi assassinado pela própria arma?

Benedito: Não, minha cara. Edmundo estaria fora de cogitação. O tal assassino só poderia ser um. E Edmundo não poderia ter se matado. Lembra que encontramos a arma em cima da mesa da sala?

Sandra: Irene? O exame disse que ela provavelmente foi a última a morrer.

Benedito: A última ovelha branca, sim. Mas acredite; Irene não era a última pessoa viva desta casa. Havia alguém aqui, depois dela. Se não, quem colocaria a cadeira no canto da parede?

Sandra: Sim. E o bilhete deixado dentro da garrafa, dentro do quarto de Egídio?

Benedito: A carta deixada pelo assassino. Eu havia dito aos seus colegas quem eu achava que era o assassino, ou seja, a tal ovelha negra. Depois de alguns exames, só tive certeza. A carta de confissão endossa o que eu já acreditava. Ponha as luvas, porque a carta será levada ao laboratório pra comprovação.

Sandra põe luvas. E lê.

Sandra: Meu Deus! Então a ovelha negra era… Mas como?

Benedito: Leia a carta de confissão e entenderá tudo. Só pense numa coisa: Quem teve a maldita ideia de organizar tudo isso? Agora me dê licença, pois vou ver se ainda tem café na casa, se não tiver envenenado, espero.

Benedito sai. Sandra senta em um rochedo e lê.

Carta de Confissão: OVELHA NEGRA.

         Prezados senhores da polícia, da mídia, enfim. Desde criança, sempre fui uma pessoa encantada com o poder. O poder me fascinava. Mas como conseguir isso sem conquistar inimigos? Isso é muito difícil. Impossível. E eu tinha vocação pra colecionar inimigos. Sempre. Mas devo confessar aos senhores, que meus maiores inimigos não estavam no mundo empresarial e sim, dentro da minha própria família.

          Casei-me com uma pessoa ambiciosa, nojenta e asquerosa. Éramos três irmãos, herdamos uma empresa gigante, mas eu não queria ter que dividir nada com eles. Minha irmã era emotiva demais, sendo sempre uma mosca morta para os negócios. Ter que ficar com um terço do que meu pai deixou, me incomodava. Dinheiro e poder são pra quem sabe os usar. E minha irmã não sabia. Pensei: Tenho que me livrar dela!

         O que ela mais ama, na vida? O marido! Ah sim. Comecei a dar em cima de meu cunhado, e depois de ir pra cama com ele pela quinta vez, consegui o que queria: Sermos flagrados por minha irmã. A idiota perdeu o chão, e seus remédios tarja preta se embaralharam em sua mente, e dias depois, em profunda depressão, aconteceu o que eu queria: Ela se matou.

         Agora eu tinha 50% dos negócios em minhas mãos. Mas era pouco, meu irmão, era olho vivo, brigávamos bastante. Foi quando tive a brilhante ideia: Ele veio me visitar, pedi a ele que fizesse o favor de levar meu carro pra oficina, mas antes, eu havia sabotado os freios. Ele não morreu, mas ficou paraplégico, ainda tive que esperar seis meses pra que ele empacotasse de vez. Pronto, agora sou a dona de tudo.

        Anos se passaram, e meu único filho, se mostrava cada vez mais perigoso pra mim. Sem contar, os olhares de meus sobrinhos ambiciosos e perigosos. Querendo vingança. Sempre olhando pra mim, como lobos famintos. Empregados canalhas, que nunca me suportaram. Sorriam pra mim, mas me desejavam o mal pelas costas, cansei de me esconder atrás da porta da cozinha, para ouvi-los me criticarem.

        E O Advogado? Depois de alguns anos, descobri que roubava ações de minha empresa, mas me calei. Eu tinha que puni-los de alguma forma. Todos eles. Mas como?

      Descobrir um câncer me fez despertar para algumas coisas. É normal que uma velha morra primeiro. Mas não seria justo morrer e deixar tudo pra eles, esbanjarem por aí. Não. Todos aqueles que queriam minha morte, deveriam partir antes de mim.

      Aí me veio a ideia: Uma reunião familiar, em um lugar isolado. Levei 4 meses pra planejar tudo isso. Esperei a previsão meteorológica dar o sinal. Chuva por 5 dias consecutivos. Era mais que o suficiente. Pensei em tudo. Tudo mesmo. Mas jamais poderia fazer isso sem ajuda de alguém. Então liguei pra meu único amigo, doutor Sérgio Vaz, a quem tive que matar depois, por motivos óbvios.

         Liguei pra ele, um dia antes da tal viagem sem volta. (Cena 1 – cap.1) Combinamos tudo, disse a ele que sabia que alguém tentaria me matar, disse a ele que havia um judas, um traidor, uma ovelha negra na minha família e pedi a ele que me ajudasse a descobrir quem era. Sabem o que eu fiz?

         Enquanto todos estavam lá fora. Tive que matar minha gata Priscila. Esse foi meu primeiro passo: O SACRIFÍCIO. Com a morte de Priscila, todos me veriam como vítima e se acusariam. A primeira a “morrer” teria que ser eu. Eu realmente tinha alergia e ingeri algo antes do jantar.

       Fingi estar passando mal, até ser levada pra meu quarto. Onde fiquei a sós com Sérgio, enquanto os demais aguardavam notícias minhas no andar debaixo, claro, torcendo por minha morte. Sérgio e eu combinamos tudo, ele me deu injeção para hipotérmicos, minha pele gelou, doeu bastante e permaneci deitada, esperando ele descer a dar a GRANDE NOTÍCIA pra todos.

      Todos subiram e ficaram da porta e me olhar. Tive que controlar a respiração naquele quase um minuto de fingimento. Sérgio me cobriu com lençol. Foi quando a nojenta da minha sobrinha Ângela, chegou mais perto e quis tocar em mim, chegou a tocar na minha mão gelada por causa da injeção. (CENA 2 – CAP.3) Sérgio pediu pra ela não fazer isso, que poderia estragar a autópsia – Que raiva da Ângela chorando, querendo passar a noite ali comigo. Que idiota – Depois disso, eu estaria livre para pôr meu plano em prática.

1ª MORTE: MORDOMO – Esperei todos se deitarem. Então fui até o disjuntor e desarmei o gerador. Sabia que Jayme iria até lá. Era o único que conhecia a casa depois da reforma, além de mim. Sabotei o quadro geral e me escondi. Vi o salto que ele deu após receber aquela carga violenta, ele estrebuchava no chão, aí joguei água pra que tivesse logo uma morte rápida.

2ª MORTE: CLOTILDE – Tudo ocorreu melhor que eu poderia imaginar. Todos pensavam que o assassino era Egídio, por causa das discussões com o mordomo. Pedi a Sérgio que aconselhasse Egídio a sumir, já que tentariam mata-lo. Egídio se escondeu no quarto de Jayme, o mordomo. Então, todos saíram a sua procura, crendo que ele seria o assassino. Clotilde ficou lá embaixo. (CAP. 5 – Cena 8) Vi quando Edmundo entrou na casa, sabem onde eu estava nessa hora? Debaixo da cama deleEle mexeu no revólver, mas não levou. Esperei ele sair.

Vi também Amanda e Otávio entrarem pelos fundos da casa, se agarrando no corredor, como dois adolescentes foguentos. (CAP. 5 – Cena 9 ). Então eles se foram. Foi quando peguei o revólver e resolvi sair do quarto. Mas Clô me viu, ela ficou tão assustada, que não conseguiu gritar. Então lhe dei uma coronhada e a empurrei escada abaixo.

3ª MORTE: ÂNGELAAquela ovelhinha deu trabalho até pra morrer. Eu sabia que ela procuraria pelo primo demente. Roubei da maleta de Sérgio, uma seringa com cloreto. Dei azar de ter sido vista andando na chuva por Ângela. (CAP.7 – Cena 7) Como estava de capa, ela pensou que fosse Egídio. Então corri para as árvores e esperei por ela. Foi quando lhe dei a seringada quando ela chegou mais perto. Ainda tive o prazer de vê-la em seus últimos segundos, olhando pra mim. Disse pra ela: – Morre sua idiota – Isso não é engraçado? Tinham que ver a cara dela. Garota enjoada, pegajosa – Então voltei correndo pra casa.

4ª MORTE: AMANDA

Eu me divertia quando via todos se acusando lá embaixo. Após a morte de Ângela, Sérgio foi até meu quarto brigar comigo. Ele realmente a amava. Disse a ele que não havia sido eu, e sim, Amanda que estava enfurecida com a traição de Alex. Disse a ele que Ângela não estava em meus planos, ele, idiota, acreditou. Foi quando entrei no quarto de Edmundo e coloquei o revólver de volta, escondido em outro lugar. Amanda entrou no quarto para dormir lá, fiquei escondida debaixo da cama, vi quando ela discutiu com Otávio e depois apontou a arma para Edmundo (Cap.10 – Cena 11) Uma pena que eu havia retirado as balas, Amanda chegou a puxar o gatilho. Com Edmundo morto, eu ficaria mais tranquila, ele e Irene eram quem eu mais temia.

Esperei Amanda dormir, e de madrugada a ataquei com um canivete que pedi emprestado a Sérgio, sim, ele sabia que eu mataria Amanda pra vingar Ângela, cortei a garganta daquela galinha. E sufoquei seus gritos com um travesseiro. Pela manhã, vocês chegaram. (Cap. 11 – Cena 8) Depois ouvi as discussões de vocês na sala lá embaixo, acusando Edmundo de ter entrado no quarto porque tinha a chave reserva. Mas eu já estava lá dentro.

Eu gelei quando Edmundo disse ter ouvido passos, vindo lá de cima. (Cap. 11 – Cena 5) Sim, era eu. Edmundo tinha uma linha de raciocínio fantástica. Ele era quem eu mais temia. O barulho se deu quando entrei no quarto de Egídio. Amanda já estava morta nessa hora.

5ª MORTE: EGÍDIO:

O demente mental dormia. Ele sabia que eu estava viva. Eu já havia me mostrado pra ele. Achei que seria covardia enforcá-lo dormindo. Que graça teria? Ele tinha que ver minha cara. Sabem o que eu fiz antes disso? Enquanto vocês discutiam lá embaixo, entrei no quarto dele, ele pensou que eu era um fantasma. E então comecei a sussurrar coisas pra ele, sobre vocês. Ele achava divertido, confesso que me diverti quando ele provocava os demais, tudo que ele disse era eu quem dizia a ele. Em especial quando provocou Irene, dizendo que a mãe dela tava lá em cima. (Cap.9 – Cena-3) Mais tarde, de madrugada, tive que mata-lo. Eu o acordei. Ele simplesmente olhava pra mim, enquanto eu o enforcava. Ele não deu um grito, nada. Disse a ele pra se comportar, que já estava crescidinho.

6ª MORTE: ADVOGADO:

Sobraram cinco. “Cinco ovelhinhas e uma sem sapato. Esta morreu, então ficaram quatro” – Na verdade, esse artigo se aplica a Sérgio, que morreu descalço. Quando advogado morreu, ele estava descalço também, mas isso foi um acaso, pois não esperava que fosse torcer o pé. Mas soube me aproveitar da situação. Com a morte de Sérgio, aí sim, ficaram quatro, eu, Irene, Alex e Edmundo – Irene havia subido pra seu quarto.

Otávio não era a bola da vez e sim Edmundo. Mas esse era muito difícil de ser pego.

Dei muita sorte quando um rato surgiu no quarto de Irene. Ela já estava em um estado de nervos enorme. Todos subiram, eu estava lá fora. Vi Alex descer pra buscar uma cadeira (CAP. 12 – Cenas 9 e 10 ) Quase que ele me viu.

Depois Edmundo desceu pra buscar uma garrafa, depois Sérgio. Enquanto os quatro se reuniram no quarto de Irene, eu entrei na sala de jantar e vi Otávio sentado. Ele me olhou de forma aterrorizadora e tão assustado nem conseguiu gritar. Nesse momento, apertei gatilho, eu sempre soube atirar. Sempre. Acertei em cheio. Ele ficou lá com aqueles olhões arregalados. Então coloquei nele um chapéu e subi rapidamente pro meu quarto, onde fiquei deitadinha, enquanto vocês ajudavam Irene.

7ª MORTE: DOUTOR SÉRGIO VAZ:

Este; posso dizer, foi meu único amigo nos últimos anos. Um dia antes de partirmos pra ilha, liguei pra ele. (Cap.1 – cena-1) O único que sabia de meu plano desde o início. Prometi a ele coloca-lo em meu testamento. Mas para isso, precisávamos nos livrar da tal ovelha negra. Tolo, jamais pensou que eu fosse a própria. Disse a ele:

– Sérgio, há um assassino em minha família. Quero que me ajude a desvendar isso. Quero que você seja o beneficiário de minha herança –

 Ele estava bastante endividado. Com problemas na clínica. E eu sei que ele matou sim a primeira esposa. Nunca gostou dela. Ele se apaixonou por Ângela. Isso foi uma lástima. Durante as madrugadas, ele batia no meu quarto e entrava lá. Conversávamos rapidamente, ele não sabia que eu era a assassina, somente quando matei Amanda. Disse a ele, que vi Edmundo empurrar Clô do alto da escada. Disse a ele que vi Amanda matar Ângela. Disse a ele que Alex jogou água em Jayme. Disse a ele que o Advogado enforcou Egídio, quando levou a comida pra ele. Disse a ele que Edmundo havia matado Otávio, quando desceu pra buscar a tal garrafa. Pobre Sérgio.

Quando sobraram quatro ovelhinhas, ele entrou em meu quarto após deixar o corpo do advogado no quarto. Disse a ele pra me encontrar nos rochedos de madrugada, porque lá estaríamos mais seguros de sermos vistos. Chegada a hora, ele saiu da casa e foi ao meu encontro. Subimos na pedra pra conversarmos, disse a ele que Edmundo era o verdadeiro assassino e precisava ser detido.

  Então, esperei o momento certo de distração dele e o empurrei das pedras, ele bateu com a cabeça na rocha. Aí deixei a arma por perto e voltei pra casa. Aí comecei o teatrinho. Queria que o próximo fosse Alex. Ele sempre foi um medroso de primeira. Então, bati com força a porta do quarto de Sérgio, pra que Alex ouvisse. Parei em frente à porta do seu quarto, eu sabia que ele estaria acordado. Coloquei um espelhinho na fechadura, esperando o momento que o idiota fosse olhar. E ele fez.

(cap.13 – cena–4)

 Viu o próprio olho e tremeu de medo, porque no fundo, sempre foi uma criancinha medrosa e ridícula. Então desci rapidamente as escadas e bati a porta com força, dando a volta na casa, enquanto o idiota me procurava lá fora.

     MORTES DE ALEX E EDMUNDO E IRENE

– As três últimas ovelhas, ainda estavam vivas. Queria brincar com elas. Mas eram justamente as três ovelhas mais perigosas. Eu sabia que matar um deles, seria muito difícil. O tempo todo, os três eram exatamente os mais fortes. Edmundo então, esse eu sabia que seria difícil. Então, pensei comigo, já conhecendo os três desde crianças e sabendo que apesar de serem primos, nunca se amaram. Pensei comigo: os três últimos estarão com os nervos à flor da pele. Desconfiarão uns dos outros, por isso, deixei o revólver, torcendo é claro, pra que o mais fraco o encontrasse.

     Então, da janela do quarto de Egídio, vi de longe, nas rochas, Irene atirar em Alex e depois se atracar com Edmundo. Vibrei ao ver Alex morto e torci muito pra que Irene levasse a melhor sobre Edmundo. Foi um alívio vê-la se levantando e deixando os dois mortos pra trás. Então, rapidamente aprontei o laço no quarto dela com as cordas que usei pra matar Egídio. Eu sabia que Irene jamais havia esquecido o que ocorrera com sua mãe. Ela nunca superou isso. Então, dei a ela a oportunidade de partir como sua mãe partiu. É claro que ao ver o laço, ela saberia que poderia haver mais alguém na casa. E talvez até desconfiasse de mim, mas ela já havia matado duas pessoas. Era a última das dez ovelhas. Embora fosse feroz como uma leoa, Irene era desequilibrada emocionalmente, durante os últimos anos, já havia tentado se matar, pois tinha saudades da mãe. Então dei a ela a chance, e ela tomou coragem, e fez o que seu desequilíbrio mental mandou. Se matando como no verso da última ovelha. Último verso que serviu pra mim.

SUÍCIDIO DE LAURA

Entrei no quarto de Irene, coloquei a cadeira no canto da parede. E fui olhá-la de frente. Pra minha surpresa, a pobre Irene, ainda não havia morrido. Ela gemia enquanto seu pescoço era quebrado. Ainda tive 5 ou 6 segundos pra vê-la partir, e que satisfação tive quando ela me olhou e soube que era eu a última ovelha. Ainda sorri pra ela. Posso dizer com orgulho, que não: Irene não se suicidou. Eu a matei. Desculpem a falta de modéstia, mas eu a matei sim. Pois eu sabia que ela não aguentaria aquele teatro de horrores na qual viveu naquela casa, e ainda tinha acabado de matar duas pessoas, como não perderia o juízo totalmente? Aliás, quem não perderia?

      Com a morte de Irene, minha obra de arte estava completa. Mas a vaidade humana é muito grande. Sentei pra escrever este relato, para que o mundo saiba, sem nenhuma sombra de dúvidas, que fui Eu, Eu, quem arquitetou tudo isso. E que o mundo se lembre de mim com ódio e admiração por minha competência criminal. Peguei os corpos que estavam na casa, exceto o de Irene e os coloquei sentados à mesa. Como uma reunião familiar. Queria pegar os corpos dos três mortos no rochedo, mas como sou velha, não tenho forças nas mãos. Queria todos à mesa, queria que a polícia visse como minha família se ama. Sei que serei odiada por esse final. Mas não serei esquecida jamais. O mundo se lembrará de mim. A chacina das Ovelhas. A Grande Ovelha Negra da Família. Família essa, agora extinta.

      Deixarei minha confissão e meu relato, dentro de uma garrafa, na qual os senhores encontrarão no quarto do retardado do Egídio.

Agora, tomarei cianeto, e sentarei à mesa como os meus convidados estão. E esperarei pela minha morte.

     Quando a polícia chegar aqui, encontrará 11 corpos e uma herança milionária sem dono. 

   E você, que me lê agora: Quer seu meu herdeiro? Beijos da titia…

Laura Mendes Falcão

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50 thoughts on “Ovelha Negra – Capítulo 15 (Último Capítulo)

  1. Então não era ninguém que eu suspeitava!Tudo foi planejado!As mortes que aconteceram foram de acordo com o testamento.A milionária Laura Falcão não morreu!Então foi ela!Pensei esse tempo todo que ela tinha morrido!
    Parabéns pelo último capítulo!
    Depois de Ovelha Negra,você fará mais web-novelas ou pretende fazer alguma web-série?

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    • Obrigado Anônimo. Eu tenho uma web no blog tvn, chamada Coração de Ouro. Mas inédito, nesse momento ainda não.
      Laura preparou tudo e contou com a ajuda do doutor. Ela com certeza está no inferno agora. kkk🙂 Obrigado amigo!

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  2. Curuzes! Desconfiei desde o princípio 😁 mas não disse nada, desconfiei que alguém não havia morrido de fato haha então foi a Laura louca! Que mulher horrenda, ainda bem que morreu também.
    Eu não quero essa herança amaldiçoada 😂😂😂
    Parabéns Mauricio!
    Web novela esplêndida 👏👏👏👏

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  3. Maurício eu falei desde o inicio ele quis me fazer de bobo quando falei por que a morte da Laura não foi vista justamente por isso pra ninguém desconfiar mais eu fui do inicio ao fim desconfiando da Laura você não consegui me enganar meu bem ! Beijos do Titio Gabriel❤

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    • kkk, realmente vc havia citado isso. Mesmo assim, criei mais duas rotas de saída. Há outros dois finais alternativos com outros assassinos. Por isso, deixei as cenas interligadas no caso de um futuro reprise! Obrigado Gabriel e obrigado por ter acompanhado!🙂

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  4. Mortífera com a revelação, nunca desconfiei da titia Laura, pensei que tivesse morrido, parabéns pela web maravilhosa, história muito bem construída😃

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  5. SENSACIONAL Maurício! Acertei em apostar que Laura estava viva e o Sérgio era o cúmplice.Mas, também errei em apostar em outros ao decorrer dos capítulos. Laura foi genial. Realmente estava no DNA dela ser bandida, afinal gostava de muito dinheiro e muito poder. Laura planejou tudo, deu sorte em alguns momentos. Sérgio foi manipulado, usado e depois descartado. Adoro isso em tramas. Ovelha Negra acertou em sua ousadia, podia dar errado caso os conflitos fossem banais e normais. Cada conflito servia para dar o espaço de ocorrer uma morte. Ninguém confiava em ninguém, mas o medo falava mais alto e Irene ajudou Laura no final.
    Que capítulo foda, nunca pensei ler algo tão bom quanto li hoje. Claro que pensava que esse capítulo ia ser muito bom e revelador. Fui surpreendido de forma muito positiva. A carta de Laura foi um artificio excelente para contar o fim de Ovelha Negra de um ponto que só a assassina soube contar. Curti muito esse final. Laura enganou Sérgio em diversos momentos, mas ele estava apaixonado e nem percebeu. O mais incrível era que os títulos resumiam tudo o que Laura fazia. Por exemplo o Sacrifício, ela matou sua gata adorada para dar início o plano.
    Comecei a desconfiar de Laura no momento que todos tinham algo contra ela,os empregados até nem liguei muito, mas ao passar de herdeiro para herdeiro fui pensando nisso. Ela chamou eles para uma ilha, num final de semana chuvoso, afastado de comunicação, tudo isso pra revelar seu testamento? Achei que tinha algo mais. Acertei. Era ela, só podia ser ela. Pra estar em todos locais sem ninguém dar falta. Como chovia, não podia ter mais gente na ilha. Também que na cena que mostra ela no quarto morta, não detalhava bem como as outras.
    Genial. Foda! Texto envolvente, estava ansioso pra ler esse final!
    Maurício você escreveu muito bem, Ovelha Negra foi ma excelente web.
    Parabéns Maurício por seu trabalho em Ovelha Negra!

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    • Gremista, muito obrigado por seu comentário. Tia Laura agora deve estar ardendo no fogo eterno. kkk. Foi uma grande vilã oculta. Como vc disse, só podia ser ela. Os outros eram maus, mas ela era insana. Sabendo que ia morrer fez o que fez. Por isso em flashback tinha dito ao Alex que aconteça o que acontecesse ele não ficaria com o dinheiro.
      Gremista, mto obrigado por ter acompanhado a trama e pelos seus comentários que me motivaram sempre nesse trajeto. 🙂 Boa sorte na final da copa do brasil! rsrs🙂

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      • Obrigado. Estou torcendo pra que venha o penta pro Grêmio depois de 15 anos né. Acredito que conseguiremos o título. Mas, estou ansioso desde já.
        Maurício realmente essa trama foi muito boa. Gostei demais. Fiquei muito ansioso lendo os capítulos! Qual seu time?

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      • Eu sou vascaíno,kkk. segundona. kkk.
        To torcendo como um louco pro Palmeiras ser campeão brasileiro, pq se não a praga do fla…. será. kk
        Se jogar fechadinho o Grêmio leva o caneco, o atlético não é tudo que dizem ser.

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  6. GENTE, QUE FINAL SENSACIONAL!
    Nunca tinha desconfiado de que a Laura estava viva, só fui me ligar nessa possibilidade ao ler os comentários do capítulo de ontem. E morri com a medicação que ela usou pra ficar gelada e parecer morta, me lembrou o filme Jogos Mortais onde o Jigsaw injeta nele uma substância para não se mexer e ficar com a respiração lenta.
    Maravilhosa a carta escrita por ela, não deixou nenhuma ponta solta.
    Meus parabéns por esse trabalho divino, Maurício! Mereceu todo o sucesso que fez.😀

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  7. Morri com o capítulo de uma cena (mas a carta valeu por um capítulo de 20)
    A Laura era a Ovelha Negra, que mulher diabólica! Matou a família inteira, e ainda se matou, que loucura! E a morte foi seguindo o poema das ovelhas…
    Sinceramente, a Laura nunca me desceu, quando o Sérgio disse que a Ovelha Negra não estava entre eles, minhas dúvidas foram embora!
    Ovelha Negra foi uma web novela excelente, envolvente, os personagens muito bem construídos, eu imaginava os atores interpretando seus personagens brilhantemente (exceto Egídio e o Inspetor Benedito, nunca vi nenhum papel feito pelos seus intérpretes)
    Parabéns, Maurício!
    Ovelha Negra ficará para sempre na minha memória!

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    • Roberto, muito obrigado por ter subido naquele barco, e entrado naquela casa e vivido junto comigo e os 11 personagens esse terrível conto das ovelhas. kkk.
      Vc havia comentado em outras ocasiões sobre Laura e estava certo. Laura acabou sendo a grande vilã. Uma vilã oculta. Fico imaginando também, Vera Holtz com aquele sotaque fazendo o papel. kkk
      Fico mto feliz que tenha gostado. Um grande abraço. 🙂

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  8. Chocado com esse final. Nunca imaginei…

    Mas sinceramente? Foi mirabolante demais para mim, eu realmente não estou conseguindo acreditar que a Laura era a ovelha negra. Não é que as coisas não façam sentido, elas fazem sim, mas é algo tão inimaginável que é difícil de engolir. Tipo um brain explosion, sabe?

    Mas a trama deixou um gostinho de quero mais… os finais alternativos. Já kero reprise pra ontem pra ver um dos finais alternativos.

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    • Sim, desde a primeira cena do primeiro capítulo que abre a web, ela ao telefone planejava algo com alguém, no caso o dr. Sérgio. Laura planejou tudo, o clima, local, conhecia o perfil psicológico de cada um deles, sabia que Alex tinha medo de olhar na fechadura, sabia que Irene era uma desequilibrada com o caso de suicídios, sabia que Edmundo tentaria matá-la. Ela tinha ódio de todos eles e sabia que era odiada também. Que os elogios que recebia, nada mais eram que apenas falsas bajulações. Imagino que esteja sentindo algo estranho e fico feliz de ter conseguido isso. kkkk. Sobre os finais alternativos, será um prazer num futuro próximo mostrar os outros pontos de vista. No mais, só tenho agradecer a vc Glay por ter embarcado na ilha e feito a viagem, assim como foi em Coração de Ouro, suas análises enriquecem o trabalho e nos fazem ver o que precisamos melhorar. Um abraço meu amigo!🙂

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  9. Parabéns, amigo! Desejo mais sucesso e boa-sorte na sua carreira com web-autor! Que venha logo um novo projeto seu!
    #.😀❤❤❤

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  10. -Desconfiava desse do inicio, mais mais coloque como palpite pois eu vi que o advogado seria uma outra opção.
    -Uma pena que a audiência foi pequena.(17)
    -Queria pedir descubra pois não comentei em alguns capitulo. Por falta tempo ou por causa das chuva que teve na minha cidade.
    – Parabéns pela web e pala ideia dessa magnifica ideia.

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    • Realmente vc havia comentado sobre Laura. O advogado e o médico também eram boas opções.
      Minha audiência é poder saber que consegui de uma forma ou de outra distrair as mentes dos leitores e deixá-los entretido nesse correria que é a vida. Ainda que fosse somente 1, já estaria contente, e felizmente foram vários que acompanharam e contribuíram com a web e devo agradecer a vc Paulo Victor por ter embarcado pra ilha. Muito obrigado meu amigo!🙂

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  11. Maurício, apesar de, infelizmente, não ter acompanhado a trama, tirei um tempo para vir ler o final, e só posso lhe dizer uma coisa: GENIAL!
    Fazer com que a primeira vítima, a que todos acreditavam ter morrido, seja a verdadeira assassina foi uma virada e tanto, e realmente, desde o início todos achavam que Tia Laura estava rodeada de pessoas más, porém, a pior sempre foi ela mesma
    Achei arriscado e inteligente o último capítulo ser praticamente a carta da Tia Laura, deu muito certo. Até pra mim, que não li os capítulos, entendi muito muito bem os acontecimentos e como Laura agiu para fazê-los.
    “Ovelha Negra” se despede como uma grande surpresa pra mim, você não poderia ter estreado de melhor forma, Maurício.
    Gostaria de aproveitar por não ter lhe acompanhado nessa tragetória, mas realmente o tempo anda apertado para tantos afazeres. Aproveito, também, para lhe agradecer por brindar o público do Mix com essa grande obra e lhe dizer que estou sempre a sua disposição para apresentar ideias e projetos, ou pedir opinião acerca deles.
    Parabéns pelo sucesso!❤

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    • Brenddo, meu amigo! Só tenho a agradecer a vc pela oportunidade dada. A vc e ao Hivan também. Seu trabalho de divulgação com as chamadas deram um grande toque de classe pra web e fez com que ela ficasse bem retratada. Muito obrigado meu amigo! Foi um grande prazer ter colaborado com o blog e com certeza nos falaremos mtas vezes.🙂❤

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  12. Infelizmente não pude ler ontem… Mas, acerteeei! Uma das possibilidades que pensava era ela viva e matando todo mundo rs
    Parabéns, web maravilhosa!!

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